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Sociedade vira as costas para a oposição

Posted by Pax em 16/09/2010

Dilma oscila para 51% e se distancia 24 pontos de Serra, diz Datafolha

Pesquisa Datafolha publicada hoje confirma a vitória de Dilma no primeiro turno. Veja notícia no link acima.

Apesar de todos os ataques contra sua campanha com os escândalos das quebras de sigilo na Receita Federal e o mais recente, de tráfico de influência de Israel Guerra, filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra.

Tudo indica que a pauta destes últimos dias da corrida eleitoral será recheada de acusações e falta de tranquilidade de todos os lados.

Ao mesmo tempo temos uma constatação perigosa e um caminho pouco democrático à frente: a oposição brasileira está completamente desunida e, pior que isso, dissociada da sociedade. Senão vejamos:

– Há problemas sérios apontados na Receita Federal. Sigilos fiscais são vendidos, negociados e usados para todos os fins. Não é de hoje e nada indica que houve qualquer ação da atual gestão para sanar este absurdo com os bancos de dados da sociedade. Agora foram prometidas mudanças de afobadilho que provavelmente serão esquecidas após 3 de outubro.

– Há fortes indícios de tráfico de influência da família da ministra-chefe da Casa Civil em instituições da República. Desde na desmoralizada e incompetente ANAC, na Universidade de Brasília entre outros e agora com nova reportagem que chega até no BNDES onde parentes de Erenice Guerra, segundo o noticiário, vendiam influência sob forma de serviços de consultoria. Uma situação muito pouco sustentável para a ex-braço direito da candidata Dilma Rousseff, apesar do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmar que mesmo havendo denúncias “graves”, não há indícios de envolvimento da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, nas suspeitas de tráfico de influência envolvendo empresas privadas e setores do governo.

– A oposição praticamente abandonou suas propostas de governo durante as últimas semanas se dedicando a agenda negativa e acusativa.

O resultado? A sociedade, segundo se pode inferir das pesquisas de intenção de votos, prefere apostar na continuidade de um governo que aplaude por sentir sua vida melhor que arriscar em outro que não consegue demonstrar capacidade de condução política nem apresentar uma proposta convincente que fará um governo diferente e melhor.

O perigo: a falta de uma oposição competente propicia uma situação pouco democrática onde um lado passa a sentir que tudo pode e o outro se distancia cada vez mais de quem pode lhe garantir algum poder, que é a própria sociedade. A ausência de um equilíbrio de forças entre situação e oposição não traz bem algum. Muito ao contrário.

Supondo que o quadro atual não se altere muito daqui para a frente teremos um governo de continuidade. Conhecemos seu sucesso e algumas de suas mazelas. O que podemos esperar de evolução será a oposição conseguir se remontar do que sobrar em suas legendas após 3 de outubro. Há muito a ser feito neste sentido. A começar por descobrir lideranças capazes de agrupar forças ao invés de desagregar.

Segundo blog Conversa Afiada, do PHA que apóia a situação, Erenice Guerra deve pedir demissão ainda esta manhã. Será?

Sugestão de leitura complementar: Blog do Fernando Rodrigues, do Uol. Ricos e mais escolarizados reagem a escândalo

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5 Respostas to “Sociedade vira as costas para a oposição”

  1. Patriarca da Paciência said

    É meio difícil ter uma opinião segura nessas horas.

    De qualquer maneira, tal como o Serra, que sabia dos vazamentos de sigilo desde 2009, ou melhor, muito antes disso e, só agora se sente “indignado”, deve fazer muito tempo que a “óia” “investiga” tais assuntos e por que, só agora, pouco antes da eleição, apresenta ao público?

    Acho que a “óia” não tem muito interesse em descobrir a verdade, querendo apenas tumultuar as eleições.

  2. Elias said

    Pax,

    Com o PT no governo, não há perigo do Brasil ficar sem oposição.

    Do ponto de vista quantitativo, a oposição tende a ser maior com o PT no governo do que jamais foi com outros partidos, por causa do adesismo típico do político brasileiro.

    Quando Castello Branco assumiu a presidência e fez a reforma política do regime militar, teve que se empenhar pessoalmente, pra que o MDB contasse com alguns parlamentares.

    Todo mundo queria entrar em massa na Arena, e Castello tinha horror a um regime de partido único, tipo Portugal salazarista.

    Ele teve que fechar a porteira da Arena e conversar com Deus e todo mundo, pra que o MDB finalmente saísse do papel.

    Muitos anos depois, com Sarney no poder, o PMDB inchou. Como incharam o PRN do Collor e o PSDB do FHC.

    Aí, quando esses partidos começaram a levar farelo, a ratarada os abandonou. Isto pode ser muito bom, porque depura. Mas, se o partido não tiver consistência ideológica ou base política sólida, ele simplesmente desaparece.

    Foi o caso do PRN.

