políticAética

Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

  • Sobre o blog

    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
  • Categorias

  • Arquivos

  • Páginas

  • Meta

Marina versus o PV

Posted by Pax em 07/10/2010

Quando Marina Silva migrou do PT para o PV uma dúvida ficou no ar: conseguiria acertar o rumo do partido que virou uma miniatura fisiologista, um verdadeiro partido de prateleira Brasil afora? O momento não era exatamente oportuno, véspera de eleições, onde o jogo é agregar e não reduzir. Mas era necessário dar o tom da guinada e não houve qualquer movimento aparente neste sentido. Uma pena.

Neste momento a campanha tucana oferece quatro ministérios para o PV e a diferença entre Marina (com o novo grupo que se filiou a reboque dela) e a velha guarda desgastada da direção do partido se acentua e ambos entram em rota de colisão.

Ao mesmo tempo mostra que o PSDB não se diferencia em nada do PT em sua visão de fazer política, ao tentar comprar alianças com presentes públicos. Faz parte da Democracia, claro que sim, aliar forças e dividir o poder, mas sabemos como funciona no Brasil, muito mais com interesses nos orçamentos das ofertas que por questões programáticas. Ou achamos que José Sarney tem um enorme sentimento cívico ao desejar e exigir um ministério das Minas e Energia, como um dos exemplos? Não só o PSDB não se diferencia como a campanha tucana mostra, mais uma vez, que despreza o eleitorado mais antenado, que obviamente percebe que o ambientalismo tucano é do mesmo tamanho que o ambientalismo petista, ambos aproximados da nulidade.

Marina anunciou que há grande possibilidade da sua decisão não ser a mesma do PV neste segundo turno. Não deverá ser. A consulta que faz na sua base mostra que o partido prefere o úbere em detrimento do programa. O partido se entusiasmou com as ofertas, a ex-candidata não e tenta lembrar seu grupo que a questão realmente importante é definir uma agenda e perceber, mais adiante, qual dos novos verdes oportunistas, PT e PSDB, cumprirão as promessas destes compromissos de agenda, não do poder.

Os 20% de votos que Marina obteve no primeiro turno, quase 20 milhões, são de difícil tabulação. Há votos de várias correntes. Mas é possível afirmar que uma parcela da sociedade quer a evolução do status quo, para uma nova forma de fazer negócios e política que associe as necessidades sociais com os urgentes cuidados ambientais.

Ao visitar jornais e blogs relevantes percebemos que a maioria petista ataca Marina como se ela fosse culpada de Dilma não ter sido eleita no primeiro turno. É mais fácil para a militância achar um bode expiatório que olhar a questão da parentada da Erenice na Casa Civil e os excessos de Lula na reta final. Desta forma, parecem que querem ganhar o jogo no grito, dizendo que a bola, as camisas e o campo são deles.

A família Erenice Guerra fez o favor de lembrar a sociedade de algumas práticas bem pouco republicanas que o PT adotou ao chegar ao poder. E as ofertas que o PSDB fez ao PV, dos tais quatro ministérios, fazem o favor de lembrar que a distância entre o PSDB e o PT nesta questão pode ser medida em poucos milímetros, muito diferente do discurso de José Serra, que afirma que não loteará a máquina pública.

Sugestões de leitura: Ecologistas de última hora – Observatório da Imprensa e Marina ataca apetite da direção do PV por cargos – Folha de São Paulo (para assinantes)

Obs.: Talvez valha apartar desta velha guarda fisiologista do PV o Alfredo Sirkis, que parece mais afinado com a visão de Marina.

Atualização: Alfredo Sirkis, em seu blog, desmente a notícia da Folha de São Paulo. Precisa ser lido.

Jornalismo de tese, métodos de tablóide britânico e nota de Marina

Marina divulgou a seguinte nota sobre a matéria de primeira página da Folha de São Paulo que quis estabelecer a cizânia de Marina com a direção do PV.

Em relação à matéria “Marina ataca apetite da direção do PV por cargos” (Folha 7/10) a senadora Marina Silva esclarece que na mencionada reunião com ativistas de sua campanha não se referiu a dirigentes do Partido Verde. Os trechos reproduzidos na reportagem faziam uma crítica a práticas da velha política e comentavam uma nota do jornal especulando sobre um hipotético oferecimento do PSDB que sucitara comentários na sala. Ao dar enorme destaque a declarações retiradas do contexto e ao lhes atribuir um objetivo que a senadora não visou, a reportagem termina por desinformar o leitor e cria uma situação inexistente no PV que já definiu que seu processo de discussão com os dois candidatos ao segundo turno será exclusivamente programático.

Continua no blog do Sirkis

Atualização2: PV reage e ensaia rebelião contra Marina Silva – Folha.com

Anúncios

21 Respostas to “Marina versus o PV”

  1. Chesterton said

    Pax, o caso Erenice não tem nenhuma equivalência com oferta de ministérios, prática absolutamente normal na política. Erenice é criminosa.

  2. Jorge said

    a mídia está preocupada, queriam forçar Marina a apoiar serra. O plano falhou. Caso ela declare voto em Dilma, voltará a ser atacada, como era quando ministra do Lula.
    Marina não é boba, lembra bem dos editorais da folha e do estadão contro o MMA e os ataques vis dos blogs de esgoto.

  3. Pax said

    Caro Chesterton,

    Ou eu preciso aprender a escrever melhor (e, sim, isto é verdade), ou você precisa voltar para as aulas de interpretação de texto. =)

    Caro Jorge,

    A mídia é o que é, como tudo, tem uma parte boa, uma mínima parte excelente, uma parte ruim e uma parte que é lixo mesmo, descartável total. O que mais me preocupa é a visão tacanha, cheia de antolhos, de parte da militância. Não consegue ver um palmo à frente do que mandam dizer. Não consegue parar para pensar.

    Marina tem cara de se aliar com ruralistas? De se vender para interesses de uma Monsanto ou algo neste sentido? Sua história teve tantas idas e vinda que podemos dizer que sua agenda pessoal é ao sabor dos ventos? O aplauso internacional que Marina recebe é tão cego assim? Seria o mesmo que dizer que o aplauso internacional a Lula é cego. Concorda? Lula tem méritos, claro que tem. Burro é quem acha que 80% da população é burra. Estes 80%, e mais outros 16% entendem que Lula tem méritos (só 4% acham que não), mas não é um deus, acertou um bocado e errou outro bocado. Onde errou? Deixou o barco andar na correnteza, gostou do embalo e se perdeu. Entregou o que tinha de melhor, sua convicção que governar para o povo é melhor que governar para coronéis. Uma parte ele fez bem, governou para o povo, a outra, a de entregar para os coronéis, na velha política nojenta brasileira, se perdeu. Temos dúvida disso? O somatório (prós e contras)? É positivo, claro. Mas Lula subiu, sim, nas tamancas nesta reta final da campanha. Saiu destrambelhado quando viu a cagada da parentada de Erenice guerra. Afinal Erenice bate no pilar de sua candidata, Dilma. Erenice era aposta de Dilma. O bicho Lula é inteligente pacas, sacou que o problema tinha pegado feio pro lado de Dilma com o discurso de grande gerente e entrou em campo querendo ganhar o jogo no grito. Se deu mal. Óbvio que sim.

    O que me incomoda agora é: este ambientalismo oportunista que todo mundo quer comprar e vestir camisa. E o PV, mais sujo que pau de galinheiro, se seduzindo por promessas de cargos e salários do PSDB que quer aparecer de limpinho. O PV que se exploda. Só que o PV pode explodir a mensagem que Marina passou. Aí me incomoda mesmo. Existe uma nova forma de ver o mundo. Ou, melhor, tem que existir. O planeta não vai suportar a toada antiquada. Não só o planeta, como as sociedades, aqui e alhures, não se acomodarão se insistirmos em desigualdades. Haverá convulsão. Desigualdades sociais somadas com restrições de recursos (água, terra, ar etc) viram uma bomba que explode fácil. Hoje somos 6,5, quase 7 bilhões, dividindo este espaço, daqui a pouco seremos 10 bilhões. Imagine no que vai dar se prosseguirmos destruindo tudo em função do lucro fácil, imediatista. Deixa na mão dos ruralistas idiotizados (não são todos, claro que não) que a Amazônia vira deserto em 30 anos. E aí?

    Ok, política é assim mesmo, sabemos que é, mas vale a pena dar uma olhada geral, afora das necessidades de nossos umbigos e torcidas organizadas e perceber que a tal parcela da sociedade, uma parte dos tais 20% que votou em Marina, já entendeu o recado. Mudança, já. Não só nos cuidados necessários com o planeta como na forma de fazer política.

    O tempo dirá quem tem razão.

  4. Jorge said

    Pax, o Lula acertou mais do que errou. Terminou o mandato com 80% e emplacou uma votação de 47% para a Dilma, uma ministra que nunca tinha disputado eleição. Em meio ao caso Erenice, mentiras sobre o aborto, etc. Não consigo imaginar demonstração maior de força. Perfeito, só o fhc para os tucanos digitais.

    Lula não compreendeu o caminho importante que a discussão sobre meio ambiente tem, como a maior parte da sociedade brasileira não entende. Pensa que é importante, mas nem tanto. Está errado. Não difere da maior parte dos brasileiros, infelizmente.

    Marina procurou um lugar para provar isso ao Brasil e a Lula. Encontrou. No fim das contas sua candidatura fez bem ao Brasil e ao PT. Sabe que se Dilma perder, jamais será perdoada por grande parte da esquerda e dos movimetos sociais, que serão perseguidos por serra e a turma opus dei/tfp. Em 2014, teria que se explicar se não agiu como laranja verde do serra.
    Então, Marina tem todas as razões para apoiar Dilma e mais do que isso, se empenhar para que ela vença, pois Marina sabe que não é a mesma coisa Dilma e Serra.

    Pax, além dos comentaristas de sempre, voce registra a visita de leitores que não comentam? Ou seja, há muitos visitantes do blog que não participam da discussão? Tenho essa curiosidade.

  5. Elias said

    Pax,

    Fazer de Marina a culpada da Dilma não ter liquidado a fatura no 1º turno é desrespeitar o eleitor.

    Marina se candidatou e fez a campanha dela. Sensibilizou uma parcela minoritária, mas expressiva, do eleitorado, que preferiu não assinar cheque em branco.

    E isso é tudo.

    Como você sabe, não sou, propriamente, um admirador de Marina. Nunca fui.

    Entendo que ela sempre teve um discurso ambientalista fraco, baseado em generalidades. No senso comum. Nunca em propostas. Menos, ainda, em propostas inovadoras.

    Isso ficou claro em sua passagem no MMA. Limitou-se a tocar a máquina.

    Tocou bem? Sim. Razoavelmente bem, aliás.

    Mas limitou-se a isso. Não se conhece nenhuma iniciativa dela que tenha marcado especialmente sua presença no ministério.

    No plano internacional, a avaliação corrente era de que Marina estava decepcionando, em razão do quê perdia prestígio.

    Sua candidatura a presidente foi um lance político, com os objetivos de recuperar o terreno perdido e de capitalizar pro futuro.

    Nada de errado ou censurável nisso. Ronald Reagan fez o mesmo nos EUA. Lula no Brasil. De modo geral, o PT usou e abusou dessa tática. Onde podia, sempre lançava candidatos a cargos majoritários, não com o propósito de elegê-los, mas para torná-los mais conhecidos do eleitor.

    É contraditório que militantes petistas venham denunciar Marina por fazer isso, a menos que estejam empenhados em cuspir pra cima.

    Só não dá é pra dizer que Marina representa alguma coisa nova na política brasileira, mesmo que seja na área ambiental.

    As pessoas que dizem isso não vão além da retórica. Se convidadas a que sejam mais específicas, acabam se engasgando com a própria língua.

    Porque, concretamente, não há o que dizer.

    Nada de novo.

    No MMA, aconteceu com Marina mais ou menos o que ocorreu com Cristóvam Buarque na educação.

    Buarque falava em educação, educação, educação… Aí assumiu o ministério e mostrou que seu negócio é falar, falar, falar… nada ver com fazer.

    Fora do ministério, saiu com aquela proposta amalucada de pretender que todos os ocupantes de cargos públicos devem, obrigatoriamente, colocar seus filhos pra estudar na rede pública.

    Na cabecinha dele não cabem singelas noções como:

    a – não é a ausência de filhos de ocupantes de cargos públicos que faz com que a rede de ensino público funcione tão mal;

    b – a matrícula obrigatória dessas pessoas na rede pública só reduziria ainda mais a oferta de vagas para pessoas de baixa renda, inclusive servidores públicos de baixa renda (que, fora de Brasília, é coisa que não falta neste país);

    c – nada obsta a que o ocupante de cargo público de renda média ou alta coloque seu filho na rede pública, porque está obrigado a isso, e, paralelamente, também o matricule numa escola particular de melhor nível.

    Ou seja: em termos práticos, Cristóvam Buarque é um deserto de idéias.

    Qualquer brasileiro que pelo menos acompanhe a educação de seus filhos neste país, tá careca de saber que, na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, a rede privada dá de goleada na rede pública.

    Mais: sabe que, na maioria dos Estados, a rede pública já desceu à condição de inadministrável. E que, mantidos o rumos atuais, não existe perspectiva de que isso venha a mudar substancialmente, nas próximas 2 décadas.

    Não é só uma questão de recursos. É, também — e até principalmente — uma questão de organização estrutural do sistema, de métodos e processos de trabalho e do escambáu a quatro!

    Se a estratégia for apenas meter mais dinheiro na rede pública, será, apenas, pra se ter mais dinheiro público desperdiçado.

    E nenhum resultado prático.

    A busca de resultados num prazo mais curto parece apontar para a maior colaboração entre os setores público e privado, na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

    Livre da pressão quantitativa, a rede pública poderia ser preparada para melhorar, gradualmente, em termos de qualidade.

    A estratégia existe e já funcionou (e bem!)no Brasil. Funciona muito bem em vários outros países.

    A democratização do ensino implica, necessariamente, contemplar as dimensões quantitativa e qualitativa.

    Se as metas forem apenas quantitativas, não se estará democratizando nada. Será furo dentro d´água. Desperdício de dinheiro.

    E demagogia.

  6. Patriarca da Paciência said

    Serra sempre foi a favor do aborto:

    Jorge Bornhausen será um dos coordenadores da campanha do Serra?

    A coisa está ficando interessante!

  7. Jorge said

    Voces viram isso?
    Pax, veja como a mídia é proselitista e não pluralista.
    É preciso conter essa escalada de autoritarismo.

    Maria Rita Kehl: “Fui demitida por um ‘delito’ de opinião”

    Bob Fernandes

    A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida pelo Jornal O Estado de S. Paulo depois de ter escrito, no último sábado (2), artigo sobre a “desqualificação” dos votos dos pobres. O texto, intitulado “Dois pesos…”, gerou grande repercussão na internet e mídias sociais nos últimos dias.

    Nesta quinta-feira (7), ela falou a Terra Magazine sobre as consequências do seu artigo:

    – Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião (…) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

    Veja trechos do artigo “Dois pesos”.

    Leia abaixo a entrevista.

    Terra Magazine – Maria Rita, você escreveu um artigo no jornal O Estado de S.Paulo que levou a uma grande polêmica, em especial na internet, nas mídias sociais nos últimos dias. Em resumo, sobre a desqualificação dos votos dos pobres. Ao que se diz, o artigo teria provocado conseqüências para você…
    Maria Rita Kehl – E provocou, sim…

    – Quais?
    – Fui demitida pelo jornal O Estado de S.Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião.

    – Quando?
    – Fui comunicada ontem (quarta-feira, 6).

    – E por qual motivo?
    – O argumento é que eles estavam examinando o comportamento, as reações ao que escrevi e escrevia, e que, por causa da repercussão (na internet), a situação se tornou intolerável, insustentável, não me lembro bem que expressão usaram.

    – Você chegou a argumentar algo?
    – Eu disse que a repercussão mostrava, revelava que, se tinha quem não gostasse do que escrevo, tinha também quem goste. Se tem leitores que são desfavoráveis, tem leitores que são a favor, o que é bom, saudável…

    – Que sentimento fica para você?
    – É tudo tão absurdo… A imprensa que reclama, que alega ter o governo intenções de censura, de autoritarismo…

    – Você concorda com essa tese?
    – Não, acho que o presidente Lula e seus ministros cometem um erro estratégico quando criticam, quando se queixam da imprensa, da mídia, um erro porque isso, nesse ambiente eleitoral pode soar autoritário, mas eu não conheço nenhuma medida, nenhuma ação concreta, nunca ouvi falar de nenhuma ação concreta para cercear a imprensa. Não me refiro a debates, frases soltas, falo em ação concreta, concretizada. Não conheço nenhuma, e, por outro lado…

    – …Por outro lado…?
    – Por outro lado a imprensa que tem seus interesses econômicos, partidários, demite alguém, demite a mim, pelo que considera um “delito” de opinião. Acho absurdo, não concordo, que o dono do Maranhão (senador José Sarney) consiga impor a medida que impôs ao jornal O Estado de S.Paulo, mas como pode esse mesmo jornal demitir alguém apenas porque expôs uma opinião? Como é que um jornal que está, que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

    – Você imagina que isso tenha algo a ver com as eleições?
    – Acho que sim. Isso se agravou com a eleição, pois, pelo que eles me alegaram agora, já havia descontentamento com minhas análises, minhas opiniões políticas.

  8. Pax said

    Caro Jorge,

    Vi, sim, estou discutindo este assunto em outro fórum.

    O que posso dizer?

    Bem, neste momento há um autor e um réu. O autor montou uma tese de acusação com fundamentos. Fortes fundamentos. Maria Rita Kehl é conhecida, respeitada, uma competentíssima psicanalista. (amigos já foram clientes e me contam, chego até esse grau de proximidade, sim, e amigos que respeito um bocado. Não conheço Maria Rita, mas digo que, a priori, o que ela diz merece respeito, por conta de várias informações).

    Mas…

    Julgamento sumário não é bem o que defendo.

    Onde quero chegar?

    Que há uma acusação, fundamentada, coerente, com tese bem formulada. Se o Estadão não se defender, não vier a público e colocar sua tese, aceitará que tem culpa. Acho que sim. Não sou juiz, mas quem não se defende de uma acusação tão séria parece dever na praça.

    O Estadão tem que fazer isto. Repito: tem que se defender neste caso. Porque? Ora, o Estadão (leiam o Catatau de hoje) finca pé faz tempo que está sob censura faz trocentos dias no caso da Operação Boi Barrica que supostamente (eufemismo necessário) pegou o Fernando Sarney com as calças na mão etc. Ora, como o Estadão pode continuar reclamando de censura (real, ao que tudo indica) se ele mesmo proíbe x ou y de falar o que quer?

    Enfim, é o assunto do dia, interessante mesmo.

    Mas eu gostaria de ouvir todos os lados antes de firmar uma opinião.

  9. Jorge said

    Pax,
    a mulher ia inventar que foi demitida?
    Sem chances.
    Procure na internet e verá a festa que o Estadão e ela fizeram quando ela passou a ser articulista do jornal.

    Contudo, quem não ataca o PT na maior parte da mídia de hoje é perseguido de todas as formas e expurgado.

    Autoritarismo puro e simples.

  10. Pax said

    Caro Jorge,

    Eu não disse que ela inventou. Em momento algum. Maria Rita Kehl tem um nome muito forte. Merece meu respeito.

    O que disse é que o Estadão tem direito de se defender. Se ficar calado assume a culpa. Mas tem direito de se defender.

    Vivemos um tempo engraçado esses dias. Cada um julga o que quer. Sumariamente.

    Eu prefiro não fazer isto. Prefiro dar o direito de defesa. Seja para quem for.

  11. Jorge said

    Pax, voce irá verificar não há justificativa para o ato abominável do Estadão. Ato que merece nossa condenação enfatica.

    Essa é a liberdade dos liberais brasileiros. Hipócritas.

  12. Carlão said

    Eis a opinião da Miriam Leitão.
    “Marineira” desde criancinha.
    destaco o início e o fim
    Quem quiser pode ler a íntegra:
    http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2010/10/07/trilhas-opostas-330581.asp

    Trilhas opostas
    Miriam Leitão
    A verdade é que elas nunca se entenderam na hora das decisões. Marina e Dilma são opostos.
    Os conflitos foram abundantes nos anos em que ambas conviveram no governo. Dilma mandou alagar a Mata Atlântica, aumentou a energia fóssil na matriz, ignorou a colega no PAC, iniciou obras controversas e afastou Marina do Plano Amazônia Sustentável.

    Dilma esqueceu dos conflitos por conveniência eleitoral, mas os registros ficaram nos jornais, nos relatos de testemunhas, nos documentos oficiais, nas decisões.
    Dilma fulminou com os depreciativos “minha filha” e “meu filho” todos os então assessores de Marina que a contrariaram. Alguns são da máquina pública. Alguns deixaram o governo depois de conflitos.

    Em Copenhague, o então ministro Carlos Minc foi destratado.
    Hoje, Minc exibe uma amnésia conveniente, mas não pode pedir a quem esteve lá, como eu, que esqueça o que viu e ouviu. Um funcionário, experiente participante de Conferências do Clima, foi fulminado por Dilma numa reunião interna quando fazia sábias ponderações: “Olha menino, isso aqui não é coisa de amador, é para profissional.” A neófita no tema era ela.

    Quem viu os fatos, e rejeita o modelo stalinista de reescrever a história, sabe que as trilhas sempre seguiram direções opostas.

    e só pra relembrar o vídeo da criatura (versão 1.0 beta) lendo o discurso em Copenhague:

    :) :) :)

  13. Anrafel said

    Não me parece que Marina vá entrar nessa negociação de cargos e participação no governo, notadamente no de Serra. Ela sabe que, para o eleitorado dito independente, perderia o seu caráter de diferencial e afetaria o cabedal político que pretende acumular, mesmo que em bases personalistas, já que, apesar de ambientalista histórica, sua ligação com o PV é fraquinha, fraquinha.

    A sua candidatura por ele foi o resultado da satisfação de duas conveniências: a dela, o partido conhecido na mídia; a dele, um nome nacional.

    Portanto, já está desenhada a dicotomia Marina/PV. Este, uma agremiação sem organicidade, sem grandes líderes pelo Brasil afora, sem governadores e sem prefeitos, tentará convencer o candidato incauto de que levará o grosso dos quase 20 milhões de votos para a coligação.

    Marina fará corpo-mole, tergiversará, consultará as bases. Afinal, ela também não sabe qual a composição verdadeira dos seus votos entre fundamentalismo religioso, ex-petistas desiludidos, ambientalistas convictos, ambientalistas furrecas, rejeição já verificada em eleições anteriores dos candidatos do PT e PSDB, rejeição aos atuais candidatos, etc..

    Enquanto isso, esse voto de caráter fluido se sentirá impelido, pela ‘politicagem’ do PV ou pela ‘neutralidade’ da candidata, a fazer uma boa viagem, já que o domingo, 31, é véspera de uma segunda-feira imprensada no feriadão de finados.

    Esse é um dos cenários.

  14. Carlão said

    E para quem duvidar sibre a posição da Casa Civil (chefiada pele criatura) em Belo Monte, a Miriam comprova com documentos
    http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2010/04/17/ossos-dos-oficios-284540.asp

    “Quem viu os fatos, e rejeita o modelo stalinista de reescrever a história, sabe que as trilhas (de Dilma e de Marina) sempre seguiram direções opostas.”

    :)

  15. Jorge said

    Olhe só a explicação do Estado, PAX. Chega a ser cômico. Não houve censura, apenas demissão (ah, seria demitida de qualquer jeito)… Que vergonha.

    Quinta, 7 de outubro de 2010, 14h29 Atualizada às 14h40
    Diretor do Estadão: “Não houve censura a Maria Rita Kehl”

    Bob Fernandes

    O diretor de conteúdo do Grupo O Estado de S.Paulo, Ricardo Gandour, conversou com Terra Magazine sobre a demissão da colunista Maria Rita Kehl, psicanalista, que, no último sábado (2), publicou no jornal um artigo no qual tratava da “desqualificação do voto dos pobres”. Gandour, para começo de conversa, diz que “não houve demissão”:

    – Não é demissão. Colunistas se revezam, cumprem ciclos.

    Disse ainda o diretor de conteúdo do Grupo O Estado de S.Paulo:

    – Havia uma discussão em torno de novos rumos para a coluna, essa conversa começou na última terça-feira pela manhã, (…) Horas depois, houve um vazamento na internet que precipitou a decisão. Não houve censura. Tanto que a coluna saiu integralmente.

    A seguir, a conversa com Ricardo Gandour.

    Terra Magazine – O que aconteceu entre o jornal o Estado de S.Paulo e a colunista Maria Rita Kehl?
    Ricardo Gandour – O projeto original no caderno C2 + Música é de de ter ali, aos sábados, um espaço em torno da psicanálise. Um divã para os leitores. Mas esse não era o enfoque que ela vinha praticando e frequentemente conversávamos sobre isso.

    Com você?
    Não comigo diretamente, mas com a editora do caderno. Assim iniciou-se com a autora uma discussão em torno de novos rumos para a coluna. Inclusive com o contrapropor da colunista.

    Quando começou essa conversa?
    Essa última conversa começou na última terça-feira, pela manhã. Ela chegou a contrapropor alguma coisa, tinha um diálogo rolando… Horas depois, houve um vazamento na internet que precipitou a decisão…

    Mas vocês atribuem isso a ela?
    Eu não sei, não posso afirmar. E estão dizendo na internet que houve censura…

    …Na verdade, o que há na internet é uma entrevista com Maria Rita Kehl, onde ela diz: “Como é que um jornal que está, que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?”
    Não houve censura, a coluna saiu integralmente, sem mexer em uma vírgula.

    Mas houve consequências…
    Tinha uma conversa em torno dos rumos daquele espaço. Estão dizendo que foi a coluna de sábado que causou isso, mas não foi, não. Era o foco daquele espaço que era outro. Claro que a coluna de sábado foi uma coluna forte…

    Forte…
    Dentro da questão de que não era esse o foco.

    Então, a demissão não se deu pela opinião da Maria Rita e por posterior censura à ela?
    Não é demissão… colunistas se revezam, cumprem ciclos. A Chris Mello saiu do jornal em agosto, o Mark Margolis entrou em outra seção. O jornal tem 92 colunistas, e esse ano saíram três e entraram três ou quatro. O que estava havendo aí era a simples gestão de uma coluna específica.

    Desde…
    Tinha um diálogo rolando e esse diálogo vazou e eu lamento que esteja havendo uma leitura histérica disso.

    Talvez porque é um momento…
    O momento é delicado, crítico, de eleições, mas abriu-se um diálogo que vazou e nós mantivemos a linha. O fenômeno da rede social é que uma conversa entre três pessoas passou a acontecer entre 3 mil pessoas, mas a verdade sobre esse fato é esta.

  16. vilarnovo said

    Comico porque Jorge?? Porque vc já julgou e condenou?

    Não foi e nem vai ser a primeira vez que pessoas demitidas do Estadão, Folha, Veja vão chorar as pitangas para pessoas ávidas por tentar controlar a mídia…

    Exemplos é que não faltam…

  17. Pax said

    Prezados, acabo de fazer um post sobre o assunto. Subiu na pauta e não dá pra deixar em branco. Vamos discutir o assunto lá?

  18. Chesterton said

    Pax disse

    07/10/2010 às 10:59
    Caro Chesterton,

    …. eu preciso aprender a escrever melhor (e, sim, isto é verdade),…

    chest- não é só isso, você tem um vício de raciocínio.Tem que prestar mais atenção.

  19. Chesterton said

    Anfibologia.

  20. Elias said

    Pax,

    Eu disse aqui — e várias vezes! — que, cedo, cedo, essa gente iria começar a se desfazer do pessoal que fez o trabalho… digamos assim, pesado, durante a campanha de 2010.

    Não é a primeira vez que isso acontece, e a sra. Maria Rita certamente não será a última.

  21. Pax said

    Em eleições a gente vê mais em evidência um monte de podridão, caro Elias. Elas estão presentes todos os dias, todas as horas, mas nas eleições elas emergem como estrume de quem come isopor.

    Não estou dizendo que é o caso da Maria Rita. Não quero julgar. Juro que não. Não quero fazer o papel de padre nos tribunais da Sta Inquisição.

    Não acho que a Imprensa seja tema. Já disse inúmeras vezes isso. Tem gente que denomina um tal de PIG, um lado diz que o G é golpista, o outro lado diz que o G é de governista. E eu simplesmente desconsidero a expressão PIG. Você pode procurar no blog desde agosto de 2008 se tem algum post como “O PIG fez isto…”, “O PIG fez aquilo”, seja este com o G que for.

    Tem imprensa boa, imprensa ruim, momento bom, momento ruim.

    Mas a pauta é Eleições 2010. Agora ainda mais. É Segundo Turno das Eleições 2010.

    E, principalmente, Dilma ou Serra? Quem escolher.

    Quem é melhor que quem? Tanto o candidato quanto a proposta.

    Ou, se quiser ensaiar um pessimismo, quem é pior que quem.

Faça seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: