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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Maluf e família no banco dos réus

Posted by Pax em 30/09/2011

O STF nos brindou com uma boa notícia: aceitou denúncia contra Maluf e sua família pelo suposto desvio de quase um bilhão de dólares dos cofres públicos.

STF abre processo contra Maluf – Estadão via Clipping do Ministério do Planejamento

Maluf vira réu em nova ação penal no Supremo

Deputado, sua mulher, Sylvia, quatro filhos do casal e dois parentes são acusados de desvio de dinheiro da construção da avenida Água Espraiada

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu ontem um processo criminal contra o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), a mulher dele, Sylvia, quatro filhos do casal e mais dois parentes por suspeita de lavagem de dinheiro. O Ministério Público Federal sustentou que a família se envolveu num esquema de lavagem de recursos desviados de obras públicas da época em que Maluf administrou a capital paulista.

Com a decisão, Paulo Maluf e seus parentes passarão da condição de investigados para a de réus. O ex-prefeito e a mulher ficaram livres da acusação de formação de quadrilha porque, segundo os ministros, em razão da idade deles já ocorreu a prescrição. Mas os outros também responderão por formação de quadrilha.

Relator do processo, Ricardo Lewandowski destacou os valores “astronômicos” dos supostos desvios. Ele citou que o prejuízo ao erário foi de cerca de US$ 1 bilhão. Também disse que há informações de que a família Maluf teria movimentado no exterior cerca de US$ 900 milhões.

O ministro destacou que o total de recursos consumidos com a obra da Avenida Água Espraiada foi de R$ 800 milhões. Mas que as suspeitas são de que cerca de US$ 1 bilhão teria sido lavado. Além dos valores altíssimos, o ministro mostrou ter ficado surpreso com o fato de o caso envolver mais de uma dezena de empresas offshore.

De acordo com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a maioria dos recursos foi desviada da construção da avenida, que consumiu a quantia “absurda” de R$ 796 milhões. Na época das obras, Maluf era prefeito de São Paulo.

“O que está provado nos autos, fartamente, é que integrantes da família Maluf uniram-se em torno do objetivo comum de ocultar e dissimular a origem de valores provenientes de crimes contra a Administração Pública praticados por Paulo Maluf enquanto exerceu o mandato de prefeito de São Paulo”, disse o procurador.

O procurador afirmou que a investigação não foi feita diretamente pelo Ministério Público Federal. “As provas foram obtidas em inquérito policial e por intermédio de cooperação internacional”, disse.

Dificuldade. O destaque da sessão foi o advogado José Roberto Leal de Carvalho, que defende Maluf. “É muito difícil defender Paulo Maluf. Paulo Maluf carrega um carisma de ódio, desde a Copa de 1970 (quando ele presenteou jogadores com automóveis Fusca). Começa o calvário dele lá”, disse. Também criticou o fato de o Ministério Público Federal ter denunciado por formação de quadrilha oito integrantes da família Maluf. “A quadrilha só vai acabar quando matarem todos e restarem três”, disse. (continua no Estadão via Clipping do Ministério do Planejamento…)

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71 Respostas to “Maluf e família no banco dos réus”

  1. Patriarca da Paciência said

    Eu estou acreditando numa saída criativa para o impasse das normas processuais.

    O Maluf está apelando para a famosa “falha técnica”, ou seja, pode até ser culpado, mas a acusação cometeu falhas técnicas que invalidam o processo.

    A acusação pricisa se antecipar e preparar blindagens para as famosas “falhas técnicas”.

  2. Jose Mario HRP! said

    Será que algum dia aquele dinheiro preso numa ilhazinha costeira da Inglaterra volta para nós?

  3. Zbigniew said

    O Maluf é um fenômeno, não podemos negar. Um cara que fez o que fez e ainda está por aí, a reclamar, inclusive, da corrupção do país… sinceramente.

    Bem off topic, mas sintomático dos novos tempos que vivemos. De um ex-tucano, arrependido pelas lambanças do pessoal neoliberal, que abraçou a doutrina do mercado e que hoje espalham desemprego pelo mundo, lógico, com seus própriso cofres cheios de dinheiro dos governos otários:

    “Luiz Carlos Bresser-Pereira
    Folha de S.Paulo, 26.09.11

    O Brasil está voltando a se
    comportar como nação
    independente ao perceber o
    equívoco do neoliberalismo

    Desde 1991 a política econômica do Brasil se pautava pelo ortodoxia convencional
    ou o consenso de Washington. A partir, porém, de 2006, já com Guido Mantega no
    Ministério da Fazenda e Luciano Coutinho no BNDES, o governo Lula começou a
    mudar a estratégia de desenvolvimento em direção ao novo desenvolvimentismo.
    Em 2009 um passo decisivo nesse sentido foi dado com o início do controle da
    entrada de capitais. Agora, no nono mês do governo Dilma Rousseff, a decisão do
    Banco Central de baixar a taxa de juros, surpreendendo o mercado financeiro, e a
    decisão do governo de taxar a importação de automóveis com menos de 35% de
    conteúdo nacional consolidam essa mudança.
    O aprofundamento da crise mundial tendo a Europa como epicentro e o
    desaquecimento da economia brasileira confirmam a boa qualidade da decisão.
    O novo desenvolvimentismo não é uma panaceia, mas está ancorado teoricamente
    em uma macroeconomia estruturalista do desenvolvimento, tem como critério o
    interesse nacional, e sabe que este só pode ser atendido por governantes que em vez
    de aplicarem fórmulas prontas avaliam cada problema e cada política com
    competência. Adotado com firmeza e prudência, o Brasil crescerá a taxas mais
    elevadas, com maior estabilidade financeira, e com a inflação sob controle.
    Enquanto o tripé ortodoxo é “taxa de juros elevada, taxa de câmbio sobreapreciada,
    e Estado mínimo”, o tripé novo-desenvolvimentista é “taxa de juros baixa, taxa de
    câmbio de equilíbrio, que torna competitivas as empresas industriais que usam
    tecnologia moderna, e papel estratégico para o Estado”.
    Enquanto para a ortodoxia convencional os mercados financeiros são
    autorregulados, para o novo desenvolvimentismo apenas mercados regulados podem
    garantir estabilidade e crescimento.
    Novo desenvolvimentismo e ortodoxia convencional defendem a responsabilidade
    fiscal, mas o mesmo não pode ser dito em relação à responsabilidade cambial.
    Enquanto o novo desenvolvimentismo rejeita os deficits em conta corrente, a
    ortodoxia convencional os promove, e, assim, se comporta de maneira populista
    (populismo cambial).
    Argumenta que a “poupança externa” aumentaria o investimento do país, mas, as
    entradas de capitais para financiar esses deficits aumentam mais o consumo do que o
    investimento, endividam o país, o tornam dependente do credores e de seus
    “conselhos”, e resultam em crise de balanço de pagamentos.
    O Brasil, ao retornar ao novo desenvolvimentismo, está voltando a se comportar
    como uma nação independente. Havia deixado de agir assim em 1991, porque vivia
    profunda crise, e porque a hegemonia neoliberal americana sobre todo o mundo era,
    então, quase irresistível.
    Mas desde meados da década passada a sociedade brasileira começou a perceber que
    o projeto neoliberal era um grande equívoco, e que havia uma alternativa para ele.
    Como a crise financeira global de 2008 demonstrou de maneira cabal, as políticas
    econômicas neoliberais não eram boas nem mesmo para os países ricos.
    Dessa maneira, a hegemonia neoliberal entrou em colapso, e as forças
    desenvolvimentistas -os empresários industriais, os trabalhadores e uma parcela da
    classe profissional- fortaleceram-se, o que abriu espaço para que o governo Dilma
    aprofundasse seus compromissos para com elas. Um novo e amplo pacto político
    está se formando no Brasil. Vamos esperar que leve o Brasil mais depressa para o
    desenvolvimento.”

  4. Olá!

    Zbigniew,

    “O Maluf é um fenômeno, não podemos negar. Um cara que fez o que fez e ainda está por aí, a reclamar, inclusive, da corrupção do país… sinceramente.”

    A mesma corrupção que há no Maluf, você pode encontrar na mesma escala (ou mesmo em escalas superiores) em boa parte das lideranças petistas. Basta ver como essas lideranças se comportam perante os casos que envolvem as suas próprias corrupções.

    Até!

    Marcelo

  5. Pax said

    A voz do povo…

  6. Zbigniew said

    Ok, Marcelo. So restou esta bandeira pra vcs. Nao q nao reconheca q ha corrupcao por parte de integrantes do PT, mas tua abordagem e unicamente politica. A partidarizacao do combate a corrupcao e uma falacia porque nao contempla o sistema como um todo. O Pax, a pouco, trouxe a lume a questao do Judiciario, o CNJ e as corregedorias. Uma ramificacao importante do sistema viciado. Ta faltando uma abordagem seria sobre os corruptores na imprensa. Ha pouco, tambem, a Carta Capital trouxe uma reportagem sobre a corrupcao por parte de oficiais de alta patente do Exercito (a Folha ja havia feito uma reportagem sobre o tema). E e assim: tem pra todo gosto, inclusive envolvendo tucanos, democratas, etc. Repito: a sociedade tem q ser vigilante, independentemente de partidos ou pessoas.

  7. mona said

    Mais uma vez, os esquerdista adotam a tese de que a responsabilidade é sempre dos outros. A moda agora é dizer que a culpa da corrupção é dos corruptores. Ora, corrupto é corrupto e pronto. É alguém que subverte ou desvia a ordem, o rito, o processo legalmente estabelecido para se dar bem, levar o seu, independentemente de qual ponta esteja (ativa ou passiva). Não há sentido em falar em corruptores – como sendo o principal responsável pela corrupção – se sua ação não se completa sem a feliz participação do corrompido, esse “coitado”. Percebem o vício do esquerdista? “EU” (o corrompido) só fiz o que fiz, porque o OUTRO (o corruptor) ME tentou. A CULPA, então, é desse outro (o corruptor) por eu ter errado.Nunca a culpa é MINHA e de minha falha de CARÁTER.
    Essa mesma sistemática é utilizada para justificar a bandalheira do mensalão e da roubalheira generalizada: é o sistema (corruptor) que ME obriga a agir assim. NUNCA é uma falha minha, um desvio de conduta meu. A culpa sempre recái sobre um terceiro.
    Que coisa mais doentia e infatilóide, não? Não à toda são esquerdistas, gente para quem a assunção de responsabilidades – principelmente MORAL – é uma heresia…

  8. Zbigniew said

    Mona, querida. Vocês estão constantemente sofrendo de “brainstorm” às avessas. Misturam tudo. Corruptos e corruptores fazem parte de um mesmo sistema. Um não existe sem o outro, entendeu ou tem que desenhar?
    Aliás, cabe aqui uma pequena digressão quanto à filosofia dos neoliberais tupiniquins (na realidade não é destes, mas copiada colonizadamente dos de fora). Senão vejamos:

    A crise é dos governos que não se ajustaram suficientemente de acordo com os ditames do Consenso. O capital é viril, danem-se os governos (otários)! Cortem salários, cortem postos de trabalho, deixem a cambada se virar, o que importar é pagar as dívidas a qualquer preço, afinal o sistema é muito grande para falir. Há! E muitos são grandes demais para serem presos!

    Ações afirmativas? Cotas sociais? Cotas para negros? “Privilégios” que não condizem com uma sociedade em que há “oportunidades iguais para todos”. O mundo que o diga!

    Aliás, a visão de mundo desses caras pode ser resumida na frase “primeiro eu”. Não lhes importa a desigualdade social desde que estejam bem. O pobre é, antes de tudo, um incompetente.

    Se um cara ganha bilhões sentado atrás de um computador só especulando, sem gerar um pingo de riqueza real, é um fenômeno, o exemplo máximo do “homo aeconomicus”, o “homo financeirus”, o topo da escala evolutiva do capital, turbinado pelo paroxismo heykiano referente à ambição. This is the guys!

    E por fim, pegando o gancho com a Mona: Corruptor só serve para justificar os corruptos e para comprovar o desvio de caráter dos petralhas (fixação onanística dos discípulos do tio rei). Na verdade o corruptor tem um quê do cara que ganhou bilhões atrás do computador especulando com títulos podres. Esperto e, cá pra nós, bem sucedido, porque tem uns babacas que se deixam pegar.

    Digamos que os neoliberais acreditam que o mundo é dos mais espertos. E só!

  9. mona said

    Só para provocar: de fato, o pobre de hoje é produto da incompetência de seus pais… cada geração tem o dever de deixar um legado positivo para a seguinte. O que a geração de hoje vai fazer com esse legado depende exclusivamente dela. Traga essa noção para um ser individual (e o que cada um de nós faz é trabalhar para proporcionar aos filhos a possibilidade de ele vencer na vida) e nós veremos a continuidade da riqueza ou a perpetuidade da pobreza.

  10. Zbigniew said

    Pobreza é um fenômeno social e temporal (anos e anos de história da humanidade). Um fenômeno que não tem apenas uma vertente. É algo um pouco mais complexo. Essa tua análise é bem típica da idéia do sucesso meritocrático liberal que se hasteia num modelo social de privilégio ao trabalho, a abertura intelectual e a paixão pela descoberta.
    Tudo isto é muito bom, principalmente numa sociedade que ofereça possibilidades de trabalho (emprego), educação (desenvolvimento intelectual) e livre iniciativa (paixão pela descoberta). E este é o grande desafio das nações. Porque a partir desses fundamentos é possível gerar riqueza. Se suficiente ou não é outra história.
    Resumir a pobreza à incompetência ou inapetência de algumas pessoas é simplificar por demais a problemática, embora existam pessoas incompetentes e inapetentes para o trabalho. Mas é um equívoco atribuir esses qualificativos a todos os pobres ou ao motivo da pobreza das ou nas nações.
    Importante frisar que a pobreza que hoje toma corpo nos EUA e na Europa certamente tem uma conotação econômica crucial.
    Está baseada no incremento do desemprego e no desmoronamento dos fundamentos econômicos de muitas nações, como a Islândia, Grécia, Portugal, Espanha e Itália.
    E como se chegou a isto? Pela idéia comentada acima de que os mais espertos têm todo o direito de se dar bem no mundo. Sem regulação e sem amarras. Porque o capital deve ser livre para ir onde quiser e fazer o que quiser. E muitos encamparam esta idéia simplesmente porque acreditavam que daria certo (vide a adoção do ideário pelo PSDB e pelo próprio FHC na sua teoria da dependência). E não deu!
    Essa pobreza de modo algum está na conta dos pais ou da ação individual de algum preguiçoso esquerdista terceiro mundista.

  11. Olá!

    Zbigniew, não é bem o caso de partidarizar a corrupção. A corrupção no Brasil existe e se expressa nas mais diversas esferas da vida do cidadão e está enraizada em todos os partidos políticos. Isso deve ser combatido por todos.

    “Ok, Marcelo. So restou esta bandeira pra vcs. [. . .]”

    Qual bandeira, Zbigniew? O combate à corrupção? Se for esta a bandeira, ela pertence a todos os cidadãos.

    Existem outras bandeiras que um cidadão pode defender. Por exemplo, a redução da carga tributária; a redução dos obstáculos burocráticos para que um empreendedor abra a sua empresa; reformas estruturais diversas (nenhuma foi feita ao longo do governo petista); o voto distrital; e etc. São coisas que iriam melhorar bastante o Brasil e que reduziriam consideravelmente a corrupção, além de tornarem mais robustas as nossas instituições.

    Até!

    Marcelo

  12. mona said

    Taí, Zig. Gostei do seu comentário… não desdiz o fato de o legado deixado pelas gerações anteriores influenciarem o nível de riqueza da atual e coloca no tema a complexidade que lhe é própria. Muito ao contrário do samba-de-nota-só-atual das esquerdas brasileiras: a corrupção do PIG e dos corruptores, esse dicurso-cortina-de-fumaça mal-engembrado.
    Agora, vc diz que o modelo da não-regulação não deu certo. Concordo, porque em tudo por tudo no mundo e no universo há limites. Mas, não vejo a crise atual como ausência de regulação… um ou outro assunto, no mercado financeiro por exemplo, tem uma regulação mais frouxa, onde coloco os derivativos como exemplo – e foi justamente nessa brecha que a crise dos subprimes ocorreu.
    Mas, desde a década de 90, em pleno vigor do neoliberalismo, Basiléia lançou os 25 princípios de uma supervisão bancária eficaz, o que deu início à maior exigência de capital por parte das instituições financeiras, para suportar os riscos a que ela incorre. É certo que alguns países adotaram como índice de Basiléia 8%, enquanto o Brasil adotou 11%. Aqui, os derivativos são taxados com mais de 100% de risco, para o cálculo de Basiléia, e em outros países existe taxação semelhante. O modelo dito neoliberal falhou? Como, se tudo o que foi conseguido aqui no Brasil derivou justamente do emprego dessa cartilha: ajuste fiscal, meta inflacionária, liberdade cambial? Isso que vc diz, pelo aplicado ao Brasil, significa cuspir no prato que comeu… Cuidado: se não fosse pelo ambiente neo-liberal deixado pelo demônio FHC, o deus Lula não teria se tornado o que se tornou…

  13. Edu said

    Pegando carona em todos os comentários e emitindo o meu:

    1- Corrupção é questão de caráter, e é apolítico. Todos deveríamos estar atentos e todos deveríamos cobrar ação dos Ministérios Públicos e da imprensa para evidenciar estes episódios, mostrando que o poder de polícia e a justiça nesse país ainda funcionam.

    Aliás, a justiça no Brasil, hoje é o maior problema, porque a lei por aqui às vezes é tão específica e às vezes tão mal pensada que, em maior ou menor grau, nos torna todos corruptos e/ou criminosos: paramos em local proibido porque o CET simplesmente acabou com as vagas nas ruas; fazemos “gato” na TV a cabo; compramos na Santa Ifigênia, compramos na 25 de março, compramos na Daslu (que também sonegou); quando há trânsito, usamos o acostamento; quando há filas em baladas; damos aquele jeitinho. A corrupção faz parte da cultura brasileira, é a lei de gerson elevada ao extremo. A lei aqui nesse país funciona, e bem mal, nos estados do sul e sudeste. Em outro post o Pax falava sobre os coronelatos, bem, todos os estados onde existem esses coronelatos são estados em que a lei que impera é a lei do coronel. Repito: justiça nesses país é o que há de mais precário. Sem uma justiça eficiente, tudo o que se discute no congresso pode ser jogado fora: basta ter dinheiro e/ou influência. Emendando com o próximo número, justiça é a base, hoje não temos nem a justiça, como é que podemos querer ultrapassar a justiça para fazer justiça social?

    2 – A base para a eliminação da pobreza é sim a existência de oportunidades iguais, que é muito diferente de assistencialismo. Só que o assistencialismo tem limites: gera déficit fiscal e problemas a longo prazo. A Europa está em apuros por conta do assistencialismo e do décifit fiscal. Não tem discussão. Se as contas não fecham, uma hora a cobrança vem, e essa hora chegou.

    A equação econômica do FHC era diferente da equação econômica do Lula. No mandato de FHC o Brasil precisava mostrar que era capaz de cumprir suas obrigações finaceiras (responsabilidade fiscal) para atrair investimentos externos e ajudar o desenvolvimento da indústria nacional e o controle inflacionário, porém o mérito econômico do FHC apenas foi capaz de construir as bases para mudanças sociais. No mandato de Lula o Brasil se aproveitou dessa base estável para fomentar incentivar a produção: aumentou o crédito e fez o PAC que deveria proporcionar a infra-estrutura necessária para esse “salto” produtivo da indústria nacional. Paralelo a isso havia folga financeira para que o Brasil fosse mais assistencialista, e foi!

    Hoje estamos vendo as conseqüências do assistencialismo na Europa e o Brasil, sem o “salto” produtivo trilha o mesmo caminho: não conclui as obras do PAC, que seriam importantes para fechar o ciclo e permitir que o assistencialismo fosse trocado por produtividade real; e já estamos com problemas de crédito, ou seja, volta a ameaça inflacionária.

    3 – Assumindo que o governo seja bem intecionado, eu digo que no mínimo, o governo está totalmente sem rumo: a agenda econômica está em “stand-by”, já que as obras não são concluídas, o crescimento do PIB está visivelmente ameaçado e a despeito dos investimentos feitos na gestão anterior, atribui-se a culpa à crise mundial, há uma perspectiva de aumento da carga tributária; há escândalos de corrupção que já existiam no governo passado e estão aparecendo agora; a política externa aparentemente está mais concentrada em dar lições de moral no resto do mundo do que negociar o comercio de produtos, aliás, sendo protecionista; a agenda social também está estranha, com bancários entrando em greve, greve dos correios, etc.

    O caminho é longo mesmo… e no andar da carruagem (já que agora não temos carroças, mas o aumento do IPI nos garante pelo menos que continuemos com nossas carruagens a um custo “social” menor). Não veremos os resultados.

  14. Zbigniew said

    Mas não deu, Mona. Esses mecanismos de regulação não foram suficientes para barrar a marcha da insensatez dos ditos espertos. E por que isto ocorreu?

    Aí o negócio vai além da equação utilizada para cobrir o risco do crédito. Primeiro porque os EUA não se submeteram a esse mecanismo (lá os Bush desregularam tudo), e depois, os mercados são globalizados. Aí a merda que foi gerada em Wall Street espalhou na Europa (primeiro a Nasdaq, depois o Lehman, a AIG, o Barclays e por aí vai), e vai se espalhar pelo resto do mundo.

    A Europa corre o risco de se tornar um novo Japão em termos de crescimento, só que com a complexidade de várias nações envolvidas numa só comunidade, cada uma com sua própria especificidade. Além da história de conflitos bem típica do teatro europeu, incrementada agora pelos imigrantes africanos, a xenofobia, a pobreza e o preconceito religioso.

    Os EUA estão na dele, com o PIB que têm e os diversos clusters globalizados, não fica difícil fazer a economia se movimentar. Mas já não terão a facilidade de antes: desemprego e a mistura explosiva de fanatismo político-religioso podem (e já estão) atrapalhar medidas que para eles seriam por demais socialistas para serem adotadas. E os ricos cada vez mais ricos.

    O problema aqui, no Brasil, não foi a regulação adotada. Taí uma coisa boa do governo FHC. Foi feito a Lei de Responsabilidade Fiscal: exigência do capital e do mercado para que houvesse um mínimo de segurança para as aplicações. Lógico que isto foi bom para o país. E o PSDB tinha todo o direito de adotar as medidas que achasse necessárias para o bem do Brasil. Mas o problema é a ideologia que está por trás destas medidas. Digo isto porque dois aspectos foram cruciais para a insucesso do governo tucano na seara econômico-social. A ausência de medidas anti-cíclicas nos momentos de crise internacional e a timidez na adoção das políticas assistenciais. Sem essas providências os ganhos incontestáveis com o controle da inflação e a estabilização monetária não puderam ser estendidos efetivamente para toda a sociedade, uma vez que a concentração de renda e riqueza no país eram problemas crônicos que deveriam ter sido enfrentados de forma rigorosa para que se estimulasse a mobilidade social. Isto só foi ser feito anos depois, como nós sabemos.

    Esses foram os pontos-chaves que, tenho certeza, um partido verdaderiamente social-democrata teria incrementado. E foi o que o PT fez, aproveitando o vácuo deixado pela tibieza e obediência quase cega do governo FHC aos ditames do mercado e às exigências dos financistas, reverberada diuturnamente pelos principais meios de comunicação do país.

    Pode-se dizer que o governo FHC pegou o neoliberalismo no seu auge na década de 90. Mas isto só valeria de desculpa se as medidas corretas tivessem sido pelo menos tentadas. E não foram. Aí surgiu o Lula…

  15. Yellow_SUBmarine said

    Desculpem… Mas esse debate de quem está com a razão não tem fim.

    Ao menos concordamos (eu acho) que ladrão deve ser preso, deve cumprir pena não ociosa e deve ser re-socializado.

    Agora, o caso Maluf e CIA. Qual o problema social que levam os Malufs a cometerem crimes?!
    Teriam os Malufs ficado órfãos de pai e mãe nos primeiros dias de vida?
    Teriam os Malufs ficado à margem sem emprego (e consequentemente com fome) e começaram a roubar?
    Teriam os Malufs uma vida de decepções que os fizeram entrar em surto e daí começaram a agir sem a menor noção de vida em sociedade, matando e roubando?

    Sinceramente não acredito que os Malufs enfrentaram problemas em suas vidas para decidirem sacanear a população e apossarem-se de sua grana.

    Pra mim fazem por prazer, por convenção, por tradição e por direito.
    Rééé… Acredite, por direito. Tem Maluf por aí que não acha errado desviar uma verba pro próprio bolso. Muito pelo contrário, acham bonito e merecem destaque diante de sua comunidade de ladrões escrotos. E pra jogar a pá de cal, parte da tapada população os considera gente de bem que representam a moral (irc!!!).

    Os Malufs estão entranhados em todos os poderes (assunto de debate anterior neste blog) formando uma rede à prova de faxina. Nem com MasterSux, Sapólio ou o último lançamento para limpeza da Polishop.

    Entendam a nossa insignificância para os ladrões de dinheiro público e seus comparsas.
    Nós somos reles, e eles são top.
    Viva com essa dor de cabeça, ou seja incansável numa luta sem fim.

  16. Edu said

    Em Governança Corporativa parte-se do princípio de que se há uma regra, ela será burlada. As práticas de Governança Corporativa são apresentadas como diretrizes pautadas pela ética, transparência, responsabilização, etc. Porque funcionariam como formas de gerar credibilidade das empresas no mercado. É como se as empresas, ao adotarem uma prática dissessem: Mercado! Olhe só, eu sou uma empresa transparente! Compre minhas ações porque sou uma empresa segura para investir. Transfira isso para a política, algum político é capaz de se apresentar como idôneo hoje? Aumentar a transparência de suas contas, seus atos? Hoje não há responsabilização por nada, basta colocar o bode em cima da mesa que automaticamente os dedos serão apontados um para o outro (herança maldita).

    Infelizmente, política, respeito às leis e ética não andam juntas nem aqui e nem no Japão, onde está estatisticamente registrado um dos menores índices de criminalidade do mundo. Aparentemente este índice de criminalidade baixo existe em função da cultura do povo.

    Senhores, ou mudamos a cultura, e isso vem da educação, ou estaremos fadados à eterna corrupção e criminalidade.

  17. mona said

    Não sou dona do boteco, Edu, mas lhe dou as boas vindas. Será que suas sábias palavras serão percebidas por aqueles que estão achando que a crise da Europa é culpa de algum modelo neoliberal, quando claramente a questão é fiscal? Gastaram a rodo e agora – como sempre,a conta vem depois – chegou a hora da cobranças. Como bem a gente pode perceber entre os Governos Lula II e Lula III. A conta começou a ser cobrada e tome-lhe ajuste fiscal. Ou nossa Gerenta não está busvando justamente esse equilíbrio?
    A crise americana tem na raiz – se for a origem for de fato bem analisada – a irresponsabilidade estatal, liberando crédito a quem não tinha capacidade financeira. Os créditos securitizados, causa imediata, foram caudatórios de toda uma situação pré-estabelecida. O resto se deve à ciclotimia típica do capitalismo. E é com crises como essas que os instrumentos de controle vão se aperfeiçoando: verifica-se onde há possibilidade de rombo e as autoridades reguladoras tenta mitigar a exposição ao risco. Daí todo o arcabouço prudencial de Basiléia 1, Basiléia 2 e por aí vai. E não adiante esse blá-blá-blá contra o mercado financeiro, como se ele fosse inimigo de toda a humanidade, beneficiando só a alguns. É por meio do fluxo de capitais no mundo que a economia real tem oxigênio para poder se realizar. Tentativa de deter tal fluxo só leva à estagnação.

  18. Zbigniew said

    O vício ideológico é phoda!
    É da mesma natureza da relação corrupto-corruptor na cabecinha desse pessoal. Só existe a primeira parte. Putz!
    Liberação do crédito = irresponsabilidade estatal. Lá nos EUA?!!! Tais brincando!
    Ciclotimia do capitalismo?! Uiii! E ninguém se defende não, é? Quantos anos temos nesse passo? Já deu pra aprender, não?
    Mercado não é inimigo. Mas pode se tornar.
    Mercado não pode ser mais poderoso que uma nação ou submeter a autodeterminação de um povo.

  19. mona said

    Hummmm, o mercado (essa entidade incorpórea) não pode ser mais poderoso do que a autodeterminação de um povo…
    Pergunta: a Fifa (essa entidade corpórea) poooode?
    A pergunta é aparentemente sem sentido, mas tem tudo a ver. Pois o que o Zig fala de “mercado” é toda uma teia de relações comerciais, financeiras, políticas que definem a vida econômica de uma nação, seja no micro, seja no macro. Um povo não existe por si e para si, a menos que seja um tribo indígena-cobaia dos antropólogos e de ongs que os utilizam como vitrine de um suposto outro modo de via possível. Um povo não é autista. Um povo se interrelaciona com outro. Um povo vota um conjunto de regras que vai definir como a sociedade se esquematizará, com seus direitos e deveres (a constituição) e toda a norma hirarquicamente inferior deverá se moldar a ela.
    Assim, todas as ações que se contraporão ao arcabouço legal desse povo deverá ser objeto de contestação. Essa é a autodeterminação de um povo, a que o tal do Mercado está bastante sujeito. Agora, vem uma entidade de fora e, com o beneplácito da maior mandatário do país e seu staff, tenta substituir a lei vigente para que haja adequação aos seus próprios interesses e vem um defensor desse governinho de merda bradar pela “autodeterminação dos povos”. É para rir ou é para chorar?

  20. Olá!

    Um tanto off-topic, mas acho que vale pelo simbolismo da iniciativa e como lição sobre como funciona a natureza humana perante determinadas situações.

    Parece que a CUT resolveu fazer um evento em homenagem ao Delúbio Soares, o tesoureiro petista e uma das principais figuras do Mensalão. Tal evento, além de homenagear o Delúbio, também serviu para reunir apoio na defesa dele no processo que corre no STF. Reuniram-se sindicalistas e militantes para colaborar na sua defesa. Houve até mesmo a distribuição de brindes, como CDs, livretos e coisas tais.

    Isso é, ao mesmo tempo, uma situação interessante e estranha. A CUT não pensa duas vezes na hora de organizar um evento para homenagear e reunir apoio a um mensaleiro, mas quando o país passou por seus momentos mais delicados e difíceis na época da hiperinflação e do Plano Real, a própria CUT e suas lideranças foram os primeiros a sabotar as iniciativas que contribuíram para derrubar as taxas hiperinflacionárias e trazer o Brasil ao patamar que, hoje, o país ocupa.

    O próprio Vicentinho não deu trégua e, em 1994, atirou: “Parece pesadelo, mas é real“, escreveu o Vicentinho — Folha de São Paulo (01/07/1994). Claro que ele buscou todo um conjunto sem nexo de explicações para se colocar nesse posicionamento. Tal artigo não passa de um amontoado de desonestidade intelectual, ignorância econômica e bravataria da pior espécie. Ah, sim, detalhe: Esse artigo o Vicentinho escreveu logo no começo do Plano Real e mesmo após os primeiros efeitos benéficos do Plano terem começado a aparecer.

    Da mesma maneira que o Vicentinho fez diversos rodeios intelectual, moral, econômico e etc. para atacar o Plano Real, a CUT, hoje, faz o mesmíssimo tipo de rodeio para defender o Delúbio Soares. As situações são diferentes, mas a natureza humana das pessoas envolvidas permanece a mesma. E isso não deveria deixar ninguém surpreso, pois organizações como a CUT são compostas exatamente por pessoas como o Vicentinho.

    Esse é outro aspecto inerente dessas pessoas: Elas farão o rodeio intelectual, lógico, moral e etc. que for necessário diante de uma situação, desde que isso lhes traga algum ganho pessoal, político, econômico, eleitoral e afins, ainda que o grosso da população possa vir a ser prejudicada por causa disso.

    Para finalizar: A CUT expulsou os repórteres que cobriam o evento. E ainda tem gente que diz que a imprensa é golpista e coisas tais. Isso dá uma boa noção do conceito de liberdade de expressão e de imprensa que essa gente tem.

    Até!

    Marcelo

  21. Zbigniew said

    A FIFA e o mercado? Você pode fazer melhor que isto.

  22. Pax said

    Caramba, que triste, morreu o Steve Jobs.

    Esse era genial.

    Desculpem-me o off topic.

  23. Edu said

    Triste mesmo… pra mim tá sendo um pouco mais do que o normal: hoje estáfamos falando sobre morte e eu fiz uma piada sobre qual poderia ser o epitáfio do homem.

    Que fique claro que eu não quis ofender ninguém. Qualquer vida humana que se vai é triste e merece respeito, a humanidade perdeu um dos gênios da primeira era da computação.

  24. Yellow_SUBmarine said

    Bom dia procês todos.

    To tentando acompanhar o debate sobre economia que sempre rola por aqui. Queria contribuir, mas não consigo.São tantos termos técnicos, com uma infinidade de significados teóricos e práticos, que não cabem na minha realidade. Arrisco dizer que em 100%.

    Tudo que trollo, seja na rede ou na real, parte de experiência de vida simples. Não sou muito de vasculhar a história, mesmo sabendo do seu extremo valor. Prefiro contar apenas com as situações que experimento. Por exemplo: ficar puto com corrupto que pegou meu dinheiro… Fico sim, com todo o direito do mundo. Falo sim. Esbravejo sim. Afinal fui lesado. Fui enganado por um discurso bonito e acabei elegendo um ladrão.

    Na verdade na posição de cidadão venho sendo enganado desde que me disseram que Jesus era branco dos olhos azuis; Papai Noel bom velhinho que exige a compra de presentes (mercado); e outros engodos. Estou sendo enganado a todo tempo.

    Na economia acredito que existem patamares. O meu é o de pagar conta. Recebo salário e pago conta. Ainda não cheguei (e acho que vai ser difícil) ao ponto de investir na bolsa; fazer meu patrimônio crescer; discutir sobre impostos; fiscalizar medidas do governo quanto ao circo dos números da economia.

    O fato simples e transparente que acontece todo mês é que eu vou pagar contas. Faça chuva ou Sol; desvalorize ou valorize as moedas do mundo todo; Não importa, todo mês tem uma conta pra eu pagar. Essa não falha.

    E se eu e outros Manés deixássemos de pagar conta?

    Acabei de lembrar que atrasei a conta de luz e água. Deixa eu ir ali pagar, se não a economia para.

    Abraço procês.

    Em tempo: Jobs escapou da matéria. Livrou-se desse mundo cão… Melhor pra ele.

  25. Edu said

    Sub,

    Eis sua primeira lição de economia:

    Qual é o aumentativo de cartomante? Adivinho
    Qual é o aumentativo de adivinho? Profeta
    QUal é o aumentativo de profeta? Economista

    Eu tbm não entendo mto de economia, são equações realmente complexas, mas em última análise, tudo impacta tudo e o que impera é a demanda e oferta. Vc aplica isso a quaisquer variáveis que queira considerar e pronto! Terá uma equação econômica! hehehehe

    Abraço

  26. Zequinha said

    Da BBC Brasil:

    “José Antonio Ocampo, professor da Universidade de Columbia, em Nova York, não crê que o capitalismo como modelo geral tenha fracassado. Em sua opinião, o que fracassou foi a visão mais neoliberal do capitalismo.

    “O que fracassou foi a ideia de que o capitalismo tinha de ser um sistema não regulado”, diz Ocampo, que trabalhou como secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais, além de secretário-executivo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

    “O capitalismo funciona bem quando faz parte de um sistema social mais amplo. Mas quando se pretende que o mercado esteja por cima das relações sociais ou políticas, o capitalismo falha”, afirma Ocampo.

    “A visão neoliberal foi um grande equívoco de todos os lados, que respondeu a interesses econômicos particulares fortes, e não a uma agenda social sustentável, como foi demonstrado ao fim no mundo em desenvolvimento, primeiramente, e no próprio mundo industrializado, depois”, diz.

    “Hoje, na América Latina, por exemplo, temos um capitalismo com muitíssimos mais graus de intervenção do que tínhamos nos anos 1990”, afirma o economista, que pesquisou a história econômica da região e sustenta que a crise da dívida latino-americana e a crise asiática levaram à volta das diversas formas de intervenção.

    AMÉRICA LATINA

    Ocampo diz que a crise teve um impacto muito forte na América Latina, especialmente pela recessão de 2009. Mas, por outro lado, ele afirma que a região saiu ganhando.

    “Percebe-se os ganhos no fato de que não houve crise financeira nacional em nenhum país, tampouco colapsos na balança de pagamentos (embora na Venezuela tenha ocorrido algo parecido) e não houve novos estouros inflacionários”, diz.

    Para o colombiano, a América Latina saiu da recessão muito rapidamente. “Mas nisso creio que atuaram fatores internacionais favoráveis, em particular dois”, afirma.

    “Primeiramente, que a crise foi contida pela intervenção maciça dos bancos centrais e dos governos dos países industrializados, assim que, em termos de seu impacto financeiro, a crise durou somente um ano”, diz.

    “O segundo fator foi a recuperação muito rápida dos preços de produtos básicos, um processo que foi balizado pela China.”

    Assim sendo, essa recuperação ajudaria a explicar por que alguns países em desenvolvimento, entre os quais o Brasil, aparecem em uma posição tão forte, podendo inclusive ajudar financeiramente a Europa?

    Sobre isso, Ocampo tem uma visão que ele mesmo qualifica de “pessimista”.

    “A periferia adquiriu certos graus de autonomia, mas esses graus são limitados. Em outras palavras, a periferia não tem a capacidade de impulsionar a economia mundial suficientemente quando as principais economias estão em crise. Isso é o que estamos vendo agora”, afirma o economista.

    “A economia mundial está em vias de reestruturação, mas hoje, e eu diria isso de forma categórica, não temos uma autonomia total em relação ao mundo industrializado. A América Latina é uma região dinâmica, mas não é um motor.”

    Um adendo: o turbinamento do crédito na Europa e nos Estados Unidos não foi provocado pelos governos. Valia a não regulação. Os governos só interferiram quando o sistema colapsou.

  27. Edu said

    Zequinha,

    No meu entendimento, o que este senhor está tentando explicar é que esta “regulação” não é no sentido de uma intervenção mais dura do estado nas contas macroeconômicas, mas nas normas legais mesmo! O fato é: não saímos da crise porque o governo resolveu abrir os cofres públicos, nós simplesmente não entramos na crise porque aqui não é tão fácil negociar títulos podres como em países desenvolvidos! Explico:

    Aqui nós estamos acostumados com roubalheira, o mercado financeiro de qualquer país latino-americano é muito mais regulado do que qualquer mercado financeiro nos EUA ou na Europa. Por exemplo: vc sabia que aqui, se vc é uma empresa multinacional, de capital pulverizado e quer abrir conta num banco, vc precisa entregar até a certidão de casamento dos sócios que tenham 10% ou mais de capital da empresa, no país de origem da empresa?

    Imagine: a Unilever vai abrir uma conta-corrente no Itaú. Se existir um holandês (Unilever é holandesa) com 10% do capital da empresa ou mais, o Itaú tem que bater na porta desse cara, pedir o imposto de renda dele, certidão de casamento, e outras documentações.

    Esta regulação é complexa suficiente para dificultar a negociação de títulos podres, principal causa da crise de 2008. Tanto que existem várias medidas regulatórias foram implementadas pelos EUA que já são existentes desde o início da BOVESPA.

    Ainda assim a crise nos atingiu. Como o país está “blindado” por essa regulação, é oportunista e sim, em minha opinião não perde em nada no prega a agenda neo-liberal, aproveitar para realizar investimentos internos e fomentar a economia.

  28. Zbigniew said

    Quem diria que viveríamos para vermos uma notícia dessas:

    “O Banco do Brasil ganhou pelo menos US$ 1,5 bilhão em depósitos nos Estados Unidos de empresas e outros clientes que fugiram de riscos maiores em alguns bancos estrangeiros nos últimos três meses. O acirramento da crise também levou empresas multinacionais a buscar crédito nas agências do BB no exterior.

    “Bancos americanos estão tendo as notas rebaixadas pelas agências de classificação de risco”, disse o diretor de negócios internacionais do BB, Admilson Monteiro Garcia. “Os bancos brasileiros se beneficiam disso.”

    De julho para dá, informou, os depósitos na agência do BB em Nova York, que trabalha com pessoas jurídicas, subiram de US$ 3 bilhões para US$ 4 bilhões. Os depósitos na agência de Miami, que trabalha com “private banking”, saltaram de US$ 1,5 bilhão para US$ 2 bilhões.”

    É do Valor de 27.09 mas retrata bem o momento que vivemos.

  29. mona said

    Há,há, há!
    Zig, plis, pesquise qual foi o governo responsável pela reestruturação patrimonial do BB, que fez as provisões em cima de um monte de título podre que ele tinha – o que lhe garantiu um prejuízo astronômico lá pelos idos de 1998 – e que fez um apote de capital com títulos governamentais para recuperar o patrimônio líquido da IF? Bingo: FHC, na esteira do Proer e do Proes. Nundianta, meu caro: TUDO o que o BR é hoje se deve às ações tomadas lá atrás, no governo tão espinafrado do FHC.

  30. Yellow_SUBmarine said

    Podcrê…! FHC é o cara. Volta ele aí que fica tudo de boa. Não haverá mais problema algum.

    Né mesmo?!

  31. Pax said

    Cara Mona,

    Tudo que o Brasil é hoje se deve ao FHC? Incluímos aqui o desastre educacional, a falência do sistema da saúde e a inacreditável insegurança pública?

    Vamos com calma, mas se formos olhar os ex-presidentes pós ditadura militar temos o Tancredo (que não foi), o Sarney (que continua), o Collor (que caiu), o Itamar (que subiu), o FHC, o Lula e, agora, a Dilma.

    Dar todos os créditos do que melhorou apenas para FHC me parece um tanto torcida demais.

    O triste mesmo é que os coronéis continuam firmes e fortes, donos de imensos nacos deste país, senhores dos poderes republicanos e absolutamente intocáveis, acima das leis.

    E Chronos, o deus do tempo, prefere levar o Steve Jobs… vai entender.

  32. mona said

    Podcrê: para os petistas, os grandes problemas nacionais sumiriam por encanto, se o PIG fosse devidamente abatido na granja. Por isso, a grita geral por uma tal de lei da mídia (com sotaque argentino “medya”)…
    * Touxentas instituições federais de ensino em greve, há uns 3 meses? Pufff!
    * O projeto mal engembrado (que projeto???) da Copa 2014? Pufff!
    * PAC empacado? Pufff!
    * A ineficiência dos gastos em saúde e educação, com as consequências que todo mundo vê? Pufff!
    * A corrupção desbragada, com a feliz conivência da companheirada? Puffff!
    * A ineficiência dos projovem, pronasci, pro-escambau? Pufff!

    Abatido o PIG, nos transformamos no paraíso midiático das propagandas governamentais (aliás, na Bahia, o melhor lugar de se morar é numa propaganda do governo do estado…).

    Mas, a herança maldita é do FHC, né?

    No entanto, para felicidade geral da petezada que ocupa essas paragens, reconheço cabisbaixa que se tem uma turma que não sabe vender seu peixe é essa composta pelos punhos-de-renda tucanos. Merecem o cantinho-do-pensamento, por pura incompetência em contar suas glórias e não saber rebater as críticas existentes…

  33. Zbigniew said

    Mona. A ideologia neoliberal afundou. Não há mais espaços para o “cassino global” q se tornou o sistema financeiro. Desde a derrubada da Glass-Steagal ate a crise 2008-2011, configura-se o fim de um modelo q só favoreceu a poucos em detrimento de muitos. Não há mais volta.
    Enquanto isto em Wall Street:
    “Uma multiplicidade de expressões mostrava o mosaico de cartazes feitos a mão. “Comam os ricos”, “Se o governo não pode deter Wall Street, nós o faremos”, “Quando os ricos roubam dos pobres isso se chama negócio; quando os pobres se defendem se chama violência”, “Protejam as escolas, não aos milionários”.

    Circula um par de camisetas de estadunidenses com a imagem de Zapata e um jovem que esteve na Praça Liberdade desde o dia 17 de setembro mostra orgulhoso um emblema do EZLN ao saber que o La Jornada estava cobrindo a marcha.

    O mesmo que ocorreu no Egito está acontecendo aqui; já não podemos aguentar mais, afirmou Hank, integrante do Sindicato de Trabalhadores do Transporte Público (TWU), quando marchava. Um turista espanhol tirava fotos da marcha e comentava com seus companheiros: olha que bonita, igual a nós.”

  34. Pax said

    Cara Mona,

    De novo, vamos com calma.

    FHC teve enormes méritos, sim. Claro que sim. Fez reformas (não vamos esquecer dos méritos do Itamar) que são primordiais para o Brasil de hoje. Talvez a reforma fiscal seja tão ou mais importante que o Real de Itamar/FHC. Programas sociais se devem ao seu governo com a cara da Ruth Cardoso etc etc.

    Mas colocar TODOs os créditos numa única cesta não me parece muito coerente. Este é o ponto.

  35. Yellow_SUBmarine said

    Engraçado!

    Estamos discutindo em defesa dos que ocuparam o trono, mas não dos que realmente governaram e governam até hoje. Neste caso já citados, os coronéis. Ou vocês acham que o Bigode e semelhantes não conseguem mover montanhas com uma simples coçada de nariz? Bem no estilo “Manda quem pode. Obedece quem tem juízo”.

    Outro fato importante nesses debates é a necessidade de escolher uma bandeira. Eu prefiro o lado do cidadão. Esquerda, direita e centro deveriam ser a mesma coisa, pois são determinados ao mesmo objetivo fim, o cidadão. Todavia na prática o buraco é mais embaixo, no qual cada político defende o seu ponto de vista, desqualifica o posicionamento do adversário e no fim todos esculhambam o povo.

    É divertido acompanhar algumas briguinhas do DEM com o PT, de fulano com o sicrano. Divertido pra quem tá de boa, mas pra quem tá ralando e se lascando seria ótimo que todos esses partidos de m… entendessem qual o verdadeiro motivo deles existirem, conciliando em busca de solução, no lugar de emperrar mais ainda os diversos processos em que estão envolvidos por natureza da sua profissão, de político representante do povo.

    Já sei… Você vai usar o argumento da utopia e dizer que eu to no “Fantástico mundo de Bob”.

    É… Estamos em realidades diferentes.

    Abraço procês, bom weekend e pra ilustrar escutem essa dos Titãs:

    “Não sou brasileiro,
    Não sou estrangeiro,
    Não sou brasileiro,
    Não sou estrangeiro.
    Não sou de nenhum lugar,
    Sou de lugar nenhum.
    Não sou de São Paulo, não sou japonês.
    Não sou carioca, não sou português.
    Não sou de Brasília, não sou do Brasil.
    Nenhuma pátria me pariu.
    Eu não tô nem aí.
    Eu não tô nem aqui.”

  36. Edu said

    Na boa galera, é o seguinte: o pensamento mais idiota possível, com todo o respeito, é acreditar que quando a “direita” (coloco entre aspas porque direita não existe aqui) entra no poder ela faz tudo errado, igualmente pensar que a esquerda só faz besteira também é errado. Além disso, isso aqui não é uma disputa ideológica entre “direita” e esquerda, keynesianismo e neoliberalismo…. acordem! Tem momentos em que um governo será melhor, tem momentos que outro governo vai ser melhor…

    Em decisões políticas, tudo impacta tudo, e pode ser uma reação em cadeia que demora. Uma ação do governo hoje pode durar até 2 décadas para se concretizar. Enquanto tivermos esse pensamento que eu qualifiquei como idiota, teremos um governo desfazendo o que o outro governo fez, e não aproveitando o que o o outro governo fez para evoluir.

    Com esse tipo de discussão que vcs estão fazendo, vcs estão focando num horizonte de tempo de 8 anos no máximo para algum político mostrar resultado.

    Já aprendemos que não é assim: o FHC teve méritos de responsabilidade fiscal e correção da inflação; o Lula teve méritos de aproveitar essa estabilidade e pender a balança mais para o social e infra-estrutura. Ambos erraram também, e bastante. Só que eu consigo enxergar, pelo menos do ponto de vista econômico uma racionalidade e uma evolução…

    Aí eu pergunto novamente: o que a Dilma está fazendo?! Cadê a linha de raciocínio do governo desta mulher?!

  37. Pax said

    Caro Edu,

    Concordo bastante com teu comentário acima.

    Dilma? Bem, se bobear vai dar uma goleada. Isso se a sua própria base permitir porque oposição não há. O PSDB não se entende e não dá o menor sinal que vai se entender tão cedo. Agora mesmo tivemos o caso do senador Aluysio Nunes (PSDB-SP) reclamando em público por conta da propaganda do partido ter esquecido dele, de Serra e de FHC. Vale lembrar que ele se elegeu trazendo de volta a lembrança do ex-presidente que havia se tornado um “não voto” segundo seus parceiros do ninho tucano. Some a isso a questão do DEM que agoniza e tende a virar pó agora com a criação do PSD do Kassab que está mais para se chegar às tetas do governo que para fazer oposição. É o que tudo indica. Qual a resultante? Oposição tendendo a zero, ou um belo zero à esquerda, que dá no mesmo.

    O maior problema de Dilma é torear sua própria base formada com tudo que se pode imaginar.

  38. Zbigniew said

    Não se deixou de reconhecer os méritos do governo FHC. Só que numa discussão de algum nível é possível fazer críticas, apontar erros e avanços.

    As críticas que os neoliberais e direitistas aqui fazem parte do pressuposto de que não há nenhum mérito no governo LULA. Que só há roubalheira, e nada de bom foi feito. Isto, logicamente, é uma falácia. E é tão rasteira quanto dizer que o FHC não fez nada pelo país. Só que a maioria da população brasileira chancelou por três vezes o mandato dos esquerdistas (Lula 2x, e Dilma), mostrando a fraqueza do governo dos Demo-tucanos. E é aí que a Mona erra. Não foi por “incompetência de contar as glórias” que os tucanos não se firmaram no poder. Foi pela dissociação com o social. É tanto que – pode apostar – para os direitistas o povo que colocou o PT no poder é pobre, preguiçoso e não sabe votar. Vão ter que amadurecer muito ainda pra se tocarem.

    Graças a Deus que o PT e o LULA mantiveram os bons fundamentos do governo FHC. E melhor ainda: estenderam isto para o social. Não é pouca coisa não.

    Dizem que a Dilma não faz nada. Como não?! Primeiramente defender nossa economia contra agentes internos e externos é uma tarefa bem complicada. Manter os fundamentos dos governos FHC e LULA, no que eles têm de bom, e dar o próprio rumo ao seu governo com o plano de combate à miséria, isto também está sendo feito. Interessante que o Edu se desdiz quando afirma que para políticas públicas maturarem às vezes são necessários muitos anos. E já queres os resultados da Dilma? Fica tranquilo…

  39. Patriarca da Paciência said

    Para mim, nunca tive a menor dúvida em definir o que seja “direita” e o que seja “esquerda”.

    Friedman/Margaret Thatcher/Ronald Reagan, implantaram a ideologia do: Estado Mínimo, Direitos Trabalhistas Mínimos, Desregulamentação do Sistema Financeiro, Globalização, Total Liberdade ao Capitalista etc. Isto é direita.

    A Esquerda é: Direitos Trabalhistas, Estado como Indutor do Desenvolvimento, Regulamentaçãodo Sistema Financeiro, Proteção à Indústria de cada país etc.

    São bem claras as posições.

  40. Pax said

    Concordo um tanto, também, com o caro Zbigniew. Dilma precisa manter o que veio de bom de FHC e Lula. E mais…

    – continuar com o combate à pobreza e incentivo à inclusão
    – infraestrutura para o crescimento do país
    – direcionar ainda mais foco na Educação (que, no fundo, é infraestrutura)
    – incentivar a nossa indústria
    – incentivar MUITO o empreendedorismo, facilitando a vida de quem gera emprego

    e… para isso, algumas reformas

    – a mãe de todas, política (não essa de agora que é uma palhaçada)
    – tributária e fiscal
    – trabalhista (sim, é necessária, com um mínimo de perda para os trabalhadores e sim uma enorme facilitação)
    etc

  41. Yellow_SUBmarine said

    Edu wins!

    “Enquanto tivermos esse pensamento que eu qualifiquei como idiota, teremos um governo desfazendo o que o outro governo fez, e não aproveitando o que o o outro governo fez para evoluir”

    Muito good.

    É tipo no interior, quando um ganha pinta o prédio de azul, e quando o outro ganha pinta de vermelho. Não tem benefício algum, apenas gastou-se com as latas de tinta e mão de obra, tudo pago pelos manés cidadãos.

  42. Edu said

    Pax e Zbigniew,

    Para mim, a Dilma ficou encarregada, depois de FHC e Lula de simplesmente apresentar os resultados! Já chego lá, tenham paciência e leiam. Mas mais do que isso… eu não estou vendo ela mostrar o caminho para fazer isso… to vendo um governo meio perdido até o momento.

    Vamos ser claros: o Lula fez basicamente investimentos em infra-estrutura e assistencialismo.

    Em relação à infra-estrutura: em algum momento a produção brasileira terá que aumentar, os custos baixarem, e o brasil terá que ser mais competitivo independentemente do preço do dólar. Se isso não acontecer, os investimentos em infra-estrutura não retornarão.

    Em relação ao assistencialismo. Pessoalmente eu sou contra, mas, já que foi feito, em algum nível isso é bom, socialmente faz bem e economicamente também, porque as pessoas passam a consumir mais. É uma política de inclusão que pode ser interessante, só que como eu disse antes, pode ser economicamente inviável a longo prazo. Se essas famílias beneficiadas em algum momento não se incluírem e começarem a andar com suas próprias pernas, passarem a produzir e também passarem a pagar impostos, o déficit fiscal só aumentará, e como visto na Europa, a conta vem. (sim, estou falando de acabar com a miséria, aumentar a classe média efetivamente, no que há de bom e no que há de ruim, isso necessariamente inclui pagar impostos)

    Para mim, o caminho lógico da Dilma seria simplesmente fechar o ciclo, efetivamente terminar o que foi começado pela gestão dos 2 presidentes anteriores. No meu entendimento, se a Dilma não fizesse nada, só terminasse as obras com o valor adequado, só apresentasse um plano de desenvolvimento para essa nova classe média que está se formando, estaria excelente.

    A Dilma precisa ser uma gerente mesmo! Sem mirabolâncias! Mas o que temos? Aí eu acho que a Mona está correta:

    1 – Corrupção, e todos sabemos que o que mata obras é corrupção. A menos que queiramos ser condescendentes, depois de tantos anos, com estilo de governo do Maluf…

    2 – Leis “paralelas” sendo inventadas para cumprir com as metas… MEU DEUS, o que é isso?! Quer dizer q precisaremos inventar, se levarmos isso ao máximo, um estado discricionário para fazer acontecer aquilo q já está escrito?! – Pior, provavelmente incentivando a corrupção, dita acima.

    3 – E impressionantemente, mesmo com a ausência de uma oposição forte, o governo parece parado! Como assim?!

    3 – O PAC parado

    4 – O assistencialismo cada vez mais assistencialista… eu não vejo esse “retorno sobre o investimento” aparecer em nenhum lugar…

    Zbigniew,

    Eu gostaria muito de saber o que são os agentes internos com quem a Dilma está pelejando… e, na boa, agentes externos não deveriam ser desculpa também. É por isso que há o investimento massivo em infra-estrutura, para não haver desculpas. Vamos parar de achar conspirações, porque se tem uma coisa que é verdade é que a Dilma tem uma avenida livre para andar, por que ela parece estar patinando eu juro que não entendo.

    Outra coisa: pra que o Brasil tem que ficar dando liçãozinha de moral na Europa, nos EUA e no resto do mundo inteiro?! Devíamos, mais do que nunca (o loko bixo), prestar atenção no que estamos fazendo aqui!

  43. Zequinha said

    Edu,

    o Ocampo está falando de regulação mais dura e de intervenção direta do Estado na economia. O “incentivo ao crédito” nos países ricos pode ser traduzido como “juros baixos”, e isto não só não acabou como está sendo usado para tirar os países da crise; o Japão está com juros zerados, a Alemanha quase isso, os Estados Unidos estão com juros quase zerados, a Holanda vai pelo mesmo caminho, também a Inglaterra e por aí vai. Mais incentivo ao crédito do que isso é dificil. E se a crise foi gerada pelo incentivo ao crédito, é bom que alguém daqui vá correndo avisar esses países que eles estão fazendo tudo errado, e que com mais “incentivo ao crédito” eles só vão é arranjar mais crise.

    As estratégias que os países ricos estão usando para sair da crise envolvem uma forte intervenção do Estado na economia. Todos, sem exceção, estão fazendo isso, a começar pelos Estados Unidos, que ainda no governo Bush começou a enfrentar a crise com o Estado intervindo diretamente nos bancos privados e de lá para cá só aumentou essa intervenção, inclusive para outros setores da economia. A Inglaterra acaba de lançar um megaprograma, que na prática é uma mega intervenção estatal no sistema financeiro. O governo alemão aplaudiu a iniciativa inglesa, porque ela baixa a incerteza da liquidez de vários países europeus, principalmente os que estão em maiores dificuldades, como a Grécia, Portugal e a Espanha. Não tem ninguém dizendo “deixa fazer, deixa passar, não precisa fazer nada; o mercado criou esse problema e o mercado vai resolvê-lo”.

    É por isso que o Ocampo está dizendo que a “visão neoliberal” faliu. Ela não conseguiu evitar a crise e nem se mostrou capaz de montar estratégias para sair da crise.

  44. Edu said

    Sub,

    Vc entendeu exatamente o que eu quis dizer! hehe

  45. Edu said

    Zequinha,

    Que tipode intervenção do Estado na economia estes países estão fazendo? Se vc puder mostrar, pq eu realmente to com preguiça de ir pesquisar! hehehe Confesso!

    Eu não consigo enxergar uma intervenção do Estado como algo positivo a menos que:

    1 – Seja uma intevenção regulatória…. só que intervenção regulatória é o limite do neoliberalismo…
    2 – Haja um retorno sobre a intervenção. Como eu disse: se o governo tá investindo, tem que ter retorno financeiro e social. Se o governo está produzindo assistencialismo, tem que ter retorno social e financeiro. Nessa ordem!

    Enfim… não entendo mto de economia, mas é o horizonte que eu consigo enxergar.

  46. Zbigniew said

    Mas é isto, Pax. Passo a passo. O bom da democracia é possibilitar o desenvolvimento das instituições, admitindo o exercício do contraditório e da dialética. Se o PT vacilar, sai do governo, e aí entram outros, e por aí vai. O que importa é que o melhor para o país seja feito, e o povo tá vendo isto. E que bom que seja assim. Temos um longo caminho, mas o importante é não pararmos ou recuarmos. Essas ações no campo econômico tomadas pelo governo são importantíssimas para garantir um cenário o mais tranquilo possível para o país.

    Sou um tanto refratário a esta visão de que não existe direita ou esquerda. Claro que existe. A padronização da política pode levar a situações bastante complicadas, como a alternância Democratas-Republicanos nos EUA, e aí, como bem destacou o Patriarca, não fez nenhuma diferença na hora da desregulamentação do sistema financeiro. Padronização do sistema político é de mal alvitre. Temos que entender que é na diversidade de visões que se encontra a riqueza das ações, e que quando bem direcionadas, pode levar a um ciclo virtuoso de crescimento e desenvolvimento.

  47. Zbigniew said

    Edu, não é conspiração. É proteger o país contra o capital especulativo. É agir contra o poder do sistema financeiro que tem seus agentes no país e seus representantes no parlamento. É ter a capacidade de fazer o ajuste fino tendo em vista os diversos interesses que se embatem numa sociedade complexa como a nossa.

    Isto é uma realidade e faz parte do sistema de poder no nosso mundo. A “Dilma” quando baixou 0,5% da Selic foi um deus nos acuda. Quando mandou aumentar o índice de nacionalização dos automóveis fabricados no país e onerou a alíquota do IPI para os importados, disseram que haveria uma fuga de investimentos do país. A Miriam Leitão e todo o staff piguista sotaram os cachorros, e o que aconteceu? Taí a Nissan-Renault e a Jac Motors anunciando investimentos de novas plantas no Rio e na Bahia. Só lamento não termos montadoras genuinamente nacionais. O aplicação de 20% do IOF sobre os derivativos visa evitar os arroubos do capital especulativo (se deixar o bicho bagunça). Corte de gastos com aumento do funcionalismo mas manutenção da política de ganhos do salário mínimo e do bolsa-família. Concomitantemente a Dilma vai imprimindo seu próprio ritmo, sem arroubos ou irresponsabilidade. E se, ao final desse primeiro mandato, os fundamentos econômicos estiverem mantidos, o desemprego em baixa e a renda protegida ou aumentada, terá feito um bom governo.

    Quanto á “liçãozinha de moral” que a Dilma deu na Europa. Deixa a bichinha. Os caras passaram anos e anos vindo aqui dizendo o que divíamos fazer, desde o arrocho fiscal até o corte de investimentos estatais. E agora ficam melindrados porque alguém do “terceiro mundo” mandou eles darem uma banana para esses fundamentos?! O mundo dá muitas voltas.

  48. Zbigniew said

    Lá na Folha.com, escondidinho, envergonhado, quase pedindo desculpa por ter que dar a notícia. Esse Lula e suas políticas assistencialistas! Humpf!

    “Lula ganha prêmio nos Estados Unidos por combate à fome

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    DE SÃO PAULO

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um dos ganhadores do prêmio “World Food Prise” por criar políticas públicas de combate à fome e à miséria no país.

    O ex-presidente de Gana John Kufuor é o outro vencedor.

    Universidade espanhola concede título de doutor a Lula
    Lula diz que vai doar prêmio de US$ 100 mil para país africano
    Em Paris, Lula critica falta de ação política de líderes europeus

    O prêmio existe desde 1994 e nomeia, anualmente, personalidades que investiram em segurança alimentar. A cerimônia de premiação vai ocorrer em Iowa, nos Estados Unidos, entre 12 e 14 de outubro.

    Para a Worldwatch Institute, organizadora do prêmio, Lula criou programas sociais capazes de garantir “um mínimo de renda, permitindo acesso a bens básicos e serviços”, que reduziram a pobreza extrema no Brasil.”

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/986925-lula-ganha-premio-nos-estados-unidos-por-combate-a-fome.shtml

  49. Edu said

    Patriarca e Zbigniew,

    Em momento algum eu disse que não há esquerda ou direita. Eu reconheço que existam 2 ideologias bem distintas. O que eu acho muito idiota é: independentemente do tempo em que se vive, achar que a esquerda é melhor que a direita, e acho tão idiota quanto pensar que direita é melhor que a esquerda.

    Agora, em relação ao IOF e ao aumento do IPI, pra mim não tem nada a ver com “proteção”. Sobrevivemos à crise de 2008 em minha opinião por 2 motivos: a regulação do mercado financeiro nacional, que, como já dito em outro post é bastante sofisticada; e os gastos do governo (investimentos em infra-estrutura e o assistencialismo – eu disse: o assistencialismo, embora eu não goste, também é benéfico). No entanto, o que me parece é que esses investimentos em infra-estrutura e assistencialismo já estão começando a cobrar a conta, tanto que eu só vejo notícias de cortes em investimetnos (que já estavam prometidos), criação de impostos (veementemente combaditos pelo próprio PT) ou aumento de alíquota de impostos (IOF e IPI) sob o pretexto de “proteger” o Brasil.

    Quais são esses fundamentos econômicos que o governo está procurando manter? Não me parece claro. Se não está claro para eles, eles podem até ir lá na Europa e falar o que bem entenderem, podem dar prêmio para Lula, não me pauto pelo gosto de europeus nem americamos sobre o que está acontecendo aqui. Faria diferença se isso impactasse diretamente o rating do Brasil, o que não acontece. Então, o que eu quero saber é sobre da nossa direção, ela é uma líder, tem que apresentar uma direção clara, da qual eu ainda não estou convencido, então repito: onde está o fim das obras? Onde está a transição do assistencialismo, que é deficitário, para uma condição de emprego a esta nova classe média?

  50. Zbigniew said

    Rapaz! Se há cortes ou redução no ritmo de alguns investimentos, tem a ver com a crise internacional e a necessidade do governo se antecipar aos seus efeitos. A ferrorvia transnordestina com ramais para os portos de Pecém e Suape, a ferrovia norte-sul, a transposição, as diversas duplicações e investimentos em saneamento básico.
    A utilização da Petrobrás como elemento de impulso no desenvolvimento nacional, principalmente após o advento do pré-sal, com a reativação da indústria naval, a descentralização de investimentos para o nordeste (só em Pernambuco são 3 estaleiros e uma refinaria em parceria com a PDVSA, com possibilidade para mais). As obras de infra-estrutura de mobilidade urbana para a copa do mundo nas diversas cidades-sede. O incremento da construção civil e os diversos investimentos privados pelo país a fora.

    O IOF e o IPI não são medidas protetivas e extra-fiscais (?!!!). O que são então?

    Ótimo não se pautar pelos europeus ou americanos. Mas não podemos negar o reconhecimento internacional dos esforços empreendidos pelos governos do PT em diminuir a pobreza, a fome e a miséria. Assistencialismo puro e simplesmente? Você não conhece as condicionalidades associadas ao benefício do Bolsa Família? Vai lá no site do MDS, inclusive tem todos os compromissos que os Estados e Municípios devem assumir juntamente com a União na concessão e fiscalização de tais benefícios.

    Quer dizer que a conta está sendo mandada porque não houve a contraprestação pelo oferecimento do benefício? Não ficou claro pelo que você disse. Aumento de impostos? Que impostos? O IPI e o IOF? Para automóveis importados e derivativos negociados em bolsa? O que isto tem a ver com programas assistenciais e infra-estrutura? Acho que nada!

  51. Edu said

    Pô cara! Tentando resumir tudo o que foi dito para não perdermos o fio. Sei que é uma simplificação, mas pesando tudo, para mim é o que fica.

    Por que o governo o FHC foi importante? Por estabilizar a inflação e garantir as bases para o crescimento econômico com o controle fiscal. Até aqui eu entendo: fundamento econômico do neoliberalismo.

    Qual foi o problema aqui? Social.

    Por que o governo Lula foi importante? Porque usou essas bases para realizar esse crescimento econômico, investindo em infra-estrutura, e resolvendo questões sociais por meio de assistencialismo. Até aqui eu entendo: fundamento econômico keynesiano.

    Qual foi o problema aqui? Gastos do governo. O Brasil terminou o mandato do Lula com as contas apertadas. Justamente por estes 2 investimentos.

    Por que o governo DIlma será importante?

    1 – Consolidar este crescimento econômico, garantindo o término dessas obras de infra.
    2 – Apresentar um horizonte para terminar com o assistencialismo.

    Quais os riscos?
    1 – Déficit fiscal e, em último caso, o default – O que aconteceu com a Grécia por exemplo, que passou anos sob uma economia assistencialista. –> esta aqui, Zbigniew, é a conta que já está sendo mandada
    2 – Volta da inflação

    Cadê o fundamento econômico da Dilma? Ela tá atrás do quê? Eu só vi a inflação aumentar e o o governo flertar com aumento da carga tributária, enquanto as contas do governo continuam ameaçadas.

    Quando isso tudo se resolve? Quando o Brasil tiver produção e empregos suficientes para pagar esta conta, que hoje está desbalanceada.

    Pelo que entendi a coisa é pra funcionar assim: infra-estrutura –> competitividade –> aumento da produção –> exportação e empregos –> diminuição do assistencialismo e expansão do mercado interno

    Por que eu acho que falta direção?

    1 – Em relação à infra-estrutura: reconheço a existência de todos estes programas de investimentos. Cadê o fim deles? Cadê o controle sobre eles? Cadê o previsto x realizado? Tá pesado pro governo? O mundo tá em crise? Precisa priorizar? OK! Ótimo! Que seja priorizado! Mas cadê a explicação sobre o que está sendo priorizado?! Este governo é um gestor de projetos: ele tem que terminar o que os outros governos começaram. Eu não estou vendo transparência nenhuma nessa gestão de projetos (como explicado em posts acima)

    Em adição às obras de infra: se as obras de infra existem justamente para tornar a indústria brasileira competitiva, por que é necessário o aumento do IPI? Daí eu chego a uma conclusão: ou as obras de infra estão atrasadas, paradas ou canceladas, ou elas não estão servindo pra nada, tanto que o governo é obrigado a interceder pela indústria brasileira.

    2 – Sobre o assistencialismo: os miseráveis precisam de ajuda. Ok, e estão efetivamente sendo ajudados, é por isso que existem tantas regras. Mas e depois? Todos encheram as barrigas e todos possuem agora condições mínimas de existência. E os filhos deles? Vai ter emprego pra todos? Vai ter educação pra todos? Eles vão ser empregados? Eles estão se mantendo nos empregos? Eles vão participar efetivamente da economia? Eles vão pagar impostos também? Quando isso termina?

    3 – O que a Dilma tá fazendo na Europa, se tem tanta coisa importante pra resolver aqui?!

  52. mona said

    Edu,
    Dilma está fazendo sua viagem ao passado (com o seu o meu o nosso dinheirinho) e querendo encarnar o papel de paizão/mãezona doadora de conselhos aos turcos, aos israelenses, aos europeus e ao mundo de uma maneira geral, para que se mirem no Brasil ao irem em busca da solução para os seus problemas. Aqui, tudo já foi resolvido, o nível de corrupção é baixíssimo, o nível educaional é de causar inveja a qualquer nação, a saúde vai muito bem, nossa segurança é exemplar (moro na Bahia, terra do Jaques Wagner, sei do que falo), tenta-se importar conflitos étnicos e raciais (porque a convivências entre as raças, aqui – antigamente era motivo de orgulho – é um engodo disseminado pela elite branca) e até religioso (nosso sincretismo religioso vem resistindo… mas, até quando?) e, economicamente, não temos qualquer dependência do nível de preço da commodities para nos darmos bem. Nossa justiça também é exemplar, nosso legislativo também nos orgulha e o executivo, um exemplo de eficiência.
    Assim, nada mais lógico que a Tia voe por aí – ja que por aqui, nada há mais para se fazer… Oh, desculpe: há sim. Acabar com o PIG, esse demônio que fica vendo/descobrindo/denunciando a existência de chifre em cabeça de jumento.

  53. Patriarca da Paciência said

    “Cadê o fundamento econômico da Dilma? Ela tá atrás do quê? Eu só vi a inflação aumentar e o o governo flertar com aumento da carga tributária, enquanto as contas do governo continuam ameaçadas.”

    Isto é o que se chama visão seletiva.

    Tanto jornais, quanto telejornais, dizem o tempo todo que há uma forte demanda mundial por produtos alimentícios e matérias primas, o que faz o preço desses produtos estarem em alta na mundo todo.

    Como diz o Lula, um bilhão e meio de chineses e um bilhão e duzentos milhões de indianos passaram a consumir.

    Isso é mal?

    Como pode ser mal para o Brasil, um grande produtor de alimentos e um grande pordutor de matérias primas?

    O mundo inteiro reconhece que o Brasil está numa posição privilegiada.

    Mas algumas pessoas que por muito tempo rezaram pela cartilha da dependência norte-americana não se conformam.

    Fazer o quê?

  54. Zbigniew said

    Edu, o gigante despertou! (Muito bem sacado). Keeping walk.

  55. Edu said

    Patriarca e Zbigniew,

    Com todo o respeito. O que eu estou tentando fazer é uma crítica construtiva àqueles que eu acho que são nossos funcionários. A Dilma trabalha pra mim, e para vcs todos, assim como o FHC trabalhou, o Lula trabalhou, etc.

    Eu sinceramente, acho que o serviço que Dilma está prestando não é bom. Não é porque ela é de esquerda, não é porque eu sou entreguista, não é porque eu sou neoliberal, não é por nada disso.

    Uma coisa é defender alguém que legitimamente está fazendo um bom trabalho, independentemente da ideologia de trabalho defendida por essa pessoa. Outra coisa diametralmente oposta é acreditar que o simples fato de alguém ter uma ideologia de trabalho faz dessa pessoa uma boa trabalhadora. Os argumentos se foram, as perguntas não são respondidas, vocês, com todo o respeito, simplesmente estão defendendo algo que não está sendo realizado, deslumbrados, aparentemente pelo fato de que a ideologia que defendem finalmente chegou ao poder. Parem com isso! Abram os olhos! O mundo não é assim! Não é com ideologia pode ser a base de muita coisa, mas ideologia sem planejamento, transparência, ou coerência é no mínimo prelúdio de problemas sociais de longo prazo e no máximo fanatismo.

    Avaliem racionalmente, vcs acham mesmo, que a Dilma está caminhando um caminho claro, seguro, cujo desenvolvimento é sustentável? Vcs não pensam nos seus filhos? Vcs não pensam que seus filhos podem ter que pagar, como o povo da Grécia está pagando, pela abertura sem controle nenhum dos cofres públicos? Pensem!

  56. Pax said

    Caro Edu,

    Também tenho inúmeras críticas. Mas “abertura sem controle nenhum dos cofres públicos” não faz parte da minha relação delas com relação ao governo Dilma.

    Não mora aí seu maior pecado. Ao contrário. De tudo que se tem visto ela anda segurando as rédeas o quanto pode.

  57. Edu said

    Então Pax,

    Acho que eu me expressei mal. O problema não é abertura dos cofres públicos, como disse, sou meio contra, mas ok, traz benefícios. O problema é que as contas de cofres públicos abertos nuna fecham. Podem levar anos e anos para que a conta venha, mas ela vem! Aí vem a crítica: onde esta conta vai se fechar? Qual é o horizonte de tempo? Basta que alguém me prove que a conta fecha, que eu passarei a ser o maior defensou desse modelo. O governo parece estar preocupado com a conta, mas não parece pensar no horizonte de tempo, então o governo tenta tomar medidas, mas efetivamente não sabe até aonde ir. Aí aparecem medidas econômicos que em minha opinião são estranhas, para não dizer contraditórias: dá com uma mão, tira com a outra: anda com algumas obras, para outras, cancela outras, promete investimentos, aumenta impostos, fala sobre aumentar a competitividade do país, cria proteção à indústria, reduz a taxa de juros, diminui o crédito. Eu não vejo coerência nessa série de medidas.

    É a diferença entre se arriscar, sabendo dos riscos que se está correndo, e se arriscar pelo simples fato de acreditar que vai dar certo, afinal, para quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho será bom. (Gato da Alice)

    Aliás, esse risco deveria ser controlado pelos ministros, que deveriam apontar soluções pra Dilma, e só se tem descoberto corrupção! Quando vem uma solução é do tipo: vamos mudar a lei, pq do jeito que a lei está eu não consigo fazer nada. Ué, mas desde sempre foi assim e todo mundo governou, por que agora a lei está errada?! Quando vem uma solução, é solução simplista, cujo resultado favorece apenas parcela da população ou a longo prazo gera rombos orçamentários…

    Cadê a direção da líder?

  58. Patriarca da Paciência said

    Sinceramente, meu caro Edu,

    eu nunca estive tão confiante no futuro do Brasil. Temos a agro-indústria mais competitiva do mundo e um mercado que tende a se expandir por muitos anos. Temos um mercado interno que tende a se fortalecer e se expandir por muitos anos. Temos o pré-sal etc.

    Um país que vem dando certo e que o mundo interio reconhece que está no caminho certo.

    Realmente, para mim, é quase imcompreensível essa sua extrema preocupação.

  59. Patriarca da Paciência said

    Interio = inteiro

    Imcompreensível = incompreensível

  60. Edu said

    Pô Patriarca,

    É um mero ponto de vista! Trabalho em empresa: temos que prestar contas, seguir certas regras, respeitar hierarquia, pelo menos tentar fazer tudo certo para que os acionistas sintam que o investimento que fizeram no longo prazo é sustentável, senão eles deixam de investir, a empresa vai à falência e todos perdemos nossos empregos. Para fazer isso, o presidente da empresa tem que mostrar transparência ao mercado: produzir um relatório anual detalhando as decisões que tomou e justificando essas decisões numericamente; ele tem que mostrar responsabilidade financeira: a empresa tem limites de alavancagem, e se o presidente ultrapassar esse limite, significa que a empresa está muito agressiva ou está mal das pernas, e esse relatório financeiro é auditado e enviado ao mercado; hoje ainda, o presidente tem que apresentar um relatório de sustentabilidade, provando que a empresa toma ações que cuidam do meio-ambiente, cuidam da comunidade, dos seus funcionários, dos seus fornecedores e dos seus clientes de tal maneira que a empresa será sustentável durante o maior prazo possível. Essa prestação de contas, responsabilização dos atos do presidente e essa relação com o mercado são chamadas de governança corporativa. Se este relatório de governança está mal, incoerente, incompleto ou os acionistas descobrem que algo foi inventado, os acionistas vendem suas ações, desvalorizando a empresa e, inclusive, colocando em risco. Hoje, pela regulação do mercado esta prestação de contas é bem rígida, prescinde de auditorias internas e externas, há regras de contabilização para dar nome a cada número que está apresentado. Ainda assim há falcatruas no mundo empresarial: como na Enron, Parmalat, Sadia, e tantas outras.

    Eu me sinto um acionista do governo, afinal pago muito pro governo todos os anos, e nunca vejo meu dinheiro investido retornar. O governo nunca me apresentou relatórios auditados e confiáveis, nunca deu satisfação porque prometeu uma coisa e fez outra, nunca apresentou aonde ele quer chegar com as ações que está tomando. Eu fico sujeito aos relatórios externos, a que chamamos de mídia, para fazer essa avaliação, e sabemos que a mídia não sabe analisar números, e sem números, qualquer relatório é insuficiente.

    Eu como acionista do governo sou obrigado então a recorrer a uma série de jornais, conhecimento econômico e blogs políticos para formar a melhor imagem possível da fotografia de um governo.

    Isso posto, eu também acho que o Brasil é extremamente rico em recursos naturais e tenho certeza que se isso for bem usado, esse país tem todas as condições necessárias para prosperar, bem como todos os seus habitantes.

    Mas para mim, essa imagem do Brasil, apresentada hoje é insuficiente, incoerente e inconsistente (nessa ordem) e tudo o que eu queria era saber mais desse caminho certo do Brasil. Porque aí sim eu vou ter condições, como acionista, de dizer: ruim, médio, bom e poder votar conscientemente de modo que o Brasil continue evoluindo.

    Mas se vc se sente confortável com as informações disponíveis e acredita que assim está bom, que bom! hehe Aí chegamos num ponto que não faz sentido debatermos mais. Ainda assim não deixarei de aprender uma coisa com vc: realmente é preciso ter fé e paciência.

  61. Edu said

    Escrevi correndo, desculpem os erros de português.

  62. Patriarca da Paciência said

    Edu,

    justamente, o que chama a atenção do mundo para o Brasil de hoje, é a sua economia bem equilibrada.

    O déficic público é bem pequeno. Em proporção ao PIB, a dívida pública é uma das menores do mundo. O sistema financeiro está saudável. O nível de emprego é excelente. A economia cresce, apesar da quase recessão mundial.

    Ou seja, o Brasil tem uma economia bem administrada.

    O resto é só alarmismo.

  63. Patriarca da Paciência said

    O déficit público é bem pequeno em comparação com outros países, inclusive com o déficit dos Estados Unidos.

  64. Zequinha said

    E é bom não esquecer que as empresas brasileiras não são mais honestas que a administração pública. Poucas empresas brasileiras são capazes de passar por um pente fino fiscal e de observância dos padrões da ABNT. A maioria vai ficar na malha, porque sonega ou não cumpre os padrões técnicos. As empresas que menos sonegam no Brasil são as empresas estrangeiras. E as pessoas não são corruptas porque o Estado é corrupto. É o inverso, o Estado é que é corrupto porque a sociedade é corrupta. O brasileiro não se importa de eleger político ladrão, porque o eleitor vê a si mesmo como alguém potencialmente desonesto. Para o brasileiro, cometer uma desonestidade é só uma questão de oportunidade. Ele acha que só não cometeu desonestidade quem, não teve oportunidade de fazer isso. Quem tem oportunidade de roubar, rouba, seja no governo, seja na empresa privada. Na empresa privada, se o sujeito for empregado, rouba do patrão, e se o sujeito for o patrão, rouba da sociedade. Exemplos? Pílulas “anticoncepcionais” feitas de pura farinha de trigo, adulteração de leite manipulado industrialmente, sonegação, desobediência à legislação e às NRs sobre efluentes industriais, sobre qualidade e segurança e muito mais.

  65. Chesterton said

    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/10/10/o-rombo-da-educacao-e-o-cabide-de-empregos-de-46-bilhoes-de-reais

  66. Pax said

    Na cara dura, em pleno “avenidão”

    fonte:

    http://rotasverdes.blogspot.com/2011/10/travessia-pelo-rio-amazonas.html

  67. Pax said

    Caro Chesterton,

    Muito bom o artigo do Gustavo Ioschpe no #65. Se as informações confirmam, há um indício enorme de oportunidades para o problemão da Educação no Brasil.

    Assim como na Saúde.

    Assim como na Segurança Pública.

    Assim como em toda nossa infraestrutura.

    Ou seja, não é falta de dinheiro, é falta de gestão.

    Taí uma enorme oportunidade para Dilma. Ou um enorme pesadelo. Vai saber.

  68. Edu said

    Chest, Pax,

    CQD. Cadê a gestão nesse governo? A única coisa q ela tinha q fazer era gerir… e aí? Somos obrigados a procurar um artigo que mostre os números, pq o governo mesmo, só tem números fabricados.

  69. Pax said

    Caro Edu,

    Você não acha que está um tanto afobado para tirar conclusões? Não estou dizendo que sim ou que não, mas somente que talvez seja um pouco cedo demais para as conclusões. Um pouco de tempo. Ao tempo.

  70. Chesterton said

    o problema se resume ao funcionalismo público, inapto, preguiçoso, corporativista, sindicalizado= CULPADO!

  71. Edu said

    Pax,

    A grande verdade é q eu tenho mto medo de que não dê certo. Minha única arma é o voto, não sou advogado, funcionário do MP, formador de opinião, líder de nada e nem dono de nenhum meio de comunicação. A mim resta esperar, como, pelo que eu entendi, prega o Patriarca da Paciência! Mas sim, sou uma pessoa muito ansiosa! Porque para mim são pequenas mudanças que fariam toda a diferença: aqui estou me referindo ao fato de alimentar a população com mais transparência e informações (não dados, informações úteis mesmo).

    Enfim, vamos aguardar!

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