    O PMDB não desapareceu, porque tem sólida base política.

    O PSDB pode não ter muita base política, mas tem consistência ideológica. Resta saber se ela é suficientemente consistente pra segurar a barra desse tempo todo longe da máquina. Grande parte das principais lideranças tucanas se fez à sombra da máquina e, sem ela, essas lideranças estão se dissolvendo no ar.

    O risco do inchamento não existe com o PT, porque é partido de porteira fechada. A adesão ao governo ocorre sem perda de identidade partidária. E a adesão nesses termos, pela tradição brasileira, é altamente volátil.

    Assim, é claro que oposição haverá. Será quantitativamente significativa e, provavelmente, mais dura que jamais foi nos 8 anos do Lula.

    Até porque, de cara, pode ser que ela continuará subestimando a Dilma, como fez com Lula. Vai achar que Dilma não tem recheio, é vazia, e pode murchar com táticas depreciativas.

    Pra mim, o problema está no fato de que, a partir de 2011, a liderança da oposição ao PT poderá se deslocar do centro-esquerda para a direita.

    A direita poderá receber isso de presente. Não será mérito seu, mas produto de uma distorção do atual quadro partidário.

    Daí porque vejo como tarefa imediata para Dilma, a deflagração da reforma política.

    Creio que, agora, não dá mais pra adiar.

    Vai dar porrada? Vai. Mas, e daí?

    Há aproximadamente 500 anos, aquele florentino, fundador da ciência política, disse que, se alguém adia um confronto inevitável, quando pode vencer, o faz em desfavor de si mesmo, e em benefício do inimigo que, assim, ganha tempo pra se fortalecer.

    É a situação em que Dilma e o PT se encontram, a partir de agora.

  3. Pax said

    Caro Elias,

    Na minha pouquíssima experiência diria que:

    – Faz muito mais sentido, olhando o lado ideológico, um PT junto com um PSDB e também com o PV. Sem esquecer outros, como o PSB, por exemplo.

    Faz mais sentido que o PT com o PMDB ou o PSDB com o DEM.

    Como você bem diz, claro, depurados, o máximo possível.

    E aí fico cá imaginando o que seria esta oposição. Chamar de direita e esquerda dá um nó e uma discussão que me parece ruim, enfim, vou tentar, num livre teclar, achar outro caminho de raciocínio.

    PT, PSDB e PV tem semelhanças quando olham o lado mais social em suas atuações. Nenhum deles prega, em essência, o estado mínimo liberal ou neoliberal. Todos acusam o FHC de neoliberalismo, mas eu não entro muito neste embalo. Serra então, muito menos. Alckmin, bem, falamos de depuração, então nem entro nesta discussão. E Aécio? Este parece, ao menos na minha opinião, o nome que deverá surgir como forte liderança tucana do futuro, arriscando aqui um palpite. E também não vejo em Aécio um representante do liberalismo.

    Então, voltando às questões programáticas, tanto PT, quanto PSDB, se aceitar minha tese, e o PV (depurado, por favor), admitem um estado com forte atuação social. O programa de Serra difere mesmo do que do programa de Dilma? Em essência difere onde? Não promete Saúde Pública, Educação Pública, investimentos em infraestrutura tal e qual? Me parece que sim.

    O outro lado seria, no meu entender, o que montaria uma oposição, o lado mais liberal. Cá entre nós, que ninguém nos ouça para eu não ser apedrejado em blogs públicos, me parece que deve existir sim.

    Um lado defende a social democracia e outro lado defende a ideologia liberal. Numa democracia é bom que existam forças opostas e que ambas tenham certo equilíbrio no poder. E alternância, ora um, ora outro.

    Todos aqui sabem que não sou pela opção liberal. Mas, também, todos aqui sabem que não advogo que o Estado deve ser dono de fábrica de linha de costura, de sorvete, de bicicleta etc. Há pouquíssimas áreas que entendo que o governo deva participar com empresas públicas. Petrobrás: sim, na mão do governo. Segurobrás? Não, por favor não. Ainda bem que desistiram desta idéia, segundo vi por aí.

    Mas o lado liberal seria montado por quem? Aí é que mora a questão.

    Teoricamente seria baseado no DEM. E aí? Todo mundo vem falando, eu me incluo aqui, que o DEM é muito ruim. O Roberto Jefferson fez-nos o favor de anunciar de forma que ele fica com os processos, ou seja, em suas palavras, o “DEM é um merda”. E acho mesmo.

    Então, caro Elias, de onde sairia uma base de oposição à uma possível aliança entre o PT, o PSDB, o PV, o PSB etc?

    Juro que não sei. Mas confesso que torço, que saia, que apareça, e que seja boa.

    Este equilíbrio de forcas fará os governos futuros melhores. Impede um tanto as vontades estatizantes exacerbadas e impete um tanto as vontades liberalizantes exacerbadas.

