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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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O discurso de Marina

Posted by Pax em 08/07/2011

Marina Silva se desfiliou ontem do PV. Abaixo o discurso que divulgou em seu site sobre a criação de um movimento afirmando que: “é hora de agir pelos nossos sonhos”.

Algumas dúvidas ficam evidentes. A primeira é sobre a avaliação prévia de Marina sobre o partido que estava entrando ao deixar o PT. Não sabia que no mesmo saco de gatos havia políticos históricos como Gabeira e Sirkis assim como outros que fizeram alianças espúrias com Amazonino Mendes, Ivo Cassol e Blairo Maggi como exemplos? E se não teve força para mudar um partido como pretende mudar um país?

O PV do atual presidente, deputado José Luiz Penna, pelos fortes indícios, prefere o pior do fisiologismo à renovação política que Marina diz querer. Penna e seu grupo foram mais fortes que Marina e Sirkis, o nome político mais forte que esteve ao seu lado durante este período de filiação.

Marina sai com o grupo de empresários que entrou junto, como Guilherme Leal e Ricardo Young, mas Sirkis e Gabeira permanecem no PV.

Dos 20 milhões de votos que obteve nas eleições presidenciais de 2010, quantos seguirão os rumos de Marina nesta sua nova etapa?

Mesmo que haja motivos suficientes para elaborar uma lista contundente de críticas aos passos da ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, o desânimo geral com a canalha política brasileira é o combustível que Marina tem para queimar e tentar mover a caldeira deste novo movimento que propõe.

Precisará melhorar a objetividade de sua comunicação para tal.

É hora de agir pelos nossos sonhos” – O discurso de Marina por uma nova política. – Site de Marina Silva

“Chegou a hora de acreditar que vale a pena, juntos, criarmos um grande movimento para que o Brasil vá além e coloque em prática tudo aquilo que a sociedade aprendeu nas últimas décadas”. Assim começava o convite para a grande aliança que, em 2010, propusemos à sociedade brasileira. E continuava dizendo que chegou a hora dos que querem viver num país melhor, reinventar o seu futuro no século 21. Que podemos alcançar a democracia que queremos. Que a distância entre o que somos e o que podemos ser não é tão longa se nos dispusermos a começar a caminhada.

Estamos aqui hoje para reafirmar que esta continua sendo a nossa palavra, que vale o que está escrito. Está nesta palavra dada a principal razão pela qual eu mesma e tantos companheiros estamos nos afastando do Partido Verde. Para manter nossa coerência e seguir em frente, em união com aqueles que, embora não se desligando do partido por diversas razões, permanecerão críticos e em consonância com o mesmo pensamento.

A experiência no PV serviu para sentir até que ponto o sistema político brasileiro está empedernido e sem capacidade de abrir-se para sua própria renovação. Se antes dissemos “chegou a hora de acreditar”, afirmo hoje: chegou a hora de ser e fazer, de nos movimentarmos em conexão com as redes e pessoas que expressam a chegada do futuro e o constroem na prática, no dia-a-dia.

A proposta de desenvolvimento sustentável é inseparável de uma política sustentável. Não podemos falar das conquistas de nosso país separando–as da baixa credibilidade do sistema político, dos desvios éticos tornados corriqueiros, da perplexidade da população diante da transformação dos partidos em máquinas obcecadas pelo poder em si e cada vez mais distantes do mandato de serviço que estão obrigados a prestar à população. A ideia de desenvolvimento não pode estar desvinculada da existência de um sistema político democrático consolidado, tanto na sua face representativa quanto na sua imprescindível dimensão participativa direta.

O resultado mais grave da perversão do sistema político é o afastamento das pessoas da Política com P maiúsculo, pela qual cada um pode ser parte das decisões públicas por meio de suas opiniões, sua palavra, suas propostas, seu voto bem informado e consciente. Quando a representação gerada por esse voto não expressa integralmente o compromisso de se dedicar ao bem comum, a democracia sai trincada, e essa ameaça afeta a todos nós e nosso direito a viver melhor, com mais justiça, mais qualidade de vida, com horizontes mais prazeirosos. Então, é preciso reagir e chamar mais e mais pessoas para um grande debate nacional sobre o nosso futuro.

É essa a causa que nos move e nos faz reconhecer, em primeiro lugar, que o propósito de levá-la adiante por meio do PV, na forma como ele hoje se estrutura, não foi possível. E, em segundo lugar, que não podemos relativizá-la para compor com uma cultura política que combatemos e que se mostra impermeável ao novo e ao sentido profundo da democracia.

Manter a coerência e seguir em frente, é o sentido de nosso gesto, repito. Não se trata de uma saída pragmática, com olhos postos em calendários eleitorais. Ao contrário, é a negação do pragmatismo a qualquer preço.

É uma reafirmação de compromissos e princípios. É uma caminhada verdadeira e esperançosa em direção ao nosso foco principal: sensibilizar as brasileiras e os brasileiros que se dispõem a sair do papel de meros espectadores a que vêm sendo condenados pelo atual sistema político para ser uma força transformadora. Força capaz de fazer sua vontade junto a um sistema político superado na sua essência, mas ainda no comando das instituições, tornando-as reféns de privilégios, de interesses setoriais, de alianças e posturas atrasadas, incompatíveis com os desafios que temos para este século.

Hoje, as pessoas se mobilizam por causas muito diferenciadas, se manifestam pela internet, mas tem dificuldades de se integrar, de amalgamar suas diferentes preocupações num grande projeto de país, impulsionado pelo desejo de um salto civilizatório que só acontecerá se interrompermos a trajetória de degradação social e ambiental que é, infelizmente, uma das principais marcas de nossos tempos.

Junto-me a todos que se identificam com esse pensamento, para fazer chegar o momento da integração. De inventar outra cultura política para nosso futuro. Vamos discutir democracia, educação, desenvolvimento, sem as amarras das ambições de poder como um fim em si mesmo, que diminuem e pervertem os sonhos e as intenções.

Não se trata de negar as instituições de Estado e o sistema representativo. Sabemos de sua importância e de seu papel, mas não podemos fechar os olhos para seus desvios. Devemos exigir que saiam de suas velhas práticas e acordem para o presente. Para isso, a sociedade brasileira precisa recuperar a sua iniciativa no campo político, construir coletivamente sua vontade e fazê-la valer.

Nosso debate, hoje, não pode ser o das eleições de 2014. As eleições de 2010 tiveram o papel de fazer a luta socioambiental abrir suas janelas e portas para a sociedade. Fizeram com que milhões de pessoas escolhessem uma proposta diferente. Agora é hora de ir mais fundo. A hora da verdade. Para nós e para a sociedade. Vamos nos reencantar com o nosso potencial para mudar o que precisa ser mudado e preservar o que precisa ser preservado.

Na campanha de 2010 dissemos que deveríamos “ir além dos limites impostos pela falta de grandeza dos interesses e costumes de alguns políticos que se acomodaram à lógica do poder pelo poder, que se tornaram incapazes de assumir plenamente os desafios do presente”. Essa também continua sendo a nossa palavra. Não era vento, não era circunstância, era de fato nossa proposta de Política e de Vida e por ela continuaremos a nos guiar, não importam quais sejam as dificuldades, as maledicências, as armadilhas, as ofertas para deixar por menos.

Como alguém já disse, o ideal que move as pessoas para melhorar o mundo em que vivem, e onde no futuro outros irão viver, deve estar na popa e não na proa, a nos impulsionar para o futuro. Não é hora de ser pragmático, é hora de ser sonhático e de agir pelos nossos sonhos.

*Discurso de Marina Silva durante o Encontro Por Uma Nova Política. Evento realizado nesta quinta-feira, dia 7 de julho, no Espaço Crisantempo (rua Fidalga, 521, Vila Madalena, São Paulo)

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97 Respostas to “O discurso de Marina”

  1. iconoclastas said

    para onde ela vai?

    ;^?

  2. Olá!

    Marina indo atrás da última moda em coletivismo.

    Até!

    Marcelo

  3. Olá!

    Esse Aldo Rebelo é sacanageiro pacas!

    Até!

    Marcelo

  4. Pax said

    Não sei, caro Iconoclastas.

    Caro Marcelo, esta tuitada do Aldo Rebelo mostra que há idiotas esforçados. Há que se dedicar para chegar a tanto.

  5. Chesterton said

    excelente!

  6. Olá!

    A Marina precisa entender que em matéria de política a coisa funciona na base dos trade-offs e que, invariavelmente, a tendência em uma negociação política para se aprovar algo consiste em perder um pouco por um lado, mas ganhar um pouco por outro lado.

    O problema é que no Brasil os trade-offs políticos, geralmente, vêm acompanhados de uma pesadíssima carga de corrupção.

    Até!

    Marcelo

  7. iconoclastas said

    #3,

    eu não entendi o código florestal como incentivo ao desmatamento, sou agnóstico (se é que isto é possível) quanto ao aquecimento global antrópico e crente da nescessidade de maior produção de energia. no entanto, apesar de achar que a provocação do aldo rebelo foi mais para a ironia, me parece que lhe faltou sensibilidade. que instruísse uma lacaio, que usasse um pseudônimo, sei lá… na posição dele é que esse tipo de comportamento não cabe. falta postura a essa gente.

    #6,

    certamente ela entende, mas o custo de oportunidade devia estar alto…

    ;^/

  8. said

    PRA ONDE ELA VAI?? VAI VOLTAR A BASE, OU TENTAR FAZER OUTRO PARTIDO POLÍTICO.

    MAS, EM QUE A MARINA TRABALHA MESMO?

    ATÉ AGORA, NÃO SE SABEM…rss

    obs. ELA DEVE TER UMA GRANINHA GUARDADA, OU VAI SER DIÁCONA DA IGREJA, CORRETO? OU POLITICAMENTE ERRADO? ELA PODE SER, PROFESSORA DA ESCOLA DOMINICAL, E FALAR SOBRE O JARDIM DO ÉDEN, COMO ERA PERFEITO…E BOM…MAS, O CAPITALISMO ACABOU COM ELE.

  9. elias said

    Pax,

    Parece que Marina vai fundar um novo partido. Ao que parece, com a pretensão de atrair os descontentes do PT, do PSDB, do PV…

    Vamos ver se dá jôgo. Tenho minhas reservas com quem faz discurso contra o pragmatismo, como se isso fosse, por si só, uma prática condenável.

    No fim, esse tipo de gente acaba se tornando o pior tipo de pragmático: o pragmático mal sucedido.

    Como nas eleições de 2010, por exemplo…

  10. Pax said

    Caro Elias,

    Aqui há uma entrevista de Marina para o Estadão

    Sem partido, Marina diz que torce por Dilma
    http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,sem-partido–marina-diz-que-torce-por-dilma,742583,0.htm

    E aqui a última pergunta/resposta

    Com quem a senhora tem conversado sobre propostas políticas?

    O movimento por novas políticas tem que estar em todos os partidos. Tenho conversado com os deputados Alessandro Molon (PT/RJ) e José Reguffe (PDT-DF), o senador Pedro Taques (PDT-MT), a Heloísa Helena (PSOL-AL). Quero conversar com os senadores e Cristovam Buarque (PDT-DF) e Eduardo Suplicy (PT-SP), com a minha amiga Luiza Erundina (PSB-SP). A Heloísa Helena tem sinalizado muito fortemente que estará junto das propostas do movimento por uma nova política. O princípio das conversas é que a política no Brasil precisa se reinventar.

  11. Pax said

    Mudando a discussão de lá para cá:

    Dilma manda BNDES sair do negócio com Pão de Açúcar
    Publicada em 12/07/2011 às 08h54m

    Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/mat/2011/07/11/dilma-manda-bndes-sair-do-negocio-com-pao-de-acucar-924881315.asp#ixzz1RtaVJZLm
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  12. elias said

    Então o Casino ganhou o jôgo!

    O chororô de amante argentina usada, abusada, arrombada e desprezada, deu certo.

    E o governo federal fez xixi pra trás. Não sei se isso é uma boa, do ponto de vista político.

    Aliás, acho que não é. Nunca sou favorável a fazer a vontade da oposição. Pra mim, quanto mais contrariada a oposição estiver, melhor.

    Quando o governo volta atrás numa decisão, fazendo a vontade da oposição, na melhor das hipóteses esta diz que ele amarelou. Ficou com medo e xixizou no calcanhar. Aí ela fica achando que poderá forçá-lo a fazer igual, sempre que quiser.

    Nunca vi isso dar certo… Nem pro governo, nem pro país.

  13. elias said

    Quanto à Marina,

    Não sei se foi uma boa ela tentar capitalizar no PV em cima dos 20 milhões de votos em 2010.

    Carácoles! Até as pedras sabem que esses 20 milhões não foram votos “verdes”. Boa parte desses 20 milhões não estava nem remotamente ligada às bandeiras ambientais.

    Foi o voto do pessoal mais visceralmente avesso a coisas como aborto, casamento de homossexuais, etc. Não poucos votaram nela achando que, assim, estariam vinculando mais fortemente ao PT as bandeiras pró-aborto e pró-casamento entre homossexuais.

    Tava nas pesquisas. Tanto que a mulher do Serra se apressou em dar aquela declaração anti-aborto, etc e tal…

    Obviamente que o PV não enguliria esse purgante. Não enguliu. Achou que Marina estava vendendo o que ela não tem pra entregar. Aí ela desembarcou.

    É uma pena. Em alguns momentos, pensei que Marina sairia do PV no redemoinho de uma tentativa de moralizar o partido, reconciliá-lo com as bandeiras ambientais, etc. Uma divergência tendo como objeto a tentativa de capitalização dos 20 milhões de votos, acaba enchendo o PV de moral diante de Marina.

    Coisas assim (tem mais…!), colocam sérias limitações à liderança de Marina, mesmo no novo partido que ela eventualmente criar. Um carinha que esteja pronto a sair do PT, p.ex., não vai sair pra entrar numa dessas.

    Seria trocar seis por meia dúzia. Ou menos.

  14. Olá!

    Sobre a retirada do dinheiro público do negócio envolvendo o Pão de Açúcar, acho que o governo Dilma tomou a decisão mais sensata.

    Não é bem uma questão de agradar a este ou àquele lado do espectro político. É mais uma questão de sensatez mesmo. Basta ver que, agora, o Abílio Diniz está buscando se financiar no mercado, como deve ser para um negócio desse tipo.

    Com o BNDES fora da jogada, pelo menos o governo evita se envolver na composição de um estrutura que tem potencial para se tornar um monopólio e, com isso, evita prejudicar os cidadãos comuns que precisam consumir os produtos oferecidos pelo Pão de Açúcar.

    Acho que não é bem a oposição que se beneficia com isso.

    Até!

    Marcelo

  15. iconoclastas said

    #11, po Pax, foi mal, eu não tinha visto esse comentário e colei a noticia no post lá de cima.

  16. Pax said

    Sem problemas, caro Iconoclastas.

