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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Lupi na trilha dos outros que caíram?

Posted by Pax em 05/11/2011

Denúncias sobre irregularidades envolvendo o Ministério do Trabalho e o FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador – estão em pauta no noticiário já há algum tempo.

Cedo ou tarde estas questões viriam à tona na medida que o atual ministro da pasta, Carlos Lupi, parece não ter feito a devida tarefa de corrigir eventuais desvios. Questão de opção dele e, supostamente, de seu partido. Por coincidência a mesma agremiação de origem da atual presidente da república, o PDT.

Agora fica-se em uma sinuca delicada. De um lado Dilma tem a obrigação de apurar as supostas irregularidades. De outro a sensação que seu governo está à mercê da mídia.

Entre mortos e feridos quem parece se salvar, ao menos em aparências, são pequenos nacos dos cofres públicos. Até que o putrefato modelo de sustentação de partidos corruptos de todos os ambientes descubra novos métodos de roubalheira.

A única crítica que parece razoável nesta situação semanal é que a mídia teima em esquecer os problemas dos governos estaduais que não são da base de sustentação do governo federal. Permite, desta forma, questionamentos bem formulados sobre sua qualidade e integridade, principalmente no sentido de isenção que insiste em regurgitar.

Supondo que Dilma veio à campo para estabelecer como marca um novo modelo de governar, onde a corrupção atrapalha seu caminho de eficiência e discordância com os malfeitos, o ministro Carlos Luppi deve abrir a página de classificados de emprego da edição de domingo do jornais, não necessariamente por seu envolvimento direto, mas por sua omissão e/ou incompetência.

TCU: Contas no Ministério do Trabalho estão em “situação crítica”

Estados, municípios e ONGs recebem dinheiro, mas as prestações de contas não estão sendo analisadas em tempo hábil pelo ministério

Severino Motta e Adriano Ceolin, iG Brasília

Monitoramento do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou uma “situação crítica” no que diz respeito à apreciação das prestações de contas dos convênios do Ministério do Trabalho. De acordo com os ministros da Corte, seria necessário que a pasta ficasse 60 dias sem firmar novos convênios com Estados, municípios e ONGs para tratar exclusivamente dessas pendências.

Dados do TCU dão conta que somente nos convênios que usam recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), 543 prestações de contas dos convênios firmados entre a pasta do Trabalho e entes federativos ou ONGs não foram analisadas pelos servidores do ministério em tempo hábil. Por isso, ficam no chamado “estoque” de atraso.

Na conclusão do monitoramento o TCU exige que o ministério encaminhe um plano de trabalho para que, em 360 dias, todas as prestações de contas entregues pelos conveniados à pasta sejam analisadas e o estoque seja zerado.

De acordo com os ministros, a não apreciação “é uma das causas mais relevantes de impunidade e do baixo nível de recuperação dos prejuízos causados ao erário federal e, também relevante, da recorrente transferência de recursos a entidades inidôneas, ou a entidades idôneas geridas por gestores ímprobos”.

Nos últimos dias o iG vem revelando convênios suspeitos de irregularidades entre ONGs ligadas ao PDT e o Ministério do Trabalho, num esquema semelhante ao usado para o desvio de recursos do programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte. (continua no iG – Último Segundo…)

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36 Respostas to “Lupi na trilha dos outros que caíram?”

  1. Zbigniew said

    E uma situacao complicada. Se existem realmente irregularidades e nao se esta apurando, se o Ministro esta se omitindo, e dar muita bandeira para as denuncias seletivas da Veja e caterva. E nao tem quase trabalho: e so verificar no TCU e se colocar um passo a frente (coisa q o Ministro devia fazer). Ou ha muita inocencia (esta mais pra inoperancia ou covardia) ou e ma-fe mesmo. E impressionante. Nesse ritmo nao vai sobrar um. Tao de sacanagem com a Dilma!

  2. Zbigniew said

    Te cuida Haddad!

  3. Pax said

    Acabou de dar no Jornal Nacional que o Lupi demitiu não sei quem e convocou o Ministro da Justiça – leia-se PF – e o Ministério Público para investigarem. Algo assim. Vi rapidamente sem me deter e sem decorar o nome do tal demitido.

