políticAética

Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

  • Sobre o blog

    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
  • Categorias

  • Arquivos

  • Páginas

  • Meta

Corrupção como crime hediondo

Posted by Pax em 24/10/2011

Tirem suas próprias conclusões.

Sarney inspira Lobão a agravar pena de corrupção – Estadão

ANDREA JUBÉ VIANNA – Agência Estado
Inspirado em discurso do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) – que se declarou preocupado com a impunidade, “uma chaga da nossa sociedade”, principalmente nos crimes de homicídio – o senador Lobão Filho (PMDB-MA) promete apresentar nesta semana projeto de lei para transformar a corrupção em crime hediondo.

“O crime de desvio de recurso público na área da saúde, da educação, tem um poder de homicídio em massa. Como uma contribuição à ideia de vossa excelência, pretendo dar entrada nesse projeto”, justificou Lobão, que é filho e suplente de um dos mais antigos e leais aliados de Sarney, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA).

Os crimes hediondos, como homicídio qualificado e tráfico de drogas, não admitem fiança e têm penas mais graves, que devem ser cumpridas em penitenciárias de segurança máxima. Sarney agradeceu a iniciativa de Lobão Filho e se declarou “profundamente gratificado” por ter conseguido sensibilizar o Senado para o problema da impunidade.

Com mais de 50 anos de vida pública, ex-presidente da República e quatro vezes presidente do Senado, José Sarney transformou-se em um dos políticos que mais enfrentaram denúncias nos últimos anos, sem que nenhuma delas o afastasse do poder. Há um mês, Sarney foi alvo de vaias de 100 mil pessoas no Rock in Rio 2011 – puxadas pelo vocalista da banda Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, que lhe dedicou a música “Que país é este?” (continua no Estadão…)

Anúncios

97 Respostas to “Corrupção como crime hediondo”

  1. Otto said

    Ih, a Veja esqueceu!

    por Mauro Malin

    A reportagem de capa da Veja (26/10) sobre a indignação contra a corrupção tem o mérito de constatar que o grande catalisador das manifestações realizadas em várias cidades brasileiras foi a reação da presidente Dilma Rousseff às primeiras denúncias graves de corrupção em seu ministério. A figura simbólica de presidente tem muita força em qualquer lugar, talvez mais ainda num país em que tanta coisa importante acontece de cima para baixo.
    À luz dessa relação de causa e efeito, o confronto de ideias entre partidários e adversários das manifestações perde o sentido quando é cavalgado por, respectivamente, oposicionistas e situacionistas. Esses opinadores atribuem aos manifestantes inspirações e propósitos que eles não têm.
    Lição do barão
    A revista apresenta uma numerologia vazia. Primeiro, porque o cálculo do montante de corrupção é uma conta necessariamente falsa, já que corrupção é crime e, portanto, feita sem registro. Os números que se conhecem reportam-se aos casos investigados, pequena parte do todo. Segundo, porque não explica como chegou ao número de R$ 85 bilhões (2,3% do PIB) drenados anualmente pela corrupção. Menciona uma “estimativa” da Fiesp – cujas bases metodológicas são desconhecidas – de R$ 720 bilhões garfados em dez anos.
    Terceiro, porque a tradução dos R$ 85 bilhões em obras e atividades que essa soma permitiria realizar é mera fantasia para ilustrar a reportagem. Como se fosse possível escolher uma só dessas opções e jogar nela todo esse inexistente dinheiro.

    O mais curioso é, entretanto, um “esquecimento”: Veja não diz uma palavra sobre o papel decisivo de grandes empresas privadas na corrupção. Não são só os corruptos que ficam mais ricos. Os corruptores ficam ainda mais ricos. Cabe a frase com que o Barão de Itararé ironizava o dito de Augusto Comte segundo o qual cada vez mais os vivos são governados pelos mortos: “Os vivos são cada vez mais governados pelos mais vivos”.

  2. Zbigniew said

    Pois é, Otto.

    A Veja é uma empresa capitalista. Ela não vai queimar o filme, ainda mais se algum corruptor for anunciante dela. Tais brincando…

  3. Otto said

    Pois é, Zbigniew.

    A Veja é a casa da hipocrisia.

  4. Otto said

    Oi, Pax, ainda sobre o post anterior, mas tendo a ver também com este, aqui vai um texto bastante esclarecedor (do Eduardo Guimarães, do Blog da CidadAnia):

    TODOS PERDERAM COM O CASO ORLANDO SILVA

    Surgiu um discurso sobre as denúncias contra o ministro Orlando Silva e o PC do B que mostra que esse caso, além de só ter distribuído prejuízos, fez isso com uma justiça verdadeiramente poética. É o discurso de setor da sociedade acusado de “isentismo”, ou seja, de não se comprometer com lado algum. Não ficando em cima do muro, mas erguendo o muro.

    É muito simples: a mídia, de fato, faz denúncias seletivas só contra o governo Dilma e, mais objetivamente, contra o ministério do Esporte, mas só faz isso porque esse ministério deixa “rabo” por ter sido “aparelhado” pelo PC do B, que, segundo essa visão, estaria fazendo alguma coisa que os outros partidos não fazem ou que, por ser o PC do B, não teria “direito” de fazer.

    Quando ouvi hoje de uma das pessoas mais sóbrias, inteligentes e honestas que conheço certa afirmação sobre esse caso, fiquei assustado. Na verdade, fiquei assustado depois que essa pessoa me disse que, claro, evidente, a mídia estava querendo, sim, acuar o governo e adquirir o poder de governar, mas que, também, o PC do B, de fato, teria “aparelhado” o Ministério do Esporte.

    Quando perguntei em que se baseava a afirmação, a resposta foi de que reportagem do Fantástico teria mostrado “claramente” que estava sendo entregue dinheiro do ministério do Esporte a ONG de militante do PC do B, o que, apesar de legal, seria “imoral”. Daí quis saber como se pode inferir, daquela reportagem, que há uma legião de ONGs desse partido mamando no ministério do Esporte como ONGs de nenhum outro partido fazem em outros ministérios.

    A pessoa, alguém muitíssimo bem informado, não soube informar. Disse-me, apenas, que estaria “clara” a existência de uma legião de ONGs do PC do B que seria toda fornida com dinheiro do ministério que o partido comanda há tanto tempo.

    Então perguntei se isso não ocorreria em outros ministérios. Resposta: claro que ocorre porque o problema é “estrutural”, ou seja, o sistema que rege as relações do Estado com o Terceiro Setor propiciaria abusos. E o fato de a mídia só fiscalizar um lado não reduziria a “culpa” do lado que está sendo acusado.

    A teoria é a seguinte: já que não dá para pegar os dois lados porque, por exemplo, pedidos de CPIs sobre a relação do governo de São Paulo com o Terceiro Setor dormitam na Assembléia Legislativa do Estado e continuarão ali pois a mídia não irá nunca fazer a mesma (ou qualquer) pressão sobre o PSDB , que se puna um lado só.

    É aquela história da utopia possível. Já que não dá para fazer o necessário, que se faça o que dá para fazer até que, em algum dia incerto de um futuro distante, seja possível pegar os dois lados.

    Aí pergunto à pessoa se fazer com que um lado só seja punido enquanto o outro fica livre não fará com que esses que têm licença para corromper ou ser corrompidos voltem ao poder e, aí, a corrupção estará institucionalizada, porque, então, como acontece aqui em São Paulo não haverá mais fiscalização do governo federal, mas, sim, aquela imprensa elogiosa, baba-ovo e chapa-branca da época de FHC.

    Mas o que fazer, então? Calar? Compactuar com o roubo no meu lado e acusar o lado da mídia e da oposição porque eles compactuam com o roubo dos seus aliados? Ou será que devo me juntar à direita e derrubar e desmoralizar o ministro Orlando Silva e seu partido mesmo que disso possa resultar que amanhã seja eleito um grupo político com licença para roubar, como era até 2002?

    É absolutamente irracional que uma pessoa que deseja o melhor para o país possa querer que ocorram punições desonrosas como demitir Orlando Silva e execrar todo o seu partido sob denúncias não investigadas e sem provas inquestionáveis como a que levou o ex-governador de Brasília José Roberto Arruda do palácio do governo direto para o xilindró.

    Há que fazer uma diferenciação entre o que é prática comum a todos os partidos, ministérios, secretarias de Estado e dos municípios – e que, inclusive, é legal, por mais que seja questionável – e o que é prática criminosa. Depois disso, não se pode querer debitar as deficiências do sistema a um único homem e seu partido inteirinho.

    Todos sabem que a esposa do ex-governador José Serra tem uma ONG que recebe dinheiro de empresa estatal que o governo paulista controla, a Sabesp. A ONG da ex-primeira dama Ruth Cardoso, que Deus a tenha, também recebia dinheiro público. Mesmo que, presumidamente, essas organizações ligadas a tucanos façam aquilo a que se propõem com o dinheiro público que recebem, para essas pessoas não vale o mesmo critério que vale para membros do PC do B?

    Só há uma postura correta, em tal situação: que as instituições de controle investiguem e que a Justiça puna ou absolva. Mas sem viés político. Se resultar uma constatação de culpa, que se puna só os corruptos que foi possível pegar, então. Agora, querer punir um lado só enquanto o outro lado tem licença para roubar, e ainda querer punir sem provas, não dá mesmo.

    É por isso que todos perderam com o caso Orlando Silva. Porque falta honestidade a QUASE todos os lados. Quem defende o tribunal seletivo de exceção, está errado; quem não quer nem saber de investigação porque a intenção da mídia é clara, também; e quem entende que há hipocrisia da mídia mas acha que onde há fumaça há fogo, idem.

    Quem queria o linchamento de Orlando Silva (a mídia e a oposição) perdeu porque apostou todas as fichas em que Dilma cederia, divulgou a demissão como fato e depois foi desmentido; quem está sendo acusado (o ministro e seu partido) também perde porque há gente séria e que sabe que a mídia é partidária e desonesta, mas que, mesmo assim, acredita nela.

    Mas há um perdedor maior: a ética na política e na administração pública. No caso Palocci, por exemplo, como a onda de moralismo contra ele se limitou a defenestrá-lo e depois não tocou mais no assunto, nunca houve debate sobre regulação do processo de transição de cargos no governo para o setor privado, a tal quarentena. Então outros enriquecerão como Palocci.

    Quem denuncia essa situação não quer impunidade “dos seus” coisa nenhuma. O que não se quer é pressa, é linchamento. Para desonrar alguém para o resto da vida com demissão sumária por corrupção, sobretudo sendo um partido político com dezenas de milhares de filiados, é preciso mais do que “Eu acho que eles fizeram, sim, porque parece que fizeram”.

    Como alguém honesto e bem-intencionado pode pregar que se puna Orlando Silva e seu partido inteirinho sem que existam elementos inquestionáveis de prova? E o que é pior: em um prazo absurdo, ridículo de uma mísera semana após a acusação. Isso é linchamento, ora. Não há outro nome.

    Não sei se o PC do B fez aquilo tudo de que o acusam. Vejo até gente séria dizendo que “é claro” que fez. Como assim? Quero a defesa do partido, para me posicionar. E o resultado de uma mínima investigação. Não posso aceitar esse linchamento feito de notícias falsas que chegam a desdizer inclusive a presidente da República quando ela diz que dará direito de defesa aos acusados.

    Se ainda fosse a primeira vez, não seria “nada”. Mas é o quinto ministro que a mídia quer tirar “por corrupção” sem prova alguma sob o argumento de que “é claro” que se corrompeu, sendo que os quatro ministros anteriores, depois que saíram do cargo, não tiveram culpa provada, muitas vezes nem tendo existido qualquer investigação após se renderem à mídia.

    Não se pode, é claro, dizer que inexiste a hipótese de os acusados da vez serem mesmo culpados, ainda que a hipótese de que um partido como o PC do B seja institucionalmente corrupto me soe para lá de absurda e até antidemocrática. Não diria tal coisa do PSDB, ao menos de cabeça fria. Posso discordar do partido, mas é claro que tem gente séria

    Obviamente que há legendas de aluguel, mas se nos pretendemos em um Estado de Direito e não respeitamos o princípio “civilizatório” e constitucional de presunção da inocência, e ainda só contra um lado, estaremos apoiando uma ditadura midiática.

    Bom seria, então, que quem fomentou essa farsa refletisse minimamente que, ao acusar leviana e indiscriminadamente os adversários, o país logo irá parar de vez de dar bola para qualquer denúncia, até para as fundamentadas. E a pior coisa que pode acontecer a um país é ele não se indignar com a corrupção. Mas é o que acontecerá, nesse ritmo.

  5. Chesterton said

    ha, ha, ha, ha….

  6. Zbigniew said

    E a Veja, hein?!

    Do portal G1: Ex-PM diz nao ter provas contra Orlando Silva.

  7. Zbigniew said

    O texto do Edu, colacionado aqui pelo Otto e uma sintese do que ja foi dito: nao adianta essa onda seletiva, sob a forma de “faxina” que tanto a nossa querida midia propaga e quer se arvorar agente ativo na forma de uma “primavera arabe”. Isto nao vai funcionar. Principalmente porque nao se quer acabar com a corrupcao. O que se quer e desestabilizar um governo e preparar terreno para outro. Isto e hipocrisia das brabas.
    Obviamente que nao se pode deixar que algum ministro pego em alguma irregularidade fique no governo. Mas se tem que ter um movimento de combate a corrupcao, tem que ser bem mais amplo, vai ter que acabar com toda uma cultura e todo um sistema que alcanca do Judiciario as menores reparticoes administrativas nos diversos municipios deste pais. Tem que alcancar tambem os corruptores. Pergunta se a Veja e o PIG topa a cruzada. Eu sei bem o que eles topam.

  8. Otto said

    Lembro que já ouvi inúmeras pessoas dizendo que o Lula é um vagabundo (cortou até um dedo para se aposentar, entre outras acusações preconceituosas). Dizem que há anos não trabalha e vive só da política. Então, se alguém puder, me responda uma pergunta. De que vive o Sr.José Serra? Há mais de um ano não trabalha. Como consegue manter o padrão de vida que ostenta?

  9. Otto said

    A AGONIA DO PSDB EM SEU BERÇO PAULISTANO

    Balaio do Kotscho

    O PSDB sempre foi um partido paulista e paulistano. Desde que foi criado como uma dissidência da ala anti-Quércia do PMDB, nos anos 1980, sairam de São Paulo todos os seus candidatos à presidência da República: Mario Covas, em 1989; FHC, em 1994 e 1998; José Serra, em 2002 e 2010, e Geraldo Alckmin, em 2006.

    Agora, a menos de um ano das eleições municipais de 2012, o PSDB não consegue encontrar um candidato viável a prefeito em seu berço paulistano.

    Alijados do poder federal desde 2002, divididos internamente, sem novas lideranças e sem um discurso capaz de emocionar a maioria do eleitorado, os tucanos vivem um tempo de agonia, sem qualquer perspectiva de sair do buraco tão cedo.

    Já apareceram os nomes de vários possíveis candidatos, nenhum deles com densidade eleitoral para chegar ao segundo turno, discute-se se o partido fará prévias e quando isso deve acontecer, mas o fato é que no momento o PSDB está vendo ameaçada a sua hegemonia de duas décadas em terras paulistas.

    Pouco importa se o candidato do PT, seu eterno principal adversário, será Fernando Haddad, como quer Lula, ou mais uma vez Marta Suplicy, como quer Marta Suplicy. O problema é que o PSDB não tem um nome forte para enfrentá-los e, o que é pior, não tem a menor ideia do que dizer ao eleitorado.

    Mais uma vez, quem percebeu a gravidade da situação foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que falou o óbvio no colóquio promovido no último final de semana, em São Paulo, no lançamento do portal “Sua Metrópole”.

    “Ou chegamos mais perto ou o fosso entre o homem público e a sociedade aumentará”, advertiu FHC, em sua fala de 38 minutos, em que propôs “maior proximidade com paulistanos da periferia”, no período de definição de seu candidato a prefeito.

    A distância entre a teoria e a prática, no entanto, pode ser medida pela própria escolha do local do evento: o auditório da FAAP, centro universitário chique do nobre bairro de Higienópolis, onde moram FHC e outros cardeais tucanos. Periferia? A maioria dos presentes certamente não tinha a menor ideia de onde fica e como chegar lá.

    Um sintoma desta dificuldade tucana foi a forma como o maior jornal paulista, a “Folha de S. Paulo”, noticiou o evento da FAAP em sua edição de sábado: na coluna social.

    Em duas notas, a colunista Monica Bergamo anunciou o discurso de FHC sobre “metrópole sustentável” e informou que o partido quer trazer Rudolfph Giuliani, ex-prefeito de Nova York, para participar de um próximo encontro. Giuliani, como todos sabem, certamente causará o maior furor em Sapopemba.

    Certa vez, quando era prefeito de São Paulo, Mario Covas reuniu seus secretários num ônibus para apresentá-los à tal da periferia e aos problemas de quem vive longe do centro paulistano.

    Ao perceber durante a viagem que o ônibus estava sendo seguido por um comboio de carros pretos dos senhores secretários, com seus respectivos motoristas, Covas perdeu a paciência e deu uma ordem para todos voltarem.

    “Vocês vieram de ônibus comigo e voltarão de ônibus comigo. Podem mandar os carros embora”.

    O evento da FAAP marcava o primeiro encontro dos pré-candidatos do PSDB (Bruno Covas, neto do próprio, Andrea Matarazzo, José Anibal e Ricardo Tripoli) para falar sobre a campanha municipal, mas o governador Geraldo Alckmin e o ex-governador José Serra não deram as caras, mostrando o grau de união no partido e o interresse dos tucanos pelos destinos da maior cidade do país.