    (Falando no seu nick, tem uma série de documentários que o Itaú Cultural está fazendo chamada IconoClássicos. Fui na pré-estréia do documentário sobre Itamar Assumpção. Muito bom, aconselho)

    Caro Elias, em #13,

    Também acho que a Marina não saiu lá muito bem nesta desfiliação ao PV. E também acho que seria um bom gol se o PV desse uma renovada geral se voltando ao mote do partido, que abandonou já faz um bom tempo.

    Não temos partido ambientalista no Brasil, para alegria do caro Chesterton.

  17. Anrafel said

    Poucas coisas na política brasileira atual estavam tão na cara quanto a saída de Marina Silva do PV. Não demorou nem foi rápido demais, foi no tempo certo, depois de assentados os resultados eleitorais do ano passado.

    Criou-se um mito (um mito urbano?), o de que os tais 20 milhões de votos foram para Marina e para o que o PV representa em termos de ambientalismo, propostas modernas na área de comportamento, matrizes energéticas alternativas.

    Marina sabe que não foi assim, José Luiz Penna, Gabeira, Sirkis e Zequinha Sarney o sabem também. Digo até que o voto ambientalista, lato sensu, castiço foi minoritário, perdendo para a recusa pura e simples dos dois principais nomes /partidos na disputa, além, suprema ironia, da opção por uma pessoa que representava a rejeição a propostas ferrabrases como aborto, casamento gay, pessoa essa candidata do … PV.

    Eles sabem, mas fingem que não e tentaram capitalizar essa massa de votos e usá-la na discussão interna. Marina perdeu, como era de se esperar. Os caras do outro lado são profissionais. Sirkis e Gabeira não podem voltar para o PT, nem enxergam qualquer outra alternativa partidária no espectro político. Siirkis, pelo menos,. Gabeira andou com um jeitão de que poderia entrar no PSDB ou no PPS.

    Quanto ao novo partido, tenho minhas dúvidas. Marina vai se confrontar com um certo pragmatismo, que, como disse Elias, não pode ser tido como esse bicho-papão todo – pelo menos em política.

    Boa parte desses nomes citados por ela está bem acomodada. O PSB, por exemplo, parece que foi o partido que mais cresceu nas últimas eleições e não pode ser acusado de ter traído isso ou aquilo. O PT certamente já perdeu os nomes que tinha para perder rumo ao PV e ao PSOL. Um figurão petista teria dificuldades óbvias para sair.

    (Para variar, o PSOL, que se diz o único partido de esquerda no Brasil, já tem as suas divisões. Aqui na Bahia, conheço pessoas de uns 3 grupos).

    Marina não quis conviver com as divisões e o fisiologismo de parte do PV, mas nem por isso o futuro se lhe afigura promissor. E os convites para palestras tendem a rarear, o espaço na imprensa …

  18. Pax said

    Tenho minhas dúvidas para fatiar estes 20 milhões de votos que Marina levou.

    Algum de vocês tem esta informação tabulada de alguma pesquisa ou estamos de achismo?

  19. Chesterton said

    Marina e o ecologismo estão em viés de baixa.

  20. elias said

    Pax,

    De minha parte é achismo, claro.

    Mas uma boa, é checar a soma dos votos pra deputado federal. Esses votos costumam refletir o real tamanho do partido, independentemente de quem seja o candidato a majoritário.

    Nem mesmo os políticos que transferem muitos votos — como é o caso do Lula — são capazes de mudar essa escrita.

    No caso “aborto e casamento gay”, a posição de Marina não ficou muito clara em 2010. Ela saiu pela tangente.

    Duvido que ela consiga segurar esse lance de “nem contra, nem a favor; antes, pelo contrário do inverso do avesso…” por mais 4 anos.

    Isso só funciona no curtíssimo prazo.

    Vão cobrar uma posição dela, e não vai demorar muito. Aí, ou ela se alinha com a doutrina da Assembléia de Deus ou ela racha. Em qualquer hipótese, vai perder voto…

    Acho que Marina irá melhor numa candidatura a prefeita da capital de seu Estado. Ou governadora.

    Se ela quiser atuar mais no plano nacional (e me parece ser esse o caso), acho que o teto dela é senadora.

  21. vilarnovo said

    Elias, então o governo fazer algo prejudicial ao contribuinte é válido porque a oposição não quer? Entendi o método Elias de governar…

    Aliás, poucas vezes o PIG foi tão belevolente com um presidente como está sendo com a Dilma.

    Depois de todos os alertas, não só da oposição como diz o Elias, mas de qualquer economias que não seja pago pelo governo que essa operação do BNDES não é de interesse do país, mas apenas de um aliado de Lula como era Abílio Dinis, ela decide que o BNDES não iria entrar.

    Senhores, não sejamos ingênuos. Essa operação muito antes de vir a público já havia sido “combinada com os russos” (copyright Garrincha). O governo PT cansou de fazer operações desse tipo com a JBL, Friboi, Oi, Perdigão… com o Pão de Açúcar seria mais uma.

    Dilma mandou parar não porque ela não concorda com a operação, temeu o barulho. O PIG nada mais nada menos, deu uma afagada na Presidente.

    Passamos do final do ano, e Dilma fez alguma coisa? Propôs alguma coisa? Digo, alguma coisa realmente necessária? Relevante? Código Penal? Reforma Tributária? Reforma Fiscal?

    ==================

    Quem é Marina Silva?

  22. elias said

    Anrafel,

    Não esqueça que o PSOL abriga grupos trotskystas.

    E, aí, vale a pena lembrar a letra daquela musiquinha de mil novecentos e Geraldo Vandré:

    “Um trotskysta, já forma uma fração;
    dois trotskystas, uma organização.
    Três trotskystas, uma Internacional;
    se forem quatro, sai um `racha` genial.”

  23. elias said

    Vilarnovo # 21

    Não disse?

  24. vilarnovo said

    Elias – Realmente você falou. Foi o único dos que eu li que previu que a Marina Silva (quem é ela) iria sair do PV logo após a eleição.

  25. vilarnovo said

    Anrafael – O PCO diz que o PSTU é de direita que diz que o PSOL é de direita que diz que o PT é de direita que diz que o PSDB é de direita…

    Como diz um amigo meu: “isso é mais antigo que posição de defecar”.

  26. Anrafel said

    Marina Silva não ficaria mesmo, não seria muito difícil constatar.

    Apesar dos seus méritos na luta ambientalista, fatalmente entraria em conflito com os históricos do PV, aqueles que, fascinados com a experiência dos verdes alemães e de outros países da Europa, fundaram no Brasil um partido que além da defesa dos recursos naturais pregava (e prega) enfoques diferentes na área de sexualidade, drogas, opinião sobre aborto.

    Nesses temas, ela é uma conservadora (nada contra). Sua criação e educação religiosa rejeita muitos itens do programa básico do PV.

    E para completar também achava que ela não iria afinar com a ala que deu um feudo para Zequinha Sarney.

    Batata.

    (O tal José Luiz Penna é o parceiro de Belchior em “Comentários a Respeito de John”. Deve ter cantado para Marina: ‘saia do meu caminho/nós preferimos andar sozinhos…”)

  27. Pax said

    Caro Vilarnovo, em #21 (parte A)

    Eu ainda tenho ilusão que Dilma pode fazer um bom governo. Ela anda no fio da navalha, ao menos vejo assim, entre querer sair do mainstream dessa canalhada toda e não perder todo o apoio político.

    No fundo, no fundo, mais tenho uma enorme torcida que uma profunda admiração.

    E um grande temor.

    Imagine se ela não consigue, por algum problema, ir até o fim do mandato. Quem assume?

    Seria algo como o FHC deixar o governo para o ACM, algo do gênero.

    (parte B)

    Sei não, penso que vocês estão enterrando a possibilidade Marina mais cedo que o defunto tenha esfriado.

    Vinte milhões de votos não são duzentos mil nem muito menos vinte mil.

    Um pouco à além há a certeza absoluta que ninguém aguenta mais o PT da forma que a atual chapa mandante define, nem muito menos um Serra ou Alckmin. E o Aécio mais tropica que se afirma. Nem habilitado o bicho tá mais. Sei lá.

  28. Chesterton said

    Dilma Bobina, mais enrolada que fumo de corda.

    Acho que ela se preocupa mais com a própria biografia que o tio dela, mas o rolo é muito grande. Ela se meteu em briga de cachorro (larápio) grande, como na Mafia, só sai morta. E o capi de tutti capi vai enchendo o cofre.
    Esses esquemas do BNDES foram todos para encher de grana o PT e os petistas (daí o interesse de alguns), numa operação triangular óbvia.

  29. Chesterton said

    Os 40 do mensalão agora são 36. Não faz muita diferença. O maior escândalo nem é mais o mensalão em si.

    Escândalo é o sistema de corrupção mais sofisticado da história da República permanecer seis anos na geladeira, enquanto o partido que o engendrou caminha tranqüilo para completar seus primeiros 12 anos no poder.

    A culpa não é do PT. A culpa é do Brasil.

    E agora o país tem nova chance de decidir se quer continuar sua servidão voluntária ao parasitismo petista.

    Todos os bombeiros do governo estão correndo para tentar apagar o incêndio no Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Não é preciso muita água – basta molhar as mãos do PR.

    O partido-empresa que manda no Ministério dos Transportes não quer muito: só continuar mandando no Ministério dos Transportes.

    Os métodos usados pelo PR na “gestão” das obras viárias (comissão de 4%) levaram à demissão do ministro Alfredo Nascimento. A presidente Dilma tomou então a decisão mais criativa de seu mandato: demitiu o ministro, mas não demitiu o PR.

    A raposa continuará tomando conta do galinheiro, mas Dilma quis escolher o novo despachante do pedaço (vulgo ministro). Aí a raposa se zangou.

    Depois de vetar o nome escolhido pela presidente, o PR ameaça explodir tudo – à la Roberto Jefferson. O senador Blairo Maggi já avisou que todos os aumentos de despesas das obras do Dnit foram aprovados pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

    Tradução: eles não estão brincando.

    Num país em que um partido sentado sobre uma verba pública bilionária veta uma decisão da presidente da República, algo precisa vir à tona.

    Ou não – se os brasileiros quiserem continuar patrocinando as festas particulares dos sócios do governo popular.

    Fiuza

  30. Chesterton said

    Dilma está na bifurcação, ou dá um golpe (de caratê) em Lula ou leva o golpe do Lula e o governo dela acabou.

  31. elias said

    Chester: “…numa operação triangular óbvia.” (Ihhh!!!)

    Elias: Tão óbvia que forma um quadrado (pra português andar em círculo dentro dele…).

    Pax,

    Não se trata de queimar Marina. Ela é que está dispensando esses serviços pirotécnicos e se queimando sozinha.

    Venhamos e convenhamos: tentar capitalizar os 20 milhões de votos de 2010, pra turbinar seu cacife dentro do PV foi…. uma péssima idéia.

    Não deu certo, e ainda encheu o PV de moral, porque deu a ele a possibilidade de passar por quase vítima de uma… digamos… manipulação política (imagine você!).

    Um episódio (o da tentativa de capitalização) que nada acrescenta de bom à biografia de Marina. Ela bem poderia ter passado sem isso.

    No fim, ela acabou tendo que sair do PV, como era óbvio que sairia desde o dia em que entrou, sem poder dizer, como Batista Campos: “…paca é paca, boi é boi / o caso eu conto, como o caso foi.”

  32. elias said

    O Guilherme Fiuza, como sempre, dando ótimos conselhos políticos a quem não precisa, principalmente, dos conselhos políticos do Guilherme Fiuza.

    Os conselhos políticos dele são tão bons, que, nas 3 últimas eleições presidenciais, os candidatos que ele apoiou se saíram muitíssimo bem: todos passaram ao 2º turno (é bem verdade que nenhum se elegeu, mas nada é perfeito, né?).

    Vou parar por aqui. Fazer elogios políticos ao Guilherme Fiuza é como desejar ao dono de uma funerária muita prosperidade nos negócios.

  33. elias said

    “Dilma está na bifurcação…” (Chesterton)

    Exatamente! E, prestando bem atenção, se verá que essa bifurcação tem, pelo menos, quatro caminhos (lembram, um pouco, o quadrilátero triangular da operação do BNDES…).

    Taí outro cara cujo tirocínio político eu admiro…

  34. Pax said

    É, caro Elias, não discordo que a bicha se queimou, sim.

    Só não concordo é que esteja morta e enterrada.

    Vejo como a situação e a oposição de hoje.

    Não é que o povo goste assim do PT, o povo não aguenta mesmo é o PSDB e DEM e tudo que eles lembram. E estes ainda ajudam um bocado a não ter por quem torcer, haja vista a peemedebização do PT.

    No caso da Marina, como disse, não sei no que pode dar. Mas ela realmente precisa acertar os passos que dá. Agora é esperar.

    Notícia importante de hoje, voltando ao PSDB, é que o Gustavo Fruet, talvez o melhor que sobrou por lá, ou dos melhores, acaba de pedir “demissão” do partido.

    Não se sabe para onde vai, mas já tem um monte de namoros à vista. PV, PMDB, PSB, PDT…

    Gosto dele, sim. Acho que foi um tremendo tiro no pé patrocinado pelo Beto Richa.

  35. Pax said

    Aqui a notícia da saída do Fruet do PSDB
    http://200.189.161.92/pt/247/poder/7855/Adeus-PSDB.htm

  36. Chesterton said

    (Ihhh!!!)

    chest- triangular tem menos intermediarios, mas na verdade como é o PT a operação deve ser heptangular (todo mundo quer mamar um pouquinho)

  37. Chesterton said

    “Dilma está na bifurcação…” (Chesterton)

    chest- realmente Dilma está diante de um “trilema”.

    A bifurcação é a seguinte, ou faz o que o Petolulismo manda e compromete sua biografia (que parece querer conservar) ou dá um pé na bunda dos petistas. Lembrem que as origens dela são brisolistas.

  38. Chesterton said

    Quando Elias fica nervosinho é sinal que alguem enveredou pelo caminho certo.

  39. elias said

    “Não é que o povo goste assim do PT, o povo não aguenta mesmo é o PSDB e DEM e tudo que eles lembram. E estes ainda ajudam um bocado a não ter por quem torcer, haja vista a peemedebização do PT.” (Pax)

    Na mosca!

    Chester,
    Huá! Huá! Huá!…

    Continua acertando assim!

    Não fazes idéia do quanto eu gosto quando a direita acerta assim…

  40. Chesterton said

    Claro Elias, você é o “Maquiavél dos Pobres”. (rs)

  41. Chesterton said

    é, Dilma já escolheu o caminho da bifurcação…será que vai querer dar meia volta?

    http://novoleitedepato.blogspot.com/2011/07/o-trem-bala-megalomania-dilmica-sob-o.html

  42. vilarnovo said

    Pax – Não é bem assim. O mesmo povo que elegeu Dilma, elegeu políticos do PSDB nos dois maiores colégios eleitorais do Brasil.

    O PT substituiu o PFL no nordeste adotando as mesmíssimas práticas de coronelismo de antes.

