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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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O mando de campo é do PMDB

Posted by Pax em 30/05/2011

O professor Marcos Nobre, em entrevista ao jornal Valor Econômico, analisa que a derrota do governo no projeto de reforma do Código Florestal associada com as denúncias do rápido enriquecimento de Antonio Palocci, expõe uma problemática ainda maior do sistema político brasileiro e da atual presidente.

O mando de campo não é mais de Dilma nem do PT, segundo este ponto de vista. Leia:

‘Dilma perdeu seu grande projeto político’
Autor(es): Cristian Klein | De São Paulo
Valor Econômico – 30/05/2011

Entrevista : Para pesquisador, presidente terá de ceder ao PMDB

Depois de uma aparente lua-de-mel, que marcou os cem dias iniciais de seu governo, a presidente Dilma Rousseff enfrenta o revés da primeira grave crise política, com as denúncias envolvendo a súbita evolução patrimonial do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, e, na sequência, a derrota na votação do Código Florestal. Uma derrota imposta não pela oposição, hoje minguada, mas por um aliado da própria coalizão, o PMDB. Um fracasso que representa, na opinião do professor de filosofia da Unicamp e pesquisador do Cebrap, Marcos Nobre, o fim do grande projeto político de Dilma: governar com relativa autonomia, com indicações ao segundo escalão que vinham seguindo critérios mais técnicos, sem se dobrar ao “pemedebismo”, termo preferido de Nobre para denominar a cultura política brasileira. Para Nobre, os recentes acontecimentos, que incluem a “absurda” entrada do ex-presidente Lula em cena, mostram que Dilma perdeu a queda-de-braço e vai ter que ceder. Terá uma tarefa “muito difícil” para se reeleger e deve exercer o mesmo papel de seus antecessores: ser apenas a síndica do condomínio pemedebista. Com um agravante, avisa: o de que o sistema político se esgotou e tende a levar o país à paralisia. A seguir, os principais trechos de sua entrevista ao Valorconcedida na tarde da última sexta-feira, em sua casa em São Paulo.

Valor: O que aconteceu com o governo Dilma?

Marcos Nobre: A Dilma teve de renegociar os acordos feitos pelo Lula. O Lula ampliou a base do governo a tal ponto que não existe mais oposição. Quando acontece isso, a oposição vai para dentro do governo. Na verdade, o jogo entre governo e oposição é entre PT e PMDB e, digamos, seus satélites. Nesse processo de ampliação da base, Dilma resolveu aproveitar o que chamo de excesso de adesão para tentar fazer uma seleção dos quadros do segundo escalão. Quis aproveitar a situação a favor dela. Estava usando todo seu capital eleitoral para fazer essa negociação dura com o PMDB e com os outros partidos, para que aqueles que fossem acolhidos no segundo escalão fossem mais técnicos, com mais qualidade gerencial, e política também, no sentido de tentar encontrar currículos que fossem mais “ficha limpa”. E o caso Palocci termina essa tentativa da Dilma. Nesse momento, a Dilma vai entregar o que o PMDB pedir. É a parte triste da história.

Valor: A Dilma errou ao conduzir a negociação política e ao escalar Palocci para a Casa Civil?

Nobre: Não sei se errou porque o caso é muito estranho e não temos esclarecimento. Se Palocci não der explicações razoáveis, ela errou com certeza porque não aplicou os critérios que ela mesma disse que iria aplicar, no primeiro escalão.

Valor: Parlamentares reclamam muito de não serem atendidos pela presidente. Consta que a cada dez indicações de nomes levados por Palocci, Dilma aceitaria, por exemplo, apenas dois ou três.

Nobre: Isso tem lá sua parte de verdade e tem também a parte de que o Palocci está tentando tirar a responsabilidade dele mesmo.

Valor: Como a presidente pôde perder a votação do Código Florestal tendo uma base tão grande? Faltou habilidade ou seria inevitável?

Nobre: Inevitável nada é. E habilidade realmente não é uma característica dos líderes escolhidos pela Dilma.

Valor: Que líderes?

Nobre: Nobre: O [Cândido] Vaccarezza [líder do governo na Câmara]. É de uma inabilidade flagrante.

Valor: Ele subiu à tribuna dizendo que tinha acabado de conversar com a Dilma, que teria lhe dito considerar uma “vergonha” o Código que a Câmara iria aprovar. Isso causou muitas reações.

