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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Oposição desabilitada

Posted by Pax em 18/04/2011

Aécio Neves foi flagrado com sua CNH – Carteira Nacional de Habilitação – vencida. Pior foi sua recusa em fazer o teste do bafômetro. A esperança de uma nova liderança na oposição perde a carteira e o rumo.

A situação é à além de preocupante, é desesperadora. Recentemente, em 12 de abril, Fernando Henrique Cardoso escreveu o artigo O Papel da Oposição, com intenção de dar rumos aos estonteados PSDB, DEM e PPS. Por uma infelicidade utilizou o termo “povão” em uma frase mal colocada de um bom texto e até mesmo seus pares e pupilos o questionaram. O que serviria de orientação para os caciques acabou como arma dos adversários que exploraram ad nauseam a ambiguidade do parágrafo abaixo:

Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo “aparelhou”, cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias.

José Serra e Geraldo Alckmin são eminências podres, um trocadilho para afirmar que estes nomes já foram vencidos e são desgastados e incapazes de gerar união e momentum, haja vista as três derrotas consecutivas, incapazes de liderar um processo de retomada de importância política do PSDB e retorno ao manche nacional. Naturalmente sobra Aécio Neves. Em seu primeiro discurso no plenário o senador mineiro-carioca afirmou que o maior mérito do PT foi a “manutenção dos fundamentos da política econômica implantada pelos governos anteriores”. O tom do seu discurso, neste ponto, não difere do artigo de FHC. Sinal que há um caminho a ser trilhado, uma posição para a oposição que é a valorização das principais conquistas (plano real, responsabilidade fiscal etc) e posicionamento de oposição ao governo PT.

Aí Aécio perde a carteira. E a oposição o rumo.

PSDB, DEM e PPS estão divididos e perdidos. Uma parte de seus quadros já migrou para o natimorto PSD, o partido dos que eram oposição e namoram com as benesses do jogo fisiologista de apoiar o novo governo PT de Dilma Rousseff.

Não que a situação seja ruim para o país, de uma falta de rumo e liderança na oposição. Longe disso.

É péssimo.

Em tempo: O PSDB merece parceria melhor que o DEM e o PPS. Se quiser ser “a” oposição nacional então que defina um rumo ideológico, um ideário consistente que empunhe bandeiras desejadas pela nação (menos impostos, mais liberdade econômica etc) e procure melhores parceiros.

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83 Respostas to “Oposição desabilitada”

  1. Patriarca da Paciência said

    É Pax,

    parece que o “inferno astral” do PSDB ainda está longe de passar.

    Primeiro vem as “inconveniências” do Fernando Henrique, tratando as pessoas como “povão”.

    Aliás, acho que essa é outra declaração do FHC que vai entrar para a história, juntamente com aquelas tipo, “Esqueçam o que eu escrevi” e outra não menos célebre, “aposentado é vagabundo”.

    O Serra ganha apoio da direita religiosa, fundamentalista e dos setores mais retrógrados da sociedade.

    E o Aécio, com essa extrema ingenuidade de pensar que um homem público pode levar vida de playboy e ninguém tem nada a ver com isso!

    Com tal pique o PSDB não chega mesmo muito longe!

  2. Elias said

    Pax,

    Desde 2003 — há mais de 8 anos, portanto — a oposição vive pendurada na afirmação de que o mérito de Lula é ter mantido os “fundamentos” da política econômica de FHC.

    Se você espremer a maior parte das pessoas que dizem isso, constatará que essa maior parte mal sabe o que são “fundamentos” de uma política econômica. Menos, ainda, saberá dizer, de bate pronto, quais desses fundamentos foram integralmente mantidos por Lula, quais e quando foram modificados, etc.

    Isso entre os letrados. O pessoal que, daqui a pouco, vai postar só pra mostrar que sabe o que são “fundamentos”.

    Para o povão, falar nos “fundamentos da política econômica” tem tanto sentido quanto uma longa e detalhada exposição sobre a influência dos ventos alíseos na menstruação da borboleta azul. Ou sobre o comportamento pré-nupcial da porca e suas repercussões na psicologia dos leitãosinhos.

    Há tempos o Aécio vem sendo apontado como a grande esperança branca do PSDB. Aí, ele faz seu discurso inaugural como herdeiro (o cacófato é proposital) da oposição, e o que ele faz? Repete o mesmo lero-lero que a oposição bosqueja há quase uma década: “o grande mérito… os fundamentos… ZZZZZZZZZZZ……”

    Sei não… será que isso dá jogo? Isso mostra uma alternativa de poder? (Que eu saiba, uma oposição só se fortalece e se credencia quando ela se revela uma alternativa de poder).

    Mas, também, pode ser que eu esteja totalmente enganado. Pode ser que exista método na loucura oposicionista.

    E se isso fizer parte de uma estratégia? Eles podem ter tramado algo assim: “A gente repete a porra desse discurso até ninguém agüentar mais. Todo mundo de saco cheio! Aí vão votar na gente, só pro país passar a ter uma oposição menos chata…”.

    Se é isso, Aécio está conseguindo. Já tem gente achando que ele é mais chato que o Alckmin…

    Caraca! O artigo do FHC pode ser pernóstico, antipático e metido a besta. Tá na cara que é. Mas, pelo menos, mostra um rumo. Um rumo que o Índio do Serra, mesmo sendo doido, sacou de cara.

    Pra quem tá aqui, nas gerais, às vezes é mais interessante ficar vendo um doido do que um chato…

  3. Olá!

    Elias, acho que um pouco mais de honestidade intelectual viria a calhar.

    Você escreveu:

    “Aliás, acho que essa é outra declaração do FHC que vai entrar para a história, juntamente com aquelas tipo, “Esqueçam o que eu escrevi” e outra não menos célebre, aposentado é vagabundo’.”

    Elias, você é uma pessoa bem informada e que tem acesso aos jornais e etc. Seria interessante colocar a afirmação verdadeira que o FHC deu sobre os aposentados.

    Como eu sei que você é petista e, suspeito, como todos os petistas, deixa de lado os fatos e a realidade em prol da muralha partidária que há entre o seu petismo e o mundo de verdade, eu recupero aqui a fala original do FHC e, assim, espero que haja um pouco mais de honestidade intelectual nesse caso. Eis o original:

    “O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, ontem, que ‘pessoas que se aposentam com menos de 50 anos são vagabundos, que se locupletam de um país de pobres e miseráveis. [. . .]’

    Pela sua colocação, até parece que o FHC, em um dia qualquer, resolveu gratuitamente declarar que os “aposentados são vagabundos”.

    Elias, foram interpretações desonestas como a sua que legaram à posteridade essa história de que o FHC chamou os aposentados de vagabundos.

    Aliás, é esse mesmo tipo de interpretação que está sendo utilizada para, agora, avacalhar com o mais recente artigo do FHC.

    Com todo o respeito, mas esse tipo de esquerdismo juvenil não fica bem em senhores acima dos 50.

    Mas, enfim, não dá para esperar muito da esquerda local.

    Até!

    Marcelo

  4. Pax said

    Caro Patriarca,

    Quando alguém precisa escrever 10 notas para explicar um de seus artigos, é sinal evidente que deveria ter se esmerado um pouco mais ao lançar este primeiro. Mas o artigo do FHC, se lido sem emoções, é bom, sim. O problema é que teve ambiguidades. E abriu a brecha para a pancadaria, claro. Não é a primeira vez que FHC comete alguns deslizes em seus artigos e discursos. Deveria ter aprendido. Lula é teflon, nada gruda, pode falar as besteiras que quiser (“Sarney não deve ser julgado como uma pessoa qualquer” por exemplo) que estes absurdos não lhe colam. FHC é exatamente o contrário, parece gema de ovo, tudo que fala e que deixa abertura é mal usado e cola.

    De outro lado já vi petista ferrenho afirmar que a hora que Aécio colocar as mangas de fora para uma candidatura aparecerão cobras e lagartos de sua vida mais farrista. Enfim, nem gosto muito dessa política de salão de beleza, de fofocaria de vida particular, mas se Aécio quiser realmente algo maior, terá que tomar cuidado, sim.

    Caro Elias,

    Vamos arrumar uma briga. Mais uma. Já faz um tempo que você insiste neste ponto que o discurso da oposição é estéril para a sociedade brasileira. Alguns exemplos disso são, se não me falha a memória:

    – o eleitorado jovem nem se lembra do que era inflação (durante a campanha do ano passado)

    – o povo brasileiro não entende o que significa “fundamentos da política econômica”.

    há outros, creio, mas fiquemos somente com esses dois que me parecem bastante objetivos e bons de discussão

    No primeiro item acima, da inflação, creio que há espaço para discutirmos. Não só a inflação não está tão distante (menos de 20 anos), como há um processo atual que tende a ameaçar a estabilidade de nossa moeda, os preços, discutamos o que quisermos, estão aumentando e exatamente para o povo, ou povão, como diz FHC. O arroz, o feijão, o açúcar, o milho, a gasolina estão subindo pacas. E já já teremos aumentos de luz e gás, coisas que o povão usa e que, dada a incompetência e roubalheira, deverão pesar nos orçamentos domésticos. Afinal precisamos alimentar essa corja de bandidos que ocupa as agências regulatórias e as estatais brasileiras, com bem sabemos. Então meu caro, não só acho que ainda há uma boa parcela da população que se lembra muito bem dos tempos da inflação de Sarney, de 83% de desvalorização da moeda nacional em um só mísero fevereiro de 28 dias, como há uma farta parcela de jovens que hoje paga mais caro as passagens de ônibus bem como o arroz com feijão e fubá que levam para casa (sem contar com a “mistura”, a famosa costela e asa de frango que completa seu cardápio).

    De outro lado, se não houver “fundamento econônico” a ser questionado, de onde tiraremos elementos para discutirmos uma efetiva redução da carga tributária absurda e, de outro lado, uma cruzada para estimular o empreenderorismo nacional tão necessário para que consigamos disputar o novo mercado definido pelos preços baixos que a China impõe ao mundo?

    Ou seja, caro Elias, acredito que temos pontos de discordância que me parecem bastante razoáveis para uma respeitosa arena de discussão.

  5. Olá!

    Na cabeça dos petistas, o Lula fez uma revolução econômica e social tão grande que o Brasil virou uma Noruega tropical.

    Até!

    Marcelo

  6. Carlão said

    Elias
    Como eu, você e os comentaristas fazemos parte do tal “povo brasileiro” que não sabe o que são
    fundamentos econômicos sugiro aprendermos o que significa.
    Este artigo da Veja aborda objetivamente o assunto:
    Política econômica atravessa crise de credibilidade
    Governo não demonstra que conhece – ou que concorde – com a importância da preservação do tripé macroeconômico: inflação controlada, saúde das contas públicas e câmbio flutuando livremente

    http://veja.abril.com.br/noticia/economia/politica-economica-atravessa-crise-de-credibilidade

    Na minha opinião…o Mantega ( Cadê o software?) por sua falta de competência está com os dias contados no governo.Palocci está entre aqueles que querem deixar o Mantega partir.
    Sugiro um convite ao Pedro Malan (ele desenhou o software dos fundamentos econômicos de FHC)embora duvido
    que ele aceite. Deve sobrar pro Meirelles…infelizmente

  7. Catatau said

    E se fosse o Lula?

  8. Chesterton said

    Aécio neves é oposição? Só se for ao próprio PSDB….

  9. Carlão said

    Catatau tem pra todo gosto:
    CALUNIA OU PREVARICAÇÃO?

    Ministro do STJ confirma que renunciou à candidatura ao Supremo depois de ser acusado levianamente pelo ex-presidente Lula e pelo advogado Roberto Teixeira de cobrar propina

    A indicação dos ministros que compõem o Supremo Tribunal Federal (STF) é uma atribuição exclusiva do presidente da República. Em fevereiro de 2010, o ministro Cesar Asfor Rocha, então presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi convidado por Lula para uma audiência que durou cerca de trinta minutos. Falaram sobre os problemas da Justiça, trocaram elogios e, por fim, o presidente comunicou ao magistrado que o havia escolhido para ocupar uma vaga que seria aberta no STF. Combinaram que o assunto deveria ser mantido em segredo até o anúncio oficial – e despediram-se com um abraço. Em novembro, em um encontro na casa do presidente do Congresso, José Sarney, o ministro Cesar Asfor comunicou ao senador que não tinha mais interesse na indicação para o cargo e pediu a ele que informasse ao presidente Lula que se sentia atingido em sua “dignidade pessoal”. Asfor Rocha nunca mais falou sobre o assunto. Em março passado, a vaga no STF foi ocupada por Luiz Fux, seu colega de tribunal.

    O que aconteceu nos nove meses que separaram o convite de Lula e a desistência de Cesar Asfor é um enigma que dominou com especulações o meio jurídico e político de Brasília. A repentina recusa do magistrado contrastava com seu público e notório entusiasmo diante da possibilidade de se transferir para a mais alta corte de justiça do Brasil. Governadores, advogados, políticos e empresários promoviam romarias ao gabinete do “futuro ministro do Supremo” para cumprimentá-lo antecipadamente pela indicação, dada, então, como certa. A saída de Asfor da disputa pela vaga no STF pareceu inexplicável a muita gente. Quando se revelou que Asfor havia justificado sua desistência alegando a preservação da sua “dignidade pessoal”, a especulação foi às alturas.

    VEJA levantou os reais motivos responsáveis pela súbita e inesperada mudança de ideia do magistrado. Cesar Asfor teve seu nome envolvido em uma acusação ruinosa para qualquer magistrado: a de receber propina. Não bastasse isso, potencializou os efeitos desastrosos da acusação o fato de ela ter partido de ninguém menos que o próprio presidente da República. Mas não foi o mesmo Lula que fez o convite a Asfor nove meses antes? E o fez a seu modo, com uma profusão de elogios e um abraço carinhoso no final da conversa. O que fez Lula retirar a indicação de Cesar Asfor? VEJA ouviu de interlocutores diretos de Lula relatos esclarecedores sobre o episódio. A essas pessoas Lula confidenciou que havia desistido de indicar o ministro depois de ter sido informado de que ele teria pedido dinheiro para decidir no STJ em favor de um recurso de interesse de determinada empresa. Chegou aos ouvidos de Lula que, mesmo tendo recebido a propina combinada, Cesar Asfor rompeu o acordo e julgou o processo em desfavor dos interesses dos corruptores. Lula disse a seus interlocutores que se convencera da veracidade da denúncia contra seu, até então, candidato in pectore a uma vaga no STF. Por que razão o presidente aceitou como verdadeira a grave denúncia contra Asfor? A explicação dada por Lula foi que sua fonte era um amigo que merecia sua total confiança, conforme relata um dos interlocutores: “Em uma recepção no Palácio da Alvorada, em outubro, perguntei ao presidente quando ele anunciaria a escolha de Cesar Asfor para o Supremo. ‘Não vai dar’, respondeu o presidente, um amigo meu disse que ele pediu uma mala de dinheiro para decidir um caso”. Espantado diante da revelação, o interlocutor teve outra surpresa quando Lula revelou que o amigo da história era Roberto Teixeira, seu advogado e compadre.
    Com um ou outro detalhe discrepante, Lula contou a mesma história a um ministro, a um seu ex-ministro, a um governador e a um advogado de intensa militância nas altas cortes da capital federal. Ela pode ser resumida assim: Roberto Teixeira teria procurado Cesar Asfor na condição de advogado de uma empresa de fertilizantes para conversar a respeito de um processo que tramitava no Superior Tribunal de Justiça. Depois de ouvir os argumentos do advogado, o ministro teria pedido 500000 reais de propina para julgar a causa a favor da empresa. Indignado com a quebra do compromisso, Roberto Teixeira teria reclamado com o presidente, que decidiu suspender a indicação do ministro.
    Cesar Asfor soube dessa versão em outubro do ano passado e no mês seguinte pediu a Sarney que levasse a Lula a mensagem cifrada em que citava sua “dignidade pessoal”.
    Antes de falar com Sarney, Asfor cuidou de rastrear a origem da história e constatou que ela realmente tivera origem no gabinete presidencial. Sempre bem informado sobre os bastidores do poder, o senador José Sarney confirmou ao amigo Asfor, com a polidez de sempre, que realmente “havia algo de errado acontecendo”.

    Procurado por VEJA na semana passada, Cesar Asfor confirmou que o suposto suborno foi, de fato, a causa de sua desistência à vaga no Supremo. “Fui vítima de leviandades por parte de pessoas que queriam inviabilizar o meu nome para o Supremo. Mas prefiro acreditar que o ex-presidente da República foi enganado por essas pessoas que usam a sordidez como linguagem”, disse o ministro. Asfor contou a amigos que tomou conhecimento da história pela primeira vez através de um colega da própria magistratura. “Ele me disse que soubera de amigos do Palácio do Planalto que o presidente estava falando coisas absurdas a meu respeito. Mas não quero mais falar sobre isso. É coisa que pertence ao passado.”

    O advogado Roberto Teixeira, personagem central de rodas as versões da mesma trama, esteve com o ministro Cesar Asfor no dia 3 de agosto do ano passado, em audiência oficial no gabinete da presidência do STJ. Mesmo sem procuração da empresa, apresentou-se como defensor da Fertilizantes Heringer S/A e explicou que estava apresentando um recurso ao tribunal para tentar suspender o julgamento anterior, que impedia uma unidade da empresa de operar. A fábrica, localizada em Paranaguá, no estado do Paraná, teve sua produção interrompida por provocar danos ao meio ambiente com a eliminação de resíduos tóxicos na atmosfera. A audiência concedida por Asfor a Teixeira durou cerca de quinze minutos. Um mês depois, o recurso de interesse da Heringer, relatado por Asfor, foi negado por todos os onze ministros da corte especial do STJ. A Heringer informou que Teixeira não foi contratado como advogado e esclareceu que ele atuou na condição de consultor. Consultor de quê? A empresa não respondeu. Teixeira também não quis entrar em detalhes. Por escrito, informou apenas: “Nossa atuação como advogados está submetida exclusivamente à Ordem dos Advogados do Brasil, não cabendo à revista VEJA ou a qualquer outra entidade exercer o controle, avaliar ou censurar a nossa atuação profissional inclusive através de perguntas tendenciosas, objetivando a cizânia, e que, ademais, nenhuma conexão mantêm com o caso específico utilizado para a veiculação das mesmas”. A assessoria do ex-presidente Lula informou que ele está em viagem ao exterior e não pôde ser localizado. Cesar Asfor guarda para si a convicção de que o encontro que teve com Teixeira e o julgamento desfavorável a Heringer estão na origem da história contada a Lula e que lhe custou uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

  10. vilarnovo said

    “Caro Patriarca,

    Quando alguém precisa escrever 10 notas para explicar um de seus artigos, é sinal evidente que deveria ter se esmerado um pouco mais ao lançar este primeiro. Mas o artigo do FHC, se lido sem emoções, é bom, sim. O problema é que teve ambiguidades. E abriu a brecha para a pancadaria, claro. Não é a primeira vez que FHC comete alguns deslizes em seus artigos e discursos. Deveria ter aprendido. Lula é teflon, nada gruda, pode falar as besteiras que quiser (“Sarney não deve ser julgado como uma pessoa qualquer” por exemplo) que estes absurdos não lhe colam. FHC é exatamente o contrário, parece gema de ovo, tudo que fala e que deixa abertura é mal usado e cola.”

    Pax – Me desculpe mas discordo contigo. O artigo de FHC é bem claro, concorde com ele ou não. Acontece que, infelizmente, a política brasileira é um deserto de idéias, um mar de mediocridade, um lamaçal de boçalidade lulescas e popularescas sem fim. FHC escreveu um artigo com um pouco (nem muito foi) de mais profundidade intelectual. Um pouquinho só. As reações ao seu artigo comprovam o que ele escreveu. Os ataques ao parágrafo do “povão” aconteceu exatamente como descrito. Vide o que falou o Patriarca (não foi o Elias, Marcelo).

  11. Olá!

    Cometi um baita erro acima com o Elias.

    Elias, desculpe-me pelo meu erro. Não percebi que quem havia escrito o comentário sobre os “vagabundos” havia sido o Patriarca da Paciência.

    Deixo aqui registradas minhas humildes e sinceras desculpas ao Elias.

    Até!

    Marcelo

  12. Olá!

    Vilarnovo,

    “Pax – Me desculpe mas discordo contigo. O artigo de FHC é bem claro, concorde com ele ou não. Acontece que, infelizmente, a política brasileira é um deserto de idéias, um mar de mediocridade, um lamaçal de boçalidade lulescas e popularescas sem fim. FHC escreveu um artigo com um pouco (nem muito foi) de mais profundidade intelectual. Um pouquinho só. As reações ao seu artigo comprovam o que ele escreveu. Os ataques ao parágrafo do “povão” aconteceu exatamente como descrito. Vide o que falou o Patriarca [. . .].”

    De fato, Vilarnovo, as reações ao artigo do FHC mostram que o que ele escreveu tem lá o seu fundo de verdade.

    Foram poucas as análises desse artigo que li na grande imprensa que fizeram uma avaliação intelectualmente honesta sobre o que o FHC escreveu.

    Vilarnovo, qual a sua opinião sobre o artigo do FHC? Você o leu?

    Até!

    Marcelo

  13. Pax said

    Caro Vilarnovo,

    E eu discordo de você também, com as devidas vênias, mas vamos lá

    1 – tenho cá minhas certezas que se FHC escrevesse o artigo de novo refrasearia o parágrafo que ressaltei no post, acima.

    2 – minha outra discordância é nesta sua frase: “a política brasileira é um deserto de idéias, um mar de mediocridade, um lamaçal de boçalidade lulescas e popularescas sem fim”. Ora, caro Vilarnovo, até parece que no PSDB de Eduardo Azeredo, José Serra. Geraldo Alckimin e no DEM de Efraim Morais, Rodrigo Maia, Ronaldo Caiado etc a coisa é tão melhor. Não é.

    Se fosse não teria escrito este post e colocado na categoria de “opinião pessoal” que tem pouquíssimos posts.

    A oposição é que é o problema. No fundo a grande questão é sua ausência, ou inexistência de algo que podemos chamar de competente neste sentido.

    E sem oposição o governo tende a ficar cada vez pior, nada de braçadas em suas mediocridades, de Sarney a Lobão para baixo, afora os petistas que já se perderam faz um bom tempo e que, infelizmente, fazem parte da liderança do partido.

  14. Pax said

    Prezados

    Antes que eu me esqueça, vejam que sou um dos que elogia o artigo do FHC. Somente critico uma única palavra que poderia ter sido escrita de forma diferente… mas, vamos lá ao que escrevi:

    Por uma infelicidade utilizou o termo “povão” em uma frase mal colocada de um bom artigo e até mesmo seus pares e pupilos o questionaram. O artigo que serviria de orientação para os caciques acabou como arma da situação que explorou ad nauseam a ambiguidade da infeliz colocação do parágrafo abaixo

    Não vejo no parágrafo acima nada que desconsidere o bom artigo de FHC.

  15. Zbigniew said

    O FHC tem razão. O governo Lula “cooptou” a base da sociedade, e também o topo, com sua política de compensações e ganhos.

    O meio da pirâmide, na sua zona de conforto, move-se mais sensivelmente de acordo com as perdas e danos provocadas por um sistema de instabilidade econômica, principalmente se regado por uma espiral inflacionária. Aí a vaca vai pro brejo.

    O problema de FHC é a pecha de uma era em que o povão (e aí inclui a classe média), apesar de reconhecer a estabilidade monetária e o controle da inflação, e um esforço enorme para modernizar o Estado, sofreu com situações limites, como o apagão elétrico e o despreparo para enfrentar crises externas que se sucederam (Rússia, México e Tigres Asiáticos), sem a adoção de nenhuma medida anticíclica eficaz. Não tivemos um processo de geração de empregos consistente, ganhos reais de salário ou aumento de salário mínimo, nem a expansão de um mercado interno que gerasse dinamismo na economia.

    Voltando à “cooptação”, ela deve ser entendida enquanto em combinação com o sucesso das políticas sociais compensatórias.

    E aí vem uma provocação: Será que é tão errado colocar dinheiro público nos movimentos sindicais e sociais quanto nas entidades financeiras, que, inclusive, levaram o mundo à bancarrota em 2008 e tiveram que ser socorridas para que se evitasse uma derrocada maior de todo o sistema financeiro internacional? A questão foi só de dominação, ou houve ganhos para a sociedade? Pergunto porque se uma instituição financeira está próxima de quebrar o Estado socorre para não contaminar o sistema. O mesmo raciocínio não deveria ser aplicado para as organizações sociais (no seu sentido lato), que deveriam ser vistas como elementos importantes para o equilíbrio social?

    Neste ponto FHC é mais do mesmo. Está à direita, porque continua longe das “massas carentes e pouco informadas”, porque só enxerga “benesses” a essas mesmas massas e nenhum tipo de avanço ou melhoria na sua condição de vida, ainda que se observe as migrações “em massa” de classes nos últimos anos.

    Mas o que chega a ser risível é “a influência que exerce na mídia com verbas publicitárias”. Faltou ser mais explícito: qual mídia e qual influência.

  16. Patriarca da Paciência said

    Meu caro Zbigniew,

    “Mas o que chega a ser risível é “a influência que exerce na mídia com verbas publicitárias”. Faltou ser mais explícito: qual mídia e qual influência.”

    Pois é, risível. Risível mesmo! Cõmico! Tragicômico!

    E ainda a tem gente dizendo que o a artigo do FHC é “profundo”!

    Quem “está ao lado do Lula”?

    Globo? Estadão? Folha? Veja? Istoé? Época?

    Apoonte, sr. FHC.

    Quem é mesmo da “grande imprensa” que foi “comprado” pelo Lula, tal como o povão?

  17. Carlão said

    BETTY DA MATILDE SEMPRE ERRADO, no varejo e no atacado.
    ele é petralhotário de carteirinha!

    sugiro ler artigo do Villa sobre as oposições e o papel de FHC:
    http://www.marcovilla.com.br/2011/04/debatendo-o-novo-papel-de-fhc.html

  18. Zbigniew said

    Caro Patriarca,
    e notorio q com o governo Lula houve uma maior pulverizacao das verbas publicitarias. E certo q os grandes grupos de comunicacao tiveram uma mudanca significativa nas relacoes com o poder central, porque quem estava la nao era mais da “turma”. Nao sendo da turma, nao podia ser confiavel. O q fazer entao? No Brasil, grupos poderosos de midia se associam entre si como manifestacao de um poder maior para defender o “status quo”. O Lula quebrou esta relacao, nem tanto pelo discurso de esquerda, mas por ser elemento estranho ao grupo de poder associado. E o q menos eles queriam era um “mala de fora”, ainda q docil. O problema e q o Lula nem foi docil, nem estupido como esperavam. E ainda por cima fez um governo com altos indices de aprovacao. Resultado? Abalou o “status quo”, implodindo a oposicao e fazendo sua sucessora. Os grandes grupos, entretanto, permanecem. Das duas uma: ou vao mudar de turma ou vao cooptar os “estranhos”. Neste ultimo caso os estranhos e q terao mudado de turma.

  19. Pax said

    À além dos boatos e emoções, há fatos:

    1 – a oposição, PSDB, DEM, PPS, está desorientada, perdida, sem liderança (caso esteja errado, alguém pode apontar onde estão os rumos e os líderes?)

    2 – Aécio é uma possibilidade, é menos desgastado que Serra e Alckmin

    3 – FHC, o velho cacique, é ouvido por todos

    4 – O artigo de FHC veio para tentar direcionar a oposição, mais perdida que cachorro caído de caminhão de mudança

    5 – o artigo tem lá seus pontos criticáveis, seus possíveis contra-pontos, mas tanto é importante que até mesmo Lula parou para atacá-lo, em uma de suas brechas. Se o artigo não fosse importante Lula perderia este tempo? A cacicada petista e a papagaiada (tipo o tal Brizola Neto e afins) ficariam dias nesta toada? Claro que não.

    6 – todos sabemos que há muitas bandeiras boas para uma oposição se firmar. Cito apenas duas: a) redução de impostos e b) simplificação tributária e fiscal – as duas são bandeiras que o PT jamais vai adotar e que boa parte da sociedade brasileira adoraria ter quem defendesse competentemente. Aliás, sou um destes.

    7 – não há na oposição rumo algum, nem mesmo para defender estes pontos simples e bons, estas bandeiras que estão como bola quicando em frente da área sem goleiro embaixo das traves, nem isso a incompetente oposição consegue fazer, prefere brigar internamente, numa disputa de umbigos fedidos

    8 – Aécio, voltando ao post, tem um histórico farrista que vai atrapalhar sua carreira. Não tenho dúvida disso. Nem entro nas fofocas, só nos fatos.

    9 – Se não for Aécio, quem será? Serra? Blearg. Alckmin? Blearg. Quem, então? FHC não tem mais idade, afinal.

    este me parece o grande ponto da questão

  20. Pax said

    Ops, esqueci do segundo grande ponto, na lista acima, que amarra o sentido da discussão que entendo ser boa:

    Sem uma boa oposição, a situação tende a degenerar ainda mais!

    Desculpem-me os amigos petistas e simpatizantes, mas achar que a coisa está boa me parece um tremendo erro.

    Dilma tende a ser melhor que Lula, mas com estas alianças e dívidas esquisitas pacas (basta lembrar de Sarney que lembra Lobão etc), não me parece que terá sustentação política para vencer a canalhada geral que tomou conta dos palácios nacionais.

  21. vilarnovo said

    Pax – Sou obrigado a concordar contigo. O deserto é geral. Conta-se nos dedos de uma mão. Gosto do Fruet, da Kátia Abreu, do Palocci (a despeito da escorregada no caso do caseiro que ainda acredito tenha sido feito por um puxa saco do que pelo mando dele), o Álvaro Dias fez um bom discurso de oposição recentemente. Aécio, quando quer, também pode ser uma boa oposição. Tem que deixar seu lado Berlusconi de lado (playboy).

    Marcelo – Achei o artigo bom. Ponto. Não foi nenhuma novidade. Não há nada de novo alí. O que ele falou todos sabem. O PSDB nunca soube ser oposição. E nesse ponto culpo mais o Serra do que todos. Para mim (opinião pessoal) foi sua disputa com FHC que fez com que o PSDB jogasse seu maior trunfo pelo ralo. O Serra é o pior quadro do PSDB de longe.

    Patriarca – Meu caro, a imprensa brasileira sempre foi extremamente benevolente com o Lula. Se vc acha que a imprensa no Brasil faz oposição ao governo é porque nunca viu a Fox na época de Obama ou a CNN na época de Bush. Outra coisa: pode vir algo em relação à Rede Globo com o Mensalão.

    Lembro de uma vez que um tal Zé Dirceu falou: “A Globo é nossa, a Veja é tucana”.

    O problema do maldito PIG é que ele insiste em noticiar as falcatruas, os crimes, os desmandos e os erros do governo. Que audácia!

    Até porque dizer que a crise era culpa de “loiros de olhos azuis” é tão racista quanto dizer que a violência é culpa de “pretos com cabelo pichain” ou dizer que “Pelotas é exportadora de viados”.

    Onde estava a imprensa? As ONGs? Os “movimentos sociais”?

  22. Pax said

    Gustavo Fruet me parece muito bom, sim. Só não sei se teria pegada para liderança, mas acho um excelente nome.

    Kátia Abreu me parece uma tremenda furada, pior ainda que Alckmin e Serra. Basta ver suas mentiras atuais (“O Brasil vai passar fome se não aprovar a reforma do Código Florestal” ou coisa parecida. Não vale um tostão furado).

    Palocci? Hum… não poria muitas fichas nesta aposta não.

    No Paraná, pegando o gancho e tirando alguns detalhes, gosto muito do petista Dr Rosinha. O que isto quer dizer? Que na política nacional está assim, como feijão carunchado, tem que catar um grão bom aqui, outro acolá.

  23. vilarnovo said

    Pax – Lula está doido por um holofote. Qualquer um. Atacar FHC enquanto era presidente era fácil pois era protegido pelas regras de que jornalistas não podiam lhe fazer tréplicas. Agora podem. Tomou duas bordoadas de FHC que vai fazer ele ficar quietinho por algum tempo. Lula não tem capacidade intelectual para se contrapor a FHC.

  24. vilarnovo said

    Pax – Aqui no Rio há o Marcelo Freixo também. Tirando o ranço marxista que ainda há nele pelo menos parece ser uma pessoa honesta (o que é dificil de se encontrar em marxistas).

  25. Patriarca da Paciência said

    Vilarnovo,

    1 -Criticar, analisar, propor soluções, é uma coisa.

    2 – Ser arrogante, pernóstico, tentar desqualificar, é outra.

    É claro que há alguns jornalistas da “grande imprensa” que se enquadram no primeiro item, mas não são maioria, tampouco representam a linha editorial da tal “grande imprensa”.

    A Folha chegou a publicar uma ficha falsa da Dilma, no outro dia pediu desculpas, inclusive dizendo que tinha recebido a tal ficha por e-mail, mas até hoje aparecem consequências de tal ato inconsequente.

    O Estadão chegou a anunciar explicitamente seu apoio ao candidato Serra.

    As perguntas dos entrevistadores da Globo são simplesmente hilárias, sempre antecipando afirmações contrárias ao bom desempenho do governo e do PT.

    A Veja então, nem se fala, sempre martelando na tentativa de desqulificar o Lula e a Dilma, inclusive usando termos chulos.

    O Mais incrível é que a grande maioria das pessoas não se deixam influenciar por tais “formadores de opinião”.

    Lula terminou o governo com quase unanimidade de aprovação.

    E o PSDB, inclusive o Fernando Henrique, continuam na maior crença que os “formadores de opinião” é que “comandam” tudo.

    De minha parte continuo afirmando que uma das grandes obras do Lula foi ter anulado o poder da tal “grande imprensa”.

  26. vilarnovo said

    Lula terminou o seu mandato com quase “unanimidade” justamente pelo que foi descrito por FHC. Discordo com vc. A imprensa passou muito a mão na cabeça do governo Lula. O resultado estamos vendo agora.

    Cara, o país está afundando, um pouco de cada vez. A bomba foi armada pelo governo Lula. Dilma está tentando fazer algo mas não vai conseguir porque o esquema, o sistema está muito forte.

    Foram oito anos de mentiras, de desmandos, de gastos desenfreados que jogaram a economia em uma situação delicada. Não sou fatalista para dizer que não tem jeito. Tem sim, mas não vai ser o governo PT que vai fazer isso. A “unanimidade” de Lula só demonstra a ignorância de um país sem cultura como o Brasil. E a falta de uma oposição no mínimo eficiente.

    Sobre a imprensa, não vejo problema nenhum em chamar ladrão de ladrão, corrupto de corrupto, incompetente de incompetente.

    Infelizmente vivemos em um país onde a impunidade impera. Para todos os lados. Se não fosse isso, Lula não teria terminado seu mandato. E dizer isso não é fazer oposição chula, é apenas comprovar o óbvio.

    Collor caiu por muito menos do que aconteceu no governo Lula. Muito menos mesmo.

  27. Elias said

    Marcelo,

    Desculpas aceitas.

    Dia desses, fui eu a lhe pedir desculpas, por um erro muito mais grave que o seu. Nem posso dizer que estamos empatados, portanto. Você ainda tem saldo…

    Carlão,

    Insisto: dizer que “o mérito do Lula foi manter os fundamentos da política econômica do FHC” é uma grande bobagem. Pior, ainda, continuar fazendo disso o cavalo de batalha da oposição.

    Qualquer pessoa minimamente atenta ao país, sabe que o grande mérito do Lula é o talento político do cara. Ele soube fazer cálculos políticos, soube traçar uma estratégia, soube formular táticas e soube executá-las.

    A oposição tem sido incapaz de fazer isso. Eis a diferença.

    Lula foi derrotado politicamente várias vezes e fez disso um apendizado. Tornou-se uma raposa. Li um artigo de fim de ano da Economist que atribui ao Lula a condição de “político mais competente do Brasil”. Com pequenas variações, o NYT, a revista Época, etc, disseram a mesma coisa.

    Ora, Carlão: em 2002, o PSDB tinha os “fundamentos”, tinha o “software”, tinha “o candidato que se preparou a vida toda pra ser Presidente do Brasil”, dinheiro a rodo pra campanha, marqueteiros de grife e tudo o mais… e o que conseguiu?

    E depois, em 2006? E, ainda, em 2010?

    Faltou o quê?

    Faltou política, Carlão. Faltou capacidade política.

    E não estou falando apenas de campanha eleitoral, certo? Até porque todos sabemos que a eleição começa a se definir pelo menos um ano e meio antes de acontecer.

    É só dar uma olhada no que foi o discurso da oposição, nos últimos quase 10 anos. Claramente, a oposição se portou como se estivesse enfrentando um simplório qualquer que, por um desses acidentes da história, se tornou Presidente da República.

    Aparentemente, a oposição foi incapaz de perceber que estava enfrentando um político sagaz, experiente, sofisticado, com uma tremenda capacidade de decifrar os códigos e ler nas entrelinhas do matreiríssimo e traiçoeiro ambiente político brasileiro. Até hoje, ela tem dificuldade em traçar um perfil minimamente realista do Lula.

    Quem estava sendo simplória era a oposição. Aliás, parece disposta a continuar assim.

    Uma das chaves para qualquer vitória política, rapaz, é saber avaliar corretamente os adversários.

    Partir pra uma batalha subestimando o inimigo é conduta temerária, Carlão. Podes até vencer, mas, dificilmente, será por mérito teu. Terás que contar com o acaso.

    Em 2001, assisti uma palestra do Lula, em que ele analisou as campanhas presidenciais de 1989, 1994 e 1998. Tinha, “de cor e salteado”, o mapeamento dos acertos e erros de cada uma. Tinha, mapeadíssimo, o que mudara no Brasil desde 1989. Sabia, exatamente, que erros não poderia repetir, de jeito nenhum.

    E aí está outra chave pra se galvanizar numa disputa política: tem que ter capacidade pra aprender com os erros. Se você não se toca pros teus erros, você tá condenado a repeti-los (e ainda tem aquele lance de que a repetição é sempre uma farsa, lembra?).

    Caramba! A oposição vem dando chifrada e coice no muro há um porradal de tempo, crente que é por aí que ela vai entrar no jardim. Não procura a porta de jeito nenhum! Os cornes velhos ficam a cada dia mais esfiapados, os cascos cada vez mais esfrangalhados, mas… lá está o bode velho, caduco e turrão, se abostando contra o muro e achando que faz grande coisa…

    Com uma oposição pouquinha coisa mais competente, Dilma não teria a menor chance. Mais uma vez, quem fez a leitura política mais correta foi o Lula que, desde o início, sustentou que a oposição era uma fraude.

    Ele estava certo, como se viu depois. Não foi só mérito do Lula e do PT. Foi, também, e quase em igual medida, demérito da oposição.

    O que se viu, em seguida, foi um festival de idiotices arrogantes da oposição. Quanto mais idiota a abordagem, mais arrogante a conduta.

    Começou dizendo que “Lula não transfere votos”, depois declarou que “quando Dilma sair do ministério, murcha”… E assim foi, de imbecilidade em imbecilidade, picando a mula manca em direção ao penhasco, até mergulhar rumo ao fundo.

    Na oposição, quem sacou esses erros? FHC, que não foi ouvido. Como parece que não será, agora. Daqui da planície, tenho a impressão de que FHC foi definitivamente entronizado no papel de Cassandra curiboca da esburacada maloca tucana: quanto mais certo ele está, menos acreditam nele.

    Já chegados ao fundo do poço, parece que os carinhas se dispõem a ver o que há mais abaixo…

    Questão de gosto, provavelmente. A maior parte das pessoas gosta dos olhos. Os tucanos, parecem preferir a remela…

  28. Olá!

    Vilarnovo, obrigado pelo seu comentário e gostaria que você, por gentileza, explicasse os motivos pelos quais você considero o José Serra o pior quadro do atual PSDB. Gostaria de saber a sua opinião nos mínimos detalhes que você puder nos dar.

    A chutada para escanteio que o FHC levou no PSDB tem a ver com ele?

    Até!

    Marcelo

  29. Pax said

    Caro Elias descreve a antolhagem tucana como ninguém. Parabéns.

    E são cheios de porta-vozes, cabos eleitorais disfarçados de jornalistas, como (já que o Chesterton, velho e bom Chesterton, vai pedir nomes) o bobalhão do tio Rei, o pior e ainda mais arrogante do Diogo Mainardi e todos liderados pelo pseudo-filósofo de botequim do tal Olavo do cara.. digo, Carvalho.

    Esta turma de babacoaras se acha. E neste “se achar” não só se perde como perde e perderá todas se continuar nesta toada. E tem uma lista, cada vez menor, de seguidores, como num séquito da Igreja Universal do Reino do Diabo Bobo, que vai atrás, como se não conhecesse o velho e bom dito popular que diz que “quem segue morcego morre queimado”.

    Esta é a grande questão.

    E aí o que sobrou do PT, e aqui o Elias vai me perdoar, nada de braçadas, sendo a josta que se tornou.

  30. Pax said

    Cá me metendo acho o Alckmin ainda pior que o Serra. E o Serra é abaixo da crítica, um cara que não consegue unir nada que não seja seu umbigo com seu ego.

    Ou seja, sobra o playboy berlusconenco, como bem disse o Vilarnovo.

  31. Alba said

    Oi, pessoal,

    Como sempre, o Elias formulou um diagnóstico preciso (e engraçado) do papel de FH como Cassandra de uma oposição sem rumo. Não que a análise de FH seja assim tão genial, mas no deserto de ideias, soa como revelação. Sobre isso, é muito interessante o artigo do Diego Viana, no Amálgama :

    http://www.amalgama.blog.br/04/2011/fhc-entre-o-povao-e-a-contradicao/

  32. Olá!

    Observação Aleatória

    Eu fico estarrecido que a oposição deixe de lado coisas como a verdadeira odisséia que é abrir legalmente uma empresa no Brasil e não utilize isso como bandeira eleitoral sua.

    Uma boa discussão política sobre tal assunto mais um bom trabalho de marquetagem poderiam dar bons resultados no final.

    Mas, ao que parece, a atual oposição está mais interessada em menosprezar o FHC do que em fazer oposição de fato.

    Se continuar desse jeito, vai perder eleição após eleição.

    Até!

    Marcelo

  33. Elias said

    Pax,

    Você sabe que, nos EUA, o Partido Republicano surgiu como uma alternativa radical ao Partido Whig. O primeiros membros do Partido Republicano saíram do Whig, que eles consideravam moderado demais, conservador demais, leniente demais, especialmente no tocante à escravidão. Queriam algo mais agressivo e radical.

    Do outro lado do espectro político ficou o Partido Democrata, escravocrata, representando por excelência as forças do atraso, o conservadorismo exacerbado…

    Hoje, o que você diria dos dois partidos? Conservador é o PR, né? Além do mais, o PD, o antigo partido escravocrata tem a preferência do voto negro e deu o primeiro presidente negro do país.

    Uma reviravolta e tanto, né?

    Dia desses, eu disse aqui que o PT se desnaturou. O Patriarca acha que não, mas, uma análise sincera, com pouco mais de 10 cm de profundidade, não terá nenhuma dificuldade em constatar isso.

    A meu pensar, a mensagem que o PT poderia dar ao Brasil já foi pras cucuias há muito tempo.

    Funerou! Morreu, de morte matada!

    O que mantém o PT ainda vivo e válido, hoje, não são as suas virtudes, mas a péssima qualidade das alternativas. Não é que o PT seja bom. É que, no resto, a merda é ainda maior e mais fétida.

    Com espantosa maturidade em se tratando de Brasil, o eleitor tem conseguido, aos trancos e barrancos, escolher o menos pior. O menor dos males.

    Nos meus mais loucos sonhos, imagino uma reforma política de verdade, que acabaria influindo no desenho do quadro partidário do Brasil. Nesse delírio, imagino um partido social democrata de verdade, saindo das entranhas do PT, PSDB, PMDB, PSB…

    Trata-se de delírio, evidentemente…

  34. vilarnovo said

    Elias – Faço minhas suas palavras. Lula sacou que o Brasil é Getúlio, é JK, é Sarney, é Padre Cícero, é Virgulino, é Chacrinha. Tirou os coronéis do DEM do Nordeste para assumir ele mesmo. Trocou o dinheiro do calçado por voto pelo dinheiro do Bolsa Família por voto.

    Lula largou de lado os “intelectuais” petistas que o controlavam feito marionete e se jogou no popularesco brasileiro.

    Ganha eleição. Perde o país.

    Como sempre falei aqui. Com Lula não temos nenhum risco de dar errado. Também não temos risco nenhum de darmos certo. Foi o que aconteceu em parte. Em parte porque a bomba armada por Lula é pior do que pensávamos. E não há ninguém para desarma-la.

  35. Pax said

    Caro Elias,

    Tem horas que sinto uma enorme vontade de contradizê-lo. Mas depois que leio comentários como o #33 eu prefiro consentir calado. É o melhor que faço.

    E compartilhar do delírio, talvez lisérgico demais da conta.

  36. vilarnovo said

    Marcelo – Sim. Serra é mais de esquerda do que Lula e Dilmas juntos multiplicados com 1000. É centralizador, arrogante. Não tenho problemas com presidente “desagregador”. Presidente tem que fazer o que é certo, mas Serra abusa.

    Pax – Alkimim não existe. Sabe aquela propaganda que aparece o cara querendo perder um milhão de reais? Então, foi exatamente isso que o PSDB fez com o Alkimim…

  37. Pax said

    Caro Vilarnovo,

    Boa essa de perder um milhão de reais…

    Na quarta passada, exatamente, no restaurante árabe Halim, perto da Paulista, jantei com um amigo tucano, desses de ir para última convenção em Salvador etc.

    Conversa vai conversa vem ele se lembrou de uma série de e-mails que trocamos no ano passado quando o alertei que Dilma venceria as eleições pela incapacidade do PSDB (+alianças) definirem um bom programa, uma plataforma, e do Serra conseguir agrupar o partido (+alianças, de novo) em torno de si. Ele teimava, me chamava de petista com visão distorcida, parecido com o que o velho e bom Chesterton diz dia sim e outro também.

    Na quarta passada eu ganhei o jantar, nem tinha pedido, mas ele me disse que devia isto, ou se achava devedor, por entender que eu tinha razão durante todo o ano de boas discussões “nas internas” que tivemos.

    E uma das frases desta quarta ficou na minha cabeça, frase dita por este amigo, um tucano: “Nunca mais voto no Serra pra nada”.

    Aí você junta com tua visão sobre o Alckmin que empata com a minha. E tira os noves fora. Sobra quem? O playboy.

    E o que acontece? O cara vai lá e perde a carteira. E a oposição o rumo, como venho dizendo no post e nos comentários.

    Caro Marcelo Augusto,

    Esta tua “Observação Aleatória” é perfeita. E também não consigo entender como inexiste competência de empunhar esta bandeira.

    Impressionante esta falta de capacidade.

    Cara Alba,

    Bem-vinda à discussão. Guarneça seus flancos que os tiros vem de todos os lados. Bom o artigo indicado, obrigado.

  38. vilarnovo said

    Não gosto de colar texto dos outros, mas esse é perfeito e resume bem o que eu penso do governo Lula.

    A herança maldita de Dilma
    18 de abril de 2011 | 0h 00
    Carlos Alberto Sardenberg – O Estado de S.Paulo

    Considerem os problemas com os quais o governo Dilma lida neste momento: inflação e juros altos; aeroportos e infraestrutura da Copa, tudo atrasado; entrada excessiva de dólares e real muito valorizado; comércio desequilibrado com a China.

    São heranças do governo Lula. Claro que toda administração deixa coisas inacabadas para seu sucessor, mas trata-se aqui de algo mais. Em seu mandato, Lula não avançou um passo sequer no aperfeiçoamento do modelo econômico. E não foi capaz de ou não teve interesse em alterar as regras institucionais e o modelo de gestão que emperram as obras públicas no País. Curioso: Lula não aceitou as propostas econômicas mais à esquerda, mas também não embarcou totalmente na ortodoxia. Foi tocando uma coisa mista, deixando correr.

    Poderia ter avançado – este é o ponto. Nos momentos de crescimento e com sua popularidade, o ex-presidente poderia ter ido à luta. Daria problema, é claro. Precisaria enfrentar interesses, mas deixaria um legado precioso. Preferiu, porém, apenas surfar na onda fácil.

    Tome-se o modelo econômico. Lula tocou com o que recebeu de FHC, regime de metas, superávit primário, câmbio flutuante. O sistema funcionou para domar a inflação e trazer os juros reais para algo entre 5% e 6% ao ano. Considerando que vieram de níveis absurdos (20%), o resultado é mais do que positivo.

    Mas já passou da hora de avançar e houve condições para isso. Poderia ter sido iniciado um processo de redução de meta de inflação, que Lula recebeu com 4,5% ao ano e entregou assim mesmo. Nos países emergentes, essa meta está em torno de 3% e o Brasil precisa caminhar para lá. Só assim se poderia fazer uma reforma para eliminar o que resta de indexação na economia brasileira, aquele processo de correção automática de preços que joga para o futuro a inflação do passado.

    Aliás, a presidente Dilma queixou-se dessa indexação algumas vezes. Mas o que fez? Endossou a regra definida na gestão Lula que indexa o salário mínimo, um fator dominante na economia, à inflação e ao crescimento passados. Essa indexação do mínimo, de sua vez, indexa outros salários e preços, tornando rígida a inflação.

    Também há uma queixa generalizada com a dobradinha juros altos e dólar barato. Aqui houve uma mudança. No governo Lula, o Banco Central (BC) iniciou o processo de compra de dólares – no que seguiu os passos dos principais países emergentes.

    Mas não foi uma providência que, digamos, antecipa mudanças estruturais. Foi inevitável. Havia sobra de dólares na praça, de modo que ou o BC os compraria ou a cotação da moeda americana cairia abaixo de R$ 1. E houve sobra de dólares por causa da explosão do comércio mundial e, em especial, da China, que se tornou nossa principal freguesa.

    De novo, isso não resultou de uma ação deliberada da diplomacia brasileira. Simplesmente a China precisou de minério de ferro, soja e petróleo e foi atrás disso em diversos países. E o Brasil tinha em abundância.

    Em resumo, acompanhamos a linha dos emergentes. Mas esses emergentes já ostentam metas de inflação e taxas de juros menores do que as nossas. Assim como investem mais. À exceção da China, todos têm moedas valorizadas, mas o real brasileiro é mais valorizado por causa dos juros altos.

    Nada foi feito para atacar esse problema. Na turma de Lula, o pessoal mais à esquerda sempre pediu controle de capitais e uma espécie de comando para o BC baixar os juros na vontade. Lula não quis correr esse risco.

    Mas também não fez nada na direção dos caminhos ortodoxos. Por exemplo: deixar o dólar flutuar para baixo, o que derrubaria a inflação e permitiria uma redução forte na taxa básica de juros.

    No caso das contas públicas, Lula também não definiu lado. Muitos companheiros pediam para ele jogar fora essa coisa neoliberal de superávit primário e acelerar sempre o gasto público. Lula não se arriscou, de novo. Manteve a Lei de Responsabilidade Fiscal (que define o sistema de superávit), mas aceitou uma série de quebra-galhos e manobras contábeis para aumentar o gasto e apresentar um superávit falso, de valor menor que o anunciado.

    Tudo considerado, o governo Lula não tomou qualquer providência substancial no caminho que é agora a prioridade máxima: como reduzir de modo consistente a taxa de juros. Reduzir a meta de inflação e desindexar são complementos.

    E no que se refere ao bloqueio a investimentos? O ex-presidente chegou a identificar problemas. Reclamou dos bagres que atrasaram as usinas do Rio Madeira, do chimpanzé que bloqueou estradas. Mas não tomou nenhuma medida para aperfeiçoar o sistema de concessão de licenças ambientais. Ficou no quebra-galho, no caso a caso. Forçou, por exemplo, as licenças das Usinas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte, inclusive demitindo funcionários, mas o sistema que trava o processo está aí, parando milhares de obras pelo País afora.

    E, mesmo naqueles casos em que o governo “arrancou” as licenças, pode escrever: ainda vai dar rolo na Justiça.

    O ex-presidente reclamou do Tribunal de Contas. E aí? Procurou acertar um ou outro caso, mas sem mudar o modo de licitação, realização e fiscalização das obras públicas, que está notoriamente atrasado.

    Ministros e outros funcionários disseram a Lula que, sem concessões privadas, as obras dos aeroportos não andariam. O ex-presidente não quis se arriscar com essa “privatização”, optou por mudanças administrativas na Infraero, que simplesmente não aconteceram. Dilma está começando do zero.

    Pode-se dizer que ela tem parte da culpa, porque estava na gestão anterior, em posição de mando. É verdade. Mas quem mandava era Lula, dele dependia a tomada de qualquer medida substancial. E ele não tomou. Foi na onda. Agora, está tudo aí, mais complicado.

  39. Elias said

    Vilarnovo,

    “…Mas o que alcança o principado pelo favor popular encontra-se sozinho e, ao redor, ou não tem ninguém, ou muito poucos que não estejam preparados para obedecê-lo. Além disso, não se pode satisfazer aos grandes sem injúria para os outros. Mas o povo pode ser satisfeito, porque o objetivo do povo é mais honesto do que o dos poderosos; estes querem oprimir e, aquele, não ser oprimido. Contra a hostilidade do povo o príncipe não se pode assegurar nunca, porque são muitos; com relação aos grandes, é possível, porque são poucos. O pior que o príncipe pode esperar do povo hostil é ser abandonado por ele. Mas, da inimizade dos grandes, não deve temer só que o abandonem, como também que o ataquem, pois têm estes maior alcance de vista e maior astúcia, e têm sempre tempo de salvar-se, procurando aproximar-se dos possíveis vitoriosos. Precisa, ainda, o príncipe, de viver sempre com o povo, mas pode prescindir perfeitamente dos grandes, pois pode fazer e desfazer, a cada dia, e dar-lhes ou fazer perder influência, à sua vontade.” (Maquiavel, “O príncipe”, Capítulo IX, “Do principado civil”)

    Se você quiser continuar referenciando sua análise em Chacrinha, Virgulino e Ciço, fique à vontade.

    Agora, se você aceitar um toque, eu recomendaria um pouco mais de refinamento no seu modelo de análise.

  40. vilarnovo said

    Elias – De nada Maquiavel está diferente do que falei. Não falei que Lula era Chacrinha, Virgulino e Ciço. Falei que o povo brasileiro é isso, que o Brasil é isso. E Lula sacou isso.

    “Precisa, ainda, o príncipe, de viver sempre com o povo, mas pode prescindir perfeitamente dos grandes, pois pode fazer e desfazer, a cada dia, e dar-lhes ou fazer perder influência, à sua vontade.”

  41. vilarnovo said

    Aliás, Maquiavel, quando escreveu O Príncipe, ensinava como se manter no governo. Não a realizar um bom governo. Há uma diferença enorme…

  42. Elias said

    “Lula tocou com o que recebeu de FHC, regime de metas, superávit primário, câmbio flutuante.”

    Certo. Com FHC o câmbio flutuava… firmemente preso a uma âncora, né?

    Privatizar aeroporto?

    Caraca!

    Tome-se como exemplo o aeroporto Kennedy, de Nova York. Lá, as grandes companhias aéreas têm seus próprios terminais. Há um terminal público para as pequenas companhias. Se você chega em Nova York em vôo de uma companhia brasileira, você desembarca no terminal público. As pistas de pouso e decolagem também são estatais.

    No Brasil, as empresas não estão impedidas de construir seus próprios terminais de passageiros.

    Por que será que não o fazem?

    Já sei! É que os Conselhos de Administração dessas empresas ainda não leram as brilhantes análises do sensacional Carlos Alberto Sardenberg, n´O Estado de S.Paulo.

    Essas empresas não sabem o que estão perdendo…

    Pois elas que se cuidem! Vai que o Sardenberg, de saco cheio, resolve construir uma rede nacional privada de terminais de passageiros…

    Vai bamburrar, esse Fardenberg. Ele é soda…

  43. vilarnovo said

    Quando Lula assumiu, o câmbio já era flutuante a alguns anos. O câmbio passou a ser flutuante em 1999.

    Elias, vai tentar competir como Estado…e olha que ele colocou “privatizações” assim, entre aspas.

  44. Chesterton said

    Pablo, 34 já falam em necessidade de aumentar a carga tributária. O custo Lulla foi e é enorme, Dilma não poderá pagá-lo. Vai dar M da grande.

  45. vilarnovo said

    Engraçado é a Dilma falando em cortes… na verdade não houve corte nenhum. Simplesmente diminuiram o ritmo de crescimento da dívida.

  46. Chesterton said

    LULA APANHA DE FHC E FICA QUIETINHO
    — O Lula, lá de Londres, dizendo a mesma coisa (críticas ao seu artigo). Com que moral? O Lula, que era contra as privatizações, agora está lá falando para a Telefonica, ganhando US$ 100 mil, e o filho dele é sócio de uma empresa de telefonia… Eram contra a privatização, aderiram totalmente às transformações que nós provocamos e ainda vêm nos criticar e dizer que nós somos a favor da elite contra o povo. Eles estão mamando na elite — disse FH, em entrevista ao programa “Começando o dia”, de Alexandre Machado, na Cultura FM.

    (…)

    Em reunião com parlamentares do PT, Lula não quis rebater as declarações de FH

    chest- do Leite de Pato

  47. iconoclastas said

    pegaram o Aecinho? uau…

    até aqui ele seguia bem os passos do avÔ (né?), e vinha como o opositor escolhido pela situação. será q vai se acanhar?

    tomara se assuma logo como o situacionista q de fato é… em qq ocasião.

    ;^/

  48. vilarnovo said

    Cara, estou estupefato pela cara de pau e pela péssima imprensa brasileira. Um senhor da ANTT afirmou hoje que o trem bala tem estimativa de transportar 30 milhões de pessoas em um ano.

    Uma rápida consulta na internet mostrou que pela via terrestre (informação retirada do próprio site da ANTT) foram transportados 1,2 milhão de pessoas entre Rio e SP (detalhe: ida e volta) e em TODOS os aeroportos cariocas em 2010 passaram 20 milhões de pessoas. Para TODOS os destinos.

    Os caras querem nos fazer acreditar que o trem bala, além de acabar com todo o transporte de passageiros rodoviários, vai acabar de vez com a ponte aérea entre as duas cidades.

    Mais um projeto megalomaníaco (tipo Copa e Olimpíadas) que vai sair cara ao bolso do brasileiro.

    Muitos contratos, muitos desvios, muita corrupção… é o que podemos esperar.

  49. Elias said

    Pablo,

    I
    Para um terminal aeroportuário dar lucro, é preciso ter um movimento e tanto!

    No Brasil, talvez — e bota talvez nisso — no Rio e em SP. Mesmo assim, teria que ser um único terminal pra várias companhias. Uma só, ou duas, ou três, ou quatro, nem pensar! Elas mal e parcamente seguram a barra dos leasings dos aviões. Volta e meia, tem delas penduradíssimas com a conta de combustível. Idem com a Infraero.

    Nos EUA, não é em todo lugar que as empresas têm terminais privados. Mesmo o Aeroporto Nacional de Washington, salvo engano, é público (no Internacional parece que tem um ou outro terminal privado).

    O que eu sei que tem muito lá é aeroporto privado de pequeno porte, pra aviões pequenos, ultraleves, etc.

    Algo que, por sinal, não é proibido no Brasil. Se você tem um sítio, ou uma fazenda, um terreno, enfim, com localização e espaço adequados, saiba que pode construir um aeroporto privado. Dependendo da pista e demais componentes que você instalar, seu aeroporto será homologado pra tal ou qual equipamento.

    O cara que fala em “privatizar” aeroporto no Brasil diz isso jogando pra galera ideológica, que vive de costas pro mundo das coisas reais.

    Nada a ver com a mais breve alusão à viabilidade econômica, ou com o próprio interesse empresarial nisso.

    Nunca soube de um único empresário do setor que defendesse semelhante maluquice.

    Câmbio flutuante desde 1999? Sim, claro!

    Mas com um linhão daqueles de pescar tubarão bem preso na mão do BC, né?

  50. vilarnovo said

    Elias – Até concordo contigo. A questão é que o aeroporto pode ficar tranquilamente na mão do governo. Sua operação pode ser privatizada. Tirar das mãos da Infraero que ficaria como fiscalizadora do serviço.

    Sobre o câmbio, continua exatamente como é hoje. O maior erro de FHC foi ter segurado o câmbio por muito tempo. Sim, por motivos políticos. Deu no que deu. Se tivesse desde o início do Plano Real um planejamento que, de maneira clara, promovesse mini-desvalorizações do câmbio até chegar no câmbio flutuante Lula não teria se elegido e ainda teríamos um governo do PSDB.

  51. Elias said

    E, Vilarnovo,

    “Bom governo”, Pablo, é juízo de valor.

    E, como bem lembra Maquiavel, impossível agradar a todos. Aos grandes, então…

    Vai que a expressão “bom governo” é, sempre e necessariamente, contaminada por interesses grupais. E, o que é bom para alguns, poderá não ser para outros.

    Falamos de câmbio? Câmbio flutuante?

    Se a taxa de câmbio é baixa demais e o R$ se valoriza a mais da conta, isso é bom pra quem importa e pra quem está pagando dívida no exterior. Mas é péssimo pra quem exporta ou está tomando dinheiro emprestado no exterior.

    Pra quem exporta commodities, e o preço delas explode, isso pode até compensar a baixa taxa de câmbio, mas, mesmo assim, melhor continuar reclamando (se a taxa subir um pouquinho, os ganhos poderão subir um poucão).

    Se o câmbio flutua muito, isso pode ser bom pra quem especula no mercado spot, mas é péssimo pra quem lida com contratos de médio e longo prazos no exterior, exportando ou importando. Se você vive de fazer isso, prefere uma certa estabilidade cambial.

    Imagina um cara que fechou um contrato de exportação de US$ 1 milhão, com a taxa de R$ 1,80.

    Aí o cara foi trabalhar, produziu, embalou e remeteu. Na hora de receber, a taxa de câmbio caiu pra R$ 1,60. Ele vai receber R$ 200 mil a menos.

    Pergunto: (a) o custo dele diminuiu, só porque o câmbio flutuou e garfou R$ 200 mil da receita dele? (b) o que aconteceu com o lucro do cara, nessa operação? (c) esse cara vai se sentir estimulado em continuar exportando? (d) o que acontecerá ao país se algo semelhante ocorrer com um grande número de exportadores?

    Vai daí que, ou o câmbio flutua, sim, porém dentro de determinados limites, ou é melhor que o governo esteja pronto a intervir, vendendo ou comprando, conforme o caso, atendendo a grita dos empresários afetados e para desencanto dos ideólogos liberais.

    Agora mesmo, tem gente clamando em altos brados pela desvalorização do real. Em especial no mercado financeiro. Mais especialmente, ainda, aquele pessoal que cravou com tudo no dólar. Muitissimo mais, ainda, quem apostou numa tendência altista no mercado de opções e vê aproximar-se a data de exercício e… nada!

    Por razões exatamente opostas, outro monte de gente prefere que o real não desvalorize. Nem tanto, nem tão depressa…

    E, aí, sem sair de uma mesma classe social, a gente já teria duas visões bastante diferentes do que seria um “bom” e um “mau” governo, né?

    Imagina se pularmos de uma classe a outra…

    Maquiavel, pelo que sei, nunca pagou esse mico.

  52. iconoclastas said

    ae Pablo, aprendendo a operar câmbio.

    aproveita e troca uma idéia com o exportador para que da próxima vez ele trave a tx. dele em NDF, ou algo do gênero. no mínimo ele vai achar que é mágica.

    e quem é mesmo que tem precisado de alta no dólar senão aqueles que, no intuito, aumentam IOF, entopem as reservas…?

    mas o capial não perde uma única oportunidade de deitar bobagens a rodo…

    ;^))

  53. vilarnovo said

    Azar desse pessoal. Que percam dinheiro.

    Exportações são realizadas através de Contratos de Câmbio. Quem corre mais risco são pessoas que utilizam matérias primas importadas.

  54. vilarnovo said

    Ico – Pois é…

  55. Olá!

    Observação Aleatória

    Uma simples vendedora de salada de frutas, pudins e outras guloseimas sabe como lidar com o famoso problema do cálculo econômico (versão em inglês) e como alocar melhor os recurso que ela tem disponível para evitar prejudicar o seu negócio, bem como manter estável a sua base de clientes. Excerto:

    Fabiana Pereira, a dona do quiosque, encontrou uma alternativa para evitar um novo aumento da salada de frutas, que já subiu de R$ 4 para R$ 5. “A gente desistiu de algumas coisas que ficaram muito caras. E aproveitamos para trazer aquelas frutas que são da época e têm um preço melhor“, diz enquanto reclama também da alta na conta de luz, impostos etc.

    Caos total na esquerda brasileiras e na FFLCH-USP. O “neoliberalismo” chega às massas.

    A notícia acima não deixa de ser uma tremenda ironia para aqueles que dizem que as instituições liberais e capitalistas apenas beneficiam poucos, explorando e oprimindo os mais pobres e blá, blá, blá. Pelo contrário, tais valores e instituições permitem que uma simples vendedora de frutas e doces possa participar como agente econômico dentro do livre mercado e possa tomar suas próprias decisões sem depender dos burocratas e/ou políticos.

    Alguns rotulam isso de “neoliberalismo”, mas, como mostra a notícia acima, é apenas o direito à liberdade que as pessoas têm no sentido de tomarem suas próprias decisões, permitindo que até mesmo uma singela vendedora de frutas possa participar.

    Até!

    Marcelo

  56. Olá!

    Observação Aleatória

    Uma simples vendedora de salada de frutas, pudins e outras guloseimas sabe como lidar com o famoso problema do cálculo econômico (versão em inglês) e como alocar melhor os recursos que ela tem disponível para evitar prejudicar o seu negócio, bem como manter estável a sua base de clientes. Excerto:

    Fabiana Pereira, a dona do quiosque, encontrou uma alternativa para evitar um novo aumento da salada de frutas, que já subiu de R$ 4 para R$ 5. “A gente desistiu de algumas coisas que ficaram muito caras. E aproveitamos para trazer aquelas frutas que são da época e têm um preço melhor“, diz enquanto reclama também da alta na conta de luz, impostos etc.

    Caos total na esquerda brasileira e na FFLCH-USP. O “neoliberalismo” chega às massas.

    Como diria aquele professor marxista muito famoso da FFLCH-USP:

    “O sistema de preços tem como verdadeiro papel transmitir informação. É maravilhoso como, em um caso de escassez de um determinado bem, sem que ninguém tenha que dar uma ordem, e talvez com apenas um punhado de indivíduos conhecendo as causas, dezenas de milhares de pessoas cuja identidade não se poderia determinar em meses de pesquisa, começam a utilizar esse material com mais cuidado, ou seja, se movem na direção correta.”

    A notícia acima não deixa de ser uma tremenda ironia para aqueles que dizem que as instituições liberais e capitalistas apenas beneficiam poucos, explorando e oprimindo os mais pobres e blá, blá, blá. Pelo contrário, tais valores e instituições permitem que uma simples vendedora de frutas e doces possa participar como agente econômico dentro do livre mercado e possa tomar suas próprias decisões sem depender dos burocratas e/ou políticos.

    Alguns rotulam isso de “neoliberalismo”, mas, como mostra a notícia acima, é apenas o direito à liberdade que as pessoas têm no sentido de tomarem suas próprias decisões, permitindo que até mesmo uma singela vendedora de frutas possa participar.

    Até!

    Marcelo

  57. Elias said

    Certo,

    Então ficamos assim: real supervalorizado não prejudica em nada as exportações.

    Aquela história de “confisco cambial” é só imaginação desse povo. Ou coisa pior…

    A flutuação do câmbio? Claro que isso não produz nenhuma conseqüência prática. É só travar a taxa em NDF…

    Esse pessoal que reclama tá reclamando porque é burro. Não sabe travar a taxa em NDF…

    É que eles não lêem um comentarista daqui do PolíticAética, que vive na merda porque gosta. Se ele quisesse ficar rico, era só vender esses toques geniais que, como ele diz, parecem mágica. Rapidinho ele anula os efeitos de qualquer flutuação cambial, travando a taxa em NDF. Parece mágica!

    Todo mundo que sabe, sabe: para quem sabe das coisas e trava a taxa em NDF, câmbio flutuante não passa de uma expressão de conteúdo vazio.

    P.Q.P.!

    E você, Vilarnovo, tá pagando o mico? Não precisa mais desvalorizar? E o Kupfer, como é que fica? Foi demitido?

  58. Elias said

    Vilarnovo,

    Pra seu governo, se ainda não ficou claro:

    Não estou defendendo este ou aquele setor da economia, até porque eles sabem muito bem como fazer isso.

    É que você disse que Maquiavel não se preocupou em formular para um “bom governo” e sim em manter o poder.

    Já eu te disse que “bom governo” é juízo de valor; reflete interesses individuais ou de grupo.

    Nenhum governo é “bom” pra todos. Isso é impossível, porque os interesses são conflitantes. Agrada a uns e para isto, necessariamente desagrada a outros.

    Aí citei como exemplo o câmbio. Com o real supervalorizado, Vilarnovo, a gente viaja pro exterior mais facilmente. Fica mais barato. Se ele se desvaloriza, as viagens pra fora ficam mais difíceis.

    Com o real supervalorizado, fica mais fácil importar e mais difícil exportar. Fica mais fácil pagar dívida contraídas em dólar, p.ex., e fica menos vantajoso receber financiamentos em dólar.

    Travar taxa é o cacete!

  59. Olá!

    Observação Aleatória

    Não deixa de ser irônico que os auto-proclamados “blogueiros progressistas”, ao mesmo tempo em que pregam idéias anti-capitalistas, anti-liberais e pró-estatismo, reclamem que, no Brasil, ainda é complicado de um blogueiro viver apenas do seu blog, como acontece nos países capitalistas mais avançados. Excerto (íntegra):

    [. . .]

    A Blogosfera é produto dos esforços de pessoas independentes das corporações de mídia, os blogueiros progressistas, designação que alude àqueles que, além de seus ideais humanistas, ousaram produzir o que já se tornou o primeiro meio de comunicação de massas autônomo. Contudo, produzir um blog independente, no Brasil, ainda é um ato de heroísmo porque não existem meios sólidos de financiamento para exercer a atividade profissionalmente, ou seja, obtendo remuneração.

    [. . .]

    Reivindicamos a elaboração de políticas públicas que incentivem a veiculação de publicidade privada e oficial remuneradas nos blogs, bem como outras formas de financiamento que efetivamente viabilizem essa forma de comunicação representada pela Blogosfera Progressista, de maneira que possa ser produzida por qualquer cidadão que disponha de competência para explorar seu potencial econômico e comercial, exatamente como fazem os meios de comunicação de massas tradicionais com amplo apoio do Estado por meio de fartas verbas públicas que, com freqüência, são repassadas sob critérios meramente políticos e que ignoram a orientação constitucional que determina pluralidade na comunicação do país.

    [. . .]

    Isso é engraçado, pois, ao mesmo tempo em que os “blogueiros progressistas” querem copiar os blogueiros do mundo desenvolvido que conseguem viver apenas de seus blogs, eles, os “progressistas”, mostram bastante hostilidade aos valores que criaram as condições básicas que permitem aos blogueiros dos países avançados utilizarem os blogs como principal fonte de renda.

    E, ainda por cima, querem financiamento estatal.

    Até!

    Marcelo

  60. Carlão said

    Piada de humor negro, pra animar o pedaço:
    Pensando bem…
    …a sorte é que, ao contrário de Aécio Neves,
    Lula nunca dirigiu nada
    .(CH)

  61. Carlão said

    Em comentário anterior disse que Mantega estava sendo fritado ao vivo e em cores.
    entendam o que está acontecendo …prestem atenção:
    Petrobrás já admite que pode faltar gasolina em alguns postos
    http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,petrobras-ja-admite-que-pode-faltar-gasolina-em-alguns-postos,not_63445,0.htm

    isso depois que Mantega garantiu como Presidente do Conselho da Petrobrás ( ministro da fazenda e presidente do conselho da petrobrás …wow!) o p dele era maior que o p do presidente da Petrobrás e que portanto a gasolina não seria aumentada.
    Palocci na área…

  62. Alba said

    A exemplo do Pablo, não gosto muito de colar textos que não escrevi. Acontece que, sem a menor competencia técnica para tanto, li um texto hoje na Folha, em que o autor me pareceu bastante perplexo com as mudanças que assistimos todo dia. E esse é um sentimento que compartilho, nestes “tempos interessantes”, no dizer de Hobsbawan. Que tal pensar um poucochinho sobre isso e deixar de lado um pouco, ao menos, os cacoetes que todos nós acumulamos?

    ANÁLISE

    Fragilidade americana tende a realimentar incerteza global

    FERNANDO SAMPAIO
    ESPECIAL PARA A FOLHA

    Há muitas décadas, considera-se que os títulos de dívida emitidos pelo Tesouro Nacional dos EUA têm risco baixíssimo de inadimplência.
    A percepção generalizada de que é muito remota a perspectiva de o governo americano não conseguir honrar esses títulos, aliada ao fato de que tradicionalmente é muito fácil encontrar quem queira comprá-los, os coloca como a referência central de mercado (“benchmark”): há décadas, os demais títulos de dívida (de governos e empresas) embutem na remuneração que pagam a quem os compra um prêmio pelos riscos maiores em que o investidor incorre ao preterir a compra de um “Treasury”.
    É por isso que o anúncio feito ontem pela agência Standard & Poor’s, de que estuda rever para pior a sua avaliação do risco de inadimplência do Tesouro dos EUA, foi recebido com certo espanto. E o fato perturbador acabou apontado como fator para a queda das Bolsas e das moedas de vários países (como o real) mundo afora.
    Esse movimento é paradoxal: uma das mais importantes das agências dedicadas à avaliação de risco de ativos financeiros afirma ter dúvidas se o porto mais seguro das finanças globais ainda deve ser visto como tal, e os investidores, ao invés de correr para se desfazer dos seus “Treasuries” e demais ativos ligados ao dólar, fazem o movimento inverso: vendem outros ativos, considerados de risco mais alto. Em outras palavras, fogem para o dólar, ao invés de fugir do dólar.
    Movimentações paradoxais como essas têm sido observadas com frequência desde que o frenesi global de crédito e de especulação iniciado em 2003 desaguou em grave crise financeira, a partir de meados de 2007.
    O paradoxo das commodities também é perturbador.
    Devido às dificuldades atravessadas pelos países desenvolvidos, e apesar do dinamismo de muitas economias de renda mais baixa (como o Brasil e, muito mais importante, a China), no mundo considerado como um todo ainda há bastante desemprego e máquinas paradas.
    E, no entanto, a grande maioria dos produtos primários se encontra com cotações entre as mais altas da história.
    Essas constatações reiteram o receio de que os impasses gerados pela crise financeira -sobretudo a aguda fragilização das finanças dos governos de vários países de renda mais alta, a começar pelos EUA- ainda por um bom tempo tenderão a realimentar o clima global de grande incerteza.

    ——————————————————————————–
    FERNANDO SAMPAIO, economista, é sócio-diretor da LCA Consultores.

  63. vilarnovo said

    Elias – “Então ficamos assim: real supervalorizado não prejudica em nada as exportações.” Até hoje não prejudicou nem um pouco.
    Ora, Kupfer? Kupfer não passa de um clone piorado do Krougman. Bem piorado por sinal.

    =====
    Doença holandesa x evidência holandesa
    A persistência dos nossos keynesianos de quermesse em tentar demonstrar a inexorável destruição da indústria brasileira merece um estudo sociológico. Eu, mero economista, não consigo entender como ainda exista quem defenda tenazmente uma tese que os dados insistem em refutar, mas talvez algum colega da área de humanas (um psicólogo, quem sabe?) obtenha êxito onde os treinados sob o pressuposto da racionalidade enfrentam dificuldades.

    Não se trata apenas de notar, por exemplo, que nos últimos 15 anos a participação da indústria de transformação no valor adicionado tem se mantido ao redor de 16,5% , mesmo porque, em prazos mais longos, seria de se esperar que tal participação caísse, refletindo o fenômeno universal do aumento da demanda por serviços quando a renda per capita se eleva. Apontar que a indústria perdeu participação no PIB ao longo de 40 anos como prova de “desindustrialização” implicaria concluir que potências industriais como a Alemanha também teriam se “des industrializado”.

    Uma outra forma de abordar o problema pode lançar, contudo, nova luz sobre o assunto. Haveria evidência mostrando que a fração brasileira na produção industrial global tem caído de forma sistemática? A resposta, adianto, é negativa.

    De fato, o Netherlands Bureau for Economic Policy Analysis (CBP ) divulga mensalmente séries da produção industrial global baseadas numa amostra de países desenvolvidos e emergentes que representam cerca de 97% do comércio internacional. Com base nestes números é possível conferir se o país tem mesmo ficado para trás na corrida industrial.

    Antes, porém, há uma questão técnica. Para se chegar a um índice de produção global, é necessário ponderar os índices de cada país da amostra e, para tanto, o CBP utiliza dois conjuntos de pesos: um fundamentado na participação de cada país na produção industrial mundial e outro que se baseia na participação sobre as importações globais. O primeiro é teoricamente melhor, mas mais sujeito a erros de estimação, enquanto o segundo, embora não exatamente correto, produz estimativas menos ambíguas. Como ambos apresentam vantagens e problemas, os cálculos foram feitos com as duas medidas, mas as histórias que ambas contam são semelhantes.

    Caso o Brasil estivesse perdendo participação na indústria global, a relação entre a produção brasileira e a mundial deveria estar se reduzindo ao longo do tempo, mas não é isto que observamos. Pelo contrário, a razão construída a partir da estimativa baseada nas importações sugere um ganho modesto, isto é, a indústria local teria crescido mais do que o resto do mundo. Já se utilizarmos a medida baseada nos pesos da produção de cada país, a relação Brasil-Mundo mostra estabilidade, ou seja, a produção local teria crescido em linha com a global. Como os 17 leitores já devem ter concluído, é muito difícil reconciliar esta evidência com a noção de decadência industrial.

    Indo mais fundo descobrimos também que o Brasil tem uma atuação muito superior ao dos países desenvolvidos, mas que fica atrás dos chamados emergentes. No entanto, dentro deste grupo, o país só perde mesmo para os asiáticos, tendo crescido mais rápido que latino-americanos e países do Oriente Médio e África, suplantando também, nos últimos anos, o desempenho do Leste Europeu.

    Na pior das hipóteses, portanto, o Brasil tem mantido seu peso na produção global e, exceção feita à Ásia, apresentado um crescimento mais forte que o de diferentes grupos de países, a despeito de flutuações de curto prazo, evidência que se soma ao conjunto de dados negando a “desindustrialização”. Caso dados holandeses fossem páreo para as demais substâncias liberadas naquele país, seria o fim da polêmica; infelizmente, porém, não parece ser o caso. Há um psicanalista na plateia?

    http://maovisivel.blogspot.com/2010/05/doenca-holandesa-x-evidencia-holandesa.html

  64. Pax said

    Um alerta para os amigos que se entusiasmam com a Fraude Katia Abreu

    Punidos pelo Ibama, livres para o lobby – Correio Brasiliense
    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/4/20/punidos-pelo-ibama-livres-para-o-lobby

    Um trecho desta notícia:

    A bancada de Tocantins tem a maior quantidade de parlamentares com áreas embargadas. São três deputados — Agnolin (PDT), Eduardo Gomes (PSDB) e Irajá Abreu (recém-saído do DEM rumo ao PSD) — e um senador, João Ribeiro (PR). Irajá é filho da senadora Kátia Abreu (ex-DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a principal porta-voz dos produtores rurais na defesa das alterações do Código Florestal. Kátia foi multada pelo Ibama por infrações ambientais, mas não chegou a ter áreas embargadas pelo órgão. Já uma propriedade rural do filho da senadora, de 28 anos, um dos mais jovens integrantes da bancada ruralista, precisou ser embargada em razão dos danos ambientais.

    A propriedade é a Fazenda Aliança, em Aliança do Tocantins. São dois embargos, um por desmatamento de reserva legal e outro por retirada de APP, que totalizam 75 hectares. O nome que aparece como responsável pela fazenda — e proprietário do local — é o de Irajá Abreu. Por meio da chefia de gabinete, o deputado disse desconhecer as autuações do Ibama. Já a senadora Kátia Abreu garante que não explora áreas de reserva legal em suas propriedades. “Não existia, à época, qualquer lei que exigisse autorização do Ibama para utilizar a área que era de minha propriedade. As reservas legais estão devidamente averbadas.”

    Essa musa que o povo quer adotar não se aguenta em pé por 5 minutos sequer. Só mesmo na cabeça de um doente (ou espertalhão?) como o tio Rei que esta moça poderia assumir qualquer papel relevante na política nacional.

    A coisa tá triste, ontem Lula esteve reunido com uma turma do PT em São Paulo, pensando eleições 2012. E estavam lá, ao seu lado, o João Paulo Cunha, o Zé Dirceu etc etc. E falavam, segundo consta, da volta do Delúbio aos quadros do PT. Apostam que a briga será com Serra pela prefeitura de Sampa.

    Pois é.

    Aí você corre para ver o PSDB e vê a debandada geral, também em SP. Dos 13 vereadores do partido 6 já descambaram depois que Kassab abriu o novo partido. A turma quer mamar onde a teta está, afinal.

    Aí você tenta fugir para entender o que Marina está fazendo e percebe que a podridão do PV venceu a senadora que agora está entalada e sem opção. Como um comentarista já havia me dito, e eu, para variar, teimei. (nem vou dizer que foi o Elias que avisou desde o ano passado para não dar muito mole).

    E aí você entende que, no Brasil, não dá para ser bem defendido:

    – se você for social democrata
    – se você for liberal
    – se você for verde

    Neste quadro, triste, acho que sobra somente o caminho do socialismo e da ditadura do proletariado!

    Canário!!!

  65. Chesterton said

    Demonizar produtor rural é colocar o pé na cova. Cuba acaba de permitir que as pessoas plantem e vendam alimento …que coisa né?

  66. iconoclastas said

    Mas a malvadona não era a Vale?!

    pô, Petro, o que é que custava dar uma forcinha para a possante “indústria” naval tupiniquim?

    “ANP poderá multar a Petrobras em R$ 28 milhões

    Plantão | Publicada em 19/04/2011 às 19h22m
    Ramona Ordoñez

    RIO – A Agência Nacional do Petróleo (ANP) deverá multar a Petrobras e outras petrolíferas que atuam no país como a Shell, a Petrosynergy e a Petrogal por não terem cumprido o percentual de encomendas junto à indústira nacional, fixado nos contratos de concessão A informação foi divulgada nesta terça-feira pela diretora da agência, Magda Chambriard, ao explicar que só a Petrobras poderá ser multada em cerca de R$ 28 milhões. Segundo a diretora, são 70 contratos de concessão referentes à 5ª e 6ª rodada de licitações, cujos indices de compra no país não foram cumpridos, dos quais 44 são da Petrobras.”

    ps – vcs já notaram a recorrência da palavra “m&#$@” na afetada escrita do sinhozinho belenense? tá feia a coisa…

    Kupfer?!?! olha a referência do infeliz…

    ;^))

  67. Patriarca da Paciência said

    Imaginem se Lula fosse flagrado dirigindo bêbado
    18 de abril de 2011 às 16:30 10

    O ex-presidente Lula é tido e havido pela nossa santa mídia tupeniquim como ilustre cachaceiro.

    Aliás, essa mesma mídia adorou quando um correspondente do New York Times, certamente depois de tomar várias, escreveu um monte de bobageiras tratando desse assunto.

    Foi um delírio geral.

    Agora, imaginem se Lula tivesse dirigindo um carro no Rio de Janeiro e ao ser abordado por uma blitz se recussasse a fazer o teste do bafômetro. E além disso tivesse sua Carteira Nacional de Habilitação apreendida porque ela estava vencida.

    Você acha que as manchetes seriam tão doces ou as matérias teriam espaços tão reduzidos como na cobertura sobre o Caso Aécio.

    Arrisco dizer que o Fantástico daria uns cinco minutos pra tratar do tema. Que o Jornal Nacional ouviria um punhado de especialistas falando sobre os riscos de dirigir embrigado. Que os editoriais seriam todos indignados. E que o pessoal do Cansei voltaria às ruas pedindo cadeia aos cachaceiros.

    Depois há quem reclame que a gente chame esse povo de PIG.

    http://www.revistaforum.com.br/blog/2011/04/18/imaginem-se-lula-fosse-flagrado-dirigindo-bebado/

  68. Elias said

    Idiota,

    O negócio é o seguinte: alguém aí, do teu lado do muro, transcreveu um artigo do Kupfer, que critica a políca econômica do Lula e da Dilma, exatamente por não desvalorizar o real agora.

    Foi aí que entrou um papo sobre o aumento do preço das commodities, sobre o “software” do PSDB, etc e tal…

    Agora, o Vilarnovo já tá dizendo que “..o Kupfer não passa de um clone piorado do Krougman. Bem piorado por sinal.”

    Num dia, é pra desvalorizar o real imediatamente. No outro, não precisa. Os exportadores não têm com que se preocupar. Basta travar a taxa…

    O sintoma de sempre: a direita continua mais perdida que filho de puta em festa do dia dos pais.

    Quanto a Vale, tens razão.

    Não houve nada. Não aconteceu nada. O Roger nem foi demitido…

    Vai dizer isso a ele, porque ele jura que foi.

    Idiota!

  69. Pax said

    Caro Chesterton (em #65),

    Não é bem o caso de demonizar produtor rural. Nada disso. É questão de não idolatrar uma política meia boca, cheia de débitos éticos e morais por aí que o povo da oposição está apostando como uma possível nova liderança.

    Não se sustenta por 5 minutos como disse acima.

    O que venho afirmando dia sim e outro também é que o Brasil precisa de uma oposição competente. É isso. Independente de eu ter votado em a ou b, ou mesmo em c ou d.

    O que temos hoje em dia é um governo de 8 anos e meio, praticamente, do PT. E na toada que já estamos temos, já garantidos, mais 3,5 anos de Dilma que tende, se é que as forças corruptas do PMDB não a abandonem, a ser um governo melhor que o de Lula, na minha opinião. E se não a abandonarem será porque foram cooptadas com benesses do executivo que é sinônimo de abertura dos cofres públicos para que roubem à vontade. Afora os próprios roubos do partido. E aí teremos mais 4 das próximas eleições e mais 4 das próximas das próximas.

    E a oposição? Bem, é essa aí, tão corrupta quanto, tão ladra quanto e um fracasso geral.

    Serra e Alckmin não ganham de ninguém mais. Aposto que se o PT colocar o Delúbio Soares para candidato em 2014 ele leva se o candidato do PSDB for um desses dois. São bolas murchas.

    Aécio, se continuar nesta toada berlusconesca (como o Marcelo Augusto – ou o Pablo Vilarnovo – bem apelidou seu comportamento, nem lembro mais qual dos dois), também perde, até para Zé Dirceu. Tipo assim, as eleioções seriam entre um Stalinistão e um Noiadão. Como o povo tem mais medo de crack que de comunismo, advinha em quem votariam?

    E o doente (ou espertalhão?) do tio Rei elege a famigerada Kátia Abreu como musa e candidata a líder de um partido natimorto, um que não sabe se quer comprar um bicicleta ou abrir uma sexshop. E vai uma cambada de bobalhão atrás.

    Cá do meu ponto fico aterrorizado.

    Porque?

    Ora, porque, de novo, insisto que sem uma oposição competente a situação que já está degringolando fica ainda pior e ganha fácil as próximas eleições.

    Simples assim.

    Minha torcida é pelo surgimento de um novo movimento político brasileiro que seja minimamente competente. E que seja:

    1 – oposição
    2 – que defenda redução drástica de impostos
    3 – que defenda liberdade econômica
    4 – que, mesmo que não seja verde, não seja marrom, ou seja, longe de uma Kátia Abreu, Ronaldo Caiado e o soldadinho à soldo do Aldo Rebelo

    Simples o que quero.

    E ainda vou mais longe, acho que mesmo os petistas deveriam querer isto.

    De novo, mas… porque?

    Ora bolas, porque senão os petistas continuaram vendo aquele partido que um dia foi alguma coisa, que um dia significou alguma coisa, nesta caminho de ladeira abaixo em direção ao lixo geral que está se tornando.

    Simples, não?

    É, sim. Simples pacas.

    —-

    Caro Patriarca,

    Este teu argumento em #67 é forte, sim.

    Acho que o caro Catatau disse o mesmo, mais para cima.

    Sim, se fosse Lula daria capa da Veja, 10 minutos de Jornal Nacional, meia hora de Fantástico e 15 editoriais do Estadão, Globo e Folha.

    E ainda assim acho que não existe um PIG.

  70. Pax said

    Prezados Iconoclastas e Elias,

    Viram que meu comentário também foi nervoso pra caramba? Pois é, estou 20 dias sem fumar e querendo morder até poste de concreto de tão alterado, nervoso etc.

    Mas o comentário atacou o PT, o PSDB, o DEM, as lideranças perdidas, a falta de oposição, etc etc etc.

    E desabafei, desopilei meu fígado, sem precisar atacar ninguém diretamente.

    Só a guisa de reflexão.

  71. Elias said

    Pax,

    Boa parte do que eu dizia aqui sobre a Marina, no ano passado, eu ouvia de gente bem postada no grupo político dela mesma.

    Esse pessoal dizia que, juntando todo o povo da “banda boa” do PV, não daria pra reorientar (leia-se: expurgar) o partido.

    Em 2010, não daria nem pra falar nisso. Não se expurga partido em ano eleitoral.

    O jogo todo teria que ser decidido em 2011.

    Acontece que, em 2011, a “banda podre” do PV estaria ainda mais forte (se o Serra e/ou o Gabeira não fossem eleitos), ou MUITO mais forte (se o Serra e/ou o Gabeira fossem eleitos).

    Vai daí que esse pessoal dizia: “Pra esquerda, nós perdemos; pra direita, eles ganham.”

    Alguns diziam que a saída de Marina do PT foi um típico produto de raciocínio feito com o fígado, não com o cérebro; que só haviam feito o mesmo por lealdade a ela, etc e tal.

    Daí porque sempre encarei o ingresso da Marina no PV como algo temporário. Uma caixa de passagem.

    Mas é, creio, um bom detalhe do quadro geral de embananamento partidário que hoje existe no Brasil.

    Há um monte de gente que se sente desconfortável no PT, no PSDB, no PV, no PSB, etc e tal.

    Mas, simplesmente, não tem pra onde ir. Quando tenta fazer isso, dá no que dá.

    Alguém poderá dizer: “Ah, mas a Marina poderia ter ido pro PSOL…”.

    Duvido! No frigir do ovos, o discurso do PSOL é, basicamente, aquele mesmo que já foi do PT, há décadas, e que foi abandonado exatamente não se acreditar mais nele.

    Pra Marina, ir pro PSOL seria algo parecido com um sujeito que toma duas decisões radicais: só escrever textos em máquina de escrever manual e só escutar música em disco de vinil…

  72. Pax said

    Pois é, caro Elias, as tuas frases acima:

    Há um monte de gente que se sente desconfortável no PT, no PSDB, no PV, no PSB, etc e tal.

    Mas, simplesmente, não tem pra onde ir.

    são perfeitas!

    É exatamente o que acho.

  73. vilarnovo said

    Elias – Com certeza o Kupfer não está do mesmo lado do muro que eu.

  74. vilarnovo said

    Elias – Com certeza o Kupfer não está do mesmo lado do muro que eu. Nunca esteve. E acho que dificilmente estará.

  75. Porres

    A desmoralização de Aécio Neves soa divertida porque evidencia o farisaísmo da oposição conservadora, inclusive na mídia corporativa que tenta protegê-lo. Mas, depois das merecidas gargalhadas, convém tratar o episódio com certo cuidado.
    Afirmar que Aécio estava bêbado no momento da blitz ou que é alcoólatra por isso reproduz as simplificações irresponsáveis que os piores moralistas usam para demonizar o consumo de substâncias alteradoras da consciência e, particularmente, para estigmatizar a dependência química, uma doença grave que não atinge nem a metade dos usuários de qualquer droga.

    Aécio não precisava estar chamando urubu de “meu louro” para se negar ao bafômetro. Mesmo que o teste acusasse uma quantidade inofensiva de álcool, a desnecessária rigidez do Código de Trânsito causaria um dano quase insanável à imagem do senador. Como o tucano apoiou a canetada dos vigilantes da abstinência alheia, é bom fazê-lo beber (ops) do mesmo veneno. Mas reproduzir a imbecilidade falsificadora de um Larry Rother, ainda que para constrangê-lo, equivaleria a endossar seu estilo e, pior, a onda repressiva que ameaça tomar o país.

    Quando um senador menospreza a legislação e, sejamos sinceros, é pego fazendo aquilo que a esmagadora maioria dos condutores faz diariamente, talvez seja o momento de refletirmos sobre essas regras inúteis fadadas ao escárnio público. Aliás, é curioso como são poucos os analistas que associam a reação das Organizações Globo, a operação policial ocorrida na terra de Marcelo Itagiba e o escândalo favorável a José Serra.

    http://guilhermescalzilli.blogspot.com

  76. Elias said

    O que seria, exatamente, uma “regra inútil, fadada ao escárnio público”?

    Seria a parte do Código Nacional de Trânsito, que pune a embriaguês ao volante?

    Se for isso, não dá pra concordar.

    Compreende-se que alguns queiram defender o Aécio de um linchamento. E, dizer que ele “não é oposição”, como fez o Chesterton, nesta lista, é uma grande bobagem.

    Caraca! O sujeito cometeu um erro. Não roubou, não matou, não deu prejuízo a ninguém, mas cometeu um erro grave. Como senador, não pega bem, fica pior ainda.

    Certo. Ele pede desculpas, promete não fazer mais isso e tudo bem. Não é uma ocorrência agradável, mas não diminui em nada o que ele já fez nem o que poderá fazer, como político.

    Agora, dizer que tal ou qual regra do Código de Trânsito é uma regra inútil e fadada ao escárnio, só porque o Aécio foi apanhado transitando à margem dessa regra é, digamos… excessivo.

    Desejo, sinceramente, que o autor de tão desastrada opinião, assim como os membros de sua família, jamais sejam vítimas de um motorista alcoolizado, para que não sejam obrigados a aprender, pelo método difícil, que a repressão ao alcoolismo no trânsito nada tem de inútil e nunca será fadada ao escárnio público.

    Muito pelo contrário…

  77. Pax said

    Aécio Neves, assim como eu, você e até o José Sarney, “aquele que não pode ser julgado como um cidadão comum”, não pode dirigir depois de beber.

    Para esse tipo de ocasião existe o tal do taxi, do ônibus, ou até o carro de boi.

  78. Carlão said

    Putz pela primeira vez concordo com o Elias.
    A Lei foi feita para coibir abusos.
    Abusou 2 vezes…a primeira objetiva: dirigir com habilitação vencida já seria suficiente
    para ter seu carro aprendido e seu condutor multado.Mostrou ser relapso

    Muito ruim para a imagem de qualquer político.
    a segunda subjetiva: recusar-se a fazer o teste do bafômetro…
    aí ele “cagou e andou”…
    e sua assessoria anda patinando na matéria fecal.

    Temos que a cada dia aprender cada vez mais o significado do Estado de Direito e sermos responsáveis por nossos atos e palavras. Simples e complexo assim.

    O próximo passo é apurar exaustivamente essa história do lula e seu compadre enrolados
    no caso do juiz Cesar Asfor Rocha, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que foi preterido para o STF.
    Basta de falsos líderes.
    Simples e complexo assim, como já disse.
    O Brasil não pode ser uma sociedade dita “democrática” enquanto uns forem mais iguais que outros.
    Se democracia e nossa principal bandeira, essa luta interessa a todos nós independentemente da cor da camisa.
    Estado de Direito!

  79. Pax said

    Uma boa pensata, em minha opinião, a de Dora Kramer de hoje, no Estadão:

    Exercício de liderançahttp://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110421/not_imp709125,0.php

    Um trecho…

    O PT tem estratégia nacional que se sobrepõe às querelas regionais. Perseverou, conquistou o poder e faz de tudo para mantê-lo.

    Já o PSDB, carente de comando nacional, é engolido por questiúnculas irrelevantes para o grande público. Chegou ao poder, não soube preservá-lo e desperdiçou o patrimônio amealhado.

    A questão, para mim, é que o PT tem estratégia nacional, sim, e liderança, também, mas perdeu o ideário, ou, em outras palavras, se perdeu no doce exercício nacional do poder a qualquer preço, inclusive o de amamentar o coronelismo – mais calhorda impossível – que combatia com ferocidade quando era um partido com ideais.

    Hoje em dia quais são? Cá me pergunto.

    Mais acima o caro Elias disse uma boa, algo como “ok, o PT está ruim, mas correr para que lado, ou, quem está melhor?”.

    Pois é, duro é ter que dizer que o Elias tem razão mesmo. Pior ainda é querer que exista uma oposição que traga os brios do PT de volta, se é que ainda é possível reencontrar.

    E aí a gente dá uma olhada nessa turma, de Serra a Alckmin e Ronaldo Caiado (até a musa Kátia já descambou) e percebe que o problema do Aécio perder a carteira e não fazer o teste do bafômetro é um problema ainda maior que supõe nossa vã filosofia.

  80. Elias said

    Pax,

    Na luta política, na disputa pelo poder, o que cabe à oposição?

    Salvo engano, ela deve fazer uma análise crítica do que o governo faz, e mostrar uma proposta diferente. Tipo: “O governo atual faz assim e assim. Se fôssemos nós, faríamos assim e assado.”

    Ou seja: tem que dizer que, com ela, oposição, seria diferente, e mostrar que diferenças são essas.

    Sinceramente: não vejo ninguém fazendo isso. De fato, a oposição é pautada pelo governo. Ela apenas reage ao que o governo faz.

    Quando um cara da oposição abre a boca, desanda a dizer que “o mérito do Lula é isso”, “o mérito do Lula é aquilo”.

    Ora, caramba: ele deveria se concentrar nos méritos deles próprios, se consegue perceber algum. Se não percebe, melhor ficar calado.

    Agindo como age, oposição fica, sempre, dependendo de grandes erros do governo. Se grandes erros não forem cometidos ou, tendo sido, se não forem percebidos como tais, a oposição baila…

    Daí porque não vejo motivo pra tanta arrogância, por parte de quem, por tanto tempo, vem adotando uma conduta tão imbecil.

    Parece aquele animal que come carniça e excrementos de outros animais, transa uma vez por ano e… vive rindo.

    Espera-se, a qualquer tempo, que um governista faça um discurso no Senado, onde e quando dirá que o mérito da oposição brasileira é ser burra…

  81. Carlão said

    sugiro um post sobre carga tributária a partir do artigo da Miriam Leitão, PAGADOR DE IMPOSTOS
    http://arquivoetc.blogspot.com/2011/04/pagador-de-impostos-miriam-leitao.html
    do qual destaco um trecho:

    Ninguém é contra o pagamento de impostos, mas hoje, a carga tributária
    virou um problema econômico, segundo o presidente do IBPT, João Elói
    Olenike.
    – É insustentável continuar aumentando os impostos assim. Isso cria
    distorção e atrapalha o crescimento.
    Para se ter uma ideia, em 2001, a
    carga era 30,03% e em 2010, foi para 35,13%.
    Isso significa que o
    governo tirou a mais da sociedade, só com esse crescimento, no
    acumulado de dez anos, R$1,850 trilhão. Tirou meio Brasil do Brasil em
    dez anos, só com o aumento dos impostos
    .
    (grifos meus)

  82. Elias said

    Ainda não tive saco pra ler todo o artigo do FHC.

    Do que li, há um troço que me chamou a atenção. A referência que ele faz ao fato de que “a oposição se baseia em partidos não exatamente mobilizadores…” (acho que foi mais ou menos com essas palavras).

    Mas há um treco relacionado a isso, que ele, compreensivelmente, não menciona.

    É o seguinte: como o PSDB chegou ao poder?

    Chegou de carona, a reboque da nomeação de FHC para o Ministério da Fazenda. Aí FHC coordenou o Plano Real, dando início a uma seqüência de sucessos administrativos e político-eleitorais.

    Não foi uma conquista política do partido. O êxito eleitoral não antecedeu o bom desempenho administrativo. Foi o inverso.

    Se FHC não houvesse tido êxito como Ministro da Fazenda, provavelmente o PSDB continuaria a ser o partido eleitoralmente inexpressivo que tinha sido até então.

    “Partido mobilizador”? Os tucanos nem sabem o que é isso. Nunca necessitaram disso. O PSDB nunca teve militantes. O PSDB sempre foi um partido de caciques.

    Acho que isso tem algo a ver com a origem política de alguns dos mais importantes fundadores do PSDB, como Franco Montoro e Mário Covas, egressos da Democracia Cristã.

    No Brasil, o PDC sempre se caracterizou como um “partido de quadros”, não um “partido de massas”. Nunca foi uma potência eleitoral, mas produziu quadros políticos “top de linha”, como os já citados Franco Montoro e Mário Covas.

    Sempre tive a impressão de que o PSDB foi pensado pra ser um “partido de quadros”, a exemplo do antigo PDC. Um partido de formuladores. Um partido capaz de influir nas decisões estratégicas dos demais partidos. Um partido que, dentro ou fora do governo, influenciaria governo e oposição. Imaginei que o PSDB restabeleceria as táticas da Democracia Cristã, repaginadas pro novo milênio e orientadas à social democracia. Algo nessa linha.

    E, durante os primeiros anos, acho que o partido se encaminhou nessa direção. Chegando ao poder, mudou.

    Mudou, mas parece que parou a mudança, antes de completá-la. Tenta passar por ser um partido de quadros, sem dispor dos quadros que justificariam essa imagem. Ao mesmo tempo, tenta ocupar o espaço político típico dos partidos de massa. Tenta, inutilmente, vender alguns caciques como líderes populares que eles nunca foram, não são e, provavelmente, jamais serão.

    O PSDB desistiu do partido de quadros que ele nem chegou a ser e também não se tornou um partido de massas. Não sendo uma coisa nem outra, nem sabendo o que quer ser, é um desequilibrado (como disse Euclydes da Cunha, referindo-se a Moreira César).

    FHC começou sua carreira político-partidária colado ao êxito de Franco Montoro, mas sua origem difere muito do berço político do antigo líder democrata cristão. É possível que ele nunca tenha comprado a idéia de fazer do PSDB um partido de quadros.

    Agora, aparentemente, ele acha que a classe média necessita e quer ter um partido, e acredita que esse partido poderá ser o PSDB.

    É… pode ser. Chega pouquinha coisa atrasado, porque o PT já está andando nessa trilha há uma pá de tempo…

    Além disso, tem aquele cacoete que ninguém pode esquecer: a classe média quase nunca se manifesta declaradamente em seu próprio nome. Quando se manifesta politicamente, a classe média sempre se imagina falar em nome de outras classes, quando não em nome de toda a sociedade (parece demência — e é! — mas é assim que acontece, né?).

    Taí um desafio e tanto pro PSDB.

    Que, se encarar a parada, terá como primeira tarefa o desmonte do Frankstein que periga surgir, por obra e (des)graça do pessoal que tenta resuscitar o cadáver do PSD, injetando nele o sangue de um moribundo, o DEM.

  83. Pax said

    Agora a vaca vai para o brejo, ou, em outras palavras, abraço de afogados resulta em duas mortes:

    Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admite fusão do DEM com PSDB – O Globo

    http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/04/26/ex-presidente-fernando-henrique-cardoso-admite-fusao-do-dem-com-psdb-924326640.asp

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