    Quando falo que o Brasil está se aproximando de um estado facista não estou falando de implicância mas por pura análise histórica.

    Os facistas tinham o lema de tudo dentro do Estado. Diferenciavam-se dos socialistas na questão da luta de classes (não acreditavam nela) e do determinismo histórico.

    Eles colocaram as mãos nos sindicatos, e entidades classistas e patronais. Trouxeram a elite italiana, os ricos para dentro do Estado.

    Compare com o Brasil de hoje. Os sindicatos e “movimentos sociais” estão comprados pelo Estado. Não há o menor indício de ingnação contra a corrupção galopante do país hoje. UNE faz um congresso que custa 4 milhões de reais aos cofres públicos.

    Por outro lado o governo dá muito dinheiro a elite através das bondades do BNDES, acordos em obras de ministérios, conxavo e etc…

  43. Pax said

    Caro Vilarnovo,

    Ok, concordo, venceu em SP e em MG, mas e a presidência?

    Já são 12 anos (8 de Lula e 4 de Dilma). No andar da carruagem vão mais 4 de Dilma depois destes primeiros.

    E também não sou tão pessimista assim de achar que estamos num caminho facista, apesar de concordar que a coopção dos sindicatos um problema de bom tamanho.

    Hoje quando penso em Sindicato logo me vem o Paulinho da Força na cabeça, ou seja, um péssimo sinal.

  44. elias said

    “Maquiavél” é muito bom.

    Vilarnovo,

    “O Brasil está se aproximando de um Estado fascista” é uma declaração e tanto…

    Analise a situação do Brasil tomando por base, p.ex., a estrutura de representação política, a liberdade de organização e manifestação política, a liberdade de imprensa, etc.

    Não é pouca coisa! E nada mais distante do Estado fascista.

    O que está havendo é uma certa hegemonia eleitoral de um partido político — o PT — que completará 12 anos no poder, no plano federal. Algo inédito na história do Brasil e bastante raro na maior parte das democracias.

    Como é comum acontecer em casos similares, ao chegar ao poder, o PT se desnaturou. Várias de suas mais importantes lideranças acabaram absorvendo e colocando em prática muitas das velhas práticas DE TODOS OS DEMAIS PARTIDOS BRASILEIROS, contra as quais o PT lutou, quando na oposição.

    E isso é uma questão.

    Mas a longa permanência do PT no poder, no plano federal, E QUE É UMA OUTRA QUESTÃO, se deve, em grande medida, à incapacidade da oposição, de formular e se mobilizar em torno de uma proposta capaz de sensibilizar o eleitorado. E essa incapacidade tem muito a ver com a prevalência de projetos pessoais sobre objetivos políticos maiores.

    No ano passado, p.ex., a candidatura de Serra foi terrivelmente solapada porque a vitória desse candidato poderia ferrar com as pretensões políticas de gente de seu próprio partido. Ou não?

    Se seu time joga mal, e perde o jogo, não é uma boa culpar o time adversário por haver feito gols e, assim, vencido a partida.

    Veja só: há coisa de alguns meses, vários analistas políticos deram enorme ênfase ao fato do PT ter “cooptado” as parcelas de mais baixa renda (só então parecem ter percebido uma tática que estava publicamente em prática há mais de 6 anos!).

    O interessante é que eles se referiram a isso como uma crítica ao PT, como se outros partidos, como o PSDB, estando no poder, não tivessem tentado fazer o mesmo. Aí ficam p… da vida com o PT, porque este conseguiu, e não a própria incapacidade de, tendo tentado, não conseguir fazer igual ou melhor.

    Agora, está em jogo a conquista da tal “nova classe média”. Só que o PT tá jogando sozinho, Vilarnovo. Sabe por que? Porque a oposição já declarou, terminantemente, que a “nova classe média” não existe. Porque acha que reconhecer a existência da “nova classe média” enche ainda mais o já inflado balão do Lula.

    Quando a oposição perder eleições futuras exatamente porque não conseguiu o voto da “nova classe média”, será o chororô de sempre.

    E olha que o FHC vem alertando pra isso há um porradal de tempo…

  45. elias said

    Onde está escrito:

    “Aí ficam p… da vida com o PT, porque este conseguiu, e não a própria incapacidade de, tendo tentado, não conseguir fazer igual ou melhor.”

    Leia-se:

    “Aí ficam p… da vida com o PT, porque este conseguiu, COMO SE ESTE FOSSE O PROBLEMA, e não a própria incapacidade de, tendo tentado, não conseguir fazer igual ou melhor.”

  46. vilarnovo said

    Elias – Não discordo de você. A primeira vez que fiz essa comparação fiz questão de comentar sobre o processo político democrático que afasta o Brasil do fascismo italiano.

    Não me refiro, também, a hegemonias partidárias. Sinceramente não é esse o problema.

    O problema é a destuição sistemática das instituições políticas (o Legislativo no Brasil parou de fazer seu trabalho constitucional) e de Estado (como esquecer dos ataques de Lula ao TCU?).

    Também não estou falando de classe média ou alta, pobres e ricos.

    Estou falando sobre estrutura de poder. A semelhança é a crença do PT que “do Estado tudo provém”. Não sei se vcs viram no O Globo de segunda feira o artigo do correspondente do El País no Brasil. Com o nome sugestivo de “Porque os brasileiros não reagem?” o articulista se pergunta porque com tanta corrupção não há um movimento como o dos espanhóis.

    E porque não temos? Porque os “movimentos sociais” estão cooptados pelo Estado. Suas lideranças são comprados, subornados pelo Estado.
    Como se esquecer da UNE indo as ruas, em pleno auge do Mensalão indo às ruas defender o governo corrupto?

    Não estou aqui atacando o PT ou defendendo o PSDB.

    Estou atacando uma prática, que ao meu ver, está se tornando perigosa.

    Essa “nova classe média” é tão efêmera quanto a primeira crise em países emergentes. E se você estiver acompanhando a mídia especializada, os alertas estão sendo dados. Entretanto não estou de acordo, ainda, com o tamanho da bagaça que estão apresentando.

  47. Pax said

    O Legislativo ficou a reboque e a cabresto do hiper-presidencialismo. Concordo com este ponto.

    Não esqueça, caro Pablo Vilarnovo, do Judiciário, que também está cheio de mazelas, tendo a corrupção como a pior delas.

    O que não entendi é esta tua afirmação que a nova classe média é efêmera. Não acho que seja. Ao contrário, acho que tende a se fortalecer.

  48. vilarnovo said

    Pax – Aí entramos em um setor econômico. A economia brasileira se vale das exportações principalmente de bens primários (agroindústria e matérias primas) para bancar o famoso mercado interno.

    Acontece que o grau de endividamento do brasileiro – que está sustentando o crescimento – está dando sinais de estar chegando ao limite. Muito comparam o o exterior e dizem que a alavancagem aqui ainda é muito menor que lá, o que é verdade.

    O problema é que há uma diferença enorme em se endividar em países onde a taxa de juros é muito baixa ou até mesmo negativa e um pais com a maior taxa de juros do mundo.

    Quando os brasileiros pararem de consumir porque não conseguem mais se endividar o crescimento vai parar. E aí essa nova classe média – que na verdade é um eufemismo para carteira de trabalho assinada, porque em relação de valores, fica difícil concordar que alguém que tenha renda de 2 mil reais pode ser chamado de classe média – se verá em grande apuros.

    Nossa memória é curta PAX. Essa nova classe média não é diferente da classe média dos anos do Milagre Econômico. E com o agravante de que muito do dinheiro vem de projetos assistencialistas.

  49. Chesterton said

    Mais uma vez o estado é grande demais para a economia do Brasil. Gargalos por todo o lado disfarçados pelos altos preços das comodities.
    Moeda forte porque os juro são altos – juros altos porque o governo gasta mais do que arrecada – gasta muito e mal para satisfazer sua clientela (compra de votos)…é um ciclo vicioso, um esquema de pirâmide, uma bolha, chamem como quiserem , mas tem data para acabar. E vai doer.

  50. elias said

    Pablo,

    Com os juros brasileiros, dificilmente se terá uma “bolha” de consumo por alavancagem.

    A bolha se forma quando os juros se tornam artificialmente baixos. E os juros podem ser considerados “artificialmente baixos” quando induzem um nível de consumo maior que a capacidade do aparelho produtivo de atender esse consumo.

    Com demanda maior que a oferta, a inflação não tarda nem falha.

    Mas, pode-se dizer que está acontecendo algo parecido no Brasil? A meu pensar, não.

    Pelo que a própria oposição vem dizendo, aliás, o consumo tem aumentado discretamente demais.

    Quanto aos gastos públicos, me parece que, uma vez mais, está acontecendo um “congelamento” de discurso da oposição. Ela toca, sem parar, o disco da “gastança pública”, esteja ela ocorrendo ou não.

    Me faz lembrar 2003. Lula simplesmente fechou o cofre, sentou em cima e pôs a chave no bolso. Quem estava na administração pública estadual ou municipal (eu estava), na época, há de lembrar: daquela mata não saía coelho, de jeito nenhum! O resultado é que, a partir dali, o governo federal acumulou uma gordura que nunca mais o abandonou. A União passou a operar com folga de caixa.

    Mas o pessoal continuou a falar em “gastança”, “déficit”, “desastre iminente” & quejandos.

    Pelo que estou vendo, tá acontecendo algo parecido, agora. A a Dilma tá garroteando a despesa pública federal. Apertando as torneiras tanto quanto pode. E já está operando com superávit, saindo da sinuca de bico de 2009 e 2010,quando houve uma brutal renúncia fiscal — pra segurar os níveis de produção e emprego, ameaçados pela crise econômica — com manutenção dos gastos públicos, pela mesma razão (mais uma eleição presidencial atravessada no meio do caminho, certo?).

    Mas o discurso oposicionista é o mesmo de 2003, 2004, 2005…

    Outro engano é pensar que os juros são altos porque o governo gasta mais que arrecada. Quem analisar as contas públicas, verá que o governo está gastando MENOS que arrecada. E, no entanto, os juros continuam lá em cima.

    Por que? Porque taxa de juros é instrumento de política monetária. Juros altos seguram o crédito, que nada mais é do que gasto da renda futura (ou seja: gastar agora o dinheiro que ainda não existe, porque ainda não foi ganho). Juros altos seguram a moeda em circulação, reduzem a “renda sem produto”. Juros altos seguram a inflação.

    Países com grande volume de capacidade ociosa no aparelho produtivo, como EUA, Japão, Alemanha, Inglaterra, etc (principalmente agora, nesta época de crise), podem operar com juros quase no chão.

    O Brasil não, porque não tem capacidade ociosa. Se baixar excessivamente o juro, o consumo explode e a inflação volta com tudo.

    Quanto ao gasto público, é só olhar as contas do serviço da dívida, pra se ver se os juros são causa ou conseqüência de um gasto elevado. É algo tão simples quanto se saber que 2 é maior que 1, 3 é maior que 2, e assim por diante.

  51. Olá!

    Interessante o artigo desse jornalista do El País.

    Uma coisa que, talvez, as pessoas não percebam é que o pessoal que saía às ruas para protestar contra o “neoliberalismo” e a corrupção que houve do governo FHC é exatamente a mesma galera que, hoje, está no atual governo — governo esse que, aliás, manteve os mesmos fundamentos econômicos do “neoliberal” FHC e é tão ou mais corrupto do que este.

    Eles não saem mais às ruas pelo fato de, hoje, serem sócios disso tudo e estarem se beneficiado bastante com o dinheiro público.

    Não é bem que esse pessoal considerasse errado aquilo que ocorria de deletério no governo FHC. Não é bem isso. O que os deixava realmente enfurecidos era saber que não eram eles os beneficiados de tudo aquilo.

    Como vocês devem ter percebido, parece que a situação deles mudou e não há mais nenhum deles nas ruas protestando.

    Até!

    Marcelo

  52. iconoclastas said

    “Quanto ao gasto público, é só olhar as contas do serviço da dívida, pra se ver se os juros são causa ou conseqüência de um gasto elevado. É algo tão simples quanto se saber que 2 é maior que 1, 3 é maior que 2, e assim por diante.”

    pela mãe do guarda…

    depois fica aí dando faniquito…

    ;^)))

  53. vilarnovo said

    Elias, em momento nenhum falei sobre bolha. E sim na incapacidade de se endividar mais. Mas sim, a inflação está alta e preocupa de menos o governo do que deveria. E as instituições financeiras estão projetando uma inflação maior ainda. E não é em um ou outro produto como o Mântega quer fazer parecer. Houve um aumento geral nos preços.

    Mas concordo contigo que está longe de ser uma bolha.

    Mas novamente, meu argumento não foi relacionado a bolhas e sim em capacidade de endividamento.

    Abstenho-me de comentar sobre sobra de caixa na União.

  54. Chesterton said

    Redação Mídia@Mais em 14 de julho de 2011 Opinião – Brasil
    Combater a “desigualdade” tem sido um mantra para a esquerda. Mas reduzir a questão a uma mera competição econômica é não compreender como realmente funcionam as coisas no Brasil. É preciso ir além e perceber que poder e privilégio, hoje, estão muito mais relacionados à proximidade com os governos do que com saldos bancários.

    Com base nessa ideia, podemos desenhar uma “pirâmide” da desigualdade brasileira: quanto mais próximo do topo, maiores o poder e o privilégio e menor a contribuição proporcional para a sustentação da máquina pública; quanto mais próximo da base, menores o poder e o privilégio e maior tal contribuição.

    No topo da pirâmide estão a classe política (no exercício de mandatos), a elite da burocracia comissionada (altas funções em gigantescas estatais e conselheiros em poderosos fundos de pensão) e os juízes.

    Os políticos detêm amplamente o poder para definir e impor regras (através de leis e regulamentações diversas), ao mesmo tempo em que dispõem de foro privilegiado para atuar de alguma forma acima ou em paralelo a esse mesmo conjunto de leis e regras inventado para a sociedade. Expressam opiniões livremente, protegidos por imunidades jurídicas. Sustentam ainda, a seu arbítrio, um substancial exército de apoio (assessorias), contando com benefícios restritos e impensáveis para pessoas comuns (auxílios de transporte, moradia, operacional, etc.). Os juízes, por sua vez, usufruem de privilégios semelhantes, com a nítida vantagem da estabilidade e vitaliciedade, além de poderem opinar e determinar, de maneira quase absoluta, sobre temas que de alguma forma deveriam refletir melhor a vontade da sociedade (caso do STF nos episódios do “casamento gay”, “Reserva Raposa do Sol” e “Cesare Battisti”).

    A elite burocrática, por sua vez, embora não conte com as mesmas imunidades reservadas a políticos e juízes, exerce poder visivelmente desproporcional, na medida em que tais agentes (elevados a essa categoria por indicação política, e não mérito) têm poder de decisão sobre quantias astronômicas de dinheiro em verba pública, podendo com isso garantir seu livre trânsito pelos corredores do poder mesmo sem exercer mandato.

