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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Folha versus Serra e Mendes

Posted by Pax em 30/09/2010

José Serra e Gilmar Mendes, através de suas assessorias, afirmam que a Folha publicou notícia falsa, que o candidato tucano teria ligado para o Ministro, ontem, antes da deliberação do STF sobre a necessidade de dois documentos para votar nas eleições de domingo próximo.

O STF interrompeu seu julgamento por conta de um pedido de vista do processo pelo Ministro.

Uma hora a Folha terá que esclarecer sua notícia. E se for confirmada?

Após ligação de Serra, Gilmar Mendes para sessão sobre documentos para votar

MOACYR LOPES JUNIOR e CATIA SEABRA
Folha.com – DE SÃO PAULO

Após receber uma ligação do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes interrompeu o julgamento de um recurso do PT contra a obrigatoriedade de apresentação dos dois documentos na hora de votar.

Serra pediu que um assessor telefonasse para Mendes pouco antes das 14h, depois de participar de um encontro com representantes de servidores públicos em São Paulo. A solicitação foi testemunhada pela Folha.

No fim da tarde, Mendes pediu vista, adiando o julgamento. Sete ministros já haviam votado pela exigência de apresentação de apenas um documento com foto, descartando a necessidade do título de eleitor.

Depois, por meio de suas assessorias, Serra e Mendes negaram a existência da conversa.

Continua na Folha

Atualização: E já tem tititi falando em impeachment de Mendes. O blog acredita que não passará disso. Todo caso, vejam o que diz Wálter Fanganiello Maierovitch – Nos corredores do Supremo, fala-se em impeachment de Gilmar Mendes
– no Terra Magazine

Atualização2: Mais notícias sobre o caso no site Terra:

AMB diz que Mendes não permitiria interferência de Serra

OAB: suspeita de interferência de Serra no STF é “preocupante”

Jefferson no Twitter: Serra “mandou mal e expôs Gilmar Mendes”

Esta última, do twitter do Roberto Jefferson, claro, a melhor de todas. Aliado bom este. Só não se sabe de quem, se de Serra ou de Dilma.

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48 Respostas to “Folha versus Serra e Mendes”

  1. William said

    Agora chega né, depois dessa o Serra não tem moral pra mais nada. Interferir no Judiciario antes de virar presidente. Bom a mascara caiu, não que já não soubessemos do telhado de vidro e da hipocrisia tucana. Quem é perigoso pra democracia mesmo????

  2. vilarnovo said

    Pax – Pode ficar tranquilo. O que não faltarão são procuradores, juizes, policiais federais para investigar essa história.

    Tomara que vá preso.

    PSDB = PT

  3. Anrafel said

    Surpresa zero. Doutor Gilmar é um pau pra toda obra.

  4. Pax said

    Aguardemos o desenrolar dos acontecimentos, caro Anrafel.

  5. Zbigniew said

    A se confirmar o fato a “bala de prata” se inverteu (pelo menos até agora). É um caso gravíssimo de intromissão explícita no processo de julgamento de um feito da mais alta Corte de Justiça de um país por um candidato à Presidência da República.
    O que me espanta é o Serra se deixar fotografar no exato momento, justamente para as lentes da Folha.
    Ou o cara é muito burro ou o negócio foi muito bem orquestrado. Com que intuito é que não sei.

  6. William said

    Essa é a democracia do PSDB, impedir os mais humildes de votarem com a identidade. Todos sabemos que não há perigo nenhum em votar só com a identidade. É GOLPE. IMPEDIMENTO pro Gilmar Dantas Serra Mendes já!!!!!!!!!!!!!

  7. Pax said

    Vai começar a sessão do STF… agora na TV Justiça.

  8. Pax said

    Gilmar Mendes nega que o pedido de vistas tenha sido por motivações políticas.

    Não falou nada, até agora, sobre se houve ou não ligação do Serra.

  9. vilarnovo said

    Aliás, onde estão as reclamações sobre a Folha??? Sumiram?? Onde estão?

  10. Zbigniew said

    Vilarnovo, a Folha tem que fazer isto mesmo. Fazer jornalismo é obrigação de quem se propõem a publicar um jornal nos moldes do veículo em apreço. Divulgar informações verídicas, mais que salutar. Se inventou sobre o telefonema do Serra ao Mendes terá errado do mesmo jeito.

  11. vilarnovo said

    Zbigniew – Muito bonito, muito certo… infelizmente, com todo o respeito, muito falso também.

    A Folha só inventaria uma coisas dessas se quisesse falir em um processo. Não tem a menor lógica fazer isso dias depois de ter assumido a preferência por Serra.

  12. Carlão said

    Tio Pax

    O Ministro Gilmar Dantas está dando aula de Direito Constitucional.
    A mudança de critério na “undécima hora” como está sendo apontado pelo Ministro pode até se transformar num “tiro pela culatra”. Inibindo o eleitor lumpen que, em dúvida e por medo de ser ënvergonhado em público, deixaria de ir votar (abstenção). Ou causar tumulto diante instruções contraditórias entre auxiliares da eleição no dia da votação.
    Essa eleição está a cada dia se transformando numa piada de mau-gosto.
    :'(

  13. Chesterton said

    A Folha não era a favor do Serra?

  14. Chesterton said

    É claro que acompanho este movimento das pesquisas. E fico com uma dúvida que gostaria de dividir com vocês:

    Vale a pena publicar as pesquisas Datafolha?

    E porque faço esta consulta para vocês?

    Ora, se este instituto “erra” tanto e este “erros” são sempre favoráveis para um lado, vale a pena divulgar?

    Vocês que me dizem, por favor.

    (pax)

  15. Chesterton said

    Aliás, só pode acusar alguem de errar após apurados todos os votos.

  16. Elias said

    Zbigniew,

    Isso é só o começo.

    Dias atrás coloquei um comentário cantando essa pedra.

    Mas virá mais, muito mais. Pode ter certeza.

