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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Estadão vai de Marta (ano: 2000)

Posted by Pax em 30/09/2010

Em meio ao quiprocó de tantos mais exaltados por conta dos editoriais do Estadão e da Folha neste fim de semana passado, Eugênio Bucci, um estudioso professor de jornalismo, lembra que em 2000 o Estadão declarou que ia de Marta Suplicy que disputava a prefeitura de São Paulo com Paulo Maluf.

O blog sugere a leitura completa do post no Observatório da Imprensa. Abaixo a primeira parte:

Memórias sonolentas para eleições violentas

Por Eugênio Bucci em 30/9/2010

Nas eleições que correm, alguns veículos declararam seu apoio a um ou a outro candidato ao Planalto. Primeiro foi a revista CartaCapital, que afirmou sua preferência por Dilma Rousseff. O diário O Estado de S.Paulo, no domingo (26/9), manifestou-se favorável ao candidato tucano, José Serra.

Há um frisson em torno do tema. Mais que frisson. Os cabos eleitorais se excitam, exaltam-se, gritam de punhos cerrados, socando o ar. Acreditam que, com seus decibéis a mais, desmascaram as “mídias” tendenciosas que, finalmente, deram nomes a seus próprios bois. Discursam com fúria justiceira.

E vã. Rigorosamente, ninguém deveria perder muito tempo com isso. Desde os tempos da máquina de escrever, ou mesmo antes, desde os tempos do Lívio Xavier, de Rui Barbosa, e mais longe ainda, desde as eras de Hipólito da Costa, jornais no Brasil e no mundo tomam partido num debate ou noutro, às vezes discretamente, outras vezes com alarde. Também em eleições, claro. Há diários que cerram fileiras com um partido e não nominam candidatos. Outros, menos reservados, personalizam a questão e pedem voto num sujeito de carne, osso, nome e sobrenome. O que não contraria em nada a tradição jornalística. Desde que não contamine a cobertura honesta dos fatos, um editorial de apoio a uma campanha (cívica, eleitoral, militar, desportiva, o que for) não mata a credibilidade de ninguém. Antes o contrário: declarar abertamente a preferência partidária, ao menos nas condições normais de temperatura e pressão, é uma forma de jogar mais limpo com o leitor.

Só o que é preciso é saber que não estamos diante de um imperativo incontornável. A imprensa conhece mil maneiras de se posicionar – ou de não se posicionar. Mil maneiras e mais outras mil. Só é preciso saber que os jornais têm o direito de declarar ou de não declarar em quem os seus dirigentes pretendem votar, assim como têm também o direito de não declarar coisa alguma. A declaração de voto não é obrigatória, assim como não é errada. Um diário pode, com toda a legitimidade, preferir não tomar partido – ainda que sua cobertura sugira uma inclinação para esse lado ou aquele lado da disputa. Se essa inclinação ferir ou frustrar a justa expectativa dos leitores, o problema é desse jornal. Ele terá que pagar o preço pelas forçadas de mão.

Não há neutralidade na imprensa, já se sabe desde a invenção da escrita. O que pode haver, se quisermos ser otimistas, é um pouco de objetividade (no sentido de fazer com que o relato decorra mais do objeto que é a pauta e menos do sujeito que a escreve). O que pode haver é boa fé. O que pode haver é transparência. Agora: declarar voto não é sinônimo automático de transparência. Assim como é possível mentir dizendo só (fragmentos d’) a verdade (“a verdade é seu dom de iludir”), é possível ser opaco e traiçoeiro declarando voto a todo momento.

Nessa matéria, vale repetir, não há receita universal. A única receita é o respeito pela autonomia de cada um e pelo público leitor. Cada órgão jornalístico é autônomo para decidir sobre o modo de se conduzir – e a instituição da imprensa será tanto mais saudável quanto mais diversidade comportar. No mais, cada um que resolva o pacto que quer firmar – e respeitar – com o seu público. É assim que funciona. Aliás, é só assim que funciona.

Continua no Observatório da Imprensa

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26 Respostas to “Estadão vai de Marta (ano: 2000)”

  1. Elias said

    Uma perguntinha só:

    Suponha-se que um jornal saia com a seguinte manchete: “Fulano avança. Beltrana empaca.”

    Suponha-se que essa manchete esteja baseada em pesquisa feita por um instituto de pesquisa de propriedade do jornal que saiu com essa manchete.