    Cá, ainda, entre nós, se conseguirmos ter governos que garantam Educação, Saúde (inclui saneamento), Segurança, Infraestrutura básica garantindo estrategicamente energia, comunicações e transportes, e excelente agências reguladoras, não vejo problema algum, pelo contrário, que tenhamos gente defendendo o modelo liberal. (ai ai ai, aqui me lembro do estado calamitoso em que se encontram nossas ANAs)

    Talvez não conquistem meu voto. Provável que não. Mas conquistarão meu respeito. Provável que sim, se é que venha a aparecer com competência programática e política.

  4. Elias said

    Pax,

    A estabilidade institucional dos últimos 8 anos, deve-se, em grande medida, à proximidade ideológica existente entre o partido no governo (PT) e o principal partido da oposição (PSDB).

    No essencial, esses partidos não divergem tanto, um do outro. A divergência se dá mais em termos de ênfases po0ntuais (nas questões sociais, p.ex).

    O PSDB tende a ver a questão social como algo que merece atenção, porém à parte, fora da resolução do problema econômico. O PT tende a ver as duas coisas andando juntas.

    A tese do PT ganhou força, porque ela foi a diretriz com que Lula enfrentou a crise econômica mundial. Ele desonerou temporariamente alguns produtos industriais e, assim, manteve o nível de produção e de emprego com base no consumo interno, também turbinado pelos programas de renda mínima (algo que, provavelmente, Dilma vai intensificar, até chegar àquele ponto com o qual o Suplicy sonha obsessivamente, há décadas).

    O aparelho produtivo não parou, não quebrou, e, além disso, acumulou oxigênio pra voltar a crescer, como está acontecendo agora.

    O PSDB faria o mesmo? Ninguém xe xabe, né? Mas, a julgar pelo discurso de hoje e pelo que fez quando era governo, provavelmente não.

    Provavelmente o PSDB teria seguido, mais ou menos, a estratégia adotada pelo México, que deu no que deu. Lembre que o pessoal mais ligado ao PSDB criticou duramente o Lula, por seguir uma linha diferente da escolhida pelo México. Isso está nas revistas Veja, nos jornais FSP, Estadão, Globo, etc.

    Palavras ditas, assim como pancadas dadas, nem Deus tira, né mesmo?

    De qualquer modo, pelas razões que você citou, dentre outras, a identidade ideológica entre PT e PSDB jamais foi dissolvida.

    Por um tempo, o PSDB se bandeou um pouco mais pros lados do liberalismo econômico. Agora, com o liberalismo econômico fazendo água, a tendência seria esse bandeamento refluir.

    Posto isto (disse a galinha olhando o ôvo), vamos pra 2011.

    Uma coisa, é você ter uma oposição liderada por um grupo político que, no essencial, não diverge de você.

    Outra, bem diferente, é essa oposição ser liderada por uma linha de pensamento que, supostamente, nada vê que se aproveite naquilo que você pensa e faz.

    Mais: uma linha de pensamento que, desprezada nas urnas, não terá escrúpulos em romper com o processo democrático para chegar ao poder, se concluir que terá êxito na tentativa.

    Caso o PSDB se arrebente nas proporcionais de 2010 (como acho que vai ocorrer), é, mais ou menos, o quadro que se delineia para 2011.

    O movimento contrário a isso, pela lógica, é tornar mais sólido o quadro institucional. E isso passa, necessariamente, pela reforma política.

    A meu pensar, deve-se criar no Brasil um ambiente altamente insalubre para golpistas, onde quer que eles estejam ou se escondam.

    Não é que eu queira ver o PSDB e o PT juntos, no governo federal (embora não descarte isso mais à frente).

    Agora, não! Repetindo o que disse FHC há 16 anos, isso não seria bom para o PT, não seria bom pro PSDB nem seria bom pro Brasil.

    Uma aliança de caráter estratégico pode, eventualmente, significar o oposto disso.

    Lá mais adiante, com uma nova estrutura política — p.ex., voto distrital, lista partidária mista, etc. (incluindo nesse “etc”, a meu pensar, o parlamento unicameral), o mapa político-partidário do Brasil seria radicalmente redesenhado.

    Aí…

  5. Pax said

    Caro Elias,

    Antes que a estrada seja meu escritório até mais tarde, deixo uma provocação:

    Suponha que Dilma vença, como indicam neste momento, as pesquisas eleitorais. Suponha agora, um gesto simples, difícil mas simples, o de chamar o Serra e dizer:

    “Cara, deixa o que passou para trás, assuma, por favor, o ministério da Saúde de novo”.

    Que baratavoa não daria nesta hipótese. Claro que estou inventando coisa, mas como o blog não tem problemas nem está sob investigação, acredito que posso brincar de pensar.

    E você citou o Suplicy. Caramba, que bom nome para a Casa Civil, não?

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