Nobre: Além da ameaça que aparentemente existiu de que a Dilma demitiria os ministros do PMDB. Então, o que se tem é um processo de chantagem mútua. O PMDB chantageia porque quer as nomeações, e a Dilma chantageia de volta dizendo: “Então eu demito”. Aí, é uma queda-de-braço. Só que, com o caso Palocci, enfraqueceu o lado da Dilma. O enfraquecimento dela foi tal que o Lula ocupou o espaço dela. E isso realmente é um dos grandes absurdos do momento político brasileiro. Ele obriga a Dilma a sair a público para falar a favor do seu ministro, mesmo que em termos muito genéricos. Isso só ajuda a aumentar o estado de confusão da situação política brasileira. Não ajuda em nada a intervenção do Lula.

Valor: Há um duplo comando?

Nobre: Não… Porque em política existe uma regra que é: há uma pessoa que tem a caneta. Isso faz muita diferença. Mas aumenta a confusão. O que aconteceu no Código Florestal? O PMDB disse: “Olha, se continuarem neste ritmo as exigências que estão sendo feitas para as nomeações de segundo escalão, vamos votar contra o governo”. E escolheram um projeto, o Código Florestal, que não é vital para o funcionamento da máquina governamental. Escolheram quando perceberam que Dilma endureceu porque tomou essa votação como se fosse, no parlamentarismo, um voto de desconfiança. Ela levou a votação nesses termos, coisa que não deveria ter feito. Resolveu tirar a limpo e quando, no meio, acontece o caso Palocci, ela não tinha mais força para enfrentar essa base.

Valor: Havia saída?

Nobre: Qualquer que seja o governo ele acaba sendo submetido à lógica do sistema político, que funciona de maneira autônoma. Algo do tipo: “Se você não mexer comigo, eu não mexo com você”. Isso significa que funciona na base da chantagem mútua e na base do veto mútuo. Um exemplo: o caso dos líderes parlamentares religiosos que fizeram um acordo de que não chamariam o Palocci à Câmara se fosse retirado de pauta o material contra homofobia do Ministério da Educação. É um acordo quase mafioso do sistema político, de autoproteção.

Valor: Isso corresponde a um processo de cartelização, que caracterizaria atualmente os sistemas partidários pelo mundo?

Nobre: Não, é uma coisa muito brasileira e, acho, um pouco incomparável. O PMDB criou, lá na década de 80, uma cultura política duradoura para o Brasil, que diz assim: “Se você entrar para o partido – qualquer um pode entrar -, se você se organizar como grupo de pressão, tem o seu interesse garantido e pode ter certeza de que será consultado a respeito de qualquer assunto que diz respeito a esse interesse”. Portanto, tem direito de veto. Com isso, você não tem debate público real, porque as questões não vão para o debate, são vetadas antes, como nesse caso que dei do [deputado federal do PR do Rio, Anthony] Garotinho versus Palocci.

Valor: A imagem de uma presidente refém de grupos de pressão não é contraditória com a ideia predominante de que o governo tem a primazia e sua posição quase sempre prevalece, porque pode oferecer cargos, verbas etc?

Nobre: É, mas eu acho que essa ideia de um governo todo-poderoso é completamente ilusória. Basta ver o que o Lula, do alto de seus 80% de popularidade, conseguiu passar no Congresso. O que ele conseguiu passar de realmente decisivo? Nada. O desafio anual do governo é passar a LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias] e depois passar a lei orçamentária.

Valor: Qual é a solução para se escapar desse pemedebismo?

Nobre: É preciso ter governos mais enxutos e mais coesos, que coloquem uma linha e digam: a partir daqui eu não aceito.

Valor: Mesmo que seja um governo minoritário?

Nobre: Mesmo. Mas aí é preciso ter um apoio popular significativo para você conseguir se manter. Algum movimento vai ter que ser feito. E necessariamente é diminuir a adesão ao governo. Num certo sentido, Dilma estava fazendo isso, ou tentando fazer, ao colocar critérios rígidos para escolher o segundo escalão. Com o caso Palocci ela perde esse grande projeto político que era dela e vai simplesmente continuar sendo uma síndica do pemedebismo.

Valor: É factível que o Brasil venha a ter um governo minoritário ao estilo dos escandinavos com essa cultura política de barganha?

Nobre: É, mas aí você está me dizendo que o pemedebismo é inevitável. Pode ser. A maioria das pessoas do PT, por exemplo, com quem eu converso, dizem que esta é a estrutura, que se você quiser fazer política pela esquerda, precisa ocupar essa cultura política pela esquerda. O que eu posso dizer contra um argumento realista? Nada. Por que o realismo sempre está certo. Agora, o que muda o mundo não é o realismo. Pode-se dizer: “Isso é ser realista, é ser pragmático”. Mas, bom, nós vamos para o buraco, vamos construir uma democracia horrorosa, que é o que estamos fazendo. É um sistema que funciona na base da chantagem.

Valor: Esse modelo de pragmatismo, de maior diluição ideológica, não vem se tornando uma tendência mundial, como o caso clássico do Partido Trabalhista britânico?

