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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Governabilidade ingovernável

Posted by Pax em 08/11/2011

Durante os escândalos do mensalão do PT o discurso adotado pelos dirigentes do partido, reverberado ad nauseam pela militância, expunha razões de governabilidade que justificariam concessões com políticos corruptos para que o então governo do ex-presidente Lula pudesse implementar suas diretrizes. A bandeira ética foi abandonada para viabilizar a implantação de políticas de governo. Queiramos ou não o quadro foi este. Lula venceu, o país cresceu. O povo gostou. Mas o PT perdeu.

O primeiro governo PT precisava montar sua base de sustentação no Congresso e o caminho escolhido foi o de fazer alianças com inúmeros pequenos partidos de prateleira, de leilão, que têm como único dogma a exigência de nacos do governo de onde podem extrair dinheiro público ilegalmente para sustentar suas legendas e seus bandidos.

Há quem afirme que José Dirceu não queria este caminho. Mas como voto vencido na decisão tomada e homem de partido, aceitou a orientação geral. Acabou cassado sob acusação de chefe de quadrilha. Até hoje, gostemos ou não, um dos nomes mais importantes da república tem poder, mas capital político – capacidade de voto – enfraquecido. Difícil acreditar que Dirceu possa suceder Lula como líder nacional, mesmo considerando o ex-deputado como o nome mais preparado para a missão. Além das questões jurídicas pendentes, falta carisma a Dirceu. E sobram-he antipatias.

Ato contínuo ao grande escândalo o PT adotou método diferente. Aproximou-se do PMDB como forma de simplificar o modelo e reduzir o número de agradados necessários para sustentar seu governo. Mas, aos poucos, os partidos menores foram reconquistando seus espaços e remontando suas alianças com o governo. Ninguém queria – ou quer – ficar fora da festa. A colcha de retalhos foi remontada e a – dita – governabilidade novamente estabelecida. E o pavio aceso da bomba ameaçando chegar ao talo.

Dilma herdou a solução e o problema. O país está melhor, mas a ingovernabilidade maior. Ainda mais considerando que a concreta oposição ao governo atual não é a do enfraquecido e desnorteado PSDB, mas sim do próprio seio do PT, a militância que reverberou a justificativa da complicada governabilidade ingovernável e hoje se sente órfã de Lula e não consegue aceitar Dilma como sucessora do líder.

A militância exige que a presidente sustente o antigo modelo. E Dilma parece não concordar em ser poste e querer determinar um novo modelo. Tarefa hercúlea.

Alguns petistas deveriam se lembrar do velho dito popular: quem planta o vento colhe tempestade.

Uma hora o PSDB ou este novo partido do Kassab acham um discurso que convence a base da sociedade que seu próximo governo não será mais elitista. Aí Inês estará morta.

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175 Respostas to “Governabilidade ingovernável”

  1. iconoclastas said

    uma forma de mostrar que não está entregue…

    “Fifa: venda controlada de álcool não causa violência na Copa

    BRASÍLIA – O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, disse nesta terça-feira que a venda de bebidas alcoólicas em estádios não traz, tradicionalmente, problemas de violência em Copas do Mundo. Segundo ele, a cervejaria Budweiser, patrocinadora do evento, foi comprada por uma empresa brasileira. E, nos jogos, vende suas bebidas de forma regrada.

    – É verdade que limitar o álcool reduz muito as violências. Mas, na Alemanha e na África do Sul, a venda controlada nunca provocou problemas. Temos esse acordo com a Budweiser. A bebida não pode ser distribuída em garrafas, mas copos de plástico – exemplificou.

    Valcke explicou que a Rússia, país com legislação mais rigorosa sobre a venda de bebidas, entendeu que a Copa é um evento privado e, por sua condição especial, liberou o consumo nos estádios.

    – A Fifa não está aqui para embebedar as pessoas, mas vocês vão ter dificuldade de me provar que o álcool causou algum tipo de “detrimento” na Copa – sustentou.”

    … é dizer: “F0D@55&, nda a provar, cumpra-se a lei!

    ;^/

  2. iconoclastas said

    ah, e a tal da VEJA, hem?!

    5
    .
    .
    .
    +
    lupilupi
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    .
    +
    agnelo
    .
    .
    .
    +
    o próximo…?!?!

    q revistinha sem vergonha…

    ;^o

  3. Edu said

    Permitam-me, como diria Elias, um offitopique:

    Os protestos aqui no Brasil poderiam ser assim:

    http://veja.abril.com.br/multimidia/galeria-fotos/a-cultura-de-protestar-sem-roupa-no-leste-europeu

    Associados à gravidade das causas defendidas, estariam muito mais, como é que eu posso dizer, trajados à caráter!

  4. elias said

    Pax,

    Além do mais, Dirceu é o antiteflon por excelência. O que quer que você jogue nele, principalmente se for coisa ruim, gruda que é uma beleza…

    A meu pensar, a geração que decolou politicamente em 1978/1979 — e que, no frigir dos ovos, nada mais é do que a “geração meia oito” — já deu o que tinha de dar. Tá todo mundo aí, sessentão ou mais, passando da hora de descer do palanque e pendurar o megafone. Acabou! Quem quiser continuar que continue, mas vai continuar feito os Stones, sendo uma paródia involuntária e ridícula de si mesmo.

    É tão deprimente que acho que não vale a pena… No ano passado, me diverti tirando sarro com um monte de candidato petista que, como os candidatos dos demais partidos, tirou foto com os cabelos pintados e com “cirurgia plástica” feita por editores eletrônicos de fotografias. E haja prega no rosto deletada…! Se fosse cirurgia plástica de verdade, daria pra encher baldes de pelhanca…

    Ridículo…!

    Mas, Pax, pelo que tenho visto, tá pintando uma garotada boa no PT e no PSDB. Gente na faixa dos 25/30 anos, com um discurso equilibrado e claro. Uma turma cheia de vontade de fazer política, e, aparentemente, com potencial pra jogar um bolão.

    Sou otimista. Décadas de prática democrática certamente que produzirão algum efeito positivo no país. Durante algum tempo teremos que conviver com o pessoal que foi deseducado politicamente pela ditadura e com o pessoal nostalgico da dita cuja.

    Mas, como todo mundo, essse pessoal não é eterno. Vai morrer, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra… E, pelas pregas nas respectivas fachadas, parece que já não está tão longe assim o dia da grande viagem…

  5. Pax said

    Caro Iconoclastas,

    Ah, sim, a Veja é uma revista sem vergonha mesmo. Fosse boa já teria derrubado um bocado de gente em São Paulo. Ao menos ensaiado um certo equilíbrio.

    Mas não, é que tem lado e não tem coragem de assumir. E, um pouco à além, também mama nas costas dos governos municipal, estadual e federal.

    É, só posso concordar contigo. É uma revista que já foi boa e hoje eu não consigo comprar.

    Alem de ter seu animador de auditório como porta voz de uma histeria que não entendo como razoável, assim como não aceito a tese da existência de um golpismo artigulado desta mídia ruinzinha.

    Tem contribuído para derrubar uma porção de ministros de Dilma? Tem sim, verdade. Mas vamos admitir que esta não é uma tarefa das mais difíceis. Basta ver os que caíram e este que está na marca do pênalti. Gente que nem deveria ter entrado.

  6. Pax said

    Caro Elias,

    Não tenho acompanhado esta renovação dos quadros do PT. Tomara que você, de novo, esteja com a razão.

    Digo o mesmo para o PSDB, pelos mesmíssimos motivos.

    A política nacional só tem a ganhar.

  7. iconoclastas said

    “Ah, sim, a Veja é uma revista sem vergonha mesmo. Fosse boa já teria derrubado um bocado de gente em São Paulo. Ao menos ensaiado um certo equilíbrio. ”

    o ônus da prova está contigo…

    por equanto o que está bem claro é a herança maldita que a fraca presidente recebeu de seu antecessor, este sim, um serzinho sem um pingo de vergonha e dignidade.

    ;^/

  8. Pax said

    Caro Iconoclastas,

    Basta Alston ou quer mais? Escândalos do Rodoanel? Paulo Preto? Assembléia de Sampa e as emendas? A impossível CPI dos pedágios paulistanos?

    Não estou, de forma alguma, justificando os problemas do PT. E, diferente de você, não acho que FHC seja um “serzinho sem um pingo de vergonha e dignidade” por ter se aliado ao ACM e ao próprio Sarney.

    Pelo contrário. Acho FHC um dos grandes nomes nacionais, como sempre disse.

  9. iconoclastas said

    “Basta Alston ou quer mais? Escândalos do Rodoanel? Paulo Preto? Assembléia de Sampa e as emendas? A impossível CPI dos pedágios paulistanos?”

    não foi por falta de cobertura da imprensa que essas suspeitas surgiram, tanto que você está ciente delas. acontece que nem tudo que parece necessariamente é – apesar de eu particularmente crer que nem parecer pode – mas mesmo que seja, e eu aposto que a probabilidade de ser tenda a 1, nem sempre é possível levar adiante.

    veja vc que aquela criaturinha vil que antecedeu a atual chefe do executivo conseguiu terminar o 1º mandato mesmo com provas substanciais de que sua campanha havia sido financiada com dinheiro de cx. 2, fato afirmado em rede nacional, em depoimento no congresso, pelo seu marqueteiro de estimação, e camarada do peito, Duda “Dusseldorf” Mendonça.

    a lambança é antiga, é herança (se bem que a própria chefe fosse a gerentona do anterior) maldita, mas dado que o bufão da época era safo, a forca raramente chegava nos vagabundos. quando pintou fraqueza no comando, ploft… nesse ritmo não sobra um.

    “diferente de você, não acho que FHC seja um “serzinho sem um pingo de vergonha e dignidade” por ter se aliado ao ACM e ao próprio Sarney.

    Pelo contrário. Acho FHC um dos grandes nomes nacionais, como sempre disse.”

    e o que eu tenho com isso?

    ;^?

  10. Zbigniew said

    Os grandes grupos de mídia (Abril, Globo, etc.), hoje, são geridos e liderados com base exclusivamente na lógica do mercado, do financismo, do capitalismo na sua vertente mais feroz. Houve uma época que ainda praticaram um bom jornalismo político. Atualmente fazem política partidária.

    Não atacam o governo de São Paulo porque lhes dá acolhida e porque têm identidade política e ideológica com eles (e com Minas, etc.).

    O atual movimento de combate à corrupção nada mais é do que a expressão da natureza dessas empresas. A percepção das intenções é camuflada pela velocidade das denúncias, sejam elas procedentes ou não. O julgamento é político e não factual. A repetição e a confusão são armas eficientes na construção de um senso comum e acrítico, terra fértil para os consensos fabricados. Há que se tomar muito cuidado com esses atores, mormente em período de crises.

    É importante frisar que o governo tem facilitado o trabalho ideológico desses veículos, com uma reatividade inconcebível. Interessante que na época do Lula a imprensa não teve essa sanha em cima dos ministérios. Provavelmente porque o governo Dilma não teve um mensalão.

  11. iconoclastas said

    “Os grandes grupos de mídia (Abril, Globo, etc.), hoje, são geridos e liderados com base exclusivamente na lógica do mercado,”

    vero, e ainda bem, né? ou você gostaria qe fosse algo no estilo Diários Associados?

    ;^?

  12. Zbigniew said

    Meu caro,

    eu gostaria que eles praticassem, pelo menos de vez em quando, jornalismo.

  13. iconoclastas said

    “eu gostaria que eles praticassem, pelo menos de vez em quando, jornalismo.”

    defina jornalismo.

    a wikipedia diz o seguinte:

    “Jornalismo é a atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações. Também define-se o Jornalismo como a prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos atuais.”

    tudo isso eles fazem.

    o aurélio:

    “profissão de jornalista; a imprensa jornalística” -> jornalista ” pessoa que dirige ou redige um jornal, ou que dele é colaboradora.”

    não disse muito, mas nada daí exclui os citados.

    ;^/

  14. Pax said

    Caros,

    Apesar de não comungar com a histeria (desculpem-me, mas vejo assim) que existe um movimento midiático articulado para derrubar o governo, não posso discordar que a grande mídia deixa um bocado a desejar nos dias de hoje.

    Uma coisa é fazer jornalismo. Outra é fazer jornalismo partidário. Nenhuma das duas atividades é, de forma alguma, condenável. Desde que a segunda assim se coloque.

    Me desculpem a presunção, mas aqui o governo toma todas as cipoadas que o blog entende serem necessárias, dentro do conceito do blog. Basta ver o que está escrito no “Sobre o blog” que faz horas que nem vejo mas que mantenho a linha desde o nascimento do espaço. Coleciono o que sai na mídia dentro da pauta que o espaço se propõe a tratar.

    Mas não dá para deixar de observar que as “coisas estranhas” da atual oposição são evitadas pela mídia de forma sistemática.

    Ou então achamos que o PSDB, principalmente o paulista, é um anjo. O DEM idem. E que este novo partido do Kassab, o caça níquel paulista, é algo que estimule conceitualmente.

    Aí peço vênia e que eu seja “incluído fora” deste circo. Basta ver o bobalhão do titio, âncora da Veja, para sustentar toda minha afirmação.

    Isso é jornalismo? Não, não é. É histeria e desequilíbrio.

  15. elias said

    Pax,

    É claro que a maior parte da grande imprensa se sente terrivelmente incomodada com o PT no poder.

    Claro que há um componente classista nessa repulsa. Os proprietários desses órgãos reagem de acordo com seus interesses de classe, o que é pra lá de compreensível.

    Evidentemente que eles procuram se alinhar com as opções partidárias mais próximas de suas posições ideológicas e de seus interesses de classe. Claro que os interesses de classe se expressam em interesses econômicos. Além do mais, jornalismo é negócio e eles vivem disso.

    Absolutamente natural que eles ataquem seus adversários políticos, tanto quanto possam, e, onde e enquanto for possível, poupem seus aliados.

    Qual o problema? Nenhum! No máximo, pode-se criticar a hipocrisia de um ou outro, que faz isso e tenta posar de “imparcial” ou “apartidário”. No máximo, isso. Até porque isso não engana ninguém, como se viu no ano passado. Tanto que, já no fim da campanha eleitoral, um dos “grandes” achou por bem tirar a máscara e declarar formalmente que estava apoiando Serra (como se ninguém ainda houvesse percebido… Do modo como ele declarou seu apoio, o cara parece achar que os leitores do jornal dele são imbecis completos…).

    Mas, pessoalmente, acho uma perda de tempo ficar fazendo esse tipo de crítica. Parece queixa de amante abandonada…

    Ora, o cara faz parte de uma determinada classe social e se move politicamente de acordo com suas convicções ideológicas e os interesses da classe social a que pertence. Negar esse direito a ele é tentar fazer dele um cidadão de 2ª categoria (o que, no mínimo, é uma imbecilidade, já que se trata de um membro da elite econômica, cujo controle de uma parcela do poder independe de tal ou qual conjuntura política).

    A mim incomoda muito mais ver a esquerda passar anos repetindo o chatérrimo ramerrão de “Partido da Imprensa Golpista” e não mover uma palha pra criar uma alternativa a esses órgãos.

    Como no futebol, quem não sabe fazer, leva…

  16. Pax said

    O problema, caro Elias, é ainda maior.

    Se considerarmos que temos quatro poderes (executivo, legislativo, judiciário e imprensa), ficamos ainda mais capengas quando temos críticas aos três institucionais e o quarto, de cunho filosófico.

    E olha que há que sobre jornalistas simpáticos ao governo e outros tantos isentos que dariam e sobrariam para um novo veículo competente que viesse a fazer frente a tal grande mídia (Folha, Globo, Estadão como base).

    Melhor ainda seria se este suposto novo veículo tivesse hombridade de dar espaços aos contrários, criando a dialética dentro de seu próprio berço.

    (coisa que o Estadão, infelizmente, foi incapaz, ao demitir sumariamente a competente Maria Rita Kehl por escrever um único post simpático ao governo Lula, ato que fez um estrago considerável em sua própria redação, segundo informações que tenho)

  17. Quequel said

    Pax,
    peço espaço de off topic para dizer que estou com saudade de você. : )
    Preciso vir mais aqui, aprender com vocês, sempre com assuntos e discussões interessantes e, principalmente, necessárias à cidadania.

  18. Pax said

    Fala Quequel!

    Sinta-se à vontade. A casa é sua.

  19. Chesterton said

    O pT vai logo logo inaugurar uma pinacoteca gigantesca, desde a adolescência eu ouço falar nos seus “quadros”.

    Pax, bom ditado, mas tem esse: “Esperteza demais é burrice!”

  20. Chesterton said

    Desigualdade social é isso:

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u94408.shtml

  21. Chesterton said

    Claudio sacaneando o PD

    http://realityisoutthere.blogspot.com/2011/11/papinho-de-adolescente.html

  22. Zbigniew said

    Ouso discordar de vcs, Elias e Pax. Não entendi essa de jornalismo partidário. E aquele q privilegia a cobertura de um partido ou governo? E isto e jornalismo?
    E claro q o cara tem todo o direito de escrever ou abordar o assunto q lhe convier. Mas dai chamar isto de jornalismo, digo, jornalismo de qualidade, vai um bom pedaço.
    Não consigo conceber q um órgão só aborde o Bolsa Família como algo ruim ou danoso. Não consigo conceber q um órgão só de um lado de um fato da vida, principalmente numa sociedade tão complexa como a nossa.
    Não discuto aqui o direito do dono ou do articulista expressar suas opiniões ou induzir a noticia pela linha editorial. Mas, neste ultimo caso, isto não e jornalismo. Isto e panfletismo disfarçado.
    E como não há alternativas ao PIG? Ou tu achas q os blogs denominados de sujos, progressistas, chapas-brancas são o que? Verdade q muitos se limitam a apenas criticar a imprensa, mas outros buscam apontar os problemas e os avanços e buscar uma cobertura mais equilibrada dos fatos. Não falo de isenção total, isto não existe. Mas um mínimo de honestidade na cobertura politica.

  23. Edu said

    Pessoal,

    Concordo com o Elias e com o Pax, e se a esquerda quer fazer alguma coisa contra isso, não é pagando um punhado de blogueiros que vai conseguir. Aliás, acho incrível isso: a esquerda se diz a favor da massa, mas o que vemos é que os jornalistas que os defendem usam o meio de comunicação mais elitizado: a internet. Vai entender…

  24. Chesterton said

    Quando o PT não era governo não se queixava da imprensa….

  25. elias said

    “Quando o PT não era governo não se queixava da imprensa….”

    Não???? Caramba!!!!

    Pax,

    Mil perdões, mas… Outro ófitópique:

    Estão sob ameaça de expulsão da “comunidade internacional”, os seguintes países: Antigua e Barbuda, Barbados, Botswana, Brunei, Panamá, Seychelles, Trinidad e Tobago, Uruguai e Vanuatu.

    Incrível! Outros dois também quase sob a mesma ameaça: Suíça e Liechtenstein.

    Motivo: esses países não se submetem às regras internacionais referentes a troca de “informações fiscais” (leia-se: “controle de origem e movimentação de capital”).

    De quem a decisão? Do G20.

    E, assim, vai-se uma da últimas pombas despertadas daquele que em vida se chamou “neo-liberalismo” (que, dentre outros hábitos repugnantes, costuma bancar o paladino da moralidade e, ao mesmo tempo, defende regras de liberdade financeira que, na prática, protegem os trilhões do narcotráfico e do gangsterismo generalizado, da megacorrupção, etc).

    No “jus esperneandi”, os “matusacon” (antigamente chamados “neocon”) sempre poderão dizer que o G-20 tornou-se um aparelho dos comunochavistasbolivarianosfidelistas, a serviço das Farc e do bolchevismo internacional.

  26. Zbigniew said

    A internet esta sendo popularizada. Ta aí o PNBL. Vamos com calma q democratizar a informação num pais onde se acha normal a partidarizacao do jornalismo não e do dia pra noite. Na realidade e como afirmou a Maria Inês Nassif, e a manutenção do poder político sob o permanente poder de chantagem privado. A questão e: como encontrar o ponto de equilíbrio necessário para fazer uma faxina seria na Republica Brasileira? Com esse pensamento, ta muito dificil. E digo isso porque com esse tipo de jornalismo o “quarto poder” não cumpre o papel de apontar soluções para o problema. E nem quer.

    O poder permanente de derrubar governos
    Por Maria Inês Nassif.

    As ondas de pânico criadas em torno de casos de corrupção, desde Collor, têm servido mais a desqualificar a política do que propriamente moralizar a nossa democracia. Apesar da imensa caça às bruxas movida pela mídia contra os governos, em nenhum momento essa sucessão de escândalos, reais ou não, incluíram seriamente a opinião pública num debate sobre a razão pela qual um sistema inteiro é apropriado pelo poder privado, e, principalmente, porque não se questiona essa apropriação. O artigo é de Maria Inês Nassif.
    Maria Inês Nassif (*)
    A corrupção do sistema político merece uma reflexão para além das manchetes dos jornais tradicionais. Em especial neste momento que o país vive, quando a nova democracia completou 26 anos e a política, que é a sua base de representação, se desgasta perante a opinião pública. Este é o exato momento em que os valores democráticos devem prevalecer sobre todas as discordâncias partidárias, pois chegou no limite de uma escolha: ou diagnostica e aperfeiçoa o sistema político, ou verá sucumbi-lo perante o descrédito dos cidadãos.

    O país pós-redemocratização passou por um governo que foi um fracasso no combate à inflação, um primeiro presidente eleito pelo voto direto pós-ditadura apeado do poder por denúncias de corrupção, dois governos tucanos que, com uma política antiinflacionária exitosa, conseguiram colocar o país no trilho do neoliberalismo que já havia grassado o mundo, e por fim dois governos do PT, um partido de difícil assimilação por parcela da população. Nesse período, a mídia incorporou como poder próprio o julgamento e o sentenciamento moral, numa magnitude tal que vai contra qualquer bom senso.

    Este é um assunto difícil porque pode ser facilmente interpretado como uma defesa da corrupção, e não é. Ou como questionamento à liberdade de imprensa, e está longe disso. O que se deve colocar na mesa, para discussão, é até onde vai legitimidade da mídia tradicional brasileira para exercer uma função fiscalizadora que invade áreas que não lhes são próprias. Existe um limite tênue entre o exercício da liberdade de imprensa na fiscalização da política e a usurpação do poder de outras instituições da República.

    Outra questão que preocupa muito é que a discussão emocional, fulanizada, mantida pelos jornais e revistas também como um recurso de marketing, têm como maior saldo manter o sistema político tal como é. É impossível uma discussão mais profunda nesses termos: a escandalização da política e a demonização de políticos trata-os como intrinsicamente corruptos, como pessoas de baixa moral que procuram na atividade política uma forma de enriquecimento privado. Ninguém se pergunta como os partidos sobrevivem mantidos por dinheiro privado e que tipo de concessão têm que fazer ao sistema.

    Desde Antonio Gramsci, o pensador comunista italiano que morreu na masmorra de Mussolini, a expressão “nenhuma informação é inocente” tem pontuado os estudos sobre o papel da imprensa na formulação de sensos comuns que ganham a hegemonia na sociedade. Gramsci já usava o termo “jornalismo marrom” para designar os surtos de pânico promovidos pela mídia, de forma a ganhar a guerra da opinião pública pelo medo.

    No Brasil atual, duas grandes crises de pânico foram alimentadas pela mídia tradicional brasileira no passado recente. Em 2002, nas eleições em que o PT seria vitorioso contra o candidato do governo FHC, a mídia claramente mediou a pressão dos mercados financeiros contra o candidato favorito, Luiz Inácio Lula da Silva. Tratava-se, no início, de fixar como senso comum a referência “ou José Serra [o candidato tucano] ou o caos”.

    Depois, a meta era obrigar Lula e o PT ao recuo programático, garantindo assim a abertura do mercado financeiro, recém-completada, para os capitais internacionais. Em 2005, na época do chamado “mensalão”, o discurso do caos foi redirecionado para a corrupção. Politicamente, era uma chance fantástica para a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a única alternativa para se contrapor a um líder carismático em popularidade crescente era tirar de seu partido, o PT, a bandeira da moralidade. A ofensiva da imprensa, nesse caso, não foi apenas mediadora de interesses. A mídia não apenas mediava, mas pautava a oposição e era pautada por ela, num processo de retroalimentação em que ela própria [a mídia] passou a suprir a fragilidade dos partidos oposicionistas. Ao longo desse período, tornou-se uma referência de poder político, paralelo ao instituído pelo voto.

    Eleita Dilma Rousseff, a oposição institucional declinou mais ainda, num país que historicamente voto e poder caminham juntos, e ao que tudo indica a mídia assumiu com mais vigor não apenas o papel de poder político, mas de bancada paralela. Dilma está se tornando uma máquina de demitir ministros. Nas primeiras demissões, a ofensiva da mídia deu a ela um pretexto para se livrar de aliados incômodos, nas complicadas negociações a que o Poder Executivo se vê obrigado em governos de coalizão num sistema partidário como o brasileiro. Caiu, todavia, numa armadilha: ao ceder ministros, está reforçando o poder paralelo da mídia; em vez de virar refém de partidos políticos que, de fato, têm deficiências orgânicas sérias, tornou-se refém da própria mídia.

    As ondas de pânico criadas em torno de casos de corrupção, desde Collor, têm servido mais a desqualificar a política do que propriamente moralizar a nossa democracia. Mais uma vez, volto à frase de Gramsci: não existe notícia inocente. O Brasil saído da ditadura já trazia, como herança, um sistema político com problemas que remontam à Colônia. O compadrio, o mandonismo e o coronelismo são a expressão clássica do que hoje se conhece por nepotismo, privatização da máquina pública e falha separação entre o público e o privado. A política tem sido constituída sobre essas bases e, depois de cada momento autoritário e a cada período de redemocratização no país, seus problemas se desnudam, soluções paliativas são dadas e a cultura fica. Por que fica? Porque é a fonte de poderes – poderes privados que podem se sobrepor ao poder público legitimamente constituído.

    O sistema político é mantido por interesses privados, e é de interesse de gregos e troianos que assim permaneça. Segundo levantamento feito pela Comissão Especial da Câmara que analisa a reforma política, cerca de 360 deputados, em 513, foram eleitos porque fizeram as mais caras campanhas eleitorais de seus Estados. Com dinheiro privado. Em sã consciência, com quem eles têm compromissos? Eles apenas tiveram acesso aos instrumentos midiáticos e de marketing político cada vez mais sofisticados porque foram financiados pelo poder econômico. É o interesse privado quem define se o dinheiro doado aos candidatos e partidos é lícito ou ilícito.

    O dinheiro do caixa dois passou a fazer parte desse sistema. Não existe nenhum partido, hoje, que consiga se financiar privadamente – como define a legislação brasileira – sem se envolver com o dinheiro das empresas; e são remotíssimas as chances de um político financiado pelo poder privado escapar de um caixa dois, porque normalmente é o caixa dois das empresas que está disponível. Num sistema eleitoral onde o dinheiro privado, lícito e ilícito, é o principal financiador das eleições, ocorre a primeira captura do sistema político pelo poder privado. E isso não acaba mais.

    Esse é o âmago de nosso sistema político. A democratização trouxe coisas fantásticas para a política brasileira, como o voto do analfabeto, a ampla liberdade de organização partidária e a garantia do voto. Mas falhou no aperfeiçoamento de um sistema que obrigatoriamente teria de ser revisto, no momento em que o poder do voto foi restabelecido pela Constituição de 1988.

    Num sistema como esse, por qualquer lado que se mexa é possível desenrolar histórias da promiscuidade entre o poder público e o dinheiro privado. Por que isso não entra, pelo menos, em discussão? Acredito que a situação permaneça porque, ao fim e ao cabo, ela mantém o poder político sob o permanente poder de chantagem privado. De um lado, os financiadores de campanhas se apoderam de parcela de poder. De outro, um sistema imperfeito torna facilmente capturável o poder do voto também por aparelhos privados de ideologia, como a mídia. Como nenhuma notícia é inocente, a própria pauta leva a relações particulares entre políticos e o poder econômico, ou entre a máquina pública e o partido político. A guerra permanente entre um governo eleito que tem a oposição de uma mídia dominante é alimentada pelo sistema.

    O apoderamento da imprensa é ainda maior. Se, de um lado, a pauta expressa seu imenso poder sobre a política brasileira, ela não cumpre o papel de apontar soluções para o problema. Não existe intenção de melhorá-lo, de atacar as verdadeiras causas da corrupção. Apesar da imensa caça às bruxas movida pela mídia contra os governos, em nenhum momento essa sucessão de escândalos, reais ou não, incluíram seriamente a opinião pública num debate sobre a razão pela qual um sistema inteiro é apropriado pelo poder privado, inclusive e principalmente porque não se questiona o direito de apropriação do poder público pelo poder privado. A mídia tradicional não fez um debate sério sobre financiamento de campanha; não dá a importância devida à lei do colarinho branco; colocou a CPMF, que poderia ser um importante instrumento contra o dinheiro ilícito que inclusive financia campanhas eleitorais, no rol da campanha contra uma pretensa carga insuportável de impostos que o brasileiro paga.

    Pode fazer isso por superficialidade no trato das informações, por falta de entendimento das causas da corrupção – mas qualquer boa intenção que porventura exista é anulada pelo fato de que é este o sistema que permite à imprensa capturar, para ela, parte do poder de instituições democráticas devidamente constituídas para isso.

    (*) Texto apresentado no Seminário Internacional sobre a Corrupção, dia 7 de novembro de 2011, em Porto Alegre.
    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18914

  27. elias said

    Zbigniew,

    1 – Não acredito em imprensa politicamente neutral. O cara de imprensa que se diz politicamente neutro, pra mim é, antes de tudo, um vigarista.

    2 – Nada contra os blogs, mas não é a isso que me refiro. Refiro-me a um grupo de comunicação de muito maior porte, que utilize articuladamente as mais diferentes mídias (blogs inclusive).

    3 – Refiro-me, também, a um enfoque de esquerda, mas não automaticamente alinhado aos governos de esquerda.

  28. elias said

    Complementando o # 25:

    …a serviço do Foro São Paulo, também!

    Como é que esqueci isso?

  29. Zbigniew said

    Entendi, Elias. Por sinal andam até utilizando serviço de telemarketing para amealhar parceiros.
    Olha, a abordagem aqui não e a da legitimidade ou nao do engajamento político, mas de como esse engajamento se coloca hoje. E da forma como e colocado, concordo com o texto da Maria Inês Nassif: e prejudicial porque não interessa a solução de um problema (a corrupção). Em ultima analise e uma questão de critica ao comportamento da imprensa e do seu jornalismo engajado.

  30. Chesterton said

    A imprensa FEZ o PT!

  31. Chesterton said

    Elais, a ONU está a serviço da mundialização, assim como A Igreja Católica e a elite financeira com sede em Londres.
    Breve teremos um exército da ONU comandado por pessoas que nunca receberam um voto e de cujas ações não poderemos fugir. Tirania global.

  32. Edu said

    Pessoal,

    Depois eu parei pra pensar, talvez eu esteja errado, na verdade, como eu passo o dia na internet por conta do meu trabalho, e a empresa onde eu trabalho assine Folha, Estado, Veja e Época, eu esteja fazendo a pesquisa da forma errada.

    Resultando disso o entendimento de que sim, estes 4 veículos comparativamente mais populares do que a própria internet representem muito mais os neoliberais e PSDBistas do que os demais partidos de situação; e que na internet é onde há uma maior quantidade de manifestações de desgosto por parte do público governista a respeito destes 4 veículos. Isso talvez faça parecer que a maior parte dos investimentos governistas esteja na internet.

    Mas pensando melhor, acho que estou enganado, há vários veículos que defendem reiteradamente o governo: Carta Capital, Carta Maior, Caros Amigos, o governo até fez uma televisão estatal a título de contra-balancear a equação. O raio é que estes veículos têm uma tiragem muito baixa. Aí fico pensando: é porque estes são menos jornalistas que os outros? É porque estes têm menos dinheiro para sua própria divulgação que os outros? Ou seria porque a maior parte da população realmente não está interessada em saber das maravilhas que o governo faz, mas está interessada no que pode haver de “malfeitos” no governo para que nas próximas eleições, consigam exercer melhor o seu direito democrático ao único voto que possuem? Muito estranho, afinal, pela lógica apresentada, estes veículos seriam justamente os que produziriam um “equilíbrio da força” (sobre este lado negro da força comumente chamado de PIG).

    E há um outro veículo muito interessante, o jornal Zero Hora, que é importantíssimo no sul do país que nunca é comentado, não entendo porque. Ah, mas o Zero Hora é muito regional. Pô! Mas a Folha e o Estado, 50% das publicações chamadas de PIG são totalmente regionais, concentradas em São Paulo!

    Independentemente disso, acho que o jornalismo mundial sofre de problemas de transparência, e, enquanto isso aqui for um capitalismo, será totalmente influenciado por diversas forças estranhas à imparcialidade. Concordo com o Elias: não há mídia neutra.

    E novamente: a imprensa deveria questionar. Não faz. Então cabe a nós interpretarmos, discutirmos e filtrarmos aquilo que é útil para a próxima vez que votarmos ou não e ponto final.

  33. elias said

    “A imprensa FEZ o PT!”

    Verdade… Aliás, no ano passado, a Veja, a FSP e o Estadão deram um grande impulso à campanha da Dilma.

    Quando ficou claro que esses três é que estavam dando as cartas na campanha do Serra, isto acelerou a tendência de aumento das intenções de voto em Dilma.

    Isso me faz lembrar o Bob Fields. De vez em quando, a ditadura pedia pra ele passar um tempo calado. Cada vez que Bob se punha a falar demais, o regime perdia carradas de votos.

    Veja, FSP e Estadão levam às costas a mortalha da direita e a maldição do Bob Fields: são os oposicionistas involuntários.

    Acho que até hoje Serra deve pedir a Deus que os esqueça e ao diabo que os carregue…

  34. elias said

    Onde está escrito:

    “Veja, FSP e Estadão levam às costas a mortalha da direita e a maldição do Bob Fields: são os oposicionistas involuntários.”

    Leia-se:

    “Veja, FSP e Estadão levam às costas a mortalha da direita e a maldição do Bob Fields: são os GOVERNISTAS involuntários.”

    Ato falho…

  35. Zbigniew said

    Realmente, Edu. Esses veículos nominados por você como defensores do governo não têm a tiragem ou a audiência das empresas privadas de comunicação.
    A internet é a trincheira que os ditos progressistas utilizam para contrabalançar um pouco o poder da grande mídia.
    Constatar que cada órgão de mídia tem seu lado, isto é óbvio. O que não se pode abrir mão é da crítica a esta abordagem, principalmente quando se busca entender os meandros do sistema de corrupção no país. Isso vale para os governistas e não-governistas.
    A imprensa não tem que está puxado saco de governo nenhum. Mas não pode se retroalimentar de um sistema que faz um mal danado ao país.
    Neste ponto é que “pau que bate em Chico bate em Franscisco, também”. Se não for assim não se está combatendo corrupção alguma. Só se está fazendo política, e da pior espécie.
    O caso da Alstom, em São Paulo, é um exemplo típico. Os casos de cerceamento deliberdade de expressão em Minas, também. E aí é mais grave, porque trata-se de um valor absoluto, inegociável, e sempre convocado pela grande mídia quando se fala em controle social. Temos que ficar atentos a tudo isto sob pena de chancelarmos a corrupção, achando que estamos combatendo.

  36. iconoclastas said

    “Os casos de cerceamento deliberdade de expressão em Minas, também.”

    qual é o caso?

    ;^?

  37. iconoclastas said

    será que é isto aqui?

    Fonte: Gabriel Azevedo – Turmado Chapéu
    PT e censura: prefeito petista impede circulação de revista com denúncias contra ele

    O PT vira e mexe deixa o seu ranço autoritário prevalecer, principalmente quando se trata de lidar com a liberdade de informação. O caso mais recente envolve o Partido dos Trabalhadores de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. O prefeito da cidade, Carlos Roberto Rodrigues (PT), obteve na Justiça liminar para impedir a circulação da edição 65 da revista Viver Brasil.

    ;^?

  38. Chesterton said

    Verdade… Aliás, no ano passado, a Veja, a FSP e o Estadão deram um grande impulso à campanha da Dilma.

    chest- Dilma era do PDT nessa época.

    ————–

    Esses veículos nominados por você como defensores do governo não têm a tiragem ou a audiência das empresas privadas de comunicação.

    chest- imprensa paga pelo governo para se defender é crime, uso criminoso do dinheiro do povo contribuinte. Se os canais privados tem audiência é por capacidade e competência, coisa que o governo definitivamente não tem.

    A internet é a trincheira que os ditos progressistas utilizam para contrabalançar um pouco o poder da grande mídia.

    chest- conversa, no mundo todo a internet é um instrumento conservador, e como lá, aqui ninguem dá bola para blogueiros “pogrecistas”

  39. elias said

    Elias – Verdade… Aliás, no ano passado, a Veja, a FSP e o Estadão deram um grande impulso à campanha da Dilma.

    chest- Dilma era do PDT nessa época.

    Elias – Verdade… E o Serra era do PMDB, o Alckmin do PDS e o Maluf da Arena. Aliás, no ano passado o Brizola era do PTB…

  40. Chesterton said

    e então nessa época a imprensa FEZ o PT.

  41. Chesterton said

    http://www.implicante.org/noticias/lobista-afirma-ter-pago-propina-a-agnelo-governador-do-df-admite-que-recebeu-mas-diz-que-foi-um-emprestimo/

  42. Zbigniew said

    Certamente que o governo não deve inflar órgãos de mídia para falar bem dele. Isto é errado. Mas não vejo blogs que têm uma posição mais equilibrada em relação ao mesmo receberem dinheiro para isto. Verdade que os adoradores do mercado só aceitam que os banners de empresas estatais estejam em veículos que tenham tiragem ou audiência elevada. Estes não acreditam em democratização de informação. Esta lógica é excludente e estimula um pensamento único.

    O Prefeito do PT censurou? Bem, ele foi à Justiça. E esta entendeu por recolher as revistas. Cabe recurso. E quando não cabe?

    Em Minas?

    Parte 1:

    Parte 2:

  43. elias said

    “Eleita Dilma Rousseff, a oposição institucional declinou mais ainda, num país que historicamente voto e poder caminham juntos, e ao que tudo indica a mídia assumiu com mais vigor não apenas o papel de poder político, mas de bancada paralela. Dilma está se tornando uma máquina de demitir ministros. Nas primeiras demissões, a ofensiva da mídia deu a ela um pretexto para se livrar de aliados incômodos, nas complicadas negociações a que o Poder Executivo se vê obrigado em governos de coalizão num sistema partidário como o brasileiro. Caiu, todavia, numa armadilha: ao ceder ministros, está reforçando o poder paralelo da mídia; em vez de virar refém de partidos políticos que, de fato, têm deficiências orgânicas sérias, tornou-se refém da própria mídia.” (Maria Inês Nassif)

    Não sei se concordo com tudo isso. É claro que as demissões feitas até aqui beneficiaram Dilma. Ela se livrou de parceiros incômodos e, ao mesmo tempo, estabeleceu condições de criar para si a imagem de uma gestora intolerante com a corrupção.

    Isso dá mais poder à mídia? Duvido! O uso abusivo da denúncia acabou banalizando a dita cuja. Quase ninguém mais lembra qual foi o escândalo mais escandaloso do mês passado. No fim, o que vai ficar será uma mensagem simples, com uma imagem simples, se o governo souber trabalhar bem com a comunicação social. A mensagem simples, com a imagem simples, será a Dilma com um esfregão, expurgando sujeira do governo.

    Ninguém joga só. Os dois lados jogam. Se a mídia fizesse o que faz, tendo ao fundo uma oposição mai competente, o papo seria outro. Como essa oposição não existe, a regra tende a ser a seguinte: o mídia dá o limão e o governo faz uma limonada. Daí que, no frigir dos ovos, a mídia oposicionista acaba se tornando governista involuntária.

    Um bom termômetro é alinhar o furor denuncista e a queda de ministros com os índices de aprovação da Dilma. Se essa aprovação está crescendo, é porque Dilma está saboreando a limonada…

  44. Edu said

    Gente,

    Esse assunto de mídia não tem fim.

    – Regular a mídia é praticamente impossível.

    – A mídia sempre vai ter lado

    – A população vai comprar aquilo com que mais se identifica (vai entender pq os 4 cavaleiros do apocalipse midiático são os mais vendidos). Se não há equilíbrio, não é porque não exista possibilidade para tal, é porque o povo simplesmente não compra o que não quer! No caso, pelo visto, eles não querem saber de Carta Capital, Carta Maior, Caros Amigos, etc…

    – Se a internet pode ser considerada uma alternativa, eu acho essa alternativa totalmente infundada, afinal, comparar, quando muito, blogs cujo número de comentários chegam a no máximo 300 versus a tiragem de 1 milhão de exemplares da Veja é covardia

    – O furor denuncista, concordo com Elias, é ridículo. O que eu discordo é com o fato de a única variável a favor da limonada da Dilma ser a aprovação. Aqui pesa a governabilidade também, mote do tópico, e acho que a Dilma está virando refém desse denuncismo, menos pelo denuncismo, mais por incompetência política e gerencial própria.

  45. Chesterton said

    A Comunidade Econômica Européia e os Estados Brasileiros
    Até a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), os estados brasileiros eram livres para gastarem o que quisessem. Além disso, se os mesmos se tornavam insolventes (incapazes de pagarem suas contas) era obrigação da União socorrê-los. Na minha opinião, o melhor mesmo era que cada estado fosse livre para assumir dívidas mas sabendo que a União não iria socorrê-los em caso de necessidade. Como isso não foi possível, a LRF foi a segunda melhor opção (mesmo que no final os estados continuem a burlá-la).

    A comunidade econômica européia é exatamente igual aos estados brasileiros pré aprovação da LRF: todos os países por lá são livres para gastar como bem entendem, mas quando vão à falência os outros países são obrigados a ajudá-los. Alguma dúvida de que esse desenho institucional não vai funcionar? Se a comunidade européia quer ter alguma chance de sucesso, então está na hora de deixar países como a Grécia irem a falência. Ajudar a Grécia só vai aumentar o estímulo para que outros páises, tal como a Itália, continuem sua trajetória fiscal irresponsável.
    POSTADO POR BLOG DO ADOLFO Sachida

    chest- e como governos socialistas acham que tem dinheiro para caramba, que só falta vontade política……gastam….

  46. Zbigniew said

    A aprovação de Dilma provém do desempenho econômico. Não esquecermos que o país tem hoje uma situação de pleno emprego com valorização dos salários. Com o Brasil no atual estágio confere a ela uma grande arma eleitoral. Qualquer problema maior nesta seara – principalmente se houver contágio pelo cenário internacional – fortalecerá a tese da corrupção como herança maldita do governo Lula e da fraqueza da Presidenta. Este discurso está ali, sustentado pela velha mídia, e é ele que está dando algo com que a oposição partidária possa se manifestar a nível nacional. E também regional, principalmente tendo em vista o Estado de São Paulo. Quer apostar que o Haddad ainda entra nesta?

  47. Chesterton said

    E a dívida interna em 2,5 tri, depois reclamam que a concentração de renda ocorre.

  48. Pax said

    Caro Edu, em #32

    A ZH é uma afiliada de O Globo. Com certa independência. E é grande sim, tem atuação no RS e SC, vários jornais, tvs e rádios etc.

    E agora pasme, sente na cadeira, a cúpula da ZH gosta de Dilma, ou, ao menos, gostava até ela ser eleita. Porquê? Por conta de a conhecer quando foi secretária de governo no RS. Segundo infos de amigos, chegou a torcer por Dilma contra o Serra. Acredite, se quiser.

    —-

    Fala-se do tal PIG, da situação de refém que Dilma estaria com a imprensa etc etc. Como já disse inúmeras vezes não concordo com esta tese.

    Concordo com a tese que Folha e Estadão são atucanados, com a tese que O Globo vai na val$a, que Veja é histérica etc. Até aí o tal do Neves defuntou. É mídia, tem sua linha editorial, o caso da Maria Rita Kehl mostra claramente esta questão. E ainda assim não consigo ver uma articulação golpista em andamento.

    E é por essas e outras que minhas simpatias por José Dirceu são cada vez menores, mesmo dizendo o que disse no post, que é um dos caras mais preparados, mais importantes e que está mais queimado que costela esquecida em churrasqueira de bêbado.

    Basta Dirceu dizer que a mídia isto ou a mídia aquilo e logo vemos uma enxurrada de blogs e militantes repetindo o mesmo bordão. E, neste caso da celeuma com a mídia, acho ser um tremendo tirambaço no pé.

    E não vamos nos esquecer de duas coisas:

    1 – todos os ministros que caíram por corrupção, no mínimo do mínimo, devem explicações e foram constatados desvios debaixo de suas barbas. (tire o Jobim que é outro caso, o resto é isto mesmo, resto político, valor baixo, pequenos partidos sem qualquer ideologia ou grande contribuição)

    2 – independente da tese golpista Lula saiu do governo com mais de 80% de aprovação e Dilma, ao que tudo indica, não está tão ruim assim. Até ao contrário, não é isto que temos visto, ou seja, uma tremenda rejeição. (aqui, porém, concordo completamente com o caro Zbigniew em #46, ou seja, um problema maior na economia, um reflexo da crise externa que atinja o Brasil com mais vigor, aí a coisa muda com corrupção, sem corrupção ou qualquer coisa dessa natureza).

  49. Pax said

    O povo, meu amigo, tá comprando moto, geladeira, televisão de tela plana, computador, supermercado bem bom, roupa nova etc etc. E os empresários adorando esta nova classe C e dirigindo seu mkt e produtos para essa galera que já movimenta a maior parte da economia.

    Simples assim.

    E não é só isso não. Em Sampa há um milhão de novos milionários, considerando somente dinheiro em banco e aplicações. Sabe o que é isso? É isso mesmo, vou repetir em maiúscula: UM MILHÃO de novos milionários.

    É mole?

    Agora é só desentortar essa roubalheira generalizada, consertar as escolas, consertar os hospitais, consertar as polícias, fazer as obras de infra necessárias, a reforma política, a fiscal e tributária, a prevideciária, a trabalhista e seremos um país nórdico em plena América Latina. Coisa pouca. Facinho facinho de fazer.

    =)

  50. Pax said

    Ah, esqueci, na correria daqui ainda não fiz um post que quero fazer com um título mais ou menos assim:

    “PT, devolva o Agnelo para o PCdoB, por favor”

  51. Edu said

    Pax,

    Muito esclarecedoras as observações.

    1 – Pelo que eu entendi, então, o negócio é: vamos parar de ficar reclamando que a mídia é golpista. Vamos ler as notícias, criticá-las, extrair o que tem que ser extraído, buscar mais notícias que também patrulhem o PSDB e pronto. Chega de reclamar da mídia!

    2 – Sobre os ministros que caíram por corrupção, ótimo que caíram. Vamos guardar o registro e lembrar deles diante das urnas nas próximas eleições.

    3 – Sobre a Dilma, ainda estou aguardando. Por enquanto ela está andando de lado e pra trás:

    – Em termos de plano de governo: não consegue apontar uma direção para o governo – Onde está o horizonte de tempo para o assistencialismo? Onde estão os balanços projetados do governo para o longo prazo? Como fica a questão da saúde no longo prazo? Como fica a questão da aposentadoria no longo prazo? Hoje a maior parte dos brasileiros é classe média, onde está o próximo passo? Nada disso é respondido.

    – Em termos de malemolência política: Não cobra nada dos ministros e não consegue se antecipar às ingerências dos mesmos – Resultado: será pautada pela mídia, golpista ou não.

    – Em termos de execução: As obras do PAC estão sendo criticadas pelo TCU; ela pede dinheiro para a saúde; e a educação, indo de mal a pior, ela finge que não vê.

    – Em termos de economia: Em vez de se virar politicamente, ela atravessou o Banco Central e baixou os juros. Até aqui, ok. Há emprego por conta das obras do PAC. OK. Há uma expectativa inflacionária. Não é possível saber o quanto o governo se preocupa com isso. Todos os meses há revisão de meta inflacionária. O Guido Mantega simplesmente não consegue acertar! É um absurdo. Em vez de aproveitar a baixa da competitividade mundial e incentivar a competitividade brasileira, elevou barreiras alfandegárias (IPI dos automóveis).

    Resumindo: o único ponto positivo pra ela é realmente a economia. Em que ela surfa uma onda vinda, por incrível que pareça, da China, e onde ações de curto prazo produzem resultados pequenos e perigosos.

    Vamos aguardar.

  52. iconoclastas said

    #42,

    E quando não cabe?

    quando não cabe?

    é uma sacanagem por vídeos de 10 min (evidente que eu não vi tudo), que não dizem absolutamente nada sobre o tema que vc havia se referido (cerceamento da liberdade de expressão).

    quem teve a liberdade de expressão cerceada foi a revistinha lá do interior, por solicitação de um prefeito petista.

    um empregado de uma empresa tem, qualquer que seja o ramo da companhia, o dever de atuar conforme os preceitos da mesma, naturalmente, respeitada a lei. isso é básico. o pedreiro não pode misturar cimento do jeito que ele quer, tem que seguir o que diz o mestre de obras que, por sinal, vai na do engenheiro, este último por sua vez adota o padrão da empreiteira que o contratou. quem não estiver de acordo pode procurar a próxima porta.