    Abaixo destes estão os empresários ligados aos governos (empreendedores particulares financiados por dinheiro público), a elite do funcionalismo público (fiscais e altos cargos concursados nos poderes em geral) e o aparato da cultura oficial (artistas, acadêmicos e “formadores de opinião” ligados aos governos e sustentados por bolsas, incentivos, publicidade oficial e subsídios de diversas naturezas).
    Os empresários ligados ao governo podem usufruir do privilégio de levar adiante seus projetos pessoais e defender interesses particulares financiados pelo dinheiro público (normalmente através de vultosos empréstimos ou concessão de obras e serviços públicos), adquirindo monstruosa vantagem competitiva sobre seus concorrentes sem trânsito junto ao poder público. A resultante direta dessa atuação é a concentração do mercado e a piora das possibilidades de livre concorrência.

    A elite do funcionalismo é privilegiada em relação ao funcionalismo regular por receber salários desproporcionais em relação a estes, além de exercer crescente poder concentrado nas mãos do fisco e das agências regulatórias.

    O aparato da cultura é outro grupo que, embora aparentemente heterogêneo, encontra amplo trânsito junto ao poder, podendo exigir e destinar a si mesmo privilégios impensáveis para as pessoas comuns (como desenvolver uma carreira praticamente vitalícia baseada apenas em “contatos políticos” que garantam a sustentação financeira de projetos artísticos, culturais ou midiáticos, tais como filmes, espetáculos, exposições, publicações, sem jamais ser escrutinado ou julgado pela sociedade). A “contrapartida” oferecida por esse grupo formador de opinião é o suporte comunicacional e vagamente ideológico para o poder estabelecido.

    No meio da pirâmide está o funcionalismo público regular e a militância político-partidária ou não-governamental.

    O funcionalismo público (ingressante através de concursos) conta com privilégios pontuais (embora significativos) em relação às pessoas comuns, tais como aposentadoria, menor comprometimento com desempenho e certa estabilidade no emprego.

    A militância profissionalizada empresta seu poder de mobilização (efetivo ou imaginado) para o poder, em troca de privilégios também pontuais, como programas de apoio governamental ou políticas públicas direcionadas e benéficas a grupos com interesses muito particulares em relação ao restante da sociedade. Tais militantes também encontram privilégio ao participar da máquina pública sem necessidade de disputar seleções e concursos, através de convênios e parcerias entre os governos e as instituições não-governamentais, sindicatos, etc.

    Mais próxima da base da pirâmide está a população em geral. Acima, a parte dependente de alguma forma de programas assistenciais e com alguma capacidade de mobilização (minorias e extratos organizados). Abaixo e sustentando a pirâmide inteira, a parte formada por empresários de todos os setores e variada capacidade econômica não ligados ao governo e os contribuintes restantes (grupo que pode ser vulgarmente denominado por “classes médias”, tipicamente desmobilizadas, profissionais liberais, autônomos, comerciantes, funcionários de empresas privadas de variadas especialidades, etc.).

    Os cidadãos da parte de cima da base obtêm privilégios relativos, que ganham importância na medida em que a contrapartida social é muito limitada. São os milhões de beneficiados com as variadas “bolsas sociais” e programas de “inclusão”, na maioria das vezes não oferecidos ostensivamente, mas reservados a minorias e grupos de pressão popular.

    Os cidadãos da parte de baixo da base da pirâmide são aqueles que sustentam a máquina pública sem obter em troca qualquer proteção real, vantagem ou benefício. Tratados como suspeitos permanentes e contraventores em potencial, obrigados a prestar toda sorte de esclarecimentos e contas a uma infinidade de órgãos públicos; a recolher pesada e desproporcional carga em taxas e tributos diretos ou indiretos; a sustentar os sistemas públicos de saúde, educação e segurança, no geral sem poder usufruir destes serviços mínimos ou básicos; não amparados por programas sociais ou incentivos públicos de qualquer natureza; oprimidos culturalmente e subjugados pelo aparato cultural que impõe um silêncio compulsório a suas eventuais demandas e reivindicações, estigmatizando a base da pirâmide como “privilegiada” (nada mais falso, como se viu acima) e “burguesa”.

    Diminuir e combater a verdadeira “desigualdade” no Brasil passa hoje, necessariamente, por entender e aceitar que o real desequilíbrio de poder, privilégio e direito está diretamente relacionado com o papel do Estado, com o poder dos governos e com as relações – nem sempre legítimas, nem sempre benéficas, nem sempre oportunas – entre grupos sociais e o poder público: confundindo propositalmente o que são interesses particulares e o que são interesses coletivos, transformado o país numa aberração social, em que muitos são iguais, mas poucos – bem poucos – são desiguais em sua capacidade e potencial de influenciar e direcionar o poder da máquina pública (e das leis, e das políticas, e das demandas construídas artificialmente) em seu próprio e exclusivo interesse.

  55. Pax said

    O caro Vilarnovo não falou em bolha, mas o Financial Times sim. Acabo de ler um artigo na Folha que reproduzo abaixo.

    Os negritos no texto são meus.

    Modelo lulista de crescimento pode estar chegando ao limite, diz ‘FT’
    DA BBC BRASIL – da Folha
    http://www1.folha.uol.com.br/bbc/942804-modelo-lulista-de-crescimento-pode-estar-chegando-ao-limite-diz-ft.shtml

    O modelo de crescimento econômico brasileiro estabelecido no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) pode estar chegando ao seu limite, segundo adverte reportagem publicada nesta quarta-feira (13) pelo diário econômico britânico “Financial Times”.

    “Mesmo com o Lulismo sendo enaltecido pela América Latina como uma possível solução para os problemas centenários de desigualdade e crescimento atrofiado no continente, há temores de que ele está chegando ao seu limite no Brasil”, afirma o jornal.

    O “lulismo” é definido pela reportagem como o modelo que combinou a concessão de benefícios sociais, aumentos salariais generosos, fácil acesso ao crédito e a manutenção de uma economia estável. “É um modelo ao qual se atribui a retirada de 33 milhões da pobreza durante seus oito anos de governo”, diz a reportagem.(*1)

    O jornal observa que, assim como a China e a Índia, o Brasil cresceu na última década para se tornar uma importante força global, mas assim como os dois países asiáticos, “também mostra sinais de superaquecimento”.

    A reportagem lista sinais de alerta levantados por analistas, como o risco de uma bolha de crédito (*2), a baixa taxa de investimentos(*3), o fortalecimento do real ou a forte dependência da exportação de commodities a cotações elevadas, mas comenta que há também “vozes mais otimistas que rejeitam tais previsões”.

    SUCESSO INQUESTIONÁVEL

    Para o jornal, “ninguém questiona o sucesso de Lula”, que também contou com a sorte durante seu governo para entregar o país crescendo a 7,5% à sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff.

    A reportagem comenta, porém, que “Lula também entregou a Dilma uma economia fragilizada por desequilíbrios”, como o crescimento acelerado das importações, financiadas pelo fluxo de divisas gerado pela venda de commodities ao exterior a preços inflados(*4).

    Outro problema apontado é o risco de inflação(*5), controlado por meio do aumento das taxas de juros, que por sua vez ajudam a pressionar pela valorização da moeda brasileira, reduzindo a competitividade da indústria nacional.

    O jornal observa que “parte da inflação vem do crescimento rápido do crédito, particularmente empréstimos ao consumidor” e comenta que há análises divergentes sobre o risco do estouro de uma bolha de crédito no Brasil(*6).

    Segundo a reportagem, economistas sugerem que para compensar a perda de ímpeto do crescimento do crédito ao consumidor, o Brasil “deve aumentar os investimentos em infraestrutura e em educação para aliviar os gargalos em logística e aumentar a produtividade”.

    Apesar da previsão de investimentos da ordem de bilhões de dólares em infraestrutura por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o jornal diz que “os progressos até agora têm sido lentos”.

    A reportagem comenta ainda que a melhor maneira de financiar os investimentos é aumentando a eficiência do setor público(*7), que se expandiu durante os dois governos Lula para chegar a um tamanho equivalente ao verificado nas economias avançadas, mas sem o mesmo nível de produtividade.

    A necessidade de reformas no sistema de previdência e nas leis trabalhistas, porém, parecem pouco prováveis, segundo o jornal, por causa das dificuldades políticas em controlar uma coalizão governista com dez partidos.

    “MILAGRE INTACTO”

    Apesar de todos os sinais de alerta, o jornal observa que “o milagre econômico brasileiro parece intacto por ora”.

    “Espera-se um crescimento a respeitáveis 4% neste ano, igualando a média durante os governos de Lula”, comenta o jornal.

    Para a reportagem, com a perspectiva de receber a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil “raramente teve uma chance melhor de se livrar do clichê de ser ‘o país do futuro que será sempre o país do futuro'”.

    “Mas o governo de Dilma terá antes que mostrar como planeja aumentar o investimento e ao mesmo tempo reduzir a dependência da economia dos preços voláteis das commodities e de consumidores sobrecarregados”, diz.

    Meus comentários:

    (*1) – Esta visão do FT não é compartilhada pela oposição. E esta miopia da oposição a enfraquece. Não respeitar o inimigo é um erro crasso mais antigo que os pré-socráticos.

    (*2) – Aqui a bolha que o caro Vilarnovo não falou, dita expliciatamente

    (*3) – Pois é, apesar de tudo, nossos investimentos são tão acanhados que nem aparecem. Concordo com o FT.

    (*4) – Há alguma previsão das commodities baixarem de preço? Não vejo como um risco imediato.

    (*5) – Sim, inflação é um risco real e imediato. E o pior é nosso modelo que fica segurando a rédea do cavalo que quer correr. Eita modelito complicado. Há como sair? Toda vez que tivermos risco de crescimento temos que subir juros à além da estratosfera?

    (*6) – Pois é, ou seja, ninguém sabe ao certo.

    (*7) – Aqui está o grande ponto: eficiência do setor público. A charada é bem fácil, afinal. E onde podemos ganhá-la? Basta ler o blog todos os dias que temos um dos caminhos principal, talvez o caminho mais fácil para a “cura” do país. O problema é que ninguém se mexe, como diz outro estrangeiro, aqui, colocado pelo Augusto Nunes: Por que os brasileiros não reagem?
    http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/feira-livre/por-que-os-brasileiros-nao-reagem/

    A turma do PT que acompanho ficou incomodadíssima com este artigo que o AN postou (que na verdade saiu no O Globo), mas não vejo bem porque reclamar. Há muita verdade neste texto. Quem me dera o povo fosse às ruas contra a corrupção. É um sonho de consumo. Doa a quem doer.

  56. Olá!

    Vocês viram o bolo de casamento do PT-PMDB?

    Se não viram, vejam!

    Hehehehehehe. . . Quem diria, hein? Cadê a Marilena Chauí?

    Até!

    Marcelo

  57. elias said

    Vilarnovo,

    Dizer que a manutenção de um determinado nível de consumo é insustentável, porque esse consumo é movido a crédito e a capacidade de endividamento está atingindo a saturação, a meu pensar, é o mesmo que dizer que há uma “bolha de consumo”, mesmo sem ter usado a expressão.

    Essas profecias de que “o orçamento vai explodir”, “a inflação vai voltar”, “o modelo está esgotado” vêm sendo feitas desde 2003.

    É o mesmo disco, tocado milhares de vezes, todos os dias, todas as semanas, todos os meses, todos os anos… desde 2003.

    Estamos em 2011 e… nada!

    Ora gente, por muito menos, FHC encerrou o 2º mandato com inflação de 26,41% ao ano (medida pelo IGP/DI-FGV). Já o Lula, encerrou o 2º mandato com inflação de 11,3% ao ano (pelo mesmo indicador).

    E FHC ainda teve que pedir emprestado no apagar das luzes, pra fechar as contas.

    E olha que FHC tinha a CPMF, que Lula deixou de ter!

    E olha que FHC tinha “O SOFTWARE”! (lembra dele?).

    E olha que, em 2010, havia uma crise mundial no centro do palco, lembra?

    Mesmo assim, inflação anual de 11,3%, contra 26,41% em 2002.

    Alguma coisa tá dando errado pra essas ciganas matemáticas…

    Icono,

    Conheço os números do Orçamento Fiscal da União e, ao contrário de ti, sei analisá-los tecnicamente.

    Mostra onde eu disse, acima, que a dívida fundada interna da União se destina a captar recursos pro BNDES.

    Quem disse isso foste TU. Eu disse que NÃO é por aí, lembra? Não é por aí, rapaz. Não é pór aí, Icono. Não é por aí. A dívida mobiliária da União tem OUTRA finalidade, rapaz. Não é BNDES.

    Vou repetir: a dívida mobiliária da União tem OUTRA finalidade, rapaz. Não é BNDES.

    Mais uma vez: a dívida mobiliária da União tem OUTRA finalidade, rapaz. Não é BNDES.

    Entendeu, agora?

  58. Chesterton said

    Ora gente, por muito menos, FHC encerrou o 2º mandato com inflação de 26,41% ao ano (medida pelo IGP/DI-FGV). Já o Lula, encerrou o 2º mandato com inflação de 11,3% ao ano (pelo mesmo indicador).

    chest- claro, o PT iria aplicar medidas heterodoxas conforme seu programa, que LULA traiu para o bem de todos.

    Agora, Pax comentando Augusto Nunes? Onde vai parar a esquerda?

  59. elias said

    Pax,

    Se um dia você tiver tempo pra isso, pegue as análises econômicas respaldadas pela oposição e faça uma tabulação. Você verá que:

    1 – Num momento, ela diz que os juros estão altos demais, porque o governo capta grana pra fechar as contas. Em seguida, fala em “bolha de crédito”, “insustentabilidade dos níveis de consumo em virtude da saturação da capacidade de endividamento” (que o Vilarnovo repercutiu aqui, e que é a mesma coisa, dita com outras palavras).

    2 – Num momento, ela diz que os preços das commodities vai explodir, e que o Brasil vai se ferrar, porque o governo não se preparou pra isso (debatemos isso aqui no PoliticAética). Em seguida, diz que é incerta a manutenção do rítmo de crescimento do Brasil, porque é excessivamente dependente dos preços das commodities, que são voláteis (ou seja, acena com uma baixa desses preços).

    Ou seja:

    I – Os juros estão altos demais, porque o governo precisa de grana pra não fechar no vermelho. Ao mesmo tempo, esses juros estão baixos demais, criando uma bolha de crédito insustentável.

    II – Os preços das commodities vão subir, e isso é péssimo pro Brasil. Mas esses preços também podem cair, o que é igualmente péssimo pro nosso país.

    Entendeu, Pax?

    Um cavalo cego, conduzido por um cavaleiro bêbado. Galopa em várias direções ao mesmo tempo e não chega a lugar nenhum…

    Patético!

  60. Pax said

    Ok, caro Elias, podemos, sim, criticar as críticas econômicas da oposição e o que quisermos.