    Mas…

    Será a Inês morta?

    A situação complicada, caro Zbigniew, é o modelo como um todo. Os partidos precisam ‘mamar’ de algum lugar para alimentarem seus caixas e este esquema invariavelmente envolve bandidagem com dinheiro público. Afora os larápios mesmo, os que enchem os burros com dinheiro do povo sem nenhuma causa a não ser enriquecimento ilícito.

    Ou se muda o modelo ou a coisa não muda, ao que me parece.

    E, cá para nós, o ministério de Dilma não é lá uma pérola sem rugas. Por mim entendo que a limpeza, a faxina, fazem mais bem que mal. Penso, neste aspecto, muito diferente de uma grande galera da militância da qual não participo.

    Que Carlos Lupi se defenda. Se suas explicações forem convincentes, melhor para ele e para o governo. Caso contrário…será melhor somente para o governo, o que já é um alento, em última instância.

  4. Zbigniew said

    Caro Pax.
    O q digo e q o Governo e os partidos aliados precisam se antecipar a mídia seletiva. Neste ponto vai ter q haver uma mudança de mentalidade. A impressão q da e q a Dilma, observando q sua popularidade ainda não esta sendo afetada, deve ter dito: “Olha. Façam um bom trabalho. Mas quem tiver rabo preso, vai sair. Virem-se!” Não acho uma boa tática. A antecipação e uma boa tática. Em adendo, há o projeto de reforma politica do Dep. Henrique Fontana do PT que trata do financiamento publico de campanha. Vamos ver se vai emplacar.

  5. Chesterton said

    Afora os larápios mesmo, os que enchem os burros com dinheiro do povo sem nenhuma causa a não ser enriquecimento ilícito.

    chest- tudo farinha do mesmo saco, larápios arrumam causa e os que deveriam ter causa são larápios.

    e dar muita bandeira para as denuncias seletivas da Veja e caterva.

    chest- logo estarão assinando a Veja para saber das últimas.

  6. Chesterton said

    Mais um presentinho, 1001 discos antes de morrer

    http://www.radio3net.ro/dbalbums/albume1001/page:7

  7. Zbigniew said

    Falando em reedicoes tem a briga da Ministra Eliana Calmon com os juizes brasileiros que nao se conformam em ver o CNJ querer se intrometer e disciplinar as “viagenzinhas” para eventos, de preferencia em resorts no litoral nordestino, patrocinados por entidades privadas, com direito a diarias para mulher, filho, baba, cachorro , periquito, papagaio, etc. Tai um filao bom pra ser explorado pela midia (que infelizmente e seletiva e nao vai a fundo nesta materia). Tenham certeza que ia ter muito pano pra manga.

    http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/11/03/eliana-calmon-quer-regras-para-eventos-de-juizes-925734893.asp

  8. Pax said

    Caro Zbigniew, em #4,

    Eu concordo com você. Acho que o governo deveria se antecipar a mídia.

    E aí fica a pergunta: porque não faz?

    Há um modelo muito ruim instalado e a tarefa de alterá-lo é hercúlea. Tem que ter muita convicção e vontade política. O que tenho visto por aí, em blogs que apóiam o governo, é que esta “vontade política” não encontra sustentação na base. Estou enganado?

  9. Zbigniew said

    Realmente não sei, Pax. Será q custava muito a Dilma chamar o feito a ordem e pedir encarecidamente aos ministros e seus partidos pra dar uma “geral” nas respectivas pastas e evitar essas situações? Se ela não fez isto vou começar a acreditar no “fogo amigo” e “combustão espontânea”. E um jogo arriscado. Principalmente qdo sabemos q o esquema levanta a bola das capas da Veja no JN. Se fosse só o panfleto, morria ali. Verdade q a economia vai bem e apesar da crise externa, o nosso mercado interno pode garantir um crescimento sustentável com o controle da inflação. Pra maioria das pessoas, principalmente as recém chegadas as classes C e D, corrupção ainda não e um tema tão importante na hora do voto. Talvez ela esteja se fiando nisto, até para não melindrar a sua base de apoio. Como disse: e complicado.

  10. elias said

    Zbigniew e Pax,

    Praticamente impossível qualquer governo se antecipar à mídia, nessas questões.

    No Brasil, o que está ocorrendo é uma atuação fraquíssima da CGU (que faz parte do Poder Executivo) e do TCU (que é órgão auxiliar do Poder Legislativo). Há, também, uma espécie de descrença em relação à Ouvidoria. Por isto, o governo chega sempre muito tempo depois.

    Atualmente, a CGU está sendo pautada pela mídia. Só depois que esta divulga é que a CGU vai lá. Isto é um enorme avanço, porque, tradicionalmente, quando havia uma denúncia da imprensa a primeira reação do governo era defender o denunciado. Hoje não. Parte-se pra investigação antes de qualquer atitude contra ou a favor de quem foi denunciado.

    É um grande avanço, claro, mas bem que a CGU poderia ser pouquinha coisa mais proativa, chegando mais junto das áreas mais vulneráveis.

    Fala-se, p.ex., que aquele esquemão na área de educação, montado na época do Paulo Renato, até hoje não foi desmontado. É um buchicho que não cala. Verdade? Sei lá…! Mas onde há fumaça há fogo… Não custava nada a CGU apurar esse troço, antes que se converta em outro escândalo.

  11. Pax said

    Caro Elias,

    Que esquemão na Educação é este. Confesso que não lembrei de cara.

    A CGU é muito mais meritória que o TCU, pelo que entendo e conheço da história destas entidades. Se não está agindo como poderia é motivo de entristecimento.

  12. Edu said

    Senhores,

    Como disse antes, a Dilma como presidente não sabe ser nem dona de casa, explico: é como se ela tivesse várias empregadas para cuidar de uma mansão. Ela assumiu a mansão, manteve os funcionários do último dono por puro apreço ao último dono, mas não parou pra olhar o currículo das empregadas, não parou pra olhar se a faxineira que estava responsável por tirar o pó dos móveis tirou aquele pó de cima da estante, ou atrás de algum objeto. Ela não faz questão de saber se os trocados espalhados pela casa estão ou não sumindo, não parou para olhar se há sujeira debaixo do tapete ou se o fundo da piscina está ou não limpo. O que ela faz? Fica visitando mansões vizinhas para discursar sobre a maravilha de tobogã que ela está construindo, e sobre a maneira como a divisão da comida na mansão dela está cada vez melhor.

    Percebem como é ridículo? Ela não serve nem para gerenciar um departamento, e está patinando terrivelmente para gerenciar o país.

    Não é questão de se antecipar à imprensa, é questão de fazer o trabalho que tem que ser feito. Já disse e repito: com os ganhos, tanto de FHC como de Lula, a única coisa q ela precisava fazer era gerenciar a máquina para que a máquina desse resultados, e é justamente o que ela menos toma conta. Lupi foi mto esperto, mas ainda está agindo reativamente… não há pró-atividade nesse governo. A imprensa cansou de mandar sinais de que iria pegar pesado em cada deslise.

    O Pax diz que tem que mudar o modelo, mas eu me pergunto, que modelo? Gerenciar alguma coisa reativamente? E completo: não tem plano, não tem planejamento, não tem direção. E aí, meus amigos, é claro que a mídia vai pautar o governo. Sempre.

  13. Zbigniew said

    Sabe, Elias. A CGU, o TCU, a Ouvidoria, todos são ferramentas importantes para o processo de transparência da gestão da coisa publica. Obviamente q as indicações políticas (observemos o caso do TCU) prejudicam a isenção destes órgãos. O q questiono e o porque do próprio Ministro não se antecipar. O negocio acontecendo nas barbas dos caras e eles tem q esperar por esses órgãos?! E muito estranho. Sistemas de controle em gestão de processos existem para acompanhar indicadores. Cade a gestão? Cade o controle? Por que e tão dificil?

  14. Zbigniew said

    Concordo com o Edu. A Dilma ta muito reativa. Isto termina passando a idéia de descontrole ou de omissão por pura acomodação politica. Ta se fiando na economia e, sob os auspícios de Maquiavel, ela tem uma certa razão. Mas há uma parcela da população q tem voto de opinião e q tem razão qdo coloca a corrupção como um entrave ao desenvolvimento do pais. Ela não pode fechar os ouvidos para esse apelo. Não e papel da Veja “limpar” o Governo. Isto e resposabilidade do Governo.

  15. Chesterton said

    Atualmente, a CGU está sendo pautada pela mídia. Só depois que esta divulga é que a CGU vai lá.

    chest- Logo logo a culpa dos desvio do governo petista será culpa da CGU…..

  16. Chesterton said

    culpa demais aí em cima.

  17. elias said

    Pax,

    O esquemão é aquele que financiou universidades privadas. Elas bamburraram, cresceram, expandiram suas instalações físicas, etc, tudo com dinheiro público, que o MEC repassava a rodo. Aí tinha o financiamento “com” ou “sem”. “Com” era o financiamento que a tchurma concedente arrumava se responsabilizando também pela prestação de contas. O tomador não precisava fazer nada. Só que isso custava uma baba; mais da metade do valor financiado.

    Algo parecido com o “artigo 17,5” dos incentivos fiscais.

    Zbigniew,

    A CGU existe pra atuar preventivamente. Ela tem que saber identificar as áreas vulneráveis e partir pra cima. Não pode ficar esperando que a imprensa denuncie…

    Além disso, tem a área de inteligência, que produz um informe diário pra Presidente, com análise psicosocial, etc e tal. As informações de interesse da CGU poderiam constar de um relatório específico, que fluiria da área de inteligência para a CGU, com aprovação da Presidente, claro.

    Isso, ou algo assim, provavelmente reduziria a quantidade de vezes que a CGU seria pautada pela imprensa.

    Reduziria, mas não acabaria de vez. Em todo o mundo democrático a imprensa é, sempre, um poderoso componente da luta contra a roubalheira.

    Chesterton,

    Admiro o zelo da tua militância, mas não exagera. A CGU só estaria envolvida em corrupção se ela, tomando conhecimento da roubalheira, nada fizesse.

    Não é o caso, evidentemente. Ela apenas está se deixando pautar pela imprensa. Só isso. Não é um problema de honestidade. É um problema político…

  18. Chesterton said

    não enrola, Elias, nuncadantesnessepaiz tantos roubaram tanto de tantos…

  19. Pax said

    Parece que chegamos num consenso que a CGU tem oportunidades de melhorias neste momento.

    Particularmente nutro simpatia pelo ministro Jorge Hage (coisa rara atualmente para mim nutrir qualquer simpatia) e pela passado de atuação da CGU.

    Entendo, também, que neste momento da história republicana brasileira, entidades como a CGU e o desacreditado – para mim – TCU, além dos risíveis Conselhos de Ética da Câmara e do Senado (risível para não dizer trágico), deveriam exercer um papel fundamental de controle e informações. Parto do princípio que o governo Dilma não tem compromisso com “malfeitos” como ela já afirmou inúmeras vezes.

    Pouparia o governo de um monte de dissabores, como por exemplo de perder um bom naco de sustentação em sua própria base, na militância mais exacerbada (vide Edu Guim et companhia).

    Sei que não é muito fácil, mexer no tecido político que foi emoldurado. Mas cada vez mais se mostra absolutamente necessário.

    Ainda mais quando percebemos que nossa Justiça, para tratar de casos políticos, é um pouco mais lenta que tartarugas mancas.

    Vale, também, lembrar que existe a EBC – Empresa Brasileira de Comunicação. Tem em seu chapéu a Agência Brasil que era bastante razoável ao tratar de corrupção e “resolveu” acabar com esta chaga no Brasil simplesmente parando de tratar/classificar este assunto em seu leque de pauta. Um absurdo sem tamanho.

    E aí fica a turma reclamando do PIG e coisas deste gênero. Mas, ora bolas, se o próprio governo manca …

  20. Pax said

    Kotscho

    http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2011/11/07/luppi-na-linha-de-tiro-vai-durar-quantos-dias/

  21. elias said

    Pax,

    Se os alertas do Gilberto fossem encaminhados à CGU e, nesta, convertidos em processos de auditoria, o ônus político seria menor. Se os alertas do Gilberto houvessem sido verbalizados na presença do titular da CGU, talvez este se animasse em determinar uma auditoria… Se os alertas do Gilberto fossem pouquinha coisa mais que simples alertas…

    Então, tá…!