    Daqui a mais um tempo, a FSP vai começar a meter o pé na bunda do pessoal que fez o trabalho sujo pra ela, durante as eleições.

    Por outro lado, já está chegando a hora do PSDB começar a cruzar cabra com periscópio, pra tirar o bode expiatório da derrota em 2010.

    E quem melhor pra esse papel, senão o próprio Serra?

    Não se espante se, mais dia, menos dia, neguinho sair com uma matéria atrás de outra, denunciando coisas estranhas atribuídas à Serra e ao pessoal mais próximo dele.

    Se Serra houvesse vencido, será que isso aconteceria? Duvido!

    Sabe como se chama quem perde? Gregor Samsa.

    Ele mesmo, a barata do Kafka.

    Se bem que tem muito mata-barata por aí, que tem muito mais de barata que a barata que ele mata.

    É a Lei de Darwin: quem sobrevive não é o maior, nem o mais forte, nem mesmo o mais inteligente.

    Quem sobrevive é quem melhor se adapta às mudanças. E ninguém bate as baratas nesse quesito.

    O que há de candidato a barata neste país não é fácil…

  17. Zbigniew said

    Elias, jornal tem interesses econômicos e políticos. A velha mídia brasileira instrumentalizou a política para resguardar seus próprios interesses. Quando o jornalismo atrapalhava: às favas com o jornalismo!

    Espero – e é para isto que tudo está se dirigindo -, que ela perca estas eleições. Pro bem da democracia brasileira.

    A possível vitória no primeiro turno da candidatura governista vai implodir o consórcio político-midiático, principalmente se São Paulo “mudar de mãos”. Na forma atual (de negócios), até o próximo gerentão. Por isto que tem que se mudar a forma, com um marco regulatório bem específico e que leve em conta o interesse da sociedade.

  18. Carlão said

    Após parar o julgamento ontem, Gilmar Mendes votou pela exigência de documento com foto e título de eleitor, mas maioria derrubou a obrigatoridade.

    A manchete da FSP está errada.A maioria (8×2) decidiu acompanhando o vota da Relatora.São exigidos os 2 documentos para votar mas a falta do título de eleitor não o impedirá de votar.Basta a apresentação do documento oficial com foto.
    Instaurou-se a confusão na comunicação e abriu-se a possibilidade de impugnações mil no Brasil varonil .
    o famoso “samba do crioulo doido”.

  19. vilarnovo said

    Fatos estranhos nessa história toda… Se eu errar em algo, favor corrijam-me.

    Gilmar Mendes foi o oitavo Ministro a votar. Os sete primeiros já haviam votado pela não necessidade do documento.
    Teoricamente o voto de Gilmar não seria decisivo. Já sabia que era voto vencido. O que ele poderia fazer? Talvez apenas com uma justificativa magnífica poderia mudar alguma coisa, mas como escreveu Maierovitch, o assunto não possuia complexidade técnica.

    E será que realmente acredita que isso mudaria alguma coisa na eleição (ter um ou dois documentos?).

    Mas que o Gilmar falou coisas lógica, ele falou sim como expôs o Noblat:

    “Ao proclamar o voto, Gilmar lembrou ainda que o mesmo artigo da minirreforma eleitoral contestado pelo PT hoje foi defendido por deputados do partido na Câmara no passado.

    Entre as propostas que tramitam na Câmara nesse sentido está o Projeto de Lei (PL 1670/03) do deputado Walter Pinheiro (PT-BA) que foi apensado à proposta similar (PL 4658/04) da ex-deputada Terezinha Fernandes (PT-MA).

    “Parece que fazia parte de uma cartilha de programa partidário” ressaltou o ministro. “A motivação política é legítima. O que a Corte não pode, é se deixar manipular”.

    Outra contrariedade que pode ser vista na iniciativa do PT, é o fato de o próprio Lula não ter vetado esse artigo da Lei quando sancionou as novas regras eleitorais da minirreforma.

    Na ocasião, Lula vetou apenas três artigos entre eles o que igualava as regras para debates entre os candidatos na web às regras da televisão e rádio.”

    =================

    Ou seja, essa solicitação do PT para os documentos, a pedido do marqueteiro da campanha, foi apenas por conta da campanha atual. Não foi algo que estão pensando na “democracia”, ou na “facilidade do brasileiro para excercer sua cidadania” e outros leros leros.

    É coisa única de campanha. Ponto final.

    As intenções importam.

  20. Pax said

    Caro Carlão, (em #18)

    Que manobra retórica esta sua. Caramba, triplo carpado com volta e meia de lambuja. É coisa do tio?

    Caro Vilarnovo,

    Ué, mas quem disse que este julgamento não tinha cunho político?

    – Um assunto sobre eleição
    – Movido pelo PT
    – Tendo com oponente o DEM

    Isso por acaso parece decisão trabalhista? Não, claro que não, é política.

    E mais uma vez mostra a baixa qualidade do nosso Congresso, que faz uma lei de merda e deixa tudo cair no STF.

  21. vilarnovo said

    Pax – Só faltou falar que o Presidente de merda também não vetou a lei. ;-)

  22. vilarnovo said

    Pax – Mas a verdade é que esse país ainda tem muito o que amadurecer politicamente… Muito. Está anos luz dos países desenvolvidos.

  23. Carlão said

    Pax #20
    “Que manobra retórica esta sua. Caramba, triplo carpado com volta e meia de lambuja. É coisa do tio?

    NÃO. É coisa da tia Ellen. Basta ler a decisão do STF.
    Ela queria os 2 (mas pra fazer média) ainda quer os 2, mas rebaixou o título de eleitor a documento de 3a. classe e isto há menos de 3 dias da votação.
    Afinal se a lei era tão “inconstitucional” porque o PT só se lembrou agora?
    Estão com medo do segundo turno.(o tracking tucano aponta 46% Dilma 35% Serra 18% Marina e 1% Outros)
    basta assistir à propaganda política de hoje…Lulilma x Serra

    Alias veja a manchete do jornal Correio da Manhã, de Portugal:
    “Dilma promete investigar Lula”.

    Tão “sarreando” da gente. É piada de “brasileiro”.Eles estão se vingando.

    Enquanto isso a CGU já “inocentou” os contratos sob suspeita. Antes da eleição.
    CGU blinda Erenice Guerra às vésperas da eleição
    e que por excesso de “amor à coisa pública” ainda não mudou da residência oficial de ministra
    O tráfico de influência ficará para depois da eleição…de 2014, caso ela não seja derrotada no final de outubro.
    E se Serra ganhar? Com o Ministério da Segurança Pública e a PF se tornando menos politizado…o que seria apurado?

    “Navegar é preciso.Viver não é preciso” Pax explique o real significado dessa frase à Betty, a Matilde e aos Billy-the-kid, que nos brindam diariamente com um besteirol de segunda classe.
    Os portugueses tem razão.

    PS. Debate da Globo
    Já imagino a ansiedade que toma conta dos companheiros rezando para que a criatura não cometa nenhuma gafe séria…contra o Serra “do bem”,o Plínio e suas perguntas capciosas. E contra a Marina, a verde.
    beijinho, beijinho e pau pau puro.
    :) :'(

  24. William said

    É só noticia ruim pros golpistas. Gilmar Dantas , o crapula, desmacarado pela foia. Quem diria.

  25. Chesterton said

    Olha, a decisão não foi assim tão satisfatoria ao PCdoB (não foi ele que pediu a anulação da lei?). Se o cara chegar só com o título, não vota. Tem que ter foto, o que em tese -deles- atrapalha o baixa-renda.

  26. Carlão said

    Tio Pax
    No G1 começamos a sentir o efeito da decisão do Supremo de hoje:


    A Certidão de nascimento e a de casamento não serão aceitas. Outras possibilidades, como a apresentação de cópias autenticadas de documentos, serão resolvidas caso a caso pelo mesário ou pelo juiz eleitoral, informou o tribunal.

    Samba do Crioulo Doido…
    mas que pra mim e para milhares de brasileiros “expatriados” que esqueceram/perderam o título de eleitor no Btasil, será ótimo eleitoralmente, pois usaremos apenas nosso passaporte ou as ID’s (RG) no consulado do Brasil mais próximo.Estamos autorizados a votar. Antes estávamos impedidos.O Consulado já me avisou por email.
    Mais um tiro no pé do PT.
    Onde moro vivem mais de 50 famílias brasileiras(anti-petistas) e que andam muito envergonhados com o comportamento do lula em final de mandato, querendo eleger sua “criatura” a qualquer custo
    e que agora irão votar contra Lula.
    Já programamos até uma “farofada com churrasco” no domingo, no final da tarde na praia onde moro.
    A “cachaçada” é por minha conta!
    ;)

  27. Carlão said

    Tio Pax
    ABUSO DE PODER!
    A vice-procuradora-geral Eleitoral, Sandra Cureau, acaba de enviar ao TSE uma representação para multar Dilma Rousseff por propaganda eleitoral irregular. Segundo o Ministério Público, a coligação da petista utilizou as dependências da biblioteca da Universidade de Brasília (UnB) para gravar o programa da petista, exibido na televisão no dia 24 de agosto.
    Em resposta enviada na terça-feira à Sandra Cureau, a diretora da biblioteca, Suely Maria Costa, confessou ter cedido o local para as gravações após insistência de uma jornalista da equipe de Dilma. No ofício, Suely diz assumir “total responsabilidade pelo meu ato isolado”. Durante as eleições, os servidores são proibidos de cederem espaços públicos aos candidatos para não desequilibrar a disputa.
    A biblioteca foi aberta exclusivamente para as filmagens, já que, de março até a quinta-feira passada, os funcionários da universidade estavam em greve. A procuradora cobra multa de até 100 000 Ufirs (cerca de 100 000 reais) individualmente da chapa da candidata, de Dilma e de Suely pelo uso indevido do espaço. Repreende Cureau na ação:
    – Vale dizer: enquanto os alunos da UnB não podiam fazer uso da biblioteca para os seus estudos, essa foi aberta para o fim exclusivo de realizar propaganda eleitoral da coligação e da candidata representadas.
    Por Lauro Jardim

    PUTA QUE PARIU, QUE FALTA DE LIMITES !!!

  28. Chesterton said

    E lá Dilma tem problema de dinheiro?

  29. Carlão said

    CHEST

    dinheiro não ela guardou R$ 113 mil embaixo do colchão.
    Suely Maria Costa é outro caso né?
    ;)

  30. Pax said

    Prezados, pulem para o novo post que tem mais substância.

  31. Carlão said

    Continuo…

    Suely Maria Costa é outro caso né?
    Ela é culpada de ter cedido ao tráfico de influência da dilma…que nem sabia disso. E vai punir a culpada “doa em quem doer” como já anunciou o jotnal portugues…tirando um sarro dos brasileiros hehe
    SHAME !

  32. Zbigniew said

    O Lula sempre nos impressiona. Se nos despíssemos de todas os preconceitos, talvez tivéssemos uma visão mais clara deste grande estadista, admirado no mundo inteiro, timoneiro da nova esquerda, construtor da nova social-democracia, exemplo para governos e países. Aqui, alguns trechos da entrevista dada aos jornais Página/12 (Argentina) e La Jornada (México), e ao sítio da Carta Maior. Deliciem-se.

    O senhor mencionou o que ocorreu com Getúlio Vargas e responsabilizou as elites por muitos dos golpes de Estado cometidos e muitas das barbaridades que foram cometidas na América Latina. Há alguns dias, Noam Chomsky disse que o neoliberalismo e as transnacionais estão provocando maior destruição que a conquista colonial, e houve quem o tenha contestado…Mas ele insistiu…

    Lula – (…) Então, o que eu acho? Eu nunca aceitei a idéia de ficar sentado sobre nossos erros, apenas criticando o imperialismo. “Ah, nós somos pobres por causa do imperialismo americano; nós estamos doentes por causa do imperialismo americano; não aconteceu por causa do imperialismo americano”. Isso é meia verdade. A outra verdade é que a elite política de cada país é que se subordinou quando não precisaria ser subordinada. Então, é mais fácil a gente ficar criticando os outros em vez de olhar os nossos defeitos.

    Eu acho uma vergonha aquele muro do México e dos Estados Unidos. Acho uma vergonha, depois de toda a glorificação da derrubada do Muro de Berlim, a gente ter o muro do México e o muro de Israel. Acho muito feio para a humanidade. Eu acho que o único muro que nós deveríamos assimilar era a Muralha da China, que virou uma coisa turística. Os demais são muros segregadores, e ninguém fala nada, ninguém fala nada. Você não vê fotografia do muro separando o México dos Estados Unidos, nos meios de comunicação.

    Acho isso grave. Acho que a gente não pode ficar jogando a culpa nos outros. Nós temos que saber o seguinte: onde nós falhamos, enquanto elite política, enquanto elite intelectual, enquanto povo, onde é que nós falhamos? Na construção da nossa imagem, da nossa personalidade, da nossa riqueza. Então, eu acho que essa é a discussão que nós precisamos fazer. Porque é muito fácil, por exemplo, o Chávez falar que a Venezuela era pobre por causa dos ianques, que estavam explorando lá, a PDVSA. Não, a Venezuela era pobre porque muita gente da elite da Venezuela se beneficiava com o comportamento dos americanos. Então, eu acho que essas coisas precisam ser ditas de forma muito categórica. Não foram os ianques que levaram a Bolívia ao empobrecimento. Eles podem ter feito políticas para a Bolívia, adotadas pela elite política da Bolívia, que levou o povo da Bolívia àquele empobrecimento. O que eu quero dizer é que a gente não pode apenas criticar os de fora sem compreender os serviçais de dentro.

  33. Zbigniew said

    O Lula sempre nos impressiona. Se nos despíssemos de todas os preconceitos, talvez tivéssemos uma visão mais clara deste grande estadista, admirado no mundo inteiro, timoneiro da nova esquerda, construtor da nova social-democracia, exemplo para governos e países. Aqui, alguns trechos da entrevista dada aos jornais Página/12 (Argentina) e La Jornada (México), e ao sítio da Carta Maior. Deliciem-se.

    O senhor mencionou o que ocorreu com Getúlio Vargas e responsabilizou as elites por muitos dos golpes de Estado cometidos e muitas das barbaridades que foram cometidas na América Latina. Há alguns dias, Noam Chomsky disse que o neoliberalismo e as transnacionais estão provocando maior destruição que a conquista colonial, e houve quem o tenha contestado…Mas ele insistiu…

    Lula – (…) Então, o que eu acho? Eu nunca aceitei a idéia de ficar sentado sobre nossos erros, apenas criticando o imperialismo. “Ah, nós somos pobres por causa do imperialismo americano; nós estamos doentes por causa do imperialismo americano; não aconteceu por causa do imperialismo americano”. Isso é meia verdade. A outra verdade é que a elite política de cada país é que se subordinou quando não precisaria ser subordinada. Então, é mais fácil a gente ficar criticando os outros em vez de olhar os nossos defeitos.

    Eu acho uma vergonha aquele muro do México e dos Estados Unidos. Acho uma vergonha, depois de toda a glorificação da derrubada do Muro de Berlim, a gente ter o muro do México e o muro de Israel. Acho muito feio para a humanidade. Eu acho que o único muro que nós deveríamos assimilar era a Muralha da China, que virou uma coisa turística. Os demais são muros segregadores, e ninguém fala nada, ninguém fala nada. Você não vê fotografia do muro separando o México dos Estados Unidos, nos meios de comunicação.

    Acho isso grave. Acho que a gente não pode ficar jogando a culpa nos outros. Nós temos que saber o seguinte: onde nós falhamos, enquanto elite política, enquanto elite intelectual, enquanto povo, onde é que nós falhamos? Na construção da nossa imagem, da nossa personalidade, da nossa riqueza. Então, eu acho que essa é a discussão que nós precisamos fazer. Porque é muito fácil, por exemplo, o Chávez falar que a Venezuela era pobre por causa dos ianques, que estavam explorando lá, a PDVSA. Não, a Venezuela era pobre porque muita gente da elite da Venezuela se beneficiava com o comportamento dos americanos. Então, eu acho que essas coisas precisam ser ditas de forma muito categórica. Não foram os ianques que levaram a Bolívia ao empobrecimento. Eles podem ter feito políticas para a Bolívia, adotadas pela elite política da Bolívia, que levou o povo da Bolívia àquele empobrecimento. O que eu quero dizer é que a gente não pode apenas criticar os de fora sem compreender os serviçais de dentro.”

    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17007

  34. Elias said

    Zbigniew,

    “…a gente não pode apenas criticar os de fora sem compreender os serviçais de dentro.”

    As palavras do Lula são a expressão do meu pensamento.

    O Brasil não se tornou um país ferrado por causa do imperialismo inglês ou americano.

    O Brasil se tornou um país ferrado por causa de sua elite egoísta, bronca, arrogante, pernóstica e socialmente insensível, permanentemente ávida em balançar o rabo pros patrões de fora, sempre no interesse de aumentar e perenizar seus privilégios.

    É exatamente por causa dessa visão que Lula nunca foi nem jamais será perdoado pelos serviçais de dentro.

    Nem pelos serviçais dos serviçais de dentro. Nem pelos serviçais dos serviçais dos serviçais de dentro…

  35. Olá!

    O Brasil é o que é pelo fato de nunca ter vivido e nem absorvido valores liberais. A mentalidade básica das ditas elites brasileiras não é o capitalismo ou alguma ramificação liberal, mas um troço que seria mais justamente classificado de mercantilismo corporativo-patrimonialista.

    O BNDES e seus generosos financiamentos apenas ajudam a consolidar esse modelo.

    Até!

    Marcelo

  36. Chesterton said

    É exatamente por causa dessa visão que Lula nunca foi nem jamais será perdoado pelos serviçais de dentro.

    chest- os bancos, intermediarios entre o povo e os capitalistas externos nunca ganharam tanto dinheiro como no governo Lula (às custas dos correntistas). Grandes empreiteiras faturam e apoiam Lula. Esses são os serviçais internos de que tanto vocês falam?

  37. Chesterton said

    Eu acho uma vergonha aquele muro do México e dos Estados Unidos. Acho uma vergonha, depois de toda a glorificação da derrubada do Muro de Berlim, a gente ter o muro do México e o muro de Israel.

    chest- mas será que o apedeuta não sabe distinguir entre um muro para impedir a fuga (prisão) de um muro para impedir a entrada (castelo)?

  38. Zbigniew said

    Elias, o Lula coloca cada coisa no seu devido lugar. É por isso que o admiro enquanto político. Quando ele fala nos serviçais, dá um recado para uma parcela de nossa elite. Mas observe que ele também questiona: “(…)onde nós falhamos, enquanto elite política, enquanto elite intelectual, enquanto povo, onde é que nós falhamos?”. Há todo um complexo político-cultural que é típico de nossa sociedade e que carece de um contínuo aperfeiçoamento sempre com vistas aos interesses do Brasil enquanto nação.

    Marcelo Augusto, que valores liberais são esses que o Brasil nunca absorveu? A necessidade de intervenção estatal desqualifica pura e simplesmente experiencias liberais pelo simples fato de não termos tido uma formação como a da sociedade dos EUA? Nâo seria mais apropriado fazermos as devidas adequações, até porque são sociedades bem distintas?

    Chesterton – serviçais internos são aqueles que só se alinham aos valores liberais, sem atentarem que o povo – que, em última e superficial análise compartilha do mesmo espaço territorial dos serviçais -, formam a mesma nação aos quais eles pertencem e são tão senhores das riquezas da nação quanto qualquer outro. Os serviçais internos excluem o povo ou quando o inclui não o fazem satisfatoriamente.

  39. Olá!

    O tal do “muro do México” encerra uma situação bem interessante e que pode ser resumida, basicamente, nestes termos: Esse “muro” nada mais é do que uma barreira para evitar a entrada de imigrantes ilegais oriundos das mais diversas regiões, sobretudo da América Latina. Basicamente, são pessoas querendo sair da atrasada, corrupta e populista América Latina para entrar em um país que pôde construir instituições sérias que lhe proporcionaram atingir um nível de desenvolvimento jamais visto no continente americano.

    Nenhum país desenvolvido foi construído através de valores como o lulismo, o chavismo, o bolivarianismo, o varguismo e afins. Muito pelo contrário: Se tais valores funcionassem de fato, não haveria toda essa leva de latino-americanos querendo entrar ilegalmente no EUA e os EUA não precisariam ter construído uma barreira para evitar essa entrada de ilegais.

    Aliás, há um tempo atrás escrevi sobre esse assunto: Os Estados Unidos da América e a Imigração.

    Este mapa resume bem esse problema da imigração.

    Até!

    Marcelo

  40. Olá!

    “Marcelo Augusto, que valores liberais são esses que o Brasil nunca absorveu? [. . .]”

    No Brasil, nunca houve um processo histórico semelhante ao Iluminismo e/ou à Revolução Americana de 1776. Ambos esses fatos contribuíram para a formação e consolidação de instituições construídas sobre os pilares do liberalismo. O próprio conceito de esquerda, centro e direita é proveniente do liberalismo.

    O que sempre houve, de fato, no Brasil, foi a centralização do poder em poucas estruturas. Exemplo disso é que o federalismo brasileiro é um tremenda palhaçada, para dizer o mínimo. Invariavelmente, sempre houve um ator centralizador e todo poderoso na história política e econômica do país. As experiências autoritárias (Estado Novo e Regime Militar) estão aí para corroborar esse ponto.

    Mesmo após a redemocratização ainda há manifestações dessa centralização autoritária. O Mensalão foi nada mais nada menos do que um golpe institucional, isto é, um golpe contra as instituições que tornam possível a existência do regime democrático e dos valores republicanos (separação dos poderes, por exemplo).

    Tivesse o Brasil construído instituições fortes e sobre os pilares do liberalismo, nenhum desses três golpes teriam sido levados a cabo e muito menos levado às consequências já conhecidas da história.

    “[. . .] A necessidade de intervenção estatal desqualifica pura e simplesmente experiencias liberais pelo simples fato de não termos tido uma formação como a da sociedade dos EUA? Nâo seria mais apropriado fazermos as devidas adequações, até porque são sociedades bem distintas?”

    O ponto principal é a construção e consolidação de instituições. No Brasil, elas não funcionam como deveriam pois por aqui não houve um processo histórico baseado nos valores liberais. Pegue os países mais desenvolvidos do mundo e você verá que todos eles viveram e absorveram valores liberais, invariavelmente, em menor ou maior grau e em diferentes momentos históricos. Isso é um fato.

    E as instituições brasileiras apenas vêm sendo pisoteadas nos últimos anos. Em qual país desenvolvido do mundo uma ministra do alto escalão do governo ficaria impune por ter convertido o seu gabinete em balcão de falcatruas e pilantragens? Como diria o poeta: “Caraca! Que dinheiro é esse?!”

    O problema básico dos petistas e simpatizantes é que nenhum país desenvolvido foi construído através dos valores que eles defendem. Se você, Zbigniew, tiver um contra-exemplo, por gentileza, mostre-nos.

    Até!

    Marcelo

  41. Olá!

    Uma complementação ao que escrevi mais acima:

    “O que sempre houve, de fato, no Brasil, foi a centralização do poder em poucas estruturas. Exemplo disso é que o federalismo brasileiro é um tremenda palhaçada, para dizer o mínimo. Invariavelmente, sempre houve um ator centralizador e todo poderoso na história política e econômica do país. As experiências autoritárias (Estado Novo e Regime Militar) estão aí para corroborar esse ponto.”

    Deveria ter sido:

    “O que sempre houve, de fato, no Brasil, foi a centralização do poder em poucas estruturas. Exemplo disso é que o federalismo brasileiro é um tremenda palhaçada, para dizer o mínimo. Invariavelmente, sempre houve um ator centralizador e todo poderoso na história política e econômica do país. As experiências autoritárias (Estado Novo e Regime Militar) são expressões extremadas dessa centralização e estão aí para corroborar esse ponto.”

    Até!

    Marcelo

  42. Chesterton said

    Lula paga aos banqueiros internacionais os maiores juros do mundo, trocou um emprestimo em dolares que pagava 4% ao ano por outro interno em reais que paga mais que o dobro, o dolar cai, e vocês acham um bom negócio para o povo (que no final é quem arca com os custos)?

    ora, Lula é “O” intermediario dos sonhos de qualquer capitalista internacional.

    Com dolar baixo a media burguesia se farta em viagens e compra de produtos importados, a industria nacional (empregos, empregos, empregos para o povão) vai lentamente abrindo as pernas, Lula compensa com bolsa familia, emprego publico a dar com pau, e você acham que não tem custo? Ora, acusar de liberal quem faz contas é a maneira usual de disfarçar ignorância. Deixa o crédito externo minguar para ver o que é bom para a tosse.

    Na Europa o pau já está comendo.

  43. Chesterton said

    Marcelo, a mentalidade é extrativista.

  44. Zbigniew said

    Caro Marcelo Augusto, interessante a sua explanação. Destaco este trecho:

    O ponto principal é a construção e consolidação de instituições. No Brasil, elas não funcionam como deveriam pois por aqui não houve um processo histórico baseado nos valores liberais. Pegue os países mais desenvolvidos do mundo e você verá que todos eles viveram e absorveram valores liberais, invariavelmente, em menor ou maior grau e em diferentes momentos históricos. Isso é um fato.

    Acho que estamos vivendo um momento de consolidação das instituições e de uma dinamização da nossa economia, com base em valores liberais, mas com uma necessária intervenção estatal. Você sitou o BNDES como um elemento esdrúxulo, mas aos puristas não poderia ser diferente, embora encare com muita estranheza tal fato uma vez que nosso processo histórico é reconhecidamente diferente dos países desenvolvidos.

    O processo histórico encimado por valores liberais nos EUA e o advento de duas grande guerras, erigiram o citado país ao patamar de potência hegemônica, com um PIB de 14 trilhões de dólares para dividir com pouco mais de 200 milhões de pessoas. Isto é fato.

    Também é fato e histórico que não podemos separar os valores liberais do processo colonialista de algumas potências como Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha, etc.; lógico, para sermos honestos em relação ao grau de desenvolvimento desses países.

    O que, na minha opinião, não invalida, de maneira alguma, os valores do liberalismo, principalmente no que se refere à livre iniciativa e aos valores democráticos.

    Não vejo como isto seja incompatível com o que foi praticado no governo Lula, embora não possamos deixar de realçar que aspectos como o do mensalão, caixa 2, patrimonialismo e corrupção sejam mazelas que ainda persistem no nosso sistema político, mas que, de maneira alguma são exclusividade do atual governo.

  45. Zbigniew said

    O texto a seguir vem bem a calhar sobre o tema que abordamos.

    “Social-Liberalismo à Brasileira.

    Por Luiz Lima

    Esta é uma entrevista com Frank Gaudichaud, publicada aqui (o original se encontra aqui). Está em espanhol, mas creio que dispensa tradução.
    (…)

    Sin duda, esas políticas públicas conservadoras se han visto favorecidas por los obstáculos institucionales del Estado federal que es Brasil. El PT es minoritario en el Parlamento y en el Senado y sólo es mayoritario en tres estados. Desde el principio, buscó aliarse con la derecha liberal y latifundista para gobernar, lo que acentuó su inmovilismo, en particular desde el punto de vista de la política agraria. Además, la exigencia de estabilidad económica era un argumento al que Lula era muy sensible en el momento de su elección, como muestra la carta a los brasileños que publicó durante la campaña. Sus principales asesores económicos habían salido de las escuelas del pensamiento neoliberal estadounidense y la contrarreforma del sistema de pensiones de los funcionarios fue una de las primeras medidas que tomó su gobierno. Esta revisión de las conquistas sociales de los funcionarios condujo a la aparición de las primeras diferencias en el seno del PT y llevó a la creación del PSOL (5) en torno a figuras de la izquierda como Heloisa Helena o Plinio Sampaio. Sin embargo, sería erróneo olvidar que Lula sigue siendo extraordinariamente popular, sobre todo entre las clases más pobres (en particular del Nordeste). Ha llevado a cabo varios programas sociales asistencialistas (especialmente durante el segundo mandato), muy rentables electoralmente, como Bolsa Familia (6), programa de ayuda financiera condicionado a la escolarización infantil, que han logrado sacar de la miseria extrema a más de 20 millones de brasileños. La cobertura social y los sueldos mínimos han sido también ampliados y los niveles de criminalización de los movimientos sociales por parte del Estado han bajado considerablemente, abriendo espacios de diálogo e incluso de cooptación de muchos dirigentes sociales y sindicales. Tampoco hay que olvidar que los grandes grupos mediáticos están en manos de una oligarquía arcaica, todavía ferozmente hostil a Lula, que le sigue considerando un sindicalista procedente de la izquierda, y por lo tanto potencialmente peligroso por la composición de su base social.

    En resumen, se podría decir que la política de Lula conjuga una política macroeconómica neoliberal y una política social asistencialista centrada en la lucha contra la extrema pobreza, dando in fine estabilidad al sistema, razón por la cual el ex sindicalista es considerado por Wall Street y gran parte de las elites como uno de los mejores presidentes de la historia democrática del país. Se podría calificar su gestión de “social liberalismo a la brasileña” o quizá como hacen algunos autores de “liberal-desarrollismo”, puesto que el Estado brasileño sigue queriendo regular una parte de la actividad económica del país. [grifo meu]
    (…)”

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/social-liberalismo-a-brasileira#more

    A versão do site espanhol: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=113920&titular=%E2%80%9Cun-social-liberalismo-a-la-brasile%C3%B1a%E2%80%9D-

    A versão original em francês: http://www.prs31.com/spip.php?article14163

  46. Olá!

    Zbigniew, vamos por partes.

    Primeiro o seu comentário #44.

    “Acho que estamos vivendo um momento de consolidação das instituições e de uma dinamização da nossa economia, com base em valores liberais, mas com uma necessária intervenção estatal. [. . .]”

    Você tem razão quanto à “dinamização” econômica (o governo Lula aumentou o tamanho do Estado) e à consolidação das instituições. O problema básico para a primeira é a presença estatal ainda forte no cenário econômico, enquanto que, para a segunda, as instituições, foi o pisoteamento que elas vêm sofrendo nos últimos oito anos. O Mensalão é apenas o ponto máximo dessa vulgarização institucional.

    As instituições brasileiras procuram copiar aquilo que foi feito nos países mais civilizados. O detalhe é que essas instituições se mostraram funcionais e sérias apenas em países que puderam viver e absorver valores liberais — isso é uma realidade. O Brasil nunca passou por um processo histórico que lhe permitisse adquirir esses valores. A histórica política do Brasil é, invariavelmente, de centralização do poder político e econômico em poucas estruturas.

    “[. . .] Você sitou o BNDES como um elemento esdrúxulo, mas aos puristas não poderia ser diferente, embora encare com muita estranheza tal fato uma vez que nosso processo histórico é reconhecidamente diferente dos países desenvolvidos.”

    O processo de formação histórica dos Tigres Asiáticos também foi diferente daquele que aconteceu no Brasil, nos EUA e na Europa Ocidental. Veja lá no que eles se tornaram quando puderam viver e absorver valores liberais. Hong Kong é um país pobre de recursos naturais, não tem pré-sal, não tem Serra dos Carajás e nem Petrobras, mas é o país com uma das maiores taxas de investimentos estrangeiros per capita do mundo — aproximadamente U$ 169.000,00 per capita. O Brasil fica bem longe disso, com apenas U$ 1729,00 per capita — quase 100 vezes menos do que Hong Kong.

    O mais importante dessa lição dos Tigres Asiáticos é que tais países provaram ser possível atingir o patamar de país desenvolvido em um prazo de pouco mais de uma geração (25 anos). Foi o liberalismo que permitiu esse grau de desenvolvimento.

    A questão do BNDES não tem nada a ver com purismo. O dinheiro do contribuinte não tem que financiar as aventuras “capitalistas” do empresariado brasileiro, sem dizer que um banco desse tipo nas mãos de um partido populista e autoritário como o PT acaba se tornando arma política para intimidar o setor privado que depende dos empréstimos e financiamentos camaradas bancados com o dinheiro do cidadão. No Brasil, o BNDES é uma das manifestações da concentração de poder em poucas estruturas como foi referido anteriormente.

    Pare para refletir sobre os grandes bilionários brasileiros. Perceba que, em maior ou menor escala, praticamente todos possuem alguma relação de proximidade com as estruturas de poder do país, sobretudo a estrutura de poder político.

    “O processo histórico encimado por valores liberais nos EUA e o advento de duas grande guerras, erigiram o citado país ao patamar de potência hegemônica, com um PIB de 14 trilhões de dólares para dividir com pouco mais de 200 milhões de pessoas. Isto é fato.”

    Eu discordo de você. Os EUA se tornariam a maior potência econômica do mundo houvesse ou não as duas grandes guerras. Logicamente, esses dois grandes conflitos ajudaram a acelerar o processo, mas, ocorressem eles ou não, os EUA seriam potência hegemônica.

    O ponto que você parece não captar não tem nada a ver com guerras, imperialismos, cor da pele, títulos de nobreza, clima e coisas afins, mas, sim, tem tudo a ver com valores. Os EUA chegaram aonde estão por cultivarem os valores mais robustos para atingir o desenvolvimento, a saber: Democracia, liberdade de expressão, economia de mercado, isonomia perante a lei, instituições fortes calcadas no liberalismo, diluição do poder político e econômico ao longo da sociedade entre os cidadão, capitalismo. . . enfim, valores liberais. São esses valores que permitiram aos EUA gerar os recursos necessários para que tal país se tornasse potência hegemônica. Prova disso são os 14 trilhões de dólares anuais que os EUA têm para “repartir” entre os seus 300 milhões de habitantes.

    “Também é fato e histórico que não podemos separar os valores liberais do processo colonialista de algumas potências como Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha, etc.; lógico, para sermos honestos em relação ao grau de desenvolvimento desses países.”

    Discordo na maior parte. Se você observar, a maior parte dos continentes por onde essas potências coloniais (tirando a Alemanha) passaram não é composta, hoje, por países desenvolvidos. Veja a África e a maior parte da Ásia. A América Latina, colonizada, basicamente, por Portugal e Espanha — dois dos mais atrasados países da Europa do século XVIII –, também é um caldeirão de pobreza e subdesenvolvimento.

    Mais determinante do que ter sido colonizado por esta ou aquela potência colonial, é estabelecer um ambiente receptivo ao cultivo e propagação dos valores liberais. Mas, para isso, é necessária a existência local de uma mentalidade favorável a tais valores. No continente americano, apenas EUA e Canadá conseguiram fazer isso. O restante, a América Latina, houve experiências desastrosas de centralização de poder em poucas estruturas que resultaram no atraso e pobreza que há nos dias de hoje.

    Os países da Europa Ocidental são desenvolvidos, basicamente, por terem vivido e absorvido valores liberais. A semente desse desenvolvimento está no liberalismo.

    “Não vejo como isto seja incompatível com o que foi praticado no governo Lula, embora não possamos deixar de realçar que aspectos como o do mensalão, caixa 2, patrimonialismo e corrupção sejam mazelas que ainda persistem no nosso sistema político, mas que, de maneira alguma são exclusividade do atual governo.”

    Mais acima, você afirma que as instituições brasileiras ainda estão em processo de consolidação. Ok! Isso significa que a democracia brasileira ainda é muito jovem e precisa se fortalecer e etc. Pois bem. Tente imaginar os Pais Fundadores dos EUA (os Founding Fathers) montando um esquema de corrupção para comprar o Congresso Continental no sentido de aprovar medidas sem passar pelo processo legalmente estabelecido para ver o que aconteceria com aqueles homens. Seriam imediatamente encarcerados.

    É essa a diferença fundamental entre um país que, de fato, queria consolidar as suas instituições e os valores do liberalismo e um país que jamais pôde viver e bem absorver esses valores, o que, consequentemente, resultará em instituições fracas e suscetíveis a golpes — como o Mensalão.

    Essa é uma das razões pelas quais o Governo Lula não é compatível com o liberalismo.

    Os valores liberais representam a expressão mais alta de civilização humana. Foram esses valores que, a partir dos idos dos anos de 1770, asseguraram o progresso da Revolução Industrial e a implantação da primeira democracia do planeta. Prova disso é que os avanços tecnológicos, científicos, sociais e econômicos dos últimos 250 anos vieram, basicamente, de países que puderam viver e absorver esses valores e que criaram instituições tendo tais valores como pilares. Não é uma questão de gosto político e/ou opinião pessoal, mas, sim, uma questão, pura e simples, de fatos históricos.

    Até!

    Marcelo

  47. Olá!

    “El PT es minoritario en el Parlamento y en el Senado y sólo es mayoritario en tres estados. Desde el principio, buscó aliarse con la derecha liberal y latifundista para gobernar [. . .].”

    Seria interessante que ele dissesse quem é essa direita liberal e latifundiária. O mais correto seria classificar esse estrato político de latifúndio-corporativo-patrimonialista.

    “[. . .] Sus principales asesores económicos habían salido de las escuelas del pensamiento neoliberal estadounidense [. . .].”

    Peraí, peraí, peraí. . .!! É isso mesmo o que está escrito? O cara diz que os principais assessores econômicos do Lula vieram da escola neoliberal norte-americana (seja lá o que isso quer dizer)? Ou ele se refere aos economistas responsáveis pela estabilização monetária do Brasil (o Plano Real)?

    Se for a primeira opção, é maluquice total afirmar um troço desses, pois, até recentemente, eram economistas do naipe de uma Maria da Conceição Tavares que davam as cartas na assessoria econômica do PT. Classificar essa senhora de neoliberal é falta total de contato com a realidade. Vejam excerto de uma entrevista dela na época do Plano Real (1995):

    “[. . .] Houve um recuo brutal e estamos numa etapa semelhante ao fim do século XIX, quando o reacionarismo dava as cartas. E, no entanto, alguns anos depois, em 1905, tudo estava se movendo de novo. As coisas não estão terminando, não houve uma vitória global, não é o fim da História, meu Deus! Será que tanta gente na esquerda ficou, de repente, aparvalhada? Ficaram todos liberais, depois de velhos? Felizmente, acredito que a maior parte do PT não se aparvalhou, devido ao próprio perfil social do partido. Tem uma partezinha que pertence ao Primeiro Mundo, outra que pertence ao Segundo Mundo, o mundo do trabalho, outra ao Terceiro Mundo, dos desincorporados. E há lideranças importantes e de carisma no Segundo e no Terceiro mundos, e por sorte nenhuma – nenhuma! – no Primeiro Mundo.

    Afirmar que os assessores econômicos do Lula eram neoliberais é negar a própria história do partido. Tanto isso é verdade que o atual governo precisou ir até as. . . como é mesmo? . . . hostes tucanas neoliberais para arrumar um presidente para o Banco Central.

    Uma observação: A Maria da Conceição Tavares está para o PT assim como o Trofim Lysenko estava para o Partido Comunista Soviético.

    “En resumen, se podría decir que la política de Lula conjuga una política macroeconómica neoliberal [. . .].”

    O Governo FHC e o Governo Lula não foram liberais. Houve privatizações necessárias durante a era FHC e que trouxeram mais benefícios do que problemas, com seus erros e acertos. Mas isso não significa que tal governo tenha sido neoliberal ou liberal. No Governo Lula, então, houve criação de mais estatais, maior presença do Estado na economia, aparelhamento e inchaço da máquina pública, e etc. Outra evidência disso é que o índice de liberdade econômica do Brasil medido pela Heritage Foundation (2010) é de parcos 55.6 pontos (o máximo é 100 pontos) o que coloca o país na centésima décima terceira posição.

    O Brasil nunca teve nenhum processo histórico baseado nos valores liberais. Tivesse algo assim ocorrido, o país não seria esse mar de atraso que é.

    Até!

    Marcelo

  48. Carlão said

    chest
    como sempre, FHC derrota lula. Metade do pais rejeita dilma…2o.turno.
    Leia o artigo deste domingo nos jornais ou no Coronel.
    http://coturnonoturno.blogspot.com/2010/10/segundo-turno-para-resistir-ao-rolo.html
    O rio Pax pode ler em segredo. Ninguém vai dedar.
    a “turma” vai tentar ignorar de cabo a rabo…e ENFIAR o cabo no rabo como sempre.
    Dilma 45 – na margem de erro. é priceless !
    amanhã oxycodone e 51 pra acalmar a “dor de corno”.
    todo mundo inchado…hehe

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