    Mas…

    O que me interessa mesmo é:

    1 – eficiência da máquina governamental
    2 – redução da corrupção
    3 – maiores investimentos públicos (a velha tríade Escola, Hospital, Polícia, acompanhada, como sempre na infra)
    4 – redução das taxas de juros

    etc

    como fazer é que são outros quinhentos.

    Mas o blog (euzinho) só deseja mesmo a redução drástica da corrupção.

    Acho que é um viés à além de bom para que muitas coisas entrem nos eixos.

    Simplório que dá até pena.

    =)

    Caro Chesterton,

    O Augusto Nunes é um cara absolutamente contra governos. Tenho muitas críticas a alguns de seus artigos, mas o cara é jornalista antigo, sabe do riscado. Já teu ídolo…

  61. Chesterton said

    Meu ídolo é ex-trotskista….que coisa, né?

  62. elias said

    Pax,

    Inflação é, realmente, um risco real e imediato?

    Vamos dar uma olhada na evolução do IGP/DI-FGV:

    Dez/2010: 0,38%
    Jan/2011: 0,98%
    Fev: 0,96%
    Mar: 0,61%
    Abr: 0,50%
    Mai: 0,01%
    Jun: – 0,13%

    Então um país que inicia o ano com inflação de 0,98%, daí vai reduzindo, reduzindo, até fechar junho com – 0,13%, está sob risco “real e imediato” de inflação?

    Não entendi! Realmente, não entendi!

    Pra não haver risco “real e imediato” de inflação, o IGP-DI teria que dar quanto, negativo, em junho?

  63. elias said

    E, Pax,

    Pegue as 15 maiores economias do mundo (o Brasil vai estar entre elas, certo?).

    Dessas 15, quantas estão investindo mais que o Brasil, em proporção aos respectivos PIB?

  64. Pax said

    A que custo, caro Elias?

    Quanto pagamos para sustentar essa taxa de juros? Imagine esta dinheirama sobrando…

    Caro Chesterton,

    Seu ídolo não é ex-trotskista, ele é louco de espertalhão. Ex-trotskista era minha bistataravó, aquela safada.

  65. Olá!

    E olha que FHC teve de coordenar, implementar e consolidar uma reforma estrutural mesmo enfrentando um passado recente de hiperinflação, algumas crises mundiais e a retrógrada oposição do PT que não contribuiu em absolutamente nada para que fossem instalados os fundamentos econômicos dos quais, hoje, o governo petista de beneficia.

    A média de inflação dos 8 anos anteriores ao governo Lula foi de 12.49%. Que tal se verificássemos qual foi a média da inflação nos 8 anos anteriores ao governo FHC? Eis os dados (gráfico):

    Inflação dos 8 Anos Anteriores ao Governo FHC (fonte)

    1987 . . . 415.87%
    1988 . . . 1037.53%
    1989 . . . 1782.85%
    1990 . . . 1476.71%
    1991 . . . 480.17%
    1992 . . . 1157.84%
    1993 . . . 2708.39%
    1994 . . . 909.67%

    Média . . . 1246.13%

    Eis agora os dados para os 8 anos anteriores ao governo Lula, isto é, para o governo FHC:

    Inflação dos 8 Anos Anteriores ao Governo Lula

    1995 . . . 14.77%
    1996 . . . 9.33%
    1997 . . . 7.48%
    1998 . . . 1.71%
    1999 . . . 19.99%
    2000 . . . 9.80%
    2001 . . . 10.40%
    2002 . . . 26.41%

    Média . . . 12.49%

    E aí, pessoal, deve ser mais fácil governar em uma realidade econômica que tem 1246.13% de inflação média dos 8 anos anteriores ou em uma que entrega uma inflação de 12.49% para um período de mesma duração?

    Quem dera ao FHC ter recebido uma economia com 12.49% de inflação média dos 8 anos que o precederam. A inflação média que o Lula recebeu do governo FHC é quase 100 vezes menor do que aquela que o FHC recebeu dos 8 anos anteriores ao seu governo.

    Ele pegou uma realidade econômica com inflação média de 1246.13% no período de 1987-1994 e, mesmo assim, coordenou, implementou e consolidou uma reforma estrutural que deu um fim à essa hiperinflação.

    O Lula recebeu uma economia com 12.49% de inflação nos 8 anos que o antecederam e qual foi mesmo a reforma estrutural que o governo dele fez?

    Resposta: Nenhuma.

    Se o governo Lula e os petista investissem para fazer uma reforma estrutural pelo menos 10% do mesmo ímpeto que eles têm para atacar o governo FHC, a imprensa, as instituições do nosso país via Mensalão e coisas tais, o governo Lula teria modernizado consideravelmente a realidade brasileira. No entanto. . .

    Aliás, pediria que os colegas daqui do site refrescassem a minha memória, qual foi mesmo o motivo que levou a inflação de 2002 a patamares de 26.41%? Uma pista.

    Até!

    Marcelo

  66. Olá!

    Observação Aleatória #1

    A esquerda brasileira é estranha.

    Ela hostiliza com todas as suas forças o presidente que coordenou, implementou e consolidou uma reforma estrutural que deu um fim à hiperinflação, mas afaga graciosamente um outro presidente que tem certa responsabilidade por ter aprofundado ainda mais os mecanismos que levaram o Brasil a ter hiperinflação, bem como é o responsável direto pelas mazelas de um dos estados mais pobres do país.

    Até bolo de casamento foi feito para comemorar essa união.

    Até!

    Marcelo

  67. vilarnovo said

    Elias – IGP/DI não.

    Favor. IPCA. Ok? Ok.

    Lembrando que o governo estipulou como meta 4,5% e o IPCA acumulado dos últimos 12 meses já está em 6,71%. O INPC está mais alto ainda.

    Bolha não tem absolutamente nada a ver com grau de endividamento.

  68. iconoclastas said

    “Ora gente, por muito menos, FHC encerrou o 2º mandato com inflação de 26,41% ao ano (medida pelo IGP/DI-FGV). Já o Lula, encerrou o 2º mandato com inflação de 11,3% ao ano (pelo mesmo indicador).

    E FHC ainda teve que pedir emprestado no apagar das luzes, pra fechar as contas.”

    isso daqui a gente deixa para a história:

    http://books.google.com/books?hl=pt-BR&id=ak5fLB24ircC&q=pg+53#v=onepage&q=cardoso&f=false

    “Conheço os números do Orçamento Fiscal da União e, ao contrário de ti, sei analisá-los tecnicamente.

    Mostra onde eu disse, acima, que a dívida fundada interna da União se destina a captar recursos pro BNDES.

    Quem disse isso foste TU. Eu disse que NÃO é por aí, lembra?”

    se eu lembro?

    ooo, e deixo para os dados:

    Tesouro Nacional
    Em 2009 foi celebrado, ao amparo da Lei n.º 11.948/2009, contrato de financiamento entre o BNDES e a
    União, no valor de R$100 bilhões. Em 2010, para dar continuidade ao expressivo crescimento dos
    desembolsos, foram celebrados, ao amparo da Lei n.º 12.249/2010 e da Medida Provisória n.º 505/2010,
    novos contratos de financiamento entre o BNDES e a União, no valor de R$80 bilhões e de R$24,7
    bilhões, respectivamente. Os créditos foram concedidos por meio de emissões pela União de títulos
    públicos em favor do BNDES.
    Moeda
    Vencimento
    médio (anos)
    Em 31 de dezembro
    de 2010
    Em 31 de dezembro
    de 2009
    Em 1º de janeiro de
    2009
    TR + 6% a.a. 16,24 1.407.536 1.486.120 1.559.519
    SELIC 7,02 2.584.528 2.354.519 2.141.457
    IPCA + 6% a.a. 20,21 2.018.574 1.807.360 1.635.723
    IGP-M + 10%a.a. 0,17 2.364.266 2.123.808 2.160.800
    IGP-DI 7,02 1.440.025 1.300.103 1.323.420
    USD + Juros de 4,83 a 6,00% 18,85 10.991.081 12.659.372 17.953.332
    USD + 6,77% a.a. (1) 18,47 14.305.676 14.949.612 –
    USD + 5,98% a.a.(1) 18,47 7.638.799 7.982.641 –
    USD + 0,8% 28,50 2.166.060 – –
    TJLP (1) (2) (3) 36,13 160.009.917 52.959.714 –
    TJLP + 2,5% (1) 28,66 7.368.687 7.196.572 –
    TJLP + 1,0% (1) 18,47 26.367.132 26.117.306 –
    Reais + 11,82% – – – 10.254.497
    Reais 1.642 1.642 1.642
    Juros provisionados 1.159.604 885.678 152.394
    Total 239.823.527 131.824.447 37.182.784
    Corrente 4.116.754 1.812.288 1.351.546
    Não corrente 235.706.773 130.012.159 35.831.238
    (1) Mediante autorização da Lei n.º 11.948/2009, foi concedido crédito ao BNDES, no montante de até R$100 bilhões, por meio da emissão pela União, sob a
    forma de colocação direta, de títulos públicos em favor do BNDES. Em março de 2009, foi celebrado o primeiro contrato de financiamento, no valor de
    R$39.000.000 mil. Em julho de 2009, foram celebrados o segundo e terceiro contratos de financiamento, nos valores de R$8.702.419 mil, R$16.297.581
    mil, respectivamente. Em agosto de 2009, foi celebrado o quarto contrato de financiamento, no valor de R$36.000.000 mil.
    (2) Mediante autorização da Lei n.º 12.249/2010, que alterou a Lei n.º 11.948/2009, o crédito concedido foi ampliado em R$80.000.000 mil. Em abril de
    2010, foi celebrado contrato de financiamento, no valor de R$80.000.000 mil, por meio da emissão pela União, sob a forma de colocação direta, de títulos
    públicos em favor do BNDES.
    (3) Mediante autorização da Medida Provisória nº 505/2010, foi celebrado contrato de financiamento, no valor de R$24.753.535 mil, por meio da emissão
    pela União em setembro, sob a forma de colocação direta, de títulos públicos em favor do BNDES.

    mas vc é sabidão, né?!

    eu estou em uma fase generosa, e disposto a satisfazer até os masoquistas…

    ;^)))

  69. Olá!

    Refiz os cálculos aqui utilizando IPCA que o VIlarnovo citou no comentário dele acima.

    Os valores são relativamente próximos ao do IGP-DI, mas o significado deve ser diferente.

    A média de inflação pelo IPCA dos 8 anos anteriores ao governo Lula foi de 9.24%. Eis os dados:

    Inflação dos 8 Anos Anteriores ao Governo FHC (IPCA) (fonte)

    1987 . . . 363.41%
    1988 . . . 980.21%
    1989 . . . 1972.91%
    1990 . . . 1620.97%
    1991 . . . 472.70%
    1992 . . . 1119.10%
    1993 . . . 2477.15%
    1994 . . . 916.46%

    Média . . . 1240.36%

    Eis agora os dados para os 8 anos anteriores ao governo Lula, isto é, para o governo FHC:

    Inflação dos 8 Anos Anteriores ao Governo Lula (IPCA)

    1995 . . . 22.41%
    1996 . . . 9.56%
    1997 . . . 5.22%
    1998 . . . 1.65%
    1999 . . . 8.94%
    2000 . . . 5.97%
    2001 . . . 7.67%
    2002 . . . 12.53%

    Média . . . 9.24%

    A média da inflação (via IPCA) dos 8 anos anteriores ao governo FHC (1240.36%) é “apenas” 134 vezes maior do que a média que o FHC entregou ao Lula em 2003 (9.24%).

    Deve ser muito fácil governar com uma inflação média de 1240.36% durante os 8 anos anteriores.

    Sobre o ano de 2002 e a alta da inflação que ocorreu, seria interessante analisar o IPCA do ano imediatamente anterior (2001) e compará-lo ao IPCA de 2002. Eis os dados:

    Mês . . . 2001 . . . 2002 . . . . .Diferença

    JAN . . . 0.57% . . . 0.52% . . . -0.05%
    FEV . . . 0.46% . . . 0.36% . . . -0.10%
    MAR . . . 0.38% . . . 0.60% . . . -0.22%
    ABR . . . 0.58% . . . 0.80% . . . .0.22%
    MAI . . . 0.41% . . . 0.21% . . . -0.20%
    JUN . . . 0.52% . . . 0.42% . . . -0.10%
    JUL . . . 1.33% . . . 1.19% . . . -0.14%
    AGO . . . 0.70% . . . 0.65% . . . -0.05%
    SET . . . 0.28% . . . 0.72% . . . .0.44%
    OUT . . . 0.83% . . . 1.31% . . . .0.48%
    NOV . . . 0.71% . . . 3.02% . . . .2.31%
    DEZ . . . 0.65% . . . 2.10% . . . .1.45%

    Média. . .0.62% . . . 0.99% . . . .0.37%

    Observem que de de Janeiro de 2002 até Agosto de 2002, o IPCA vinha em uma clara tendência de baixa em relação ao mesmo período do ano anterior. Porém, de Setembro de 2002 em diante, a inflação via IPCA começa a degringolar. Alguém saberia dizer qual foi o motivo disso?

    Até!

    Marcelo

  70. elias said

    Vilarnovo,

    Se você prefere o IPCA, aí vai:

    Em 2002: 12,53%
    Em 2010: 5,90%

    Dez/2010: 0,63%
    Jan/2011: 0,83%
    Fev: 0,80
    Mar: 0,79
    Abr: 0,77
    Mai: 0,47
    Jun: 0,15

    O que isso muda, no raciocínio apresentei? Nada!

    Usei o IGP-DI, porque é um dos indicadores mais antigos do Brasil, e não é calculado pelo governo (ao contrário do IPCA).

    Marcelo,

    Acho que a polêmica não ficou clara pra ti. Ninguém ignora o que era a inflação antes do Plano Real, a importância do Plano Real, etc, etc, etc, etc, etc, etc.

    Falávamos, aqui:

    I – Das previsões catastrofistas que nunca se realizam.

    Ao longo de todo o mandato do Lula essas previsões se sucederam. Foram 8 anos de mau agouro, diariamente, semanalmente, mensalmente, anualmente…

    E, no fim, Lula acabou encerrando seu 2º mandato com uma inflação que equivalia a, mais ou menos, metade da inflação de FHC, ao encerrar o 2º mandato, seja qual for o indicado usado pra estabelecer a comparação.

    E Lula ainda teve que amargar pela proa uma crise econômica mundial, cujos rastros de sangue ainda estão por aí, certo?

    II – Falávamos, também, da afirmação do Pax, de que o perigo de inflação é real e iminente.

    Estou mostrando que as evidências não demonstram isso. Demonstram o exato oposto.

    Medida pelo IGP-DI ou pelo IPCA, por exemplo, a inflação brasileira DECRESCEU — e de forma bastante acentuada! — nos últimos 6 meses. Em junho, estava bem abaixo da registrada em janeiro. E não foi uma “quicada pra baixo”. Foi um processo contínuo ao longo de vários meses.