    Suponha-se, por fim, que os demais institutos de pesquisa estejam mostrando resultados substancialmente diferentes. Ou seja, que Fulano está em queda livre, enquanto que Beltrana é que avança nas preferências do eleitor.

    Será que é errado tipificar isso como “imprensa partidária”?

    Se o jornal procede desse jeito antes de declarar seu apoio ao Fulano, será que é errado tipificar isso como “jornalismo desonesto”?

    Ora, Pax; ora, Bucci: não se trata de uma questão legal.

    Não tem sentido em ficar falando se o jornal tem ou não o “direito” de fazer isso, até porque ninguém questionou esse direito.

    O que está colocado é que, do ponto de vista MORAL, esse jornal não tem credenciais pra fazer isso e ficar dando lições de moral em quem quer que seja.

    Ao fazer isso, ele se atolou até o pescoço na merda, a ponto de não se saber mais onde termina a merda e onde começa o jornal.

    E vice-versa.

  2. Elias said

    Uma perguntinha só?

    Não! Foram duas.

    Desculpem.

  3. Pax said

    Ora, caro Elias, no teu exemplo acima, do Fulano e da Beltrana, o caso é diferente, no meu entender, de tipificar como “imprensa partidária”.

    Para mim seria algo como imprensa – de duas uma:

    – porcaria
    – porcarie e criminosa

    Mas eu, cá do meu canto e com o acompanhamento que tenho da grande imprensa:

    1 – não compro essa de PIG – seja este G de golpista (segundo vários da situação), ou governista (segundo vários da oposição, encabeçados pelo tio).

    2 – não acho que o Estadão seja tão ruim assim. Não mesmo.

    Acho que a turma do PT é que ficou enfurecida demais. Principalmente, desculpa por lembrar do fato, depois do noticiário de Erenice. Que, aliás, veio da Veja. E por mais que queiram falar o que quiserem, neste caso parece que o Diogo Escosteguy pegou no pulo um furo. Mesmo que tenha feito a matéria sujeita a enormes críticas.

    Tanto foi que foi-se Erenice e mais uma cambadinha.

    Fosse eu do PT corria atrás de pegar o Israel Guerra e perguntar, assim, no cantinho: seu babaca, agora se explica pra mim.

    Como não sou do PT e nem gosto de fazer justiça com as próprias mãos, deixo o caso do Israel para a polícia e para a justiça. Tomara que o PT incentive todas as apurações iniciadas. Será um grande bem para o partido, no entender deste aqui que respeita os 30 anos de existência desta agremiação política. Plural sim, entenda-se este plural da forma que vocês quiserem entender, mas um partido que merece meu respeito.

  4. Elias said

    Pax,

    Pra mim, o tempo de fazer justiça com as próprias mãos já passou. E há muito.

    Quando fiz isso, foi em atenção a gente como Jane Fonda, Ursula Andress (que, por sinal, virou uma bruxa embalsamada, já viu?) & outras do mesmo nível.

    Mas, de minha parte, coloco um abismo entre noticiar um “caso Erenice”, de um lado, e, de outro, manipular pesquisas eleitorais para forjar manchetes tendentes a induzir a intenção de voto.

    Um “caso Erenice” é um filé pra qualquer jornal ou revista, especialmente de oposição, em qualquer época e em qualquer parte do mundo. Doido é quem não aproveitar um negócio assim.

    Essa é uma questão.

    Outra, bastante diferente, é manipular pesquisa eleitoral, forjar manchetes tendenciosas com base na pesquisa manipulada e, ainda por cima, tentar imputar a pecha de incompetente aos institutos que não participaram da manipulação.

    Isso é jornalismo partidário e vagabundo, sim. Partidariamente vagabundo. Ou vagabundamente partidário.

    Mas não considero crime, não.

    Aliás, acho que seria dificílimo provar a existência de intenção criminosa nisso.

    Na hora do vamos ver, o pessoal simplesmente diria: “Foi incompetência nossa. É que gente somos burros. Uns inútil, sabe cumé?”, por aí…

    A prova da intenção criminosa teria, necessariamente, que ser produzida de dentro pra fora. Por alguém que participasse do acerto, o documentasse e, depois, apresentasse isso em juízo.

    Pode até acontecer. Mas seria a exceção, nunca a regra.

    No mais, acho que Dilma, Lula e PT foram bem.

    Deram partida em posição bem abaixo do Serra, cresceram, passaram por cima e chegaram ao fim da campanha com enorme chance de decidir a para no 1º turno. Algo que nem o Lula conseguiu.