  53. elias said

    Zbigniew,

    Pelos boletins de monitoramento que vi, a aprovação da Dilma está sendo puxada: a – pelo bom desempenho da economia, apesar da crise mundial; b – pela manutenção da política de inclusão social que caracterizou o governo Lula; e c – pelas demissões que ela tem feito, de ministros envolvidos em corrupção.

    Parece que o povão começa a achar que Dilma é a “mulher da vassoura”, que tá tirando a sujeira da casa e mandando pro lixo.

    Não sei dizer qual o peso de cada um desses fatores na formação da taxa de aprovação, porque não vi todas as planilhas. Mas parece até que já há um monte de gente recomendando que ela enfatize um pouco mais o discurso “xerifa”, que vai cair de paulada na cabeça de quem urinar fora do caco… Há quem diga que a intolerância com a corrupção pode vir a ser uma das principais marcas pessoais de Dilma.

    Então… Ainda estou achando que o pessoal lá aparentemente domina a arte de fazer limonada.

    Pessoalmente — como já disse antes, não sei se nesta ou em outra lista — não acho que seja uma boa que as demissões de corruptos sejam, sempre, realizadas reativamente. Na minha cabeça, uma CGU mais agressiva e proativa poderia ajudar pra colocar a Dilma um passo à frente, pelo menos em alguns casos (nos quais a comunicação social se concentraria).

    É o meu achismo. Mas o fato é que, usando outra tática, o pessoal tá faturando bem. Não sei se isso vai durar ou não, mas tenho de reconhecer que, até aqui, eles estão faturando bem. Pra desencanto da oposição…

    Por fim, também acho que o denuncismo da imprensa também prejudica os partidos de oposição, que apenas ecoam o que a diz a mídia, reforçando cada vez mais a opinião que a maioria das pessoas tem deles, de que são preguiçosos, inoperantes e incompetentes.

    Nos boletins de monitoramento a que me referi no início, não vim nenhuma melhoria no conceito sobre os partidos de oposição, no período de janeiro a setembro. O conceito continua tão ruim quanto no início do ano.

    Se você transfere isso pra uma eleição, sabe muito bem no que dá…

  54. Pax said

    Caro Edu, em #51,

    Respondendo com sua lista.

    1 – não é exatamente isto. Acho que devemos, sim, reclamar da mídia. Que ela, por exemplo, pouco se coça para falar dos problemas em São Paulo, como um bom exemplo. Fica-se com a impressão que só existe corrupção no governo e sabemos que não é bem assim. A mídia faria um favor se expusesse os casos paulistas. Pedágios, Assembléia Legislativa, Rodoanel, Nova Marginal, o esquecido da Alston e por aí vai.

    O que não concordo, me repetindo, é com a tese que há um golpe articulado onde os donos do O Globo, da Veja, da Folha, do Estadão, se reúnem escondidos e planjam derrubar o governo, a tal Imprensa Golpista, como se isto fosse uma entidade com nome, endereço e plano de ação.

    2 – Dos ministros que caíram – ótimo mais ou menos, melhor seria que nem tivessem entrado. Mas já que entraram e a mídia caiu de pau de forma que eles não se sustentaram, concordo, sim, que caiam. Acho bom. Como disse o caro Elias aí acima, nos noves foras até que Dilma tem mais capitalizado que perdido na opinião pública. O problema, a meu ver, se encontra em parte da militância petista mesmo que, segundo já vi em alguns lugares, ameaça apear o apoio. Um erro que me parece colossal.

    3 – ok, você já fez teu ponto e entendi, não acha que Dilma tenha um norte. Direito seu. Direito meu, também, aguardar um pouco mais.
    Nos primeiros anos dos governos é bastante comum uma freada de arrumação. E nos últimos anos é sempre comum, também, certas irresponsabilidades fiscais com olhos nas eleições vindouras. É ruim? Sim, claro que é. Só que é mais ou menos a lei natural da sobrevivência democrática, aqui e alhures.

    O Brasil está bem não só porque a China continua consumindo muito nossas matérias primas e outros produtos brasileiros. O Brasil também está bem por conta do fortalecimento do poder de consumo interno. E não tem lá grandes relações primordiais com os assistencialismos. A tal nova classe C hoje movimenta mais que R$ 1 trilhão. O orçamento do Bolsa Família não chega nem em R$ 15 bilhões. Estamos quase em pleno emprego, todo mundo tem trabalho e dinheiro pra comprar seu básico e algumas coisas a mais. Um simples exemplo, basta ver o que se vende de carros e motos novas. O ano não está nada ruim para essa indústria. Já dá o tom de como a coisa anda.

    Fora o que esqueço neste momento…

    —-

    Caro Elias, em #51,

    Há uma sinuca, um xadrez que não é tão simples assim. É claro que a CGU, a PF etc poderiam determinar muito antes da mídia as ações de limpeza no governo. Mas isto não é assim tão fácil. Há toda uma base de sustentação, um modelo a ser contemplado, que não se mexe de uma hora para outra.

    Culpa do PT? Em parte sim, este modelo é antigo, mas algumas ações entendo que poderiam ter sido feitas. Entre outras coisas um modelo “Ficha Limpa” para entrar nos ministérios. Fácil? Longe disso.

    Isso sem excluir que no próprio PT teve gente que gostou do jogo jogado… sinto catucar com esta triste verdade.

    Só para provocar… e se… daqui a pouco surgir um grande escândalo de algum ministério do… PMDB? Heim? E do PT?

    provocação pouca é bobagem… recolho-me a trincheira antes de tomar pedradas.

    Não nego, pelo contrário, reforço: continuo gostando do governo Dilma. Tomara que ela consiga colocar a agenda positiva que se iniciou ontem com o tal programa novo no sistema de saúde. Quem sabe chega a agradar até o caro Edu em alguma hora.

    Ófitópique: e o Sarkozy junto com o Obama falando do Netaniahu? Não tem preço, né não?

  55. Chesterton said

    E é por essas e outras que minhas simpatias por José Dirceu são cada vez menores,

    chest- pouca simpatia não é o mesmo que antipatia.

    Em Sampa há um milhão de novos milionários, considerando somente dinheiro em banco e aplicações. Sabe o que é isso? É isso mesmo, vou repetir em maiúscula: UM MILHÃO de novos milionários.

    chest- 1 milhão não faz ninguem “milhonário”.
    —————–

    Resumindo: o único ponto positivo pra ela é realmente a economia. Em que ela surfa uma onda vinda, por incrível que pareça, da China, e onde ações de curto prazo produzem resultados pequenos e perigosos.

    chest- exatamente, some-se isso a uma dívida suicida….

  56. Olá!

    Vocês se esquecem de algo bastante fundamental: Tirando o Palocci ou algum outro ministro demitido, o restante é herança do Governo Lula, quando a presidente Dilma era a chefe desses mesmíssimos ministros que, agora, estão sendo ou foram demitidos.

    Seria tolice demais e ingenuidade demais acreditar que a corrupção desses ministros só veio se materializar após a chegada de Dilma à presidência.

    Ela sabia ou não sabia dessas falcatruas enquanto era a ministra-chefe do Governo Lula?

    Se sabia, então foi conivente. Se não sabia, isso demonstra incompetência administrativa.

    Alguns membros de um partido cujo ministro foi demitido, parece que era o PR, chegaram a afirmar que a própria campanha eleitoral da Dilma em 2010 se beneficiou desses esquemas de corrupção montados nos ministérios que, hoje, estão sendo alvo de “limpeza”.

    Até!

    Marcelo

  57. Edu said

    Pax,

    Apenas concordando:

    1 – OK, sem tirar nem por.

    2 – Ok, sem tirar nem por.

    3 – Ok, vamos aguardar. hehe

  58. Olá!

    Hehehehehehehe. . .

    A esquerda brasileira parece ter um sério problema quando o assunto é o Roberto Campos (vulgo Bob Fields). Os esquerdistas locais deveriam buscar algum tipo de tratamento e não se deveria descartar o uso das mais recentes e avançadas técnicas da psicologia, da hipnose, da regressão (não a linear ou a não-linear, esquerdista brasileiro odeia matemática, mas a hipnótica mesmo) ou mesmo da psiquiatria (com direito a remédio de tarja preta e tudo mais). É sério, essas pessoas precisam de tratamento urgente.

    É engraçado que os esquerdistas brasileiros, sobretudo os petistas e as suas sub-ramificações, acusem o Roberto “Bob Fields” Campos dos piores crimes que uma pessoa possa cometer. Nos anos de 1980, época de pleno vapor da reserva de mercado da informática no Brasil, o Roberto Campos, por ser contra essa reserva, era acusado de coisas semelhantes e davam a ele qualificativos doces como, por exemplo, ser um “entreguista”, “agente infiltrado das multinacionais”, “representante do grande capital estrangeiro” e etc.

    Tudo isso pelo fato de que o Roberto Campos era contra o fato de que um consumidor brasileiro comprasse por U$ 2250,00 um computador “nacional” clonado, sendo que o mesmo computador, só que o original, custava U$ 450,00.

    Parece que, no final, o Bob Fields estava certo.

    No entanto, o mais irônico de tudo reside no fato de que os esquerdistas brasileiros reservam para o Roberto Campos os piores adjetivos que uma pessoa pode receber e, ao mesmo tempo, endeusam, mitificam e mistificam um político como o Lula, cujo governo fez coisas como o Mensalão, escândalos e mais escândalos de corrupção, dossiês de aloprados, dólares na cueca e coisas tais. Roberto Campos era uma pessoa como qualquer outra, cometeu erros e teve alguns acertos.

    Aliás, tentem encontrar algum descendente do Roberto Campos que esteja tão bem de vida quanto o Lulinha que, de funcionário de zoológico, se tornou um empresário multi-milionário e ainda teve a ajuda do governo do pai, que mudou uma lei para permitir a jogada que resultou na compra da GameCorp (empresa do Lulinha) por uma das empresas beneficiadas por essa mudança na lei.

    Até!

    Marcelo

  59. Zbigniew said

    Iconoclastas,

    não tem nada sobre cerceamento de liberdade de expressão? Você não viu nada, então!

    Elias,

    quanto aos boletins que vc diz acompanhar, acredito que deve ser uma leitura bem específica para cada tópico levantado. O peso de cada um tem muito a ver com a percepção do eleitorado e a proatividade do governo.

    Por proatividade entendamos o sucesso das políticas econômicas e sociais e o combate aos malfeitos, e por percepção, a importância que cada tópico desse tem na mente das pessoas. Sem a menor sombra de dúvida a sensação de melhoria na seara econômica influencia e influenciará a maior parte da população brasileira ainda por muito tempo, até porque não deu tempo para aqueles que galgaram de classe tenham enveredado pelo caminho do conservadorismo e do voto de opinião (este último restrito a alguns extratos menores da população). E até porque grande parte da população acostumou-se com a questão do “jeitinho” e dos pequenos atos de corrupção no nosso dia-a-dia.

    Isto só mudará, como bem disse o Pax, se o governo perder a mão da economia. E isto só tem alguma chance de ocorrer se o cenário externo se tornar insustentável e alguma coisa muito grave ocorrer. Aí sim a questão da corrupção sairá do âmbito do voto de opinião e passará a ser um instrumento poderoso no que pertine ao eleitorado.

    O que discutimos aqui é o engajamento político da mídia e a sua capacidade de desestabilizar o governo e turbinar a oposição. No que se refere ao eleitorado, a um pouco menos de um ano das eleições municipais, pela última pesquisa de opinião, não está dando certo. Mas é uma aposta para São Paulo, e não tenham dúvida que tem um alvo específico.

  60. Chesterton said

    ASSIM COMEÇOU O POVOAMENTO DA BAHIA…

    Torre do Tombo é o local onde se guardam todos os documentos antigos. Está situada em Lisboa, junto à Cidade Universitária.

    Sentença de 1587- Trancoso, Portugal

    Arquivo Nacional da Torre do Tombo

    SENTENÇA PROFERIDA EM 1587 NO PROCESSO CONTRA O PRIOR DE TRANCOSO

    (Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5, maço 7)

    “Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres”. Não satisfeito tal apetite, o malfadado prior, dormia ainda com um escravo adolescente de nome Joaquim Bento, que o acusou de abusar em seu vaso nefando noites seguidas quando não lá estavam as mulheres. Acusam-lhe ainda dois ajudantes de missa, infantes menores que lhe foram obrigados a servir de pecados orais, completos e nefandos, pelos quais se culpam em defeso de seus vasos intocados, apesar da malícia exigente do malfadado prior.

    ( agora vem o melhor )

    “El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou pôr em liberdade aos dezessete dias do mês de Março de 1587, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e, em proveito de sua real fazenda, o condena ao degredo em terras de Santa Cruz, para onde segue a viver na vila da Baía de Salvador como colaborador de povoamento português. El-rei ordena ainda guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo”.

  61. Chesterton said

    Os cinco
    generais presidente

    …VOCÊ SABE DISSO?

    REPASSANDO!!!

    OS GENERAIS PRESIDENTES… COMPARAÇÕES (JORNALISTA CARLOS CHAGAS).

    “Erros foram praticados durante o regime militar, eram tempos difíceis. Claro que no reverso da medalha foi promovida ampla modernização de nossas estruturas materiais. Fica para o historiador do futuro emitir a sentença para aqueles tempos bicudos.”

    Mas uma evidência salta aos olhos.
    Quando Castelo Branco morreu num desastre de avião, verificaram os herdeiros que seu patrimônio limitava-se a um apartamento em Ipanema e umas poucas ações de empresas públicas e privadas.

    Costa e Silva, acometido por um derrame cerebral, recebeu de favor o privilégio de permanecer até o desenlace no palácio das Laranjeiras, deixando para a viúva a pensão de marechal e um apartamento em construção, em Copacabana.

    Garrastazu Médici dispunha, como herança de família, de uma fazenda de gado em Bagé, mas quando adoeceu, precisou ser tratado no Hospital da Aeronáutica, no Galeão.

    Ernesto Geisel, antes de assumir a presidência da República, comprou o Sítio dos Cinamonos, em Teresópolis, que a filha vendeu para poder manter-se no apartamento de três quartos e sala, no Rio.

    João Figueiredo, depois de deixar o poder, não aguentou as despesas do Sítio do Dragão, em Petrópolis, vendendo primeiro os cavalos e depois a propriedade. Sua viúva, recentemente falecida, deixou um apartamento em São Conrado que os filhos agora colocaram à venda, ao que parece em estado lamentável de conservação.

    Não é nada, não é nada, mas os cinco generais-presidentes até podem ter cometido erros, mas não se meteram em negócios, não enriqueceram nem receberam benesses de empreiteiras beneficiadas durante seus governos. Sequer criaram institutos destinados a preservar seus documentos ou agenciar contratos para consultorias e palestras regiamente remuneradas.
    Bem diferente dos tempos atuais, não é? ”

    Por exemplo o Lulinha filho do Lula era até pouco tempo atrás funcionário do Butantã/SP, com um salário (já na peixada politica) de R$ 1200,00 e hoje é proprietário de uma fazenda em Araraquara, adquirida por 47 milhões de reais, e detalhe, comprada a vista.
    Centenas de outros politicos, também trilharam e trilham o mesmo caminho.

    Se fosse aberto um processo generalizado de avaliação dos bens de todos politicos, garanto que 95% não passariam, e seria comprovado destes o enriquecimento ilícito. Como diria Boris Casoy: “Isto é uma vergonha” , mas, a hora deles está próxima ……..

    E VIVA A
    “COMISSÃO DA VERDADE”!

    __._,_.___da internet

  62. elias said

    Zbigniew

    Não sei qual é o peso de cada um dos itens na formação da taxa final. Não li o trabalho todo. Esse tipo de trabalho é feito de um modo extremamente complexo. As perguntas às vezes nem parecem se relacionar com aquilo que realmente está sendo apurado, porque elas lidam com diferentes níveis de percepção. Para uma pessoa de nível cultural muito baixo, p.ex., falar em “políticas inclusivas” ou de “políticas de inclusão social” envolve um altíssimo grau de abstração. As perguntas têm que ser feitas de outro modo.

    Enfim, não é a minha praia. Não entendo nada desse troço. Apenas li os resultados mais genéricos. Me interessei pela coisa, porque sempre acreditei — e isso é senso comum — que a conduta reativa dos governos nos episódios de corrupção implica um custo político. A Dilma parece não estar pagando esse custo. Por que? Foi a resposta que procurei no monitoramento. Não encontrei.

    Daí que imagino — e só imagino, mesmo — que, como os partidos da oposição estão apenas repetindo o que diz a mídia, eles não conseguem capitalizar politicamente as denúncias que resultam em demissões de ministros. Face à inércia (ou inépcia) da oposição, quem acaba capitalizando isso é a própria Dilma. É a explicação que tenho pra meu consumo.

    No frigir dos ovos, o esforço denuncista da mídia acaba prejudicando políticamente a oposição e não o governo. Daí o “governismo involuntário” de que venho falando nesta lista. Daí, também, porque não concordo com as principais linhas de raciocínio da Inês Nassif, expostas no artigo que foi reproduzido acima.

    No passado, o Bob Fields já provocou esse efeito, também. Só que prejudicando o gobverno. Daí porque, de vez em quando, a ditadura pedia pra ele passar um tempo calado…

  63. elias said

    Pax # 54

    No passado, o SNI fazia o rastreamento da folha corrida do pessoal indicado pra ministério, secretarias nacionais, presidência de entes da Administração Indireta, etc. (só que esse rastreamento tinha um enfoque mais ideológico do que ético).

    Com a redemocratização, essa arapongagem foi oficialmente encerrada. Oficialmente. Se foi de fato abandonada essa prática, ninguém xe xabemos, né?

    Na maior parte dos casos, sabe-se mais ou menos que Fulano ou Sicrano tem tal ou qual rabo de palha. Nas negociações políticas, isso acaba tendo pouca influência, se o cara apresentar elementos demonstrando que ele pode se defender com êxito das acusações que pesam sobre ele.

    A questão é que, hoje, é muito difícil o sujeito ter um mínimo de visibilidade política e não aparecer alguém acusando-o disso ou daquilo, com ou sem elementos de convicção comprovando as acusações. Tem, ainda, aquele papo da denúncia seletiva… Tem aquela denúncia que some como por enquanto, quando o denunciado libera uma graninha maneira em verbas de publicidfade do denunciante… Tem…

    Daí porque o negócio é operar com quem tem a obrigação de fazer certas coisas.

    O papel da CGU é, exatamente, identificar disfunções — irregularidades e impropriedades técnicas — ANTES do TCU, exatamente para que, ANTES da chegada do TCU, o governo possa adotar medidas saneadoras, exercitando o princípio da autotutela, que deriva do princípio da legalidade, etc e tal… A autotutela pode ser mais rápida e flexível. Ela opera pelos conceitos de legalkidade e de oportunidade. Já o TCU só pode operar o conceito de legalidade. Por isto ele é lento. Qualquer mínima falha que ele cometa, um esperto aproveitará pra anular todo o processo, e sair por cima.

    A CGU TEM que chegar antes, favorecendo a autotutela, ou não estará cumprindo sua missão proativamente. É difícil? Provavelmente é. Mas saiba que os caras são muito bem remunerados pra fazer esse serviço. Além disso, se candidataram ao cargo que ocupam pra fazer esse serviço, declarando-se devidamente qualificados pra isso.

    Pois que façam, ora pois…

    Duvido que o problema seja técnico… Acho que é, muito mais, uma estratégia que está sendo posta em prática.

  64. Zbigniew said

    Tambem um ofitopique: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/chavez-manifesta-apoio-a-carlos-o-chacal. Eu nao digo que esse Chavez e um porra-loca.

  65. Chesterton said

    ele tem metastases cerebrais, por supuesto…

  66. Pax said

    Prezados,

    Dois artigos que nos fazem entender o modelão. Um do bom Paulo Moreira Leite – Época – que fala do afastamento do PSDB do povo, o que o afasta, ao mesmo tempo, do poder. Muito bom. E melhor ainda porque acaba de ter uma reunião da alta tucanagem no Rio e parece que a coisa não mudou em nada.

    Aqui: PSDB precisa redescobrir o povohttp://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/2011/11/10/psdb-precisa-redescobrir-o-povo-2/

    E outro da Renata Lo Prete – da Folha, mostra que se o PSDB quer empunhar a bandeira da moralidade, da ética, está com o mastro quebrado.

    Vou reproduzir o texto – link para assinantes aqui: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po0911201101.htm

    Caiu a ficha Geraldo Alckmin desistiu de incluir, no pacote anunciado ontem para aumentar a transparência em sua gestão, decreto que instituiria a Ficha Limpa para o funcionalismo paulista. A medida, já adotada em Minas, forçaria o afastamento de José Bernardo Ortiz, aliado histórico do tucano instalado na FDE. Ele tem condenação em segunda instância.

    mas… Renata Lo Prete também toca num ponto nevrálgico para o o PT

    Sem fundo 1 O Planalto e o PT começam a concluir que, tal qual na época de José Roberto Arruda (DEM) e, depois, da administração interina, ninguém sabe ao certo o tamanho da encrenca no governo do Distrito Federal.

    Sem fundo 2 No entender de aliados, Agnelo Queiroz comprou um problema adicional ao escantear o vice, Tadeu Filipelli (PMDB), de decisões recentes. Agora, além do contencioso com seu ex-partido, o PC do B, o governador pode ter arranjado um inimigo mais perigoso.

    termino por dizer: Quo vadis, PSDB?

    Assim fica fácil para o PT. E ruim para o Brasil. Porque o PT sem uma forte oposição, acaba metendo os pés pelas mãos. Basta ver o Agnelo para sustentar minha afirmação.

    É ou não?

  67. elias said

    Pax,

    E o artigo do Paulo Moreira Leite ainda contém um grave erro, que o PSDB e a oposição brasileira em geral têm cometido reiteradamente.

    Observe, p.ex., que ele coloca como base pra estratégia política a tal da “porta de saída” pro bolsa-família. Ou seja: tal como o PSDB e a oposição em geral, ele acreditava que a política de inclusão social do governo Lula se baseava exclusivamente na transferência direta de dinheiro público a famílias de baixa renda.

    Claro que não era nada disso, como todos os alfabetizados estavam carecas de saber. Agora não dá mais pra negar. Já está mais do que claro que a base da pirâmide esta respondendo por um consumo estimado em 1 trilhão/ano, mais ou menos. Um cestão onde, a cada ano, cabem vários bolsas-família de vários anos, empilhados.

    Fiel a si mesma, a oposição continua achando que, se ela negar obstinadamente a existência de algo, esse algo realmente deixará de existir. Ela acha que tem que negar a existência e a eficácia da política inclusiva de Lula e, para desqualificá-la, parte pra abstração de um tal endividamento interno (aliás, fingindo não saber que a maior parte do endividamento interno brasileiro cabe aos Estados e Municípios).

    Basicamente, é o que o PSDB está fazendo.

    Algo assim como se, em 2002, o PT continuasse dizendo que o Plano Real era só um “plano eleitoreiro”, que o Plano Real seria incapaz de dar um combate consistente à inflação galopante, etc…

    Pro PSDB se “redescobrir o povo”, pra início de conversa ele tem que sair da camisa de força das abstrações pseudotécnicas (a maior parte delas tem pé quebrado, como os fatos depois demonstram: é só conferir as “projeções” tucanas sobre evolução da inflação, do PIB, etc.; hoje, quase ninguém mais fala do cara que, no início do ano, sob entusiásticos aplausos tucanos, lotou auditórios “demonstrando tecnicamente” que, no 1º semestre de 2011, a inflação ia subir aceleradamente e o PIB ia despencar…).

    No meu achismo, o PSDB precisaria partir para as propostas concretas, que fossem diferentes daquilo que os governos petistas vêm fazendo e que, de algum modo, contemplassem noções de carência da parcela do eleitorado que lhe virou as costas.

    E é isso que eu não vejo ninguém tentar…

    Quanto ao discurso da “moralidade”, ele é apenas uma cópia muito mal feita do que fazia a falecida UDN, no final dos anos 1950/início dos 1960.

    Dificilmente isso emplaca, acho, por vários motivos. Eis alguns:

    a – no tal “discurso moralizante”, o PSDB e a oposição em geral estão a reboque da grande imprensa, cuja capacidade de formar opinião há muito tempo despencou (como as eleições de 2010 demonstraram fartamenmte, a “grande imprensa” fala mais pra quem já pensa como ela, mas não agrega novas simpatias);

    b – diferentemente da UDN no passado, o PSDB e a oposição já estiveram no poder, e o povão há muito tempo sacou que a roubalheira foi a mesma, ou talvez até pior, porque o PSDB não investigou nem puniu ninguém;

    c – a esmagadora maioria dos brasileiros acha que, em regra, TODOS os políticos são ladrões em potencial; que é só uma questão de oportunidade e de não ser apanhado com a boca na botija; e que político acusando outro de ladrão é o mesmo que sujo falando do mal lavado…

  68. Pax said

    Caro Elias,

    O deslize do artigo do PML não desdiz a essência do que ele quer dizer. Ou seja, já em 2006 o PSDB não sabia para onde ir. Agora em 2011 continua no mesmíssimo lugar.