Nobre: Com toda razão. Esse movimento para o centro você pode observar em vários países, não vou dizer em todos. Mas no Brasil, a tendência tem uma certa especificidade. Porque não existe na Espanha, na Alemanha, na Escandinávia, essa tradição pemedebista. Ou seja, ser político é estar no poder, seja qual for o governo.

Valor: Não seria esta a origem do problema: o alto custo de ser oposição no Brasil? As reformas não deveriam começar por aí?

Nobre: Sem dúvida. É um problema de cultura política, sim, e é um problema de estrutura também. Você tem uma concentração de recursos na União que é absurda. A União pode manter Estados e municípios a pão e água. Isto não é possível. Esse grau de concentração foi produzido em grande medida pelo Plano Real que retomou o poder para a União, um poder que era disseminado pelos Estados. Os Estados faziam política econômica! Esse processo de concentração e fortalecimento da União foi importante para se estabelecer alguma espécie de estabilidade, mas tem agora um efeito perverso. Porque o sistema político pemedebista, que era a fragmentação entre os Estados, se readaptou a esse modelo centralizado. O que acontece num sistema pemedebizado? Significa que a Dilma, a partir de agora, é refém desse sistema e que ela vai operar nos limites que este sistema colocar para ela. Qual é o problema disso? É que leva à paralisia.

Valor: Por que ela é refém e o Lula não foi?

Nobre: O Lula foi, claro que foi, ele montou este sistema. E ele montou de tal maneira que ele aparecia como alguém que mandava muito e não mandava coisa alguma.

Valor: O Lula não mandava?

Nobre: Muito pouco. Por onde o governo Lula passou neste sistema de vetos? Pense nas políticas pelas quais o Lula é conhecido: Bolsa-Família, Luz para Todos, os PACs, que estão empacados. Foi por onde o sistema não vetava. Quem é contra o aumento do salário mínimo? Quem é contra dar Bolsa-Família? Com isso ele produziu um crescimento econômico que permitiu um realinhamento da economia. Fez uma política “keynesiana”. Agora, essa ideia de que Lula mandava muito não procede. Ele é muito importante? Sim, fez o Brasil voltar à ideia de que o país pode ter futuro, de país que cresce. Mas do ponto de vista do sistema político não mudou nada.

Valor: Por que o PMDB não consegue ser o síndico?

Nobre: Quantos votos teve Ulisses Guimarães em 1989, na eleição presidencial, 4,89%? O PMDB aprendeu a lição. Não pode ser síndico de seu condomínio. Porque se o síndico for outro e der errado, a culpa é do síndico. Não é dele. Então essa é a lógica do PMDB: põe a culpa no síndico. Não é a lógica do PMDB só. É de todos os partidos do sistema político brasileiro.

Valor: O PT é um PMDB?

Nobre: Não, o PT é um partido diferente. Por isso ele é síndico. O Fernando Henrique estabeleceu dois polos, que são dois síndicos. Na eleição do condomínio você pode escolher entre eles: o do PT ou o do PSDB.

Valor: Que são duas alternativas ao pemedebismo…

Nobre: Alternativas a tomar conta do condomínio pemedebista. O PSB é assim, o PSD do Kassab é assim. Você acha que Aécio é líder da oposição? Aécio não lidera oposição nenhuma. Ele está esperando que o governo Dilma dê errado para afirmar que isso é um fracasso, depois de dizer que Lula e Dilma eram ótimos. Ou seja, é um mero oportunismo eleitoral. Agora qual é o limite que tem um Estado para fazer o governo Dilma fracassar? Peguemos a Copa. Em que Estados está havendo maior problema? São Paulo, Minas… Só que tem limite. Porque os Estados e municípios dependem de repasses federais.

Valor: Não seria um tiro no próprio pé do PSDB, ao arriscar seu governo nesses Estados?

Nobre: Sim, mas se a Copa não der certo, a culpa é do governo federal, não do estadual. É da Dilma.

Valor: A governabilidade da presidente está ameaçada, a crise tende a se aprofundar, com perda de iniciativa de agenda?

Nobre: A iniciativa de agenda desaparece. Como no governo Lula. Qual foi a iniciativa de agenda dele? Enfrentamento da crise mundial. Foi muito importante, mas foi uma crise mundial! Mas a Dilma pode levar perfeitamente os quatro anos até o final – sendo síndica do pemedebismo.

Valor: Ela vai ser a síndica ou ficará à sombra do antecessor?

Nobre: Acho que a Dilma não vai deixar isso acontecer. Ela deixou claro quando Lula resolveu ocupar o espaço dela. Você acha que o Lula precisa dizer à presidente o que ela tem que fazer? Não tem o menor cabimento. Pode existir um conflito entre os dois? Pode.

Valor: Tende a acontecer?

Nobre: Não tenho a menor ideia. Há aquela lei da política: de criatura e criador. Mas neste caso há um elemento fundamental que é o PT. Quem vai segurar para que isso ocorra ou não é o PT.

Valor: E a reeleição?

Nobre: Se a inflação não for colocada sob controle, se as obras de infraestrutura não forem realizadas para a Copa, e se não tiver uma taxa mínima de crescimento, está ameaçada a reeleição dela, claramente. A tarefa dela é muito difícil. Tem a maior base política da história do Brasil, e a menor margem de manobra. Essa é a situação dela.

Valor: E qual a chance de a oposição capitalizar esse momento?

Nobre: Se Dilma fracassar durante o mandato. Mas capitalizar o Palocci é difícil porque o PSDB está pedindo desculpas por criticá-lo. Não tem oposição!

Valor: Há suspeitas de que a divulgação das denúncias teria sido fogo amigo e partido do próprio PT.

Nobre: Tem, com certeza. Porque, por paradoxal que pareça, o Palocci é o representante do Lula no governo Dilma. E não tem ninguém com quem o PT tenha tido mais divergência do que com o próprio Lula. Claro, essas divergências ficaram todas debaixo do tapete e estavam esmagadas por 80% de popularidade. Mas houve divergências sérias. O PT sentia que não tinha mais a liderança do governo Lula. O Palocci é a continuidade dessa lógica. Num certo sentido, tem fogo amigo sim. Mas tem fogo amigo para todo lado. O PSDB está em guerra. O PT está em guerra. O líder do partido está em guerra aberta com o líder do governo na Câmara. O PMDB está unido, mas apenas momentaneamente, como estratégia.

Valor: O PMDB também não sofre uma influência do PT, ao se tornar cada vez mais coeso e disciplinado, como já havia chamado a atenção na votação do mínimo?

Nobre: Não, acho que quem dá lições sempre é o PMDB. O PMDB diz para onde o sistema está indo.

Valor: Já que o Lula, com toda a sua popularidade, e a Dilma, agora, no seu estilo linha-dura, não conseguiram dobrar o pemedebismo, quem seria capaz?

Nobre: Mas é a sociedade que tem que exigir. Você só ouve argumento realista. Mas eu digo que, se continuar assim, trava. Tende à paralisia e daí o que vai acontecer é uma crise muito maior. O governo Lula teve um efeito extraordinário de inclusão. Mas essas pessoas ainda não falaram! A gente ainda não viu o que vai ser o efeito dessas pessoas que têm acesso a internet, jornal, revista, informação política. Tem efeitos dessas mudanças da estratificação social que a gente não conhece.

Valor: Qual é a causa desse sistema pemedebista?

Nobre: É uma cultura política, que vem de muito longe, que se explica pela nossa história ditatorial recente, é importante dizer isso. Os avanços feitos nos últimos 17 anos ocorreram apesar desse sistema político.

Valor: O pemedebismo é favorecido pelo sistema eleitoral proporcional, que torna o sistema fragmentado? Qual seria o seu modelo preferido, um sistema com apenas dois ou três partidos?

Nobre: O número não importa. Quem é que faz uma reforma política – que na verdade é uma reforma eleitoral? O próprio sistema político. O problema não é da regra enquanto tal. Os protestos na Espanha e os da Primavera Árabe têm suas razões completamente diferentes. Mas o que o sistema político está achando é que enquanto o país estiver crescendo ninguém vai reclamar. E isso é uma loucura, as pessoas vão reclamar.

Valor: Quais os principais problemas que precisam ser atacados?

Nobre: Primeiro, destravar o debate público. No Brasil, se uma questão é colocada imediatamente o problema é: a favor ou contra o governo? E não pode se resumir a isso.

Valor: A existência de uma oposição mais forte não levaria justamente ao não debate e à estratégia de ser “do contra”, como ocorria com o PT – por sinal papel típico de quem está na oposição?

Nobre: Não aconteceu isso com o PT, não. Não foi assim. Quer dizer, em alguns casos, como no primeiro mandato do Fernando Henrique, pode ter sido. Mas o PT aprendeu a ser oposição, durante o governo Fernando Henrique. Pegue o caso Telebrás. Ia ter a privatização da Telebrás e o que o PT fez? Apresentou um projeto alternativo de privatização.

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13 Respostas to “O mando de campo é do PMDB”

  1. Patriarca da Paciência said

    Meu caro Pax,

    o que eu acho mesmo é que o professor Marcos Nobre está caindo na mesma idéia errôea de que “o presidente tudo pode”.

    Conheço muita gente que se diz decepcionado com o Lula porque, “ele simplesmente não fez um decreto aumentando de forma substancial o salário dos professores e também não realizou, por decreto a reforma agrária”.

    Quem tem um mínimo de conhecimento de “governo” sabe que tais coisas são completamente ilusórias.

    Quer queira, quer não, o PMDB ainda é muito representativo do povo brasileiro.

    Temos apenas 23 anos de verdadeira democracia.

    O que prevalece sempre é a vontade da maioria.

    Costumes de séculos não são modificados de uma hora para outra.

    Mas querer negar que o Brasil tem avançado enormemente, ou querer afirmar que a “presidente é refém de grupos de pressão” é simples alarmismo.

    A Dilma vai continuar fazendo um bom governo e tem tudo para se reeleger.

  2. Pax said

    Caro Patriarca,

    Não vi na entrevista do Marcos Nobre onde ele nega que houve avanço no Brasil.

    Dilma vai fazer um bom governo?

    Veja, eu torço que sim, claro. Mas desde o início disse que para isto ela teria que torear o PMDB, principalmente a gula distorcida (me permito ver assim) de uma parte do PMDB. E esta parte não é pequena e muito menos sem poder. É enorme.

    Precisamos nos lembrar de Sarney (que lembra Lobão que lembra …)? Precisamos nos lembrar de Calheiros, que lembra Collor que lembra…?

    Esta gula, sinceramente, não me traz nenhum bom sentimento. Basta ver o que aconteceu com os estados de onde vieram estas figuras carimbadas de nossa política.

    Desde o início torci que Dilma conseguisse impor ao PMDB um “aquiete-se” e vamos pensar no Brasil. Que conseguisse, em outro lado, acalmar o Michel Temer, que, segundo o Villas-Bôas, é um agradador de baixo clero.

    Enfim, tomara que Dilma passe por cima destes problemas e deixe uma marca boa em seu governo.

    Se o PMDB deixar algumas tetas sobrarem para alimentar o bezerro chamado povo, que é, em última instância, o dono da vaca.

    (sim, os coronéis não são donos desta vaca chamada erário)

  3. Elias said

    Pax e Patriarca,

    Mais do que nunca, a Dilma deve estar sentindo na carne como a reforma política é necessária.

    Deflagrar o debate sobre a reforma política agora, vai ajudar a embaralhar as cartas do PMDB.

    Pode ser que a Dilma resolva usar a tática da jibóia: engulir sem mastigar e digerir lentamente o prato indigesto que a “base aliada” lhe serviu. Aí, esperar 2012 pra dar o troco nas municipais.

    É possível que essa tática dê algum resultado… Mas é bom lembrar que, nos 8 anos de Lula, isso não foi suficiente pra enfraquecer o PMDB a ponto de poder ignorá-lo — ou melhor, contrariá-lo — no jogo político.

    Além do mais, as municipais alteram a correlação de forças do ponto de vista global, mas, no Congresso Nacional, é sempre possível passar pelo menos 1 ano fingindo que isso não aconteceu.

    Ou seja: jogo ruim.

    No contexto de uma reforma política muita coisa poderia ser tentada. Além do mais, Dilma encerraria o primeiro ano do seu mandato com uma marca de bom tamanho…

    Agora, quanto mais tempo o Palocci permanecer no governo, pior pro governo. Um ministro-chefe da Casa Civil na situação dele — e com a missão que lhe foi atribuída! — imobiliza politicamente o governo.

    Palocci tem que partir. E, quanto mais cedo, menos ruim.

  4. HRP IN CONCERT! said

    Alguém vai parar esse sujeito?
    http://www.blogdoatheneu.org/blog/?p=5254

  5. Pax said

    Mas, caro Elias e caro Patriarca,

    O que o Marcos Nobre fala é que Palocci é Lula no atual governo. E que o PT estaria insatisfeito porque gostaria de ter mais espaço dentro do governo Dilma, ratificando, segundo entendi desta parte da entrevista, a tese do fogo amigo neste caso do Palocci. (à além, claro, de uma vertiginosa escalada de seu patrimônio que precisa esclarecimentos gerais)

    O que vocês sabem ou acham desta afirmação do cara?

  6. Patriarca da Paciência said

    Caro Pax e Elias,

    O Lula sempre foi um bom estrategista mas, sinceramente, eu não consigo entender bem qual é o papel destinado ao Palocci no governo Dilma.

    Ele teve uma função muito importante no início do governo Lula, acalmar bancários e empresários, mas não entendo bem o porquê no governo Dilma.

    Se o Palocci é o Lula no governo Dilma? Sinceramente acho que não.

    Como diz o O professor Marcos Nobre, os dois sempre tiveram muitas divergências.

    Para mim é uma estratégia do PT, mas não consigo entender bem qual.

    Concordo com o Elias, quanto antes ele sair, melhor.

    O governo Lula só cresceu após a saída do Palocci.

    Acredito que com a Dilma acontecerá a mesma coisa.

  7. Patriarca da Paciência said

    Acalmar banqueiros e empresários. Os bancários estavam calminhos.

  8. Elias said

    Pax e Patriarca,

    Infelizmente, o Pax tem razão: que botou esse jabuti na forquilha foi mesmo o Lula.

    Mas isso não muda as coisas: o jabuti tem que partir. E, como jabuti anda devagar, quando mais cedo ele começar a andar, melhor.

    Fogo amigo? Não creio.

    Uma boa parte do PT não morre de amores pelo Palocci, nem chora quando o vê pelas costas. Mas não disparou contra ele.

    Tudo faz crer que os disparos foram feitos mesmo com canhões da Prefeitura de São Paulo, devidamente camuflados. E a munição foi fornecida pelo próprio Palocci, quando emitiu as notas fiscais eletrônicas dos recebimentos de sua empresa.

    Mas é interessante como a “grande” imprensa brasileira é desacreditada, né? Quando ela dá uma dentro, ninguém diz “foi um trabalho investigativo d0(a)…”.

  9. Carlão said

    hehehe
    Dumb,Dumber and the Dumbest together
    are priceless!
    ***
    Fica Palocci – estou me divertindo mais a cada dia!
    O governo da presidenta doenta vai se arrastar até o fim, como lula já previu. Acabou.
    O PMDB hoje manda prender
    Daqui por diante, dilma não poderá ir ao banheiro sem pedir licença ao PMDB.
    Temer assumiu a Presidência.
    Mandou Palocci calar aboca e se desculpar.
    ***
    Para o bem do país.
    Quem diria hein?
    hheheheheheh

  10. HRP IN CONCERT! said

    Lugar do Palhoçi?
    No olho da rua como no caso do Francewnildo!
    Só enfraquece o governo e dá mote para essa oposiçãozinha fraquinha poder gritar!
    Aqui o PSDB se enlameando em Campinas:
    http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5158494-EI7896,00-SP+tucanos+e+Sabesp+sao+citados+em+investigacao+em+Campinas.html

  11. Pax said

    Um governo à espera de Dilma
    Rosângela Bittar
    Valor Econômico – 01/06/2011

    A pergunta padrão do momento nos gabinetes do poder reproduz a questão em alta no mercado financeiro e a dúvida em voga entre os empresários: Antonio Palocci, ministro-chefe da Casa Civil da Presidência, fiador do governo Dilma para boa parte desse público neoperplexo, ponte confiável para a ampla aliança partidária no trânsito entre o Legislativo e o Executivo, fica ou sai do governo? Desprezemos o testemunho dos que garantem que ele não sairá porque não há substitutos.

    Bobagem, sempre os há. E os nomes mais óbvios já estão há muito declamados por petistas: Paulo Bernardo, Fernando Pimentel, Jaques Wagner, Luciano Coutinho (com reforço na coordenação política), Alexandre Padilha, empresário gaúcho amigo (com outra vocação ao posto), o ex-presidente Lula (numa troca possível mas pouco provável de papéis), enfim, um mundo de possibilidades. Tantas, e nenhuma, por enquanto, pois a presidente ainda está naquela fase de esperar que uma solução caia dos céus.

    A questão a que se deve dar sentido é se haverá alguma diferença em ter ou não Palocci no governo. A resposta, por enquanto, é também não. Enfraquecido e sofrendo a desconfiança generalizada de que há algo por trás dessa fumaça que lhe cobre o rosto e que ele teima em não dissipar, já está. A descoberta sobre os valores que o ministro acha ou não importante preservar abalou também o conjunto do governo, levando à vertigem a própria presidente. A intervenção de Lula em dois Poderes de uma só vez, o Executivo e o Legislativo, desequilibrou ainda mais a presidente e mostrou que, se já volta agora às rédeas do poder, mais ainda daqui a três anos e sete meses, o que cristaliza a tese de que o atual é mesmo um mandato tampão.

    Independe da sorte de Palocci, porém, a constatação de que o governo Dilma foi mal construído e funciona precariamente, a mudança exige mais que a troca de uma peça. Até mesmo em comparação com o governo Lula, e fiquemos apenas nesse, da mesma estirpe, do qual foi parte importante. O ex-presidente Lula nomeou líderes fortes, cada um com sua vocação e instrumentos, para ajudá-lo na política. Não significa que tenha feito um bom governo. Sem juízo de valor, armou-se das chances políticas.

    José Dirceu, na Casa Civil, fazia a coordenação política maior, tendo como tinha o controle do PT e o acesso privilegiado ao PMDB, o maior partido do Congresso que levou para perto do governo. Luiz Gushiken teve a missão de ser um ministro forte e poderoso para atuar na forte e poderosa área de Comunicação. Gilberto Carvalho foi a ponte com a Igreja, os movimentos sociais e sindicatos.

    Na liderança da política econômica, Lula colocou Antonio Palocci, já apoiado pelo mercado e empresários aos primeiros acordes da campanha eleitoral, desde a Carta aos Brasileiros que amarrou o compromisso do petismo com a estabilização. Márcio Thomaz Bastos, da Justiça, atuou mais na articulação política que qualquer coordenador formal, e deu sustentação jurídica a todo o governo. Nelson Jobim levou para Lula as vantagens do seu acesso ao Supremo Tribunal Federal e garantiu-lhe uma tranquilidade ímpar no seu relacionamento com os militares. Jobim implantou para valer o Ministério da Defesa. A coordenação política formal foi exercida por sucessivos políticos de peso, de Aldo Rebelo, ex-presidente da Câmara, aos jeitosos mineiro Walfrido dos Mares Guia e o baiano Jaques Wagner. No fim, quando o governo Lula já estava desfigurado e restavam em cena o presidente e sua voz, a tarefa da política foi entregue a Alexandre Padilha, um médico neófito no exercício do poder que fez um varejo bem sucedido na articulação com o Congresso.

    No governo Dilma Rousseff não há esse tipo de peças no jogo. José Eduardo Cardoso, ministro da Justiça, está realizando um trabalho interno de gestão, mais afeito à tarefa de secretário-executivo. Alexandre Padilha ficou com a área da Saúde, missão acachapante que não permite desvio do foco. A articulação formal com o Congresso foi entregue a um deputado do PT sem maior expressão ou acesso aos partidos, Luiz Sérgio. Fernando Pimentel assumiu como ministro forte o Desenvolvimento. Amigo da presidente, acesso total à política, mas em litígio com seu partido, o PT, em Minas, optou pela discrição.

    Em três áreas importantes a presidente teve que engolir ministros impostos, e em duas delas vem tendo que dirimir conflitos. Lula pediu para deixar Guido Mantega no Ministério da Fazenda, posto para o qual Dilma já havia escolhido nome de sua confiança e predileção, e Fernando Haddad, para quem o ex-presidente quis manter a vitrine da Educação para garantir chance de disputa eleitoral em 2012. Plano, aliás, que não decola, a gestão do Ministério da Educação é uma sucessão de problemas.

    Lula pediu, também, a manutenção de Nelson Jobim no Ministério da Defesa. Foi o apelo que Dilma recebeu pior, ela o identifica com adversários políticos, mas é, hoje, a autoridade que melhor atua politicamente para seu governo. A última proeza de Jobim foi negociar, discretamente e com sucesso, entre o Executivo e o Legislativo, um dos impasses mais intrincados na sua área, a Comissão da Verdade. A presidente não teve oportunidade de tomar conhecimento da desenvoltura do seu ministro.

    O ministro do PMDB, que nomeou para assessorá-lo o ex-guerrilheiro e ícone do PT José Genoino, especialista em Defesa e em Congresso, recebe políticos o dia inteiro. Sua agenda, ontem, por exemplo, concedia audiências aos senadores Roberto Requião (PMDB), Cícero Lucena (PMDB) e senadora Vanessa Grazziotin (PT). Os olhos do Palácio, porém, não estão voltados par esse nicho da experimentação bem sucedida da parceria PMDB-PT.

    Dilma trabalha muito, disso não há dúvidas. O governo, no entanto, não dá respostas e não tem como: está despreparado estrutural e funcionalmente. Defenestrar só o ministro atingido não é garantia de que o governo sairá da paralisia e voltará a funcionar. É necessário muito mais.

    Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

  12. Chesterton said

    Lula deu e dará seu golpe.

  13. Carlão said

    ‘Somo tudo palaciano Roberto DaMatta
    O Globo – 01/06/2011

    Com o devido respeito, mas nessa era petista, quando misturamos o pior do mercado com o mais desonesto estatismo, o caso Palocci ultrapassa a trivial suspeita de enriquecimento indébito. Ele contempla aspectos típicos do lulopetismo, bem como o passado do suspeito, mas vai adiante. Mais uma vez ele nos põe diante de nós mesmos, já que todos somos palocianos ou palacianos e temos a certeza de que, uma vez na panelinha, a “ética da condescendência” que sustenta o nosso espírito ainda patronal-escravocrata salva qualquer um do inferno. Mesmo quando se fala errado e relativiza-se o moralismo da língua culta, vendendo (eis o que conta) milhares de livros ao Ministério da Educação. A questão, entretanto, é que esse aumento patrimonial comicamente extraordinário abre uma porta sequer ventilada pela teoria política nacional.