  71. vilarnovo said

    Muda no sentido que o governo usa o IPCA para suas próprias metas. A meta do governo é de 4,5% e o IPCA acumulado está em 6,71%.

    Você não achar que isso seja um problema tudo bem. É opinião sua.

    Respondendo suas comparações.

    I – Lula enfrentou uma crise que nem de longe atingiu o sistema financeiro do Brasil porque:

    a) Não possuimos os mecanismos financeiros dos outros países;
    b) Os bancos já haviam sofrido uma reestruturação durante o governo FHC. Algo muito criticado por Lula e quetais;
    c) Se Lula enfrentou uma crise que não atingiu o Brasil pelos motivos citados, FHC enfrentou pelo menos três grandes crises que atingiam diretamente o Brasil (Argentina, Rússia e México). Essas crises em suas características foram incomparavelmente mais ameaçadoras para o Brasil do que a crise imobiliária.

    II – Bom, aula de economia básica. Economics 101.

    a) O tempo mínimo para cálculo de inflação é de 12 meses como a tabela abaixo:

    Índice acumulado nos últimos 12 meses
    (em %)

    jun/11 6,7126
    mai/11 6,5528
    abr/11 6,5104
    mar/116,299
    fev/11 6,0142
    jan/11 5,9932
    dez/10 5,909

    Por esses números sabemos que a inflação saiu de 5,9% em dezembro de 2010 para 6,7% em junho de 2010.

    Se conseguir provar para alguém que a inflação tem caído nos últimos 6 meses de cara consegue um emprego com o Mantega. Ele está doido caçando um mágico assim.

    Porque usamos 12 meses? Lição a seguir:

    b) Sazonalidade.

    Os períodos de alta inflacionária são bem conhecidos. Épocas de entressafra, pagamento de impostos, matrículas escolares, festas comemorativas e etc…
    Os meses de baixa inflacionária geralmente são os de Junho e Agosto. Por exemplo, a inflação de Junho de 2010 foi de 0%, Julho foi de 0,1% e Agosto com 0,4%. Depois voltaram a crescer com as férias e rematrícula e outros gastos. Em setembro de 2010 foi de 0,45%.

    Isso o que vc fez, Elias, é chamado de Cherry Picking. Pegar os dados que são mais condizentes com sua tese e apresenta-los totalmente fora de qualquer processo crítico realista. Ou seja, um sofisma, uma falácia.

    Por isso, da próxima vez que falar de crescimento de inflação, favor, utilizar o acumulado de 12 meses. Ok? Ok.

    Vida que segue.

  72. Olá!

    Elias, muito obrigado pela atualização sobre a discussão corrente.

    Os meus comentários anteriores são apenas para lembrar que FHC e Lula partiram de bases completamente diferentes.

    Até!

    Marcelo

  73. elias said

    Icono # 68,

    Já te disse um monte de vezes: definitivamente, NÃO É A TUA PRAIA! Pede ajuda a um professor teu ou a um profissional do ramo. Sozinho, não dás conta.

    Uma coisa é uma instituição estar AUTORIZADA a fazer um tipo de operação até um determinado volume. A autorização significa que essa instituição, querendo, poderá realizar a tal operação, até o limite autorizado.

    OUTRA COISA, bem diferente, é ela conseguir REALIZAR a operação autorizada. OUTRA, AINDA MAIS DIFERENTE, é ela atingir o limite autorizado (até porque, pra isso, tem que combinar com os russos; será que eles vão comprar, de uma cacetada só, aquela montanha de títulos?).

    Dá uma olhada no balanço do BNDES, e verás que a variação do PATRIMÔNIO TOTAL (eu disse TOTAL, Icono, e não LÍQUIDO), foi R$ 161,4 bi. Só as operações de relações interfinanceiras com recursos livres, responderam por R$ 52,1 bi (vê isso no Ativo NÃO CIRCULANTE, cuja variação, alias, foi R$ 140,7 bi, ou seja, quase toda a variação total).

    E, pra não ficar sem falar nele, agora sim: o PATRIMÔNIO LÍQUIDO (o “PL” ao qual te referiste, em outra lista). A variação total do PL foi R$ 38,3 bi, no consolidado. Acontece que, desse montante, nada menos que R$ 29,2 bi são provenientes de ajustes de avaliação patrimonial de coligadas e controladas.

    Em outras palavras: nem dá pra dizer que o BNDES cresceu com recursos que o Tesouro injetou, subscrevendo e/ou integralizando ações do banco…

  74. elias said

    Vilarnovo,

    Me desculpa, mas TU é que estás mudando o foco da discussão.

    Minha discussão com o Pax é: há ou não o RISCO REAL E IMEDIATO de inflação?

    Mostrei, usando a inflação medida pelo IGP-DI/FGV, que, nos últimos 6 meses, a inflação apenas caiu. Houve um movimento contínuo e consistente de redução da inflação.

    Falaste no IPCA. Listei o IPCA e chamei atenção para o fato de que, também na inflação medida por esse índice, o movimento dos últimos 6 meses foi de redução contínua e consistente.

    Agora vens falando nas METAS governamentais (que não eram objeto de minha discussão com o Pax; as metas são pauta da Veja, sempre que a revista quer “demonstrar” que o governo tá escoando ralo abaixo).

    Ora, Vilarnovo: até as pedras sabem que a meta inflacionária de 2011 NÃO será atingida. Com muita sorte, esse atingimento acontecerá em 2012. E olhe lá…!

    Em janeiro, isso já tava mais do que claro! Só em janeiro, a inflação foi quase 1%, ou seja, praticamente 20% da meta programada pro ano todo. Só por mágica a inflação de 2011 ficaria em menos de 5%.

    Se esse fosse o tema da discussão, nem haveria necessidade de discutir, já que é ocioso debater se acontecerá ou não uma ultrapassagem que já aconteceu.

    Isso é jogo jogado, Vilarnovo!

    Agora: a inflação está em descontrole? Não! Os indicadores demonstram uma tendência ao recrudescimento? Não!

    O Brasil NÃO conseguirá cumprir sua meta inflacionária fixada pra 2011. Também NÃO atingirá sua meta de investimentos. Nem o Brasil nem a maior parte dos 15 maiores economias do planeta.

    Isso é um fato, por demais conhecido pela maioria das pessoas que se interessa pelo assunto.

    Agora, HÁ RISCO REAL E IMEDIATO de recrudescimento inflacionário no Brasil? NÃO!

    Todos os indicadores disponíveis, calculados pelas mais diferentes instituições, demonstram que a inflação final de 2011 será mais vivamente influenciada pelos índices dos primeiros meses do ano. Ou seja, do que ficou pra trás (daí porque foi tão importante a contenção dos gastos públicos no 1º tri, gerando superávit primário).

    Duvido que tu ou qualquer outra pessoa consiga demonstrar o contrário…

  75. elias said

    Marcelo,

    Sem problema.

    Mas, se você observar o 2º MANDATO de FHC e Lula, verá que as bases não eram tão diferentes.

    E, se adicionarmos o CONTEXTO na análise, facilmente concluiremos que o de Lula foi infinitamente pior do que o de FHC. Este não enfrentou nada parecido com a crise econômica mundial que, por sinal, ainda não foi embora (ao contrário do que o Vilarnovo pensa, NÃO EXISTE crise econômica só financeira; tanto que… taí, né?).

    Entre os analistas “creme do creme”, havia mesmo uma expectativa de que Lula ia se ferrar… Daí o fato do prestígio internacional do cara ter aumentado brutalmente em 2009 e 2010.

    Com FHC, operando num contexto infinitamente mais favorável, aconteceu o oposto…

  76. iconoclastas said

    Uma coisa é uma instituição estar AUTORIZADA a fazer um tipo de operação até um determinado volume. A autorização significa que essa instituição, querendo, poderá realizar a tal operação, até o limite autorizado.

    OUTRA COISA, bem diferente, é ela conseguir REALIZAR a operação autorizada. OUTRA, AINDA MAIS DIFERENTE, é ela atingir o limite autorizado (até porque, pra isso, tem que combinar com os russos; será que eles vão comprar, de uma cacetada só, aquela montanha de títulos?).

    Em outras palavras: nem dá pra dizer que o BNDES cresceu com recursos que o Tesouro injetou, subscrevendo e/ou integralizando ações do banco…

    apesar do meu sentimento de vergonha alheia com essa confusão que vc faz para contradizer os fatos, e tentar uma saída menos humilhante para tanta bobagem que escreveu, eu ando solidário, e se embaraço é o que vc quer, eu lhe provejo:

    :
    “Reuters Brasil – 29 de Junho de 2011
    Senado aprova repasse de R$55 bi ao BNDES”

    quer dizer, isso foi além daqueles mais de R$ 200 bi que foram efetivamente repassados (autorizados de charlie é romeu…) ao BNDES, este ano já vão mais R$55bi para atender a demanda do banco.

    talvez não seja mesmo a minha, mas isso é uma incógnita para vc. certeza vc só tem do vexame (espero que seja apenas virtual) que está passando.

    ;^)))

    ps – a do IPCA foi o bichinho da maça…

  77. Olá!

    Elias, vejamos sobre quais bases FHC iniciou o seu segundo mandato. Peguemos novamente o IPCA para os 8 anos anteriores ao segundo mandato de FHC, isto é, para o período de 1990-1997. Eis os dados:

    Inflação no 8 Anos Anteriores ao 2o Mandato de FHC (IPCA)

    1990 . . . 1620.97%
    1991 . . . 472.70%
    1992 . . . 1119.10%
    1993 . . . 2477.15%
    1994 . . . 916.46%
    1995 . . . 22.41%
    1996 . . . 9.56%
    1997 . . . 5.22%

    Média . . . 830.44%

    Foi fundamentalmente dentro dessas bases que o FHC teve de enfrentar as três ou quatro crises que se ocorreram durante o seu segundo mandato. Havia apenas 3 anos que a hiperinflação tinha sido controlada. O registro hiperinflacionário ainda era recente quando FHC enfrentou as crises que ocorreram durante o seu governo.

    Compare isso com a inflação (IPCA) dos 8 anos anteriores à crise imobiliária de 2008. Eis os dados:

    Inflação Para os 8 Anos Anteriores à Crise Imobiliária de 2008 (IPCA)

    2000 . . . 5.97%
    2001 . . . 7.67%
    2002 . . . 12.53%
    2003 . . . 9.30%
    2004 . . . 7.60%
    2005 . . . 5.69%
    2006 . . . 3.14%
    2007 . . . 4.46%

    Média . . . 7.04%

    É bem diferente enfrentar uma crise tendo 7.04% de inflação média no período recente do que ter de enfrentá-la com 830.44%, sendo que o último registro de hiperinflação havia ficado no distante ano de 1994. Sem dizer que o FHC precisou consolidar os fundamentos econômicos do Plano Real ao longo do seu governo e durante essas crises. O Lula sequer teve de fazer algo minimamente parecido, até mesmo pelo fato de que ao longo do governo Lula não houve nenhuma reforma estrutural.

    Pelos dados listados acima, os riscos de explosão hiperinflacionária eram mais prováveis durante o governo FHC do que durante o governo Lula. Isso permitiu que ambos enfrentassem as crises internacionais de maneira completamente diferentes.

    De 1993 até 2000, o FHC precisou coordenar, implementar e consolidar uma reforma estrutural para dar um fim à hiperinflação, bem como lançou os fundamentos sobre os quais a atual economia brasileira se sustenta. O Lula não fez nada parecido e partiu de uma base econômica bem melhor do que aquela que o FHC pegou em 1995.

    Isso aqui é interessante:

    “Com FHC, operando num contexto infinitamente mais favorável, aconteceu o oposto…”

    Se você, Elias, tivesse se esforçado um pouco mais, poderia ter ultrapassado esse tio aqui. Excerto:

    Conclusões: O plano real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. [. . .].

    Claro, claro. . . FHC teve um contexto extremamente favorável para enfrentar as crises mundiais da década de 1990 e o governo poderia continuar imprimindo dinheiro out of thin air que a hiperinflação brasileira, magicamente, iria desaparecer em 1994, tornando o Plano Real um troço completamente desnecessário e que apenas trouxe desgraça e “neoliberalismo” aos brasileiros.

    Até!

    Marcelo

  78. Pax said

    Vamos por partes, dando meu pitaco na discussão de inflação e desenvolvimento, investimento.

    1 – não acho que tenhamos problemas de hiperinflação. Sei que temos problemas de inflação. Controlada? Bem, os indicadores dos últimos meses parecem dizer que sim.

    2 – a que custo? Ao custo da redução significativa do nosso crescimento. Será, com certeza, menor que poderia ser e menor que os outros do BRIC (quer dizer, não sei a Russia como anda).

    3 – toda vez que ensaiamos um crescimento lá vem o governo segurando as rédeas com o único mecanismo que sabe atuar, subindo juros. E vamos comemorar porque senão aumentam impostos ou valorizam artificialmente o real. Não há saída afora termos a maior taxa de juros do mundo?

    Agora dando uma pirueta:

    – acho que Dilma está agindo como pode, economicamente e politicamente. A questão é que se o crescimento for pífio e a inflação subir muito, não há acertos políticos que façam o povo aplaudi-la.

    – politicamente ainda gosto do que vejo, parece lutar contra a herança maldita que vem de longe e que Lula sentou em cima, pra não dizer que piorou, com o pior do fisiologismo. Este caso do Min dos Transportes é um fio do novelo todo. Dilma terá força para continuar brigando – pelo que ME parece – contra esse quadro lastimável? Mesmo com a notícia que Temer já anda lá mexendo seus pauzinhos para agradar o baixo clero que anda nervoso com essa amostra do PR e sua sesmaria do governo?

    – aliás, caros, vocês não lembram, mas este blog faz um tempão que fala desse lance deste ministério, do problema dos portos e do Valdemar da Costa Neto.

    Não sabem como acompanho com certa felicidade estes últimos acontecimentos. Felicidade que pode ter duração pequena, caso Temer consiga impor seu modelito tradicional. Já tem farto noticiário que o nosso vice quer o Pagot de volta ao ministério.

    Enfim, uma mistureba meio corrida, mas paciência… nem sempre sobra tempo.

  79. elias said

    Icono

    Se tu sabes tanto, assim, tens tanta certeza, assim, MOSTRA, NO BALANÇO E/OU NA DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO BNDES, onde foi que entraram essas centenas de bilhões de que tu tanto falas.

    Há SEMANAS que venho te desafiando a fazer isso. E tu não fazes. Só no blá, blá, blá…

    Demonstra, rapaz, o que tu estás falando. Deixa de lero, lero…

    Pede ajuda de alguém. Aproveita, e pede também pra alguém te explicar a diferença entre uma decisão ou disposição legal AUTORIZATIVA e uma decisão ou disposição legal DETERMINATIVA.

    Saco!

    Marcelo,

    Falamos do 2º mandato de FHC e de Lula.

    Quem foi que disse, aqui, que o Plano Real NÃO derrubou a inflação? Que eu lembre, NINGUÉM!