    José Serra, que tem aparecido mais nas colunas sociais do que no noticiário político, se auto-descartou da corrida municipal porque quer se preservar para a sucessão de Dilma, em 2014, mesmo tendo sido derrotado internamente nas disputas municipal, estadual e nacional do comando partidário.

    Serra está absolutamente isolado e já se fala até numa possível mudança de partido _ para o recém-nascido PSD, do seu aliado Gilberto Kassab, ou o PPS, do sempre fiel Roberto Freire.

    Fora ele, Alckmin e FHC, que há tempos decidiu não ser mais candidato a nada, quem sobrou de liderança tucana importante em São Paulo?

    A maior humilhação para os tucanos históricos será a aliança do PSDB com o PSD que está sendo costurada por seguidores de Alckmin e Kassab para enfrentar o candidato do PT. É a única chance do partido disputar as eleições com chances de vitória.

    A grande questão é que, se tudo der certo na costura da aliança, a rendição tucana estará consumada. O PSD quer a cabeça de chapa para o vice-governador Guilherme Afif (ou o recém-chegado Henrique Meirelles) e o PSDB entraria com o vice, que pode ser qualquer um dos seus pré-candidatos.

    Para aliviar um pouco o clima de baixo astral, a boa notícia para o terreiro tucano neste final de semana foi o anúncio de que o “emendoduto” denunciado pelo deputado Roque Barbieri, que envolveria o governo estadual e um terço dos deputados para desviar verbas do orçamento, deverá ser definitivamente enterrado pelo Conselho de Ética da Assembléia nos próximo dias.

  10. Otto said

    Olha, Zbigniew, o que um ex-editor da Veja postou no seu blog (www.diariodocentrodomundo.com.br):

    OS BRASILEIROS E O MOVIMENTO OCCUPY WALL STREET

    Meu amigo Mateus, goalkeeper nos bons na juventude, pergunta argumentamenre: e o Brasil, quando o espírito do movimento “Ocupe Wall St” vai se manifestar no país?
    Hmm.
    Pensei nisso. E cheguei à conclusão de que o movimento não tende a pegar no país por uma razão: o que os manifestantes querem é algo que, bem ou mal, vem sendo feito no Brasil: um olhar para os pobres. Para os “99%”.
    Olhando retrospectivamente, dá para dizer que Serra perdeu para Lula em 2002 porque a sociedade entendeu que era hora de eleger alguém que, pelo menos no plano da percepção, representasse os “99%”. Lula se reelegeu, depois, porque programas como o Bolsa Família e as cotas universitárias deram força a essa percepção. E a vitória de Dilma, em 2010, tem a mesma gênese.
    Os países mais afetados pelo espírito do “OWS” são exatamente aqueles em que a percepção é a oposta – a de que um grupo de ricos governa para eles próprios e seus amigos. Os Estados Unidos, primeiro e acima de todos. Numa frase marcante, o economista americano Joseph Stiglitz escreveu há algum tempo que o que se tem nos Estados Unidos é o “1-1-1” — o 1% eleito pelo 1% governando para o 1%.
    A administração do PT pode ser acusada de muitas coisas. Mas não de ser regida pelo esquema “1-1-1” de que falou Stiglitz.

  11. Zbigniew said

    Sobre o momento q vive a velha midia brasileira, o Nassif traz um ponto q merece uma refexao profunda:

    “O vale-tudo da informação chegou a um ponto sem retorno.

    Historicamente, as jovens gerações de jornalistas entram com todo gás, querendo fazer carreira e, para tanto, seguindo os critérios de avaliação das direções. Se os critérios são tortos, forma-se uma geração torta. Foi assim com o rescaldo da campanha do impeachment, que consagrou os profissionais que mais atentaram contra os princípios jornalísticos, os que mais inventaram notícias, que se apossaram de matérias de terceiros.

    O momento atual é o mais escabroso da moderna história da imprensa brasileira.

    Na transição de gerações, existem os jornalistas experientes, servindo de referência e de moderação para os mais apressados. Cabe a essas figuras referenciais ensinar os limites entre jornalismo e ficção, o respeito aos fatos e as técnicas que permitam tornar as matérias atraentes sem apelar para a ficção ou para os ataques difamadores. Principalmente, cabe a eles mostrar os valores universais da civilização, o respeito ao direito sagrado da reputação, o pressuposto de que as acusações precisam vir acompanhadas de provas ou indícios relevantes, o direito de se ouvir, sem viés, a defesa do acusado, o uso restrito do jornalismo declaratório.

    A questão é que esse meio campo está com lacunas.

    O episódio Orlando Dias mostrou jornalistas consagrados, que deveriam fazer o contraponto, ajudando a criar o clima de expectativa em cima das capas de Veja. São jornalistas que estão fartos de saber que a revista não segue princípios jornalísticos, que mente, difama, blefa, que promete provas que nunca aparecem. Mas não se pejaram de aproveitar o embalo para atacar adversários históricos.

    Outros jornalistas, com história e credibilidade, preferiram recolher-se ao seu próprio trabalho, pela notória impossibilidade de remar contra uma tendência irreversível de consolidação do jornalismo de esgoto.

    Fazem bem em se poupar e não tentar remediar o irremediável.”

    Vcs realmente acreditam q o PIG trabalha em prol do combate a corrupcao?

  12. Otto said

    Zbigniew:

    quando foi que o PIG se indignou com a privataria de FHC? O PIG, que dá e recebe bola, não tá nem aí com a corrupção. Nem com o Brasil. O PIG quer que o Brasil se exploda.

  13. Zbigniew said

    Muito bom, Otto. Realmente foi necessario que o bolso e a barriga dos mais pobres atestassem tal elemento. A Dilma tem que continuar e aperfeicoar essa politica, e nao pode ficar refem da industria de acusacoes agora instalada para fazer oposicao no pais. No Brasil tem-se a falsa ideia que o problema da corrupcao vai ser resolvido pelo Presidente da vez. Lula combateu politicamente a campanha midiatica, isolando o governo das acusacoes o maximo que pode. Mas para isso teve que contar com sucessos na seara economica, alem de ter um carisma incontestavel.

    Vamos separar o raciocionio. A corrupcao tem que ser combatida. A imprensa tem todo o direito de ir atras dos fatos e apurar. Mas tem que ter apuracao e nao condenacoes sumarias no rastro de atos de corrupcao descobertos. Esse marcatismo e perigoso e no caso de alguns orgaos de imprensa, com a Veja, tem o explicito intuito de defender interesses economicos e politicos contrariados. Nao e a-toa que o PCdoB esta sendo investigado pela revista, e tenham certeza que ela vai fundo, mesmo desmoralizada, ate sentir que nao pode mais fazer nada contra o partido, ou que podera tira-lo da pasta.

    Lembro-me do caso do Humberto Costa no Ministerio da saude que encontrou o esquema dos vampiros e terminou por ser engolido, tendo que se afastar e defender-se na justica. Findou por ser inocentado.

    A verdade e que o sistema politico e juridico brasileiros sao tao viciados que viraram refem de interesses e intencoes bem disfarcados. O q fazer entao? O processo e lento e complexo. Vai depender do amadurecimento da sociedade no que se refere a intolerancia, tanto em relacao aos grandes, quanto aos pequenos atos de corrupcao. E o grau de civilidade. Na capacidade de fiscalizacao dos governos, com base na ideia de prevencao e combate. Na depuracao do sistema de operacao do direito – e aqui e bom q se destaque q tem corrupcao pra todo lado e de todas as formas. Cade a imprensa pra apurar? Vai nada!

    Um bom exemplo de iniciativas seriam os controles externos, mas mais proximos do seu conceito puro do q o arremedo q e o CNJ. E olhe q o CNJ tem incomodado muita gente. ONGs honestas, as redes sociais, os blogs serios, e educacao para a cidadania, porque a educacao formal e incapaz de romper com a logica perversa do sistema ai instalado.

  14. Otto said

    Zbigniew: tá na hora de você abrir um blog. Assino embaixo.

  15. Pax said

    Bem, continuamos aqui a discussão do post anterior. Nenhuma objeção.

    A questão é que a ironia deste post não me sai da cabeça.

    Talvez José Sarney esteja pensando em chamar o Agaciel Maia para auxiliar o Lobinho na redação desta lei que torna corrupção como crime hediondo. Pode ser.

  16. Edu said

    Pessoal,

    Vcs me convenceram (pelo cansaço).

    Vamos fazer o seguinte então: vamos ignorar a Veja e assumir q Orlando Silva não fez nada.

    Em quem vcs querem que eu vote? No PT ou no PCdoB?

  17. Chesterton said

    É , EDU, Orlando Silva não sabe nem que está nas paradas de sucesso da rádio Nacional…

  18. Otto said

    Olha, Edu, não sei se o Orlando Silva tem rabo preso ou não. Mas té agora a mídia não presentou nada, a não ser um “jornalismo declaratório”, como disse o Caco Barcellos.

    Mas alguns exemplos de factóides desmontados:

    “O Estadão, na ânsia golpista de derrubar ministro, é outro jornal que está sendo fritado pelo mau jornalismo.

    Em seu dossiê preparado contra Orlando Silva, o jornalão pega uma obra atrasada da prefeitura de Campos do Jordão (SP), licitada pela prefeitura, cujo prazo do convênio com o Ministério do Esporte só será vencido em dezembro (ou seja, a prefeitura tem prazo até dezembro para cumprir o convênio), e quer apresentar como se fosse irregularidade do ministério, em vez de cobrar a quem é responsável: à atual prefeita Ana Cristina Machado César (PPS), e ao prefeito anterior, João Paulo Ismael (PMDB).

    Está dureza aturar esse sub-jornalismo.”

    “Quem está sendo fritado com a permanência de Orlando Silva no ministério do Esporte, não é o ministro, e sim a imprensa mentirosa.

    Há mais de 12 horas o Ministério emitiu nota respondendo à inverdades publicadas na coluna de Ricardo Noblat (PIG/RJ) no jornal O Globo (PIG/RJ) e, até agora, o blogueiro não publicou o direito de resposta em seu blog.

    Eis os desmentidos ao blogueiro militante do PIG:

    24/10/2011 às 22h06 – Resposta à coluna de Ricardo Noblat, em O Globo (24.10)

    A coluna de Ricardo Noblat, publicada no Jornal O Globo desta segunda, 24 de outubro, comete erros que carecem de correção, alguns deles já desmentidos e esclarecidos pelo Ministério do Esporte em seu site oficial. Para repor a verdade, voltamos a esclarecer:
    1 – A afirmação de que o Ministério virou “incubadora de ONGs ligadas ao PCdoB” é leviana e não corresponde à verdade dos fatos. O Programa Segundo Tempo (PST) mantém ativos 219 convênios, sendo que, desse total, apenas 19 são firmados com Organizações Não Governamentais (ONGs), e entrará em 2012 com apenas 11 convênios com ONGs. Em setembro passado, depois de chamada pública, foi tomada decisão administrativa de não mais assinar convênios com entidades privadas para o Programa Segundo Tempo. Portanto, o Ministério do Esporte não é uma incubadora de ONGS, ao contrário, é o responsável por substituir gradativamente o papel que essas organizações exerceram, nos convênios do Programa Segundo Tempo, por entes públicos. O Ministério não utiliza critério de filiação partidária para a formalização de quaisquer atos administrativos. Os critérios seguem o interesse público e o atendimento de requisitos técnicos e jurídicos.
    2 – Em relação a prestações de contas pendentes, desde domingo está no site do Ministério do Esporte a informação correta: “O Ministério não deixou de analisar 1.493 convênios em 2010. Daquele exercício estão em análise cerca de 120 prestações de contas.” Importante ressaltar que o levantamento nacional realizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) registra que em dezembro de 2009 existiam 56.761 prestações de contas em análise em toda a Administração Pública Federal e as prestações de contas em análise no Ministério do Esporte correspondiam a 2% deste total.
    3– Ao afirmar que, em 2009, de 160 convênios firmados com ONGs 105 não foram vistoriados, a coluna usa informação extraída do Acórdão 521/2009 do TCU. Os dados da referida auditoria são relativos a convênios celebrados e executados e monitorados em 2007, que não retratam a realidade atual de acompanhamento do programa.
    A nova sistemática de acompanhamento, controle e fiscalização, implementada no final de 2008, determina que TODOS os convênios celebrados no âmbito do Programa Segundo Tempo, firmados com entidades públicas ou privadas sem fins lucrativos, sejam acompanhados por meio de visitas ou vistorias “in loco”, em cada ciclo pedagógico. Ou seja, desde 2008 não há nenhum convênio do PST que não tenha sido acompanhado com visitas ou vistorias de fiscalização duas vezes a cada ano.
    Ressalte-se que no próprio Relatório do Acórdão 521/2009 do TCU, a Corte reconhece que o gestor vem se valendo de Equipes de Colaboradores para realizar acompanhamento pedagógico e administrativo do PST, explicitando que os resultados citados anteriormente não retratavam o contexto atual.
    A Controladoria Geral da União (CGU) assim se manifestou sobre os procedimentos de controle adotados a partir de 2008: “Relatório nº 201108586, referente ao Relatório de Gestão 2010: No que se refere ao Acompanhamento das Transferências Voluntárias exercido pela Secretaria Nacional de Esporte Educacional, verificou-se que, no ano de 2010, foram realizadas 1.263 visitas de acompanhamento pedagógicos e operacional a Núcleos de Esporte Educacional, de 70 convênios diferentes, que geraram 100 Relatórios Consolidados de Avaliação, com informações acerca de aderência dos Convênios às diretrizes do Programa Segundo Tempo”.
    O TCU assim se referiu à nova sistemática de controle dos convênios: “ no que diz respeito à atuação da Secretaria Nacional de Esporte Educacional, a CGU tem reportado sensível melhora nos mecanismos de controle relacionados ao Programa Segundo Tempo, com notável esforço para a prevenção de irregularidades e acompanhamento dos Convênios, tarefa de peculiar complexidade, considerando a capilaridade do programa”.
    4 – A coluna afirma que a CGU pediu a devolução de R$ 12,5 milhões repassados pelo Ministério às ONGs Universidade do Professor e Rumo Certo. Não foi a CGU quem pediu a devolução dos recursos, mas o próprio Ministério do Esporte que, na análise de prestação de contas das entidades, constatou irregularidades e instaurou a Tomada de Contas Especial (TCE) para assegurar a devolução aos cofres públicos dos valores aplicados indevidamente.
    É importante ressaltar que o processo de tomada de contas obedece ao seguinte fluxo: (1) o Ministério, ao tomar conhecimento de qualquer fato que possa resultar em prejuízo ao erário, promove a apuração dos fatos, identifica os responsáveis e quantifica o dano causado; (2) o Ministério providencia a inscrição na inadimplência; (3) o Ministério promove o registro dos causadores do dano ao erário na conta “Diversos Responsáveis” do SIAFI; (4) encaminha o processo à Controladoria Geral da União para análise e manifestação; (5) retornando, o processo com a manifestação favorável da CGU, emite pronunciamento do Ministro do Esporte atestando haver tomado conhecimento dos fatos e determinando a remessa do processo ao TCU.
    Ascom – Ministério do Esporte.”

  19. Otto said

    Agora, vocês já perceberam como a imprensa esconde o Pan? Não me refiro a Globo, concorrente da Record, mas ao Estadão, Folha.
    Única exceção: Terra. Não será por que — com o Brasil no segundo lugar do quadro de medalhas — não querem esconder este visível resultado de 9 anos do PC do B a frente do Ministério dos Esportes?

  20. Chesterton said

    Orlando Silva

  21. Otto said

    Olhem, como está o quadro hoje:

    1 [USA] Estados Unidos 62 57 46 165
    2 [BRA] Brasil 27 20 28 75
    3 [CUB] Cuba 21 16 18 55
    4 [CAN] Canadá 18 25 28 71
    5 [MEX] México 18 18 17 27 62
    6 [ARG] Argentina 15 8 17 40

    Nos idos de FHC o Brasil ficou em 6º e 4º. E olha que ficar na frente de Cuba e Canadá não é brinquedo.
    O Brasil só ficou uma vez em segundo, em São Paulo, em 1962 — bem antes de Cuba se tornar uma potência olímpica.

  22. Otto said

    Olhem a razão da ira da mídia:

    Gastos do governo com publicidade são 42% menores em 2011 (do G1).

  23. Edu said

    Senhores,

    Para discutir, é necessário questionar racionalmente, mas pelo visto, o questionamento racional não é o ponto porque as premissas de cada um dos lados são diferentes:

    A) Eu digo que qualquer governo deve ser questionado
    B) Vcs dizem que o governo é idôneo.

    Aí fica assim na lógica de vcs:

    1 – O governo é idôneo, pessoas idôneas não devem ser acusadas, portanto o governo não pode ser acusado.
    2 – A imprensa acusa o governo, mas o governo é idôneo, então a imprensa não tem o direito de acusar o governo.
    3 – A imprensa acusa o governo, mas não acusa a oposição, então a imprensa é a favor da oposição.
    4 – A imprensa deveria ser imparcial, mas a imprensa é a favor da oposição, então a imprensa não tem legitimidade para acusar o governo.

    E vcs arrumam 1000 exemplos para provar o ponto de vcs. Eu sinto muito ter que ser o chato de galochas a dizer isso a vcs, mas a relação de causa e efeito na lógica de vcs só serve para o número 1. As outras relações todas estão erradas. Não adianta enviarem todos esses textos, porque a lógica é frágil! Para cada texto que o Otto enviou no post passado eu rebati com observações, questionando. Não me lembro de ele conseguir contra-argumentar. A única coisa que ele fez foi enviar mais textos governistas fervorosos e um monte de estatísticas totalmente manipuladas.

    Vamos à lógica então.

    E na minha lógica fica assim:

    1 – O governo deve ser questionado, há indícios de corrupção no governo, a mídia acusa o governo.
    2 – A mídia acusa o governo, o governo é idôneo, o governo continua
    3 – A mídia acusa o governo, há corrupção de fato, ocorre impeachment, cassação, qualquer outra coisa, mas o governo deve as ações necessárias
    4 – A mídia não acusa o governo, mas não acusa a oposição, maldita mídia que não acusa a oposição, porque deveria acusar!!!!
    5 – A mídia é parcial, e não acusa a oposição. A mídia é a favor da oposição? Não. A mídia é parcial, mas ainda assim está fazendo um serviço ao fazer os governantes apresentarem as contas sobre seus atos.

    Ah, mas por conta da “falácia” da mídia a Dilma teve que demitir vários ministros.

    Ué, se é uma falácia, por que a própria Dilma não apresenta um comunicado em rede nacional, daqueles que interrompem a programação para comunicar isso?

    Agora, ou nós alinhamos as premissas e discutimos sobre as mesmas premissas, ou eu não to nem aí para o que for dito, porque nesse caso deixa de ser uma discussão argumentativa e passa a ser uma discussão sobre fé.

    E sim, acreditam demais na idoneidade do PT e do PCdoB. E já que virou religião, vamos votar religiosamente: meu voto vai para alguém do PT ou do PCdoB.

    Só preciso saber em quem votar.

  24. Zbigniew said

    E aí?… Silêncio sepulcral…

    O PIG e suas intenções.

    Edu, vote em quem quiser. Mas vote bem informado (não que você nao o seja). Ouça todos os lados e medite.

    Auguste Comte uma dia disse que os vivos eram sempre e cada vez mais governados (influenciados) pelos mortos. O Barão de Itararé adaptou à nossa realidade e arrematou que na verdade os vivos são e serão cada vez mais governados (influenciados) pelos “mais vivos”. Nada mais atual.

  25. Chesterton said

    Ao contrário do que a patrulha virtual do PT reunida em torno do MAV (Militância de Assuntos Virtuais) tenta demonstrar, não foi por “falta de provas” que Dilma deu sobrevida ao ministro do Esporte Orlando Silva. Os relatos das últimas semanas e a fartura de documentos que incriminam o (ainda) ministro do Esporte são mais do que suficientes para botá-lo no olho da rua. Hoje, surge mais uma evidência clara, inconteste, da ligação de Silva com o Policial Militar João Dias Ferreira. Dias acusa o ministro de comandar um esquema de desvio de recursos do ministério para o PCdoB.

    A edição desta terça (25) da Folha de São Paulo apresenta a prova definitiva da participação de Orlando Silva em transações que resultaram no desvio de milhões dos cofres públicos. Em 2006, Orlando assinou um despacho que beneficiou a ONG de João Dias. Na época, sindicâncias internas do próprio Ministério do Esporte apontavam sinais de fraude nos negócios do PM. Mesmo assim, Orlando Silva assinou um novo convênio com a ONG do policial, além de reduzir drasticamente as exigências para a formalização do contrato.

    Abaixo a reportagem de Filipe Coutinho e Fernando Mello:

    O ministro do Esporte, Orlando Silva, autorizou de próprio punho uma medida que beneficiou uma organização não governamental do policial militar que hoje o acusa de comandar um esquema de desvio de dinheiro público.
    Em julho de 2006, Orlando assinou um despacho que reduziu o valor que a ONG de João Dias Ferreira precisava gastar como contrapartida para receber verbas do governo, permitindo que o policial continuasse participando de um programa do ministério.
    A medida foi autorizada mesmo depois de auditorias internas terem apontado os primeiros indícios de fraude nos negócios do policial com o ministério, num período em que ele ainda mantinha relação amistosa com o governo.
    Os documentos obtidos pela Folha são os primeiros a estabelecer uma ligação direta entre Orlando e o policial.
    O ministro está no centro de uma crise há dez dias, desde que Ferreira afirmou que os desvios nos convênios das ONGs com o Esporte serviam para alimentar os cofres do PC do B, partido que controla o ministério desde 2003.
    Orlando diz que não conhece o policial e o acusa de mentir para se defender contra as cobranças que passou a sofrer mais tarde para devolver os recursos que suas ONGs receberam do governo.
    Em julho de 2006, Orlando assinou um ofício que reduziu exigências e fixou em 6% a contrapartida da Associação João Dias num convênio com o ministério do Esporte.
    O percentual era inferior ao que vinha sendo exigido pela pasta nos contratos com outras ONGs do Distrito Federal, que na época tinham que entrar com 30% em média, de acordo com levantamento feito pela Folha.
    Era mais baixo, até mesmo, do que a contrapartida exigida pelo Esporte no primeiro convênio assinado com outra ONG do policial (Federação Brasiliense de Kung Fu). Firmado um ano antes, em 2005, esse contrato previa índice de aplicação de recursos, por parte da entidade, de 22%.
    O primeiro convênio do policial com o ministério foi reprovado pela área de fiscalização da pasta em abril de 2006, três meses antes de Orlando assinar o despacho que ajudou o policial a ganhar outro convênio com o governo.
    A fiscalização do ministério constatou várias irregularidades na execução do primeiro convênio e vetou sua renovação. Para contornar o problema, o policial reapresentou o projeto com outra ONG, a Associação João Dias.
    O documento obtido pela Folha mostra que Orlando liberou o novo convênio e definiu a contrapartida menor, de 6%. É uma prerrogativa do ministro conceder ou não esse tipo de benefício para as ONGs nesses casos.
    Em seu despacho, Orlando argumenta que fixou a taxa em 6% para atender a uma sugestão da área técnica do ministério, mas o parecer dos técnicos não faz nenhuma sugestão e diz apenas que o ministro tinha autoridade para decidir o que fazer.
    Íntegra aqui (para assinantes).

    Bom, além das gravações entregues por João Dias à Polícia Federal, onde assessores diretos do ministro aparecem combinando versões para burlar as investigações da Polícia Federal, temos agora a assinatura de Orlando Silva num documento que beneficiou claramente o policial que hoje o acusa. As provas não se resumem a isso, o próprio Ministério do Esporte admite que milhões de reais foram roubados dos cofres públicos.

    Provas de ilícitos nos contratos com ONGs e outras entidades não faltam. Tanto é assim que o procurador-geral da República pediu a abertura de inquérito para apurar o envolvimento do ministro do Esporte nas fraudes. Queriam um documento assinado por Orlando Silva que atestasse, na melhor das hipóteses, sua inaptidão para o cargo? Agora a “mídia” localizou uma.

    Sinceramente, não sei que outra “prova” a presidente acha necessária para defenestrar Orlando Silva do ministério.

    O IMPLICANTE

  26. Edu said

    Ah

    E sobre os atletas brasileiros: a Natação brasileira conquistou 10 medalhas. O Cézar Cielo, passou por problemas com isso.

    Segundo eu me lembro que o tal do PIG não noticiou, ocorreu o seguinte:

    1 – O Cielo treinou com recursos particulares (dinheiro da família mesmo), nos EUA.
    2 – Logo antes de nadar as olimpíadas recebeu o patrocínio dos correios, porque para representar a CBDA (confederação brasileira de desportos aquáticos), ele tinha que estar com os correios.
    3 – Quando chega ao Brasil, Lula “convida” ele para parabenizar e tirar fotos com ele.
    4 – Ele se recusa, dizendo que não devia nada pra Lula, porque Lula não tinha ajudado em nada.
    5 – Lula ameaça tirar o patrocínio do Cielo.
    6 – Ele cede.

    É essa a grande contribuição do governo do PCdoB e do PT para o esporte que trouxe mais de 10% das medalhas do pan até agora.

  27. Otto said

    Edu,
    não creio que o governo, em todas as suas instâncias, seja inquestionável. E, é claro, é dever da mídia questionar sempre que encontrar falcatruas — o que é diferente de atirar a torto e a direito, sem provas, aliando-se se for preciso a bandidos. Se a mídia agisse assim com todos os pontos do espectro político, vá lá. Mas, quando ela omite de um lado e aumenta e inventa do outro, deixou de ser um órgão de informação e se tornou um partido político – como a própria Dona Judith Brito, presidente da ANJ, admitiu. Ainda mais quando a Folha, um dos pilares do PIG, espezinha da liberdade de expressão e censura quem a critica:
    http://desculpeanossafalha.com.br/folha-esconde-ataques-pessoais-e-calunia-ao-noticiar-carta-em-que-anuncia-fugir-da-audiencia-de-brasilia/
    Uma imprensa dessas só merece o meu desprezo: O Dr. Marinho, que andava de braços dados com generais, os Frias, que emprestavam peruas para assassinatos.
    Aliás, é notório no mundo todo o caráter golpista de nossas mídia, especialmente a Globo:
    http://video.google.com/videoplay?docid=-570340003958234038

  28. Otto said

    Edu, #26,
    esta informação não É do Pan desse ano.
    Mas em todo caso, porque não vinham tantas medalhas antes?
    Por um motivo: O GOVERNO FHC QUEBROU O PAÍS.

  29. Edu said

    Otto,

    #27 – Não li, prometo ler (e vc sabe q eu cumprirei, pq eu sempre leio). Mas uma questão pra mim é mais importante que isso tudo. Porque eu sempre questionei mto o governo e sempre adorei ler notícias sobre as possíveis falcatruas do governo, especialmente para saber quem eram os nomes por trás dessas falcatruas. Mas nunca fiquei me perguntando se a mídia estava ou não correta, o mais importante para mim sempre foi o fato de que, de alguma forma, os políticos estavam sendo fiscalizados. Por qualquer meio de comunicação que fosse. Eu tendo a ignorar notícias em que a mídia fala “bem” do governo, pq afinal de contas, eu não que LER o que o governo faz de bom, eu tenho que SENTIR isso na pele.

    No entanto, ao longo do governo Lula, há um crescendo de pequenas mídias gritando cada vez mais alto esse negócio de PIG. Agora isso me chama a atenção, e que juro que eu estou curioso pra saber a origem disso, mas não dispus de tempo suficiente para pesquisar. Alguém pode me ajudar com isso?

    Algumas perguntas:

    De onde vem essa história de que a mídia é um oligopólio de 8 famílias (é isso mesmo?)?
    É por conta de concessões de televisão? Mas se é por conta de concessões de televisão, o que a Folha, Estado, Abril tem a ver com o PIG?
    Por que a Carta Capital não é considerada PIG?
    O governo patrocina a mídia de alguma forma? Como?
    Quais são os interesses do PIG ao querer trocar o governo?

    #28 –
    – A informação sobre as 10 medalhas do Brasil é do pan sim.
    – A informação da desavença entre Cielo e Lula diz respeito às Olimpíadas de Pequim, em 2008.
    – Se vc pegar as notícias dos atletas que não conseguiram vaga, ou que não conseguiram medalha em Pequim, 2008, vc vai ver que o Brasil ficou bastante aquém do que foi prometido em número de medalhas. A frase da maioria dos atletas era: “não sei o que aconteceu”.
    – As Olimpíadas de Pequim aconteceram depois de quase 2 mandatos do Lula (6 anos, tempo mais que suficiente para que o ministério dos esportes desenvolvesse uma infra-estrutura esportiva e treinasse os atletas).
    – Ao que parece, já que as denúncias feitas reiteradamente sobre a corrupção no ministério dos esportes data de 5 anos atrás, este “não sei o que aconteceu” foi resultado de investimentos que nunca chegaram até os atletas. Convenhamos: se há 5 anos atrás apareceram os primeiros indícios de corrupção, com certeza os esquemas já estavam montados desde muito antes.

  30. Edu said

    Opa,

    Minha primeira enxadada: http://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_da_Imprensa_Golpista

    Sei que pode parecer ridículo o uso do wikipedia, mas achei mto interessante o que eles colocaram.

    Só queria saber uma coisa:

    1 – Vamos supor que o governo aprovasse a transparência de patrocínios dos veículos de comunicação. Será que esse mesmo governo iria exigir transparência das contas de blogs, ONGs, OCIPs, etc, que falarem sobre política?

  31. Edu said

    Outra coisa:

    Se a grande mídia não tem compromisso com a verdade, como acusa a outra mídia. O que garante que a “outra mídia” tenha compromisso com a verdade?

    A grande mídia é composta de profissionais formados, com diploma, que pelo menos deveriam seguir padrões éticos para o levantamento de notícias e busca de fontes para estas notícias.

    Qual é o protocolo ético que Blogs, ONGs e OCIPs, etc. devem seguir? O que garante a idoneidade das informações “noticiadas” (digo entre aspas mesmo, porque a grande maioria apenas cita “fontes confiáveis” sobre as opiniões que dizem como no texto que o Otto mandou em #4)?

  32. Otto said

    Bom, Edu,
    sobre as medalhas, se houve alguma mudança pra melhor, vamos esperar o final do Pan. Sobre o Ministério dos Esportes, também vamos esperar o desenrolar dos acontecimentos… Claro que houve malfeitos, resta saber até que ponto houve cumplicidade ou tolerância do ministro ou de assessores graduados. E se os malfeitos estão acima, digamos, da “média” em serviços públicos. Mas vamos pensar o seguinte: se uma prefeitura apresenta um projeto “perfeito” pra construção de um centro esportivo e recebe grana do ministério — só que não constrói nada. A culpa, não é do ministério — desde que ele, ao perceber o engodo, tome as devidas providências, junto com AGU, Ministério Público etc. Muito do que aconteceu foi assim. Resta saber se isso atingiu 1, 10 ou 50% dos convênios — e quanto é a média de malversão nos demais ministérios, e inclusive secretarias estaduais. Mas isso nunca vamos saber: pelo simples fato de que o PIG não se interessa em investigar escândalos de seus aliados.
    Mas esse assunto já me cansou. Resumindo: não ponho a mão do fogo, mas não jogo pedras sem evidência… Apenas acho (acho não, há muitos comentários sobre isso) que por trás dessas ataques orquestrados ao Ministro há poderosos interesses contrariados: FIFA, CBF, Globo, além da luta política contra uma sigla de esquerda que cresceu muito nos últimos tempos e está a frente de um ministério antes insignificante mas que com a aproximação da Copa e das Olimpíadas cresce de figura.
    Sobre o PIG, para uma breve introdução, há uma verbete da wikipedia:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_da_Imprensa_Golpista

    Eu te aconselharia a dar uma olhada nos blogs “sujos” de vez em quando. Aí você, ponderando, tira suas conclusões…
    Eu já te perguntei antes mas você não me respondeu: cê é de que cidade?

  33. Otto said

    Oi, Edu, você foi rápido.
    Cara, eu leio de tudo um pouco, por incrível que pareça, Estadão e Folha são os sites mais acessados por mim. Aí eu tiro minhas conclusões. Mas um pouco de história também ajuda. O nosso PIG desde o segundo mandato do Getúlio Vargas tem assumido um papel político. Não creio que hoje tenha mudado. Aliás, é óbvio que não.
    No mais, assista ao documentário que linkei acima.

  34. Otto said

    Edu:

    “Vamos supor que o governo aprovasse a transparência de patrocínios dos veículos de comunicação. Será que esse mesmo governo iria exigir transparência das contas de blogs, ONGs, OCIPs, etc, que falarem sobre política?”

    Se recebe dinheiro público, tem que “publicar”.

    Aliás, segundo entidades internacionais, o governo federal está bem a frente em transparência que estados e municípios. Compare o Portal federal com outros:
    http://www.portaltransparencia.gov.br/

  35. Chesterton said

    Otto é funcionário do Elias….

  36. Pax said

    Paulo Henrique Amorin, Eduardo Guimarães, Ricardo Kotscho etc já apontam para a saída do Orlando Silva. Parece que a situação está bem pouco sustentável mesmo.

    Mas…

    E o Agnelo que cambou para as bandas do PT?

    Ambos, Orlando e Agnelo já estão com processo no STF. O que não quer dizer lá muita coisa, infelizmente.

    (uma pena que o caro Elias tenha nos deixado)

  37. Chesterton said

    Lula e Dilma fumam o cachimbo da paz e acertam degola de Orlando Silva.

    Ontem, Dilma Rousseff e Lula deixaram vazar, intencionalmente, uma conversa reservada, que teria ocorrido dentro do avião presidencial que rumava para a Amazônia. Ver post abaixo. Lula dizia que “não estão me contando toda a verdade”. Dilma dizia que “Orlando não resistiria a uma nova denúncia”. Obviamente, estão mandando dizer que os dois estão unidos pela degola do ministro do Esporte. Orlando caiu ontem, quando Lula e Dilma botaram o cocar na cabeça no Amazonas e fumaram o cachimbo da paz. Hoje os três principais jornais do país abrem manchetes de capa, atacando as fraudes no ministério do Esporte. A Folha traz o batom na cueca, uma assinatura de Orlando Silva beneficiando flagrantemente o seu acusador. O Estadão mostra em centro olímpico que não saiu do barro e já consumiu milhões. O Globo informa que o PM acusador articula denúncias novas com mais sete ONGs. Lula e Dilma decidiram, ontem, a queda de Orlando Silva. Dilma queria uma “denúncia nova”. Hoje os maiores jornais do Brasil estampam três.
    coronel

  38. Otto said

    Chesterton, quem é esse coronel?

  39. Chesterton said

    google coroneleaks

  40. Edu said

    Otto,

    #27

    Sobre a Falha de S.Paulo. Muito bom! Mto bom mesmo. Acho que a argumentação dos caras foi mto boa. Acho que foi a primeira argumentação descente que eu vi sobre o pessoal q resolveu meter o pau na Folha. É óbvio que a Folha iria omitir as informações, infelizmente.

    Sobre o vídeo: genial! kkkk Eu dou risada mesmo, nunca gostei da globo, nem quando era criança. Sempre detestei a Xuxa. A única coisa q prestava daquela emissora era a TV Pirata. Eu não tive tempo de ver o video inteiro. No início confesso que fiquei com o nariz torcido porque nunca gostei do Brizola e não tenho a menor paciência a pessoa do Chico Buarque. Mas tá valendo, pq o Chico Buarque é uma celebridade tão querida pela população que a Globo tem que engolir.

    Só para fechar cara: eu não sou defensor do PIG, na verdade acho que são sim um bando de manipuladores. Só que eu gosto de ver o circo pegar fogo. Eu acho que políticos devem prestar contas e adoro ver a imprensa, qualquer que seja, fogo no rabo de qualquer político.

    Ao mesmo tempo, eu detesto a imprensa puxando saco de político, defendendo político. Eles já são maiores de idade, vacinados, e tem muuuuuita verba para gastar com esse tipo de defesa. Imprensa não tem que puxar saco, tem que cobrar resultados. Se, depois de 4 anos, o político mostrou resultados, aí sim a imprensa poderia soltar uma nota num cantinho da página: parabéns.

    Uma última coisa, sobre #34. Putz, acho que aí está uma medida descente do governo. As informações estão difíceis de serem levantadas, eles não colocam glossário para que os leigos entendam a linguagem, mas está ÓTIMO para um começo. O que eu gostaria de ver seria o seguinte:

    Projeto: XPTO
    Investimento previsto: XXXX
    Investimento realizado até (data da última atualização): YYYY
    Resultados previstos: ZZZZZZ
    Resultados até (datada última atualizaçã): WWWWW

    Pronto. O governo que fizer isso eu vou votar eternamente.

    PS: minha cidade prefiro não comentar. É interior de um estado por aí.

  41. Otto said

    Legal, Edu. Eu só perguntei sua cidade pra saber se, acaso você morasse perto, a gente podia tomar uma cerveja qualquer dia desses. Detesto conversar por internet. Digito com dois dedos: tudo se torna lento.
    Concordo com você #40.
    Só que além da corrupção no âmbito público temos que nos ligar também na corrupção das grandes corporações transnacionais. Aí é que mora o problema de fundo.
    Quando tiver tempo, dê uma googlada nos termos “assassinos econômicos” e “capitalismo do desastre”.
    Abraços.

  42. Otto said

    Chesterton: então você é adepto do golpismo?
    Quem não tem povo, quer levar sempre no tapetão.
    Golpistas latino-americanos sempre foram lambe-botas dos ianques, defendendo interesses de suas grandes corporações.
    Mas agora parece que as coisas não estão fáceis lá em cima — daí a confusão mental de suas hostes.

  43. Zbigniew said

    Ainda sobre o caso do Ministerio dos Esportes:

    “(…)Há duas notícias sobre os recentes episódios envolvendo o Ministério dos Esportes: uma boa, outra ruim.

    A ruim é a constatação de que o aparelhamento ainda é uma constante na vida pública nacional. No plano federal, os esportes com o PCdoB; em São Paulo, os esportes com o PTB.

    A notícia boa é que o recente festival de denúncias contra o Ministério se deveu ao fato de haver transparência inédita nas ações públicas nacionais.

    Não se pense que as denúncias demandaram tempo e esforço para serem levantadas. A maioria absoluta dos episódios denunciados constava de denúncias feitas pelo próprio Ministério contra ONGs que desviaram dinheiro; apurações da Controladoria Geral da União (CGU), Ministério Público, Polícia Federal e Tribunal de Contas da União. Ou seja, foram reportagens sobre investigações já em curso, objeto de providências tomadas pelos órgãos de controle.
    (…)
    A lição que se tira: a transparência precisa aumentar, assim como as denúncias e a exposição das irregularidades.

    Mas há que se reconhecer que a cada ano tem-se um país mais transparente, inclusive para não criar a falsa sensação de que toda ação pública é fundamentalmente corrupta.”

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-novos-controles-publicos#more

    Vale a pena ler todo o texto, inclusvie sobre as providencias que a propria Dilma exigiu e o Ministro teve que tomar. Esta questao do aparelhamento e importante e a transparencia com a acao de orgaos de fiscalizacao tem sido usada como subsidio para que parte da imprensa venha a agir politicamente e “derrube” ministros.

  44. Otto said

    Edu, quanto ao Brizola.
    Não sei por qual motivo você não gosta dele — mas é sempre bom levar em conta que esta avaliação pode ser em parte fruto da campanha implacável de desconstrução da imagem movida contra ele pela Globo.
    Mas conheça um outro lado do ex-Governador. Veja o que ele fez — ou tentou fazer — pela educação. E veja se a Globo, que “defende” tanto a educação, não é hipócrita.

    http://www.tijolaco.com/nem-todo-mundo-e-assim-prof%C2%AA-amanda/

  45. Otto said

    Pax, as sugestões de filme e links que dei pro Edu se estendem a você, nobre anfitrião.

    E olhe lá, Pax, você não vai dar uma passadinha?

    http://blogueirosdomundo.com.br/palestrantes/

    É sobretudo importante comparar o que acontece no Brasil com o que se passa no mundo na blogosfera. A grande mídia já não fala sozinha. A revolução será tuitada.

  46. Pax said

    Caro Otto,

    Obrigado pelos links.

    Interessante este encontro dos blogueiros do mundo. Se pudesse iria, sim.

    Estava lendo alguns posts por aí e a condenação apriorística de Orlando Silva está batendo às portas de Dilma Rousseff. Gente condenando a presidente, acusando-a de ser uma ‘faxineira’ fajuta etc.

    Todos estes blogueiros, profissionais ou amadores, claro, se achando e querendo trazer a si títulos de guardiães da democracia. Só fico curioso sobre qual democracia eles se referem. A que conheço estabelece o Estado de Direito, obedece a Declaração Universal dos Direitos do Homem da ONU e outras coisas que me parecem incomodar um bocado estes críticos que precisam produzir matérias para receber seus salários, ou, no caso dos amadores como eu, que precisam produzir posts para serem aceitos pelos seus leitores.

    Cá do meu ponto de vista continuo gostando do governo Dilma. E continuo achando que o PT deveria fazer uma parada de arrumação, um acerto de rumo. E, também, que torço para que apareça uma oposição no Brasil que seja meritória de algum respeito.

    Neste caso do Orlando Silva o que realmente me incomoda é, à além dos enormes indícios que mais uma área do governo joga dinheiro público no ralo, a questão do governador do DF que, por incrível que pareça, está onde mesmo?

  47. Elias said

    Pax,

    Voltando, prum ófitopique.

    Estamos em 26 de outubro, o dia mais esperado do ano.

    Hoje é o dia em que serão anunciadas as medidas que os países europeus (leia-se: Alemanha, Inglaterra e França) adotarão, pra enfrentar o problema da liquidez e, segundo dizem, dar início ao fim da crise.

    Mais claramente: o “mercado” aguarda ansiosamente a injeção de alguns trilhões de Euros estatais no dito mercado.

    Parece que o governo dos EUA está pressionando pra que essa injeção estatal seja imediatamente anunciada e, mais imediatamente, ainda, iniciada. O próprio EUA já enfiou cerca de 2 trilhões de dólares estatais (1 trilhão pelo Bush e 1 trilhão pelo Obama) no buraco da crise, e não está nem um pouco disposto a contnuar segurando a barra sozinho.

    Enfim, o início do fim… Que bom, né?

    Depois que o temporal passar, a gente poderá continuar discutindo sobre a milagrosa capacidade que o mercado tem de resolver tudo pela mágica e sobrenatural força da lei da oferta e da procura… E sobre como as crises só acontecem porque os governos gastam demais…

    Dia desses, um analista paulista ensinou aqui em Belém que a crise imobiliária americana só aconteceu — acionando o gatilho da crise mundial — porque o governo “subsidiou” o financiamento de imóveis.

    Perguntei a ele por meio de que mecanismo o governo americano “subsidiava” o financiamento de imóveis, já que a crise se estabeleceu a partir de operações das quais o supracitado dito cujo governo americano não participava, direta ou indiretamente.

    Ele respondeu que o “subsídio” era concedido por meio dos juros baixos. Que os juros americanos eram subsidiados…

    Perguntei como ele conciliava essa afirmação, com o fato de que, agora, os juros americanos estão ainda mais baixos que antes da crise, e que esses juros baixos estão sendo defendidos, exatamente, como um mecanismo pra SAIR da crise (por meio do aumento do consumo, inclusive de bens duráveis).

    Se é como ele diz, então EUA, Alemanha, Japão, Holanda, etc., estão apagando incêndio com gasolina. Todos estão com os juros rés ao chão!

    Ele deu de ombros… A platéia achou graça… E fomos todos, bicar um uisquinho e falar mal do trânsito de Belém, que é uma porcaria, e de como Belém é fedorenta, suja, cheia de lixo e ratos… E daí passamos a falar do saudoso amigo Juvêncio de Arruda, do blog “5ª Emenda”, que chamava Belém de Nova Déli… Coberto de razão!

  48. Chesterton said

    Fala Elias. Voltou, que alegria.
    Quem fez as dívidas com bancos? Governo.
    Para dar a quem? Ao povo não-contribuinte.
    Quem emprestou o dinheiro? O povo contribuinte.
    Quem é o “mercado”? O povo contribuinte.

  49. Chesterton said

    Falando nisso, a quantas anda nossa dívida pública (nacional e internacional)?

  50. Chesterton said

    RETRATO PERFEITO DE UM OPORTUNISTA
    Lula é uma avis rara da política brasileira. Nada o liga à nossa tradição. É um típico caudilho, tão característico da América Hispânica. Personalista, ególatra, sem princípios e obcecado pelo poder absoluto. E, como todo caudilho, quer se perpetuar no governo. Mas os retornos na América Latina nunca deram certo. Basta recordar dois exemplos: Getúlio Vargas e Juan Domingo Perón.

    Aqui.

    Detonado por Felipe Flexa

  51. Chesterton said

    http://www.implicante.org/blog/o-indestrutivel-ministro-do-esporte-mimetiza-lula-e-coloca-todo-o-governo-dilma-sob-suspeicao/

  52. Pax said

    Caro Elias,

    Fico feliz que apareça e você sabe bem disso!

    Não tenho condição de discutir à altura esta crise internacional a não ser de emitir o achismo que vivemos um momento muito especial onde muitas verdades foram por água abaixo.

    Não consigo concordar com o mercado absolutamente livre e sem interferência do Estado. Não acredito que Educação e Saúde possam estar totalmente nas mãos da iniciativa privada e que o resultado seja positivo. Nem discuto a questão da Segurança Pública porque aí nem discussão acredito que haja.

    E também não acredito numa situação em que, sem inteferência do Estado nas economias, não tenhamos como resultado uma bomba relógio de desigualdades sociais que mais dia, menos dia, explode mesmo.

    Olho para exemplos reais que mostram países que apostam na Educação, que apostam em Saúde Pública, e vejo sociedades mais justas e mais coerentes. E nestes exemplos que vejo havia, sim, problemas de governo, problemas de corrupção – o tema do blog – que foram mitigados. E nestes países o Estado participa na economia, sim. É dono de alguns meios de produção estratégicos, sim. Mas, de outro lado, onde não há necessidade, não só determinam como estimulam muito a iniciativa privada para geração de riquezas e empregos.

    Isto para mim significa que o livre mercado e o socialismo são modelos que fracassaram. Que existe um meio termo muito mais coerente. Esta é minha opinião já faz um bom tempo como você bem sabe.

    A questão que se coloca é como chegar lá. Ou seja, o “lá”, para mim, está bastante bem definido. O problema é o como.

    Chegando na realidade brasileira, vejo que andamos um bocado nestes últimos anos. Hoje temos mecanismos que inibem enormes irresponsabilidades fiscais, inibem irresponsabilidades financeiras e apontamos para uma inclusão social que, dentro do meu achismo, é o caminho a ser seguido.

    E continuo com a mesma convicção de sempre, que um forte ajuste nos modelos de padrão e conduta moral e ética vai nos levar a um patamar ainda muito superior. Este blog é a forma que consigo de vomitar este ideário, de discutir com gente inteligente, de olhar todas as variações de pensamento e não só corrigir minhas convicções como aprimorá-las.

    Por coincidência e ironia este post traz um assunto que não estimulou a discussão dos colegas que estão focados na questão do Orlando Silva, do PCdoB etc, que chega nas críticas ao governo Dilma. E o post em questão é sobre a elaboração de um projeto de lei que transforma o crime de desvio de dinheiro público em crime hediondo.

    Mais irônico ainda é que este assunto tenha entrado na pauta do Senado através de declarações de José Sarney (que deus Chronos o tenha em boas mãos) e através da proposta do Lobinho, filhote do Lobão, apadrinhado vitalício do nosso eterno presidente (república, senado, senzala). Mas, enfim, é um assunto que entrou na pauta e deu notícia. Nada mais coerente que colecioná-lo por aqui.

    Orlando Silva é um detalhe. Não ficará registrado na história do Brasil como algo relevante. Neste momento há uma enorme histeria com este caso porque, no meu entender, no fundo no fundo, falta mesmo é pauta porque falta mesmo é uma boa oposição no Brasil. A que está aí é pífia, desunida e sem um projeto que convença a nação.

    E aí eu fico preocupado porque acredito que o empobrecimento político não tem outra consequência senão o empobrecimento do próprio país.

    Depois desta enorme volta, não acredito que a injeção de trilhões venha a salvar o modelo capenga da Europa e dos EUA. A questão é mais política que financeira. E sob este aspecto acho que estamos melhores que eles, por incrível que pareça.

    Mais uma vez, caro Elias, folgo em vê-lo por aqui. Espero que tudo esteja bem para teu lado, sempre.

  53. Olá!

    Um pouco sem tempo por aqui, mas aqui vão alguns questionamentos:

    01. Os colegas consideram que houve contribuição das regulações do governo americano no setor bancário e financeiro (para fazer empréstimos para pessoas que não tinham como pagar) para que a recente crise financeira ocorresse?

    Por exemplo, uma dessas regulações estipulava que um banco não poderia abrir uma nova agência caso não provasse para o governo que ele, o banco, fez empréstimos/financiamentos para pessoas que não tinham como arcar com isso. Se esse tipo de regulação/condição não existisse, provavelmente, os bancos não teriam feito empréstimos/financiamentos para essas pessoas.

    Sem dizer que o governo americano disse que, caso essas pessoas não pagassem os seus empréstimos/financiamentos, ele, o governo, arcaria com os custos.

    02. Atitudes como essas regulações do governo americano contribuem para que haja mais/menos incerteza dentro do mercado? Diante de um cenário como esse, como os investidores passaram a considerar o risco?

    03 Essas regulações prejudicam a formação dos preços dentro do mercado? A informação que esses preços passam aos investidores, é uma informação confiável, não-distorcida?

    Quais as considerações dos colegas?

    Até!

    Marcelo

  54. Chesterton said

    WEDNESDAY, OCTOBER 26, 2011

    Comunismo é Stalinismo, e Stalinismo é Fazer do Crime uma Prática Diária, ou Uma Vez Canalha, Sempre Canalha
    Reinaldo Azevedo certeiro: O PCdoB deveria ser processado por propaganda enganosa. Numa das inserções no horário político, aparecem alguns nomes conhecidos da cultura brasileira que teriam sido ligados ao partido: Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Pagu, Portinari, Olga Benário e Niemeyer…É uma mentira deslavada, que já gerou até um justo protesto da historiadora Anita Leocádia Prestes, filha de Olga Benário e Luiz Carlos Prestes. A história é um pouco longa, mas sintetizo.…
    POSTED BY SELVA BRASILI

  55. Otto said

    Pax:
    acho que a nova oposição virá de um outro campo, não do PSDB/DEM/PPS, que caminham para o nanismo… Será do PSB?
    Vejam o que se passa na Argentina. Aqui a coisa — pra oposição — ainda pode ficar assim. Serra e Alckmin caminham para o embate, com trágicas consequências para o PSDB paulista. Álvaro Dias ameaça deixar o partido e se abancar no PV, que é da base governista. O Aécio Neves não tem brilho fora do Leblon — e que brilho! ;-)

  56. Otto said

    Marcelo Augusto, uma contribuição à discussão:

    Da Folha de S.Paulo

    ANTONIO DELFIM NETTO

    Origem da crise

    Para entender os movimentos dos “indignados” americanos e da “ocupação de Wall Street”, é preciso considerar alguns fatos:

    1) A renda per capita não cresce desde 1996;
    2) A distribuição dessa renda tem piorado há duas décadas;
    3) O nível de desemprego em abril de 2008 era de 4,8% da população economicamente ativa, o que, em parte, compensava aqueles efeitos;
    4) Em janeiro de 2010, o desemprego andava em torno de 10,6% e, desde então, permanece quase igual (9,2%);
    5) O colapso da Bolsa cortou pelo menos 40% da riqueza que os agentes “pensavam” que possuíam;
    6) A combinação da queda da Bolsa com a queda do valor dos imóveis residenciais fez boa parte do patrimônio das famílias evaporar-se;
    7) Ao menos 25% das famílias têm hoje menos da metade que “supunham” ter em 2008.

    O grande problema é que a maioria dos cidadãos não entende como isso pode ter acontecido. Sentem que foram assaltados à luz do dia, sob os olhos complacentes das instituições em que confiavam: o poder Executivo e o Banco Central. Assistem confusos o comportamento do Legislativo. Pequenos grupos mais exaltados tentam reviver, com passeatas festivas de fim de semana, o espírito “revolucionário” de 1968, que deu no que deu…

    É muito pouco provável que essa pressão leve a alguma mudança séria em Washington. Talvez algum efeito nos resultados da eleição de 2012. Isso não deixa de ser preocupante e assustador dado ao reacionarismo do influente Tea Party no partido Republicano e à pobreza intelectual dos seus atuais candidatos.

    A história não opera em linha reta. Nada garante que, mesmo com as suas fortes instituições, o atual disfuncionalismo político americano não possa produzir algo ainda pior do que o que estamos vendo.

    O último levantamento do Gallup (15 e 16 de outubro de 2011) perguntou a quem o consultado atribuía a crise que estava vivendo. As respostas foram: 64% ao governo federal; 30% ao comportamento das instituições financeiras e 5% não tinham opinião formada.

    Modelos de previsão eleitoral como os de Ray Fair, da Universidade de Yale (adaptados no Brasil pelo competente analista político Alexandre Marinis), ainda dão uma probabilidade maior à reeleição de Obama -apesar de que quase dois terços dos americanos acreditam que ele é o responsável pela crise.

    Injustamente, porque a crise é produto dos governos Clinton (democrata) e Bush (republicano), que se esmeraram em demolir, com a desculpa ideológica de que os mercados financeiros eram eficientes e se autocontrolavam, a regulação do sistema bancário construída por Roosevelt (democrata) depois da crise de 1929.

    ANTONIO DELFIM NETTO

  57. Olá!

    Otto, com todo o respeito ao Delfim Neto, mas depois do grande desastre hiperinflacionário que ele ajudou a construir quando era o ministro todo-poderoso dos militares, ele deveria ter um pouco mais de humildade para falar sobre economia. O mesmo vale para a Maria da Conceição Tavares que tentou fazer uma maluquice tão ou maior do que aquela que o Delfim ajudou a construir: Ela e seu Plano Cruzado tentaram, através de medidas centralizantes, controlar a formação dos preços no mercado!

    Apesar disso, nada os impede de emitirem opiniões.

    Vejamos algumas considerações do Delfim:

    “1) A renda per capita não cresce desde 1996;”

    Se o Delfim estiver falando dos EUA, acho que ele cometeu um erro atroz! Se ao menos ele soubesse usar o Google Public Data, ele verificaria que a renda per capita americana cresceu quase U$ 20.000,00 de 1996 até 2009.

    Em 1996, a renda per capita americana era de U$ 28.894,00. Em 2009, essa renda era de U$ 45.989,00! Onde foi que ocorreu a estagnação da renda per capita americana?

    “2) A distribuição dessa renda tem piorado há duas décadas;”

    Essa hipótese é complicada de ser verificada com dados reais disponibilizados por órgãos multilaterais (como a ONU, o FMI, o Banco Mundial e afins), pois há só Índice de Gini dos EUA disponível para o ano de 2007. Para este ano, o Gini americano foi de 40.8. Um valor até razoável e bem abaixo dos 55 pontos que tem o Brasil.

    No entanto, seria interessante verificar o IDH ajustado pela desigualdade (IDHAD) dos EUA. Diferentemente do IDH comum, o IDHAD leva em consideração a desigualdade de renda e a desigualdade quanto ao acesso aos serviços de educação e saúde.

    Pelo o que se pode ver, o IDHAD dos americanos está entre os melhores do mundo (0.800) e bem acima do IDHAD do Brasil (0.510), que o Delfim ajudou a construir.

    Os pontos 3 e 4 são verdadeiros. Os demais pontos seriam complicados demais para serem verificados, dada a dificuldade de se obter os dados.

    “O último levantamento do Gallup (15 e 16 de outubro de 2011) perguntou a quem o consultado atribuía a crise que estava vivendo. As respostas foram: 64% ao governo federal; 30% ao comportamento das instituições financeiras e 5% não tinham opinião formada.”

    Parece que os cidadãos americanos têm uma concepção melhor sobre a recente crise do que boa parte do pessoal que simplesmente acusa o mercado e dá a discussão por encerrada.

    “Injustamente, porque a crise é produto dos governos Clinton (democrata) e Bush (republicano), que se esmeraram em demolir, com a desculpa ideológica de que os mercados financeiros eram eficientes e se autocontrolavam, a regulação do sistema bancário construída por Roosevelt (democrata) depois da crise de 1929.”

    O Delfim só esqueceu de dizer como a atuação do Governo Roosevelt contribuiu para aprofundar o Crash de 1929 da Bolsa de Nova Iorque e converteu esse crash em uma depressão econômica que durou quase uma década para ir embora e parar de reverberar na economia americana. Um dos efeitos dessa regulação do Roosevelt foi a manutenção das taxas de desemprego acima dos 10% ao longo de toda a década de 1930.

    Em 1987, houve um crash fortíssimo na Bolsa de Nova Iorque, mas esse crash não se converteu em depressão como ocorreu em 1929.

    Não há muito o que se esperar do homem que produziu a Belíndia.

    Até!

    Marcelo

  58. Otto said

    Valeu, Marcelo, pelas suas ponderações. Concordo que o currículo do Delfim é péssimo.
    Agora, você têm algum dado sobre a renda média dos trabalhadores americanos de 1970 até hoje?

    abs

  59. Edu said

    Minha contribuição ao caso, meus achismos:

    1 – A crise de 2008 foi originada por conta de falta de regulamentação (concordo com Delfim Neto). Sem regulação há oportunidade de sobrevalorizar papel sem ativo.

    2 – A crise que se instala tem outra orige: uma origem fiscal. Nenhum investimento deve ser a fundo perdido. E estes países patrocinaram com dinheiro estatal o “welfare”. Se os EUA e a Europa vão injetar trilhões estatais na economia, espero que isso se reverta em resultados, porque senão haverá outra onda de crise, e essa sim será arrebatadora.

    Otto,

    PSB ou PSD?

  60. Chesterton said

    A crise de 2008 foi causada pelo governo que obrigou os bancos a fazerem emprestimos “sociais” com garantia estatal. Um BNH de ricos, que na hora do default levou a breca até quem nada tinha a ver com isso.

    Foi excesso de regulação errada.

  61. Olá!

    Otto, no Google Public Data, você pode verificar os valores da renda per capita americana desde 1960 em diante.

    É só passar o mouse por cima da curva azul.

    Até!

    Marcelo

  62. Pax said

    Como todos já sabem, Orlando Silva está fora do governo.

  63. Otto said

    Edu:

    PSB, do Eduardo Campos. O PSD sempre será governo, como o PMDB, mas não como cabeça e sim como cauda.
    Adianto que não morro de amores pelo homem.

  64. Otto said

    Marcelo Augusto, valeu pela dica, mas me refiro à renda média do trabalhador, que é diferente de PIB per capita. Se num país de dois habitantes, temos um patrão que tenha renda de 900 e um trabalhador de 100, o PIB per capita será 500, enquanto a renda do trabalhador continua em 100.

  65. Chesterton said

    Orlando caiu!

  66. Chesterton said

    Leiam o que informa Christiane Samarco no Estadão Online. Volto em seguida:

    Exatos 35 dias depois de ser eleita ministra do Tribunal de Contas da União (TCU) com um discurso contrário à paralisação de obras públicas suspeitas de irregularidade, a mãe do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e ex-líder do PSB na Câmara, Ana Arraes, tomou posse hoje, condenando o controle que paralisa o governo. A nova ministra assumiu o posto anunciando que tem “compromisso com a decência e a moral” e será “implacável e zelosa com o dinheiro da Nação”. Mas defendeu a adoção de um “controle inteligente”, lembrando sua pregação em favor da tese de que “o controle deve servir a aperfeiçoar a gestão dos governos e não a paralisá-la, quando não, inviabilizando-a, pois é fugaz o tempo de quem governa”.

    chest- o PT é lesado.

  67. Otto said

    Marcelo Augusto:

    olha o que saiu hoje na Folha, no coluna de “Tendencias e debates”:

    O índice Gini dos EUA subiu de 38 a 46 entre 1947 e 2007.
    Enquanto o do Brasil caiu de 63 a 54, entre 1990 e 2008.
    Do jeito que está logo logo as duas pontas se encontram.

    Claro que o ideal seria comparar o índice dos EUA com o de países desenvolvidos, como França, Alemanha e Noruega, e o nosso com países em desenvolvimento, como Chile, Polônia e Indonésia. Mas mais importante que ver o índice estático é ver sua tendência.

  68. Otto said

    Oi, Marcelo, ó o que eu achei agora, do dite Operamundi:

    Desigualdade aumenta nos EUA: 1% mais ricos triplicam patrimônio.

    Documento do Congresso norte-americano revela dados pouco animadores da maior economia do mundo.

    A desigualdade social aumentou substancialmente nas últimas três décadas nos Estados Unidos. É o que conclui um relatório da comissão de orçamento do Congresso norte-americano divulgado nesta semana. Segundo os números apresentados pelo documento, enquanto a renda da maioria da população do pais não teve ganho significativo, a parcela 1% mais rica da população quase triplicou seu patrimônio – uma aumento de 275% de 1979 a 2007 contabilizando a inflação. Os números mais recentes do levantamento são anteriores à crise econômica dos EUA, que teve início um ano depois.

    O critério utilizado para medir a desigualdade é por unidade familiar, não por indivíduo.

    Já os norte-americanos que representam os 20% mais pobres da população tiveram no mesmo período um aumento de apenas 18%, sempre contando a inflação. Os cidadãos que se encontram na faixa média da pirâmide social (ou seja, entre os 20% mais ricos e os 20%mais pobres, correspondentes a 60% da população), o lucro foi próximo de 40%.

    E o grupo que se encontra entre a faixa dos 2% aos 20% mais ricos, teve aumento de renda de 65%. Ou seja, um crescimento quatro vezes menor do que os integrantes do 1% que acumulam as maiores fortunas da principal economia do mundo.

    Ao mesmo tempo, o documento alerta que os salários das classes mais baixas e média pouco foi alterado em relação à inflação – fenômeno que coincide com o declínio da participação sindical nas últimas três décadas.

    Outro dado alarmante é que as 400 pessoas mais ricas dos EUA possuem , juntos, uma renda maior do que os 50% mais pobres da população. Esse dado iguala os EUA a países como Uganda, Camarões, Equador e Ruanda em relação à diferença entre os cidadãos mais pobres e mais ricos.

  69. Olá!

    Otto, pegar essas colocações de jornais é um tanto complicado, pois, às vezes, o articulista/editorialista simplesmente emite a opinião que bem entende sem necessitar prová-las com dados reais (vide o caso do Delfim Neto nos nossos comentários mais acima).

    Outra coisa que seria interessante lembrar é que os conceitos de “pobreza” e “riqueza” variam de país para país. No Brasil, por exemplo, uma pessoa que ganhe acima dos R$ 1500,00 mensais é considerada classe média e se essa pessoa ganhar acima dos R$ 5000,00 mensais ela é considerada rica.

    Nos EUA, a situação também é semelhante, mas com a diferença de que a esmagadora maioria dos pobres americanos seriam considerados, no Brasil, os cidadãos mais abastados da classe média.

    Aqui há um estudo interessante a esse respeito e se você estiver sem tempo para ler o estudo completo, invista pelo menos 5 minutos do seu tempo para analisar este gráfico e este outro gráfico.

    No primeiro gráfico, você perceberá que, muitas das coisas que um americano pobre tem, são difíceis de serem encontradas mesmo nos lares mais abastados da classe média brasileira.

    Se você puder, reserve um tempo para ler o estudo completo.

    Há um tempo atrás, fiz uma breve análise estatística sobre a relação entre a liberdade econômica e a desigualdade de renda.

    Observe que, pelo índice de liberdade econômica, diferentes graus dessa liberdade podem ou não gerar sociedades mais desiguais em termos de renda e, portanto, não havendo uma correlação significativa entre essas duas variáveis.

    Até!

    Marcelo

  70. elias said

    Ave, Grande Cesterton!

    Beleza, Pax.

    Chesterton, na crise imobiliária americana, quem fez as dívidas não foi o governo. Foi o comprador de imóveis, pessoa física. Houve uma febre de compra de imóveis, inclusive em outros países.

    Quando o inadimplemento explodiu, o sistema colapsou, porque as garantias dos devedores eram frágeis. Pra piorar, as seguradoras que “garantiam” os empréstimos também colapsaram, porque aplicavam seus ativos financeiros nas instituições bancárias que elas próprias garantiam. Além disso, as instituições financeiras costumavam “pipocar”, comprando papéis umas das outras.

    Aí ficam todos amarradsinhos uns aos outros. Quando um afunda, leva pelo menos menos mais dois, no abraço de afogado. Cada um dos dois leva mais dois, e assim sucessivamente. É a tal “crise sistêmica”.

    Veja o trecho final do artigo do Delfin que alguém transcreveu, acima:

    “…a crise é produto dos governos Clinton (democrata) e Bush (republicano), que se esmeraram em demolir, com a desculpa ideológica de que os mercados financeiros eram eficientes e se autocontrolavam, a regulação do sistema bancário construída por Roosevelt (democrata) depois da crise de 1929.”

    Ele está se referindo a uma série de restrições que existiam, e que, se não houvessem sido canceladas — como de fato foram — pelos governos Clinton e Bush (seguindo um raciocínio puramente ideológico, sem nenhum fundamento prático), a onda de inadimplemento poderia ter sido contida antes de virar um tsunami.

    As aplicações das seguradores em títulos oriundos das operações que elas mesmas garantiam (gerando uma operação circular, inadmissível sob qualquer ótica), é um desses casos.

  71. Pax said

    Aldo Rebelo vai assumir o Min do Esporte.

    Provavelmente teremos um novo criado no Comitê Olímpico: derrubamento de mata ciliar.

  72. Pax said

    Quase chego a apostar o pescoço do Chesterton, velho e bom Chesterton, que este dinheiro não volta aos cofres públicos:

    Justiça condena Luiz Estevão e ex-juiz Nicolau a devolver dinheiro desviado do TRT de São Paulo – Agência Brasil

    http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-10-26/justica-condena-luiz-estevao-e-ex-juiz-nicolau-devolver-dinheiro-desviado-do-trt-de-sao-paulo

  73. Olá!

    Este artigo parece ser um bom indicativo de como o governo americano contribuiu também para a geração da recente crise financeira.

    Vale a pena ler.

    Até!

    Marcelo

  74. Chesterton said

    Chesterton, na crise imobiliária americana, quem fez as dívidas não foi o governo. Foi o comprador de imóveis, pessoa física. Houve uma febre de compra de imóveis, inclusive em outros países.

    chest- o governo forçava e estimulava bancos privados a vender casas aos pobres que não tinham garantias próprias, e GARANTIA os bancos com fundos estatais. Foi essa garantia que provocou o problema todo, pois o buraco foi muito grande.

    forçar- chantagem
    estimular- fez vistas grossas para o sub-prime.

    Os compradores pararam de pagar as prestações, os bancos foram as agencias garantidoras que quebraram. O governo fez a bolha e ao não cumprir com a garantia que tinha dado estourou a bolha.

  75. Chesterton said

    Veja o trecho final do artigo do Delfin que alguém transcreveu, acima:

    “…a crise é produto dos governos Clinton (democrata) e Bush (republicano), que se esmeraram em demolir, com a desculpa ideológica de que os mercados financeiros eram eficientes e se autocontrolavam, a regulação do sistema bancário construída por Roosevelt (democrata) depois da crise de 1929.”

    chest- na verdade quem inicou essa história de “empréstimo social” foi o partido democrata, principalmente no governo Clíntoris. O Bush por 3 vezes tentou fazer o congresso reverter pelo menos em parte o problema mas foi impedido pela bancada democrata (que havia aparelhado o Fâni Mei e o Fredi Mék.

  76. Chesterton said

    Ah, Delfim é fabiano, portanto, democrata. E está meio gagá.

  77. Chesterton said

    Otto, o que você prefere, ganhar 10 mil por mês num país onde a média seja 15 mil ou 5 ml num país onde a média seja 4 mil?
    (mantendo o poder de compra igual)

  78. Otto said

    Oi, Marcelo, obrigado pelos gráficos e informações.
    Você pelo jeito é economista — eu sou um mero leigo com bastante curiosidade.
    Aquela comparação do índice Gini e liberdade econômica, por exemplo, muito interessante. Mas me parece que botar no mesmo balaio países em situações extremamente diferentes não vai jogar muita luz no assunto, pois podem haver muitas causas para uma menor desigualdade de renda. Pois é claro que alguns países africanos miseráveis terão, por serem ditaduras, baixíssima liberdade econômica e altíssima desigualdade. Neste caso uma das causas é a herança colonial recente, guerras étnicas etc.
    Se você colocar na planilha, digamos, só os países desenvolvidos, aí podermos ver em nações num patamar semelhante de desenvolvimento até que ponto o liberalismo econômico ajuda ou obstrui a descentralização da renda. Você poderia fazer este cálculo, por gentileza? Reino Unido x Alemanha. Canadá x EUA. Suécia x Irlanda…
    No caso dos EUA e o Brasil, claro, é covardia comparar a maior potência mundial e a Belíndia. O Brasil até poucos anos era o país mais desigual do mundo (se não era, estava perto, e nós, os da classe média, até que não nos escandalizávamos com isso). Mas o que eu pergunto é o seguinte: a diferença de renda não está aumentando nos EUA? Olha, pelo que se vê, de estatísticas ao olhômetro, parece que sim. E isto não terá uma relação com a liberalização econômica (ou o desmonte do New Deal) após Reagan?
    E outra coisa, que gostaria que você me expusesse sua opinião. Nos anos 90 a América Latina aderiu ao chamado consenso de Washington, privatizando estatais, diminuindo a presença do Estado etc. A partir de 2000, pouco apouco, voltou-se — um pouco, veja bem — a práticas do antigo desenvolvimentismo. Em qual década o crescimento e a diminuição da desigualdade de renda foi maior? Acho que não resta dúvida. Você pode me dizer que houveram outras causas — e aí eu queria saber quais foram. Outro exemplo: a Rússia, nos anos 90, foi outra que aderiu ao choque liberal. A antiga superpotência (segundo PIB do mundo até os anos 60) virou “emergente”. Só voltou a crescer quando, com Putin, voltou a botar o Estado outra vez na economia. E mesmo o crescomento vertiginoso dos outroras Tigres Asiáticos foi com um baita estado indutor. Pra não falar na China hoje. Há muito que a China não é comunista, se é que foi um dia. Mas está a léguas de ser uma economia liberal. É um típico exemplo de capitalismo de Estado — como a Alemanha no século XIX. Ela teria crescido assim se tivesse, como nós, se “liberalizado” nos anos 90? Sim, eu entendo que ela se liberalizou, mas não se tornou, digamos, um Chile ou uma Irlanda — onde aliás há muitas insatisfações atualmente. Não dá nem para comparar a Rússia do Sputinik com a Rússia exportadora de commodites de hoje. E veja a China, esperança de salvação da Europa. Quem diria isso, não digo há 50 anos, mas há 10?
    Bom, como disse, sou um mero observador.
    Se você me convencer com argumentos e dados, torno-me um liberal.

    Abs.

    Ah, aquele lá é o seu blog, não é?

  79. Otto said

    Chesterton:

    a percepção de pobreza é subjetiva (desde que superado o estágio da fome). Se moro numa cidade que ninguém tem carro, minha mula tá de bom tamanho. Mas se meu vizinho compra um Camaro, aí fico com vergonha do meu fusquinha. Um cara que perdeu a casa em Nova Yorque vai se revoltar muito mais do que um sem-teto em Bombaim.

  80. Chesterton said

    Pois é, era aí que eu queria chegar. A desigualdade só é um problema para quem está preocupado com a vida dos outros em vez de cuidar da própria.

  81. Olá!

    Otto, mais tarde, lá pela noite, eu passo aqui e te mostro alguns gráficos que você pediu. Se não for mais tarde, passe por aqui amanhã de manhã e os links com os gráficos estarão disponíveis.

    “Você poderia fazer este cálculo, por gentileza? Reino Unido x Alemanha. Canadá x EUA. Suécia x Irlanda…”

    Você gostaria de ver uma comparação do índice de Gini desses países?

    Até!

    Marcelo

  82. elias said

    Chesterton,

    1 – Os empréstimos abundaram (epa!) porque os juros eram muito baixos (aliás, continuam sendo) e as garantias exigidas pelos bancos eram mínimas, por decisão exclusiva deles.

    2 – A explosão do inadimplemento não teve nada a ver com “empréstimo social”, até porque essa explosão de deu no nível superior de financiamentos (imóveis com valor acima de US$ 1 milhão, uma montanha deles localizada fora dos EUA, para ser usada pelos compradores como bem de renda e casa de férias).

    3 – O que acontece agora? Por que agora, com os juros ainda mais baixos do que antes da crise, o volume de financiamentos caiu? (tanto que, neste momento, o governo americano espera que o volume de financiamentos suba novamente, pra desencalhar estoques e relançar a produção).

    É , agora, os bancos se tornaram mais rigorosos. Não é qualquer um que consegue levantar um financiamento. Há até uma piada, circulando na Web, sobre um cara que quer financiar a compra de um imóvel em Nova Orleans, e é sufocado pela multidão de atestados, certidões e escrituras que o banco financiador exige. Entre eles, a pilha de escrituras da casa, desde o Século XVIII. Aí o cara responde que ele só pode apresentar documentos da casa retroagindo até 1803 — ano em que Napoleão Bonaparte vendeu a Luisiana aos EUA — e recomenda que, para se certificar dessa operação, o banco interpele diretamente o governo dos EUA, que foi quem realizou a compra e pagou o preço pedido pelo imperador francês (que precisava da grana pra financiar as guerras dele na Europa).

    Além disso, tem a questão das seguradoras funcionando em círculo, ou seja, aplicando seus recursos nos títulos oriundos das operações que elas próprias estão garantindo. Isto equivale a não segurar nada. Nestas condições, a crise é só uma questão de tempo, como no “esquema Ponzi”. Pode até demorar um pouquinho, mas que virá, virá.

    E isso também nada tem a ver com “empréstimo social”.

    E tem a questão das fusões… Que também nada tem a ver com “empréstimo social”.

    O problema é que o “mercado” foi deixado a si mesmo, como observou o Delfin. E sempre que o mercado é deixado a si mesmo ele faz melecada. Delfin teve sua própria experiência nesse campo. Quando ele era Ministro da Fazenda do Médici, ele deixou o mercado entregue a si mesmo, e colheu o monturo das letras de câmbio (em 1972/1973).

  83. Chesterton said

    1 – Os empréstimos abundaram (epa!) porque os juros eram muito baixos (aliás, continuam sendo) e as garantias exigidas pelos bancos eram mínimas, por decisão exclusiva deles.

    chest- negativo, eram obrigados a dar empréstimos e o governo garantia. Não foram os bancos privados que decidiram que a taxa de juros era baixa.

    2 – A explosão do inadimplemento não teve nada a ver com “empréstimo social”, até porque essa explosão de deu no nível superior de financiamentos (imóveis com valor acima de US$ 1 milhão, uma montanha deles localizada fora dos EUA, para ser usada pelos compradores como bem de renda e casa de férias).

    chest- A crise foi do sub-prime e esses que você fala foram imoveis superfaturados. Para que a bolha continuasse o governo foi “desejando” que os imoveis subissem de preço eternamente, aí, cabum!

    3 – O que acontece agora? Por que agora, com os juros ainda mais baixos do que antes da crise, o volume de financiamentos caiu? (tanto que, neste momento, o governo americano espera que o volume de financiamentos suba novamente, pra desencalhar estoques e relançar a produção).

    chest- tá todo mundo quebrado e sem crédito, inclusive o tesouro deve os tubos. O mercado ( o povo produtivo) ficou ressabiado e está fazendo caixa em vez de consumir.

    E isso também nada tem a ver com “empréstimo social”.

    chest- tá bom então, me arrume uma tradução melhor para sub=prime…

  84. Olá!

    Otto,

    “Você pelo jeito é economista — eu sou um mero leigo com bastante curiosidade.”

    Não, não sou economista. Apenas busco verificar os dados para não ser enganado pela galera de esquerda que adora dizer que tudo é culpa do livre mercado, mas não oferecem uma evidência sequer para embasar esse argumento.

    “Mas o que eu pergunto é o seguinte: a diferença de renda não está aumentando nos EUA? Olha, pelo que se vê, de estatísticas ao olhômetro, parece que sim.”

    É complicado de verificar isso na prática, pois os dados sobre desigualdade de renda nos EUA são escassos. Além do que, o próprio Coeficiente de Gini possui as suas limitações e não consegue indicar quais são as causas da desigualdade (diferenças educacionais, de oportunidades, e etc.), bem como as particularidades sociais e econômicas de um país. Mas isso não quer dizer que tal coeficiente não deva ser utilizado como um indicativo da desigualdade.

    “E isto não terá uma relação com a liberalização econômica (ou o desmonte do New Deal) após Reagan?”

    Você precisa avaliar qual era a conjuntura histórica da época em que o Reagan assumiu a presidência dos EUA. No começo da década de 1980 e mesmo na década anterior, a inflação americana, em março de 1980, havia atingido o seu terceiro maior patamar desde a 1a Guerra Mundial (14.8%). Talvez bem mais do que “desmontar” a estrutura do New Deal, o Reagan estabeleceu uma nova estrutura na economia americana e que foi bastante receptiva ao sistema de livre iniciativa. Foi durante o governo dele, por exemplo, que o Vale do Silício deu origem a uma grande quantidade de empresas de tecnologia, algumas delas estão até hoje por aí.

    Sobre a desigualdade de renda ao longo do Governo Reagan, o Roberto Campos (vulgo Bob Fields) tem uma colocação interessante fonte</a):

    Roberto Campos: [. . .] Acho que você levantou aí três pontos interessantes. Tomemos o caso americano, a política de Reagan. Acusa-se a política de Reagan de ter alargado as disparidades de renda, sobretudo as disparidades entre faixas salariais. Isso é verdade, porque com a tecnificação da economia, todos aqueles que se adaptaram rapidamente às novas tecnologias passaram a ter um prêmio. Então aumentou-se a intercalagem de renda entre determinados segmentos da força de trabalho e outros. Mas você não pode falar em exclusão, esse termo que você usou é injusto. A política de Reagan é uma política includente. Por quê? Porque redundou em um desemprego bem mais baixo do que o da Europa. E hoje o desemprego americano é 5,4%, é o desemprego mais baixo da história. Isso é inclusão, meu senhor! Não é exclusão, inclusão.

    Marco Aurélio Garcia: [falando ao mesmo tempo que Roberto Campos] Deputado, todas as pessoas que conhecem o mercado de trabalho norte-americano sabem que é o trabalho mais precarizado que existe. Esse trabalho precarizado é uma das formas de ocultar o desemprego.

    Roberto Campos: Não há exclusão mais séria do que o desemprego, e os países bonzinhos, intervencionistas, assistencialistas e tal, como França, como a própria Alemanha… A França está com 13% de desempregados e Alemanha com 11,8%, já chegou a 12% de desempregados. Eles têm exclusão. E na União Soviética nem preciso falar, aí você tem uma discussão mais completa possível. Eu acho gozado a esquerda brasileira falar que o liberalismo é excludente. Ora bolas! A grande exclusão que chegou até a afugentar o pessoal em massa para o Ocidente é a exclusão do regime socialista e intervencionista.

    Marco Aurélio Garcia: Não me ponha como defensor do socialismo, porque eu não sou. [risos]

    “E outra coisa, que gostaria que você me expusesse sua opinião. Nos anos 90 a América Latina aderiu ao chamado consenso de Washington, privatizando estatais, diminuindo a presença do Estado etc. A partir de 2000, pouco apouco, voltou-se — um pouco, veja bem — a práticas do antigo desenvolvimentismo. Em qual década o crescimento e a diminuição da desigualdade de renda foi maior? Acho que não resta dúvida. Você pode me dizer que houveram outras causas — e aí eu queria saber quais foram.”

    Você precisa analisar o registro histórico de como era a economia da América Latina antes da década de 1990. A economia latino-americana pré-1990 era extremamente dependente do Estado e do dinheiro público captado dos cidadão via impostos e/ou via empréstimos no exterior, sendo que essa estrutura econômica estava montada dessa maneira havia décadas e as economias desses países já estavam acostumados à ela igualmente há décadas.

    Chegam os anos 90 e os governos latino-americanos, falidos, exaustos, e, em alguns casos, destruídos pela hiperinflação, resolvem entregar à iniciativa privada alguns setores que, antes, eram monopólio estatal e excluíam os empreendedores. A partir dessas privatizações, alguns serviços e bens que, antes, eram inexistentes nesses países ou extremamente difíceis de serem obtidos, passam a fazer parte do cotidiano dessas pessoas. Exemplo: A Internet, computadores e os serviços de telecomunicações em geral.

    Essas privatizações geraram resultados benéficos, como maior oferta de serviços e bens, concorrência, maior geração de empregos e etc.

    A redução da atuação do Estado nos setores que foram privatizados, ela melhorou ou piorou o acesso a bens e serviços que, antes, poucos podiam ter?

    Para você ter uma idéia, nos anos de 1980, para uma pessoa ter uma linha telefônica instalada em casa, era necessário esperar uns 3 anos, sem dizer que o preço era bem salgado: U$ 6.000,00! Em alguns casos, para reduzir esse tempo de espera, era comum o suborno de funcionários públicos, políticos e demais personagens. Compare isso aos dias de hoje para se obter os mesmos serviços.

    Sem dúvida alguma que determinadas economias latino-americanas sofreram com esse processo, pois mudar estruturalmente uma economia trará um período de adaptação a essas mudanças, cuja maturação e retorno de resultados levará alguns anos.

    Uma pergunta: Houve re-estatização dos setores que foram privatizados?

    Um outro ponto que você se esqueceu de citar foi a atual conjuntura econômica mundial e a demanda por commodities, o que não ocorreu nos anos de 1990.

    O desenvolvimentismo é uma coisa cruel, pois retira dos cidadãos comuns recursos e os coloca sob a tutela de burocratas e políticos, facilitando a corrupção, além de impedir o estabelecimento de um sistema de livre iniciativa. A hiperinflação vivida ao longo do período de 1980-1993 é fruto direto desse desenvolvimentismo que começou lá nos anos de 1930 e se intensificou infinitamente nos Governos Militares com o Delfim Neto e Cia.

    O desenvolvimentismo desvia recursos de áreas fundamentais (educação, saúde e segurança) e os coloca à disposição dos políticos para bancar as aventuras empresariais do governo. Se o governo brasileiro se limitasse à formação de capital humano via um excelente sistema público de educação e também em retirar os entraves estatais/burocráticos que dificultam a ação dos empreendedores, o Brasil poderia se tornar um país bem melhor.

    Um exemplo da crueldade do desenvolvimentismo: Pegue o caso da CEITEC. Desde os anos de 1970 que o Brasil tenta desenvolver uma indústria de semi-condutores para a fabricação de microchips e demais dispositivos eletrônicos.

    Os militares, embriagados pelo desenvolvimentismo, chegaram ao ridículo de colocar na letra da lei que o Brasil iria, sim, desenvolver uma indústria nacional de semi-condutores e foram tão longe ao ponto de até mesmo estabelecer uma legislação para essas futuras fábricas (que nunca vieram a existir!). Daí, houve todo aquele desastre da Lei de Informática, da reserva de mercado e seus efeitos catastróficos. Essa lei proibia o ingresso de computadores e periféricos estrangeiros no mercado nacional com o objetivo de defender a “indústria” “brasileira” de computadores — indústrias essas que, aliás, se limitavam a clonar os computadores americanos, que eram proibidos de ingressar no mercado local.

    O Governo Lula tentou de todos os jeitos atrair a instalação, em solo brasileiro, de um fábrica de semi-condutores da Intel, chegando a oferecer incontáveis e incontáveis incentivos fiscais, isenções disso e daquilo e etc. Excerto:

    O primeiro passo a que Yazbek se refere diz respeito à Medida Provisória 352, na qual o governo abre mão do recolhimento de Imposto de Renda (IR), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide). O pacote fiscal, porém, nem sequer chegou a sensibilizar empresas como a Intel, hoje a maior companhia do setor, com mais de vinte unidades fabris espalhadas pelo mundo, nenhuma delas no Brasil. “A ação é positiva, mas muito pontual, não muda a posição da indústria”, diz o diretor de marketing da Intel, Elber Mazaro. “Não há o que justifique uma produção local.”

    Parece que o governo não se dá conta de que as estruturas tributária e burocrática são hostis aos empreendedores. A presidente Dilma já sinalizou que não haverá nenhuma reforma estrutural no governo dela, o que é lamentável.

    Voltando à CEITEC, essa “fábrica” de microchips custou ao cidadão brasileiro nada menos do que R$ 300 milhões e nunca produziu um mísero microchip que fosse. Esses recursos foram extraídos dos cidadãos via impostos e jogados diretamente na lata de lixo da corrupção. Quantas coisas esses mesmos cidadão não poderiam ter feito com esses recursos caso estes tivessem ficado nos seus bolsos? Poderiam ter comprado um livro, ter feito um curso, ter ido ao cinema e etc. Ao menos teriam lançado mais R$ 300 milhões na economia e criado empregos legais e etc.

    Agora, compare esse caso da CEITEC ao caso das bem sucedidas empresas americanas de semi-condutores Intel e AMD. Estas duas empresas nunca receberam financiamentos camaradas do governo ou aporte de capital do tesouro nacional; nelas, a alocação dos cargos importantes ocorre pela meritocracia ao invés de algum processo baseado em escolhas político-partidário-ideológicas; e veja só o que a Intel e a AMD são? Aqui, você poderá ler algumas considerações interessantes sobre tal assunto.

    Boa parte das mazelas e desgraças sociais que o Brasil vive hoje é em decorrência do excesso de Estado na economia e da falta de liberdade econômica e de liberdade de empreender existente por aqui há séculos.

    Esses são os meus pontos sobre o desenvolvimentismo.

    “Outro exemplo: a Rússia, nos anos 90, foi outra que aderiu ao choque liberal. A antiga superpotência (segundo PIB do mundo até os anos 60) virou “emergente”. Só voltou a crescer quando, com Putin, voltou a botar o Estado outra vez na economia”

    Que tal pegar os casos de Letônia, Estônia e Lituânia? São países que também passaram por experimentos socialistas, procuraram se liberalizar ao longo dos anos de 1990 e, ao que parece, estão bem se comparadas às antigas repúblicas socialistas da URSS.

    “E mesmo o crescomento vertiginoso dos outroras Tigres Asiáticos foi com um baita estado indutor.”

    A Samsung é estatal? A Hyundai é estatal? A LG é estatal? Nenhuma dessas empresas é estatal e se você for avaliar a estrutura de empreendedorismo nesses países, você verá que o Brasil está muito, mas muito atrás mesmo deles.

    “Pra não falar na China hoje. Há muito que a China não é comunista, se é que foi um dia. Mas está a léguas de ser uma economia liberal. É um típico exemplo de capitalismo de Estado — como a Alemanha no século XIX. Ela teria crescido assim se tivesse, como nós, se “liberalizado” nos anos 90? Sim, eu entendo que ela se liberalizou, mas não se tornou, digamos, um Chile ou uma Irlanda — onde aliás há muitas insatisfações atualmente”

    Que tal se analisássemos a China durante o reino de Mao Tsé-Tung e após o reino de Mao Tsé-Tung?

    Veja aqui uma tabela contendo os dados de quantas pessoas foram mortas antes, durante e depois do reino de Mao Tsé-Tung.

    Observe os resultados da genial política maoísta do tal do “Grande Salto Adiante Para o Abismo do Subdesenvolvimento“, das coletivizações, da tal da “Revolução Cultural” e demais doidices. Compare tudo isso ao pouco de capitalismo que a China pôde experimentar após o reino de Mao Tsé-Tung e diga se as condições materiais e de sobrevivência dos chineses melhorou ou piorou.

    Os custos humanos do experimento comunista na China são estratosféricos.

    Até!

    Marcelo

  85. Olá!

    Otto,

    “Você pelo jeito é economista — eu sou um mero leigo com bastante curiosidade.”

    Não, não sou economista. Apenas busco verificar os dados para não ser enganado pela galera de esquerda que adora dizer que tudo é culpa do livre mercado, mas não oferecem uma evidência sequer para embasar esse argumento.

    “Mas o que eu pergunto é o seguinte: a diferença de renda não está aumentando nos EUA? Olha, pelo que se vê, de estatísticas ao olhômetro, parece que sim.”

    É complicado de verificar isso na prática, pois os dados sobre desigualdade de renda nos EUA são escassos. Além do que, o próprio Coeficiente de Gini possui as suas limitações e não consegue indicar quais são as causas da desigualdade (diferenças educacionais, de oportunidades, e etc.), bem como as particularidades sociais e econômicas de um país. Mas isso não quer dizer que tal coeficiente não deva ser utilizado como um indicativo da desigualdade.

    “E isto não terá uma relação com a liberalização econômica (ou o desmonte do New Deal) após Reagan?”

    Você precisa avaliar qual era a conjuntura histórica da época em que o Reagan assumiu a presidência dos EUA. No começo da década de 1980 e mesmo na década anterior, a inflação americana, em março de 1980, havia atingido o seu terceiro maior patamar desde a 1a Guerra Mundial (14.8%). Talvez bem mais do que “desmontar” a estrutura do New Deal, o Reagan estabeleceu uma nova estrutura na economia americana e que foi bastante receptiva ao sistema de livre iniciativa. Foi durante o governo dele, por exemplo, que o Vale do Silício deu origem a uma grande quantidade de empresas de tecnologia, algumas delas estão até hoje por aí.

    Sobre a desigualdade de renda ao longo do Governo Reagan, o Roberto Campos (vulgo Bob Fields) tem uma colocação interessante (fonte):

    Roberto Campos: [. . .] Acho que você levantou aí três pontos interessantes. Tomemos o caso americano, a política de Reagan. Acusa-se a política de Reagan de ter alargado as disparidades de renda, sobretudo as disparidades entre faixas salariais. Isso é verdade, porque com a tecnificação da economia, todos aqueles que se adaptaram rapidamente às novas tecnologias passaram a ter um prêmio. Então aumentou-se a intercalagem de renda entre determinados segmentos da força de trabalho e outros. Mas você não pode falar em exclusão, esse termo que você usou é injusto. A política de Reagan é uma política includente. Por quê? Porque redundou em um desemprego bem mais baixo do que o da Europa. E hoje o desemprego americano é 5,4%, é o desemprego mais baixo da história. Isso é inclusão, meu senhor! Não é exclusão, inclusão.

    Marco Aurélio Garcia: [falando ao mesmo tempo que Roberto Campos] Deputado, todas as pessoas que conhecem o mercado de trabalho norte-americano sabem que é o trabalho mais precarizado que existe. Esse trabalho precarizado é uma das formas de ocultar o desemprego.

    Roberto Campos: Não há exclusão mais séria do que o desemprego, e os países bonzinhos, intervencionistas, assistencialistas e tal, como França, como a própria Alemanha… A França está com 13% de desempregados e Alemanha com 11,8%, já chegou a 12% de desempregados. Eles têm exclusão. E na União Soviética nem preciso falar, aí você tem uma discussão mais completa possível. Eu acho gozado a esquerda brasileira falar que o liberalismo é excludente. Ora bolas! A grande exclusão que chegou até a afugentar o pessoal em massa para o Ocidente é a exclusão do regime socialista e intervencionista.

    Marco Aurélio Garcia: Não me ponha como defensor do socialismo, porque eu não sou. [risos]

    “E outra coisa, que gostaria que você me expusesse sua opinião. Nos anos 90 a América Latina aderiu ao chamado consenso de Washington, privatizando estatais, diminuindo a presença do Estado etc. A partir de 2000, pouco apouco, voltou-se — um pouco, veja bem — a práticas do antigo desenvolvimentismo. Em qual década o crescimento e a diminuição da desigualdade de renda foi maior? Acho que não resta dúvida. Você pode me dizer que houveram outras causas — e aí eu queria saber quais foram.”

    Você precisa analisar o registro histórico de como era a economia da América Latina antes da década de 1990. A economia latino-americana pré-1990 era extremamente dependente do Estado e do dinheiro público captado dos cidadão via impostos e/ou via empréstimos no exterior, sendo que essa estrutura econômica estava montada dessa maneira havia décadas e as economias desses países já estavam acostumados à ela igualmente há décadas.

    Chegam os anos 90 e os governos latino-americanos, falidos, exaustos, e, em alguns casos, destruídos pela hiperinflação, resolvem entregar à iniciativa privada alguns setores que, antes, eram monopólio estatal e excluíam os empreendedores. A partir dessas privatizações, alguns serviços e bens que, antes, eram inexistentes nesses países ou extremamente difíceis de serem obtidos, passam a fazer parte do cotidiano dessas pessoas. Exemplo: A Internet, computadores e os serviços de telecomunicações em geral.

    Essas privatizações geraram resultados benéficos, como maior oferta de serviços e bens, concorrência, maior geração de empregos e etc.

    A redução da atuação do Estado nos setores que foram privatizados, ela melhorou ou piorou o acesso a bens e serviços que, antes, poucos podiam ter?

    Para você ter uma idéia, nos anos de 1980, para uma pessoa ter uma linha telefônica instalada em casa, era necessário esperar uns 3 anos, sem dizer que o preço era bem salgado: U$ 6.000,00! Em alguns casos, para reduzir esse tempo de espera, era comum o suborno de funcionários públicos, políticos e demais personagens. Compare isso aos dias de hoje para se obter os mesmos serviços.

    Sem dúvida alguma que determinadas economias latino-americanas sofreram com esse processo, pois mudar estruturalmente uma economia trará um período de adaptação a essas mudanças, cuja maturação e retorno de resultados levará alguns anos.

    Uma pergunta: Houve re-estatização dos setores que foram privatizados?

    Um outro ponto que você se esqueceu de citar foi a atual conjuntura econômica mundial e a demanda por commodities, o que não ocorreu nos anos de 1990.

    O desenvolvimentismo é uma coisa cruel, pois retira dos cidadãos comuns recursos e os coloca sob a tutela de burocratas e políticos, facilitando a corrupção, além de impedir o estabelecimento de um sistema de livre iniciativa. A hiperinflação vivida ao longo do período de 1980-1993 é fruto direto desse desenvolvimentismo que começou lá nos anos de 1930 e se intensificou infinitamente nos Governos Militares com o Delfim Neto e Cia.

    O desenvolvimentismo desvia recursos de áreas fundamentais (educação, saúde e segurança) e os coloca à disposição dos políticos para bancar as aventuras empresariais do governo. Se o governo brasileiro se limitasse à formação de capital humano via um excelente sistema público de educação e também em retirar os entraves estatais/burocráticos que dificultam a ação dos empreendedores, o Brasil poderia se tornar um país bem melhor.

    Um exemplo da crueldade do desenvolvimentismo: Pegue o caso da CEITEC. Desde os anos de 1970 que o Brasil tenta desenvolver uma indústria de semi-condutores para a fabricação de microchips e demais dispositivos eletrônicos.

    Os militares, embriagados pelo desenvolvimentismo, chegaram ao ridículo de colocar na letra da lei que o Brasil iria, sim, desenvolver uma indústria nacional de semi-condutores e foram tão longe ao ponto de até mesmo estabelecer uma legislação para essas futuras fábricas (que nunca vieram a existir!). Daí, houve todo aquele desastre da Lei de Informática, da reserva de mercado e seus efeitos catastróficos. Essa lei proibia o ingresso de computadores e periféricos estrangeiros no mercado nacional com o objetivo de defender a “indústria” “brasileira” de computadores — indústrias essas que, aliás, se limitavam a clonar os computadores americanos, que eram proibidos de ingressar no mercado local.

    O Governo Lula tentou de todos os jeitos atrair a instalação, em solo brasileiro, de um fábrica de semi-condutores da Intel, chegando a oferecer incontáveis e incontáveis incentivos fiscais, isenções disso e daquilo e etc. Excerto:

    O primeiro passo a que Yazbek se refere diz respeito à Medida Provisória 352, na qual o governo abre mão do recolhimento de Imposto de Renda (IR), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide). O pacote fiscal, porém, nem sequer chegou a sensibilizar empresas como a Intel, hoje a maior companhia do setor, com mais de vinte unidades fabris espalhadas pelo mundo, nenhuma delas no Brasil. “A ação é positiva, mas muito pontual, não muda a posição da indústria”, diz o diretor de marketing da Intel, Elber Mazaro. “Não há o que justifique uma produção local.”

    Parece que o governo não se dá conta de que as estruturas tributária e burocrática são hostis aos empreendedores. A presidente Dilma já sinalizou que não haverá nenhuma reforma estrutural no governo dela, o que é lamentável.

    Voltando à CEITEC, essa “fábrica” de microchips custou ao cidadão brasileiro nada menos do que R$ 300 milhões e nunca produziu um mísero microchip que fosse. Esses recursos foram extraídos dos cidadãos via impostos e jogados diretamente na lata de lixo da corrupção. Quantas coisas esses mesmos cidadão não poderiam ter feito com esses recursos caso estes tivessem ficado nos seus bolsos? Poderiam ter comprado um livro, ter feito um curso, ter ido ao cinema e etc. Ao menos teriam lançado mais R$ 300 milhões na economia e criado empregos legais e etc.

    Agora, compare esse caso da CEITEC ao caso das bem sucedidas empresas americanas de semi-condutores Intel e AMD. Estas duas empresas nunca receberam financiamentos camaradas do governo ou aporte de capital do tesouro nacional; nelas, a alocação dos cargos importantes ocorre pela meritocracia ao invés de algum processo baseado em escolhas político-partidário-ideológicas; e veja só o que a Intel e a AMD são? Aqui, você poderá ler algumas considerações interessantes sobre tal assunto.

    Boa parte das mazelas e desgraças sociais que o Brasil vive hoje é em decorrência do excesso de Estado na economia e da falta de liberdade econômica e de liberdade de empreender existente por aqui há séculos.

    Esses são os meus pontos sobre o desenvolvimentismo.

    “Outro exemplo: a Rússia, nos anos 90, foi outra que aderiu ao choque liberal. A antiga superpotência (segundo PIB do mundo até os anos 60) virou “emergente”. Só voltou a crescer quando, com Putin, voltou a botar o Estado outra vez na economia”

    Que tal pegar os casos de Letônia, Estônia e Lituânia? São países que também passaram por experimentos socialistas, procuraram se liberalizar ao longo dos anos de 1990 e, ao que parece, estão bem se comparadas às antigas repúblicas socialistas da URSS.

    “E mesmo o crescomento vertiginoso dos outroras Tigres Asiáticos foi com um baita estado indutor.”

    A Samsung é estatal? A Hyundai é estatal? A LG é estatal? Nenhuma dessas empresas é estatal e se você for avaliar a estrutura de empreendedorismo nesses países, você verá que o Brasil está muito, mas muito atrás mesmo deles.

    “Pra não falar na China hoje. Há muito que a China não é comunista, se é que foi um dia. Mas está a léguas de ser uma economia liberal. É um típico exemplo de capitalismo de Estado — como a Alemanha no século XIX. Ela teria crescido assim se tivesse, como nós, se “liberalizado” nos anos 90? Sim, eu entendo que ela se liberalizou, mas não se tornou, digamos, um Chile ou uma Irlanda — onde aliás há muitas insatisfações atualmente”

    Que tal se analisássemos a China durante o reino de Mao Tsé-Tung e após o reino de Mao Tsé-Tung?

    Veja aqui uma tabela contendo os dados de quantas pessoas foram mortas antes, durante e depois do reino de Mao Tsé-Tung.

    Observe os resultados da genial política maoísta do tal do “Grande Salto Adiante Para o Abismo do Subdesenvolvimento“, das coletivizações, da tal da “Revolução Cultural” e demais doidices. Compare tudo isso ao pouco de capitalismo que a China pôde experimentar após o reino de Mao Tsé-Tung e diga se as condições materiais e de sobrevivência dos chineses melhorou ou piorou.

    Os custos humanos do experimento comunista na China são estratosféricos.

    Até!

    Marcelo

  86. Olá!

    Pax, há dois comentários meus aguardando moderação. O primeiro que postei saiu com um erro de formatação em um link e gostaria que você, por gentileza, o apagasse. O outro está OK.

    Até!

    Marcelo

  87. Olá!

    Otto, dê uma olhada neste gráfico que relaciona o Índice de Liberdade Econômica e o IDH Ajustado Pela Desigualdade (IDHAD).

    A seta vertical é a média da liberdade econômica, isto é, valores à esquerda dessa seta estão abaixo da média, e os à direita, acima.

    A seta horizontal é a média do IDHAD, isto é, valores abaixo dessa seta estão abaixo da média, e os acima dela, acima da média.

    Uma observação interessante: Não há amostras com liberdade econômica abaixo dos 50 pontos e que tenham um IDHAD acima dos 0.700 pontos.

    Até!

    Marcelo

  88. elias said

    Chesterton,

    O Tesouro americano SEMPRE deveu os tubos. Mas nunca ficou inadimplente. Nem está agora.

    Aliás, ainda no governo GWB, o Tesouro americano injetou um trilhão nos bancos que — estes sim! –estavam inadimplentes. Alguns deles, como o BOA, levaram farelo, não esqueça.

    Reitero o que disse ao analista paulistano: se a culpa da crise é dos juros baixos, então meio mundo está apagando incêndio com gasolina: EUA, Japão, Alemanha, Holanda, Inglaterra, etc., estão todos com os juros rés ao chão.

    Os países ricos SEMPRE praticaram juros muito mais baixos que os países pobres. É a lei da oferta e da demanda. Juro é o “preço” da mercadoria chamada dinheiro. Onde a mercadoria é mais abundante, o preço é menor.

    Além disso, é essa defasagem que permite a alguém tomar emprestado num país rico e aplicar num país pobre. Vai ganhar na diferença entre juro que recebe e juro que paga. Esse esquema existe há séculos, como pode ser facilmente constatado na simples leitura de qualquer bom livro de história.

    Como disse de viva voz o ex-presidente do Bank Of América, a crise se estabeleceu por causa do inadimplemento generalizado nos financiamentos imobiliários, com forte concentração nas operações acima de US$ 1 milhão.

    Inicialmente, pensou-se que esse inadimplemento era localizado. Por isso é que Gerd Paulson achou que poderia estancar a sangria promovendo algumas fusões (tocadas às pressas num único final de semana). Algum tempo depois, descobriu-se que o inadimplemento era generalizado, e que os BANCOS (e não o Tesojuro), estavam sem nenhuma liquidez.

    Foi aí que o governo americano resolveu intervir no mercado.

    Quem “obrigou” os bancos a emprestar? Ninguém! O sistema estava quase que absolutamente desregulamentado, atendendo considerações de ordem puramente ideológica, como lembra o Delfin, no seu artigo transcrito acima pelo Otto.

  89. Chesterton said

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Subprime

    talvez assim você entenda….

  90. Elias 86 # – Você está quase levando um dez, mas aí chegou aqui “Quem “obrigou” os bancos a emprestar? Ninguém! O sistema estava quase que absolutamente desregulamentado, atendendo considerações de ordem puramente ideológica, como lembra o Delfin, no seu artigo transcrito acima pelo Otto.”

    E se quebrou. Infelizmente poucas pessoas conhecem a fundo a economia americana. Dizer que o setor imobiliário é desregulado é profundo desconhecimento. Primeiramente os dois maiores players do sistema eram para-estatais, Fannie Mae e Freddie Mac. Tenho aqui em minhas mãos um discurso do Ron Paul de 2003. Veja bem 2003. A íntegra está aqui:

    http://www.lewrockwell.com/paul/paul128.html

    Mas vou pegar um trecho do discurso.

    “The connection between the GSEs and the government helps isolate the GSE management from market discipline. This isolation from market discipline is the root cause of the recent reports of mismanagement occurring at Fannie and Freddie. After all, if Fannie and Freddie were not underwritten by the federal government, investors would demand Fannie and Freddie provide assurance that they follow accepted management and accounting practices.”

    A conexão entre as GSEs (Para-estatais) e o governo ajuda a isolar a gerência das GSE da diciplina do mercado. Esse isolamento da diciplina do mercado é a raiz dos recentes reportes de falha de gestão ocorridos na Fannie e Freddie. Afinal de conta, se essas empresas não fossem garantidas pelo governo, investidores iriam demandar que elas promovessem garantias que elas seguiam práticas gerenciais de de acompanhamento contábil.

    “Despite the long-term damage to the economy inflicted by the government’s interference in the housing market, the government’s policy of diverting capital to other uses creates a short-term boom in housing. Like all artificially-created bubbles, the boom in housing prices cannot last forever. When housing prices fall, homeowners will experience difficulty as their equity is wiped out. Furthermore, the holders of the mortgage debt will also have a loss. These losses will be greater than they would have otherwise been had government policy not actively encouraged over-investment in housing.”

    Apesar dos danos de longo prazo para a economia causados ​​pela interferência do governo no mercado imobiliário, a política do governo de desviar capital para outros usos cria um boom de curto prazo na habitação. Como todas as bolhas artificialmente criadas, o boom dos preços na habitação não pode durar para sempre. Quando os preços das casas caírem, os proprietários vão ter dificuldade como seu capital exterminado. Além disso, os detentores da dívida hipotecária também terão uma perda. Essas perdas serão maiores do que teriam sido se a política do governo não tivesse ativamente encorajados o over-investimento em habitação.

    Mais claro que isso não dá. E isso foi dito em 2003.

    Outra coisa o governo sim obrigava a bancos a emrpestarem dinheiro para baixa renda. Um dos princípios do CRA (Community Reinvestment Act ) era de que bancos que quisesses, por exemplo, abrir novas agências ou realizar fusões teriam que destinar um percentual maior de empréstimos para a baixa renda.

    Isso era regulação ou não. Lógico que era.

    Não estou insentando os banqueiros da crise, mas hoje em dia, falar que não havia regulação é dose.

  91. Chesterton said

    Banqueiro dança a música e leva a margem para casa. seo governo garante um negócio ruim, como emprestar para clientes NINJA *, emprestam à beça.

    N o
    I ncome
    N o
    J ob, an no
    A ssets

  92. Olá!

    Otto,

    “Você pelo jeito é economista — eu sou um mero leigo com bastante curiosidade.”

    Não, não sou economista. Apenas busco verificar os dados para não ser enganado pela galera de esquerda que adora dizer que tudo é culpa do livre mercado, mas não oferecem uma evidência sequer para embasar esse argumento.

    “Mas o que eu pergunto é o seguinte: a diferença de renda não está aumentando nos EUA? Olha, pelo que se vê, de estatísticas ao olhômetro, parece que sim.”

    É complicado de verificar isso na prática, pois os dados sobre desigualdade de renda nos EUA são escassos. Além do que, o próprio Coeficiente de Gini possui as suas limitações e não consegue indicar quais são as causas da desigualdade (diferenças educacionais, de oportunidades, e etc.), bem como as particularidades sociais e econômicas de um país. Mas isso não quer dizer que tal coeficiente não deva ser utilizado como um indicativo da desigualdade.

    “E isto não terá uma relação com a liberalização econômica (ou o desmonte do New Deal) após Reagan?”

    Você precisa avaliar qual era a conjuntura histórica da época em que o Reagan assumiu a presidência dos EUA. No começo da década de 1980 e mesmo na década anterior, a inflação americana, em março de 1980, havia atingido o seu terceiro maior patamar desde a 1a Guerra Mundial (14.8%). Talvez bem mais do que “desmontar” a estrutura do New Deal, o Reagan estabeleceu uma nova estrutura na economia americana e que foi bastante receptiva ao sistema de livre iniciativa. Foi durante o governo dele, por exemplo, que o Vale do Silício deu origem a uma grande quantidade de empresas de tecnologia, algumas delas estão até hoje por aí.

    Sobre a desigualdade de renda ao longo do Governo Reagan, o Roberto Campos (vulgo Bob Fields) tem uma colocação interessante (fonte: Programa Roda Viva):

    Roberto Campos: [. . .] Acho que você levantou aí três pontos interessantes. Tomemos o caso americano, a política de Reagan. Acusa-se a política de Reagan de ter alargado as disparidades de renda, sobretudo as disparidades entre faixas salariais. Isso é verdade, porque com a tecnificação da economia, todos aqueles que se adaptaram rapidamente às novas tecnologias passaram a ter um prêmio. Então aumentou-se a intercalagem de renda entre determinados segmentos da força de trabalho e outros. Mas você não pode falar em exclusão, esse termo que você usou é injusto. A política de Reagan é uma política includente. Por quê? Porque redundou em um desemprego bem mais baixo do que o da Europa. E hoje o desemprego americano é 5,4%, é o desemprego mais baixo da história. Isso é inclusão, meu senhor! Não é exclusão, inclusão.

    Marco Aurélio Garcia: [falando ao mesmo tempo que Roberto Campos] Deputado, todas as pessoas que conhecem o mercado de trabalho norte-americano sabem que é o trabalho mais precarizado que existe. Esse trabalho precarizado é uma das formas de ocultar o desemprego.

    Roberto Campos: Não há exclusão mais séria do que o desemprego, e os países bonzinhos, intervencionistas, assistencialistas e tal, como França, como a própria Alemanha… A França está com 13% de desempregados e Alemanha com 11,8%, já chegou a 12% de desempregados. Eles têm exclusão. E na União Soviética nem preciso falar, aí você tem uma discussão mais completa possível. Eu acho gozado a esquerda brasileira falar que o liberalismo é excludente. Ora bolas! A grande exclusão que chegou até a afugentar o pessoal em massa para o Ocidente é a exclusão do regime socialista e intervencionista.

    Marco Aurélio Garcia: Não me ponha como defensor do socialismo, porque eu não sou. [risos]

    “E outra coisa, que gostaria que você me expusesse sua opinião. Nos anos 90 a América Latina aderiu ao chamado consenso de Washington, privatizando estatais, diminuindo a presença do Estado etc. A partir de 2000, pouco apouco, voltou-se — um pouco, veja bem — a práticas do antigo desenvolvimentismo. Em qual década o crescimento e a diminuição da desigualdade de renda foi maior? Acho que não resta dúvida. Você pode me dizer que houveram outras causas — e aí eu queria saber quais foram.”

    Você precisa analisar o registro histórico de como era a economia da América Latina antes da década de 1990. A economia latino-americana pré-1990 era extremamente dependente do Estado e do dinheiro público captado dos cidadão via impostos e/ou via empréstimos no exterior, sendo que essa estrutura econômica estava montada dessa maneira havia décadas e as economias desses países já estavam acostumados à ela igualmente há décadas.

    Chegam os anos 90 e os governos latino-americanos, falidos, exaustos, e, em alguns casos, destruídos pela hiperinflação, resolvem entregar à iniciativa privada alguns setores que, antes, eram monopólio estatal e excluíam os empreendedores. A partir dessas privatizações, alguns serviços e bens que, antes, eram inexistentes nesses países ou extremamente difíceis de serem obtidos, passam a fazer parte do cotidiano dessas pessoas. Exemplo: A Internet, computadores e os serviços de telecomunicações em geral.

    Essas privatizações geraram resultados benéficos, como maior oferta de serviços e bens, concorrência, maior geração de empregos e etc.

    A redução da atuação do Estado nos setores que foram privatizados, ela melhorou ou piorou o acesso a bens e serviços que, antes, poucos podiam ter?

    Para você ter uma idéia, nos anos de 1980, para uma pessoa ter uma linha telefônica instalada em casa, era necessário esperar uns 3 anos, sem dizer que o preço era bem salgado: U$ 6.000,00! Em alguns casos, para reduzir esse tempo de espera, era comum o suborno de funcionários públicos, políticos e demais personagens. Compare isso aos dias de hoje para se obter os mesmos serviços.

    Sem dúvida alguma que determinadas economias latino-americanas sofreram com esse processo, pois mudar estruturalmente uma economia trará um período de adaptação a essas mudanças, cuja maturação e retorno de resultados levará alguns anos.

    Uma pergunta: Houve re-estatização dos setores que foram privatizados?

    Um outro ponto que você se esqueceu de citar foi a atual conjuntura econômica mundial e a demanda por commodities, o que não ocorreu nos anos de 1990.

    O desenvolvimentismo é uma coisa cruel, pois retira dos cidadãos comuns recursos e os coloca sob a tutela de burocratas e políticos, facilitando a corrupção, além de impedir o estabelecimento de um sistema de livre iniciativa. A hiperinflação vivida ao longo do período de 1980-1993 é fruto direto desse desenvolvimentismo que começou lá nos anos de 1930 e se intensificou infinitamente nos Governos Militares com o Delfim Neto e Cia.

    O desenvolvimentismo desvia recursos de áreas fundamentais (educação, saúde e segurança) e os coloca à disposição dos políticos para bancar as aventuras empresariais do governo. Se o governo brasileiro se limitasse à formação de capital humano via um excelente sistema público de educação e também em retirar os entraves estatais/burocráticos que dificultam a ação dos empreendedores, o Brasil poderia se tornar um país bem melhor.

    Um exemplo da crueldade do desenvolvimentismo: Pegue o caso da CEITEC. Desde os anos de 1970 que o Brasil tenta desenvolver uma indústria de semi-condutores para a fabricação de microchips e demais dispositivos eletrônicos.

    Os militares, embriagados pelo desenvolvimentismo, chegaram ao ridículo de colocar na letra da lei que o Brasil iria, sim, desenvolver uma indústria nacional de semi-condutores e foram tão longe ao ponto de até mesmo estabelecer uma legislação para essas futuras fábricas (que nunca vieram a existir!). Daí, houve todo aquele desastre da Lei de Informática, da reserva de mercado e seus efeitos catastróficos. Essa lei proibia o ingresso de computadores e periféricos estrangeiros no mercado nacional com o objetivo de defender a “indústria” “brasileira” de computadores — indústrias essas que, aliás, se limitavam a clonar os computadores americanos, que eram proibidos de ingressar no mercado local.

    O Governo Lula tentou de todos os jeitos atrair a instalação, em solo brasileiro, de um fábrica de semi-condutores da Intel, chegando a oferecer incontáveis e incontáveis incentivos fiscais, isenções disso e daquilo e etc. Excerto:

    O primeiro passo a que Yazbek se refere diz respeito à Medida Provisória 352, na qual o governo abre mão do recolhimento de Imposto de Renda (IR), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide). O pacote fiscal, porém, nem sequer chegou a sensibilizar empresas como a Intel, hoje a maior companhia do setor, com mais de vinte unidades fabris espalhadas pelo mundo, nenhuma delas no Brasil. “A ação é positiva, mas muito pontual, não muda a posição da indústria”, diz o diretor de marketing da Intel, Elber Mazaro. “Não há o que justifique uma produção local.”

    Parece que o governo não se dá conta de que as estruturas tributária e burocrática são hostis aos empreendedores. A presidente Dilma já sinalizou que não haverá nenhuma reforma estrutural no governo dela, o que é lamentável.

    Voltando à CEITEC, essa “fábrica” de microchips custou ao cidadão brasileiro nada menos do que R$ 300 milhões e nunca produziu um mísero microchip que fosse. Esses recursos foram extraídos dos cidadãos via impostos e jogados diretamente na lata de lixo da corrupção. Quantas coisas esses mesmos cidadão não poderiam ter feito com esses recursos caso estes tivessem ficado nos seus bolsos? Poderiam ter comprado um livro, ter feito um curso, ter ido ao cinema e etc. Ao menos teriam lançado mais R$ 300 milhões na economia e criado empregos legais e etc.

    Agora, compare esse caso da CEITEC ao caso das bem sucedidas empresas americanas de semi-condutores Intel e AMD. Estas duas empresas nunca receberam financiamentos camaradas do governo ou aporte de capital do tesouro nacional; nelas, a alocação dos cargos importantes ocorre pela meritocracia ao invés de algum processo baseado em escolhas político-partidário-ideológicas; e veja só o que a Intel e a AMD são? Aqui, você poderá ler algumas considerações interessantes sobre tal assunto.

    Boa parte das mazelas e desgraças sociais que o Brasil vive hoje é em decorrência do excesso de Estado na economia e da falta de liberdade econômica e de liberdade de empreender existente por aqui há séculos.

    Esses são os meus pontos sobre o desenvolvimentismo.

    “Outro exemplo: a Rússia, nos anos 90, foi outra que aderiu ao choque liberal. A antiga superpotência (segundo PIB do mundo até os anos 60) virou “emergente”. Só voltou a crescer quando, com Putin, voltou a botar o Estado outra vez na economia”

    Que tal pegar os casos de Letônia, Estônia e Lituânia? São países que também passaram por experimentos socialistas, procuraram se liberalizar ao longo dos anos de 1990 e, ao que parece, estão bem se comparadas às antigas repúblicas socialistas da URSS.

    “E mesmo o crescomento vertiginoso dos outroras Tigres Asiáticos foi com um baita estado indutor.”

    A Samsung é estatal? A Hyundai é estatal? A LG é estatal? Nenhuma dessas empresas é estatal e se você for avaliar a estrutura de empreendedorismo nesses países, você verá que o Brasil está muito, mas muito atrás mesmo deles.

    “Pra não falar na China hoje. Há muito que a China não é comunista, se é que foi um dia. Mas está a léguas de ser uma economia liberal. É um típico exemplo de capitalismo de Estado — como a Alemanha no século XIX. Ela teria crescido assim se tivesse, como nós, se “liberalizado” nos anos 90? Sim, eu entendo que ela se liberalizou, mas não se tornou, digamos, um Chile ou uma Irlanda — onde aliás há muitas insatisfações atualmente”

    Que tal se analisássemos a China durante o reino de Mao Tsé-Tung e após o reino de Mao Tsé-Tung?

    Veja aqui uma tabela contendo os dados de quantas pessoas foram mortas antes, durante e depois do reino de Mao Tsé-Tung.

    Observe os resultados da genial política maoísta do tal do “Grande Salto Adiante Para o Abismo do Subdesenvolvimento“, das coletivizações, da tal da “Revolução Cultural” e demais doidices. Compare tudo isso ao pouco de capitalismo que a China pôde experimentar após o reino de Mao Tsé-Tung e diga se as condições materiais e de sobrevivência dos chineses melhorou ou piorou.

    Os custos humanos do experimento comunista na China são estratosféricos.

    Até!

    Marcelo

    P.S: Pax, você deveria liberar mais links para o pessoal que já comenta aqui há um tempão.

  93. elias said

    Chesterton,

    O governo americano garante empréstimo bancário?

    Não mesmo! Pelo menos, não pela (des)regulamentação que havia quando a crise estourou.

    Tanto que Gerd Paulson falou às pampas sobre o dilema moral que ele enfrentou.

    De acordo com que ele sempre pensou, cada empresa deve arcar com o ônus de suas decisões comerciais. Se ela faz um mau negócio, a ponto de falir por isso, problema dela… Paulson sempre pensou assim. Quem leu os livros que ele escreveu sabe disso.

    Quando a crise estorou, ainda nas palavras dele, Paulson inicialmente tentou agir conforme suas convicções ideológicas. E assim foi até o momento em que ele se convenceu de que, mantida essa atitude, o estouro atingiria proporções incalculáveis, não apenas para a economia americana, mas também para a economia mundial.

    Foi aí que ele resolveu intervir no mercado, começando pelo 9 maiores bancos americanos. Destes, apenas um — o Welles Fargo — ainda não havia mergulhado na crise de liquidez.

    E foi a partir daí que entrou o primeiro trilhão estatal no mercado (já no governo Obama, entraria mais um trilhão).

    O pronunciamento do Paulson é interessante, porque ele sempre foi considerado um teórico respeitável do liberalismo. E Paulson é um sujeito de uma integridade intelectual impressionante. Ele não doura a pílula. Não se refugia em nenhuma trincheira ideológica. Não tenta distorcer nada. Ele é duro e direto.

    Ele deixou de ser neoliberal? Não. Mas ele reconhece que alguns fundamentos do neoliberalismo necessitam ser revistos. Sobretudo, ele admite que a capacidade de auto-regulação e de auto-recuperação do mercado é prraticamente nula.

    Ele acha justo o governo intervir no mercado por causa de más decisões empresariais? Não. Pra ele, não é só uma questão ideológica. É, sobretudo, uma questão moral.

    Ele deixou claro que a intervenção que ele mesmo determinou, na prática, “socializa” o prejuízo que, na verdade, só existe porque alguns levaram vantagem fraudulentamente. E, para Paulson, isso é uma imoralidade. Segundo suas próprias palavras, ele se viu obrigado a tomar uma decisão governamental que, segundo os valores que ele cultura, é imoral (impossível não concordar com ele).

    Nesse ponto de seu raciocínio, Paulson desenvolve uma bela discussão sobre “risco moral” e “risco sistêmico”.

    No fim, prevaleceram razões de ordem prática. Ele injetou os US$ 1 trilhão estatais pra salvar o sistema financeiro norte-americano que, se afundasse, levaria o planeta junto.

    E Paulson é suficientemente íntegro, do ponto de vista moral e intelectual, pra reconhecer que foram medidas neoliberais que causaram a crise. Especificamente aquelas que revogaram a regulação adotada a partir da era FDR. Ele afirma isso abertamente.

    Exatamente o que disse o Delfin Netto no artigo que o Otto transcreveu.

    Pablo,

    Não estamos falando do setor imobiliário. Estamos falando de “crédito imobiliário”, como parte do setor financeiro.

    E o crédito imobiliário está sendo citado emblematicamente, porque concentrou a maior parte do inadimplemento, em termos de volume (não esquecer, que o inadimplemento foi mais intenso nas operações acima de US$ 1 milhão).

    Mas o inadimplemento não se limitou ao setor imobiliário. Foi generalizado. O financiamento de bens de consumo duráveis — tipo automóvel, lanchas, iates, etc., por exemplo — entrou em parafuso.

  94. elias said

    “…segundo os valores que ele cultura…”

    “cultua”

  95. Chesterton said

    O governo americano garante empréstimo bancário?

    chest- Elias, sim. As agencia Frediméc e Fânimei garantiam os bancos que fizessem empréstimos muquiranas.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Fannie_Mae

  96. Otto said

    Oi, Marcelo, vi só agora o seu texto. Amanhã te repondo.

    Abs.

  97. Otto said

    Oi, Marcelo: postei a resposta no comentário #41 do texto “Corrupção: pioramos”.

    Olá, Pax, você que é social-democrata, leia também minha resposta.

Faça seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: