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Os ruralistas, o PV e a Marina

Posted by Pax em 14/10/2010

Um pequeno trecho do livro “Marina – a vida por uma causa”, página 58.

No embalo de um movimento de expansão de fronteiras agrícolas que varreu o Centro-Oeste do Brasil naqueles anos 1970, o Acre, então a última das fronteiras, também recebeu sua porção de “gringos”. O mote do então governador Francisco Wanderley Dantas ainda ecoava fortemente: “Acre, a nova Canaã. Um Nordeste sem seca, um Sul sem geada”.

Com este slogan, Dantas atraiu uma leva de fazendeiros de outros estados, principalmente paulistas, mineiros e paranaenses. As manchetes dos jornais da época mostram que os pecuaristas compravam as terras no escuro e enviavam, de avião, os primeiros rebanhos. Eles não sabiam que o lugar era habitado por milhares de famílias de seringueiros falidos, o que dificultaria a ação de se estabelecerem ou de simplesmente revender as propriedades com lucro.

À medida que Marina se adaptava à nova disciplina religiosa, as árvores que ela tanto amava tombavam, sem misericórdia. Centenas de seringueiros eram assassinados a sangue frio por fazendeiros cobiçosos, e riscados do mapa como se nunca tivessem existido. Enquanto ela rezava, os corpos eram jogados na estrada, sem identificação, sem passado”.

Pano rápido, passemos de 1970 para 2010:

Código Florestal dificulta apoio do PV a Serra

A exigência do PV para que José Serra (PSDB) se comprometa a barrar o novo Código Florestal tornou-se o principal entrave na campanha tucana para incorporar o programa de governo de Marina Silva (PV).

O documento do PV chegou ontem ao comitê de campanha de Serra, enviado por e-mail pelo presidente do PV, José Luiz Penna (SP).

“Com as melhores saudações verdes, encaminho propostas do PV e da senadora Marina Silva ao programa de governo”, diz o e-mail enviado por Penna.

Nas seis páginas, o sétimo item da “Agenda por um Brasil justo e sustentável” cobra “o veto a propostas de alteração do Código Florestal que reduzem áreas de reserva legal, preservação permanente ou promovam anistia a desmatadores”.

Segundo a Folha apurou, os tucanos já descartaram a possibilidade de adesão integral ao programa. Segundo integrantes do comando da campanha, o compromisso de Serra é não permitir a aprovação imediata do novo Código Florestal, comprometendo-se a construir uma fórmula de consenso nos seis primeiros meses de seu eventual governo.

Continua na Folha

Qual a grande questão?

Desde que lançaram o obscurantismo como plataforma eleitoral vale lembrar onde os ruralistas tacanhos estão. Todos os agropecuaristas são assim? Claro que não. Mas os mais gananciosos, os que permanecem com a visão do século retrasado, estão abrigados num único lugar.

A campanha de José Serra pode bater com gosto no PT e em Dilma. José Dirceu, Paulo Vanucchi, Erenice, etc fizeram o desfavor de aparecer desde o final do ano passado para cá. O PT abriu a guarda e merece tomar as pancadas que leva. Seus militantes resolveram bater em Marina, chamam-na de traíra para baixo. Acreditam que o melhor para eles é não fazer seus mea culpa e criar um bode expiatório externo. Burrice sem tamanho.

De outro lado a campanha de José Serra resolveu bater onde não deveria. A senhora Mônica Serra afirmar que Dilma gosta de “matar criancinhas” é sinal de onde a ganância pode chegar. Seu vice é outro, agora calado de tanta trapalhada em que se meteu, tanta acusação estapafúrdia que buscou em gurus de quinta categoria que o jornalismo brasileiro mantém. De todos os lados, vale lembrar.

O que interessa saber? Até quando vamos permitir que desmatem o Brasil, que matem o povo da floresta, que permitam a destruição do brilhante futuro ambiental que este país pode ter?

Se o PV vier a apoiar o PSDB, que tem o DEM como sua maior aliança, dificilmente Marina Silva continuará em seu novo partido, a não ser que ela esqueça tudo o que está escrito no recente livro citado: “Marina – a vida por uma causa” de Marília de Camargo César, prefácio de Fernando Meirelles.

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5 Respostas to “Os ruralistas, o PV e a Marina”

  1. Iconoclastas said

    o Paxman,

    vc q acompanha esse negócio de fazendas, sabe me dizer por onde anda aquele “rei da soja”, o tal do maggi?

    ;^/

  2. Pax – A Marina não é burra. Sabe que passada a eleição, independente do partido que optar, será rifada mais rápido que Ministro do Lula quando aparece algum escândalo.

    Isso porque ela não trás, fora os votos, nenhuma outra “vantagem”. O PV é muito nanico. Se tivesse algum corpo parlamentar aí sim. Como não tem a Marina só tem valor durante a votação. Passou disso vira porpurina…

  3. Anrafel said

    A tendência que grande parte dos votos de Marina tem de seguir uma decisão sua ou da direção nacional do PV é a mesma que eu tenho de torcer para o Flamengo ser campeão brasileiro.

    São votos soltos, meramente de protesto, que talvez nem sejam dados para alguém no segundo turno ou que vão se definindo no decorrer da campanha, inclusive sob a influência da boataria.

    E o casamento de Marina Silva com o PV é de curta duração (se é que já não acabou). O Partido Verde, querendo adquirir alguma credibilidade, terá que resgatar propostas fundadoras, muitas das quais na área comportamental. E aí o confronto com a candidata é inevitável e insolúvel.

  4. Carlão said

    Anrafel#3 falou e disse.

    A última frase é perfeita em todos os sentidos!

    hehehe

    :):):)

  5. Elias said

    Segundo o Ibope, boa parte dos eleitores de Marina já escolheu em quem votar no 2º turno: na proporção de 2 para 1, optaram por Serra.

    Para o Ibope, está confirmado que o salto que Marina deu no 1º turno se deve, mesmo, ao voto evangélico. E que este migrou preferencialmente para Serra, que, por isto, teria mais que duplicado a preferência de que dispunha no segmento, passando de 25% para 52%.

    Se Marina não se definir logo, vai minar ela própria sua influência no 2º turno. Corre o risco de só se decidir quando a para já estiver decidida.

    Pode ser uma boa, porque apostará com menos risco de perder. Mas depreciará seu cacife.

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