    Essa é a essência da coisa, do dito, do escrito.

    Com relação a questão da pose vestal do PSDB então trouxe o segundo artigo que citei no meu comentário acima. Da inacreditável postura do governador de SP para proteger seu “Paulo Preto”, como se quisesse não cometer o mesmo erro do Serra.

    Aqui em Sampa existe uma enorme parcela da classe média alta que vê em Alckmin um grande gestor, um cara posudo, que defende… bem, defende o sonho deles de serem muito à acima do tal do povão.

    Só que este governador, meu caro, tem muito a se explicar. Da Daslu pra frente. Quer mais ou posso parar por aqui?

    Acontece que…

    A fraqueza de rumo, o distanciamento da grande massa da sociedade, a bunda de fora nas questões éticas e morais da oposição não podem, de forma alguma, justificar os graves erros que a situação tem cometido.

    Uma coisa é o outro lado ser fraco.

    Outra é o lado do poder achar que tudo pode.

    Não pode

    Uma hora a casa cai.

    É disto que o post, de forma geral, trata. Como você já bem percebeu.

  69. elias said

    Pax,

    Certamente que o deslize não desqualifica a mensagem final.

    Citei o deslize, apenas pra registrar o quanto as mais bem intencionadas análises sobre o governo Lula pecam pelo excesso de simplificação e pela tendência em minimizar o acerto de uma estratégia política extremamente complexa, bem desenhada e colocada em prática com muita competência.

    Só pra contrastar, cito o italiano Pier Carlo Padoan, secretário-geral adjunto da OCDE, que, segundo a BBC Brasil, “vê o Brasil como uma `história de sucesso` no contexto da crise financeira global porque soube encontrar um novo equilíbrio entre o livre mercado e a intervenção do Estado na economia.”

    Se isto for lido por alguns oposionistas brasileiros, vai faltar pouco pra que eles digam que a OCDE, tal como o New York Times, a BBC e o Financial Times, são aparelhos do Foro São Paulo, a serviço da camarilha comunopetistabolivarianachavistafidelista.

    Afinal, nos olhos dele, a gestão petista é só Estado e corrupção…

  70. Edu said

    Elias disse tudo.

    Mas para mim não se trata mais de discurso, e nem de falsas demonstrações de competência.

    A mídia impede que o discurso seja acreditado, e as demonstrações públicas de competências com dados e estatísticas a população não entende.

    Para mim o que tem que mudar é a atitude política mesmo, e tudo em torno da transparência, coisa que ambos os governos fingem, mas ninguém se preocupa de verdade com isso.

  71. Chesterton said

    Lula compra banco quebrado. PT recebe doação por debaixo do pano.
    O banco PanAmericano doou R$ 300 mil para o diretório nacional do PT em maio do ano passado, poucos meses antes do início da campanha que levou a presidente Dilma Rousseff ao Planalto. A contribuição foi contabilizada regularmente pelo partido, mas foi feita de maneira dissimulada pelo banco, que usou empresa com a qual tinha relações comerciais para fazer o repasse e disfarçar a origem do dinheiro. A doação foi feita poucas semanas depois do início das investigações do Banco Central que apontaram fraudes nas operações do PanAmericano e mais tarde revelaram um rombo de R$ 4,3 bilhões na sua contabilidade. A informação sobre a contribuição disfarçada consta de relatório de auditoria do próprio banco.

    Na mesma época em que a doação foi feita, a instituição discutia com a cúpula do PT a contratação de uma de suas empresas para viabilizar o uso de cartões de crédito para captar doações eleitorais na internet.As prestações de contas da campanha de Dilma não registram nenhuma contribuição feita diretamente pelo PanAmericano ou por empresas do grupo financeiro. Na campanha da reeleição de Lula, em 2006, o PanAmericano doou R$ 500 mil para o PT usando empresas controladas por seus executivos para disfarçar a origem do repasse, como a Folha informou domingo. A doação do ano passado foi feita por uma empresa chamada Light Promotora de Vendas e Serviços, que era dona de seis lojas franqueadas pelo PanAmericano para promover seus produtos.

    De acordo com o relatório preparado por auditores internos do PanAmericano, a empresa recebeu recursos do banco por ter prestado serviços à administradora de cartões do PanAmericano e depois justificou o recebimento do dinheiro apresentando o recibo da doação ao PT. O depósito foi feito em dinheiro no dia 28 de maio do ano passado e a Light recebeu os recursos do PanAmericano dois meses depois, conforme o relatório obtido pela Folha. Os auditores examinaram os livros do PanAmericano no início deste ano, depois que o BTG Pactual comprou as ações do empresário Silvio Santos e assumiu o controle do banco. O relatório foi encaminhado ao Banco Central e à Polícia Federal, que abriu inquérito para investigar o uso de recursos do banco para contribuições políticas. No mesmo dia em que o PanAmericano fez a doação ao PT em 2010, o então presidente do banco, Rafael Palladino, tinha uma reunião marcada com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto.( Da Folha de São Paulo)
    POSTADO POR O coronel

  72. Chesterton said

    Presídios do sul da Califórnia passarão a cobrar diária de US$ 142 dos detentos
    DO UOL Notícias*
    Em São Paulo

    O condado de Riverside, no sul da Califórnia, passará a cobrar de seus presos diárias no valor de US$ 142. A medida, aprovada pelo conselho de supervisores da cidade na última terça-feira (8), visa economizar de US$ 3 a US$ 5 milhões por ano com o sistema carcerário.
    Nem todos os presos, no entanto, serão obrigados a pagar a taxa. O município irá avaliar o caso de cada prisioneiro para identificar quais têm condições de pagar pela “hospedagem”.
    A taxa integra o esforço da Califórnia em minimizar o buraco do orçamento. Outros Estados também têm considerado adotar medidas extremas a fim de cortar custos relacionados ao sistema prisional. Em Washington, as autoridades avaliam a possibilidade de deixar milhares de ex-presos atualmente em liberdade condicional sem supervisão, na tentativa de cortar custos, segundo o “Seattle Times”. No Texas, desde abril, os prisioneiros recebem apenas duas refeições por dia nos fins de semana, como medida de economia. Em Camden County, Geórgia, prisioneiros estudam liberar detentos para trabalhar como bombeiros e assim, ajudar a lidar com problemas de orçamento.
    Mas há alguns Estados que não seguem a tendência. Em Minnesota, por exemplo, funcionários do sistema carcerário argumentam que os cortes propostos para o sistema carcerário colocariam em risco a segurança pública, de acordo com a “CBS Minnesota”.
    Apesar de ser agravado pelos efeitos prolongados da crise financeira nos Estados Unidos, o problema de muitos sistemas prisionais norte-americanos está relacionado também ao crescimento do número de criminosos cumprindo penas de prisão perpétua. Segundo dados oficiais, o número de presos nesta condição quadruplicou entre 1984 e 2008.
    O presidente Barack Obama incluiu no orçamento para os anos fiscais 2011 e 2012 um aumento de 10% no financiamento para os presídios federais, elevando o total para mais de US$ 6,8 bilhões, de acordo com a publicação “Mother Jones”.

  73. Patriarca da Paciência said

    “O condado de Riverside, no sul da Califórnia, passará a cobrar de seus presos diárias no valor de US$ 142. A medida, aprovada pelo conselho de supervisores da cidade na última terça-feira (8), visa economizar de US$ 3 a US$ 5 milhões por ano com o sistema carcerário.”

    Ou seja, Chesterton, como diz o credo de vocês, “neoliberais”, ” não há almoço de graça”.

    Mas como diz o credo de vocês também, “quem paga tem direitos”.

    Ou seja, os presos “californianos” passarão a ter “direitos de serem bem tratados”.

    Imagino a miríade de ações que os famintos advogados “estadunidenses” já estão preparando para exigir conforto e bem estar dos seus “clientes”.

    Vai ser uma b eleza!

  74. Chesterton said

    A primeira coisa que um condenado perde é o direito constitucional de ir e vir.

  75. Zbigniew said

    Impressionante! Até q ponto chega a hipocrisia do Estadão. Quer dizer q se o Ministro se antecipa (que e o q devia ter feito) o jornal estrila?! Mas são muito caras-de-pau.

    “Lupi usa site do ministério do Trabalho para vazar reportagens

    Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo

    O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, está usando um blog do ministério para vazar as reportagens que estão em apuração pelos órgãos de imprensa. Em nota, a assessoria de imprensa do ministério diz que, a pedido de Lupi, todas as demandas encaminhadas pelos jornalistas à assessoria de comunicação da pasta serão publicadas com respostas no blog.mte.gov.br. O blog, porém, publica respostas a perguntas de apuração que ainda está em andamento.

    Procurada pelo Estado, a assessoria do ministério informou que a ordem de Lupi é publicar os questionamentos e as respostas no mesmo dia em que são enviados ao ministério, mesmo que a reportagem não seja publicada pelo órgão de imprensa. Ou seja, com a apuração em andamento e, na maioria dos casos, reservada. “Esta medida, decidida pelo Ministro Carlos Lupi, tem o objetivo de levar mais transparência aos questionamentos feitos pela Imprensa, e que muitas vezes, sequer levam em considerações as respostas do MTE”, diz a nota do ministério.

    A prática do Ministério do Trabalho é semelhante à adotada pela Petrobras em 2009. Na época, em meio a denúncias de desvios de recursos, a Petrobras criou um blog para publicar as respostas às demandas da imprensa. Inicialmente, o blog chegou a publicar informações sobre apurações em andamento. Entidades como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e Associação Nacional de Jornais (ANJ) repudiaram a postura da Petrobrás. A empresa então mudou de postura e hoje só divulga as respostas após a publicação da referida reportagem.

    http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2011/11/10/lupi-usa-site-do-m…”

  76. Edu said

    Zbig,

    Bem feito para o Estadão. Só que as justificativas apresentadas são bem vagabundinhas hein?

    Exemplo:

    “1) Por que o ministro foi pessoalmente assinar um convênio com uma entidade que, àquela altura, já era investigada criminalmente pela Polícia Federal?

    MTE – Informamos que não é de competência do Ministro do Trabalho e Emprego assinar convênios, e sim o secretário de Políticas Públicas de Emprego. O Ministério do Trabalho e Emprego não recebeu notificação da Polícia Federal quanto a investigação realizada no âmbito da Entidade. À época nos restringimos às informações que tínhamos, isto é, a Entidade cumpria, até o momento, todos os requisitos para celebração de convênio que foi firmado via Chamada Pública.”

    Ou seja, o Lupi, que é o ministro:

    1 – Aparentemente não está nem aí para o que o secretário de Políticas Públicas de Emprego está assinando.

    2 – Não se interessou em saber se havia quaisquer irregularidades, quem teve que fazer isso foi a PF.

    3 – Restringir-se às informações que tem é lindo: se vc não tem informação, tudo bem?

    Pô! Quero uma vaga de emprego no ministério do trabalho! Ninguém precisa saber de nada para fazer o trabalho…

    Eu trabalho em empresa: na segunda vez que um chefe pergunta pra um gerente alguma coisa e o gerente não sabe, ele é sumariamente demitido. Esse cara cuida de verbas bilionárias, não sabe das coisas, e ainda quer permanecer no cargo. Só na política brasileira mesmo.

    Ainda assim, acho louvável a tentativa, ainda que mal feita, de transparência do Sr. Lupi.

  77. iconoclastas said

    ““Esta medida, decidida pelo Ministro Carlos Lupi, tem o objetivo de levar mais transparência aos questionamentos feitos pela Imprensa, e que muitas vezes, sequer levam em considerações as respostas do MTE”

    isto é uma palhaçada.

    faz parte do trabalho da imprensa questionar e publicar. é o serviço que ela vende.

    ninguém, nem o ministro, é obrigado a colaborar com este ou aquele órgão. a obrigação de qualquer servidor público, e principalmente de um ministro de estado, é prestar esclarecimentos sobre suas atividades, mas não necessariamente através do Estadão, Globo ou o que for.

    por questões de espaço, tempo, linha editorial e etc, é natural que haja edição, diversas vezes muito porca, sem dúvida. acontece que nada disso dá o direito do sujeito divulgar sem acordo prévio o teor do trabalho de terceiros, antes que este seja oferecido ao público por aqueles que de fato o produziram. se trata de uma violação do exercício de uma atividade. é grotesco.

    ;^/

  78. Zbigniew said

    Peraí. O negócio tá meio kafkaniano. O jornal manda perguntas para o Ministério e não quer que o mesmo responda no próprio blog, antes da publicação da sua veiculação comercial, sob o argumento de que são perguntas em apuração. Ô, tão bonzinhos! Agora querem que o governo se submeta às regras do mercado… num blog!!! Só faltava essa!

    Oi?! Tão com medo do blog do Ministério que não deve ter os acessos que uma empresa capitalista como o Estadão tem?! Sei!

    Edu,

    pois é. Essa acomodação política quase sempre coincide com a falta de apetência gerencial. O sujeito deveria, pelo menos, ter a aptidão para se cercar de técnicos competentes. Mas é o tal preço da governabilidade.

  79. Zbigniew said

    Mais um ofitópique.

    Aqui é para aqueles que acreditam que “populismo” é coisa pra brasileiros e latino-americanos. Na hora do arrocho somos todos iguais, “farinha pouca, meu pirão primeiro…”

    O Lobby Americano contra a Embraer

    “Ari Cunha e Circe Cunha

    Centro de Pesquisas da direita norte-americana está unido para atacar a Embraer e oferecer o contrato da americana Hawker Beechcraft. Jeffrey Mazzella considera apavorante “uma empresa subsidiada e controlada por governo estrangeiro, às vezes hostil aos interesses norte-americanos, produzir equipamentos de defesa dos EUA”. Diz ainda que “outra arma é o populismo em meio à crise dos Estados Unidos”. A Hawker pensa que, vencendo a concorrência, manterá 1.400 empregados, 800 deles no Kansas.(…)

    Leia mais (Read More): Poder Aéreo – Informação e Discussão sobre Aviação Militar e Civil”

  80. Pax said

    Nada mais a dizer:

    http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_aonde_a_vaca_vai

    vale cada segundo de “degustação”.

    Mas… cá entre nós… na boca miúda porque é miúda mesmo, neste feriado, se não hover nadas mais notável, devo escrever sobre:

    “Dilma, eu te amo”

    e

    “O que passou… passou”

    Ou seja,

    Estamos num momento, no mínimo, engraçado.

    Um pouco mais…

    E a tal da crítica que o FHC fez ao Aécio que: “ô cara, se liga aí….tem um povo ali”

    Entre falta de tempo e assunto novo, o segundo ganha de goleada.

  81. Zbigniew said

    Olha, o FHC ta com algum problema. Depois reclamam qdo o PT tira uma casquinha.
    http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2011/11/08/enquete-fhc-sugeriu-yes-we-care-como-slogan-do-psdb-funciona/

    Esses tucanos só podem estar de brincadeira.

  82. Pax said

    Inacreditável, caro Zbigniew…

    ou seria melhor dizer

    believe it or not

    =)

    Realmente estamos num momento, no mínimo, engraçado. Cada uma que aparece. Mas o campeão de varadas tem sido o nosso Carlos Lupi. Deveríamos até fazer uma enquete.

    Qual a “melhor”?

    – Dilma, eu te amo
    – O passado passou
    – Yes, we care

    Confesso que não sei, mas tendo a ficar com nosso “bala de grosso calibre”.

  83. Zbigniew said

    Pax,
    o Lupi (entre outros), parece ser aquele tipo falastrão. Outro dia tinha uma foto dele beijando a mão da Dilma, todo desengonçado. Fico pensando o q a Dilma tem q engolir para manter a tal governabilidade.

    Agora, essa do “yes, we care”… sei não. Realmente as pessoas estão perdendo o senso do ridículo.

  84. Pax said

    Essa do “Yes, we care” associada com o post do Josias que aponta críticas de FHC para o Aécio, dizendo basicamente que ele não entra no jogo, evita bola dividida etc é um sintoma do tucanato que não sabe ainda pra onde ir. O resumão é este. Desde 2003 estão perdidos. Não acham um rumo. O que não é bom para o país.

    O Lupi, caro Zbigniew, não me parece ter estofo para estar onde está. No mínimo isto.

  85. Zbigniew said

    Concordo,
    precisamos de uma boa oposição. Não e bom um governo totalmente a vontade no poder. Mas, meu Deus do Céu! Quem tem estofo nesta oposição?! O FHC vem falando da necessidade de se aproximar do povão. Mas como isso vai ocorrer se essas lideranças q aí estão, inclusive ele, não tem vocação para o povão?
    O PSDB assim como toda a oposição vai a reboque da mídia engajada. Neste ponto acho um desastre q partidos políticos necessitem dessas empresas para fazerem politica. Com Estados importantes a oposição teria, em tese, musculatura para empreender seus próprios projetos de poder. Mas, onde estão suas lideranças? Ou melhor, onde estão as boas idéias?

  86. Chesterton said

    FHC é parcialmente culpado, pois votou no Lula no primeiro mandato.

  87. elias said

    Interessante é que 15 em cada 10 analistas da oposição têm passado os últimos 8 anos e 11 meses dizendo que o governo é que está sem rumo…

    O que dá uma idéia do rolo em que eles estão metidos.

  88. Chesterton said

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/8593-a-usp-e-a-folha.shtml

    Olavão na Folha

    ———————

    Elias, o fato de um estar sem rumo não elimina a hipótese de outro tambem estar sem rumo.

  89. elias said

    “…o fato de um estar sem rumo não elimina a hipótese de outro tambem estar sem rumo.”

    Isso é verdade. Mas o fato de organismos como a OCDE e publicações como o Financial Times, a Economist e o New York Times elogiarem a competência com que o governo brasileiro vem enfrentando a crise, também deve significar alguma coisa, né?

    A menos que todo esse pessoal também tenha se tornado agente a serviço do Foro SP, ou de Hugo Chavez, por aí, parece que algo não bate bem nas análises da oposição.

  90. Olá!

    Crises econômicas vêm e vão. São o tipo de coisas que sempre irão existir.

    Outros governos brasileiros também enfrentaram crises sob as mais diversas conjunturas internas e externas. Alguns tiveram condições mais favoráveis para lidar com essas crises, enquanto que outros não puderam contar com o mesmo tipo de cenário.

    O problema é que, de 2003 em diante, o país perdeu o rumo das reformas estruturais. Pelo menos nisso o governo do PT pode se vangloriar: Foi o único governo que, de 1985 até hoje, não tentou uma reforma que fosse. O Governo Sarney, o Governo Collor, o Governo Itamar e o Governo FHC, todos tentaram alguma coisa, alguns foram mais bem sucedidos do que outros. Porém, o Governo Lula não tentou absolutamente nada nesse sentido. Opções não faltaram (reformas tributária, política, fiscal, da educação e etc. . .).

    Por exemplo: Cadê a reforma agrária que a esquerda brasileira tanto pedia quando era da oposição? Nada. . . nada mesmo.

    Ao que parece, o Governo Dilma seguirá a mesma senda do seu antecessor. Quem perde mesmo é o país.

    Enquanto isso, os índices sociais e econômicos do Brasil permanecem ruins.

    Até!

    Marcelo

  91. elias said

    Pois é…

    Já Secretário Executivo Adjunto da OCDE acha que o Brasil se saiu melhor no enfrentamento da crise econômica exatamente porque soube estabelecer um novo equilíbrio entre iniciativa privada e intervenção do Estado no domínio econômico.

    Quanto aos indicadores sociais, acontece que, nos últimos 8 anos, a classe C passou a representar mais de 50% da população, suplantando a soma das classes D e E que, antes, faziam a maioria.

    Acontece, também, que a classe C representa 46% do consumo total do país, suplantando a soma das classes A e B, que antes faziam a maioria e, agora, totalizam 44% do consumo.

    Como diz o italiano da OCDE: isso aí está muito acima e muito além das clássicas explicações tipo “são os programas assistenciais”, ou “é a exportação”…

    O fato é que o Brasil continuou crescendo mesmo quando a crise estourou e as exportações se reduziram.

    Além disso, o consumo da classe C é muito maior que a soma de todos os programas assistenciais de pelo menos uns 10 anos…

    Ao que parece, a oposição tem dificuldade até mesmo em saber o que está acontecendo no Brasil. O discurso dela está congelado no Brasil de uns 15 ou 20 anos atrás.

    Não admira que ela não consiga formular uma proposta que ela mesma acredite ser melhor. Não admira que, no ano passado, o melhor discurso do Serra foi quando ele disse que saberia dar continuidade à política do Lula melhor que a Dilma.

    Era o tácito reconhecimento do vazkio de idéias que caracteriza a oposição brasileira, hoje.

  92. Olá!

    Falar que o Brasil encontrou um novo tipo de harmonia entre o sistema de livre iniciativa e a presença estatal na economia só pode ser piada de mau gosto. Um país onde o empreendedor leva 120 dias para legalmente abrir o seu negócio está bem longe de ter encontrado qualquer harmonia que seja. Sem contar a corrupção que isso traz consigo.

    O problema dos indicadores sociais e econômicos brasileiros consiste na boa vontade utilizada para fazer determinadas classificações. Por exemplo, no Brasil, qualquer pessoa que ganhe acima de R$ 1500,00 mensais é considerada classe média. Com um valor desses, não há nivelamento pela paridade do poder de compra que dê jeito para mostrar que o Brasil não é mais um país pobre.

    Aliás, uma parcela considerável dos americanos pobres seria considerada classe media no Brasil. Sem ironia nenhuma.

    É excelente que as classes mais humildes estejam consumindo, pois é exatamente esse o objetivo do livre mercado e do sistema de livre iniciativa: Oferecer opções de consumo para as mais variadas classes sociais. Não há dúvidas: Esse consumo é bom.

    Apenas um lembrete para que um fato não seja posto literalmente no ralo da memória: É complicado de não notar a ironia nisso, pois os pilares econômicos, que permitiram que os mais pobres se tornassem consumidores, foram combatidos vorazmente pelo PT quando na oposição.

    Vale lembrar que no ano de 2009 houve uma leve retração do crescimento econômico brasileiro.

    Propostas existem. Pontos a serem trabalhados existem. O problema é que, em ambos os lados, há uma falta de políticos que queiram, de fato, converter esses tópicos em política de Estado. Reforma estrutural não é para qualquer um.

    Mas assim caminha o Brasil: 6o PIB mundial e 84o IDH.

    Até!

    Marcelo

  93. Chesterton said

    Isso é verdade. Mas o fato de organismos como a OCDE e publicações como o Financial Times, a Economist e o New York Times elogiarem a competência com que o governo brasileiro vem enfrentando a crise, também deve significar alguma coisa, né?

    chest- Dilma está montada nos dólares que Meirelles estocou, porém, tem uma dívida interna muito alta e uma carga tributária absurda. Não é uma fórmula muito eficiente, ainda que funcione nu curto prazo. Rezo todos os dias para que a gestão da economia do governo Dilma seja um sucesso, pois não sou petista.

  94. Chesterton said

    nu=no

  95. elias said

    “Falar que o Brasil encontrou um novo tipo de harmonia entre o sistema de livre iniciativa e a presença estatal na economia só pode ser piada de mau gosto.”

    Deve ser uma piada mesmo. E o humorista é Pier Carlo Padoan, secretário-geral adjunto e economista-chefe da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em entrevista à BBC, conhecida agência de comediantes venezuelanos.

    Já a oposição brasileira é séria!

    Aliás, não é séria. É um caso sério…

    Já os “dólares que o Meireles estocou” estão bancando o consumo de R$.1,0 trilhão por ano da classe C.

    Alguém poderá perguntar: “Mas os dólares não estão estocados? Se estão estocados, como podem estar sendo transformados em consumo da classe C?”

    Não faço a menor idéia… Encaminhem as dúvidas ao autor da tese, aí acima…

  96. Chesterton said

    Alguém poderá perguntar: “Mas os dólares não estão estocados? Se estão estocados, como podem estar sendo transformados em consumo da classe C?”

    chest- porque são a fiança à entrada de mais dinheiro de fora, que financia o consumo.

  97. elias said

    Então é isso! O Meireles estocou dólares, que servem de fiança pro “dinheiro de fora” que financia o consumo.

    Alguém poderá perguntar: mas — caramba! — é R$ 1,0 trilhão por ano, às vezes mais que isso. Se isso está sendo financiado com “dinheiro de fora”, quem está tomando emprestado? (A classe C não pode ser. Ela não tem acesso a isso…). E, se está entrando dinheiro “de fora”, quem está emprestando? (já que o setor financeiro dos países ricos está enfrentando uma baita crise de liquidez…). Por fim, se está entrando tanto empréstimo “de fora” assim no Brasil, como é que o país é credor, e não devedor externo?