    De quebra, parece que o PT aumentará bastante suas bancadas na Câmara e no Senado.

    O “enfurecimento” faz parte. A militância petista é aguerrida e não vejo por que tentar mudar essa característica.

    A meu ver, a direção partidária é que levou a sério demais essa história de “Lulinha, paz e amor”. Ficou massa fina demais.

    Nesta eleição, acho que ela acabou aprendendo que, em política, porrada faz bem. Engorda e faz crescer.

    De qualquer modo, acho que há uma boa chance de se ter um governo mais à esquerda que o de Lula, no sentido de avançar mais intensamente no combate às desigualdades sociais e interregionais.

    Mas que Dilma mantenha o mesmo o cuidado que Lula teve, de não colocar a perder o maior legado recebido de FHC e do PSDB: a estabilidade econômica.

  5. Pax said

    Opa, caro Elias, agora estamos falando um pouco mais a minha lingua.

    E aí é bem claro que:

    – A campanha de Dilma foi a melhor de todas. Claro que foi. “Dilma sou eu”, ou colar a imagem de Dilma em Lula foi realmente vencedor. E nem precisou de uma genialidade maior. Era simples descobrir este caminho. Quem duvidaria que um presidente com 80% de aprovação deveria desenhar uma campanha dessas para tentar emplacar sua sucessão? E isto é legal? Claro que sim.

    – A campanha da Marina também não foi lá tão ruim. Se não me engano você apostou (posso estar errado) que ela iria até uns 10%. Bem, acho que ela chegará nuns 14 ou 15% no domingo. Achismo meu. E, veja bem, mesmo que eu considere que há inúmeros problemas nesta campanha que se iniciou num tal discurso de “transversalidade” ou algo assim que fica difícil até para quem acompanha amiúde. Sem contar que não houve alianças, não houve, como você bem previu, uma limpeza no PV etc etc. Mesmo assim entendo que deve ser considerara, a campanha e a própria candidata (e seu vice), e até mesmo a ideia de um novo PV que tomara que venha a acontecer.

    – Bem, agora o problema fatal: a campanha desastrada do Serra. Ora bolas, quem não quiser enxergar que foi um desastra que fique com a história da carochinha. Começou com 40% de intenção mesmo sem se lançar candidato, numa imensa teimosia no final do ano passado. Depois as alianças. Carambolas. DEM hoje é um antivoto para quem quer que se alie com ele. E o PTB do Roberto Jefferson? Enfim, uma linha de alianças que desmerecem tanto o Serra quanto o PSDB. Sem dúvidas. E depois? Bem, depois veio o destrambelhado do Indio, um tirambaço no pé. O cara conseguiu que em seu estado Serra tenha perdido votos depois de sua entrada. Basta ou quer mais? E, para terminar, o próprio Serra, com esta mania de centralizar tudo, mandar em tudo, que nem mesmo seus aliados aguentam. Ou alguém quer ainda discutir se as brigas com Alckmin e Aécio fizeram bem para a campanha tucana.

    Ou seja, se analisarmos pelas pesquisas, acho, assim de bate pronto, isso aí. Se já seria difícil ganhar de um governo com ampla aceitação o que se diz quando a campanha de oposição é mal feita?

    Tem nada a ver, em essência e na minha opinião, com imprensa boa, imprensa ruim ou qualquer coisa neste sentido.

    Como diria minha bistataravó, é a política, a economia e essas coisas “del bandonion”.

    (e, concordo com você, Dilma se segurou bem, mostrou valor, por mais que a turma do tio tente, desesperadamente, achar que não)

  6. Chesterton said

    Caindo na real
    A queda de Dilma tem odor de um velho movimento de institutos de pesquisa. É que, com a proximidade da verdade das urnas, os números das pesquisas, antes manipulados, finalmente caem na real.

    (CH)

    chest- já pensou se ele acerta, Pax?

  7. Chesterton said

    30/09/2010 | 15:26
    Justiça condena Pimenta Neves a
    pagar indenização de R$ 400 mil

    PIMENTA NEVES
    O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que o jornalista Pimenta Neves, autor confesso do assassinato de Sandra Gomide, pague, em valores corrigidos, aproximadamente R$ 400 mil de indenização aos pais da vítima. A decisão foi anunciada na manhã desta quinta (30). Pimenta Neves matou Sandra Gomide, colega de trabalho e ex-namorada, após desentendimentos conjugais. Ele foi condenado a 19 anos e meio de prisão, conseguiu reduzir a pena para 15 anos, mas segue em liberdade. O crime está próximo de completar dez anos.

