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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Anacronismo não vence eleição

Posted by Pax em 04/09/2010

Uma análise de Francisco Viana, no Terra Magazine, sobre a vitória praticamente certa de Dilma Rousseff nestas eleições, provoca uma discussão interessante: O anacronismo representado pela campanha de Serra jamais conseguiria vencer a concretização dos sonhos em realidade perpetuada pelo governo Lula.

Nem Marx, nem Lênin. Hegel

Francisco Viana De São Paulo (SP) – Terra Magazine – via twitter do Bob Fernandes – Editor Chefe

“Nenhum sonho pode ficar parado: isto não faz bem”.
Ernst Bloch, O princípio esperança

A proximidade das eleições presidenciais sugere uma reflexão em torno do ambiente político brasileiro. Não uma reflexão voltada para discutir quem é o melhor candidato, mas uma reflexão orientada para um projeto político que mude a cor sombria dos nossos pesadelos – exclusão social, violência, desemprego, exploração, destruição do meio ambiente, por exemplo, para o colorido dos nossos sonhos. Na realidade, esse projeto já existe e vem sendo posto em prática pelo governo Lula que tem rompido com a barreira das impossibilidades e tornado a concretização dos sonhos possível. A candidata Dilma Rousseff corresponde, mais do que à continuidade, ao aprofundamento da concretização desses sonhos, por simbolizar o projeto da inclusão social e da estabilidade política. Vejamos as diferenças concretas, a partir da realidade concreta.

José Serra, que o marketing quer “vender” à sociedade como “Zé”, construiu um mundo sem fronts. O seu espírito de época é anacrônico porque é meramente discurso. Como alguém pode chamar Serra de “Zé”? Zé representa o horizonte mais distante a que conseguiu chegar o seu marketing político, tecido por artífices do medo que tentam fazer do passado de Dilma Rousseff – louvável sob todos os aspectos, a começar pelo enfrentamento da ditadura militar – um fator negativo, fonte do éter da alienação. Medo de quê? Frear o desenvolvimento? A supressão das liberdades? Acirramento da luta de classes? O Brasil, com Lula, ingressou num ciclo de prosperidade sustentável. Por que iria recuar? Além da prosperidade, vem confluindo das corredeiras da exclusão para o leito da inclusão social, com entendimento em lugar de confronto de classes. Lula esteve à frente desse processo. Dilma esteve ao seu lado e persiste. O sonho marxista dos anos 60-70 está sendo revisto, em todo o mundo. A via democrática tornou-se um valor. O socialismo libertário, pouco a pouco, entra no cotidiano das nações, por força inclusive da própria realidade. Há uma nova esperança, não abstrata, mas real. O Brasil é parte dessa nova esperança. E esta vem sendo conquistada pelo voto.

Continua no Terra Magazine

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12 Respostas to “Anacronismo não vence eleição”

  1. Patriarca da Paciência said

    E uma minoria de anacrônicos tenta dizer que “o povo é bobo”.

    O povo não é nem nunca foi bobo.

    Se suporta certas coisas é apenas por conveniência.

    Bobo mesmo é quem aposta na ignorância do povo.

  2. Elias said

    Não acho que “o socialismo libertário” — o que quer que isso signifique — esteja entrando no cotidiano das nações. Não é o que a realidade mostra.

    Do ponto de vista ideológico, o que ocorreu foi um embate entre o neoliberalismo e a social democracia. Neste momento, a SD está levando a melhor.

    Se vai continuar ganhando e levando é algo que só o tempo dirá.

    O socialismo é um belo sonho, quando aponta para um mundo melhor, com melhores condições de vida para todos, etc.

    Mas, o que é mesmo o socialismo? Como operar esse conceito? Seria dissolvendo a noção de propriedade privada ou estendendo a propriedade às parcelas da sociedade que, até aqui, têm sido mantidas fora do jogo?

    A dissolução da noção de propriedade privada quase sempre leva ao estatismo, e todos nós sabemos onde isso termina. Esse filme já passou e, pelo que vimos, a gente morre no fim.