    No meu achismo, é uma questão política. Parece mais uma estratégia pra se livrar de companhias incômodas, sem que isto implique fissuras nas alianças políticas. Deixa-se a companhia incômoda se decompor, até cair de podre…

    Se é isso, que seja. Só que isso pode ter um custo político terrível, se a oposição souber tirar bom proveito. Até agora não soube (continua mantendo aquele discurso antigo, da UDN nos anos 1950, que tem feito da oposição um inconformado e inconsolável, porém inevitável, saco de pancada eleitoral).

    No meu achismo, entendo que é um grave erro montar a estratégia política na suposição de que a oposição será eternamente burra e politicamente incompetente, como tem sido até hoje. Aqui no Pará, essa suposição resultou numa surra nas urnas, em 2010.

    De qualquer modo, valeu ver o Chesterton defendendo um órgão do governo comuno-corruPTalho (a CGU). Quem diria, né?

    Paro por aqui. Voltarei assim que puder, pra ler os pouquíssimos comentários sobre um outro post, cujo tema são denúncias de corrupção tucana. Não sei por que, mas a corrupção tucana indigna tão pouco…

  22. Pax said

    Caro Elias,

    A questão é que não sabemos exatamente a linha que Dilma determina para seu governo.

    Do meu ponto de vista, até aqui, tenho certa discordância do caro Edu (boa nova presença no blog) que reclama que a presidente não tem rumo.

    Acho que ela tem um rumo, sim. Está segurando as pontas de um momento conturbado internacional, segurando e arrumando a casa em seu primeiro ano de governo e, tomara, preparando o caminho para deixar sua marca nos anos vindouros.

    Você sabe muito bem que eu tenho cá minha decepções profundas com o PT e não vejo na oposição qualquer competência que me permita torcer por algum time. Você sabe, também, que me preocupa sobremaneira a questão de Dilma perder sustentação na própria base.

    O que você e os colegas ainda não sabem é que a doença de Lula me causa uma preocupação ainda maior. Assim como o adiantado da carreira, da vida, do FHC. Esses caras farão falta.

    Como já discutimos anteriormente, a única coisa que atrapalha meu desejo de união do PT com o PSDB é que o melhor para o país é que haja duas forças boas e antagônicas, situação e oposição, e que esta “dialética” produza uma democracia que avance.

    Mas, cá entre nós, sem Lula e sem FHC, o que sobra?

    Este Kassab que apareceu forte me assusta profundamente. É um, em minha opinião, tremendo engodo.

    (ah, sim, claro que a corrupção tucana não dá audiência, muito menos no tio da galera, aquele tal que se acha o arauto da democracia)

  23. Chesterton said

    A CGU não é um órgão de governo, mas um órgão de estado. Que primarismo, hein, Elias?

    Pax, agora virou fã do FHC?

  24. elias said

    Chesterton,

    Antes de usar qualificativos como “primarismo”, considere:

    1 – TODOS os órgãos públicos — não apenas a CGU — são órgãos de Estado. Os ministérios são órgãos de Estado; as autarquias são órgãos de Estado… E assim por diante.

    A expressão “órgão de governo” isoladamente, não tem significado concreto. Não existe “órgão de governo”. “Governo”, Chesterton é a gestão. Por isto, sempre que se usa a expressão “órgão de governo”, ela deve ser associada a alguma gestão. No caso, ironicamente, usei a expressão “órgão do governo comuno-corruPTalho (a CGU)”, ou seja, associei a expressão à gestão petista que tu tanto detestas.

    É que, a cvada gestão, ou seja, a cada “governo”, imprime-se aos orgãos de Estado uma determinada orientação política. Em especial quando se trata de órgão de assessoramento direto ao Chefe do Executivo, como é a CGU…

  25. elias said

    Pax,

    Também acho que, pro Brasil, melhor ter no governo um partido de centro esquerda com a oposição liderada por outro partido de centro esquerda. Se o PT se fundisse com o PSDB, a oposição seria a direita e, certo como 2 + 2, logo teríamos instabilidade institucional, tentativas de golpe, etc.

    Um dos mais importantes papéis que o PSDB tem desempenhado é, exatamente, o de funcionar como uma alternativa política não extremista para o eleitor mais conservador, impedindo que ele caia no colo da direita. Na prática, o PSDB confina a direita num córner da história, reduzindo-a à condição de mera e desqualificada coadjuvante no processo político.

    Isso foi o que FHC disse nas entrelinhas, quando, ao ser interpelado se convidaria o PT para fazer parte de seu governo, ele respondeu: “Não seria bom pro PSDB, não seria bom pro PT e, sobretudo, não seria bom pro país…”

    Ele estava certíssimo!

  26. elias said

    Pax,

    É certo que o PT deu o ser recado. E que esse recado está chegando ao fim. A meu pensar, o PT resiste, no máximo, à reeleição de Dilma. Aí terá que passar o bastão, por esgotamento de objeto, fadiga de material. Se foi bom ou ruim pro país é outro papo, que os historiadores vão decifrar, mais cedo ou mais tarde.

    A questão é pra quem passar o bastão. Torço pra que seja pro PSDB. Se o PT e o PSDB se revezarem no poder por algumas décadas, o Brasil vai acabar se tornando um país civilizado.

    O Lula e o FHC também praticamente já deram o recado deles (e, com eles, toda aquela geração que explodiu em 1978/9…) Penso que o canto do cisne de FHC e Lula deveria ser a reforma política. Se, por exemplo, o Brasil optasse por uma comissão revisora exclusiva da Constituição, os dois jogariam um bolão, conduzindo politicamente a estruturação da base política para o Brasil do futuro.

    O que mais me preocupa, hoje, é se o PSDB estará ou não à altura. Se não estiver, das duas uma: a) o PT vai acabar permanecendo no poder mais do que seria sensatamente recomendável; b) vai pintar no pedaço um aventureiro de direita e, aí, o país despencará ladeira abaixo.

    Nenhuma das duas alternativas é muito animadora…

  27. Pax said

    Caro Elias,

    Acabei de fazer um post falando um pouco sobre esta questão. Depois li teus comentários acima.

    Acredito que há certos pontos de confluência entre o post e teus comentários.

    E, sim, abandonei a ideia que seria bom o PT e o PSDB se unirem. Me convenci que você tem razão, De novo. pra variar.

  28. Edu said

    Elias,

    Tenho que fazer um desabafo:

    1 – Aguentar o PT e o PSDB alternando gestões é sofrível: o PT com sua polícia ideológica, sua falta de direção e gestão corrupta; o PSDB roubando debaixo do pano, falando bonitinho, dando passos de formiga com cara de bobo para fingir que ninguém sabe, ninguém viu. Não dá. Infelizmente, qualquer coisa diferente dessas 2 porcarias consegue ser mais porcarias ainda. Deveria haver uma outra alternativa, e vou além do Pax, o Kassab é muito ruim… muito.

    2 – Não se preocupe com a direita cara, o mundo é social-democrata: a Constituição Brasileira é social-democrata, o código de Direitos Humanos é social-democrata, o ambientalismo e social-democrata e, agora, o tema mais falado, cujo conteúdo normalmente quem fala e quem defende não faz a menor idéia da extensão, a sustentabilidade, que também é social-democrata. Se o mundo seguir à risca todas esses códigos de boa contuda humanidade x humanidade, humanidade x natureza, no futuro o mundo dará as mãos e andaremos todos nas ruas douradas a caminho de um mágico de oz… social-democrata. Eu venho dizendo isso há tempos, mas eu só tenho 1 dúvida: quem é que vai pagar a conta disso tudo, porque subliminarmente a toda essa maravilha social-democrata está uma defasagem produtiva muito grande, onde o mundo inteiro se beneficia da produção de alguns.

    3 – O Pax falou uma palavra interessante, que eu sempre defendi: a dialética. Hoje não há dialética, há uma unanimidade burra. As pessoas simplesmente pararam de pensar com a razão, as ideologias hoje, ajudadas pelos frenesi internéticos, distorcem qualquer racionalidade e faz com que pessoas acreditem. Ninguém questiona, as discussões andam em círculos, há ladainhas repetidas por todos os lados em que as pessoas defendem seus pontos de vista como se defendessem um Deus. Aprendizado, salvo poucos fóruns, como este aqui, beirando a zero. Uma “unanimização” e conseqüente emburrecimento de todos.

    Vamos mergulhar bovinamente nesse futuro maravilhoso.

  29. Pax said

    A questão, caro Edu, é que esta dialética está comprometida com a falência dos extremos que defenderam o socialismo e o total liberalismo.

    O que sobrou foi o centro, social democrata. E é a partir deste centro que se desenvolverá a tal nova dialética.

    Uma parte um pouco mais liberal, outra um pouco mais estatizante.

    Uma parte um pouco mais desenvolvimentista, outra um pouco mais voltada às questões de sustentabilidade.

    Ou você vê outro quadro à frente?

    Se sim, por favor me diga qual. Confesso curiosidade.

  30. Edu said

    Pax,

    Sobre política, para mim é esse o grande problema, hoje a disputa é: ganha quem for mais social-democrata!

    Para mim isso é horroroso do ponto de vista dialético. Só que eu não vejo alternativa.

    Sobre economia, aí eu acho que há mais espeço para a dialética e, acho que isso poderia ser muito melhorado. O modelo político, qualquer que seja necessita de uma base econômica para ser sustentável (aproveitando a palavra da vez). Hoje há uma história econômica mundial diversificada, com vários modelos testados, e com informações suficientes para que as contas todas sejam feitas, os modelos todos revisados e estressados. Hoje há técnicas super sofisticadas de elaboração de cenários econômicos (quem usou essas técnicas sobreviveu tranquilamente à crise de 2008). E além de tudo isso, hoje há uma internet em que há espaço para a transparência dessas contas.

    Se há um problema do capitalismo é que o o capitalismo é muito eficiente para buscar enriquecimento, mas pouquíssimo eficiente para a transparência. Há muita eficiência enorme para a engenharia econômica individual, e poquíssima eficiência para mostrar como essa conta fecha. Esse é o verdadeiro significado de sustentabilidade, e justamente esse aspecto da sustentabilidade nunca é falado.

    Por mim, o modelo político está ok, desde que justificado economicamente. É isso que não tem acontecido, para mim, é isso que falta.

  31. elias said

    Edu,

    Quem chegou perto do “pensamento único” (aliás, com esse rótulo), foi o liberalismo, nos anos 1980/1990. Durou menos que os neo-liberais gostariam, mas…

    Não existe organização econômica perfeita, capaz de se desenvolver continuamente, sem crise. A vantagem da proposta social-democrata sobre as demais é que ela, por não estar encapsulada em sarcófagos ideológicos, tem demonstrado maior capacidade em enfrentar as crises. A proposta social democrata é mais flexível e, por isto, se adapta mais facilmente aos diferentes ambientes e às diferentes circunstâncias.

    Quem paga a conta? Ora, quem sempre pagou. A sociedade. Quem está pagando a conta do naufrágio neoliberal? De onde saíram os 2 trilhões de dólares que o governo americano injetou no “mercado”, pra evitar a quebradeira generalizada? De onde sairá o próximo trilhão que o atual secretário do Tesouro americano anunciou nesta semana que vai injetar, pra “animar ainda mais” (aspas, porque são palavras dele) a economia americana? De onde sairão os trilhões de Euros que Alemanha, França e Inglaterra já prometeram injetar na economia européia (o tal “Fundo Europeu”)?

    Quem paga? A sociedade, claro! Pra mim, a questão é: que sociedade? Todos os países vivem tentando empurrar, uns para os outros, os respectivos saldos negativos. Logicamente que os mais fortes levam vantagem nisso. O problema é saber se o Brasil vai conseguir evitar esse repasse pra cima da gente, ou se vai conseguir subrepassar o que nos for repassado, em quanto, e assim por diante.

    Pode não soar muito bonito, nem muito agradável, mas é um jogo. E, como em todo jogo, não havendo empate (no caso, um pouco mais que improvável), alguém vai sair ganhando. E outro alguém vai sair perdendo…

  32. elias said

    Agüentar o PT e o PSDB se alternando no poder tem sido motivo de sofrimento pra muita gente.

    Mas há, também, uma certa quantidade de pessoas gostando. Pelo que têm dito as urnas nos últimos quase 20 anos, há muito mais gente gostando do que desgostando dessa alternância.

    Isso, evidentemente, não desmerece o sofrimento de quem não gosta. Não chego a perder meu sono por isso, mas respeito a dor alheia.

    É a vida…

  33. Edu said

    Elias,

    Bom, eu tenho bons motivos para achar que tanto um quanto outro partido político são fracos e ruins. Infelizmente, nesse momento é que os meus pensamentos mais obscuros aparecem.

    O fato da maioria acreditar que essa alternância é boa e reiterar essa idéia nas urnas para mim não significa nada. Manipulação pode existir de qualquer maneira. Quem disse que o que fazem não é demagogia? Quem disse que o que fazem não é eleitoreiro? A maior prova de que tudo é demagógico e eleitoreiro nesse país é que não há planos de longo prazo. Há políticas de pão (assistencialismo) e circo (copa do mundo e afins). E é óbvio que a massa vai achar lindas e maravilhosas essas medidas, não importando o custo social e de desenvolvimento que isso acarrete. Porque ninguém quer o caminho mais difícil: o do trabalho, o da transparência, o da análise crítica. A população prefere ver uma ponte sendo construída, prefere aplaudir de pé o político inaugurando um hospital. A relação de causa e conseqüência para a maioria votante da população deve ser imediata e sentida em 4, no máximo 8 anos de governo.

    E se a maioria tem direito de achar que essa dupla dinâmica do partidarismo político brasileiro é votável, eu tenho o direito de discordar dessa maioria e dizer que, infelizmente, essa maioria não está enxergando um palmo do próprio nariz.

    Para a minha maior infelicidade, pessoas que pesquisam, lêem, debatem, entendem aprendem, como eu, vc e os demais deste blog aqui são a grande minoria. Nossos votos são poucos. Ainda que eu conseguisse influenciar a todos vcs com minhas idéias, as minhas idéias nunca venceriam em urna nenhuma.

    O Brasil poderia ser muito melhor, essa dialética poderia ser muito mais séria, poderia produzir muito mais resultado se essa maioria fosse mais curiosa, em vez de ser mais bovina. E a culpa dessa preguiça mental vem da mídia.

    A partir daí, eu sou obrigado a rifar meu voto, porque eu enxergo mais longe, sou obrigado a dar 100 passos atrás para carregar a maioria míope cria de uma cultura midiática pobre e irresponsável.

    Depois de tudo isso, é sentar, emitir desabafos como este e me resignar: é a vida.

  34. Pax said

    Lupi apareceu em todos telejornais hoje arrotando que não sai do governo. Nenhuma acusação traz seu nome vinculado diretamente com os esquemas de desvios de dinheiro público. O MP confirma.

    Arrota que só sai com bala grande porque ele é gordão, pesado.

    Pois sim.

    Algo como: olha, roubam descaradamente debaixo do meu nariz, sou um tremendo incompetente, mas como não tem dinheiro sujo no meu nome, quero ver Dilma me demitir.

    O PDT engrossou sua grosseria. Ratificou o absurdo.

    Agora torço que inépcia, incompetência, seja, também, motivo para Dilma varrer a casa.

  35. Pax said

    Situação do ministro complica com as fotos dele descendo do avião do tal dono da ONG que ele diz não conhecer.

    Mas, quer saber? O que mesmo este cara agrega?

    Se ficarem nesta de quebra de braço “não pode derrubar o ministro porque foi a mídia golpista que noticiou” — só tem a perder, no meu entendimento.

    Afinal o cara cai porque tem irregularidades. Calça de veludo ou bunda de fora, como dizia minha bistataravó.

  36. Chesterton said

    Rapaz, está divertida essa temporada de caça aos ministros da Dilma….

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