    Não tenho a menor idéia de como responder a essas perguntas. Recomendo que as dúvidas sejam encaminhadas ao Chesterton.

  98. Olá!

    De uns tempos para cá, se tornou comum os petistas e demais esquerdistas brasileiros utilizarem jornais e revistas estrangeiros, bem como declarações de algumas lideranças de órgãos multilaterais, como prova de que o governo atual e o anterior são o maior exemplo de sucesso governamental que o país já conheceu e etc., etc., e etc.

    Bem mais do que reconhecer determinados avanços que houve nos últimos anos, essas reportagens e declarações colocam em evidência algo que, para um observador de fora, talvez não esteja muito claro, muito evidente: A drástica mudança de valores econômicos que o PT se submeteu a partir do Governo Lula em diante, adotando medidas que, quando na oposição, o PT tanto combateu. Não há como negar esse fato. Tanto isso é verdade que o Lula foi buscar no PSDB uma pessoa para presidir o Banco Central. Talvez isto seja um caso único na história.

    Foram exatamente tais valores que permitiram a ascensão de algumas pessoas ao mercado consumidor e à sua respectiva melhora no padrão de vida. Se o Brasil fosse depender dos valores que o PT tinha antes do Governo Lula, o Brasil seria, hoje, o mais ocidental dos países da África Subsaariana.

    Sorte que esse senhor da OCDE não vive no Brasil. Aliás, essa é a mesma OCDE que promove o teste educacional PISA, no qual o Brasil ficou entre as últimas colocações. Perguntem a tal senhor se ele gostaria de trocar o sistema educacional da Itália pelo sistema brasileiro.

    Uma coisa é país ter recursos temporários para lidar com uma crise. Outra, bem diferente, é ter estruturas sociais, econômicas e educacionais para manter um bom padrão de vida aos seus cidadãos durante a crise e, sobretudo, quando a crise for embora. Isto, infelizmente, o Brasil não tem.

    Até!

    Marcelo

  99. Olá!

    Off Topic

    Um assunto que muito me interessa é a época em que houve no Brasil a reserva de mercado na informática. Considero que as circunstâncias, valores e interesses envolvidos em tudo aquilo representam um caso arquetípico de como o Estado e determinados grupos podem atuar em sincronia para prejudicar o consumidor, isto é, o cidadão comum.

    Os partidários da reserva de mercado utilizavam os mais variados argumentos para defendê-la, coisas que iam da Soberania Nacional, da independência tecnológica e da Segurança Nacional a até mesmo evitar a intromissão dos grupos transnacionais nos assuntos internos do Brasil e a dominação estrangeira sobre o país.

    No final de tudo isso, o Brasil e a sua reserva de mercado nunca conseguiram produzir um computador nacional que fosse e, muito menos, dominar a tecnologia dos semi-condutores (o PT tentou estabelecer uma estatal dos semi-condutores e a única coisa que saiu disso foi oceano de corrupção). A única coisa que houve de fato foi a implantação de uma grande rede de empresas que se especializaram em clonar os computadores pessoais (os PCs) americanos e a vendê-los por um preço exorbitante — por exemplo, um PC original vendido a U$ 450,00 no exterior era vendido, aqui, por U$ 2250,00(!!!) na sua versão clonada, isto é, pirata.

    Esse caso da reserva de mercado é arquetípico pelo fato de que ele representa a situação canônica dos monopólios estatais, das reservas de mercado, da atitude anti-liberal e etc. e de como tudo isso prejudica os consumidores. Se vocês observarem com atenção, os mesmos atores, argumentos, interesses, grupos e objetivos envolvidos no caso da reserva de mercado da informática também estavam (e estarão) presentes nos outros casos onde as mesmas coisas foram tentadas. Só mudam mesmo o figurino e os nomes dos atores, mas os objetivos escusos, a corrupção e demais efeitos deletérios que isso traz inescapavelmente estarão lá.

    É a velha história: A natureza humana é imperfeita e fixa, e as pessoas tendem a repetir os mesmos erros quando postas sob circunstâncias semelhantes.

    Pois bem, dada essa breve introdução sobre o assunto, gostaria de convidar os colegas a lerem dois artigos interessantes sobre a reserva de mercado na informática. Os autores são Edson Fregni, empresário que foi dono de uma das maiores empresas clonadoras dos PCs americanos (a Scopus), e o “amado” Roberto “Bob Fields” Campos. Vejam a diferença nos argumentos e vejam quais prognósticos se tornaram realidade.

    Esses artigos foram publicados na Folha de São Paulo em 23/06/1984.

    Até!

    Marcelo

  100. Chesterton said

    Ora Elias, o governo distribui (dá) dinheiro obtido de uma tributação elevadíssima e tem que pegar emprestado para fechar o caixa. Âncoras fiscal e cambial para uma farra de gastos que tem data para acabar, e a Europa esta aí para confirmar.

  101. elias said

    Agora entendi.

    O governo distribui (dá) o dinheiro da tributação. Aí esse dinheiro é transformado em consumo pelos recebedores da doação.

    Alguém poderá perguntar: mas o consumo é de R$ 1,0 trilhão por ano! Isso é várias vezes maior que as transferências diretas de renda do governo, de vários anos!! Como é possível isso? Será um milagre da multiplicação de dólares?

    Outro alguém poderá perguntar: se o governo precisa de empréstimo pra fechar o caixa, como é que ele está operando com superávit?

    Um terceiro alguém ainda perguntará: mas, o empréstimo não é externo (pro Meireles estocar dólares)? Se o governo precisa pegar empréstimo externo pra fechar o caixa, como é que ele vem se mantendo credor externo, e não devedor?

    Não sei, pessoal. Realmente não sei… Perguntem pro Chesterton…

  102. Chesterton said

    exato, uma bolha, um Ponzi Scheme.

  103. elias said

    Exato? Uma bolha? Ponzi?

    Alguém poderá questionar: que papo é esse de “Ponzi”? Esquema Ponzi é uma pirâmide financeira de captação de recursos, em que o rendimento dos recursos já captados é proporcionado por novas captações. O que é que “Ponzi” tem a ver com o que está sendo debatido?

    E complementará: está se debatendo o consumo da classe C que: (a) é várias vezes maior que toda a renda assistêncial transferida pelo Estado a pessoas físicas, nas esferas federal, estadual e municipal; e (b) corresponde a 46% do consumo total, suplantando a soma do consumo das classes A e B, que é de 44% do consumo total. O item (a) significa que o consumo da classe C já se descolou da renda assistencial. Já o item (b) significaria um substancial estreitamento da base da pirâmide social brasileira (a classe C representa 50% da população e 46% do consumo).

    O tal alguém poderá insistir: o que diabos isso tem a ver com “Ponzi”?

    Não sei. Realmente não sei. Melhor encaminhar os questionamentos ao Chesterton…

    Só sei que, se o estreitamento da base da pirâmide está acontecendo descolado da renda assistencial, então a análise econômica que a oposição fazia foi pro brejo, mesmo. Dançou!

    Quero ver ela fazer outra, sem dar a mão à palmatória…

  104. elias said

    Pax,

    Com mil perdões, outro ofitópique:

    Parece que a rede varejista chilena Cencosud vai ampliar ainda mais sua presença no Brasil.

    Segundo terceiros, em janeiro próximo ela comprará a rede de supermercados Presunic, do Rio. Diz que a transação será de quase 390 milhões de dólares.

    Alguéns daqui provavelmente diriam à Cencosud pra ela não fazer isso; que no Brasil os encargos sociais são muito altos; que a burocracia pra se criar uma empresa no Brasil é muito complicada; que no Chile é muito melhor; etc.

    Ao que os morubixabas do grupo chileno provavelmente responderiam: “Crianças, empresa vive de lucro, não de blá-blá-blá pseudo-ideológico. A empresa vai pra onde existe perspectiva de lucro, o resto é lantejoula. Estamos aplicando 390 milhões de verdinhas aqui no grandalhão, porque aqui no grandalhão estão as melhores perspectivas do subcontinente. Tornou-se a terra da oportunidade; a bola da vez. Certo que tem uma burocracia que enche os bulhões do mais paciente e resignado mortal. Mas nós não nos importamos de ficar com os bulhões cheios, desde que os cofres também fiquem cheios. Além do mais, a burocracia não afeta quem tem 390 milhões de verdinhas no portfólio… Se é que as crianças estão acompanhando e entendendo nosso singelo raciocinar…”

  105. iconoclastas said

    “se o governo precisa de empréstimo pra fechar o caixa, como é que ele está operando com superávit?”

    pelo fato de operar com déficit nominal, e a maquiagem no superávit primário nada ajuda, não à toa a dívida bruta só cresce…

    primitivo, como de hábito…

    ;^/

  106. Chesterton said

    Iconoclasta, ele sabe disso.

    ____________________________________

    A FRASE DA DÉCADA

    (IRRETOCÁVEL)

    “Antigamente os cartazes nas ruas, com rostos de criminosos, ofereciam recompensas; hoje em dia, pedem votos. “

  107. iconoclastas said

    Apagado… pelo moderador.

    O comentário era desnecessário e ofensivo com outros participantes do debate de forma “disfarçada”.

    Solicito a compreensão.

    Este é um espaço de debate. Pequeno, insignificante, irrisório eu diria, mas que se propõe a debater. Estimula todas as opções, sejam quais forem, políticas, religiosas, sexuais, quaisquer. Por conta disso a preferência recai sobre a opção da boa educação, do estímulo à diversidade de opinião e do debate pela argumentação lógica.

    obrigado pelo entendimento do motivo do raro corte.

  108. Olá!

    É uma pena que nem todo empreendedor tenha no bolso quase U$ 400 milhões para investir e nem mesmo tenha relações de proximidade com as estruturas de poder do Brasil para ter a sua vida facilitada.

    É só uma questão de tempo para que grandes investidores peçam aos políticos locais favores que grande parte dos empreendedores não possuem. Esse tipo de relação é uma porta aberta para a corrupção.

    Ho, ho, ho. . . Dizer que a burocracia não afeta mesmo os grandes investidores é dar demonstração gratuita de ignorância. Basta ver os relatórios e estudos realizados que versam sobre tal assunto e mostram que os empreendedores, mesmo os grandes grupos, perdem uma quantidade preciosa de recursos (tempo, dinheiro, pessoal e etc.) para lidar com os entraves burocrático-estatais. Sem esses entraves, o ambiente de empreendimentos seria bem mais dinâmico.

    Se muitos dos entraves burocrático-estatais fossem eliminados e/ou amenizados, os grandes investidores lucrariam muito mais e poderiam gerar mais riquezas, empregos e etc. — sem contar que isso iria beneficiar consideravelmente os pequenos e médios empreendedores.

    Grandes investidores vêm para o Brasil pelo fato de que é possível lucrar mesmo com toda a arcaica estrutura de empreendedorismo existente por cá, sem dizer que tais investidores podem contar com certos benefícios estatais, como financiamentos camaradas do BNDES e isenções dos mais variados tipos. Foram situações desse tipo que colocaram na rua gente como Erenice Guerra e seus familiares.

    Mas voltando à realidade, é uma pena que, no Brasil, um empreendedor simples tenha de gastar 120 dias para abrir a sua empresa, enquanto que, no Chile, o mesmo processo leva menos de 20 dias.

    Até!

    Marcelo

  109. elias said

    Pax,

    Seria interessante dar uma chamada no pessoal que só sabe “debater” ofendendo seus oponentes.

    Sei que essas ofensas são uma demonstração de incapacidade argumentativa xxxxxxxxxxx, mas a verdade é que elas irritam, e acabam dando margem pro revide.

    Gostaria de evitar isso.

    Marcelo,

    Pode ficar certo: nem você abre uma empresa no Chile em 20 dias, nem você precisa de 120 dias pra abrir uma empresa no Brasil. Se você tá falando em 120 dias, é porque você jamais tentou abrir uma empresa no Brasil.

    Não é que não seja chato… E se torna ainda mais chato porque, em boa parte dos casos, boa parte da chatice é perfeitamente dispensável.

    Chato é, mas, 120 dias? Não mesmo! Não dá nem metade disso, a menos que o interessado tenha rabo de palha, esteja com sua situação jurídico fiscal cheia de furos, etc. Aí a coisa demora, não porque seja demorada em si, mas porque o sujeito é um cara complicado.

    Aqui, como no Chile, a maior parte do período de espera se relaciona ao tempo necessário para a possível contestação de uma designação empresarial. Não tem a ver com a burocracia, propriamente dita, mas com a garantia de oportunidade à manifestação de alguém que se sinta prejudicado pelo uso de uma determinada designação empresarial. É como se fosse uma espécie de “Proclama”…

    Nas Juntas Comerciais, os contratos e suas alteraçõe são lidos um a um e analisados milimetricamente. Se, numa ata de AGE/AGO, você escrever “totalidade do capital votante”, onde deveria escrever “totalidade do capital social”, é mais do que certo que a ata vai voltar. Não vai passar na malha fina… É chato? É. Mas a culpa é de quem errou…

    No Brasil, a burocracia afeta negativamente a empresa outros modos.

    Entre os mais irritantes, está a obrigação de você ter que apresentar um único documento (o contrato social, ou sua alteração, por exemplo), num mesmo órgão público (secretaria de fazenda, por exemplo), para diferentes finalidades. Isso entulha os arquivos das secretarias e enche o saco do empreendedor… Se as secretarias de fazenda trabalhassem integradas às juntas comerciais, você registraria o contrato e suas alterações na junta e pronto.

    Outra (essa é nova!): a obtenção do “token” no Serasa ou outra instituição credenciada pra registrar assinatura eletrônica. Se o token vier danificado ou se danificar na tua empresa (basta que alguém digite a senha incorretamente mais de 3 vezes) e você necessitar reemitir, você terá que apresentar toda a papelada exigida para a emissão do primeiro, e ainda terá que pagar, novamente, 420 paus, mais ou menos. Além de encher o saco, ainda custa dinheiro. Pouco, mas custa.

    Citei dois modos, porque passei por esses aborrecimentos recentemente. Mas a verdade é que existem centenas deles…

    Para a empresa, implicam um monte de pequenas despesas (com cópias, taxas, etc) e outro tanto de procedimentos administrativos. Geralmente não demoram, mas custam dinheiro. Como o custo é o mesmo, seja qual for o porte da empresa, segue-se que ele pesa mais nas menores. Nas grandes, sai no mijo…

    Chesterton,

    Não deixa que alguém te faça de trouxa, só porque, supostamente, defende mais ou menos as mesmas idéias que tu.

    O “Resultado Primário” é a diferença entre as receitas e as despesas primárias. Isso exclui, na receita, os ingressos de empréstimos e as receitas financeiras e, nas despesas, os pagamentos da dívida (serviço da dívida e amortização do principal) e as despesas financeiras.

    Já o “Resultado Nominal” engloba tudo. Receita ARRECADADA total menos despesa EMPENHADA total. É igual à diferença entre o resultado fiscal do início de um período e o do final do mesmo período.

    Agora pensa: a concessão de renda assistencial pelo governo, é uma despesa primária. Se ela estivesse levando a estrutura para o vermelho, o resultado primário já seria negativo.

    Claro que há um resultado nominal negativo (que, por sinal, está caindo…). Mas ele nem de longe é influenciado pela despesa assistencial, que é um grão de areia no mastodôntico orçamento federal.

    Mais: o resultado nominal compara a receita arrecadada com a despesa empenhada. Ao final de cada ano, uma boa parte da despesa empenhada é anulada, por não ter sido executada. As despesas executadas do PAC, por exemplo, raramente chegam a 70% do empenhado. Problemas de execução nos Estados e Municípios impedem o desembolso de repasses voluntários e operações de crédito, e os empenhos acabam sendo cancelados, total ou parcialmente.

    Mas o principal, Chesterton, é que estamos falando de um consumo da classe C que já ultrapassou a cifra de R$ 1 trilhão por ano.

    Não há como isso aí ter origem em despesa pública assistencial. Mesmo que tu somes todas as despesas assistenciais dos governos federal, estaduais e municipais, e multiplique por 2, ou 3, ou mais do que 3, ainda assim o resultado não chegaria nem na metade desse mais de R$ 1 trilhão.

    A explicação para isso é outra, Chesterton. xxxxxxxxxxxxxxxxx…

    (obs.: os xxxxx são de minha autoria…–> Pax)

  110. Pax said

    Caro Elias,

    Feito, comentário apagado.

    E o teu, levemente modificado, excluindo o que me parece desnecessário. Agradeço o entendimento.

  111. Zbigniew said

    A ideologia que está por trás deste comportamento (não debater, mas apenas ofender) encontra guarida na aprovação de providências como estas:

    “Da Época
    Violência e Hipocrisia em Wall Street
    Por Paulo Moreira Leite

    A desocupação do parque Zucotti, em Manhattan, seria um escândalo em qualquer parte do mundo. A operação foi realizada de madrugada, jornalistas foram mantidos à distancia, a violencia produziu feridos que chegaram sangrando à delegacia.
    Advogados com uma longa militancia em direitos humanos disseram que raras vezes assistiram a tamanho esforço para limitar o controle de informações nos Estados Unidos.
    Imagine se isso tivesse acontecido em frente ao Palácio Rosado, onde trabalha a presidente Cristina Kirschner, da Argentina. Ou na Venezuela de Hugo Chávez. Ou no vão do Masp…(…)”

    O mundo sempre passou por situações de paroxismos ideológicos. Neste ponto o capitalismo, e sua vertente financista, o neoliberalismo, estão sendo contestados de forma mais incisiva. Num momento em que perderam a exclusividade da informação (com o advento da internet); tiveram sua ideologia colocada em xeque, após a crise de 2008; observaram o surgimento de outras forças políticas (BRICs) acentuando o multilateralismo das relações internacionais; e o surgimento de governos de esquerda (América Latina) capazes de utilizarem o capitalismo como ferramenta de promoção social; diria que é até normal reações como essas. Eles estão entre perdidos e perplexos. Sendo assim, aqueles que não têm a mente aberta, que fizeram do capitalismo uma religião, os extremados, terão muita dificuldade em aceitar esta nova realidade. Esses que só ofendem, são irrelevantes. O problema são aqueles que detém ou terão o poder nas mãos. Outro dia foi colocado aqui nos comentários um vídeo de um tea-party fazendo proselistismo de um individualismo acima do coletivo. E em outro local um vídeo de um candidato republicano que afirmava que os EUA eram, por vontade divina, quem deveria liderar o mundo. É com pessoas e situações como essas que temos que nos preocupar.

  112. elias said

    Ok, Pax!

    E, Chesterton,

    Pensa um pouco:

    1 – O Resultado Primário considera apenas as receitas e despesas primárias. NÃO computa as receitas de empréstimos e as despesas com amortização, serviço da dívida e receitas e despesas financeiras.

    2 – O Resultado Nominal = todas as receitas menos todas despesas (ou seja, inclui os itens não foram computados no resultado primário)

    Se o Resultado Primário dá POSITIVO e o Resultado Nominal dá NEGATIVO, é porque as despesas com amortização e serviço de dívida estão sendo MAIORES que a receita.

    Vale dizer: é uma situação absolutamente incompatível com quem está pegando dinheiro emprestado no exterior, em larga escala, pra estocar. Quem está tomando dinheiro emprestado em larga escala, costuma apresentar resultado nominal POSITIVO, até mesmo quando o resultado primário é NEGATIVO.

    Quem tem Resultado Primário NEGATIVO e Resultado Nominal POSITIVO é quem está tomando dinheiro emprestado pra fechar o caixa.

    Caso contrário é… o contrário!

    Se o Brasil estivesse tomando emprestado pelo menos uns US$ 600 bilhões por ano, só pra financiar o consumo da classe C (fora mais dinheiro pra outras finalidades), o Resultado Nominal seria sempre POSITIVO (já que esses US$ 600 bilhões, convertidos em R$ pra quase um trilhão), entrariam na receita total, compondo o Resultado Nominal.

    Quem fala em Resultado Nominal negativo, sem querer, está confirmando o que eu disse.

    Entendeu, Chesterton?

  113. Zbigniew said

    Ainda dentro dessa idéia de intolerância dos partidários da religião capitalista:

    “Por Gilson Caroni Filho.

    Liga Árabe suspende a Síria; Israel, com o apoio dos EUA, se prepara para atacar o Irã; consórcio franco-alemão toma o poder na Grécia e ameaça soberania italiana; corporações midiáticas censuram repressão policial aos movimentos sociais nos EUA. Com o arsenal nuclear existente, uma escalada militar global terá consequências imprevisíveis. Mais uma vez o mercado se aproxima do ventre que pariu a Besta. Os primeiros dias de novembro acenam para um perigoso redesenho do cenário internacional.(…)”

  114. iconoclastas said

    Pax, tá tranquilo, eu compreendo perfeitamente que você exerça seu direito de propriedade e, inclusive, eu que tenho que agradecer pelo espaço e por você ainda me dar satisfação sobre os motivos. de fato, eu devo me desculpar se lhe sou inconveniente.

    …xxx…xxx…xxx

    Quem está tomando dinheiro emprestado em larga escala, costuma apresentar resultado nominal POSITIVO, até mesmo quando o resultado primário é NEGATIVO.

    XXXXXXXXXXXXXX – cortado, pelo moderador. Se há alguma crítica ao exposto, favor argumentar.

  115. Elias said

    Zbigniew,

    Esta aqui é velha, mas ilustra bem o comportamento da mídia brasileira:

    Como a história da Chapeuzinho Vermelho noticiada pela imprensa brasileira.

    JORNAL NACIONAL
    (William Bonner): ‘Boa noite. Uma menina foi devorada por um lobo na noite de ontem…’
    (Fátima Bernardes): ‘…mas a atuação de um lenhador evitou a tragédia.’

    PROGRAMA DA HEBE
    “…Que gracinha, gente! Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?”

    DATENA
    “…Onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? A menina ia pra casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva… Um lobo, um lobo safado. Põe na tela, primo! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo! Não tenho medo de lobo, não!”

    GLOBO REPÓRTER
    “Tara? Fetiche? Violência? O que leva alguém a comer, na mesma noite, uma idosa e uma adolescente? O Globo Repórter conversou com psicólogos, antropólogos e com amigos e parentes do Lobo, em busca da resposta.

    E uma revelação: casos semelhantes acontecem dentro dos próprios lares das vítimas, que silenciam por medo. Hoje, no Globo Repórter..!”

    DISCOVERY CHANNEL
    “Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver.”

    SUPERINTERESSANTE
    “Lobo Mau: mito ou verdade?”

    EXTRA
    “Promoção do mês: junte 20 selos, mais 19,90 e troque por uma capa vermelha igual a da Chapeuzinho!”

    O DIA
    “Lenhador desempregado tem dia de herói.”

    MEIA HORA
    “Lenhador passou o rodo e mandou lobo pedófilo pro saco!”

    O POVO
    “Sangue e tragédia na casa da vovó!”

    CLÁUDIA
    “Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.”

    CAPRICHO
    Teste: “Seu par ideal é lobo ou lenhador?”

    TITITI
    “Lenhador e Chapeuzinho flagrados em clima romântico em jantar no Rio.”

    SUPERPOP
    “Geeente! Eu tô aqui com a ex-mulher do lenhador e ela diz que ele é alcoólatra, agressivo e que não paga pensão aos filhos há mais de um ano. Abafa o caso!”

    NOVA
    “Dez maneiras de levar um lenhador à loucura, na cama!”

    CARAS
    Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: “Até ser comida, eu não dava valor pra muitas coisas na vida. Depois que me comeram eu me tornei outra pessoa.”

    PLAYBOY
    “Ensaio fotográfico com Chapeuzinho: Veja o que só o lobo viu!”

    VIP
    “As 100 mais sexies: Desvendamos a adolescente mais gostosa do Brasil!”

    G MAGAZINE
    “Ensaio fotográfico com o lenhador: Lenhador mostra o pau!”

    O GLOBO
    “Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT, que matou um lobo para salvar menor carente.”

    ISTOÉ
    Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.

    O ESTADO DE SÃO PAULO
    “Lobo que devorou menina é filiado ao PT.”

    FOLHA DE SÃO PAULO
    “Lobo que devorou menina é militante do MST”

    VEJA
    “Lula sabia das intenções do Lobo!”

  116. Elias said

    E, Chesterton,

    Não esquece: quem está tomando empréstimos em larga escala tende a apresentar resultado nominal POSITIVO, mesmo se o resultado primário for NEGATIVO.

    É que, se o país está tomando emprestado em larga escala, a RECEITA decorrente do empréstimo, tende a ser MAIOR (muito maior!), que a DESPESA de amortização de empréstimos (no caso, a encrenca está sendo empurrada pro futuro, com o vencimento dos empréstimos).

    Esse SUPERAVIT é que vai ajudar a fechar a conta do déficit primário.

    Não tem sentido, assim, afirmar que o país tá pegando emprestado no exterior, em larga escala, pra estocar divisa e, mesmo assim, apresenta resultado nominal negativo.

    Mais outra: quem está tomando empréstimos no exterior em larga escala tende a ser DEVEDOR e não CREDOR externo. Acontece que o Brasil é CREDOR, Chesterton.

  117. Edu said

    Elias,

    Em qual desses grupos as contas de balança comercial e balança financeira entram?

  118. iconoclastas said

    Não esquece: quem está tomando empréstimos em larga escala tende a apresentar resultado nominal POSITIVO, mesmo se o resultado primário for NEGATIVO.

    É que, se o país está tomando emprestado em larga escala, a RECEITA decorrente do empréstimo, tende a ser MAIOR (muito maior!), que a DESPESA de amortização de empréstimos (no caso, a encrenca está sendo empurrada pro futuro, com o vencimento dos empréstimos).

    claro, o país pega emprestado para deixar em cx, óbvio. como nego não se toca disso. aliás, deve ter lote de país que a dívida cresce e o déficit diminui…

    rhi rhon…

    ;^)))

    o Pax, se vc não quiser que eu poste mais aqui é só dizer, sem ressentimentos, numa boa. melhor ainda, nem precisa se expor, é só editar mais um comentário no qual eu não use nenhum adjetivo e pluft…nego vai ficar muito mais à vontade para judiar dos fatos.

  119. Pax said

    Caro Iconoclastas,

    Não pedi para você deixar de comentar aqui. Pedi, somente, que você entre na onda de ganhar na argumentação e não na avacalhação.

    E, por favor, não precisa ameaçar. Não se ofende somente com adjetivos, por sinal.

    (ps.: amigo judeu não radical me disse que a expressão “judiar” não é das melhores. Passei a prestar a atenção nisto. Besteira? Sei lá. Politicamente correto? Pode ser. Mas, pensando bem, porque mesmo usar uma expressão que pode incomodar se posso usar uma que não incomoda?)

  120. elias said

    Edu,

    A Balança Comercial NÃO FAZ parte do Orçamento Geral da União.

    O OGU computa a movimentação de recursos — receita e despesa — feita pela União, nos orçamentos Fiscal e da Seguridade Social. Contém as receitas e despesas dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

    Já a Balança Comercial envolve a totalidade das operações do país com o exterior, sejam essas operações realizadas pelo Setor Público, seja pelo Setor Privado. Por isto mesmo, é algo à parte do Orçamento Público (embora ela envolva a parte das operações com o exterior realizadas pelo Poder Público).

    A Balança Comercial faz parte de um conjunto maior, o Balanço de Pagamentos. Na Balança Comercial são computadas apenas as operações que envolvam exportações e importações de bens. É um dos blocos do Balanço de Pagamentos. Além desse bloco, há outro, que se relaciona ao movimento de capitais (empréstimos, amortizações e serviços de dívidas).

    O Orçamento Público tem 3 características essenciais: anuidade, unidade, universalidade. Ou seja: ele é anual, é único e envolve todas as operações de receita e despesa realizadas pelo poder público. Não se admite operações de receita ou de despesa pública fora do orçamento.

    Assim, expressões como “Orçamento Fiscal”, “Orçamento da Seguridade”, “Resultado Primário”, “Resultado Nominal”, etc., são apenas conceitos analíticos. Servem para formar uma opinião sobre o desempenho do orçamento, em geral tomando por base o cumprimento de exigências legais.

    Nesta lista de comentários, nos referimos a “Resultado Primário” e “Resultado Nominal”.

    “Resultado Primário” é a diferença entre receita e despesa de um determinado período, excluindo-se, no lado das receitas, as receitas financeiras, as deduções de receitas e as receitas provenientes de empréstimos, e, no lado das despesas, as despesas financeiras, as despesas referentes a empréstimos (amortização do principal e serviço da dívida) e as despesas financeiras. O “Resultado Primário” define, por assim dizer, a capacidade do ente da Federação de andar com suas próprias pernas. Trata-se de bancar as despesas de funcionamento sem usar recursos de empréstimo (na prática não é bem isso, mas esse foi o propósito declarado da LRF).

    Uma das diferenças entre a contabilidade pública e a contabilidade privada é que, nesta última, o ingresso de dinheiro decorrente de empréstimo NÃO é considerado receita. Também a amortização desse empréstimo NÃO é considerada como despesa na contabilidade privada. Esta considera como despesa apenas o serviço da dívida (juros, correção monetária, acréscimos moratórios, etc).

    Já na contabilidade pública, o ingresso de recursos de empréstimos é computado como receita. Similarmente, tanto a amortização quanto o serviço da dívida são consideradas despesas. A diferença é que o serviço da dívida é classificado como despesa CORRENTE, enquanto que a amortização é classificada como despesa DE CAPITAL.

    A apuração do “Resultado Primário” ou do “Resultado Nominal” não implica nenhuma influência no processo de contabilização da receita ou da despesa pública. Trata-se, apenas, de se elaborar quadros demonstrativos, usando-se ou não determinadas contas, segundo o conceito técnico que se pretende adotar, para elaborar tal ou qual quadro.

  121. elias said

    Edu,

    Onde está escrito:

    “A Balança Comercial faz parte de um conjunto maior, o Balanço de Pagamentos. Na Balança Comercial são computadas apenas as operações que envolvam exportações e importações de bens. É um dos blocos do Balanço de Pagamentos. Além desse bloco, há outro, que se relaciona ao movimento de capitais (empréstimos, amortizações e serviços de dívidas).”

    Leia:

    “A Balança Comercial faz parte de um conjunto maior, o Balanço de Pagamentos. Na Balança Comercial são computadas apenas as operações que envolvam exportações e importações de bens. É um dos blocos do Balanço de Pagamentos. Além desse bloco, há outro, que se relaciona ao movimento de capitais (empréstimos, amortizações e serviços de dívidas, TRANSFERÊNCIAS EM GERAL DO E PARA O EXTERIOR, ETC).

    Desculpe.

  122. elias said

    “claro, o país pega emprestado para deixar em cx, óbvio. como nego não se toca disso. aliás, deve ter lote de país que a dívida cresce e o déficit diminui…”

    I
    Claro que é óbvio! Acontece que foi EXATAMENTE esse o argumento inicial do Chesterton. Que o Meireles havia tomado empréstimos e estocado dólares, pra usar como garantia do consumo da classe C.

    É no que dá em pegar o bonde andando e sair criticando os outros sem saber direito do que se está falando…

    II
    Pra dívida crescer e o déficit diminuir, em um determinado ano, não é preciso deixar em caixa o dinheiro do empréstimo.

    Quando um país se endivida, cresce o PASSIVO dele. No ano em que o endividamento acontece provavelmente ele será superavitário ou, no mínimo, o déficit não será tão grande quanto seria se o dinheiro do empréstimo não entrasse (já que o dinheiro do empréstimo é computado como RECEITA, no ano de seu recebimento).

    Então, deixando em caixa ou não…

    Isso também deveria ser óbvio…

  123. Edu said

    Certo,

    Deixa eu ver se entendi:

    O q vcs estão dizendo é que o Resultado Primário é basicamente um demonstrativo de resultados que não considera empréstimos, e que o Resultado Nominal é o mesmo demonstrativo de resultados considerando empréstimos. Por esse motivo, quando falamos em LRF, o DRE a ser levado em consideração é o de Resultado Primário, quer dizer, se o resultado primário é positivo significa que o ente estatal UF, Estado, DF ou município não tem déficit fiscal e, portanto, pode honrar suas dívidas.

    E vcs estão dizendo que ao usamos o Resultado Nominal, provavelmente distorce esse conceito acima, porque como os empréstimos entram como receita, no caso de um Estado ter muito empréstimo ele aparentará estár muito positivo, quando na verdade a longo prazo, estará bastante negativo. Já que as despesas, ainda que sejam menores que as receitas se estenderão a longo prazo por muitos períodos.

  124. elias said

    E, se é verdade que “a dívida cresce e o déficit diminui”, então não faz sentido dizer que, com o endividamento crescendo, o país opera com resultado nominal negativo, sendo positivo o resultado primário.

    Pro endividamento crescer e, mesmo assim, o resultado nominal dar negativo, seria necessário que o resultado primário apresentasse um déficit enorme, que absorvesse a totalidade do resultado de caixa positivo provocado pelo ingresso do empréstimo, e ainda sobrasse déficit…

    Se o resultado primário é positivo e o resultado nominal é negativo, é porque o endividamento está crescendo menos que proporcionalmente em relação ao pagamento das amortizações e do serviço da dívida anteriormente existente.

    É uma questão de aritmética elementar…

  125. elias said

    Edu,

    Um Resultado Primário positivo NÃO significa que o ente da Federação não tem déficit fiscal.

    Por que não? Porque as despesas de amortização e de serviço da dívida TAMBÉM fazem parte do orçamento fiscal.

    Um resultado primário positivo significa, apenas, que o ente da Federação dispõe de condições de financiar seu funcionamento, ou seja, bancar suas despesas de pessoal, material de consumo, serviços de terceiros, etc, sem que, para isto, tenha que mobilizar recursos de empréstimos e de aplicações financeiras.

    No mais, é bom lembrar que o endividamento público NÃO É um mal em si.

    Tome como exemplo a construção de uma ponte sobre um rio. É um investimento pra durar uns 100 anos ou mais.

    Não é inteligente, do ponto de vista econômico, nem justo, do ponto de vista social, fazer com que uma única geração de contribuintes pague por um benefício que será usufruído por várias gerações de contribuintes.

    O correto é distribuir esse investimento pelo máximo de gerações de contribuintes (o que, de quebra, ainda vai permitir que você invista mais no presente). E o endividamento é o mecanismo que torna isso possível.

    Daí porque o endividamento não é um mal em si. Passa a ser um mal quando você usa o endividamento não para investir, mas para cobrir rombos do funcionamento da máquina pública.

    Essa, dentre outras, é uma das razões de ser de conceitos como “Resultado Primário”.

  126. Edu said

    Elias,

    Agora que estou entendeno melhor, o que eu vejo é o seguinte:

    Se o resultado primário é positivo e o resultado nominal é negativo.

    1 – O governo pode estar com as finanças em dias em termos de produção e gastos (exceto dívida).

    2 – O governo não está tomando mais empréstimos (claro, porque se estivesse, estaria positivo em seu resultado nominal)

    3 – O governo está pagando despesas de juros da dívida muito altos (a ponto de tornarem o resultado nominal negativo)

    No entanto, como o resultado nominal envolve mais contas do que o resultado primário, ele é o que deveria ser considerado (já que não se está fazendo mais dívida), para avaliar a solvência do Estado. Se o resultado nominal é negativo, significa que estamos sendo engolidos pelos juros, no longo prazo, essa conta deve estar saneada, e não com empréstimos (que disfarçam a conta), mas com receita de outras fontes.

  127. iconoclastas said

    ameaças?! de forma alguma, meu bom anfitrião. se o tom entendido foi esse foi motivado por falha de comunicação, até pq seria sentido algum, dada a minha irrelevância. desnecessário dar atenção a isso.

    mas agora que o dia encerrou, vamos a história do país que contrai mais dívidas e apresenta superávit no orçamento:

    terá sido os EUA onde o déficit orçametário explodiu e a dívida cresceu de 60% para mais de 90% do PIB?

    ou serão os países do continente europeu? será que é tudo exceção, já que são todos deficitários enquanto suas dívidas crescem?

    ;^?

  128. Edu said

    Elias,

    Até aqui tudo bem, não tem problema que o governo trabalhe alavancado. Porém, por um período determinado de tempo. Afinal, caso a dívida cresça mais do que a capacidade de pagamento, a população sofrerá.

    Aliás, é um pouco isso que eu falo sobre os países europeus. Os caras aumentaram a dívida além da própria capacidade produtiva deles: não há resultado primário que resolva a alavancagem que eles atingiram.

    Agora é um Deus nos acuda para resolver essas questões. Essa é uma crise verdadeira e perigosa, provocadas por governos gastadores e não por problemas no sistema financeiro como a crise de 2008.

    Aproveitando, eu acabei de ver uma tabela do BC com as contas do governo e esse DRE. Muito interessante. Na verade o resultado primário do Brasil é sempre positivo e crescente, já o resultado nominal é sempre negativo, o que quer dizer que estamos pagando uma bala de juros. Eu não entendi por que no período de Lula os juros nominais dobraram de tamanho. E entendi menos o fato de não ter sido um aumento gratativo, entre 2002 e 2003 eles simplesmente dobraram e aí subiram um pouco e se mantiveram variando ao longo dos 2 mandatos. Daí conclui-se que os juros são maiores que a capacidade de pagamento, desde sempre. E essa é uma das minhas críticas ao governo: onde está o fim disso? Será que o Brasil está se alavancando tanto quanto a Itália?

    Vejam a fonte: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/hp/downloads/resultado/Tabela1.xls

  129. iconoclastas said

    Pro endividamento crescer e, mesmo assim, o resultado nominal dar negativo, seria necessário que o resultado primário apresentasse um déficit enorme, que absorvesse a totalidade do resultado de caixa positivo provocado pelo ingresso do empréstimo, e ainda sobrasse déficit…

    Se o resultado primário é positivo e o resultado nominal é negativo, é porque o endividamento está crescendo menos que proporcionalmente em relação ao pagamento das amortizações e do serviço da dívida anteriormente existente.

    É uma questão de aritmética elementar…

    tem um ponto verdadeiro aqui, é aritmética elementar.

    exatamente por isso o estoque da dívida pode crescer mesmo com as contas superávitárias no primário e, claro, com déficit fiscal.

    questão de juros acumulados…

    “E, se é verdade que “a dívida cresce e o déficit diminui”, então não faz sentido dizer que, com o endividamento crescendo, o país opera com resultado nominal negativo, sendo positivo o resultado primário.”

    hummm, exceto que não é verdade…

    Brasil 2008
    resultado primário – 4,07%
    dívida líquida – 38,5% do PIB
    resultado fiscal – (-2,1%) (checar)

    Brasil 2009
    resultado primário – 2,06%
    dívida líquida – 42,8% do PIB
    resultado fiscal – (-1,9% )

    pois é, superávit primário, aumento da dívida e déficit nominal… quando se ignora coisas básicas como crescimento do PIB e juros, a matemática mais elementar se tranforma apenas em um erro conceitual grotesco.

  130. Chesterton said

    O PT é o ovo da serpente!

  131. elias said

    Edu,

    Quando o resultado primário é POSITIVO e o resultado nominal é NEGATIVO, isso significa que as despesas com a dívida são MAIORES que as receitas.

    As despesas com a dívida são = amortização + serviço da dívida.

    Ou seja: o que o país gastou PAGANDO a dívida (amortização e serviços) foi MAIS do que aquilo que ele RECEBEU, por meio de novos endividamentos.

    Isso é bom ou ruim? Depende da situação geral do país.

    O Brasil, nos últimos 8 anos, passou da condição de DEVEDOR externo para a condição de CREDOR externo. Ou seja, o país mais pagou dívida do que contraiu novos endividamentos.

    Nessas circunstâncias, apresentar déficit nominal não deve causar surpresa.

    Outra coisa: esse tipo de análise NÃO DEVE ser feita em termos de taxas percentuais em relação a outros volumes que não integram o orçamento público, como é o caso do PIB. Essas taxas percentuais permitem QUALIFICAR o resultado num outro contexto. É outro papo…

    Suponha-se, p.ex., o resultado de uma empresa, expresso no balanço de um determinado ano. Digamos que a empresa tenha obtido uma elevação real de 10% no faturamento e de 13% na lucratividade. Um bom resultado, portanto.

    Aí, ao se partir pra analisar o desempenho do setor no qual essa empresa opera, descobre-se que, nele, a lucratividade média aumentou 18% e o faturamento total cresceu 15%. Mais: descobre-se que o market share da empresa caiu 2,5 pontos percentuais.

    Isso desmerece o resultado da empresa? Claro que não! Mas significa que você tem que ter cuidado, porque está entestando com uma concorrência mais competente que você, certo?

    Se o Resultado Primário é POSITIVO, e a dívida está CRESCENDO, então dificilmente o Resultado Nominal seria NEGATIVO. Por que? Porque os novos empréstimos, que são RECEITA no ano em que ingressam, não reverteriam o superávit prpoduzido nas contas primárias.

    Ou o dinheiro do empréstimo está entrando ou não está. Se está entrando, ele é computado como RECEITA e tende a ser maior que a despesa com a dívida, porque esta corresponde apenas a parcelas e rendimentos.

    A maneira como isso aí vai se relacionar com o PIB, que é um volume correspondente à produção interna de TODA a economia brasileira (e não apenas ao orçamento do governo federal) é, decididamente, UM OUTRO PAPO…

    Mas, observe com atenção o comentário # 129, redigido com o propósito de me contestar. Vejamos se ele conseguiu, ou se, ao contrário, me confirmou inadvertidamente.

    Vamos reproduzir os dados (que não sei se estão corretos):

    Brasil 2008
    resultado primário – 4,07%
    dívida líquida – 38,5% do PIB
    resultado fiscal – (-2,1%) (checar)

    Brasil 2009
    resultado primário – 2,06%
    dívida líquida – 42,8% do PIB
    resultado fiscal – (-1,9% )

    A que conclusão você chegou, Edu?

    Vou alinhar: o AUMENTO da dívida líquida (de 38,5% para 42,8% do PIB), coincidiu com a REDUÇÃO do déficit fiscal (-2,1% para -1,9% do PIB).

    Agora compare isso com o que eu disse em meu comentário # 122, sobre o orçamento fiscal:

    “No ano em que o endividamento acontece provavelmente ele será superavitário ou, no mínimo, o déficit não será tão grande quanto seria se o dinheiro do empréstimo não entrasse (já que o dinheiro do empréstimo é computado como RECEITA, no ano de seu recebimento).”

    Em outras palavras: o ingresso do endividamento, posto que se trata de RECEITA, SÓ PODE exercer um efeito POSITIVO no Resultado Nominal.

    Isso é elementar! É o básico! É o feijão com arroz! Uma RECEITA maior SÓ PODE exercer um efeito POSITIVO na apuração do resultado. Ou esse aumento de receita faz com que o resultado seja positivo, ou ele faz com que o resultado negativo seja MENOR do que seria, caso essa receita não existisse.

    No caso, por coincidência, os movimentos foram similares, ao se reproduzir em taxas relativas ao PIB.

    Mas é preciso ter em mente que isso não acontece necessariamente.

    Além do mais, se a receita é proveniente do endividamento, é certo que, se, por um lado, ela influencia positivamente o resultado nominal no ano em que ela ingressa, por outro lado ela aumenta os compromissos futuros com dívida.

    De qualquer maneira, agradeço ao autor do comentário # 129, por me fornecer os dados que confirmam o raciocínio que eu venho sustentando desde o início deste debate.

  132. Chesterton said

    Que saudades daquela esquerda que queria no calote da dívida, da heterodoxia petista…. Depois que Lula acabou com ela viraram todos neo-keynesianos.

  133. iconoclastas said

    correção:

    Brasil 2008
    resultado primário – 4,07%
    dívida líquida – 38,5% do PIB
    resultado fiscal – (-1,9%)

    Brasil 2009
    resultado primário – 2,06%
    dívida líquida – 42,8% do PIB
    resultado fiscal – (-3,34% )

    acontece…

    independente disso poderia haver déficit menor (não superávit) se naquele ano especificamente se pagasse menos juros, mas não foi o que ocorreu, portanto…

    e aí, mostra pra gente que países que apresentam superávit fiscal e dívida crescente?

    ;^?

  134. elias said

    Dados retirados diretamente do “Relatório Fiscal do Governo Central”, site da Secretaria do Tesouro Nacional, que contém a apuração do Resultado Primário e do Resultado Nominal, de 1997 a 2010.

    Em R$ MILHÕES

    2008

    A – Resultado Primário: 71.308
    B – Juros Nominais: (96.199)
    C – Resultado Nominal (A — B): (24.891)
    D – Dívida Pública Federal (em Mercado): 1.407.594
    D.1 – Interna: 1.275.081
    D.2 – Externa: 132.512

    PIB NOMINAL: 3.031.864

    2009

    A – Resultado Primário: 42.443
    B – Juros Nominais: (149.806)
    C – Resultado Nominal (A — B): (107.363)
    D – Dívida Pública Federal (em Mercado):1.509.852
    D.1 – Interna: 1.410.878
    D.2 – Externa: 98.974

    PIB NOMINAL: 3.185.125

    Pra início de conversa: NÃO HOUVE a tal “estocagem” de dólares que deu origem ao debate. No período 2008/2009, a dívida pública federal externa caiu de 132,2 para 99,0 (arredondando).

    NÃO HOUVE crescimento acentuado do endividamento. Ele passou de 1.407,6 para 1.509,8 (ou seja, variação de 7,26%, contra a variação de 5,06% no PIB nominal). Em termos absolutos, a variação do endividamento foi 102.258, MENOR que a despesa com juros em 2008, que foi 149.806.

    Para as finalidades deste debate, é preciso considerar, apenas, a dívida pública FEDERAL. Não se pode meter na conversa a dívida pública total, porque esta inclui as dívidas dos Estados e Municípios.

    O “desafio” está prejudicado, portanto. Ele só teria sentido se o crescimento da dívida fosse pelo menos um pouco maior que a despesa com juros. Como não é o caso, vale o que escrevi acima, pro Edu.

    Obs.: Usei dados citando a fonte. Todos eles podem ser facilmente verificados, em consulta ao site do Tesouro Nacional.

  135. elias said

    As informações sobre Resultado Primário e Resultado Nominal foram retiradas do “Relatório Fiscal do Governo Central”.

    O conceito é “abaixo da linha”, ou seja, a apuração usada pelo Banco Central, que difere da apuração da Secretaria de Orçamento e Finanças (SOF) porque esta apura apenas pelo fluxo de caixa. Na apuração da SOF, o Resultado Primário de 2008 ficou em 71.401 (contra 71.307 do Bacen). Já em 2009, o Resultado Primário pela metodologia da SOF dá 39.215, enquanto que pela do Bacen dá 42.443 (tudo isso em R$ milhões correntes, evidentemente).

    As informações sobre dívida pública federal foram retiradas do relatório “Estoque da Dívida Pública Federal em Mercado”, elaborado pela Coordenação Geral de Controle da Dívida Pública / Gerência de Informações Estatísticas da Dívida Pública da STN.

    Tua vez. Cadê o crescimento do endividamento?

  136. iconoclastas said

    NÃO HOUVE crescimento acentuado do endividamento. Ele passou de 1.407,6 para 1.509,8 (ou seja, variação de 7,26%, contra a variação de 5,06% no PIB nominal). Em termos absolutos, a variação do endividamento foi 102.258, MENOR que a despesa com juros em 2008, que foi 149.806.

    o acentuado é por tua conta. a dívida cresceu, assim como o déficit. exatamente ao contrário do que você afirmou.

    “Para as finalidades deste debate, é preciso considerar, apenas, a dívida pública FEDERAL. Não se pode meter na conversa a dívida pública total, porque esta inclui as dívidas dos Estados e Municípios.

    O “desafio” está prejudicado, portanto. Ele só teria sentido se o crescimento da dívida fosse pelo menos um pouco maior que a despesa com juros. Como não é o caso, vale o que escrevi acima, pro Edu.”

    não, isso não é vc que define.

    orçamentos de estados e municípios, assim como das empresas estatais, fazem parte do resultado fiscal.

    se o cara acha que o que vc escreveu vale ou não é problema dele, mas tá errado. tanto que vc não consegue provar.

    portanto, o “desafio” (uhhh!) está de pé: apresente exemplo de países com superávit fiscal e dívida crescente (% do PIB).

    ;^))

  137. iconoclastas said

    “Tua vez. Cadê o crescimento do endividamento?”

    vai começar com a sacanagem?

    números do governo central:
    2008
    “C – Resultado Nominal (A — B): (24.891) (0.8%)
    D – Dívida Pública Federal (em Mercado): 1.407.594 (46.4%)

    2009
    C – Resultado Nominal (A — B): (107.363) (3.37%)
    D – Dívida Pública Federal (em Mercado):1.509.852 (47.4%)”

    qual a dúvida?

    “setor público
    Brasil 2008

    dívida líquida – 38,5% do PIB
    resultado fiscal – (-1,9%)

    Brasil 2009

    dívida líquida – 42,8% do PIB
    resultado fiscal – (-3,34% )”

    pode escolher.

    e aí, vai mostrar os exemplos ou vai segui nessa de tentar a habitual confusão?

    ;^)

  138. Pax said

    Enquanto isso…

    A Standard & Poor’s elevou a nota brasileira.

    Ou seja, se já havíamos tido uma nota melhorada por outras agências avaliadoras e agora a S&P, alguma coisa de bom a gringaiada anda vendo por aqui.

    Se você olhar para os emergentes, os BRICs, veja bem, se você fosse um gringo querendo expandir seus negócios, ou mesmo aplicar uns caraminguás, saca a lista

    Russia
    India
    China
    Brasil

    Onde colocaria teu rico dinheirinho?

    O povo anda preferindo por aqui. É só dar um olhada, país com população grande, poder aquisitivo aumentando, demanda reprimida, governo fazendo o mínimo minimorum…

  139. Edu said

    Elias e Iconoclastas,

    Fico até com vergonha de dizer que sou administrador e não entender essas contas feitas direito. Pelo que vejo é simples: estamos pagando juros, no entanto o endividamento está aumentando, principalmente a dívida interna.

    Só sei de uma coisa: alavancagem é útil, mas não saber lidar com isso é um jogo perigoso.

    Eu não vejo declarações do ministro da fazenda dizendo o que ele quer fazer com isso, e nem a Dilma dizendo o que ela vai fazer com isso. Isso me preocupa.

    Pax,

    Isso só mostra uma coisa: o Brasil, para os estrangeiros é um negócio da China!

  140. Pax said

    Caro Edu,

    Sim, o Brasil é um negócio da China… boa essa tirada tua.

    Só falta combinar com os inimigos. E estes inimigos são internos, não externos.

    Pior ainda, os inimigos não estão, necessariamente, na oposição.

    só te falo uma coisa, repetindo uma toada que o caro Marcelo Augusto gosta de bater (e que concordo) mesmo com alguns erros de informação, que é um puta pé no saco abrir um negócio no Brasil.

    o que se gasta de energia para isso, para satisfazer as necessidades de um estado (em todos os âmbitos, municipal, estadual e federal), é um absurdo de enormes proporções.

  141. Elias said

    Caraca!

    Vou repetir:

    1 – O debate teve início, porque o Chesterton afirmou que o Meireles estava pedindo dinheiro emprestado no exterior pra estocar dólares, que, agora, estariam funcionando como fiança pra garantir o consumo da classe C.

    Mas os números do Tesouro Nacional demonstram que o endividamento externo está DECLINANDO. Logo, não seria por aí a estocagem de dólares da qual o Chesterton falou.

    Tu dizes que não está declinando o endividamento externo? Então demonstra, dando indicação da fonte, como eu fiz.

    2 – De 2008 pra 2009 — que foi o período que TU escolheste, não eu — o crescimento da dívida total (e não apenas a externa), foi MENOR que a despesa de juros. Ou seja, o crescimento foi insignificante.

    Desde o início, eu venho falando em tomar empréstimo EM LARGA ESCALA.

    Exemplo: Meu comentário # 116: “Não esquece: quem está tomando empréstimos EM LARGA ESCALA tende a apresentar resultado nominal POSITIVO, mesmo se o resultado primário for NEGATIVO.” Ao dizer isto, eu já estava repetindo o que havia dito antes.

    Tu mesmo transcreveste esse comentário no teu # 118. Não podes dizer que não viste nem que não leste. Nem podes dizer que só agora estou dizendo isso.

    Se a captação de recursos de emprestimos é MENOR que a despesa de juros, o resultado só pode ser negativo.

    Evidentemente que o nível de endividamento não fica parado. Ele se move, pra cima ou pra baixo. Por isto mesmo, claro que a intensidade é variáver determinante. Houve captação? Houve. Ela foi maior ou menor que o desembolso? Se foi maior, vai levar o resultado pro superávit. Se for menor, o resultado vai pro vermelho.

    Daí porque eu disse:”quem está tomando empréstimos EM LARGA ESCALA tende a apresentar resultado nominal POSITIVO, mesmo se o resultado primário for NEGATIVO.”

    Pra encerrar, vou repetir parte de meu comentário # 131:

    ” Quando o resultado primário é POSITIVO e o resultado nominal é NEGATIVO, isso significa que as despesas com a dívida são MAIORES que as receitas.”

    “As despesas com a dívida são = amortização + serviço da dívida.”

    “Ou seja: o que o país gastou PAGANDO a dívida (amortização e serviços) foi MAIS do que aquilo que ele RECEBEU, por meio de novos endividamentos.”

    “Isso é bom ou ruim? Depende da situação geral do país.”

    O Brasil, nos últimos 8 anos, passou da condição de DEVEDOR externo para a condição de CREDOR externo. Ou seja, o país mais pagou dívida do que contraiu novos endividamentos.

    “Nessas circunstâncias, apresentar déficit nominal não deve causar surpresa.”

    A tomada de empréstimo EM LARGA ESCALA é componente essencial do que está sendo debatido. Tu não vais conseguir demonstrar que ela aconteceu.

    Edu,

    Você levantou uma questão que foi muito debatida no Brasil. O fato do Lula ter preferido quitar débitos externos (cujos jurios são mais baixos), deixando o endividamento interno nas alturas.

    Se fosse uma decisão sobre sua vida pessoal, você não faria isso de jeito nenhum. Você preferiria pagar mais rápido a dívida de juros mais altos.

    Lula fez o oposto. Claro que foi uma decisão política. O que ele queria? Queria reduzir o “risco Brasil”, pra facilitar a atração de capital de risco para país (algo que está acontecendo agora, como o Pax registrou).

    De qualquer forma, foi uma decisão polêmica, até porque o próprio governo é obrigado a manter os juros internos muito altos.

    É que a economia brasileira funciona sem praticamente nenhuma capacidade ociosa. Se os juros caíssem demais, haveria excesso de demanda e os preços subiriam rapidamente, porque o aparelho produtivo não daria conta de atender esse excesso. Ou seja: inflação de novo.

    Então, não dá nem pra sonhar, no Brasil, com juros minimanente civilizados.

    Só que os juros altos pressionam a despesa pública pra cima, por causa da dívida interna. E despesa pública alta é fator inflacionário, tanto quanto o excesso de demanda.

    Na prática, os caras vivem sapateando em corda bamba. Dão uma no cravo, outra na ferradura. Qualquer erro, a vaca vai pro brejo.

    À medida que novos investimentos produtivos vão sendo feitos, a economia brasileira vai se tornando menos vulnerável a esses fatores.

    Nos EUA, p.ex., o Estado opera com uma dívida pública monumental e, nem por isso, os juros e a inflação são altos. Pelo contrário, neste momento, os juros americanos estão rés o chão. Por que? Porque o aparelho produtivo americano — que é grande eeficiente — suporta um aumento de demanda em larga escala com um pé nas costas…

  142. Elias said

    Ofitópique.

    CHESTERTON, RAPAZ!

    O Ministério da Educação suspendeu 514 vagas de 16 cursos de Medicina que tiveram nota 1 ou 2 no Conceito Preliminar de Curso (CPC).

    Os cursos que sofreram o corte determinado pelo MEC são, todos, de instituições PRIVADAS de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão, Rondônia, Tocantins e Mato Grosso.

    Já sei! É culpa do Lula! O Lula sabia das intenções do MEC. Pior que isso: os alunos das instituições particulares erraram de propósito as questões das provas, só pra sabotar essas instituições. O Lula também sabia disso. Muito pior: esses alunos são, tdos, militantes do MST e filiados ao PT. É claro que o Lula sabe disso…

    Além do mais, Lula mandou proteger os alunos dos cursos de IES públicas!

  143. iconoclastas said

    Edu,

    sim, a dívida bruta cresce.

    na verdade a gerentona já disse que tem o objetivo de zerar o déficit nominal exatamente para reduzir o endividamento público. acontece que para isso ocorrer o país tem que crecer muito mais e/ou o superávit primário ser muito maior, e não adianta truque.

    só que 1) para crescer tem que combinar com americanos, chineses, europeus e etc, e 2) para alcançar um superávit muito superior ao atual precisa 2.1) aumentar impostos (ou que por si tende a atrapalhar o crescimento) e/ou 2.2) cortar gastos.

    acontece que enfiar mais impostos goela abaixo da molambada não é tão simples, e cortar gastos de custeio talvez seja ainda mais complicado, pois boa parte das receitas é direcionada por lei. resta cortar investimentos ( uma rubrica que é ridiculamente pequena diante das necessidades estruturais do país) o que também impacta negativamente no crescimento. enfim, o cobertor é curto.

    com inflação também se diminui a dívida, mas não creio que seja uma bom caminho, certo?

    outra coisa, nas contas que eu apresentei eu tratei da dívida líquida, e essa vem diminuindo há um bom tempo, exceto pelo período que eu mostrei de (2008 para 2009), escolhido apenas para expor o erro factual da afirmativa que trata de “crescimento da dívida gera superávit nominal” sic, e pq essa conta é mais simples de verificar do que a dívida bruta (questão de como o Bacen contabiliza).

    ;^/

  144. Edu said

    Elias,

    Eu tenho uma visão um pouco diferente cara. Eu acho que juros não devem ser mto baixos não. Se eles forem mto baixos, dá a falsa sensação de segurança que fez com que o mercado financeiro cometesse os erros em 2008. E também para mostrar que mesmo que o estado seja o guardião da segurança econômica nacional, e que ele possa se alavancar, deve haver um limite de alavancagem.

    Também acho que o Lula foi muito é malandro em fazer esse pagamento de dívida externa. Pq eu duvido que qualquer agência de rating não considere a dívida interna para a avaliação de risco. Se for assim o cálculo deles tá explicado porque nenhuma agência de rating não conseguiu prever o risco do sistema financeiro em 2008… é ridículo. Tenho q discordar e dizer que a intenção de Lula era alardear o fato de o Brasil ser um país que viava credor no período de governo dele. Não é um atitude controversa, é uma atitude lamentável.

    Quanto à inflação e os investimentos produtivos eu concordo: o Brasil precisa de infra-estrutura decente. E digo mais: o Brasil só será efetivamente competitivo no momento em que ele não precisar do câmbio para ser competitivo. Aí sim será o negócio da China. Esse investimento eu acho que tem retorno rápido, a dúvida é, seguindo o raciocínio do último post: será que a Dilma está efetivamente preocupada com isso? Às vezes parece que sim, às vezes parece que não.

    Vamos aguardar.

  145. iconoclastas said

    Tu dizes que não está declinando o endividamento externo? ”

    eu falei em externo? mostra

    o Doc não tem nda a ver com isso.

    o que eu afirmo é que vc não sabe do que fala, de outro modo, cadê o exemplo de países que apresentam superávit fiscal e dívida crescente?

    se vc pelo menos se informasse dentro do teu partido não passaria por isso.

    Não esquece: quem está tomando empréstimos EM LARGA ESCALA tende a apresentar resultado nominal POSITIVO, mesmo se o resultado primário for NEGATIVO.””

    esquecer isso?! de modo algum, todos aqui adoramos essa magnífica sentença. apenas aguardamos sua prova factual.

    ;^)))

  146. iconoclastas said

    2 – De 2008 pra 2009 — que foi o período que TU escolheste, não eu — o crescimento da dívida total (até que enfim um reconhecimento) (e não apenas a externa), foi MENOR que a despesa de juros.

    sei, e o Flamengo ficou fora da libertadores em 2008 e foi campeão brasileiro em 2009…

    e daí?

    ;^?

  147. Pax said

    Off topic do off topic

    Nem sempre concordo com ele, mas, neste caso, acho que seu artigo é de uma precisão absurda.

    http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_materia.php?codMateria=9331/Se%20comer%20trufas%20de%20licor,%20não%20dirija

  148. elias said

    1 – Crescimento da dívida gera superávit ou, no mínimo, REDUZ déficit nominal, porque o ingresso dos recursos de operação de crédito é, NECESSARIAMENTE contabilizado como RECEITA, no ano em que ele ocorre. Não adianta chiar. É isso e pronto!

    Não quer dizer que vai dar superávit, necessariamente. Isso vai depender do porte das operações de crédito, da natureza e do porte do resultado primário, do valor das despesas com amortização e serviço da dívida, das receitas e despesas financeiras, etc.

    Agora, que vai influir positivamente no resultado, isso vai. Não tem como não influir, porque o ingresso de recursos de operação de crédito TEM QUE SER, NECESSARIAMENTE, contabilizado como RECEITA. Por essa razão é que, lá em cima, falei dos princípios da UNIDADE e da UNIVERSALIDADE do orçamento público. Não existe operação de crédito fora do orçamento. Se alguém fizer isso, estará ferindo o princípio da universalidade. As contas estarão bichadas.

    2 – Como demonstrei acima, as diferenças entre as apurações SOF e Bacen não alteram o resultado de nenhuma análise, porque são de pequeno porte.

    3 – A atual equipe econômica acha que o conceito de “Resultado Primário” não tem nenhum valor. O Mantega costuma dizer que ou o orçamento é superavitário ou não é; e ponto final. Nos pronunciamentos, ele enfatiza apenas o Resultado Nominal. Isso dá uma boa discussão.

    4 – A dívida pública federal vem crescendo permanentemente. Em R$ bi, era 826,9 em dezembro de 2002, passou pra 1.244,4 em dezembro de 2006 e pra 1.712,1 em dezembro de 2010. O que reduziu neste período foi a dívida externa.

  149. iconoclastas said

    “1 – Crescimento da dívida gera superávit ou, no mínimo, REDUZ déficit nominal, porque o ingresso dos recursos de operação de crédito é, NECESSARIAMENTE contabilizado como RECEITA, no ano em que ele ocorre. Não adianta chiar. É isso e pronto! ”

    claro, não tem nenhuma despesa, ou crédito, como contrapartida, não é isso?¹

    como eu disse, se trata de um erro primitivo, tanto q vc é incapaz de dar um único EXEMPLO de uma situação dessa natureza.

    “4 – A dívida pública federal vem crescendo permanentemente. Em R$ bi, era 826,9 em dezembro de 2002, passou pra 1.244,4 em dezembro de 2006 e pra 1.712,1 em dezembro de 2010. O que reduziu neste período foi a dívida externa.”

    a idéia de usar valores nominais é só para confundir ou é desconhecimento do tratamento prático que se dá (% do PIB)?

    ;^?

  150. Chesterton said

    http://faithandheritage.com/2011/04/hungarys-christian-constitution/

  151. elias said

    I
    “Eu: Crescimento da dívida gera superávit ou, no mínimo, REDUZ déficit nominal, porque o ingresso dos recursos de operação de crédito é, NECESSARIAMENTE contabilizado como RECEITA, no ano em que ele ocorre. Não adianta chiar. É isso e pronto! ”

    “claro, não tem nenhuma despesa, ou crédito, como contrapartida, não é isso?¹”

    Eu: Caramba! É o mesmo que dizer que receita não influi plositivamente no resultado da empresa, já que esta tem custo e despesa. Além do mais despesa ou “crédito” NÃO É, NUNCA FOI, NEM NUNCA SERÁ, “contrapartida” de receita. Contrapartida é outra coisa.

    Na contabilidade pública, quando há o ingresso de uma receita de operação de crédito, a contrapartida do lançamento dessa receita é a apropriação do mesmo valor no Ativo Disponível.

    O que o meu crítico quis dizer é que a existência de despesas e outros desembolsos pode anular o efeito positivo do ingresso da receita.

    Lógico! Por isto em disse “gera superávit ou, no mínimo, REDUZ déficit”…

    II

    Eu: “4 – A dívida pública federal vem crescendo permanentemente. Em R$ bi, era 826,9 em dezembro de 2002, passou pra 1.244,4 em dezembro de 2006 e pra 1.712,1 em dezembro de 2010. O que reduziu neste período foi a dívida externa.”

    “a idéia de usar valores nominais é só para confundir ou é desconhecimento do tratamento prático que se dá (% do PIB)?”

    Eu: Associar a evolução do resultado do orçamento público federal ao PIB não é “tratamento prático”, coisa nenhuma! O “tratamento prático” se dá na esfera da contabilidade pública, que não tem nada, absolutamente nada, a ver com o PIB.

    PIB é uma medida de desempenho macroeconômico, que abrange TODA a produção de um país. Já o resultado econômico do orçamento público federal expressa, apenas, o desempenho econômico do poder público federal. São coisas diferentes.

    A associação do orçamento público federal com o PIB é, assim, um recurso ANALÍTICO. Serve pra estabelecer uma relação entre o desempenho governamental e a economia do país, com o objetivo de formular direcionamentos governamentais. As taxas percentuais, como não poderiam deixar de ser, são indicadores QUALITATIVOS. Só isso, e com todas as limitações inerentes a uma análise em plano bidimensional.

    A relação entre déficit nominal e PIB pode cair, p.ex., sem que o déficit nominal tenha recuado um centavo. Basta que o PIB evolua positivamente a uma taxa mais elevada que o déficit. A razão entre ambos vai recuar, não porque o governo esteja fazendo alguma coisa pra reduzir o déficit, mas, simplesmente, porque o PIB cresceu mais intensamente.

    E crescimento do PIB não depende só de governo. Às vezes, não depende nem principalmente do governo.

  152. iconoclastas said

    ““Eu: Crescimento da dívida gera superávit ou, no mínimo, REDUZ déficit nominal, porque o ingresso dos recursos de operação de crédito é, NECESSARIAMENTE contabilizado como RECEITA, no ano em que ele ocorre. Não adianta chiar. É isso e pronto! ””

    muito errado, não é pouco.

    vê se aprende:

    resultado nominal = resultado primário – juros apropriados.

    quanto maior o déficit nominal maior será o crescimento da dívida ( ou menor sua redução).

    quanto maior o superávit nominal menos dívida o país vai ter.

    imprime e põe no teu monitor para nunca mais repetir a barbaridade que vc insiste.

    não precisa dessa enrolação de tentar explicar toscamente o que é PIB, o que interessa é que quando se fala em contas nacionais (crescimento, resultado fiscal, dívida e etc) se trata sempre em proproção do PIB.

    ;^/

  153. elias said

    “claro, não tem nenhuma despesa, ou crédito, como contrapartida, não é isso?¹”

    “Contrapartida” é outra coisa, rapaz…

    E o ingresso de recursos de operações de crédito, internas ou externas, é RECEITA no ano em que ocorre. Sendo receita, influi POSITIVAMENTE no resultado econômico.

  154. Pax said

    No mínimo vale dar uma espiada no que fala Delfim Neto.

    Entre outras coisas: China deve reduzir seu espantoso crescimento com a aterrizada dos EUA e da Europa. E o Brasil? Bem, aqui vai a opinião dele

    http://www.cartacapital.com.br/economia/recessao-anunciada/

    E também vale, pegando a discussão de vocês sobre serviço da dívida

    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/11/19/custo-para-manter-reservas-ja-e-igual-ao-do-pagamento-dos-juros-da-divida

    Minha opinião sobre isto tudo? Prefiro mais ouvir que me meter neste assunto que não é bem pauta que eu domine, de forma alguma.

    Tudo que sei é que se a economia for para baixo não há governo que pareça bom para o povo. Basta ver agora que os conservadores devem retomar o poder na Espanha e mais centenas de exemplos iguais.

    (ah, e sem esquecer, que acho a visão do Delfim sobre energia no potencial amazônico uma tremenda bola fora)

  155. Chesterton said

    Pax, escute bem, os conservadores criam condições para que o povo produza riquezas (trabalhe, poupe, invista), os esquerdoides (que não descobriram ainda que governo não pode criar riquezas – ou sabem – ….) usam a riqueza acumulada para aumentar seu poder político comprando votos com favores e benesses sob a desculpa de justiça social.
    O resto é papo furado, detalhe de micro-manegement.
    De 30 em 30 anos esse ciclo se refaz, com crises provocadas por falta de recursos para sustentar a imensa massa de gente que é consumidora líquida do tesouro nacional- aposentados, bolsistas, beneficiarios de regalias, pensões e similares.
    Não pensem que o Brasil está livre dessa armadilha, pelos motivos explicitados no artigo que você postou.
    Agora leia isso aqui, pelo menos uma vez na vida, para entender o problema

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=649

  156. Chesterton said

    http://economia.estadao.com.br/noticias/economa%20brasl,o-brasil-e-hoje-a-versao-20-da-espanha-de-2003-diz-economista-espanhol,92827,0.htm

    ‘O Brasil é hoje a versão 2.0 da Espanha de 2003’, diz economista espanhol
    Para Santiago Nino Becerra, Brasil segue o mesmo caminho adotado pela Espanha, de endividamento e de crescimento pelo crédito

  157. elias said

    Pax,

    Vale a pena destacar 2 trechos do texto do Delfin:

    “Enquanto na maioria dos países a prioridade passou a ser a salvação do sistema bancário, aqui a intuição do presidente mostrou que o dever sagrado dos governos era garantir às pessoas as condições de continuar trabalhando e consumindo. E tão logo superou a fase crítica tratou de renovar os incentivos aos setores privados para a retomada do crescimento, com ênfase no aumento da produção industrial e nos investimentos na infraestrutura.”

    “Diante da nova crise que se abateu com virulência ampliada nos mercados financeiros da Zona do Euro, o governo da presidenta Dilma Rousseff foi obrigado a adotar medidas prudenciais para aumentar a solidez da política fiscal e flexibilizar a política monetária, mantendo inicialmente a expansão do crédito ao consumo e reduzindo as taxas de juro. O aumento da inflação externa, ameaçando a meta inflacionária, levou o governo a restringir temporariamente a expansão do crédito, que aos poucos está sendo retomada com bastante prudência.”

    Não tenho grandes simpatias pelo Delfin. Até hoje acredito que, fosse o Brasil a democracia que é hoje, o “Relatório Saraiva” teria detonado com o Delfin pro resto da vida.

    Mas o fato é que o cara é um cracão em análise macroeconômica. Pouca gente tem peito de entestar com ele, tecnicamente. A maior parte das contestações ao Delfin vem sob a forma de ofensas pessoais.

    Criticando ou elogiando, as análises mais bem feitas sobre a política econômica do governo Lula sem dúvida que foram feitas pelo Delfin. Sem essa baboseira de “software” ou “piloto automático” que, não bastassem as debilidades em si mesmas, não explicaria por que Lula se deu bem exatamente onde FHC fracassou. E num contesto internacional infinitamente desfavorável a Lula…

  158. Chesterton said

    ECONOMIA
    BC incentiva crédito quando dívida de brasileiro bate recorde
    Desde a crise de 2008, a dívida total dos brasileiros saltou 80,7% e o valor das parcelas pagas mensalmente cresceu 60%

    Fernando Nakagawa, O Estado de S. Paulo

    O governo volta a incentivar o crédito para o consumo em um momento que, teoricamente, tem ingredientes arriscados: brasileiros nunca deveram tanto e nunca comprometeram parcela tão grande do salário para pagar as dívidas. Desde a crise de 2008, quando o governo aumentou a oferta de crédito para manter a economia aquecida, a dívida total dos brasileiros saltou 80,7% e o valor das parcelas pagas mensalmente cresceu 60%. Enquanto isso, o salário aumentou bem menos: 33,3%.

    Dados do Banco Central revelam que o endividamento das famílias está no nível mais alto da história: pessoas físicas devem cerca de R$ 715,19 bilhões aos bancos em operações das mais simples, como o microcrédito e o cheque especial, até financiamentos longos, como o imobiliário e de veículos, passando pelo caro cartão de crédito.

    Segundo o BC, cada brasileiro deve atualmente 41,8% da soma dos salários de um ano inteiro, um recorde. Há pouco mais de três anos, quando começou a crise de 2008, brasileiros deviam o correspondente a 32,2% de sua renda de 12 meses.
    noblat

  159. elias said

    I
    41,8% da soma dos salários de um ano?

    Pra qualquer classe mérdia da vida isso é pinto…

    O financiamento de um carro com dh, ac, ca, ve, td, alarme & quejandos, prum cara que ganha 10 paus por mês, já dá mais que isso. E, o que nunca faltou neste país, foi gente ganhando menos que isso, que compra carro assim.

    II
    O autor do artigo levou em conta apenas o aumento do salário. Ou seja, ele parte do princípio de que a quantidade de pessoas ocupadas é exatamente a mesma.

    Será que não houve aumento de pessoas ocupadas e com renda?

    Tendo havido aumento, será que isso também não influiu no aumento do consumo?

    Uma análise da Economist diz que sim. Diz que o aumento do consumo no Brasil se deu também por causa de uma mobilidade social vertical e ascendente, que tirou pessoas das classes D e E, e levou-as para a classe C (que, de acordo com o IPEA, já representa 50% da população brasileira e 46% do consumo).

    Para o articulista da Economist, o Brasil corre o risco de enfrentar, no futuro próximo, um problema de engargalamento do consumo por falta de pontos de venda. De acordo com a revista, o brasileiro gosta de comprar em shopping center, e o Brasil tem apenas 400 shoppings, mais ou menos. Parece que o aumento de shoppings não acompanhou o aumento de consumidores.