    CH

  8. Chesterton said

    A movimentação do governismo nesta reta final é sintomática da estreiteza das margens. Há pesquisas para todos os gostos, mas todas dizem que será apertada a decisão entre haver ou não segundo turno na eleição presidencial de domingo.

    Alon (vale a pena ler o artigo todo)

  9. Chesterton said

    Entre os erros políticos deste governo, o Programa Nacional de Direitos Humanos, na sua terceira versão (PNDH-3), tem tudo para brilhar além na galeria.

    De lá para cá, só o que o PT e sua candidata fazem é correr atrás do prejuízo, dizer a cada dia que o ali escrito não é para valer, é de mentirinha.

    Agora Dilma compromete-se a não impulsionar mudanças legislativas para ampliar o direito ao aborto. Faz parte da estratégia de controle de danos do governo/PT nesta reta final.

    Talvez devessem cobrar o sujeito que teve a ideia genial de mandar o presidente da República assinar um papel que classifica a defesa do aborto como uma linha a separar quem defende os direitos humanos e quem não.

    Alon, (corretissimo)

    chest- esse Alon é o cara das esquerdas;

  10. Jorge said

    Pax, Maluf tinha governado em 1992-1996. Depois elegeu Pitta. A cidade ficou destruída, corrupção generalizada, o transporte público em colapso. O Psdb não conseguia ir para o segundo turno na capital, aonde foi fraco até 2004. O Estadão não tinha outra opção. Em 1992, não ficou com Eduardo Suplicy contra Maluf, nem com Erundina contra Maluf em 1996. Em 1998 o PT ficou com o Psdb contra Maluf.

  11. Elias said

    Pax,

    Uma coisa era o PSDB com Mário Covas e Franco Montoro. Outra é o mesmo PSDB com Serra e Alkimim.

    De um para outro momento, restou só a sigla.

    Quanto ao Serra, talvez seja bom lembrar algumas coisas:

    1 – O índice de aprovação do governo Lula é um fator importante, mas não determinante, para a derrota do Serra.

    2 – Antes mesmo de se lançar candidato, e com o mesmo índice de aprovação do Lula, Serra tinha 40% ou mais das intenções de voto.

    3 – Ele começou a cair, exatamente quando o eleitor passou a conhecê-lo melhor, por meio da campanha.

    4 – Claramente, o eleitor não gostou do que viu. E, dos que manifestaram inicialmente a intenção de votar no Serra, quase a metade desistiu, quando começou a conhecer melhor o candidato.

    5 – Conclusão: o maior responsável pela derrota de Serra é o próprio Serra, e quem mais influiu nos rumos de sua campanha (não custa incluir aí a Veja, a FSP e o Estadão).

    6 – Serra e o PSDB aparentemente jamais reconheceram isso, e não tomaram nenhuma providência no sentido da mudança de estratégia.

    7 – Com Dilma, deu-se o exato oposto. Ao contrário do que supunham os adversários, quanto mais o eleitor tomou conhecimento dela, maior a empatia entre ambos.

  12. Pax said

    Caro Elias,

    Vou discordar do teu item #7.

    Dilma não conseguiu empatia. Ela não tem. Como Serra.

    Dilma conseguiu, sim, se segurar.

    E o item #1 ? – bem, acho que discordo também, claro que a aprovação de Lula é determinante. A campanha toda foi “Dilma sou eu”. Bem feita, por sinal.

  13. Elias said

    Pax,

    Vai ser difícil determinar onde terminam os méritos de Lula e onde começam os de Dilma.

    A oposição, provavelmente, vai dizer que Dilma não teve mérito nenhum. Assim como dirá que ela não terá mérito nenhum no governo. Quando alguma coisa der certo, dirão que foi por causa do ministro fulano…

    Foi o que disseram de Lula; é o que dirão dela. Um discurso padrão. Muda-se um nome aqui, outro ali, mas, na essência, permanece exatamente a mesma coisa.

    Essa tendência à subestimação — que não vem de hoje — tem custado caro ao PSDB.

    Se você bem lembrar, falei sobre isso ainda na pré-campanha.

    Lembre que eu disse, mais ou menos, que, como petista, achava muito bom que isso acontecesse, porque assim ficava mais fácil vencer.

    Já como cidadão, deplorava, porque, indo por esse caminho, o PSDB iria se esfrangalhar, e entendo que uma oposição estruturada de centro-esquerda favorece a estabilidade institucional do Brasil.

    Mantenho o que disse.

    A meu pensar, o quadro que se delineia a partir de agora torna mais urgente a reforma política.

    É de se ver se Dilma partirá ou não pra ela, logo ao início do mandato.

    Tal como o Patriarca da Paciência e outros colegas comentaristas do seu blog, gostaria que a reforma constitucional se desse por meio de uma Comissão exclusiva, eleita especificamente para esse fim, e não através do Congresso.

    Essa comissão exclusiva regularia a reforma política e assentaria as bases da reforma tributária, que seria feita pelos congressistas eleitos APÓS a reforma política.

    Dia desses, li uma entrevista do Mantega, na qual ele lembra que, durante todo o governo FHC, a dívida pública nunca ficou abaixo de 50% do PIB. Com Lula, ela chegou a 43%, subiu com a crise e, agora, tende a recuar.

    Mas duvido que fique abaixo de 40% do PIB. A dívida pública é pressionada pelos Estados e Municípios, e a situação destes dificilmente será substancialmente alterada sem uma reforma tributária.

    Criar e/ou aumentar impostos não resolverá nada. Só aumentará a sonegação.

    Não se trata de aumentar a carga tributária. O negócio é redistribuí-la, porque, hoje, ela se acha injustamente distribuída entre os segmentos sociais.

    Quem menos pode é quem mais paga impostos no Brasil (e, quem menos paga é quem mais reclama).

    A redistribuição da carga e a simplificação da malha — com ênfase na substituição tributária, pra facilitar a fiscalização — seria a reforma tributária na esfera da arrecadação.

    Além dela, seria necessário reformar o sistema na esfera da distribuição entre os entes da Federação.

    Atualmente, a maior parte da arrecadação está concentrada na União, enquanto que a maior parte dos encargos está concentrada nos Estados e Municípios.

    Impossível mudar a estrutura e o perfil da dívida pública sem eliminar essa distorção.

  14. Elias said

    E, Pax,

    Com Lula presidente, com aprovação de quase 80%, ainda assim Serra tinha 40% ou mais das preferências de voto.

    Antes mesmo de dizer que era candidato.

    Serra perdeu voto durante a campanha. Exatamente quando ganhou mais exposição na mídia.

    Lembre que a expectativa de Serra e do PSDB era o oposto. Diziam: se, sem exposição na mídia, Serra já tem 40%, com a exposição ele terá muito mais.

    Não deu nada disso.

    Não pode ter sido só o Lula. Este poderia até levar a Dilma pra mais de 40%, mas isso só faria com que Dilma emparelhasse com Serra.

    Aconteceu mais do que isso. Serra perdeu votos que foram pra Dilma e perdeu votos que foram pra Marina.

    Será que Lula fez campanha pra Marina?

    Decididamente não, Pax.

    Os maiores adversários de Serra foram seus aliados e o próprio Serra.

    Analisada friamente, a campanha eleitoral do Serra foi uma anti-campanha eleitoral.

    Na hora do esforço final, ele conseguiu piorar: entregou o bastão à Veja, à FSP e ao Estadão.

    Em vez da imprensa repercutir o discurso do Serra, este é que ficou repercutindo — e mal! — o discurso dos jornais e revistas que o apoiaram.

    Sei que é difícil admitir, mas o fato é que Serra está muito aquém do que se espera de um candidato a Presidente do Brasil, hoje.

    Talvez há algumas décadas, alguém como ele desse conta do recado. Hoje não.

    Simplesmente, Serra não está à altura, Pax. É demais pra ele.

  15. Pax said

    Acho que há um oceano de pontos que nem foram abordados e muito menos compromissados nesta campanha pra lá de mequetrefe.

    – Reforma política – nem chegaram na porta de uma boa discussão.
    – Reforma tributária – aqui deram umas pinceladas. O que vi foram propostas de arremedos, uns consertinhos aqui e outros lá, nada estrutural.
    – Reforma fiscal – idem.
    – Educação – bem, qual candidato disse: eu vou dedicar tudo, absolutamente tudo possível, para que o capital humano deixe de ser gargalo neste país (algo como um Cristóvam Buarque de outros tempos)? Não houve.
    – Segurança: fraquinhas as discussões, não? Um fala de um ministério novo aqui, outro fala de UPP ali, mas estruturalmente nada de bom.
    – Reforma trabalhista – idem, ontem a Dilma mostrou que não entende o problema de tanta burocracia e carga tributária em cima da questão, o que faz que cada brasileiro que recolhe impostos pague o dobro, porque há outro na informalidade. Foi provovada e não tinha resposta.
    – Reforma previdenciária – uma hora vamos quebrar, neste rumo vamos parar onde hoje se encontra a União Européia. Estamos envelhecendo e a informalidade continua em alta, como dito acima. Mesmo com os 15 milhões de novos empregos com carteira assinada. Não indica que há um bom direcionamento para a questão. Não mesmo. Aqui há que se ter uma coragem que Lula não teve para redirecionar o mau rumo em que estamos.

    Se quisermos prosseguir temos mais um caminhão de assuntos que não foram abordados.

    E, caro Elias, peço venia, mas dizer que Dilma teria metade do mérito do sucesso da campanha acho que é “pegar pesado”. Entendi assim da tua afirmação acima: Vai ser difícil determinar onde terminam os méritos de Lula e onde começam os de Dilma.

    A sorte de Dilma, do PT e de Lula, é que o Serra conseguiu fazer uma péssima campanha, como já comentamos ad nauseam. E que Marina fez uma aposta impossível. Com um governo dando certo, na hora certa, ficou bem fácil.

    E deu certo porque? Porque soube aproveitar tudo que existia de bom (principalmente estabilidade economica e responsabilidade fiscal) e olhou para a sociedade muito mais que governos anteriores, que olharam mais para o poder estabelecido. O atual deixou o poder (economico) atuar, solto, principalmente a área financeira, bancária, que nadou de braçadas, mas colocou ações voltadas para o social que deram pra lá de certas, claro, como o assistencialismo necessário, o crédito incentivado, ações localizadas na economia que proporcionaram geração de empregos (15 milhões não é nada desprezível e merece aplauso, sim) etc.

    O Brasil vai melhor, claro que vai. Quem tem 80% de aprovação popular depois de 8 anos governando pode se dar ao luxo de bater no peito e dizer que fez um grande governo. Claro que pode.

    Mas que há muito a melhorar, ora, senhores, só não vê quem não quer.

    Supondo que Dilma ganhe, que é o cenário atual indicado pelas pesquisas, temos mais é que torcer que as forças políticas a permitam fazer algo de bom. O povo vai cobrar. Este povo que hoje compra moto e sacos de cimento para aumentar sua casa, não tem lá grandes compromissos com o PT e com Dilma. Tem enorme agradecimento ao Lula. Mas isto passa. É só a economia parar de ajudar que a coisa muda.

    Esta obrigação, que é o povo dizendo que sim ou que não, é muito boa. Coloca a Democracia nos eixos. Digamos que o povo é que merece aplausos, mais que os políticos atuais.

  16. Pax said

    *** Eu e meus problemas domésticos: aqui chove de roncar, então escrevi o comentário acima e fiquei esperando o link satélite se restabelecer ***

    Uma hora terei que desligar tudo por aqui, caso continue a pancadaria. Ontem morreu uma “ponta de gado” nem lembro onde, vi na tv, que foram se abrigar debaixo de uma árvore e o raio caiu bem em cima.

    Aqui há um para-raio (hifen?) mas eu confio nele tanto quanto no próximo Congresso.

  17. Pax said

    – Agora li o # 14 do caro Elias.

    Bem, falar o quê da campanha do Serra? Foi o que foi. Um fiasco. Muito ruim.

    Ruim para o Brasil isto.

    Como não torcedor, como neutro nesta campanha, agora passo a torcer que a oposição se remonte. Acho que vai se deslocar para MG e sair de São Paulo. Acho.

    Já disse anteriormente. Há que se ter uma força liberal, sim, no país. Estarei do outro lado, mas há que se ter. Algumas das conquistas que eventualmente venham a obter farão bem ao país.

    Uma coisa é gostar de Estado forte, atuante. Outra é achar que para isto tem que se infernizar a vida de empresários e profissionais liberais.

    Uma coisa é gostar de Estado forte, atuante. Outra é ver questões de ordem enojante tomarem conta de ministérios com altos orçamentos, ver as agências regulatórias se transformarem em antros da mais alta bandidagem.

    Uma coisa é gostar e Estado forte, atuante. Outra é achar que para isto tudo vale, inclusive defender canalhas da pior espécie que antes eram inimigos mortais.

    Uma coisa é gostar de Estado forte, atuante. Outra é achar que não se pode criticar onde as críticas devem acontecer.

    Uma coisa é gostar do sucesso do governo Lula, com um Estado forte, atuante. Outra é querer que se fique quieto com os escândalos a rodo que temos notícias que abundam e nos mostram claramente que o orçamento que existe dá e sobra para que os problemas de miséria e infraestrutura não existissem já faz um bom tempo.

    A estrutura política brasileira é de dar calafrios. Não há um petista que conheço, que seja razoável, que não saiba disto. E aqui o governo Lula mexeu nada. Adotou o que vinha, gostou do jogo e mandou lambança pra todo lado. Muitos favores foram trocados em nome de um tal pragmatismo que no meu linguajar tem outro nome: corrupção braba mesmo.

    É ou não?

  18. Elias said

    Pax,

    Não sei se o mérito de Dilma foi metade, um terço ou a décima parte.

    Mas repito o que disse há alguns meses: pelo que vi dela, pessoalmente, Dilma leva jeito pra coisa. Aprende rápido e sustenta jornadas de 48 horas sem fazer uma única queixa.

    Acho que a política é uma das atividades mais desgastantes que existe. Ou você está disposto a se dedicar 36 horas por dia ou não tem chance.

    Eu, por exemplo, nem tentaria.

    Quanto às reformas, elas são um nó político de bom tamanho.

    Veja só a reforma tributária.

    Em 2003, no início do 1º mandato do Lula, todos os governadores brasileiros — eu disse TODOS! — assinaram um documento onde se dizia que a reforma tributária deveria ser “neutra para os entes da Federação”.

    Como “neutra”?

    Durante décadas, se bradou contra a concentração de recursos na União e, agora, a reforma tributária tinha que ser “neutra” para os entes?

    Com os mais de 5,5 mil municípios brasileiros respondendo por mais de 60% dos encargos junto à população e fazendo jus, somados, a menos de 5% da receita tributária, a reforma tributária tinha que ser “neutra” para os entes?

    Mas foi assim que a música tocou.

    Foi só a União dizer que, pra mudar a situação dos municípios, teria que ser revista a participação da União E DOS ESTADOS, prontamente TODOS os governadores reagiram, juntos, de uma só vez, levantando a bandeira da “neutralidade” para os entes.

    E, veja bem: ainda nem estava se tocando no problema da redistribuição da carga tributária, que é, realmente, onde o bicho pega…

    Não admira que Lula tenha preferido o varejo. Que, no fim das contas, é operação tapa-buraco.

    Mas acho que o governo Lula deu um bom passo ao implantar o SPED (Sistema Público de Escrituração Digital).

    Com isso, a União passou a dispor de um sistema de controle e gestão de receita que, em termos tecnológicos, não fica nada a dever a países como Alemanha, Inglaterra, EUA…

    Você vai sentir — se já não está sentindo — a influência do SPED na sua empresa (está esgotando o prazo que as empresas receberam — 6 meses — pra se ajustar ao SPED).

    O controle da arrecadação ficou muito mais eficaz, tornando possível aumentar ainda mais a receita somente com a redução da sonegação.

    Mas os problemas da redistribuição da carga tributária e da distribuição da arrecadação entre os entes, que são o nó da questão, permanecem em aberto.

    E dificilmente serão resolvidos com a representação política que se tem hoje, e que se terá a partir de 2011.

    Logo…

  19. Olá!

    Muito bom o seu comentário acima (#14), Pax.

    Apesar de você se considerar do outro lado em relação aos liberais, você esposa alguns valores do liberalismo e, suposição minha, você, até certo ponto, admite que, sem os valores liberais na economia, jamais haverá recursos para bancar educação e saúde públicas de qualidade, afinal de contas, serviços de excelência custam caro.

    É isso que os petistas não entendem: MP3 é civilização. Sindicato pelego e empresa estatal não são civilização.

    Até!

    Marcelo

  20. Olá!

    Errata!

    Onde há:

    “Muito bom o seu comentário acima (#14), Pax.”

    Leia-se:

    “Muito bom o seu comentário acima (#17), Pax.”

    Sorry, Pax!

    Até!