    Refiro-me ao fato de que, no Brasil, o Estado não é um instrumento da burguesia, como manda o velho Marx. É, isso sim, um veículo de enriquecimento e de aristocratização de seus funcionários, na razão direta de sua importância dentro das suas burocracias. Basta tabular o aumento patrimonial dos seus membros situando o quanto possuíam e quanto eles amealharam depois que cumpriram os tremendos sacrifícios de fazer parte do poder para verificar o triunfo da mendacidade com o povo, pelo povo, e para cada um de deles!

    Na relação até hoje mal estudada entre o Estado (com suas leis) e a sociedade (com seus costumes e tradições), esses casos revelam algo típico da tal América-Latina: o fato de que o Estado é hierarquicamente superior à sociedade. Ele traz à tona o mito segundo o qual, quando Deus nos inventou, Ele primeiro fez o Estado (com seus caudilhos, ministros, secretários, puxa-sacos e toda a malta que estamos fartos de conhecer), e depois fez uma desprezível sociedade com a sua miscigenação, os seus burgueses, sua abjeta classe média e a massa de miseráveis com escolas (mas sem professores respeitados e bem pagos); com hospitais (mas sem médicos); com delegacias (mas com policiais bandidos) e com essa esquerda autocomplacente que inventou a bolsa-ditadura, que anistia destruidores da floresta e que ama o atraso.

    Quando surge a suspeita de um enriquecimento ridiculamente excepcional, como esse de Antonio Palocci – imagine, leitor, você em quatro anos ter mais 19 apartamentos, mesmo pequenos como o seu! -, batemos de frente com um aspecto pouco visto. Refiro-me ao fato de tanto a direita quanto o centro e a esquerda serem todos viciados em Estado! A estadofilia, estadomania e estadolatria é o cerne do nosso republicanismo, é ele – supomos! – que vai corrigir a sociedade. Por isso é centralizador, autoritário e perdulário. Ele usa leis para não mudar costumes.

    Num país do tamanho do Brasil é impossível não desperdiçar recursos com a centralização. É impossível controlar de Brasília o que se passa no cu de judas! Mais: nada melhor para a ladroagem, para o tráfico de influência e para o furto cínico dos dinheiros do povo do que essa concepção de um Estado autista, com razões que só ele conhece. Um órgão engessado em si mesmo e avesso ao mercado e a qualquer tipo de controle, competição ou competência. Tudo isso que o lulopetismo endossou por ignorância e/ou malandragem, mas que ainda goza de um inigualável prestígio junto da nossa opinião pública dita mais esclarecida que tem horror ao mercado.

    Por quê? Porque esse é o resultado da operação de um Estado feito de parentes e amigos que eram de sangue e hoje – eis a contribuição petista – são ideológicos. Um Estado autocomplacente e referido, como mostra esse vergonhoso governo de coalizão que serve primeiro e si próprio, depois a si mesmo e, em terceiro e último lugar, aos seus adoradores. Jamais lhe passa pela sua cachola, cheia de prêmios a serem distribuídos aos seus compadres, servir à sociedade que o sustenta.

    Numa estadolatria, há alergia a competição e a seguir o básico das repúblicas: atribuir responsabilidade. Daí o “eu não sabia”, pois todos concordam com o descalabro, mas nada acontece. Como punir o ministro? Como sair de um viés aristocrático que foi justamente a matriz social dos republicanos que queriam ser presidentes, fiscais do consumo, embaixadores, ministros do Supremo e senadores? As mensagens não passam nessas redes administrativas em contradição cujos agentes sabem que enriquecer fácil significa criar dificuldade para vender facilidade. Algo simples de fazer nas sucessivas aristocracias que têm usado o liberalismo político como um disfarce para assaltar o Brasil. Em outras palavras: o governo dá para seus filhos; nós, os trabalhadores assalariados que não temos cláusulas secretas com quem nos paga, como é o caso do Palocci, pagamos a conta!

    Será que ninguém sacou a burrice de aplicar marxismo burguês a um Brasil tocado a escravidão? Um país com uma burguesia contra máquinas e toda ela apadrinhada por si mesma? Eu fico com vergonha ao ler como a nossa burguesia é reacionária quando sei que a modernização política do Brasil foi feita por um avô fujão, por um filho mau-caráter e por um neto que não sabia o que acontecia em sua volta. A partir das repúblicas de 89, contam-se nos dedos os administradores e políticos que não multiplicaram por 20, 200 ou 2.000 seus patrimônios graças ao controle de um pedaço do Estado!

    Palocci é juvenil perto dos outros que, se citados, tomariam todo o espaço de um jornal. Aguardo suas explicações que serão normas de ouro para o enriquecimento blitzkrieg.

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