    A outra alternativa parece mais justa, mais viável e sustentável, sob qualquer perspectiva temporal.

    Mas não se pode dizer que essa alternativa já esteja na agenda das organizações socialistas.

    No dia-a-dia da política, p.ex., essas organizações nem sonham em referendar esse caminho.

    Do ponto de vista da operação prática do conceito ideológico, se essa alternativa entrar para a agenda das organizações socialistas, isto implicará para elas, no limite, reconhecer que a instituição capitalista da sociedade anônima pode constituir um mecanismo de socialização da propriedade mais justo e mais eficaz do que qualquer estatização. Neste caso, caberia ao Estado o papel indutivo e de regulador com poderes de interveção. Mas nunca de operador.

    Há uns 10 anos, li e achei muito interessante o livro “A sociedade pós-capitalista”, de Peter Drucker, porque tem a ousadia de projetar o olhar um tanto à frente. Tem a coragem de dizer que nem todas as soluções precisam estar ancoradas no que foi pensado até o Século XIX.

    E isso vale tanto pros neolibs quanto pro pessoal do lado de cá, acho.

  3. Chesterton said

    FAZ MUITOS ANOS já que não pertenço a nenhum partido político, muito embora me preocupe todo o tempo com os problemas do país e, na medida do possível, procure contribuir para o entendimento do que ocorre. Em função disso, formulo opiniões sobre os políticos e os partidos, buscando sempre examinar os fatos com objetividade.
    Minha história com o PT é indicativa desse esforço por ver as coisas objetivamente. Na época em que se discutia o nascimento desse novo partido, alguns companheiros do Partido Comunista opunham-se drasticamente à sua criação, enquanto eu argumentava a favor, por considerar positivo um novo partido de trabalhadores. Alegava eu que, se nós, comunas, não havíamos conseguido ganhar a adesão da classe operária, devíamos apoiar o novo partido que pretendia fazê-lo e, quem sabe, o conseguiria.
    Lembro-me do entusiasmo de Mário Pedrosa por Lula, em quem via o renascer da luta proletária, paixão de sua juventude. Durante a campanha pela Frente Ampla, numa reunião no Teatro Casa Grande, pela primeira vez pude ver e ouvir Lula discursar.
    Não gostei muito do tom raivoso do seu discurso e, especialmente, por ter acusado “essa gente de Ipanema” de dar força à ditadura militar, quando os organizadores daquela manifestação -como grande parte da intelectualidade que lutava contra o regime militar- ou moravam em Ipanema ou frequentavam sua praia e seus bares. Pouco depois, o torneiro mecânico do ABC passou a namorar uma jovem senhora da alta burguesia carioca.
    Não foi isso, porém, que me fez mudar de opinião sobre o PT, mas o que veio depois: negar-se a assinar a Constituição de 1988, opor-se ferozmente a todos os governos que se seguiram ao fim da ditadura -o de Sarney, o de Collor, o de Itamar, o de FHC. Os poucos petistas que votaram pela eleição de Tancredo foram punidos. Erundina, por ter aceito o convite de Itamar para integrar seu ministério, foi expulsa.
    Durante o governo FHC, a coisa se tornou ainda pior: Lula denunciou o Plano Real como uma mera jogada eleitoreira e orientou seu partido para votar contra todas as propostas que introduziam importantes mudanças na vida do país. Os petistas votaram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e, ao perderem no Congresso, entraram com uma ação no Supremo a fim de anulá-la. As privatizações foram satanizadas, inclusive a da Telefônica, graças à qual hoje todo cidadão brasileiro possui telefone. E tudo isso em nome de um esquerdismo vazio e ultrapassado, já que programa de governo o PT nunca teve.
    Ao chegar à presidência da República, Lula adotou os programas contra os quais batalhara anos a fio. Não obstante, para espanto meu e de muita gente, conquistou enorme popularidade e, agora, ameaça eleger para governar o país uma senhora, até bem pouco desconhecida de todos, que nada realizou ao longo de sua obscura carreira política.
    No polo oposto da disputa está José Serra, homem público, de todos conhecido por seu desempenho ao longo das décadas e por capacidade realizadora comprovada. Enquanto ele apresenta ao eleitor uma ampla lista de realizações indiscutivelmente importantes, no plano da educação, da saúde, da ampliação dos direitos do trabalhador e da cidadania, Dilma nada tem a mostrar, uma vez que sua candidatura é tão simplesmente uma invenção do presidente Lula, que a tirou da cartola, como ilusionista de circo que sabe muito bem enganar a plateia.
    A possibilidade da eleição dela é bastante preocupante, porque seria a vitória da demagogia e da farsa sobre a competência e a dedicação à coisa pública. Foi Serra quem introduziu no Brasil o medicamento genérico; tornou amplo e efetivo o tratamento das pessoas contaminadas pelo vírus da Aids, o que lhe valeu o reconhecimento internacional. Suas realizações, como prefeito e governador, são provas de indiscutível competência. E Dilma, o que a habilita a exercer a Presidência da República? Nada, a não ser a palavra de Lula, que, por razões óbvias, não merece crédito.
    O povo nem sempre acerta. Por duas vezes, o Brasil elegeu presidentes surgidos do nada -Jânio e Collor. O resultado foi desastroso. Acha que vale a pena correr de novo esse risco?

    Ferreira Gullar

  4. Iconoclasta said

    Chesterton, esse texto do Ferreira Gullar foi publicado aonde? tanta lucidez aos 80 anos, vindo de alguém que pertenceu ao PC, até surpreende.

    “A possibilidade da eleição dela é bastante preocupante, porque seria a vitória da demagogia e da farsa…”

    perfeito.

  5. Chesterton said

    Folha de São Paulo de ontem

    Mais da FSP

    O alerta de Lula

    Há 14 anos, em artigo na Folha, o atual mandatário acenava com os riscos de “mexicanização” e uso abusivo da máquina pública

    “Num país onde se pratica o fisiologismo explícito e o uso e abuso da máquina pública em proveito próprio, a reeleição pode conduzir a um processo de mexicanização”. O alerta foi emitido em 1996 por Luiz Inácio Lula da Silva em artigo publicado pela Folha.
    O líder petista, que havia dois anos perdera a eleição no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso, mostrava-se preocupado. Via o risco de, aprovada a possibilidade de renovação do mandato, o PSDB transformar-se numa espécie de Partido Revolucionário Institucional -o PRI, que governou o México de 1926 a 2000.
    Lula chamava a atenção para o peso desproporcional que os detentores do poder podem exercer num processo eleitoral por meio do aparelhamento o Estado e nebulosa arrecadação de fundos:
    “O Estado mobiliza um conjunto de obras e recursos que podem ser postos a serviço de caixinhas eleitorais e troca de favores. Não é segredo para ninguém que as grandes obras públicas podem ser sobrefaturadas, e um significativo percentual delas acaba nas contas numeradas dos assessores dos mandatários, não para uso pessoal, dirão eles, é claro, mas para financiar a futura campanha. São rios de dinheiro […] para fazer propaganda de campanha e programas mirabolantes, com a mais sofisticada técnica de comunicações para ludibriar o eleitorado”.
    Diante das pretensões da situação, favorável à continuidade de FHC para que o Brasil prosseguisse dando certo, Lula alfinetava: “E por que, então, não ressuscitar de uma vez o partido monarquista e colocar FHC no trono do Brasil para sempre?”.
    Como se sabe, aprovada e emenda da reeleição, o tucano conquistou mais um mandato e foi sucedido pelo próprio petista. Os artifícios retóricos e os argumentos que constavam do artigo de Lula poderiam, quase que integralmente, ser agora esgrimidos contra seu próprio governo.
    De fato, poucas vezes na história republicana o fisiologismo foi tão explícito e subordinou-se tanto a máquina pública ao proveito partidário. Por certo, tornaram-se ainda mais caudalosos os rios de dinheiro vertidos na candidatura continuísta -e mais sofisticadas as técnicas de comunicação para “ludibriar o eleitorado”.
    Utilizou-as Lula, com sua vocação de animador de plateias, para inventar a herdeira que, sem nenhuma experiência eleitoral, poderá ocupar seu trono -ou melhor, a cadeira presidencial.
    As recorrentes comparações com a história mexicana, que ora voltam à cena, podem ser úteis nos torneios verbais, mas não vão muito além disso. Por mais longos que possam ser os ciclos de grupos políticos no poder, as democracias evoluídas (o que não era o caso do México) acabam sempre por experimentar uma saudável alternância administrativa.
    São os fundamentos desse sistema de governo que, acima de tudo, precisam ser fortalecidos no Brasil. Não há dúvida de que a experiência democrática em nosso país já atingiu padrões elogiáveis de funcionamento. É preciso porém cultivá-la para que não se perca em consensos perigosos -mais ainda neste momento em que o continuísmo político poderá consumar-se em inédita hegemonia.

  6. Iconoclasta said

    esse aí eu havia visto ontem, alguém tem que mostrar o artigo para o GAGAspari.

  7. Elias said

    Com todo o respeito ao Gullar, vamos a veire algumas coisas:

    I -Lula adotou a mesma política econômica de FHC

    1 – Ninguém que queira ser levado a sério diz algo semelhante. A política monetária não é a mesma; a política cambial, idem, e por aí afora. Lula tomou o cuidado de preservar a maior conquista do Plano Real, que é a estabilidade econômica, evitando adotar medidas inflacionárias.

    A condução da políotica econômica foi sólida a ponto de superar a extinção um dos pilares da política tributária de FHC, baseada na expansão da arrecadação não compartilhável (e a CPMF foi extinta momentos antes da crise econômica mundial explodir). Mesmo assim, o nível de produção e de emprego foi mantido, a inflação continuou sob controle e o país saiu da crise na dianteira de várias outras economias de porte igual ou maior.

    Criticar o atual presidente por ter feito isso é burrice. Numa campanha eleitoral, adotar esse viés é tratar o eleitor como imbecil.

    2 – Mesmo que fosse o caso — e não é — do Lula ter mantido “in totum” a política econômica de FHC, isso só seria criticável se ele não fosse bem sucedido. Tendo ele optado por um determinado caminho, e se saído bem nisso, qual o problema?

    II – O PCB era contra a criação do PT

    Em sua longa existência, o PCB quase sempre só fez merda.

    Nos momentos cruciais de sua história o PCB só conseguiu ser desastroso. Quem quer que se dê ao trabalho de estudar o período republicano da História do Brasil dificilmente chegará a outra conclusão. Em 1935, em 1964… o PCB nunca foi além de ser uma caricatura de partido marxista-leninista.

    Não admira que ele tenha sido contrário à criação do PT. Pelo oposto, só faz sentido!

    E não está correto insinuar que o PT ocupou ou tentou ocupar algum espaço PCB. Nem que o PCB se opôs à criação do PT por temer que este ocupasse um espaço que o PCB pretendia ocupar.

    O PCB sempre se reivindicou um partido marxista-leninista, isto é, um partido de quadros e não um partido de massas.

    Já o PT, desde sua criação, sempre se encaminhou no sentido de ser um partido de massas. Nunca, portanto, um partido marxista-leninista.

    O PCB se opôs à criação do PT porque o pecebão queria mesmo era que toda a oposição ao regime militar se aglutinasse em torno do PMDB, do qual o PCB era e continuou sendo linha auxiliar.

    Mais tarde, em alguns casos, e sem nunca fazer auto-crítica de sua posição anterior (como de hábito), PCB acabou se tornando linha auxiliar do próprio PT, sempre com influência mínima ou nula na formação da opinião.

    O fato é que o PCB nunca chegou a ser um partido marxista-leninista. Também nunca foi um partido de massas. Não sendo uma coisa nem outra, o que o PCB conseguiu ser? Nada!

    III – O Brasil elegeu 2 presidentes saídos do nada: Jânio e Collo

    Verdade. Jânio, aliás, com o apoio do PCB, que agitou a dobradinha Jan-Jan, rifando a candidatura do marechal Teixeira Lott (naquela época, presidente e vice eram eleitos separadamente, sendo possível, portanto, votar pra presidente numa chapa e para vice noutra).

    É que o PCB dizia que Jânio era “de esquerda”…

    Não que o apoio do PCB ao Jânio tenha feito alguma diferença, mas que apoiou, apoiou, né?

    Agora, comparar Dilma a Jânio ou Collor é pular uma passagem.

    Jânio e Collor foram eleitos sob uma bandeira vaga, supostamente moralizadora, de combate à corrupção (Jânio, era “o homem da vassoura” que iria varrer a corrupção brasileira pro lixo da história; Collor era o “caçador de marajás”, que prometia mais ou menos a mesma coisa). Eram, ambos, candidatos messiânicos. Salvadores da pátria ameaçada.

    Dilma centra sua campanha na continuidade de uma linha política que está sendo posta em prática há 8 anos, com resultados positivos. Não há pátria ameaçada. Não há messias. Há a proposição da continuidade de uma linha política em plena execução, sob a chancela de um partido fortemente enraizado na população brasileira (coisa que Jânio e Collor nunca nem sonharam ter), e com capacidade política de superar crises de grande porte.

    Quem não vê as implicações político-eleitorais disso dificilmente se credencia para ter êxito na luta política.

    IV – Serra introduziu no Brasil o medicamento genérico

    Não é verdade. Serra já esclareceu isso, e pediu desculpas por ter afirmado algo semelhante. Nem vou me estender mais nisso, depois que o próprio Serra já corrigiu a lambança.

    Também não vou criticar o Serra por ter dito isso, já que ele pediu desculpas por ter dito.

    De qualquer modo, um pouco de fidelidade aos fatois (objetividade?) não faz mal a ninguém.

    V – Todo mundo tem telefone, graças à privatização

    Não! Nem todo mundo tem. Mas um número incomparavelmente maior de pessoas agora tem telefone celular.

    O Gullar pensa que isso aconteceu por causa da privatização.

    Se ele refletisse mais pouquinha coisa, descobriria que:

    a – um número maior de pessoas tem telefone celular, porque, agora, pode comprar telefone celular e pagar consumo telefônico, o que nada tem a ver com privatização brasileira; tem a ver com o aumento da renda pessoal e com o fato de que dezenas de milhões de brasileiros saíram da linha da miséria;

    b – o telefone celular ficou mais barato por causa de um avanço tecnológico global, o que igualmente nada tem a ver com a privatização brasileira (o computador, o scanner, a máquina fotográfica digital, etc., também ficaram mais baratos na mesma proporção….);

    c – o aumento de usuários de telefonia móvel no Brasil acompanha o aumento ocorrido no resto do mundo, entre pessoas de mais baixa renda, até porque, para a telefonia celular se viabilizar economicamente ela necessita:

    c.1 – aumentar a base consumidora: como a classe alta e a classe média já têm celulares, a expansão só pode ocorrer incorporando a base da pirâmide ao consumo, fato que ocorreu não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina, na Ásia, etc. (creditar isso à privatização brasileira é confundir os saltos dos tamancos do FHC com os altos da torre de Babel);

    c.2 – acelerar a obsolescência dos equipamentos de modo a manter indústria ativa e em crescimento: o que implica o lançamento de novos modelos (e novos serviços) de modo intensivo, criando a permanente necessidade de substituição dos equipamentos em uso (na prática, a vida útil de um celular nem se compara com a de um telefone fixo de 30 anos atrás). Mas isso é um processo global, meninos. Achar que esse troço tem algo a ver com a privatização brasileira é confundir os saltos dos tamancos…

    VI – Serra é mais experiente que Dilma

    Claro! Serra era mais experiente que Lula, também. Lembra do que se dizia de Lula? Que ele nunca havia administrado nem uma mercearia?

    Somente quem não tem a menor idéia do que seja governar ainda insiste nesse argumento.

    O eleitor brasileiro já superou esse nível de percepção há muito tempo.

    Ignorar solenemente o nível de percepção do eleitor brasileiro foi um dos mais graves equívocos políticos que Serra e o PSDB cometeram ao longo de toda esta campanha eleitoral.

    Equívoco que, agora, põe sob ameaça a própria sobrevivência do PSDB.

  8. Elias said

    Em suma: o texto do grande Ferreira Gullar é o brado de um homem apaixonado, que vai fundo naquilo que acredita.

    Parabéns pra ele que, aos 80, ainda consegue ser assim.

    Mas, como acontece com todos e qualquer um, nem sempre paixão e lucidez andam juntas.

    Como no caso do Gullar, p.ex., agora.

    Ele não está sendo mais lúcido do que o Serra. Ao contrário, está embarcando nas mesmas fantasias que empurraram o cabdidato tucano pro fundo do poço eleitoral.

  9. Chesterton said

    e rapidinho vamos em direção ao pensamento único.

  10. Anrafel said

    De onde foi que Ferreira Gullar tirou a idéia de que Jânio Quadros veio do nada politicamente antes de eleger-se presidente da República? A não ser que prefeito e governador de São Paulo seja nada.

    Essa história de ter sido moderado e ‘compreensivo’ com a criação do PT também não bate com a realidade. No início do governo Sarney, houve uma polêmica, via Pasquim, entre ele e Henfil. Era, a rigor, o embate entre os petistas de primeira hora (Henfil) e a ala do partidão que não aceitava aquele partido e aqueles homens que lhe tiraram quadros sindicais e estudantis e detonou o sindicalismo conciliador defentido pelo PCB e operado por Ari Campista e Joaquinzão dos Santos Andrade.

    Foram besteiras proferidas de lado a lado. Gullar dizia, em tom acusatório, que “Henfil é PT”; este, por sua vez, mandava o poeta descer do tanque do general Ivan de Souza Mendes, chefe do SNI à época.

    Como se vê, em termos de libelo acusatório está muito mal a campanha de Serra. Ferreira Gullar, pelo seu passado de artista e intelectual, tem a obrigação de estar além do reginaduartismo.

  11. Chesterton said

    O problema é o porcentismo.

  12. Elias said

    Anrafel,

    Bem lembrado!

    O PCB estava aninhado dentro do PMDB e defendia que toda a oposição ao regime militar fizesse o mesmo.

    Muita gente boa foi convencida disso.

    Um exemplo é o Ziraldo. Ele foi a São Paulo, junto com um monte de gente, tentar convencer o Lula e outro monte de gente a desistir da criação do PT.

    A diferença é que, ao contrário dos tais quadros do PCB, o Ziraldo depois se tocou que avaliara mal a situação, e que criar o PT foi uma decisão correta (Ziraldo nunca foi membro do PCB, embora tido e havido como tal, pela ditadura).

    Agora, de vez em quando, pinta alguém dizendo que apoiou a criação do PT, etc. e tal.

    Aí um outro alguém dá uma vasculhada na memória ou nos arquivos de jornais e revistas e… descobre que foi exatamente o contrário.

    Com todo o tal do “centralismo democrático” do PCB (que tinha tudo — e muito, até demais! — de centralismo e absolutamente nada de democrático) a enquadrar seus comunas, seria difícil o Ferreira Gullar defender, publicamente, uma posição divergente da decisão do partido. No mínimo, ele se submeteria ao silêncio obsequioso, ou seria expulso.

    Mas a verdade é que eu havia esquecido o arranca rabo dele com o Henfil, n´O Pasquim.

    Sempre gostei do Ferreira Gullar e continuo gostando. Como poeta, ele é ótimo. Sempre foi.

    Já como militante político, ele dá cada pisada na bola que… sai de perto!

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