    Mas, se o 1º mandato de FHC foi um sucesso no combate à inflação — e nós sabemos que foi! — então ele entrou no 2º mandato em condições bem melhores.

    FHC também não enfrentou nem a sombra de uma crise como a que está afetando a economia DE TODO O MUNDO, agora.

    Caramba! Vocês só sabem reconhecer o mérito de alguém se isto significar, necessariamente, o demérito de outrem?

    Vocês são assim, no trabalho?

  80. Olá!

    Elias, vamos organizar as coisas por aqui.

    O meu primeiro comentário mais acima sobre como FHC e Lula iniciaram os seus respectivos governos era para mostrar que cada um partiu de uma base muito diferente.

    O FHC precisou coordenar, implementar e consolidar os fundamentos de uma reforma estrutural, bem como lançou as bases sobre as quais a economia do país está montada atualmente.

    O Lula nem de longe precisou fazer algo semelhante. Qual foi a reforma estrutural que o Lula fez? Quais foram os fundamentos econômicos que o governo Lula lançou? Até onde eu sei, não houve nada em ambos os casos. Nesse sentido, ele apenas seguiu o roteiro estabelecido pelo seu antecessor.

    O FHC precisou lidar com três ou quatro crises mundiais dentro de uma realidade econômica nacional onde o passado hiperinflacionário ainda era recente e havia riscos de a hiperinflação retornar. O ano de 1994 registrou uma inflação de 916.46%, sendo que a primeira crise mundial veio em 1997, isto é, três anos antes ainda havia um registro hiperinflacionário e a média inflacionária do período recente de então era extremamente alta.

    O Lula enfrentou a crise de 2008 em uma situação inflacionária bem mais confortável. O registro inflacionário de 2005, três anos antes da crise, foi de apenas 5.69% (161 vezes menor do que o verificado em 1994) e dentro de uma conjuntura econômica mais favorável à economia brasileira, basta lembrar a valorização das commodities durante a década de 2000. Sem contar que o Lula não implementou sequer uma reforma estrutural que fosse e nem mesmo lançou os fundamentos econômicos de seja lá o que for.

    Isso posto, pode-se dizer que a situação de cada um é essencialmente diferente.

    “Caramba! Vocês só sabem reconhecer o mérito de alguém se isto significar, necessariamente, o demérito de outrem?”

    Antes, uma pergunta: Vocês quem, Elias?

    Veja, Elias, eu reconheço, sim, os méritos do governo Lula. O maior mérito dele foi não ter jogado na lata de lixo os fundamentos lançados pelo seu antecessor. Todos sabem que o modelo de economia que o PT e a intelectualidade petista queriam era bem diferente do que isso que aí está (lembra que o pessoal do seu partido vivia afirmando o tempo inteiro que o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal e coisas tais eram “neoliberalismo”?). Houve, sim, melhorias sociais e econômicas ao longo do governo Lula, principalmente em decorrência de o Lula não ter dado trela aos conselheiros econômicos petistas e ter mantido os fundamentos econômicos do governo FHC e expandido os programas sociais.

    Até!

    Marcelo

  81. Elias said

    Marcelo,

    Como sou militante do PT — desde 1981 — acho que sei um pouco sobre as posições econômicas do existentes no partido.

    Plano Real? Sim, logo após a deflagração do plano houve um debate interno no partido. Venceu a posição de Marcadante, que via o plano como mais um, de uma série de muitos que lhe antecederam.

    Mas havia outra corrente, cujo principal argumento era extremamente simples: medidos em moeda forte — US$, p.ex. — os preços brasileiros já vinham parando há um tempão. Observe que, não por acaso, uma das medidas mais importantes do Plano Real foi criar uma espécie de moeda não manual, a URV, ancorada ao dólar americano, e que coexistiu por um tempo com a moeda manual.

    Só que, na disputa interna, esta última corrente perdeu a disputa. Se leres os jornais da época, vais encontrar referência a isso.

    E o que aconteceu? O PT quebrou a cara, em duas eleições sucessivas.

    Daí por diante, o partido mudou seu posicionamento com relação ao Plano Real.

    A mesma coisa ocorreu com a privatização. Depois de bater de frente e quebrar a cara, o partido passou a apresentar propostas alternativas.

    Recentemente, o Pax linkou um trabalho de um analista político, comentando isso, que, de resto, já foi objeto de centenas de análises, no Brasil e no exterior.

    Mas, tudo bem. Vamos supor que nada disso aconteceu e tu é que estás certo.

    Ainda assim, isso não muda o que eu disse. Antes confirma.

    Ficamos assim: teleguiado por FHC e Malan, Lula acabou conseguindo o que FHC e Malan tentaram e não conseguiram.

  82. iconoclastas said

    Se tu sabes tanto, assim, tens tanta certeza, assim, MOSTRA, NO BALANÇO E/OU NA DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO BNDES, onde foi que entraram essas centenas de bilhões de que tu tanto falas.

    Há SEMANAS que venho te desafiando a fazer isso. E tu não fazes. Só no blá, blá, blá…

    Demonstra, rapaz, o que tu estás falando. Deixa de lero, lero…

    não importa o que eu sei, importa o que é e, que além de mentiroso, pois informações do balanço foram coladas aqui de forma recorrente, você é incapaz de entende-las. mas o meu período altruísta ( e quase sabático) ainda está vigente, então em outro formato.

    “BNDES Informe Contábil 2010:
    “O ano de 2010 foi marcado por importantes captações. Foram captados cerca de R$ 105 bilhões do Tesouro Nacional (oi?!, tendo sido destinados R$ 24,8 bilhões à participação do Sistema BNDES em oferta pública de ações da Petrobras, ocorrida em setembro de 2010. No mercado externo, destacam-se as emissões de bonds, no valor de US$ 1 bilhão (R$ 1.744 milhões) e de € 750 milhões (R$ 1.673 milhões).”

    INDICADORES DE BALANÇO Dez/10 Dez/09
    Ativo Total (AT) 549.02 386.633 (Qt cresceu?)
    Patrimônio Líquido (PL) 65.899 27.628

    Movimentação das Fontes de Recursos
    Jan – Dez/10
    FAT Bonds Organismos Tesouro Nacional
    Saldo Inicial 122.497 4.428 12.035 144.213
    Saldo Final 132.263 7.255 12.523 253.058″
    (Qt.entrou?) (Qt.entrou?)

    ….

    BU!

    ;^)))

    pelo menos vc tem o final de semana para despejar toda aquela besteirada rotineira…

    aquele para vcs!

  83. Pax said

    Quando as discussões por aqui chegam perto do que podemos chamar de educadas, o blog vale todo o esforço.

    Aliás, estamos fazendo 3 anos de vida.

    Obrigado a vocês por isto.

  84. iconoclastas said

    ficou um lixo a formatação, então ia tentar de novo, pois pq quem para quem tem preguiça e/ou não sabe ler o balanço, numeros não tabulados é que não vão ajudar, e eu voltei para ajeitar. mas aí, eu lí isso:

    Mas havia outra corrente, cujo principal argumento era extremamente simples: medidos em moeda forte — US$, p.ex. — os preços brasileiros já vinham parando há um tempão. Observe que, não por acaso, uma das medidas mais importantes do Plano Real foi criar uma espécie de moeda não manual, a URV, ancorada ao dólar americano, e que coexistiu por um tempo com a moeda manual.

    na boa bicho, vc conseguiu se livrar de mim, afinal não vai fazer a menor diferença para vc qq tentativa de comunicação, seja zoação, debate ou de qq outro tipo. eu apenas agradeço pela garantia de diverção que vc proporciona. vc acaba de ganhar um fiel seguidor.

    aquele,

    ;^)))

  85. elias said

    Iconoclastas,

    É iço mermo! Eu sou uma diverção pra tu…

    E tu és uma diversão pra mim!

    Comparar “patrimônio total” com “patrimônio líquido” = comparar banana com abacate.

    Vou te dizer, mais uma vez:

    a) Patrimônio Total = Capital Próprio + Capital Alheio

    b) Patrimônio Líquido = Capital Próprio.

    Mais uma vez: FAT é uma sigla que significa FUNDO DE AMPARO AO TRABALHADOR. O dinheiro do FAT pertence ao BNDES tanto quanto o dinheiro de um correntista pertence ao banco no qual esse correntista o deposita.

    E repetindo o que já te disse antes: a captação dos recursos do FAT NÃO GERA despesa financeira para o Tesouro, porque é proveniente de obrigações tributárias (no caso, contribuições ao PIS/PASEP).

    Vincular isso à despesa com serviço da dívida (que era o tema da discussão aqui), é IGNORÃNCIA EM EXCESSO ou MÁ FÉ.

    Arrecadação de contribjuição não gera juro passivo pro Poder Público.

    Emissões de bonds por um banco, mesmo estatal, NÃO SÃO recursos do Tesouro.

  86. elias said

    Pax,

    Perguntaste: qual é o custo do combate à inflação?

    Aí, realmente, fica difícil responder. Não tenho a menor idéia. Mas também pergunto: qual a alternativa? (Não vale dizer: diminuir os impostos e aumentar os investimentos em educação, saúde, saneamento, habitação, segurança, infraestrutura…).

    Além disso, pelo que dizem por aí os que mais sabem, parece que o Brasil vai crescer alguma coisa em torno de 4% em 2011.

    Se der isso mesmo, não será pouca coisa! Principalmente se comparado ao crescimento dos demais países incluídos entre as “15 maiores”.

    Acho que no início do ano que vem irei ao Chile. Será a 3ª vez. A primeira foi em 1969, quando eu ainda era um rapazola, e era presidente do Chile o democrata cristão Eduardo Frei, pai do outro Eduardo Frei que também presidiria o país décadas depois. A segunda foi em 1998.

    Sabe o que ouvi, na 1ª vez? Que, ao contrário dos brasileiros, os chilenos não são “tropicales”. Que eles sabiam administrar a economia bem melhor que os brasileiros, etc, etc. (aí vinha aquele papo da liberdade econômica, da facilidade de se instalar uma empresa no Chile, etc, etc, etc, etc……….). Em 1998, a lesma lerda…

    Será que o Chile é, mesmo, esse chocolate todo?

    Não sei, não mas… tenho a leve impressão de que, de 1969 pra cá, a economia brasileira cresceu mais que a chilena. Aumentou a distância entre ambas, creio (embora a distribuição de riqueza no Chile seja bem melhor que no Brasil).

    Estou recolhendo informações sobre o país e, pelo que vejo, ele continua com os mesmos problemas de 1969. Se o caminho chileno é tão melhor, assim, em tantas décadas… algumas coisas já não deveriam ter melhorado?

  87. elias said

    E, Iconoclastas,

    NÃO MOSTRASTE, onde é que está, no balanço do BNDES, o ingresso dos bilhões de que tu falas.

    Se o dinheiro saiu da União pro banco, esse dinheiro tem que ter entrado no passivo, seja como capital próprio ou como capital alheio. Onde foi?

    E o que significa a União casar grana num banco estatal, pra comprar ações de uma outra empresa estatal?

    Significa subsidiar os juros do banco?

    Acuma?

    É o que dá ler, sem entender o que está lendo…

    Novamente: pede ajuda, rapaz! Sozinho, não dás conta…

  88. Pax said

    Bem, estive lá duas vezes, caro Elias, e confesso que pelo que vi e pelo pouco que me aprofundei, as coisas me parecem mais bem encaminhadas, sim.

    Com certeza eles podem melhorar bastante em Educação e Saúde, principalmente em Educação.

    Mas, mesmo assim, me pareceu melhor que aqui.

    Em Segurança não dá nem para comparar. São disparados melhores.

    Em liberdade econômica idem.

    E fica a pergunta: se eles conseguem quase o mesmo (supondo esta tese) com uma carga tributária que é metade daqui, algo está errado no reino brasileiro.

    E sabemos que há algo errado, muito errado. E este erro é a ineficiência do Estado. Seja da União como nos Estados e Municípios. Além do que roubam, que não é pouco, há uma máquina inchada demais que é cara e o que tem gasta mal.

    A sociedade parou de reclamar. E isto é uma péssima situação.

  89. Pax said

    Talvez uma das medidas para conter a inflação seja mesmo a redução de impostos, taxas e a facilitação para o empreendedorismo.

    Concorrência e canja de galinha nunca fizeram mal, ao que me consta.

    A não ser para empresário guloso e oligopólios.

  90. Olá!

    O Chile é um país que admiro bastante. Até o momento, é o que a América Latina tem de mais próximo do mundo civilizado.

    Eis alguns dados interessantes sobre o Brasil e o Chile.

    Índices de Liberdade Econômica e de Percepção da Corrupção no Brasil

    Ano . . Lib. Econ. . .Corrupção

    1995 . . . 51.4 . . . 5.0
    1996 . . . 48.1 . . . 3.0
    1997 . . . 52.6 . . . 2.7
    1998 . . . 52.3 . . . 3.0
    1999 . . . 61.3 . . . 3.6
    2000 . . . 61.1 . . . 4.0
    2001 . . . 61.9 . . . 4.1
    2002 . . . 61.5 . . . 3.9
    2003 . . . 63.4 . . . 4.0
    2004 . . . 62.0 . . . 4.0
    2005 . . . 61.7 . . . 3.9
    2006 . . . 60.9 . . . 3.9
    2007 . . . 56.2 . . . 3.7
    2008 . . . 56.2 . . . 3.3
    2009 . . . 56.7 . . . 3.5
    2010 . . . 55.6 . . . 3.5
    2011 . . . 56.3 . . . 3.7

    Média. . . 57.6 . . . 3.7

    Índices de Liberdade Econômica e de Percepção da Corrupção no Chile

    Ano . . Lib. Econ. . .Corrupção

    1995 . . . 71.2 . . . 5.0
    1996 . . . 72.6 . . . 5.0
    1997 . . . 75.9 . . . 7.9
    1998 . . . 74.9 . . . 6.8
    1999 . . . 74.1 . . . 6.1
    2000 . . . 74.7 . . . 6.8
    2001 . . . 75.1 . . . 6.9
    2002 . . . 77.8 . . . 7.4
    2003 . . . 76.0 . . . 7.5
    2004 . . . 76.9 . . . 7.5
    2005 . . . 77.8 . . . 7.4
    2006 . . . 78.0 . . . 7.4
    2007 . . . 77.7 . . . 7.3
    2008 . . . 78.6 . . . 7.3
    2009 . . . 78.3 . . . 7.0
    2010 . . . 77.2 . . . 6.9
    2011 . . . 77.4 . . . 6.7

    Média. . . 76.1 . . . 6.8

    Abaixo, alguns dados sobre liberdade econômica, corrupção e burocracia para se abrir uma empresa no Brasil e no Chile.

    Legenda:

    Coluna 1: Ano
    Coluna 2: Índice de Liberdade Econômica (Heritage Foundation)
    Coluna 3: Índice de Percepção da Corrupção (Transp. Internat.)
    Coluna 4: Qtd. de Procedimentos Para Abrir Uma Empresa
    Coluna 5: Qtd. de Dias Para Abrir Uma Empresa
    Coluna 6: % da Renda Per Capita Usada Para Abrir Uma Empresa

    Brasil

    2004 . . . 62.0 . . . 4.0 . . . 17 . . . 152 . . . 13.1
    2005 . . . 61.7 . . . 3.9 . . . 17 . . . 152 . . . 11.7
    2006 . . . 60.9 . . . 3.9 . . . 17 . . . 152 . . . 10.1
    2007 . . . 56.2 . . . 3.7 . . . 17 . . . 152 . . . 9.9
    2008 . . . 56.2 . . . 3.3 . . . 18 . . . 152 . . . 10.4
    2009 . . . 56.7 . . . 3.5 . . . 18 . . . 152 . . . 8.2
    2010 . . . 55.6 . . . 3.5 . . . 16 . . . 120 . . . 6.9
    2011 . . . 56.3 . . . 3.7 . . . 15 . . . 120 . . . 7.3

    Média . . 58.2 . . . 3.7 . . .16.8. . 144 . . . 9.7

    Chile

    2004 . . . 76.9 . . . 7.5 . . . 9 . . . 27 . . . 12.1
    2005 . . . 77.8 . . . 7.4 . . . 9 . . . 27 . . . 10.0
    2006 . . . 78.0 . . . 7.4 . . . 9 . . . 27 . . . 10.3
    2007 . . . 77.7 . . . 7.3 . . . 9 . . . 27 . . . 9.8
    2008 . . . 78.6 . . . 7.3 . . . 9 . . . 27 . . . 8.6
    2009 . . . 78.3 . . . 7.0 . . . 9 . . . 27 . . . 7.5
    2010 . . . 77.2 . . . 6.9 . . . 9 . . . 27 . . . 6.9
    2011 . . . 77.4 . . . 6.7 . . . 8 . . . 22 . . . 6.8

    Média . . 77.7. . . 7.1 . . . 8.8. . 26.3 . . . 9

    O ambiente econômico do Brasil é pouco livre, extremamente corrupto e com uma carga burocrática muito pesada. Para o ano de 2011, são necessários 15 procedimentos para se abrir uma empresa, o que consome 120 dias do empreendedor. Já no Chile, para o mesmo ano, são necessários apenas 8 procedimentos e isso leva apenas 22 dias para ser terminado.

    Para encerrar, dados sobre liberdade econômica, corrupção e liberdades políticas (calculadas pela The Economist Intelligence Unity no seu Democracy Index) para o período de 2006, 2008 e 2010. Eis os dados:

    Legenda:

    Coluna 01: Ano
    Coluna 02: Índice de Liberdade Econômica (Heritage Foundation)
    Coluna 03: Índice de Percepção da Corrupção (Transp. Internat.)
    Coluna 04: Posição no Ranking do Índice de Democracia
    Coluna 05: Pontuação Geral
    Coluna 06: Processo Eleitoral e Pluralismo
    Coluna 07: Funcionamento do Governo
    Coluna 08: Participação Política
    Coluna 09: Cultura Política
    Coluna 10: Liberdades Civis

    Brasil

    2006. . 60.9. . 3.9. . 42. . 7.38. . 9.58. . 7.86. . 4.44. . 5.63. . 9.41
    2008. . 56.2. . 3.3. . 41. . 7.38. . 9.58. . 7.86. . 4.44. . 5.63. . 9.41
    2010. . 55.6. . 3.5. . 47. . 7.12. . 9.58. . 7.50. . 5.00. . 4.38. . 9.12

    Média . 57.5. . 3.5. .43. . 7.20. . 9.58. . 7.74. . 4.62. . 5.21. . .9.31

    Chile

    2006. . 78.0. . 7.4. . 30. . 7.89. . 9.58. . 8.93. . 5.00. . 6.25. . 9.71
    2008. . 78.6. . 7.3. . 32. . 7.89. . 9.58. . 8.93. . 5.00. . 6.25. . 9.71
    2010. . 77.2. . 6.9. . 34. . 7.67. . 9.58. . 8.57. . 3.89. . 6.88. . 9.41

    Média .77.9. . 7.2. . 32. . 7.81. . 9.58. . 8.81. . 4.63. . 6.46. . 9.61

    O Chile se destaca em quatro pontos: Liberdade econômica, pouca corrupção, governo mais funcional e maiores liberdades civis.

    Na média, o Brasil fica atrás do Chile em todos os critérios.

    Até!

    Marcelo

  91. Chesterton said

    Talvez uma das medidas para conter a inflação seja mesmo a redução de impostos, taxas e a facilitação para o empreendedorismo.

    chest- assim não dá, não se faz mais esquerda como antigamente. Pax, a esquerda quer mais impostos, menos empreendedorismo, mais taxas, esqueceu?

    Concorrência e canja de galinha nunca fizeram mal, ao que me consta.

    A não ser para empresário guloso e oligopólios.

    chest- de uma olhada na gula do mLula sobre empresarios gulosos. Essa união do empresariado teta-de-vaca-estatal com o estado não é capitalismo. tem que abrir para empreiteiras internacionais. Até a porra da China tem empresarios-políticos menos gulosos.

  92. Pax said

    Chesterton,

    Não se entusiasme muito com a redução de impostos. Há um limite. Veja, por exemplo, o que aconteceu com os EUA depois dos 2 governos do Bush.

    Agora os caras estão com o pires na mão, o Obama oferecendo redução de projetos sociais e o diabo, tudo que os republicanos queriam e estes fazendo doce.

    O Estado não pode ser totalmente fraco. Basta ser forte e competente. E para ter um estado forte não precisa a carga tributária que temos aqui. De forma alguma.

  93. Chesterton said

    Obama oferecendo redução? Ora, tinha que acabar em primeiro lugar com a estatização da medicina que vai custar trilhões e não vai dar certo.
    A analogia é o Obama pedindo dinheiro para comprar um plano de saude AAA mas o cheque especial está 50 mil negativos e o salario do sujeito -e de 10 mil. Só gerente burro (ou petista-desonesto) iria topar esse contrato de cu-com-pica , contrato cuíca).

    Pax, estado forte é estado pequeno, enxuto e no comando das forças armadas. O resto é estado balofo, obeso, imóvel, ineficiente.
    ————-

    Olha isso:

    Vamos virar índios de novo.
    Preparem seus calções adidas. Comprem penas para os cocares. Do jeito que vai, já com 15% do país transformado em reservas indígenas e a ampliação do poder de chantagem desta gente estranha, daqui a pouco vai faltar luz, estrada e outras benesses da civilização. Não é só o absurso da Reserva Raposa Serra do Sol. Vejam o que está acontecendo em uma pequena usina hidrelétrica (se comparada com Belo Monte) lá no Mato Grosso. Ela está pronta desde janeiro, mas os índios não deixam funcionar, sob as ordens do cacique Amazonino Arara. Ele afirma que havia ” fragmentos da memória” do seu povo no lugar e quer compensações cada vez maiores. Não, não é um monumento, uma biblioteca, algo assim para manter a “memória” da indiada cachaceira e chantagista. Primeiro foram oito camionetes zero munidas com rádios-amadores e oito barcos de alumínio com potentes motores. Agora os silvícolas querem casas para a associação. Para pressionar, entraram na barragem e roubaram os computadores, impedindo o funcionamento da hidrelétrica. Em qualquer lugar do mundo, selvagens viram civilizados. Aqui nós, os civilizados, vamos virar selvagens. Sem estradas, sem energia elétrica, mas preservando a rica “memória” da bugrada safada e vagabunda.
    POSTADO POR O EDITOR Coronel

    chest- é toda verdade, mas ele vai ser politicamente -corretisticamente processado. quer apostar?

  94. Chesterton said

    o que aconteceu com os EUA depois dos 2 governos do Bush.

    chest- Pax, Bush gastou como nunca, que papo é esse?

  95. Pax said

    Gastou sim, caro Chesterton, concordo plenamente.

    E muito “bem”. No Iraque, no Afeganistão por exemplo.

    E reduziu impostos.

    Um cara brilhante.

  96. Chesterton said

    Pax, não adianta aumentar impostos sem aumentar a arrecadação. Taxar os ricos é afungentar os que investem em crescimento econômico. Não existe.
    O déficit americano foi para o espaço porque OBAMA resolveu jogar dinheiro na economia via “chuva”. Não deu certo, só postergou o momento crucial de cortar gastos: mandar funcionario publico para casa. Diminuir o estado-de-bem-estar-social. Diminuir os privilégios(que a esquerda chama de direitos adquiridos) dos que não produzem riqueza, sejam eles quem forem.

    O resultado do Iraque ainda está para ser decidido. Do meu ponto de vista (discutível, e não absoluto) menos danoso para a moral de um povo que programas Fome Zero e “Saúde” para todos, obviamente coisas impossíveis que nem desejáveis são.

  97. Pax said

    Esta caixa de comentários deu mais volta que bolacha em boca de velho. Nada de anormal, afinal.

    Mas volto ao assunto do post no artigo de Renato Janine Ribeiro – que gosto ler – publicado hoje no Valor Econômico e pescado no Clipping do Min do Planej.

    Será que a opção verde amarelou?
    Autor(es): Renato Janine Ribeiro
    Valor Econômico – 18/07/2011

    Não lembro caso de relação custo-benefício tão boa quanto a campanha eleitoral de Marina Silva, em 2010. Dispondo só de um partido pequeno na Câmara de Deputados, o que lhe dava um minuto e meio de televisão, atingiu 20% dos votos para a Presidência. Quer dizer que, tendo um tempo de propaganda baseado em 2,5% dos deputados eleitos em 2006, Marina multiplicou por oito esse investimento, em retorno de votos. Seu output rendeu oito por um… Já os seus adversários, Dilma Rousseff e José Serra, tiveram retorno bem menor, inferior mesmo a um. E Marina chegou a isso, não mercê das máquinas governamentais federal e estaduais, mas pelo entusiasmo e convicção de seus simpatizantes. Isso é irônico, porque o entusiasmo foi por 20 anos a marca de um PT sem dinheiro para fazer campanhas, e o PSDB nasceu com convicção de combater o fisiologismo do PMDB; mas, hoje, ambos apostam no dinheiro e nas alianças com os ex-inimigos.

    Um sucesso, a campanha de Marina. Se tivemos segundo turno, foi porque um quinto dos brasileiros escolheu o verde. Muito se discutiu se Marina deveria ter apoiado um dos finalistas, no segundo turno. Acertou em não apoiar nenhum. Se seu empenho na causa social a levasse a apoiar Dilma, ou seus eleitores de classe média a conduzissem a Serra, ela se tornaria uma linha auxiliar, pessoalmente mais importante que o PCdoB para Dilma ou o DEM e o PPS para Serra – mas, mesmo assim, auxiliar. No entanto, um mês depois da eleição, já não se mencionava sua votação. Ficou, como oposição, a tradicional. Na Câmara, o PV passou de 13 para 14 eleitos, quase nada. Basta lembrar que no pleito de 2006, sem onda Marina, o PV subira de cinco para 13 deputados federais.

    Um grande sucesso mas que deixou tudo como estava

    Será que o verde amarelou? O PV nada fez para manter Marina nos seus quadros – longe disso. Compreendo que, para os veteranos do partido, o fato de uma enorme votação presidencial não se traduzir em assentos no Congresso tenha sido uma decepção. Entendo também que não quisessem dar a uma novata a liderança do partido. Mas o rumo tomado pelo PV é quase um suicídio. Era o único partido do qual podíamos dizer que representava ideias novas.

    Como lembra Claudio Couto, o PSOL pode ser outro partido puro nas suas ideias, mas estas não são novas. Os demais partidos estão comprometidos demais com a defesa de interesses – tanto os dois grandes blocos que se alternam no poder, quanto as agremiações que apoiam ora um, ora outro.

    Ora, se o PV opta pela Realpolitik, tende a se tornar uma pequena linha auxiliar do PSDB, participando de seus governos estaduais. Imaginemos então um PT que ejetasse Lula, ou um PSDB que excluísse seus maiores nomes. Eis o PV, hoje. Será difícil ele crescer. É claro que, se Gabeira se eleger prefeito no Rio, em 2012, com o apoio tucano, e o partido de Kassab levar à prefeitura de São Paulo o verde Eduardo Jorge – dois ex-petistas que hoje têm apoio mais dos liberais que da esquerda – as coisas podem melhorar. São dois nomes bons ou ótimos. Mas, salvo surpresas, o PV está em viés de desprestígio.

    E Marina? Nos nove meses após seu sucesso, perdeu a chance de conservar uma forte presença política. Atuou, sim, na votação do Código Florestal. Mas fez pouco mais que isso. O ideal verde, hoje, é bem mais que a defesa das florestas. Ele é um estilo, altamente ético, de vida. Retoma a preocupação moral que norteou a criação do PT e do PSDB, mas vai além. O PT queria tornar o Brasil ético, entendendo por isso a justiça social. O PSDB pretendia tornar ético o país, significando com isso o fim da corrupção ou pelo menos do fisiologismo. Já a linha verde quer as duas metas e também um desenvolvimento econômico com valor ético planetário. Não será contra o capitalismo, como a maioria do PT já foi, nem quererá o desenvolvimento mesmo a alto custo, como nossos dois grandes partidos, mas defenderá um desenvolvimento capitalista não predatório. Isso precisa ser inventado. Seu ideal é audacioso: o exemplo é o da água que a indústria devolve ao rio, tão limpa como entrou. Quer dizer: que o uso humano dos recursos planetários lhes cause o menor dano possível e, com o avanço da ciência, um dia até os melhore. Estamos a mil léguas do uso de combustíveis fósseis, da predação dos minérios, do aquecimento global. É uma utopia, mas com forte base na ciência – e, o que é raro na história das utopias, nas ciências da vida mais que nas ciências humanas.

    Esse projeto não se choca diretamente com as ideologias. Não divide as pessoas em direita e esquerda, em mundo do trabalho e do capital, em movimentos socialistas e liberais. Por isso, é um movimento simpático. Mas é exigente. Requer uma mudança radical do nosso trato com a natureza e também com o ser humano. Para isso, o que falta? A tradução da linguagem científica, que é um de seus pontos fortes, em convicção moral. Disse Al Gore: nos Estados Unidos as grandes causas políticas só triunfaram ao se converter em causas espirituais – a abolição da escravatura, o fim da segregação racial e, espera-se, a ecologia. Para traduzir a ciência e a política em valor ético, tivemos Gabeira, com influência importante mas socialmente limitada, e Marina Silva, com o impacto que as urnas revelaram. Mas é esse trabalho de conquista das mentes, bem maior que a conquista de uma secretaria, que poderá levar a uma mudança significativa, talvez a maior em nossas vidas. Depende ele de uma liderança pessoal? Como se criará uma nova mentalidade? Quando surgiu o PT, lembro uma amiga que dizia pertencer a um outro PT, o “Partido da Terra”, o planeta. Pois é.

    Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. Escreve às segundas-feiras

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