    Marcelo

  21. Elias said

    Pax,

    A estrutura política brasileira não foi criada pelo Lula, nem pelo PT. E não pode ser mudada pela vontade do presidente. A menos que ele fosse o ditador que não é, nem nunca desejou ser.

    A estrutura política brasileira só poderá ser feita por meio de revisão constitucional.

    E, se for feita pelo Congresso, você sabe no que vai dar… Veja, como um pequeno exemplo, a armação da lista partidária recentemente perpetrada.

    Lula tinha 2 alternativas: jogar o rabo no pisão ou tentar trabalhar com a estrutura que existe hoje.

    Ele preferiu a segunda opção e, até certo ponto, se deu muito bem.

    Alguns o criticam por isso, claro. Se ele houvesse peitado o que não poderia derrotar, fracassaria. E seria criticado por fracassar.

    Melhor pra ele ser criticado vencendo o jogo. Fez um bom governo, termina o mandato com um elevadíssimo índice de aprovação, é reconhecido internacionalmente com bom governante e político hábil e, de quebra, elegeu a sucessora, provavelmente com uma vitória no 1º turno (algo que nem ele mesmo conseguiu).

  22. Pax said

    Caro Elias,

    Este é o problema da oposição, não soube aceitar que Lula fez um bom governo. Um não, dois. E, em não sabendo, pior ainda foi a elaboração da campanha, da estratégia geral as táticas que obtiveram pouquíssimos acertos.

    Sobre o ponto em questão, permito-me criticar, sim. Acho que, com o poder que Lula obteve, o maior de todos, o do povo o aplaudindo, poderia ter colocado algumas reformas na pauta brasileira. Não fez porque gostou do jogo jogado. E é este jogo, jogado com quem jogou, que eu permito ficar na posição crítica. O conforto do isolamento partidário me permite bater em Chico e em Francisco com a mesma vara de marmelo.

    E reafirmo o ponto que nem lembro mais onde coloquei. Tomara que, se eleita como tudo indica, Dilma escolha para a Casa Civil (claro que estou provocando) alguém como um Gilberto de Carvalho que teve a hombridade de dizer o que tinha que ser dito, no aniversário de 30 anos do PT no início do ano, quando perguntado sobre o que de pior havia acontecido e ele foi direto, na veia, no âmago, no cerne: “o vírus da corrupção que deixaram entrar”.

    Já torço para que Dilma monte um time mais para este lado que para outro. Já torço para que Dilma faça força e bata o pé na distribuição dos ministérios para a base. E mais, que ela coloque moral na tropa. Funcionou, canalha ou não, tudo bem. Não funcionou, pede licença que atrás vem gente e troque mesmo.

    Entregar ministério de Minas e Energia para Edson Lobão de novo é que não dá, ministério dos Transportes para Alfredo Nascimento então. Coisinhas dessa natureza, caso Dilma vença, de novo, ao que tudo indica.

    E que, sim, promova mudanças que Lula poderia ter promovido e se encostou nas cordas. Apesar do enorme sucesso.

    (ok, sei que tô dando umas pancadas, mas (a) acho que são apropriadas e (b) já que tivemos uma campanha tão mequetrefe por conta de uma oposição risível, então acho aqui neste humilde espaço meu lugar de gritar. Melhor Dilma entrar sob pressão que na folga. Ontem no debate, mais uma vez, como naquela do Agripino Maia a agredindo no Senado, ela se mostra melhor “na pressão” que no dengo)

  23. Chesterton said

    Já torço para que Dilma monte um time mais para este lado que para outro.

    chest- Pax
    1. Dilma ainda não ganhou
    2. Dilma faz parte do esquema Erenice, não lhe parece?

  24. Pax said

    Caro Chesterton,

    Leia meus comentários acima e conte quantos “ao que tudo indica” sobre a eventual vitória de Dilma.

    Parte do esquema de Erenice? Seria uma tremenda burrice, não? Fazer esquema com o filho, um moleque mequetrefe, um irmão da Erenice mais mequetrefe ainda. Cá pra nós, só mesmo imaginando que teria burrice maior que a incompetência de não perceber quem realmente era a “família” de sua braço direito, digamos assim.

  25. Chesterton said

    Burrice? Método.
    Você realmente crê que ela de nada sabia? Ora Pax, ingenuidade tem limite. Erenice arrecadava para quem?

  26. Chesterton said

    Declaração de voto:

    deputado 15115

    IPVA em 12 vezes

    ( a melhor coisa depois de diminuir impostos é parcelá-lo)

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