políticAética

Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

  • Sobre o blog

    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
  • Categorias

  • Arquivos

  • Páginas

  • Meta

Lula e a amizade de FHC

Posted by Pax em 01/11/2011

Fernando Henrique Cardoso demonstra que a amizade antiga com Lula não está abalada. Não só deseja melhoras como critica a onda de baixaria que se instaurou na internet exigindo que Lula se trate no Sistema Único de Saúde.

Segundo informações da equipe médica do Hospital Sírio Libanês o tumor de Lula tem agressividade média e as chances de cura são muito grandes. O tratamento teve início ontem.

FHC deseja melhoras a Lula e critica pedido por tratamento no SUS – Agência Estado via Último Segundo – iG

Ex-presidente diz que Lula, de “grandes feitos”, merece toda a solidariedade. Para tucano, quem fala para petista ir para o SUS tem “recalque”

“A pessoa que tem a projeção e o grande número de feitos pelo Brasil deve receber a maior solidariedade, sobretudo neste momento de dificuldade”

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso condenou hoje as manifestações de internautas nas redes sociais sugerindo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fizesse seu tratamento contra o câncer em hospitais públicos. Após palestra do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, Fernando Henrique classificou os comentários na internet de “recalque”. “Acho que isso é uma espécie de recalque, eu não endosso isso”, disse. “É um equívoco. Não tenho visto (as manifestações), mas acho um equívoco. Vida humana, saúde, não, que é isso!”, emendou. (continua no Último Segundo…)

Anúncios

69 Respostas to “Lula e a amizade de FHC”

  1. Edu said

    Chesterton, acho que nessa vc pode ajudar mto mais do que qualquer um. Veja se estou correto, por favor.

    Qualquer pessoa que esteja passando por uma situação de câncer provavelmente estará sendo tratada com verba do SUS.

    Pelo que eu entendo, aos hospitais acreditados (credenciados) para realização de determinada prática médica, e que estiverem cadastrados no SUS, eles podem fazer até uma certa quantidade limite de tratamentos para esta prática médica.

    Essa prática permite que um hospital em uma região pobre e de baixa densidade demográfica seja capaz de investir em equipamento e equipe de cirurgia cardíaca, hemodiálise, etc. Uma vez que o hospital têm a sua unidade para uma prática como estas, há uma inspeção e a acreditação (credenciamento) pela ANVISA, se não me engano, para dizer que o hospital está preparado para realizar determinado procedimento médico. Em seguida, o hospital pode se cadastrar no SUS, e poderá receber o valor deste procedimento médico realizado (tabela SUS).

    Segundo meus amigos médicos, a tabela de valores repassados pelo SUS para pequenos procedimentos, como uma cirurgia de apendicite por exemplo é muito baixo. No entanto procedimentos complexos como uma cirurgia cardíaca, sessões de hemodiálise, transplantes, tratamento para câncer, esses valores são altos, estando inclusive alinhados com os valores pagos pelos melhores planos de saúde.

    Sendo assim, o SUS ajuda a viabilizar o investimento de qualquer hospital em uma prática mais complexa. Por isso, inda que Lula tenha sido internado e esteja sendo tratado no Sírio-Libanês, indiretamente ele está sendo tratado pelo SUS, e se ele estivesse sendo tratado pelo SUS, provavelmente receberia o mesmo tratamento que está recebendo atualmente.

    Então, até onde eu entendo, esse povo definitivamente não sabe o que está falando e nem o FHC.

  2. Edu – O problema é a rapidez. Conheço pessoas que se trataram de câncer pelo SUS. Não há questionamento em relação ao tratamento em si, sua qualidade, mas em relação as constantes idas infrutíferas aos hospitais por falta de médico, atrasos, falta de medicamentos, falta de salas para cirurgias, esperas etc, etc, etc.

    Só para deixar bem claro, não endosso de maneira nenhuma essa campanha. Mesmo tendo o Lula afirmado certa vez que queria ficar doente para ser tratado em uma unidade do UPA que estava inaugurando. Mesmo ele tendo criticado a mãe do Caetano Veloso porque não havia utilizado o serviço do SAMU quando precisou de uma ambulância.

    A verdade que fica é que para populistas como Lula e outros, quando o assunto é saúde, eles largam de mão o povão e se abraçam com as zelites.

    O problema é a hipocrisia deles. Mas como eu não sou eles, afirmo que ele tem todo o direito de buscar o melhor tratamento que o dinheiro dele pode pagar. A mesma coisa que desejo para qualquer um. Mesmo sabendo que ele e os dele não fariam o mesmo por mim.

    É o que me difere deles. Pois os mesmos petistas e simpatizantes que hoje vomitam o quão é errado essa campanha, fizeram coisa pior com Mario Covas.

  3. Olá!

    E não se esqueçam da maneira como os esquerdo-petistas trataram o falecimento da Dona Ruth Cardoso. O que não faltou foram blogs, sites e comentaristas esquerdo-petistas mandando a mulher queimar no fogo do inferno. É. . .

    Até!

    Marcelo

  4. Chesterton said

    Edu, o problema é a fila. Se Lula for tratado no INCA e furar a fila terá as mesmas chances do tratamento do Sirio Libanes.
    O problema da medicina socializada no mundo inteiro é esse, tempo de espera. Quem da a carteirada não tem do que se preocupar.

  5. Chesterton said

    Lula e José Dirceu no restaurante.

    Lula e José Dirceu foram jantar em um restaurante muito luxuoso, no qual até os talheres eram de ouro.
    De repente, Lula vê o Zé Dirceu pegar duas colheres de ouro e esconder no bolso.
    Ficou chateado da vida porque não teve a idéia primeiro e, para mostrar que ele sempre era o CHEFE de tudo,
    decidiu que também ia roubar duas colheres.
    Todavia, ficou nervoso (pois os companheiros sempre roubaram para ele e ele “nunca sabia de nada”) e as colheres
    acabaram batendo uma contra a outra.
    O garçom ouviu o barulho e perguntou ao Lula se ele queria alguma coisa.
    Lula ficou sem jeito, pois tinha sido pego com a boca na botija e falou que não tinha ouvido nada, não sabia de nada e não queria nada.
    Em seguida, Lula tentou de novo, mas uma das colheres caiu no chão.
    O garçom ouviu outra vez o barulho, aproximou-se de Lula e perguntou, outra vez, se queria algo.
    Lula pensou um pouco e, como exímio enganador, dissimulado e oportunista, perguntou ao garçom:
    – Você quer ver eu fazer uma mágica?
    – Sim seu Lula.
    – Bom, pega essas duas colher de ouro e põe elas no meu bolso.
    O garçom pegou as colheres e as colocou no bolso de Lula.
    – OK senhor, e agora?
    – Agora conta 1, 2, 3 e tire elas do bolso do Zé Dirceu!
    Todos aplaudiram e,ao ir embora,Lula deixou um “graninha” pra todos os garçons e saiu rindo!!!…

    Moral da história:
    O sujeito viu a oportunidade, roubou,ninguém o viu roubando e ainda saiu aplaudido e considerado “o bom”, “o bacana” e “o benfeitor”.

  6. Chesterton said

    http://www.implicante.org/noticias/em-2010-58-mil-pacientes-de-cancer-ficaram-sem-os-servicos-basicos-do-sus/

  7. Olá!

    Chesterton, uma das grandes dúvidas sobre sistemas 100% privados de saúde consiste em saber como ficaria a situação dos pobres que não têm como pagar um plano.

    Você tem alguma informação a respeito disso?

    Até!

    Marcelo

  8. Pablo said

    Pronto, depois do patético e nojento vídeo gravado pelo inimputável Lula, poderemos encerrar o debate sobre utilização do câncer para fazer política.

  9. Zbigniew said

    Como disse o J.A. comentando o post do Eduardo Guimarães:

    “Lula simboliza a luta de milhões de brasileiros pela vida, mas uma vida digna! Em sua dignidade, este que é um dos mais honrados e valorosos brasileiros, certamente irá continuar a marcha que o levará a um lugar na história reservado àqueles que serão sempre lembrados como exemplos de solidariedade.”

  10. Chesterton said

    Chesterton, uma das grandes dúvidas sobre sistemas 100% privados de saúde consiste em saber como ficaria a situação dos pobres que não têm como pagar um plano.

    Você tem alguma informação a respeito disso?

    chest- escambo, presentes, favores, cooperativas, Santas Casas, piedade, mais responsabilidade pessoal, calote, vaquinha, não é perfeito, é óbvio. A, medicina tecnológica, entretanto , no início seria inacessível, mas com o tempo baratearia.
    Antigamente médico fazia tantos favores, metade do dia era de graça, que nem pagava IR.

  11. Chesterton said

    um lugar na história reservado àqueles que serão sempre lembrados como exemplos de solidariedade.”

    chest- só pode estar de gozação….

  12. Patriarca da Paciência said

    “Eu se abro” com esse pessoal infantil que pensa que apenas o egoismo infantil é inerente à natureza humana.

    Meu pirão primeiro! Meu pirão primeiro!

    E as mães continuam amamentando!

    E os pais continuam trabalhando!

    E o mundo segue sua marcha!

    Quanto a mim, sinto-me perfeitamente tranquilo em pagar um pouco de impostos para que outros possam ter um pouco de dignidade.

  13. Pax said

    Entregar a Saúde Pública totalmente à iniciativa privada e ficar esperando que os médicos tenham todos sentimentos humanitários para atenderem em troca de favores, escambos ou mesmo piedade (como nos contou o caro Chesterton da situação antiga) me parece um enorme absurdo.

    No fim das contas teríamos cenas e mais cenas de gente morrendo pelas ruas sem acesso a qualquer tratamento e morrendo de coisas simples que hoje são tratadas pelo sistema público.

    Saúde para mim deveria ser, a priori, pública. Na mão do governo. Sem impedir que houvesse, também, iniciativa privada. Mas que a pública tivesse qualidade senão igual, superior à privada. (e olha que em vários casos, como emergências, já é o que acontece aqui no Brasil em muitas cidades)

    Do que já ouvi relatos de conhecidos e jornalistas que moram na França e na Inglaterra, me parece que é assim que funciona e que é bastante razoável. E mesmo a pública como também os medicamentos, quem pode ainda contribui com uma taxa pequena nas consultas e farmácias.

    Falo sem conhecer, somente da memória de relatos e reportagens que ouvi.

    Me interessa saber, também, como funciona no Canadá, na Austrália, na Nova Zelândia, e nos países nórdicos.

    E ainda, se alguém souber, como funciona na Coréia do Sul.

  14. Chesterton said

    Pax , a situação hoje é absurda, e dificilmente reversível. O estado substitiu a familia (rede de proteção privada) em muitos aspectos e do jeito que está continuará avançando sobre o individuo até o extremo do Brave New World.
    A hipocrisia dos políticos de cantar em versos a saude publica para em seguida usar a medicina inacessível a té a classe média é regra e absolutamente hilária. Político é coisa ruim, não são burros.
    Desde os tempos do mestrado que pego no pé dessa gente, uma professora que caiu de paraquedas porque era mulher de um politico do PCB(?) passava as aulas dizendo que aspirina e ervas eram ótimas mas na primeira dorzinha de cabeça foi fazer uma tomografia (e teve a pachorra de nos contar….aí se fudeu).
    A medicina no Brasil é cara tambem porque o custo Brasil dobra o preço de tudo. Dobra e atrapalha. Como na França tempos atrás, os impostos sobre a Peugeot cobriam os prejuizos da Renault (estatal).

  15. Chesterton said

    Patty, o dinheiro dos teus impostos não são utilizados para melhorar a dignidade de ninguem, ao contrario, se não vai para o bolso de corruptos, vira esmola que acaba castrando os mais pobres de qualquer iniciativa para melhorar de vida.
    O único dinheiro que traz dignidade é aquele fruto de trabalho (não emprego público inútil, programas assistenciais, bolsas e “direitos”).

    Pax, no Canadá pagar e receber por consultas é contra a lei. E o sistema de saude só não é mais caro que uma guerra. Mesmo assim, canadenses vão aos EUA para exames mais complexos, há “tempo de espera”.
    E Europa está quebrada pois além de gastar fortunas com aposentadorias precoces e sistemas de saúde “bonzinhos” tem uma mentalidade anti-empresarial. Lá, o estado está no nível que você deseja, e por isso mesmo é inviável. Os habitantes , temerosos que seus direitos sejam diminuídos, não tem filhos(!) se esquecendo que em última análise, diretamente ou através do estado, são os filhos que sustentam o welfare state.

    Situações como essa são muito difíceis de mudar, o povo está tão (mal) acostumado que nunca vai parar para pensar no absurdo em que vive. E nada tem de novidade, na história a falência do estado – gasta mais do que recebe – é a causa principal do desaparecimento de impérios e nações, desde os gregos e talvez antes.

  16. Patriarca da Paciência said

  17. Chesterton said

    Pax, parece que no Canadá houve uma liberalização light

    http://www.elgranj.com/?p=398

  18. Patriarca da Paciência said

    “Patty, o dinheiro dos teus impostos não são utilizados para melhorar a dignidade de ninguem, ao contrario, se não vai para o bolso de corruptos, vira esmola que acaba castrando os mais pobres de qualquer iniciativa para melhorar de vida.
    O único dinheiro que traz dignidade é aquele fruto de trabalho (não emprego público inútil, programas assistenciais, bolsas e “direitos”).”

    Chesterton,

    foi esse extremo individualismo, extremo apego ao dinheiro e extrema indiferença social que provocou extremas calamidades na Europa.

    E, pelo jeito, provocará ainda extremas calamidades na Palestina!

  19. Chesterton said

    Pior cego é aquele que não quer ver.

    _______________________________

    Há certos limites na vida em civilização. A proteção absoluta à segurança física dos jornalistas no exercício profissional é um limite. Quando se cede à tentação de relativizar esse princípio as coisas estão a caminho de piorar, e muito.

    O ataque de ontem contra a repórter, mesmo isolado, deve ser entendido num contexto. Um certo ambiente de glamurização da agressividade e da violência, gratuitas ou não.

    chest- é o resultado dessa ideologia de solidariedade à força…

  20. Chesterton said

    Patty, me conta uma coisa. O que você acha do perdão da dívida grega pelos bancos europeus?

  21. Patriarca da Paciência said

    Chesterton,

    o que eu acho mesmo é que é uma completa bobagem dizer que Estados Unidos, Europa ou Canadá estão falidos.

    Todos tem riquezas mais que suficientes para todos os seus habitantes.

    É só uma questão de fazer uma melhor distribuição de renda.

    O que se torna necessário é abandonar essa corrida maluca de crescimento eterno. Ser o primeiro! Ser o mais importante!

    Como dizia o Tom Jobim, “cada ser humano come apenas um bife de cada vez”.

    Um sujeito que coloca cinco jatos à sua disposição, para mim, não passa de mais um maluco no mundo!

  22. Chesterton said

    Riqueza enterrada só é riqueza se você tem escravos para colhê-la para você.
    Mais importante que a riqueza enterrada é a produtividade individual. Sem ela a riqueza continua enterrada.

    Cinco jatos não são necessários, mas……a possibilidade de construir 5 jatos é necessária. Empregos, tecnologia, inovação, design, impostos, satisfação de milhares de pessoas em realizar alguma coisa…um burocrata nunca vai compreender.

  23. Chesterton said

    Enfim, graças a essas pessoas que compram 5 jatos, investem pesado, a humanidade tem meios de produzir essas invenções maravilhosas. Nos países igualitaristas a única maneira de produzir algo parecido é na aviação militar, mesmo porque só explorando povos inteiros (como a URSS fez com a Europa Oriental por 70 anos) ou por chantagem (Coreia do Norte) eles conseguem a riqueza que não sabem produzir.

  24. Chesterton said

    QUARTA-FEIRA, 2 DE NOVEMBRO DE 2011

    Lula, o SUS, e o Almirante George Bowyer
    Durante a batalha naval conhecida por Glorioso Primeiro de Junho (armada da Grã-Bretanha contra a armada Francesa), o Almirante George Bowyer foi ferido e perdeu a perda. Ao chegar a enfermaria para receber tratamento ele insistiu que se respeitasse o protocolo tradicional: aqueles feridos antes dele deveriam receber atendimento primeiro. A isso dá-se o nome de nobreza, honra. Será que podemos dizer o mesmo de nosso ex-presidente?

    Acredito que todos nós fazemos escolhas na vida, e certamente somos responsáveis por elas. No Brasil, devido a precariedade do sistema público de saúde, é evidente que quem tem recursos prefere se tratar em hospitais privados. Então por que critico Lula? Critico Lula pois esse bufão era o mesmo que enobrecia o sistema público de saúde no Brasil. Esse bufão fez campanhas eleitorais enaltecendo as melhoras que ele providenciou na saúde pública. Era esse bufão que afirmava que “a saúde é quase perfeita”, ou ainda que as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) eram tão boas que “até da vontade de ficar doente para usar”. Pois aí está sua chance para usá-las senhor ex-presidente.

    Toda pessoa tem direito a fazer escolhas. Não se questiona o direito do bufão de escolher ser atendido no setor privado de saúde. Mas se questiona aqui seu comportamento moral: se o sistema público de saúde era tão bom para os outros, então por que ele mesmo não o usa? A resposta é simples: Lula não é o Almirante George Bowyer, honra e dever não são suas maiores preocupações.
    POSTADO POR BLOG DO ADOLFO

  25. elias said

    Pax,

    No mundo que conta, mais de 80% dos gastos em saúde são estatais.

    No Brasil, ninguém sabe ao certo, mas as estimativas da participação dos gastos públicos em saúde oscilam de 20% a 60%. Falo das estimativas mais embasadas e conhecidas.

    Na verdade, a maior parte das estimativas existentes está a serviço de posicionamentos políticos préformulados. Quem defende uma participação maior do Estado nos gastos em saúde, usa os percentuais menores. Quem acha que o sistema de saúde deve ser ainda mais privatizado do que já é, usa, obviamente os percentuais maiores.

    E vai o barco…

    Na prática, a maior parte dos estabelecimentos médicos, odontológicos e hospitalares do Brasil é particular. O problema é que poucos conseguem pagar pelos serviços desses estabelecimentos, e uma boa parte deles vive dizendo que está falindo, que não tem dinheiro, etc.

    Ninguém tem condições de dizer se essa choradeira honesta ou se os caras dizem isso só pra conseguir mais dinheiro público pras instituições deles.

    Enfim, a rede particular no Brasil é uma caixa preta. Os donos dos hospitais vivem chorando miséria, mas eles vivem como nababos.

  26. Chesterton said

    Gastos com saúde pública por país (dados de 2003)
    Total de gastos com saúde. % do PIB Per capita total (US$) Per capita público (US$) Per capita público (em %)
    Argentina…………………….. 8,9 ……..426 …………………………..300 ……………………………70,4%
    Brasil…………………………. ……..7,6 ………212 …………………………….96 ……………………………45,3%
    Canadá ………………………….9,9 ………2.669 …………………1.866 ……………………………69,9%

    chest- o que depreende é que o país pode dar ao povo nesse esquema quase suicida uma medicina 10 vezes pior que o Canadá.
    Elias, vou me mudar para o Pará e montar um hospital, aí deve ser o paraíso da medicina privada.

  27. Chesterton said

    Um estudo mais aprofundado desses números revela que estes mesmos R$ 40 bilhões garantem entre R$ 120 e R$ 150 anualmente por habitante, ou seja, cerca de 50 centavos por dia. Na comparação com o Canadá, por exemplo, significa menos de 10% do total investido em saúde pelo governo daquele país.(ainda 2003)

    chest- 10 reais por Mês com habitante…….isso é dinheiro de comprar pipocas. E mesmo assim não tem fim o buraco. Vai faltar médicos, a medicina não é mais profissão de ascensão social, quer dizer, só a exerce quem pode fazê-lo com boa dose de idealismo, que significa que as vagas oferecidas pelos governos não serão preenchidas se o salário n ão for muito compensador.

    Na minha opinião o governo deveria se concentrar em algumas áreas críticas e estimular planos de saúde mais simples (ainda que seria suicidio político num país de povo hipo-suficiente)

  28. Chesterton said

    Dificil negar que existe uma relação direta entre aumento de gastos e melhoria de atendimento.
    E aí é preciso pensar nos dramas reais da saúde brasileira. Estamos falando de recursos insuficientes. E também estamos falando de desigualdade.
    Nada menos que 45% de tudo aquilo que os brasileiros gastam com saúde destina-se a planos privados, que atendem 25% da população brasileira. Os demais 75% disputam 55%.

    Paulo Moreira Lite
    ————————————

    chest- um argumento imoral desse sujeito que não é de hoje apresenta confusão.
    Os 45% destinados a planos privados vem do bolso do individuo por escolha própria ou de empresas privadas (descontem os planos de empresas para-estatais). O que ele quer? Que os que pagam UNIMEds paguem para que outros sejam atendidos?

  29. Chesterton said

    http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/2011/11/02/para-cada-r-1-para-paciente-do-sus-reserva-se-mais-de-r-2-aos-planos-privados/

  30. Clever Mendes de Oliveira said

    Chesterton (#5.) (terça-feira, 01/11/2011 às 12:46),
    Cuidado,
    Você ensina o truque que só você conhecia e da próxima vez eles alem de fazer um bom governo ainda vão sair com as colheres, o garfo e a faca.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 02/11/2011

  31. Otto said

    Marcelo Augusto:

    meio atrasado te repondo aqui aquela nossa conversa dos posts antigos:

    Quanto à Argentina:

    Se quando os Kirchner assumiram a percepção da corrupção estava em 3.50 e agora, depois de 8 anos, está em 2.90, parece que melhorou. Ainda mais que a percepção de 2003 dizia respeito ao cenário anterior.
    Quanto àqueles dados, citei-os de cabeça. Mas você pode conferir nas suas fontes: em apenas 8 anos o desemprego despencou e a renda média subiu. E a Argentina foi um dos países que mais cresceram no mundo nesse período. E é bom lembrar que em 2002 os portenhos estavam numa situação pior do que a Grécia hoje, levado pelas políticas ultraliberais do malfadado Menem.

    Sobre a Coreia do Sul:

    Independente de questiúnculas, eu te provei que na Coreia houve uma política de intervenção estatal pesada, ainda mais do que no Brasil. Se a presença do Estado gera ineficiência, a Coreia deveria estar quebrada, Ao contrário, a Coreia foi um dos países que mais cresceram de 1960 pra cá. O mesmo vale para o Japão do pós-guerra: presença forte do estado no planejamento da economia. Ou pra Alemanha. Exemplos não faltam.

    Sobre a China.

    O crescimento da China apenas comprova isso. Por que a China não crescia antes? Ora, porque planejamento completo também não funciona. A fórmula está numa economia de mercado regulada.

    E sobre a telefonia.
    Vamos usar o teu argumento e transportá-lo para outra época. Digamos que queiramos comparar a telefonia brasileira dos anos 70 com a dos anos 50. Em 50 levava-se um dia inteiro para se conseguir um interurbano. E as empresas de telecomunicação eram privadas. Já em 70 você fazia um interurbano pra qualquer parte do Brasil em segundos. O que isso prova? Ora, que houve evolução tecnológica nesse período!
    Aliás, você sabia porque as empresas de luz e água, que eram privadas, foram estatizadas na época? Porque eram ineficientes, não faziam investimentos e todo mundo se queixava. Sobretudo os empresários pressionavam o governo pra encampar as empresas. No Rio de janeiro, na década de 1950, faltava água e caía a luz o tempo todo. Leia Agosto, do Ruben Fonseca.

    Sobre aquela blog que fala da queda da qualidade de vida no países do leste europeu depois da queda do comunismo, os dados são do Banco Mundial. Você mesmo pode conferir. Basta ver os indicadores sociais da Rússia hoje com a da URSS.

    Sobre os EUA, sim, eles tem um PIB per capita do caralho, mas isso não significa nada se a renda está mal distribuída, você sabe disso. Entre os países ricos, os EUA são os mais desiguais. Entre os países ricos europeus, o Reino Unidos é o mais desigual. Afinal, ninguém sai de casa e vai viver numa barraca no inverno, ocupando um praça, sem um motivo forte.

    No mais, eu não defendo Mao nem Stalin.
    Mas nem também as grandes corporações que manietam os governos ocidentais (e outros também) e são causas das guerras neocoloniais de rapinagem.
    Acho que entre um regime de planejamento central absoluto e outro de mercados totalmente desregulados há soluções intermediárias. E a história mostra que países que souberam dosar os dois opostos conseguiram crescer com distribuição de renda.

    Sobre corrupção, que parece que é algo que tanto te preocupa, não te parece estranho que o país que tem a maior população carcerária do mundo (os EUA), não tenha condenado nenhum banqueiro entre os que fizeram as estripulias responsáveis pela crise de 2008?

    Aliás, você já assistiu Inside Job? Caso não, te recomendo.

    Abraços.

  32. Pax said

    Continuo querendo entender como funcionam os sistemas de saúde pública alhures.

    Os caros Elias e Chesterton responderam parcialmente.

    Se der tempo vou procurar me baseando em alguns exemplos.

    – Inglaterra
    – Noruega
    – Coreia do Sul

    Acho que já daria um bom leque de informação.

  33. Edu said

    Saúde pública é uma das contas que mais gera déficit público. Haja vista o tão aclamado presidente dos EUA tentando fazer uma reforma para que o governo diminua o tamanho dessa conta.

    Por que?

    1 – Médicos sempre serão caros. Seja pelo tempo de estudos, ou próprio investimento dos médicos nos seus estudos; seja pelo nível de especialização que devem ter para tratar a vida de um ser humano.

    2 – A indústria farmacêutica tem investimentos fabulosos no desenvolvimento de novas drogas.

    3 – Equipamentos médicos também são caríssimos, bem como sua manutenção.

    4 – A infra-estrutura para manutenção de um hospital, além de cara, é muito ineficiente. O ideal seria que o mínimo de pessoas fosse internada, mas se isso acontece, o hospital não lucra, pois ninguém está pagando pelo número de leitos livres. E se há poucos leitos e um hospital rejeita pacientes, o hospital é queimado na praça pública midiática.

    5 – No longo prazo, todo ser humano é um déficit público em termos de doença. Quanto mais velha a população, naturalmente maior será o gasto público com medicina. Os velhos adoecem mais, é uma questão da natureza. Nesta condição, eles não fazem mais parte da população economicamente ativa e não contribuem para a economia, situação na qual em tese eles retornariam o investimento do governo.

    Ou seja, além de toda a infra-estrutura necessária para tratar pacientes, os pacientes não retornam o investimento. É um poço sem fundo, com tendência a aumentar cada vez mais.

    A pergunta de alguns bilhões de dólares é: como minimizar o impacto dessa conta, sem que o serviço seja afetado?

  34. Benjamin Chesterton said

    Parar de prometer saúde para todos, pois ficar doente é uma contingência de quem está vivo e ninguèm tem direito a saúde, no máximo, se puder pagar (ou ter alguem que pague por si) , direito a atendimento médico.

  35. Edu said

    Pax,

    Eu acho que não existe base de comparação para os sistemas de saúde, por conta de 2 variáveis importantíssimas:

    1 – Tamanho da população
    2 – Dispersão geográfica da população

    Eu tenho certeza que se vc tomar como exemplo um país pequeno e mediano, talvez nem precisemos ir muito longe: Cuba, Chile, Uruguai, o sistema de saúde destes se apresentarão mais eficientes que o modelo brasileiro e talvez até mesmo que o modelo americano.

    Imagina que um hospital em uma zona centralizada da Inglaterra pode atender quase que o país inteiro, dada a eficiência logística.

    Outra coisa que facilita para esses países é a quantidade de gente: até x milhões de habitantes, vamos imaginar 40 milhões de habitantes, é possível realizar medicina preventiva para a população. Isso facilita muito diagnósticos, isso diminui, em tese, o número de internações. Agora, como fazer medicina preventiva para 195 milhões de pessoas? O número por si só é um absurdo.

    Teríamos que comparar o sistema de saúde brasileiro ao Russo, ao Indiano ou ao Chinês. No entanto as diferenças culturais e econômicas também são gritantes.

    Por isso acho que tal comparação é inútil.

  36. Otto said

    Pax, meu caro:

    assista Sicko, do Michael Moore, um documentário sobre os sistema de saúde nos Estados Unidos, Canadá, França e em várias partes do mundo. Vale a pena.

  37. Olá!

    Otto,

    “Quanto à Argentina:

    Se quando os Kirchner assumiram a percepção da corrupção estava em 3.50 e agora, depois de 8 anos, está em 2.90, parece que melhorou. Ainda mais que a percepção de 2003 dizia respeito ao cenário anterior. [. . .]”

    Aí você se engana. Quanto menor for o Índice de Percepção da Corrupção, maior será a percepção da corrupção (e vice-versa).

    O problema dos Kirchners na Argentina é que eles pegaram um país com bastante corrupção e colaboraram decisivamente para piorá-lo nesse sentido. Sem contar a tal Ley de Medios que está contribuindo para a destruição de um valor fundamental de uma democracia e de uma das bases mais preciosas dos direitos civis: A liberdade de expressão e de imprensa.

    “[. . .] Quanto àqueles dados, citei-os de cabeça. Mas você pode conferir nas suas fontes: em apenas 8 anos o desemprego despencou e a renda média subiu. E a Argentina foi um dos países que mais cresceram no mundo nesse período. [. . .]”

    Assim não dá, Otto. Simplesmente jogar suposições, sem embasá-las com dados concretos, não é argumentação. Fazer isso é lançar palavras ao vento. Traga dados e embase melhor os seus posicionamentos.

    “[. . .] E é bom lembrar que em 2002 os portenhos estavam numa situação pior do que a Grécia hoje, levado pelas políticas ultraliberais do malfadado Menem.”

    Sem dúvida alguma que a Argentina de 2002 estava, literalmente, quebrada. O Menem está para a Argentina assim como o Fujimori está para o Peru.

    “Sobre a Coreia do Sul:

    Independente de questiúnculas, eu te provei que na Coreia houve uma política de intervenção estatal pesada, ainda mais do que no Brasil. [. . .]”

    Não, você não provou. Você apenas fez uma suposição.

    Não há dúvidas de que, na Coréia do Sul, houve intervenção estatal na economia. Porém, essa intervenção não foi da mesma maneira que ocorreu no Brasil, com a criação de dezenas e dezenas de ineficientes e corruptas estatais, financiamentos camaradas via dinheiro público, criação de monopólios, reserva de mercado e maluquices como a Lei de Informática de 1984.

    Na Coréia do Sul, o Estado procurou facilitar a vida dos empreendedores.

    “[. . .] Se a presença do Estado gera ineficiência, a Coreia deveria estar quebrada, Ao contrário, a Coreia foi um dos países que mais cresceram de 1960 pra cá. O mesmo vale para o Japão do pós-guerra: presença forte do estado no planejamento da economia. Ou pra Alemanha. Exemplos não faltam.”

    Só uma pergunta, Otto: Na sua opinião, quais foram as causas da hiperinflação brasileira ao longo do período de 1980-1993?

    Novamente, você vem com essa balela sobre a Coréia do Sul ser um exemplo de como a intervenção estatal deu certo e etc. Você se esquece de que as principais empresas coreanas de alta tecnologia são privadas. Veja lá, Samsung, LG, Hyundai e outras.

    O mesmo vale para o Japão e a Alemanha: Suas principais empresas não são estatais e/ou foram criadas tendo como base as doidices desenvolvimentistas que ocorreram no Brasil no período de 1930 até 1985.

    Veja aqui um gráfico mostrando o Índice de Liberdade Econômica no Mundo de Brasil, Coréia do Sul, Japão, Chile e Alemanha ao longo do período de 1970 até 2009. É interessante notar nesse gráfico que o Brasil, até 1975, tinha mais liberdade econômica do que o Chile.

    Veja o gráfico, Otto. Coréia do Sul, Japão e Alemanha sempre tiveram maior liberdade econômica do que o Brasil e, hoje, estão entre os países mais economicamente livres do mundo.

    Otto, mais uma pergunta: Na sua concepção, por quê a intervenção estatal não gerou no Brasil o mesmo tipo de desenvolvimento que você afirma que ela (a intervenção estatal) gerou na Coréia do Sul?

    “Sobre a China.

    O crescimento da China apenas comprova isso. Por que a China não crescia antes? Ora, porque planejamento completo também não funciona. A fórmula está numa economia de mercado regulada.”

    OK! Aqui há um ponto de concordância. Só que, essa regulação deveria ser feitas por agências reguladoras independentes e que funcionassem de fato. No Brasil, elas foram completamente aparelhadas e são, hoje, um troço cheio de corrupção.

    “Sobre corrupção, que parece que é algo que tanto te preocupa, não te parece estranho que o país que tem a maior população carcerária do mundo (os EUA), não tenha condenado nenhum banqueiro entre os que fizeram as estripulias responsáveis pela crise de 2008?”

    O problema é que, se fossem encarcerar esses banqueiros aos quais você se refere, teriam de encarcerar também quase metade do Partido Republicano e do Partido Democrata juntos.

    Até!

    Marcelo

  38. elias said

    Pax,

    Desde já informo: não tenho nada contra médicos. Tenho vários na família: irmãs, cunhados, primos e respectivas caras-metade, além dos tais parentes “em 2º grau”.

    Dizer que, no Brasil, a prática da medicina é movida a idealismo é pular uma passagem…

    A paixão, o tesão, são elementos essenciais à boa prática de qualquer profissão. Medicina não é, absolutamente, uma exceção. Nem tem por que ser. Mas não é só isso.

    O Brasil tem um déficit imenso de médicos. Há quem fale em mais de 100 mil. Essa escassez deveria puxar a remuneração pra cima (acho até que o Brasil deve importar médicos de outros países da América Latina).

    Tome como exemplo o usuário de qualquer plano de saúde. Pra se conseguir um atendimento especializado, espera-se de 15 a 20 dias, mesmo pagando uma média de R$ 1,0 mil/mês pro plano.

    No Brasil, falta médico. Não sei se são os 100 mil que alguns dizem, mas claro que há um déficit brutal.

    Então, por que os médicos brasileiros ainda se sentem subremunerados?

    Vão aí duas razões (mas tem mais):

    1 – Embora poucos, os médicos brasileiros estão mal distribuídos. Estão concentrados nos grandes centros urbanos, o que cria a falsa aparência de excesso de oferta de mão-de-obra. Na Amazônia, tem município do interior oferecendo salário competitivo, casa mobiliada, com luz água, telefone, tv a cabo e verba de supermercado, carro, etc. (ou seja, o salário sai quase limpo), pra uma permanência de 20 dias por 10 dias de folga. Mesmo assim, rala-se pra se conseguir um médico… Os médicos costumam dizer que ir pro interior é se enterrar em vida, porque isto dificulta a atualização profissional, etc e tal (aqui em Belém, tem a piada do “urubu do Ver-o-Peso” que ilustra a atitude dos médicos).

    2 – A gente diz que saúde não tem preço. Certo, não tem preço. Mas tem custo. E esse custo é alto. Acontece que, no Brasil, a prestação de serviços de saúde está privatizada há anos. A maior parte dos estabelecimentos — hospitalares, principalmente — é privada. Acontece que também a maior parte da população não pode pagar esses serviços, e só tem acesso a eles quando o governo paga. Só que o governo paga merreca (aliás, os planos de saúde idem)… Vai daí… Se a população não pode pagar e o governo paga pouco (e ainda atrasa o pagamento desse pouco)… O resultado só pode ser esse que se vê.

  39. elias said

    Pax,

    Outro problema: política de saúde.

    No Brasil, a política de saúde é focada na extensão de tecnologia médica. Ou seja, medicina curativa. Médico é aquele cara a quem você procura quando está doente. Política preventiva, nem pensar.

    Vai daí que você acaba usando mais intensamente o tipo de serviço de saúde mais caro que existe.

    Um contra-exemplo: a distribuição maciça de camisinhas reduziu brutalmente o gasto com ações curativas pra DST.

    Mais outro problema: sistema estruturado com foco no atendimento hospitalar.

    Hospital deve ser a última opção, porque é a mais cara. Muito mais cara. O sistema deve ter a forma de círculos concentricos. O hospital deve ser o círculo central. O negócio é tentar resolver a coisa nos ambulatórios; depois passar pros estabelecimentos de baixa complexidade; em seguida pros de média complexidade e, só então, pros de alta complexidade.

    No Brasil, tem município que dispõe de hospital de alta complexidade e nenhum de média ou de baixa.

    Resultado: esse hospital vive assoberbado, tendo que atender casos que nem deveriam lhe ter sido direcionados.

    Quando você opta sempre pela alternativa mais onerosa, você acaba pagando mal e não há dinheiro que dê conta…

  40. Edu said

    Pax, Otto e Elias,

    O filme de Michael Moore realmente dá uma noção do que é a idéia central do sistema de saúde de cada país, no entanto esconde vários outros fatos como o déficit causado pelo próprio sistema de saúde e, sinto muito, a comparação esdrúxula entre os EUA, com 270 milhões de habitantes num espaço territorial gigantesco com Canadá (e no Canadá vc pode assistir o filme Adeus Lênin, que, embora não tenha nada de documentário, apresenta um contraponto já bastante interessante), com míseros 34 milhões concentrados em alguns pontos; França, com 64 milhões, porém numa área menor que o estado do texas e a Inglaterra, com 53 milhões e 1/4 da França em área.

    Pelo mesmo problema que o Elias relata, dá pra perceber que o esquema de remuneração que o próprio Michael Moore pesquisa na França e na Inglaterra seria impossível aqui no Brasil. Como é que podemos fazer para segurar um médico no meio da amazônia? E a infra-estrutura para sustentar um hospital decente num vazio demográfico cujos meios de transporte além de lentos são caríssimos?

    Aliás, eu acho a observação do Elias um tanto quanto interessante no que diz respeito à profissão dos médicos: ele defende a “importação” de médicos de outros países porque há escassez de mão-de-obra e a mão-de-obra é cara.

    Eu acho que deveríamos pensar também na importação de chineses para trabalhar nas fábricas, porque nas fábricas também há escassez de mão-de-obra qualificada, e eu tenho certeza que se perguntarem para qualquer empresário, os empresários vão achar que os salários sindicalizados são acima do que deveriam.

  41. Edu said

    Sobre a medicina preventiva, taí uma conta interessante:

    Uma coisa é o governo oferecer camisinha e vacinação gratuita para 195 milhões de habitantes.

    O governo não consegue fazer nem o censo populacional direito, imagina fazer medicina preventiva, tipo um checkup a cada quanto tempo? 1 ano? 3 anos? Para 195 milhões de habitantes? Será que a conta vai sair mais barata do que sustentar hospitais ou construir novos hospitais?

    Uma das respostas já foi dada: não há médicos suficientes nem para atender as urgências. E para prevenção então?

  42. elias said

    Peço a paciência de todos pra mais um ófitópique.

    Da ADVFN Newsletter de hoje:

    “Com a BM&FBOVESPA fechada ontem, pelo feriado nacional, os investidores deverão aproveitar hoje a boa notícia que animou os mercados internacionais ontem. Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, banco central dos EUA, reafirmou ontem as medidas de estímulo econômico da última reunião, como a taxa de juros próxima a zero, intenção de reduzir a taxa de juros de longo prazo e propôs uma nova rodada de injeção monetária para animar ainda mais a economia norte-americana. As bolsas de valores internacionais reagiram fechando em alta ontem e o movimento continua com força nesta manhã. Os analistas esperam por um dia mais calmo no mercado nacional hoje, com um ajuste para cima do índice Ibovespa e uma leve desvalorização do Dólar em relação ao Real, caso nenhuma notícia vinda da Europa surpreenda os investidores.”

    “Taxa de juros próxima a zero”?

    “Nova rodada de injeção monetária para animar ainda mais a economia norte-americana”?

    Loucos!

    Então eles não sabem que foram os juros baixos que criaram a crise?

    Então eles não sabem que o mercado se ajusta sozinho?

    Em nome de Tupã, aliás Manitu: por que esse pessoal insiste em apagar incêndio com gasolina?

  43. elias said

    Edu,

    A “importação de médicos” tá aí só pra provocar o Chesterton…

  44. elias said

    Edu,

    Se você ler com mais atenção o que eu escrevi, verá que eu opus “política preventiva” a “tecnologia médica”.

    Aí citei o caso “camisinha X DST”.

    Prevenção em saúde não significa, necessariamente, tecnologia médica.

    Sabe onde se concentram os maiores índices de morbidade e de mortalidade no Brasil? Nas doenças diarreicas, infecto-contagiosas e parasitárias.

    Uma boa política de prevenção a essas doenças não passa pela tecnologia médica. Você ganha o jogo melhorando a rede de abastecimento de água, a coleta e destinação final de resíduos sólidos… por aí.

  45. Edu said

    Então não é medicina, é saneamento, o que, de fato, é verdade. Concordo com esse ponto.

    E sobre esse ponto, há o Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Que entrará plenamente em vigor em 4 anos (prazo em que toda a legislação terá que ser cumprida.). O texto na verdade é muito interessante, porém à moda petista, baseado em cooperativas. Será que teremos novos episódios de corrupção?

    Só que saneamento não resolve a principal questão médica: um déficit assombroso. Pelo contrário, piora, porque felizmente dá a chance da população envelhecer mais e usar cada vez mais o sistema hospitalar, que, como dito, é caríssimo.

  46. elias said

    E, Edu,

    E não tem problema importar mão-de-obra especializada, não.

    Todo mundo faz isso.

    Um dos maiores importadores de mão-de-obra especializada é os EUA. E não é de hoje…

  47. Edu said

    Elias,

    Eu não sou contra importar mão-de-obra especializada, eu sou contra aumentar impostos como justificativa para favorecer a não-demissão de mão-de-obra local, como foi feito no IPI dos automóveis.

    Juntando déficit da saúde, prevenção e SUS, eu tive uma idéia:

    1 – O governo poderia exigir, assim como a carteira de vacinação, um checkup completo de toda a população num prazo de 3 anos. Cada um que escolha o hospital em que irá fazer.

    2 – As pessoas com checkup completo atualizado poderiam receber algum benefício: fura-filas nos hospitais, tratamentos em hospitais diferentes, tratamentos para a família, qualquer coisa do tipo.

    3 – Para diminuir o custo disso, o governo poderia cobrar (assim como foi feito com o Controlar em São Paulo), uma taxa simbólica pelo serviço, e reembolsar o contribuinte depois, seja pelo desconto no IR, seja por depósito em conta, qualquer coisa.

    4 – Este checkup deverá ser refeito entre 3 a 5 anos.

    Se as pessoas estiverem com checkup feito a população e o governo terão beneficios:

    População:

    1 – Prevenção, descobrimento de doenças graves, crônicas, agressivas, entre outras, num prazo descente.

    2 – Todos os indivíduos e famílias terão histórico de doenças, facilitando o diagnóstico e a cura

    3 – Da próxima vez que alguém precisar de tratamento, haverá informações suficientes para que esta pessoa seja tratada o mais rápido com o uso de poucos exames.

    Governo:

    1 – Banco de dados sobre a situação da saúde da população inteira: o Brasil poderá focar investimentos e outros planos de ação que custariam muito mais barato.

    2 – O Brasil passará a trabalhar em cima de prevenção, muito mais barato e efetivo.

    3 – Munido de informações, será possível facilitar filas de transplantes, trocas de informações entre pacientes, e muitas outras coisas.

    A lista se estenderia. Se há algum político lendo isso, aproveite! Eu não cobro pela idéia!

  48. Edu said

    Errata: onde está escrito descente, leiam decente. Escrevi correndo, desculpem.

  49. Pax said

    Eu vi o filme do Michael Moore.

    E li com atenção as colocações de vocês. Todas.

    E continuo perguntando como funcionam os sistemas na Inglaterra, Noruega e Coreia do Sul.

    —-

    Mudando um pouco de saco para mala, sem sair do assunto viagem. Lembram de uma notícia colecionada aqui de um desvio de R$ 500 milhões causado pelo PMDB no comando do Ministério da Saúde?

    Lembram, também, do escândalo dos sanguessugas nas compras de ambulância?

    Há inúmeros exemplos.

    Onde quero chegar?

    Que mesmo considerando o atual sistema de saúde pública brasileiro, há, sem sombra de dúvidas, saltos olímpicos a serem dados com duas questões bem simples, no meu entender: (a) melhoria na eficiência, na gestão geral (gostei muito do exemplo do Elias dos círculos concêntricos) e (b) redução substancial da corrupção que rola solta em todos os cantos, qualquer que seja o partido e coligação que esteja no poder.

    obs.: por incrível que pareça, onde moro (50 km de Sampa) o sistema de saúde é bem razoável. Há um agente de saúde que passa aqui em casa (na roça) e se informa sobre as pessoas da casa, se há alguma doença, marca consulta para o caseiro e a família dele (juro, é verdade). Aqui perto há um posto de saúde que funciona direto e reto, limpo, sem muita fila, atendentes educados, onde se tomam as vacinas e se tem os primeiros atendimentos etc. E quem acaba precisando de um suporte maior tem um excelente hospital público que atende emergências e casos complicados.

    Um conhecido, só a guisa de exemplo, teve um ombro esmagado por um caminhão que perdeu o freio. O cara foi atendido neste hospital, salvaram o bicho na emergência (dreno com pulmão sangrando e quase matando o cidadão por falta de ar e daí por diante) e depois de algum tempo operaram o cidadão e colocaram o ombro em seu devido lugar.

    Fui visitá-lo duas vezes no hospital, na primeira internação e depois na operação. Sou amigo ele, já trabalhou para mim.

    Ok, o cara operário da construção que mora perto, atualmente da nova classe C (acho que ganha uns R$ 2 mil e pouco como mestre de obra), com carro comprado faz dois anos etc mas, claro, sem plano de saúde.

    Ficou numa ala com umas 12 pessoas na primeira internação e na segunda numa ala menor. Apertado, gente da região recorre a este hospital, mas um tratamento que deu gosto de ver, toda hora entrando enfermeiros para cuidar, roupa de cama limpa, comida 3 vezes ao dia, médicos competentes etc.

    Tudo de graça.

    Outro exemplo.

    Na melhor rede hospitalar privada da cidade se eu quiser fazer um plano de saúde completo sai por R$ 250,00 com enfermaria dupla e R$ 340 com quarto individual. Em sampa é como falaram aí acima, custa R$ 1 mil.

  50. Benjamin Chesterton said

    Prevenção em saúde não significa, necessariamente, tecnologia médica.

    chest- EXATAMENTE!!! Só falta o Elias crer que tambem não é preciso estado.

  51. Benjamin Chesterton said

    O Brasil tem um déficit imenso de médicos. Há quem fale em mais de 100 mil. Essa escassez deveria puxar a remuneração pra cima (acho até que o Brasil deve importar médicos de outros países da América Latina).

    chest- e vai piorar. A medicina já foi uma profissão de ascensão social, onde o pobre com muito esforço aprendia e ganhava a vida. Hoje as exigências são tamanhas, o estudo é tanto, que o interesse caiu

    Tome como exemplo o usuário de qualquer plano de saúde. Pra se conseguir um atendimento especializado, espera-se de 15 a 20 dias, mesmo pagando uma média de R$ 1,0 mil/mês pro plano.

    chest- tenho 3 vagas para atendimento no mesmo dia. Agora, se voc~e ficar escolhendo fulano ou sicrano porque a tia disse que só pode lá, aí espera mesmo.

    No Brasil, falta médico. Não sei se são os 100 mil que alguns dizem, mas claro que há um déficit brutal.

    chest- não creio que seja uma questão de números, mas de distribuição. Se houve êxodo rural nos últimos 50 anos (ou mais) não é o médico que vai fazer o caminho inverso. Mas grandes centros se formam no interior aos poucos.

    Então, por que os médicos brasileiros ainda se sentem subremunerados?

    chest- porque é estafante, estressante, é como aviação, horas de tédio intercalados por momentos de muita “adrenalina”.

    Vão aí duas razões (mas tem mais):

    1 – Embora poucos, os médicos brasileiros estão mal distribuídos. Estão concentrados nos grandes centros urbanos, o que cria a falsa aparência de excesso de oferta de mão-de-obra. Na Amazônia, tem município do interior oferecendo salário competitivo, casa mobiliada, com luz água, telefone, tv a cabo e verba de supermercado, carro, etc. (ou seja, o salário sai quase limpo), pra uma permanência de 20 dias por 10 dias de folga. Mesmo assim, rala-se pra se conseguir um médico… Os médicos costumam dizer que ir pro interior é se enterrar em vida, porque isto dificulta a atualização profissional, etc e tal (aqui em Belém, tem a piada do “urubu do Ver-o-Peso” que ilustra a atitude dos médicos).

    chest- conte a piada, se não se importa, não conheço. Qual é o salário deste município?

    2 – A gente diz que saúde não tem preço. Certo, não tem preço. Mas tem custo. E esse custo é alto. Acontece que, no Brasil, a prestação de serviços de saúde está privatizada há anos. A maior parte dos estabelecimentos — hospitalares, principalmente — é privada. Acontece que também a maior parte da população não pode pagar esses serviços, e só tem acesso a eles quando o governo paga. Só que o governo paga merreca (aliás, os planos de saúde idem)… Vai daí… Se a população não pode pagar e o governo paga pouco (e ainda atrasa o pagamento desse pouco)… O resultado só pode ser esse que se vê.

    chest- os hospitais públicos sofrem com descaso, roubo e negligencia, e por isso no final das contas são caríssimos e ruins. Parece que isso os latinos americanos já aprenderam. Os planos de saude pagam bem, 60 reais a consulta é bom. Não ótimo, não dá para ficar milionário, mas médico que reclama pode se desligar do plano.
    No mais, concordo com você.

    Sobre importar médicos… a situação no hemisfério norte é igual ou levemente pior, vai faltar médicos por lá. Assim como os bolivianos vêm para cá, nós vamos para lá.

  52. Pax said

    Esta dupla Chesterton e Elias não tem preço.

    E quero ser padrinho de qualquer relação futura que venha a ser estabelecida.

    É o mínimo de consideração que podem ter para comigo. Ora bolas.

    =)

  53. Benjamin Chesterton said

    Edu,

    A “importação de médicos” tá aí só pra provocar o Chesterton…

    chest- como falei, o problema é e será a exportação para o hemisfério norte e a importação de peruvianos. Já ocorre no Rio de Janeiro.

    Eu acho que deveríamos pensar também na importação de chineses para trabalhar nas fábricas, porque nas fábricas também há escassez de mão-de-obra qualificada, e eu tenho certeza que se perguntarem para qualquer empresário, os empresários vão achar que os salários sindicalizados são acima do que deveriam.

    chest- é mais fácil levar a fábrica para a China, poluir na China, colocar CO2 na atmosfera da China, não ter que se virar com fiscais do Ministério do Trabalho nem com sindicatos nem com o PT.
    Assim as esquerdas ficam contentinhas?

  54. Benjamin Chesterton said

    Opinião de um professor chinês de economia, sobre a Europa – o Prof. Kuing Yamang, que viveu em França.

    1.A sociedade européia está em vias de se auto-destruir. O
    > seu modelo social é muito exigente em meios financeiros. Mas
    > ao mesmo tempo, os europeus não querem trabalhar. Só três
    > coisas lhes interessam: lazer/entretenimento, ecologia e
    > futebol na TV! Vivem, portanto, bem acima dos seus meios,
    > porque é preciso pagar estes sonhos de miúdos…

    2. Os seus industriais deslocalizam-se porque não estão
    > disponíveis para suportar o custo de trabalho na Europa, os
    > seus impostos e taxas para financiar a sua assistência generalizada.

    3. Portanto endividam-se, vivem a crédito. Mas os seus
    > filhos não poderão pagar ‘a conta’.

    4. Os europeus destruíram, assim, a sua qualidade de vida
    > empobrecendo. Votam orçamentos sempre deficitários. Estão
    > asfixiados pela dívida e não poderão honrá-la.

    5. Mas, para além de se endividar, têm outro vício: os seus
    > governos ‘sangram’ os contribuintes. A Europa detém o
    > recorde mundial da pressão fiscal. É um verdadeiro ‘inferno
    > fiscal’ para aqueles que criam riqueza.

    6. Não compreenderam que não se produz riqueza dividindo e
    > partilhando mas sim trabalhando. Porque quanto mais se
    > reparte esta riqueza limitada menos há para cada um. Aqueles
    > que produzem e criam empregos são punidos por impostos e
    > taxas e aqueles que não trabalham são encorajados por
    > ajudas. É uma inversão de valores.

    7. Portanto o seu sistema é perverso e vai implodir por
    > esgotamento e sufocação. A deslocalização da sua capacidade
    > produtiva provoca o abaixamento do seu nível de vida e o
    > aumento do… da China!

    8. Dentro de uma ou duas gerações, ‘nós’ (chineses) iremos
    > ultrapassá-los. Eles tornar-se-ão os nossos pobres.
    > Dar-lhes-emos sacos de arroz…

    9. Existe um outro cancro na Europa: existem funcionários a
    > mais, um emprego em cada cinco. Estes funcionários são
    > sedentos de dinheiro público, são de uma grande ineficácia,
    > querem trabalhar o menos possível e apesar das inúmeras
    > vantagens e direitos sociais, estão muitas vezes em greve.
    > Mas os decisores acham que vale mais um funcionário ineficaz
    > do que um desempregado…

    10. (Os europeus) vão diretos a um muro e a alta
    velocidade…

    anonimo da internet

  55. elias said

    Elias: “Prevenção em saúde não significa, necessariamente, tecnologia médica.”

    chest: EXATAMENTE!!! Só falta o Elias crer que tambem não é preciso estado.

    Elias: Isso! Saneamento básico sendo proporcionado pelo empresariado verde-amarelo que, como se sabe, foi quem inventou e primeiro colocou em prática o conceito de “responsabilidade social” e seu estágio superior, a “responsividade social”.

    O pagamento dos serviços de saneamento básico poderá ser feito em espécie ou por meio de escambo: uma galinha aqui, um edredom de retalhos ali, um abajur de artesanato, uma mesinha de cabeceira, e… pão e vinho sobre a mesa, quatro paredes caiadas e um cheirinho de alecrim…

  56. Chesterton said

    Melhor ainda, cidades sem prefeitos, sem vereadores, funcionando como um condominio.

  57. elias said

    É…

    Sem polícia e guardas de trânsito, também… Os passarinhos fazendo piu-piu…

    Quanto ao professor chinês, também não há problema. Existe um montão de professores europeus que também acham que a China vai acabar naufragando num mar de poluição (e é bom que estes últimos estejam errados, porque, tal como os americanos, se os chineses naufragarem, as marolas afogarão boa parte do resto do mundo).

  58. elias said

    De qualquer forma, o Brasil funcionaria muito melhor:

    a – sem o Senado;

    b – com os vereadores e deputados estaduais e federais reduzidos em, pelo menos, um terço;

    c – sem as “verbas de gabinete”, “residências funcionais” e “auxílios moradia” pra parlamentares;

    d – com controle externo para os juduciários estaduais e federal.

  59. Chesterton said

    Elias, 100% das obras de infra-estruturas foram feitas por empresários.

  60. elias said

    Chesterton,

    100% das obras de infraestrutura “feitas” pelos empresários, foram pagos pelo Estado.

    O Estado está para o capitalismo brasileiro assim como o oxigênio está para a vida.

    Quem ainda não percebeu isto está longe do Brasil. Ou está, mas olha e não vê…

  61. Edu said

    Elias,

    Raciocínio perigoso o seu, pq antes do Estado, havia terras de capitanias hereditárias e uma nobreza, q financiou o início do desenvolvimento por aqui…

  62. Olá!

    O Brasil e seu 84º IDH

    O Brasil conseguiu subir uma mísera posição no mais recente ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) publicado pela ONU.

    Com a mudança na metodologia do cálculo do IDH, o Brasil caiu, mais ou menos, umas 20 posições. O interessante é que houve países que, mesmo com a troca nessa metodologia, mantiveram-se igual ou bem próximo de suas respectivas antigas posições no ranking do IDH anterior à essa mudança. Isso evidencia a baixa robustez do atual sistema econômico brasileiro, incapaz de gerar os recursos mínimos para manter bons níveis de educação, acesso aos serviços de saúde e acesso a um bom nível de renda.

    As reformas estruturais que poderiam mudar esse cenário estão completamente estagnadas e não há nenhum sinal do atual partido no poder de que haverá alguma iniciativa no sentido de fazer algo nessa direção.

    É interessante observar como há uma elevada correlação entre altos índices de desenvolvimento humano e o sistema de livre iniciativa.

    Talvez, o problema fundamental resida, exatamente, no fato de que os valores do atual partido que dá as cartas no Governo Federal são incompatíveis com a livre iniciativa.

    Até!

    Marcelo

  63. Olá!

    Apenas um esclarecimento:

    A mudança no cálculo do IDH é de 2010. Antes dessa mudança, o Brasil estava entre as posições 60-70. Após a mudança, o Brasil foi lá para a 85ª.

    Até!

    Marcelo

  64. Chesterton said

    Chesterton,

    100% das obras de infraestrutura “feitas” pelos empresários, foram pagos pelo Estado.

    chest- aí a raiz do problema.

    O Estado está para o capitalismo brasileiro assim como o oxigênio está para a vida.

    chest- Logo, não é capitalismo. É patrimonialismo. Estadoismo.

    Quem ainda não percebeu isto está longe do Brasil. Ou está, mas olha e não vê…

    chest- Sim, apenas sei o nome das coisas.

  65. Otto said

    Ô Marcelo, desculpe a demora, mas a coisa está corrida pra mim:

    Quanto a Coreia, pelo jeito você não leu o artigo que te linkei. O presença do Estado no desenvolvimento da Coreia foi massivo.
    Quanto à Argentina, OK — mas ela cresceu mais com os KK do que quando tinha “relações carnais” com os EUA. Quanto à queda do padrão de vida do leste europeu, basta lembrar que a URSS já foi o segundo maior PIB do mundo. E hoje, como eu já disse, é um mero “emergente”. E aliás só voltou a crescer depois que, com Putin, o Estado passou a ser importante de novo na economia. E a Índia, uma das economias que mais cresce, tem o sistema bancário todo estatizado.
    Bom, o Brasil pode não ser uma Coreia, mas entre 1930 e 1970 foi um dos países que mais cresceram no mundo. A queda se deu nas duas décadas perdidas: 80 e 90. Assim foi com toda a América Latina. O choque liberal aqui foi uma catástrofe, tanto que os políticos que o praticaram foram escorraçados pelas urnas.

  66. Olá!

    Otto,

    “Quanto a Coreia, pelo jeito você não leu o artigo que te linkei. O presença do Estado no desenvolvimento da Coreia foi massivo.”

    Otto, o que aconteceu na Coréia do Sul foi bem diferente do que aconteceu no Brasil. O governo coreano não saiu fundando um monte de ineficientes e corruptas empresas estatais.

    No Brasil do período de 1930-1985, a presença do Estado também foi massiva e não houve por aqui um desenvolvimento na mesma escala em que ocorreu na Coréia do Sul.

    Alguma coisa deve ter dado errado.

    “Quanto à Argentina, OK — mas ela cresceu mais com os KK do que quando tinha ‘relações carnais’ com os EUA. [. . .]”

    O principal parceiro econômico da Argentina, hoje, parece que é o Brasil. O detalhe é que, geralmente, os políticos americanos são menos irresponsáveis do que os brasileiros.

    “Quanto à queda do padrão de vida do leste europeu, basta lembrar que a URSS já foi o segundo maior PIB do mundo. [. . .]”

    Otto, quais foram os custos humanos disso? A URSS conseguiu ter o 2o PIB do mundo a um custo humano tremendo. Aproximadamente 50 milhões de pessoas foram mortas para que isso se tornasse realidade, sem dizer que o padrão de vida de um cidadão soviético, geralmente, era inferior ao padrão de vida de um país mediano da Europa Ocidental.

    “Quanto à queda do padrão de vida do leste europeu, basta lembrar que a URSS já foi o segundo maior PIB do mundo. [. . .]”

    Sim, hoje, a Rússia não tem mais como explorar os pobres países da Ásia Central e do Leste Europeu que, um dia, foram seus satélites na época comunista.

    “E aliás só voltou a crescer depois que, com Putin, o Estado passou a ser importante de novo na economia. [. . .]”

    Em meados de 2003-2004, a Freedom House classificou a Rússia como um país politicamente não-livre. A experiência comuno-marxista pela qual passou a Rússia continuará a reverberar por algum tempo.

    “[. . .] E a Índia, uma das economias que mais cresce, tem o sistema bancário todo estatizado.”

    Você acha que bancos devem ser comandados por políticos, Otto?

    O setor bancário indiano ser todo estatal é sintoma de uma economia com forte presença do Estado. Isso ocorre na Índia há um bom tempo. Não é de hoje. O IDH indiano ser um dos piores do mundo dá uma boa pista do que isso causou por lá.

    “Bom, o Brasil pode não ser uma Coreia, mas entre 1930 e 1970 foi um dos países que mais cresceram no mundo. [. . .]”

    Otto, ao longo desse período, houve no Brasil uma massiva presença do Estado na economia. Por quais razões isso não resultou em um desenvolvimento semelhante ao desenvolvimento da Coréia do Sul?

    “[. . .] A queda se deu nas duas décadas perdidas: 80 e 90. Assim foi com toda a América Latina”

    Eita, aí você inverta causa e efeito.

    A década perdida de 1980 ocorreu, exatamente, por causa desse desenvolvimentismo maluco empregado no Brasil entre 1930-1985. A hiperinflação do período de 1980-1993 é resultado direto dessa massiva presença estatal na economia. A recuperação veio apenas com a implantação e consolidação do Plano Real.

    “O choque liberal aqui foi uma catástrofe [. . .].”

    Catástrofe, né? OK! Apenas observe os dados inflacionários abaixo para o período anterior ao Governo FHC:

    Inflação no Brasil 1980-1994 (IPCA):

    1980 . . . 99.25%
    1981 . . . 95.62%
    1982 . . . 104.79%
    1983 . . . 164.01%
    1984 . . . 215.26%
    1985 . . . 242.23%
    1986 . . . 79.66%
    1987 . . . 363.41%
    1988 . . . 980.21%
    1989 . . . 1972.91%
    1990 . . . 1620.97%
    1991 . . . 472.70%
    1992 . . . 1119.10%
    1993 . . . 2477.15%
    1994 . . . 916.46%

    Média . . . 728.25%

    Agora, veja a mesma inflação para o período que você considera como catástrofe:

    Inflação no Brasil 1995-2002 (IPCA):

    1995 . . . 22.41%
    1996 . . . 9.56%
    1997 . . . 5.22%
    1998 . . . 1.65%
    1999 . . . 8.94%
    2000 . . . 5.97%
    2001 . . . 7.67%
    2002 . . . 12.53%

    Média . . . 9.24%

    Uma pergunta, Otto: Pode ser considerado uma “catástrofe” um governo que pegou uma economia com um registro hiperinflacionário de 728.25% ao ano e entregou ao governo sucessor um país com uma economia com apenas 9.24% de inflação ao ano?

    Outra pergunta, Otto: Na sua opinião, qual foi a causa dessa hiperinflação que houve no Brasil no período de 1980-1994?

    “[. . .] [T]anto que os políticos que o praticaram foram escorraçados pelas urnas.”

    Tanto que o Lula se elegeu e não mudou uma vírgula dos pilares econômicos estabelecidos na época do FHC. Tanto que o Lula foi na televisão afirmar que não seria irresponsável com o que tinha sido feito pelo FHC no Plano Real e ao longo do seu governo. Tanto que o Lula escreveu uma carta ao povo brasileiro afirmando isso. Tanto que o Lula foi buscar no PSDB uma pessoa para ser presidente do Banco Central. Tanto que o Lula não re-estatizou sequer uma só empresa privatizada. Tanto que. . . enfim.

    Só uma coisa Otto: O FHC ajudou a implementar, implantar e consolidar uma reforma estrutural, a reforma monetária. Quantas reformas do mesmo tipo o Lula fez?

    O maior problema do PT foi não ter avançado absolutamente nada em termos de reformas estruturais. Isso, sim, está gerando um atraso catastrófico para o país, do qual a corrupção galopante é apenas um exemplo.

    Otto, por gentileza, responda as perguntas.

    Até!

    Marcelo

  67. Olá!

    Otto, quando você tiver tempo, dê uma lida neste post aqui:

    A Relação Entre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e a Liberdade Econômica no Período de 1980-2010.

    Este gráfico resume bem as informações.

    Veja, Otto, que os países com os maiores níveis de IDH também são aqueles com elevados índices de liberdade econômica.

    Não é interessante?

    Até!

    Marcelo

  68. Otto said

    Já te repondo, Marcelo. Guenta aí!

  69. Otto said

    Marcelo, postei minha resposta no último texto do Pax.

Faça seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: