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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Ética do PT igual a do PSDB?

Posted by Pax em 13/04/2011

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), desistiu de viajar com seu filhote às custas do dinheiro do povo para assistir um jogo de futebol na Espanha.

Após crítica, Maia diz que pagará passagens da viagem com filho

Depois de criticado ao decidir levar o filho de 13 anos para ver um jogo na Espanha, no meio de uma viagem oficial, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), afirmou que abriu mão das passagens e das diárias. Romário (PSB-RJ), que o acompanharia, desistiu de viajar.

Eduardo Gomes (PSDB-TO), primeiro-secretário da Casa que irá acompanhar Maia, também abriu mão das diárias e das passagens da viagem que começa hoje e vai até o dia 17.

O presidente da Câmara irá assistir com o filho ao jogo do Barcelona com o Real Madrid, no sábado. (continua…)

Josias de Souza publicou em seu blog um artigo do jornalista Elio Gaspari com um título de doer o estômago de quem tem alguma admiração pelo Partido dos Trabalhadores – Gaspari: ‘Tiririca deu exemplo’ e Maia coçou o bolso

Merece ser lido:

Tiririca candidatou-se a deputado dizendo que ‘pior do que está, não fica’. Enganou-se. Graças a ele, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), deu-se conta de que não devia ir à Espanha às custas do dinheiro da Viúva para assistir ao jogo do Real Madrid contra o Barcelona, neste sábado.

Na segunda-feira, o palhaço anunciou que devolveria os R$ 971 que cobrou à Câmara pela sua hospedagem no Porto d’Aldeia Resort, em Fortaleza. Até então, Marco Maia achava natural que o dinheiro público patrocinasse seu passeio. Ontem, mudou de ideia e pagará as despesas. Parabéns.

O genial jornalista americano Henry Mencken ensinou que ‘consciência é a voz interior que nos avisa que alguém pode estar olhando’.

Foi a influência da consciência coletiva sobre as consciências individuais que estimulou a atitude imediata de Tiririca e um pouco tardia de Maia.

O presidente da Câmara informou que decidiu custear sua viagem para ‘acabar com qualquer dúvida’ em torno do episódio. Não ficaria ‘dúvida’ alguma.

Ele queria ver um jogo de futebol, acompanhado de dois colegas (Romário de Souza Faria e Eduardo Gomes) e dois assessores, conseguiu um convite do Parlamento espanhol para visitar a instituição e estaria tudo acertado se a iniciativa não tivesse caído na boca do povo.

Muito simples: o doutor queria viajar às custas da Viúva e decidiu fazer o que farão todos os outros espectadores do jogo: pagará pela própria diversão. Acreditar que ele não percebeu a diferença entre pagar a viagem com dinheiro do seu bolso ou com o da bolsa da Viúva seria duvidar de sua inteligência.

Marco Maia entrou na vida pública pela porta do sindicalismo metalúrgico. À primeira vista, representa uma geração de jovens idealistas que ralaram na oposição até a vitória de Lula, em 2002. Nem tanto.

O doutor começou sua militância partidária em 1985. Oito anos depois, o PT conquistou a Prefeitura de Porto Alegre, na qual se manteve até 2001. Desde 1993, ele passou apenas um ano longe do poder municipal, estadual ou federal.

Na Câmara, Maia celebrizou-se ao isentar a Agência Nacional de Aviação Civil de qualquer responsabilidade na crise do apagão aéreo de 2010.

Reincidiu na fama quando enfiou numa medida provisória um cascalho que prorrogava os contratos dos pontos de comércio instalados nos aeroportos nacionais. (O contrabando foi vetado pela presidente Dilma Rousseff.).

A conexão do deputado com a aerocracia pode ser percebida também na sua iniciativa de incluir no Orçamento da Viúva uma dotação de R$ 230 mil para a Abetar, entidade que defende os interesses das empresas de transporte aéreo regional.

Por mais que o PT goste de se apresentar como o campeão das causas dos fracos e dos oprimidos, seu comissariado mostra que assimilou, exerce e gratifica-se com os piores maus costumes dos poderosos.

A doutrina do mensalão (‘fizemos o que todos fazem’) contaminou a retórica dos comissários adicionando-lhe um incontrolável ingrediente de cinismo. Se todos fazem o que fazem, eles investiram-se no direito de fazer o que bem entendem. Às vezes, dá bolo

Do outro lado…

Antonio Anastasia, o poste tucano de Aécio Neves, tenta se isentar da nomeação de Edmar Moreira, o famoso ex-deputado do castelo, para vice-presidência da Minas Gerais Participações (MGI), empresa pública da qual o governo de Minas Gerais é o principal acionista.

Ex-deputado do ‘castelo’ é nomeado vice-presidente em empresa pública

Segundo governo de MG, Edmar Moreira assumiu vice-presidência da MGI. Ex-deputado foi absolvido pela Câmara em processo sobre notas fiscais. (continua…)

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11 Respostas to “Ética do PT igual a do PSDB?”

  1. Patriarca da Paciência said

    “O genial jornalista americano Henry Mencken ensinou que ‘consciência é a voz interior que nos avisa que alguém pode estar olhando’.”

    Faz muito tempo que eu acho que é bem aí mesmo.

    O problema no Brasil é que a gente acha que tem que ser “mais realista que o rei”

    Ah, isso não poder acontecer, afinal, estamos no Brasil!

    Faz muito tempo que Europa e Estados Unidos descobriram que ‘consciência é a voz interior que nos avisa que alguém pode estar olhando’.”

    Outra praga no Brasil é a tal “se eu estivesse no lugar dele(a), faria a mesma coisa”.

    “Isto é inveja”.

    etc.

    São tais coisas que sempre justificam o espertinho.

  2. Olá!

    O Brasil está perdido.

    Todo mundo quer roubar.

    Triste. . .

    Até!

    Marcelo

  3. Chesterton said

    qual a ética do PSDB?

  4. Chesterton said

    O farsante
    Postado por Villa em 13/04/2011

    É muito difícil encontrar na história recente do Brasil um personagem tão nefasto como o senador José Sarney. É muito esperto. Sempre tenta fugir da raia. Até agora a tal reforma administrativa do Senado não saiu do papel. O ponto eletrônico (que custou uma fortuna) foi abandonado. Não satisfeito, agora veio com esta história de plebiscito. Deve ser lembrado que ele (e sua família) estava decadente. Quem deu nova vida a Sarney e a outros oligarcas foi Lula. Estavam perdendo espaço nos seus estados. No caso do Maranhão, a família Sarney tinha perdido a eleição de 2006. Contudo, ele deu a volta por cima. Uma das heranças malditas do lulismo foi ter dado novo alento aos oligarcas. E isto tem um enorme custo político.

  5. Zbigniew said

    O Brasil e realmente prodigo em exemplos de corrupcao. A coisa publica e (des)tratada como coisa privada. Ainda que se importem modelos de controle a regra e a da mais completa cara de pau.Sera possivel que tudo tem que estar escrito em resolucoes e potarias regulamentadoras?! Este pessoal nao tem o menor senso de etica?!

  6. Elias said

    Pax,

    Fico imaginando o que passa pela cabeça de sacanas como esse Marco Maia, o Gabeira, o Eduardo Gomes(é parente do brigadeiro?) & afins.

    Afinal, esses caras não ganham cascalho…

    Dentro da ocupação que exercem, eles estão entre os profissionais mais bem pagos do mundo. E, no Brasil, essa remuneração se torna ainda maior, quando se tem em conta o que eles fazem pra merecê-la (quando um deputado federal não faz nada já é lucro… pior é quando faz, e faz merda).

    Tem a remuneração direta do deputado, que já não é pouca. Tem a verba de gabinete. Tem a residência funcional (ou o auxílio moradia). Tem o monte de passagens aéreas que, todos os anos, ele desfrutam supostamente para visitar suas “bases eleitorais”.

    O cara não gasta um centavo com nada: de uma reles fotocópia de um documento ao transporte, combustível, moradia, escritório em Brasília e no Estado de origem, etc, tudo é pago com dinheiro do contribuinte, sem que ele necessite sacar da remuneração direta que recebe, e que não é pequena.

    Com todos esses privilégios, o filho da égua ainda reluta em meter a mão no bolso pra pagar uma passagem aérea pro próprio filho (ou filha, no caso do Gabeira)?

    Sei não…

    Depois que o cara se perde num episódio miúdo e mesquinho desse tipo, não há como confiar em mais nada que ele faça.

    Uma coisa dessa deveria acarretar a imediata perda do mandato.

    Em alguns outros países (Inglaterra, Japão, p.ex.), o cara, pego assim, com a mão na cumbuca, renuncia. O desgaste é tão grande que ele nem cogita em permanecer exercendo o mandato (na Inglaterra, aliás, se ele não renunciar, vai acabar sendo expulso do partido e, por causa disso, perdendo o mandato).

    No Brasil, tem a questão da porra da cultura política.

    Como regra, o brasileiro atura esse tipo de coisa numa boa. Acha que não é tão grave. Dá pra esquecer. Sai no mijo.

    Tanto que, lá na frente, o carinha que pinta e borda nessas coisas é reeleito, às vezes sem fazer força. O Gabeira, depois do parlamenturismo, continuou no mandato e ainda partiu pra arriscar vôos mais altos, apresentando-se inclusive como uma alternativa ética à merdolência reinante.

    É… tem muito chão pela frente.

  7. Pax said

    Este Marco Maia não só borrou seu nome como ajuda a afundar ainda mais a imagem do PT.

    Idem ibidem para o poste do Aécio, o Anastasia.

    Gabeira? Mesmíssima coisa, foi-se no episódio do ParlamenTurismo com a passagem aérea para sua filhota surfar sei lá onde e tem mais, salvo esteja enganado (e acho que não estou) mais algumas dezenas de milhares de reais para uma namorada fazer um site ou algo do gênero.

    Nessas os brasileiros ficam, cada vez mais, sem opções. E, pior ainda, se afastam da política.

    E aí o que rola? Piora ainda mais, a sociedade afastada libera geral para a politicalhada fazer seus desmandos, como esse tal Marco Maia, este bestalhão.

    Se o PT não fizer nada com este “espertinho boboca” (meu filho chega a ficar 20 dias sem me ver, então eu vou pegar o dinheiro do povo e levá-lo para passear na Espanha pra gente ver juntos um jogo de futebol…), e acho que será exatamente isso, é mais um tijolo caído no desmoronamento geral deste partido que já foi, já era, e nunca mais será. Triste fim.

  8. Chesterton said

    OLha, uma coisa é o deputado ter um bom salario, assessores, verbas justificaveis e tudo para fazer um bom trabalho.
    1. bom salario
    2. bom trabalho – disso que precisamos para não dar tanto trabalho ao Supremo.

    Outra coisa, bem diferente é confundir o erario publico com sua conta bancaria pessoal
    1. ladrão
    2. vigarista

  9. iconoclastas said

    enquanto isso:

    “Maioria dos aeroportos de cidades-sede da Copa não estará pronta até 2014, alerta Ipea
    14/04/2011 – 10h00

    * Nacional

    Alex Rodrigues
    Repórter Agência Brasil

    ;^/

  10. iconoclastas said

    e o tal do trem bala, hem?! parece um pouco caro…

    a incógnita – para mim – Kátia Abreu agora foi ao ponto (não levem a mal a extensão, mas a objetividade é mantida): questão de prioridade.

    “Sr. Presidente, colegas Senadores e Senadoras, nós estamos aqui hoje votando um projeto do ex-Presidente da República, um sonho que ele idealizou e que a Presidente atual está tendo de cumprir, uma promessa feita anteriormente. Estamos votando uma matéria em detrimento de quase duzentos milhões de brasileiros, que não têm saúde à altura, para não dizer mais nada. Cito apenas a saúde, com os hospitais, os equipamentos hospitalares, os médicos, os salários dos médicos, remédios, que sabemos que está um caos há muitos anos e não apenas neste Governo. O transporte urbano coletivo faz com que o trabalhador brasileiro perca de duas a quatro horas dentro de um coletivo para ir para o seu trabalho e para voltar também, porque não temos a implementação dos metrôs de superfície, como estamos vendo paralisados os metrôs de Salvador e de Brasília. Sr. Presidente, estamos falando de mobilidade urbana – é gente andando, é gente sendo transportada –, que é um caos neste País.

    Agora, precisamos entender com muita clareza. O Brasil precisa entender o que está sendo votado aqui hoje. Ninguém aqui é contra trem-bala, mas uma das coisas mais difíceis de um governante, uma das coisas mais difíceis no ato de governar é eleger prioridade, Sr. Presidente. Eleger prioridade não é fácil. Mas o pai de família pobre sabe. A classe média brasileira sabe eleger prioridade com o salário pequeno que tem: primeiro, a saúde dos meninos; depois, a escola dos meninos; depois, lá atrás, vai ser o carro novo do dono da casa. O pai de família responsável sabe eleger prioridades com seu salário.

    Agora, o que estamos fazendo aqui hoje? Estamos aprovando, extraorçamentariamente, pois não tem essa rubrica no Orçamento, R$34 bilhões. Eu sei que 90% do povo brasileiro não sabe nem o que significa isso, tem dificuldade para mensurar que tanto de dinheiro é esse, porque ganham tão pouco, que, quando se fala em bilhões, não sabem nem do que se trata. Eu também confesso, Sr. Presidente, que tenho dificuldades, porque nunca manuseei tanto dinheiro assim na minha vida. Disseram aqui que estamos apenas autorizando R$20 bilhões, com o Governo sendo fiador, avalista, assinando no documento. Empresário, se você não pagar, quem vai pagar é a União; se a União não pagar, quem paga é o contribuinte, é a classe média deste País, principalmente os cem milhões de habitantes que pagam a carga de impostos. Portanto, se os empresários – como se diz no Tocantins –: “Micar, não pagar, dar o cano, quem vai pagar essa brincadeira são os contribuintes”.

    Ainda estamos aqui aprovando mais R$5 bilhões para subvenção de um prejuízo que já se sabe que se vai ter. Agora, dizer que se está apenas avalizando o BNDES?! Não está, não. Não está avalizando só o BNDES, não, porque não tem um mês que votamos aqui, nesta Casa, a capitalização do BNDES em R$50 bilhões. Portanto, R$50 bilhões foram tirados do bolso do contribuinte, da cesta da contribuição, dos impostos e repassados para o BNDES e agora o BNDES vai emprestar R$20 bilhões para as empresas. Nós ainda vamos avalizar?! O povo brasileiro vai avalizar?! Se nós precisarmos avalizar alguém, isso significa alto risco. Se uma empresa ou um consórcio não consegue se unir e ter garantias próprias, simplesmente, Sr. Presidente, eita negocinho que deve ser muito ruim!

    O povo brasileiro, a classe média, os pobres sabem muito bem que, quando o seu nome é fraco, alguém tem de avalizar. Disso eles entendem muito bem. Podem não entender de bilhões, mas de aval o povo brasileiro entende muito bem! Mas, para tirar um pouco da dificuldade daqueles que gostam de assistir a TV Senado, o que significam R$35 bilhões? Apenas para facilitar o raciocínio, a hidrelétrica de Belo Monte, uma das maiores do mundo, que deverá gerar quase dez vezes Itaipu, são R$20 bilhões. Essa MP, apenas para o trem-bala do Rio a São Paulo, são R$35 bilhões.

    Quero lembrar que o déficit habitacional do Brasil é de 6 milhões de casas. Com 6 milhões de casas, todos os brasileiros não teriam problema com moradia. Esse dinheiro dá para fazer 3,4 milhões de casas neste País!
    Mas se ainda tiverem dificuldades aqueles que nos assistem, eu quero lembrar que, com R$9,8 bilhões dá para recuperar todas as estradas do País, 70% das quais estão em estado lastimável, péssimo e ruim, segundo a CNT, presidida pelo nosso Colega aqui, Senador de Minas Gerais, Clésio Andrade. E também, Sr. Presidente, agora o povo brasileiro vai entender ainda mais. Sabe quanto custa para investir nos aeroportos da Copa? Só os aeroportos da Copa do mundo? R$6 bilhões! Nós estamos votando R$35 bilhões para levar passageiros de São Paulo até o Rio de Janeiro, pessoas de poder aquisitivo alto. E ainda precisaríamos de mais R$5 bilhões para arrumar todos os outros aeroportos do País. Então, com apenas R$11 bilhões, nós arrumaríamos os aeroportos da Copa e arrumaríamos todos os aeroportos do País. Mas se ainda tivermos alguma dificuldade de compreender esses valores, o que significam R$30 bilhões, todos os recursos do PAC para 2011, para investimento em logística, em cidades e em energia, são R$40 bilhões. Se eu colocar apenas logística e infraestrutura, são apenas R$18 bilhões do PAC. E nós estamos investindo R$35 bilhões num curto espaço de chão, para beneficiar não sei quantas poucas pessoas de São Paulo e Rio. São pessoas merecedoras, Sr. Presidente, mas se nós tivéssemos dinheiro à vontade, se nós tivéssemos um caixa americano, se nós tivéssemos um caixa suíço, se nós tivéssemos um caixa chinês, que tem 40% de poupança interna para investir onde quiser. Nós estamos investindo 1,5% do nosso PIB em logística enquanto a China investe 7%. Só que lá o PIB é de US$6 trilhões e aqui é de apenas US$2 trilhões, Sr. Presidente.

    Mais ainda, para finalizar, Sr. Presidente: para construir um quilômetro de hidrovia no País, gastam-se R$50 mil. Cinquentinha, cinquenta mil reais! Cinco casas populares de R$10 mil cada uma. Para fazer uma ferrovia, Sr. Presidente, também um dos transportes mais baratos do Brasil, gastam-se R$4 milhões, quase R$5 milhões por quilômetro de ferrovia. Gastam-se, para fazer uma rodovia, R$2,5 milhões. Então…

    (Interrupção do som.)

    A SRA. KÁTIA ABREU (Bloco/DEM – TO) – Vou repetir. Quilômetro de hidrovia 50 mil; ferrovia, 2,5 milhões; rodovia, 2,5 milhões. Para o trem-bala, são R$63 milhões por quilômetro, Sr. Presidente. Do que estamos falando? Eu tenho certeza de que os Senadores da República, especialmente do Centro-Oeste brasileiro, do Nordeste deste País, da região Norte, não vão aprovar esta medida provisória, porque nós estamos com os nossos portos e a nossa produção estrangulada, enquanto os americanos, enquanto os argentinos transportam as suas mercadorias por um preço muito abaixo. No Brasil, Sr. Presidente, nós pagamos, US$78.00 por uma tonelada de soja; os americanos, US$18.00 e os argentinos, US$20.00. É isso que nós estamos querendo fazer com o Brasil? Senador Blário Maggi, Senador, todos os Senadores…

    (Interrupção do som.)

    A SRA. KÁTIA ABREU (Bloco/DEM – TO) – …da base do Governo, Delcídio Amaral e todos os outros, Armando Monteiro, vamos ter complacência com as regiões Norte e Nordeste, Centro-Oeste deste País. Toda a produção de grãos deste País está no Centro-Oeste brasileiro, no eixo centro-norte: 52% da produção, e apenas no paralelo 15 para baixo, temos 48% da produção. Mas acontece que toda a produção do paralelo 15 para cima está sendo escoada por Paranaguá e Santos. E se nós investíssemos apenas, exclusivamente, R$15 bilhões nos portos do eixo norte, nas rodovias Teles Pires-Tapajós, na hidrovia Tocantins, na hidrovia do rio Madeira, na estrada Cuiabá-Santarém, se nós investíssemos no porto de Santarém, no Porto Velho, se nós insistíssemos no porto de Itaqui, no Maranhão, no porto de Belém com Monteiro nós faríamos com que…

    (Interrupção do som.)

    A SRA. KÁTIA ABREU (Bloco/DEM – TO) – …nós faríamos com que 20 milhões de toneladas pudessem ser escoados pela região Sul. Nós melhoraríamos o trânsito para a região Sul do País. Nós desafogaríamos Paranaguá, nós desafogaríamos também o porto de Santos. E as estradas do Sul e do Sudeste, quanta melhora teriam? O Centro-Oeste brasileiro, o Norte e o Nordeste – isso inclui o oeste da Bahia, incluo o sul do Piauí, o sul do Maranhão, Balsas, incluo também o sul do Pará –, todas essas regiões que estão produzindo para o País, que merecem a consideração e a atenção nesses itens da logística. Na hidrovia do rio Madeira, Blário Maggi, gastaríamos apenas R$310 milhões; na hidrovia do Tocantins, fazendo a eclusa de Estreito e Lageado, gastaríamos apenas R$1,3 bilhão; os estudos apenas das eclusas e hidrovias de Teles Pires-Tapajós e Jurema, gastaríamos R$50 milhões.

    (Interrupção do som.)

    A SRA. KÁTIA ABREU (Bloco/DEM – TO) – As rodovias de Açailândia até a Vila do Conde, em Belém, 500Km de ferrovia, gastaria apenas R$3 bilhões; o porto de Itaqui, R$1 bilhão; Porto Velho, R$200 milhões; porto de Santarém, R$300 milhões; Vila do Conde, R$500 milhões; Suape, R$300 milhões; Salvador, R$100 milhões; P-100, R$200 milhões, e todas as rodovias, todas construções para terminar as rodovia do arco norte para escoar a produção brasileira, nós gastaríamos um total apenas de R$2,5 bilhões.
    Somado tudo isso, nos não precisaríamos de metade, não, do trem-bala, não; nos precisaríamos, Senadores, de R$10,8 bilhões para fazer tudo isso que eu disse aqui agora há pouco. Será possível que o Senado Federal vai permitir que o sonho de um ex-Presidente, uma megalomania, que não é prioridade neste País…

    (Interrupção do som.)

    A SRª KÁTIA ABREU (Bloco/DEM – TO) – Não é prioridade, Sr. Presidente. Encerro as minhas palavras, pedindo aos colegas Senadores e dizendo ao Estado de São Paulo, especialmente à grande São Paulo, que precisa de tudo para melhorar sua mobilidade urbana, seus metrôs de superfície, a questão da água e das inundações: de quanto investimento a própria São Paulo precisa? De quanto investimento o próprio Rio de Janeiro precisa? Muito além de trem-bala de São Paulo a Rio. Tenho certeza de que os Senadores, de forma suprapartidária, pensando cada um na sua estrada, na sua ferrovia, na sua hidrovia, no seu metrô de superfície, nas dificuldades dos seus Estados vão dizer “não” a um sonho de um ex-Presidente, que não é o sonho dos brasileiros, que não é o sonho dos pobres, que não é o sonho da classe média e que, portanto, não pode ser o sonho dos Senadores da República. Muito obrigada, Sr. Presidente”

    ;^/

  11. Elias said

    Tumultuada a fala da Kátia, mas boa.

    Lamento que ela não tenha, até aqui, apoiado as emendas que viabilizariam a expansão da ferrovia norte-sul com o trecho Açailândia/Porto de Vila do Conde (Barcarena), fazendo a integração intermodal e, no embalo, acrescentando-se uma extensão a Belém.

    Kátia sempre foi contra isso. Agora, parece que virou a favor. Antes tarde do que mais tarde ou nunca.

    Boa, também, a referência ao Porto de Santarém e à rodovia Cuiabá/Santarém, que permite uma conexão com os EUA e a Europa infinitamente mais vantajosa do que qualquer porto das regiões Sudeste e Sul do país (por Santarém, os percursos redondos são muito menores). Para exportação de soja, não tem nada melhor. Não tenho, no mapeamento em meu poder, a posição anterior de Kátia em relação a esses 2 projetos.

    Em matéria de portos, lamento a omissão da Ponta do Espadarte (Curuçá/Pa), que, hoje, sem dúvida, é a melhor opção portuária do país.

    Espero que Kátia mantenha essa posição daqui por diante — especialmente no momento em que esses projetos retornarem ao Senado — e que ela não esteja apenas usando-os pra justificar sua tentativa de melação do projeto do trem bala.

    Seria interessante que o debate seguisse o rumo que Kátia sugere: fazer com que projetos competissem entre si, dando-se prioridade àqueles que proporcionassem maior retorno econômico e social.

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