    Além disso, a revista fala do acirramento do preconceito social. Pessoas que não se sentem bem tendo que compartilhar o espaço de suas lojas preferidas, com uma parcela da população que, até bem recentemente, nem olhava pelas vitrines…

    Amigo meu diz que outras publicações estrangeiras estão dizendo a mesma coisa. Segundo ele me falou, essas publicações dizem que na Índia e na China não está acontecendo o mesmo, porque, nesses países, está havendo crescimento econômico com concentração de renda, enquanto que, no Brasil, está ocorrendo um discreto processo de inclusão social.

    Além disso, essas publicações destacam o fato de que chinês e indiano gostam de poupar, enquanto que brasileiro gosta mesmo é de gastar…

    III
    Com a economia crescendo, o aumento do endividamento das pessoas pra até metade da renda anual nunca foi problema.

    Problema é quando a economia estagna ou anda pra trás. Com o desemprego aumentando, menos de 30% de endividamento a coisa já complica.

    Conclusão: as taxas pelo Chesterton podem ser um grande problema… Ou podem não ser problema nenhum.

    É algo que não depende apenas delas. Precisa de muitos outros ingredientes, pra se ter a feijoada completa…

  160. elias said

    Onde está escrito:

    “Conclusão: as taxas pelo Chesterton podem ser um grande problema… Ou podem não ser problema nenhum.”

    Leia-se:

    “Conclusão: as taxas CITADAS pelo Chesterton podem ser um grande problema… Ou podem não ser problema nenhum.”

  161. Pax said

    Sem tempo para fazer post sobre:

    Belo Monte – excelente… http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2011/10/belo-monte-nosso-dinheiro-e-o-bigode-do-sarney.html

    Vazamento da Chevron – http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/11/21/o-2018mea-culpa2019-da-chevron

    Investigação de 62 juízes com suspeita de enriquecimento “anormal” – para assinantes ( http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/10207-corregedoria-apura-enriquecimento-de-62-juizes-sob-suspeita.shtml )

  162. elias said

    Pax,

    Ainda não li toda a entrevista sobre Belo Monte. Mas achei fraquinho o que li, não por causa da entrevistadora.

    I
    O cara pode ser muito bom (e é, mesmo!). O problema dele é subordinar a análise a simpatias políticas pré-existentes.

    Aí, acaba saindo coisas do tipo: No tempo do FHC era melhor, porque a gente sentava pra conversar, embora essas conversas não resolvessem lhufas de coisíssima alguma…

    Ora, passa mais tarde, rapaz…!

    II
    Outra: “…obra (Belo Monte) cujos 11.200 megawatts de potência instalada só vão funcionar quatro meses por ano por causa do funcionamento hidrológico do Xingu.”

    É ainda pior do que isso, professor! Muito pior! São mais 4 ou 5 lagos à montante (tem gente falando em até 7 lagos…), que vão armazenar água pra garantir a potência firme de 11 mil MW nas estiagens do Xingu. A fio d´água, a potência firme seria de menos de 4 mil MW, ou seja, menos de 40% da potência instalada (uma hidrelétrica só é viável economicamente se sua potência firme for igual ou superior a 40% de sua potência instalada).

    Esses lagos à montante vão inundar uma área várias vezes maior que o lago da hidrelétrica de Tucuruí, no Rio Tocantins, também no Pará.

    Aí há o problema da bio-massa continental; o problema da submersão de províncias minerais inteiras, etc, etc, etc.

    E, claro, o problema dos índios que, por serem os únicos que estão chiando e fazendo oposição pra valer, acabam parecendo que serão os únicos prejudicados. Não são. Os índios são, apenas, os brasileiros mais conscientes de seus próprios direitos e os que mais se dispõem a lutar pelo que entendem ser seus direitos.

    No fechar das contas, os índios são, apenas, mais cidadãos do que nós.

    III
    Reduzir isso aí ao jogo miúdo de políticos corruptos e empreiteiras gananciosas é confundir os saltos dos nossos tamancos com os altos dos picos do Himalaia.

    É ainda pior, professor! Muito pior!

    Alguém acha que, sem Tucuruí, o Brasil estaria exportando minérios de ferro, cobre, bauxita alumínica e refratária, além de guza, alumina e alumínio, nas quantidades atuais?

    Dêem uma olhada na balança comercial brasileira, e vejam o que isso representa, pra formação do saldo comercial brasileiro.

    Exportar eletrointensivos, como alumina e alumínio, é o mesmo que exportar energia elétrica. Quem exporta alumina e alumínio a preços subsidiados (porque subsidia a energia elétrica, principal insumo para a produção desses eletrointensivos), está subsidiando a energia elétrica exportada.

    Quem acha que isso é só jogo de empreiteiras brasileiras está olhando sem ver…

    As empreiteiras e a politicalha corrupta entram num outro nível.

    Observe, Pax, que, inicialmente, japoneses iam financiar 1/3 de Tucuruí, pra ficar com 1/3 da energia elétrica que ela produziria.

    O Japão precisava fazer isso. Os japoneses tiveram que fechar 41 fábricas de alumina e alumínio, cujo custo se tornou proibitivo, por causa do preço do petróleo.

    Por isto é que foi decidida a construção de Tucuruí, encaixada dentro do Programa Grande Carajás, do qual projetos como Ferro-Carajás, Porto Trombetas e Albrás/Alunorte (tudo isso no Pará), e Alumar e Itaqui (no Maranhão), são apenas parcelas.

    Só que, com a roubalheira campeando nas obras de Tucuruí, os japoneses pularam fora da hidrelétrica; ficaram apenas com o restante da infraestrutura do PGC (se você olhar de perto, verá que a Vale é, basicamente, uma empresa de logística).

    De acordo com Eliezer Batista, um dos condutores dos acordos Brasil/Japão (e também presidente da Vale), a roubalheira em Tucuruí chegou a mais de 2 bilhões de dólares. Um volume tão grande que até hoje afeta o custo da energia elétrica no Brasil.

    Segundo o coronel Raimundo Saraiva, autor do famoso “Relatório Saraiva”, uma boa parte dessa grana teria ido parar nos bolsos de Delfin Neto (que, ainda segundo o relatório, também atuaria como dinheiroduto pra abastecer outros próceres do regime militar). Por essa época, Delfin já era embaixador em Paris, e foi quem conduziu as negociações com a França, pra fornecimento das 12 primeiras megaturbinas de Tucuruí. De acordo com o “Relatório Saraiva”, o preço das turbinas foi superfaturado, tendo sido financiado com empréstimo que a França concedeu ao Brasil, a juros também fora do, digamos, padrão.

    Basicamente, esse é o jogo. As hidrelétricas na Amazônia saem do papel pra ampliar o espaço que a energia elétrica ocupa no cardápio das commodities que o Brasil exporta cada vez mais. Em outras palavras: manter e intensificar o modelito colonial que, no frigir dos ovos, há muito já completou suas 500 risonhas primaveras.

    Já a roubalheira… É a de sempre… São as hienas de sempre, se fartando na carniça que interesses externos generosamente deixam cair no chão, pra elas.

    Mas as hienas, Pax, são apenas a parcela mais fétida dos serviçais de dentro. Os patrões são outros…

  163. Pax said

    Caro Elias,

    Entendo seu descontentamento, mas numa entrevista há pouco espaço para se colocar todos os pontos sobre esta questão, que é complexa pacas.

    Aqui há um painel mais abrangente que pretendo dar uma espiada melhor, quando der.

    http://www.xinguvivo.org.br/wp-content/uploads/2010/10/Belo_Monte_Painel_especialistas_EIA.pdf

  164. Elias said

    Pax,

    Li toda a entrevista do Barmann. Ele aborda, sim — e muito bem! — a questão da produção de primários eletrointensivos. Além disso, questiona se o Brasil necessita ou não produzir tanta energia hidrelétrica assim, e a um custo tão elevado (do ponto de vista econômico, social e ambiental).

    O problema, pra mim, é quando ele fulaniza (“é culpa do Sarney!”), ou partidariza (“é o PMDB! É o PT!).

    Ora, Pax: essa escrita vem de longe. Pra ficarmos só em termos de hidrelétricas e da produção de eletrointensivos, mencionei Tucuruí e respectivas circunstâncias, numa época em que o PT e o PMDB nem existiam (o PT ainda não havia sido fundado e o PMDB ainda era o MDB, que fazia oposição ao regime militar e, aliás, dizia as mesmas coisas que o Barmmann diz agora).

    E, no entanto, a escrita era a mesma. Exatamente a mesma! De um lado, o modelito neocolonial; de outro, a escumalha carniceira de ladrões.

    E ainda tem mais: boa parte do pessoal que critica Belo Monte, aplaude entusiasticamente os lucros da Vale… Como se esses lucros fossem possíveis sem o subsídio à energia elétrica que a Vale consome…

    Esses aí são os inocentes (in)úteis.

  165. Pax said

    Caro Elias,

    Veja, citei a entrevista que me parece boa, sim. E continuo achando boa, apesar de respeitar tua opinião.

    Não vejo mal algum dele fulanizar e partidarizar o problema. Ao contrário. Entendo que hoje temos dois problemas significativos que merecem atenção e discussão.

    – falta de bons nomes, bons líderes

    – falta de conceitos, de DNA, de alma, nos partidos

    Senão vejamos:

    a) aponte-me bons nomes, com projeção nacional, que poderiam abraçar causas capazes de mover o povo brasileiro, por favor? Eu confesso que vejo cada vez menos. Temos o Lula que já foi, já fez e já se desgastou. Fosse ele ficava com o lucro com que saiu. Temos o FHC que é muito parecido com o Lula, fez, se desgastou e sai no lucro também. Temos o Kassab, o Eduardo Campos (esses dois com pouca expressão nacional), a Marina e? Ciro Gomes? Nem ouso falar em Alckmin e Serra porque os considero abaixo da crítica. Aécio? Brilhante demais. Então, quando começo a pensar em fulanizar a solução confesso que mais fulanizo problemas e desgastes. No PT houve mesmo uma devassa geral, assim como no PSDB.

    b) nesta questão partidária mais ainda. O PSDB e o PT que são os dois que mais respeitamos (queiramos ou não, é bem por aí) se desgastaram um bocado. E até este desgaste pode ser associado aos seus devidos bigodes, o PSDB com o do velho falecido e vomitável coronel da Bahia (e, tb com o coronel do Maranhão) e o PT com o bigode do Maranhão, principalmente, mas ainda se desgastando um bocado com problemas de Alagoas, RJ e por aí afora, com seus garotinhos e colloridos, calheiros, jucás etc da vida. Perderam a alma, ao menos perderam para quem não está com vínculo maior, que não é petista.

    Nesta questão de Belo Monte, de novo, acho que o Barmann acerta ao afirmar que Dilma é cabeça dura. Aqui ela parece ser um bocado. Colocou o tacape na mesa e disse: “Vai sair”. Será que vale a pena isso tudo? Perderá, no meu entender, um bocado do capital político que tem recebido de gente não petista.

    Todo mundo sabe, por aqui, que defendo o governo Dilma. Colhi informações na minha terra, RS, vejo tudo que rolou, sei que ela para poste passa longe, tem lá suas virtudes sim senhor e, ainda mais, não acho que esteja cometendo erros estruturais neste primeiro ano e nesta enxurrada de escândalos de ministros-cai-cai etc. Ao contrário, no meio desta tempestade ela tem saído ilesa (de novo, não para alguns petistas e não para a oposição mais histérica). Um pouco à além, me parece que tem tomado devidos – e possíveis – cuidados com a crise internacional que parece menor mas pode ter potencial ainda maior que a de 2008. Vejo Dilma segurando o cofre e gosto muito do que tenho visto.

    Mas nesta questão, de Belo Monte, não consigo concordar com a presidente. Aliás, quer saber, não consigo mesmo é concordar com o bigodão dando as cartas neste assunto, ainda mais com o preposto que colocou lá, aquela nulidade disfarçada em jornalista administrando uma das variáveis mais importantes do país, a energia.

    Junte toda esta fulanização e partidarização – que coloquei acima para teimar contigo- com as questões da Vale, do alumínio, do impacto ambiental, do impacto social, da perda da oportunidade de nos colocarmos com o grande país das energias alternativas (e já somos um bocado com o álcool combustivel) etc e vejo Dilma, aqui, fraca.

    Se ela desse uma rabeada de jacaré com fúria e mudasse de opinião, teria em mim um admirador muito maior. Por enquanto só a defendo no que acho que está agindo bem. Mas não sou nenhum fã de carteirinha. Longe disso.

  166. Chesterton said

    Interessante a entrevista da Época, Pax, esse cara me lembra um pouco o Lutzemberger.

  167. Chesterton said

    Vem aí a Comissão da Verdade, produto do compromisso com alguma solução política que 1) confirme a intenção governamental de dar satisfação sobre os fatos da ditadura (1964-1985) e 2) evite dissensos em grau que possa atrapalhar o governo.

    Aparentemente a coisa anda sob controle, delimitada pelas decisões do Supremo Tribunal Federal sobre a Anistia e pela amplitude da costura feita para o projeto passar no Congresso.

    Aliás o relator no Senado foi do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira (SP). Ele próprio um ex-guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional. E que depois migrou para o Partido Comunista Brasileiro, para a linha de luta de massas e frente ampla contra a ditadura.

    Tudo parece estar controlado, mas a vida é mais complexa que os esquemas previamente definidos. E os fatos políticos uma vez nascidos ganham pernas. Passam a caminhar com certa autonomia.

    É o que acontecerá com a Comissão da Verdade.

    Seus membros serão escolhidos com um olho na isenção, dizem. Impossível na prática.

    Os mundinhos da política e da opinião pública costumam cultivar a ilusão do apartidarismo, das personalidades técnicas, das expressões suprapartidárias.

    Dos entes moral e intelectualmente acima das diferenças que engolem os mortais comuns. Engana-me que eu gosto.

    Quando a roda começa a girar a conversa muda. Cada um assume seu lado e o bicho pega.

    A Comissão da Verdade, concebida como foi e montada como será, vai carregar um imenso potencial publicitário.

    Será uma fonte caudalosa de pautas, de matéria-prima para o trabalho jornalístico fora do ramerrame da politiquinha.

    E já lembrava o personagem vivido por Al Pacino no belo Advogado do Diabo: o pecado capital preferido do tinhoso é a vaidade. E a política sem vaidade ainda está por ser inventada.

    Quem vai resistir à tentação de sobressair como justiceiro? É quase irresistível. Quem vai resistir a assumir o papel de certificador histórico? Será quase desumano pedir ao sujeito que recuse.

    Esse segundo aspecto é menos discutido. Há no governo interesse em que a Comissão da Verdade produza uma nova história oficial do regime militar. Algo que venha como a palavra definitiva sobre aquele período.

    Ainda que no longo prazo seja inútil, pois o destino das histórias oficiais é a desmoralização. Que vem quando o vento muda de lado e a força antagonista assume o poder para produzir sua própria versão oficial dos acontecimentos passados.

    Mas taticamente a coisa pode ter alguma utilidade, pois nas escolas militares e na caserna persiste a linha de que a intervenção das Forças Armadas em 1964 teve por objetivo defender a democracia contra um golpe comunista.

    As Forças Armadas venceram a guerra contra as organizações guerrilheiras no plano militar, mas na guerra durante a paz, ou pós-guerra, não repetem o desempenho.

    Os adversários derrotados no campo de batalha foram empurrados para a luta política institucional, onde tiveram sucesso. Os três últimos governos vieram comandados por personagens da resistência ao regime militar.

    Mas falta completar a obra no terreno ideológico-doutrinário. Obrigar os militares a aceitarem a versão histórica dos adversários.

    Eis por que a Comissão da Verdade começa relativamente consensual mas tem tudo para transformar-se em palco de intensa luta político-ideológica.

    Porém o cenário para o governo não é todo cor de rosa. O texto permite escarafunchar também as violações aos direitos humanos cometidos pela resistência.

    E aí a caserna leva alguma vantagem. Pois desde a transição de 1984-85 as Forças Armadas cuidam de coletar e sistematizar todas as informações sobre a atuação dos adversários naquela época.

    Guerras só são bonitas nos maus livros de História. Ou na propaganda. Na vida real, quando há guerra todos perdem. Ganha quem perde menos. Mas todos os lados contabilizam vítimas.

    Coluna publicada nesta segunda (21) no Estado de Minas.

    POR ALON FEUERWERKER

    chest- vai ser muito engraçado ver vítimistas passando para o papel de algozes.

  168. Chesterton said

    O tráfico de drogas é reconhecido de modo unânime como principal vetor de violência e insegurança na nossa sociedade. Ficaram para trás as teorias alternativas. Entre elas a que atribuía o problema à pobreza.

    A realidade encarregou-se de provar que não é assim, pois nos anos recentes a criminalidade cresceu mais onde mais a economia expandiu, e onde mais se distribuiu renda: nas regiões metropolitanas do Nordeste.

    Nem seria necessária essa constatação “laboratorial”. Bastaria olhar os mapas. As manchas geográficas de pobreza não coincidem com as da violência e do crime. São fenômenos em boa medida desvinculados.

    chest- quando eu dizia iss era demonizado…

    http://www.blogdoalon.com.br/2011/11/dois-mundos-2011.html

  169. Pax said

    Caro Chesterton,

    O Alon é um dos melhores blogueiros/jornalistas, ou jornalistas/blogueiros da atualidade.

    Mas…

    Não quer dizer que sempre acerte.

    Nesta questão da Comissão da Verdade, por exemplo, ele fala um besteirol altamente questionável. Afirma que ninguém ganha com as guerras. Ou, melhor, que ganha quem perde menos.

    Então… tá.

    Mas se a gente se lembrar da WW1 a gente vai levantar que os EUA deviam à Inglaterra, antes de 1914, US$ bilhões. Em 1918 a Inglaterra devia aos EUA R$ 18 bilhões.

    Ou seja, o Alon, o grande Alon, falou um besteirol danado.

    Há quem ganhe em guerras, sim senhor.

    Atualmente as guerras dos EUA são vencidas por interesses para lá de esquisitos. O governo afunda, mas uma enorme lista de empresas privadas ganha um bocado. Sejam de energia, se armamentos e outras coisas relacionadas.

    Ah, sim, como disse ao caro Elias, gostei da entrevista, também. Tanto que trouxe para cá.

    E, por fim, essa história de achar que o crime está desvinculado da desigualdade social, de forma geral, não me convence. Assunto para mais de metro.

  170. elias said

    Pax,

    A “fulanização” e a “partidarização” são superimportantes, porque desviam a atenção das pessoas do substantivo pro acessório.

    Claro que o combate à corrupção, seja ela de quem for, é algo absolutamente necessário e urgente em nosso país.

    Agora, afirmar que a política energética, em especial o aproveitamento do potencial hídrico da Amazônia é decidido, basicamente, pelos interesses — digamos — corruptacionais de Sarney e caterva, é pular uma passagem.

    Essa feijoada leva ingredientes muito mais pesados…

    Espantoso como o cidadão, tendo estudao tanto, e sabendo tanto, ainda não percebeu que o modelo é anterior ao próprio nascimento do Sarney, como político. E olha que Sir Ney está na estrada desde mil novecentos e Hebe Camargo…

    O tamanho da encrenca é tamanho, que mesmo roubalheiras de US$ 2 bilhões, num único projeto, é acessório… Como em Tucuruí…

  171. Chesterton said

    Pois eu achei a entrevista interessante, mas a entrevista\dora é aquela que acha que os ateus estão sendo perseguidos porque um motorista de taxi que ela queira converter ao ateismo militante disse: ” Deus me livre”.
    E achar que a queima de casca de arroz gera energia suficiente para o que quer que seja , além de um engenho…PQP, é uma coisa de anta. Você bem sabe que da minha infancia percorri desde o fogo de lenha para cozinhar, ao querosene para resfriar ( a geladeira) , o catavento para puxar água do poço e alimentar 6 baterias de submarino, até o diesel e finalmente a luz elétrica, quando chegou a modernidade, que temos como garantida.
    O interesse na entrevista é que são 2 tontos confundindo a realidade com seus desejos e fantasia.
    Indeniza os ribeirinhos e faz logo a hidrelétrica, pô!

  172. Chesterton said

    E, por fim, essa história de achar que o crime está desvinculado da desigualdade social, de forma geral, não me convence.

    chest- isso não é culpa do criminoso, é problema particular seu. Atenha-se aos fatos, não a delírios baseados em “wishfull thinking”.

  173. elias said

    Pax,

    Delinquência não tem nada a ver com desigualdade social. A “taxa de delinquência” é mais ou menos a mesma em todas as classes sociais.

    Por isto mesmo, é claro que, se uma classe é muito mais numerosa que as demais, seus delinquentes aparecerão muito mais, em termos absolutos.

    O que muda, de uma classe social para a outra, é a FORMA DE DELINQUIR.

    Os delinquentes das classes sociais mais baixas, só conseguem ter acesso a formas mais primitivas de delinquência: assalto, furto, etc.

    Os delinquentes das classes sociais mais elevadas, adotam formas mais sofisticadas de delinquência: sonegação de impostos, superfaturamento, etc.

    Mas a mecânica de raciocínio de ambos é exatamente a mesma: obter benefícios pessoais de maneira desonesta, não importando o quão danoso isso possa ser, para outras pessoas e/ou para a sociedade em geral. Em outras palavras: individualismo e egoísmo exacerbados.

    Não por acaso, em países civilizados, como a Suécia, a sonegação de impostos é um crime tão grave quanto o roubo.

    O Brasil é que é um país tão doente, que as pessoas, quase que inconscientemente, são levadas a considerar “criminosa” apenas a delinquência da ralé…

    É certo que a coisa está mudando, mas… Ainda não chegamos lá, né?

  174. elias said

    Pax,

    Claro que a entrevista é boa. Mas tá longe, muito longe, longe mesmo, de uma reflexão minimamente pertinente sobre a inserção dos recursos hídricos da Amazônia na matriz energética brasileira e suas reais motivações.

    A esse propósito, recomendo a leitura dos textos de Lúcio Flávio Pinto, respeitadíssimo até mesmo por aqueles em quem ele baixa o cacete.

    Aliás, o LFP acaba de lançar um livro sobre o assunto: é “Tucuruí, a barragem da ditadura”.

    Lúcio vai fundo na análise do jogo de xadrez político que cercou o projeto (a rasteira que os EUA deu na ditadura brasileira; o revide de Geisel — na realidade, preparado antes mesmo da rasteira americana ser desfechada — denunciando o acordo de cooperação militar com os EUA e se aproximando da Alemanha, França, China e Japão; a costura dos acordos de financiamento com a China e o Japão, e por aí afora).

    Também analisa a consequência desse jogo todo pro desenho básico do aparelho produtivo brasileiro (tem uma turminha aí criticando a excessiva dependência da economia brasileira ao mercado de commodities e, ao mesmo tempo aplaude Belo Monte: por ignorância ou má-fé, não percebe o que uma coisa tem a ver com a outra).

    E, por fim, Lúcio chega junto dos comedores de carniça que encheram as burras na roubalheira barragista (o “subtema acessório” de um enredo barra pesada…).

    O negócio, Pax, é que há um desenho geral, que vem da época do regime militar e no qual até agora ninguém mexeu. Esse desenho é que determina tudo. A roubalheira é um detalhe desse quadro. Um ingrediente da superfeijoada completíssima, daquelas que tem até ambulância na porta do anfitrião…

    O entrevistado elogia FHC… Ora, FHC passou 8 anos lá, como Lula, e não mexeu absolutamente nada nesse desenho. Tal como Lula…

    A diferença é que Lula pelo menos tirou alguns projetos do papel. Por exemplo: Lula concluiu a transposição da barragem de Tucuruí, viabilizando a hidrovia Araguaia-Tocantins (o que, de tabela, viabiliza economicamente a ALPA, uma das maiores plantas de aços laminados do planeta, se não a maior…). Só pra registrar: por lei, a hidrelétrica de Tucuruí nem poderia ser posta a funcionar sem que sua transposição houvesse sido concluída.

    FHC não conseguiu tirar os projetos do papel. Ficou só no papo… De quebra, nem conseguiu gerenciar adequadamente a matriz energética que ele recebeu e cujo desenho manteve: acabou tendo que gerenciar apagão.

    É relativamente fácil sacar por onde passa o pensamento do professor entrevistado… Basta ler com mais cuidado entre uma linha e outra de sua entrevista.

  175. elias said

    Pax,

    A transposição da barragem de Tucuruí era obra da Eletrobrás/Eletronorte. Quando o custo original da hidrelétrica começou a duplicar, triplicar, quadruplicar… a ditaduura tirou a transposição da equação e jogou pra Portobrás… Que embromou durante o governo Sarney.

    Aí veio o Collor e detonou com a Portobrás. Junto com esta, sumiu o projeto da transposição. Que permaneceu sumido durante o governo FHC. Só saiu do embargo de gaveta com o Lula, que terminou a obra e a inaugurou, no ano passado.

    E bota farinha nesse angu…

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