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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Senado Ficha Suja

Posted by Pax em 29/12/2011

Lei é lei. Cumpra-se. Não quer dizer que tenhamos que aceitar sem deixar registrado o incômodo de ver o senador Jader Barbalho assumir depois de ter renunciado seu mandato em 2001 acusado de desvios de verbas da SUDAM – Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia. Renunciou para não ser cassado. Como o STF entendeu que a anterioridade não deve ser aplicada às eleições de 2010 a brecha foi aberta e o senador do Pará assume.

Jader já foi líder do PMDB e presidente do Senado. Engrossará a fileira não unânime do partido que apóia o presidente da casa, José Sarney.

Eles se merecem.

As perguntas que ficam é se o Brasil, sexta economia do mundo, merece este quadro desgastado de senadores acusados de inúmeras irregularidades e, como sempre acontece numa situação como essa, se precisamos mesmo de um Senado. Esta é uma discussão que a sociedade brasileira ainda terá, só não se sabe quando.

Jader Barbalho toma posse no Senado e critica a questão da anterioridade prevista pela Lei da Ficha Limpa

Mariana Jungmann – Repórter da Agência Brasil

Brasília – O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) tomou posse hoje (28) fazendo críticas à Lei da Ficha Limpa. Ele era o último senador barrado pela lei nas últimas eleições que ainda não havia tomado posse: Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e João Capiberibe (PSB-AP) assumiram seus postos antes do recesso parlamentar.

Barbalho disse que votou favoravelmente à Lei da Ficha Limpa, mas criticou o fato de ela abordar questões anteriores à sua publicação. Ele havia sido impedido de tomar posse por ter renunciado ao mandato de senador em 2001 para não ser cassado, o que é um critério de inelegibilidade previsto na lei. “Toda lei entra em vigor na data de sua publicação. Foi o Supremo [Tribunal Federal] que disse isso. Não pode uma lei entrar em vigor tratando de assuntos pretéritos. As sociedades organizadas são regidas exatamente pela vigência das leis”, disse.

Apesar disso, ele declarou seu arrependimento pela atitude tomada em 2001, quando foi acusado de desviar R$ 9 milhões da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) para aplicar em um ranário de propriedade de sua mulher na época e abdicou do mandato que exercia. “De certa forma eu me arrependo da passionalidade com que eu me envolvi no debate. O meu gesto foi de natureza política”, ressaltou o senador.

Jader Barbalho lamentou ainda que tenha perdido 11 meses de mandato em função da lei que foi considerada pelo STF como inaplicável nas eleições de 2010 e rebateu as acusações da senadora Marinor Brito (PSOL-PA), que até hoje ocupava a vaga, de que houve pressa para que ele fosse empossado. “Eu lamento que, no momento em que o Supremo declarou que a lei era inconstitucional, que eu não tenha imediatamente exercido o mandato de senador do Pará”, disse.

Com o Senado em recesso desde o dia 22, a Mesa Diretora da Casa convocou oito senadores para dar posse a Jader Barbalho. A cerimônia foi conduzida pela primeira vice-presidente, senadora Marta Suplicy (PT-SP) e contou com a presença dos senadores João Vicente Claudino (PTB-PI), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Cícero Lucena (PSDB-PB), Waldemir Moka (PMDB-MS), Gim Argelo (PTB-DF) e do líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR).

Jucá, aliás, foi o principal representante do PMDB que deu as boas vindas a Jader Barbalho. Para o líder governista, ele será um aliado importante da presidenta Dilma Rousseff no Senado. “É mais um membro para a base do governo e um aliado do PMDB que vai ajudar”, declarou Jucá.

Jader Barbalho já foi presidente do Senado e líder do PMDB na Casa antes de renunciar ao mandato de senador. Até o ano passado, exercia o mandato de deputado federal pelo Pará. O primeiro discurso do novo senador só deve ocorrer na primeira sessão ordinária do Senado Federal, em fevereiro, quando os parlamentares retornarem do recesso.

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92 Respostas to “Senado Ficha Suja”

  1. Pax said

  2. Zbigniew said

    E comum aos nossos parlamentos aprovar materias de interesse proprio no apagar das luzes do ano, normalmente como materia extra-pauta.

    E ai fica a pergunta: precisamos realmente de camara de vereadores, assembleias legislativas e senado neste pais? Haveria alguma alternativa, mais proxima da populacao ou que permita a populacao uma participacao mais efetiva e menos dependente da honestidade e do senso de etica dos nobres parlamentares?

    “As Câmaras Municipais de ao menos seis capitais brasileiras aprovaram reajustes de até 62% nos contracheques dos vereadores, informa reportagem de Sílvia Freire e Felipe Luchete, publicada na Folha deste sábado (aíntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

    O objetivo da antecipação, programada apenas para o fim de 2012, é evitar o desgaste político de votar aumento salarial em ano de eleições municipais. Com isso, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Maceió terão, a partir de janeiro de 2013, incremento da folha de pagamento dos vereadores.

    No Rio de Janeiro, apesar de a lei estabelecer que o reajuste só pode entrar em vigor na legislatura seguinte, os vereadores já estão recebendo o aumento de 62%. Em São Paulo e em outras duas capitais, Porto Alegre e Goiânia, os vereadores também aprovaram ao longo deste ano outros reajustes, já em vigor –de 22,7%, 20,7% e 14,73%, respectivamente.”

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/1028230-salario-de-vereador-sobe-ate-62-em-seis-capitais-do-pais.shtml

    Aqui a tentativa de explicacao pelo vereador Jurandir Liberal da Camara de Vereadores da Cidade do Recife. Observem que o aumento pode ate ser legal, mas e imoral. Qual trabalhador tem um aumento da ordem dos auto-concedidos aos vereadores (de R$ 9.000,00 para R$ 15.000,00) de 62%?!!! E bom que a populacao lembre o nome do nobre vereador e dos demais que aprovaram o proprio aumento nas proximas eleicoes.

    E aqui a forma como e aprovada a materia (vcs nem alguns vereadores vao notar o que esta sendo votado):

    Esse e o padrao da politica brasileira.

  3. Patriarca da Paciência said

    Meu caro Zbigniew,

    em Joinville/SC, um único vereador, (do PT) votou contra o aumento salarial, então o presidente da Câmara determinou que o reajuste não será pago a este vereador e que ele entre na Justiça, se quiser receber o aumento.

    Realmente é impresionante o “espírito público” dos nossos políticos!

    Mas acho que já foi muito pior.

    Pelo menos agora já ficamos sabendo como eles procedem!

  4. Pax said

    Prezados,

    Para começar: Feliz 2012 para todos!

    Acabo de ouvir a tal “explicação” do vereador Jurandir Liberal da Camara de Vereadores da Cidade do Recife, que é do PT. Dica preciosa do caro Zbignirew. Aliás, dica muito digna. Coisa que a oposição tem pouca coragem de fazer (não é, titio?) Basta ver os tópicos da Privataria Tucana e, para não ir tão longe, o post “Até tu, Duarte Nogueira“, onde a notícia que o nobilíssimo líder do PSDB da Câmara que paga o motorista dos filhotes com nossos impostos não teve qualquer atenção.

    Sim, como disse o caro Patriarca: “Pelo menos agora já ficamos sabendo como eles procedem!. Aliás, este é um bom motivo para que as notícias de gregos e de troianos sejam colecionadas.

    Tenho certeza que nosso nobre Chesterton, caro velho e bom Chesterton, vai se comover e escrever um lote de comentérios equilibrados sobre os problemas éticos e morais da nossa oposição, a tal que não aceita que corrupção também aflige a desenorteada oposicão.

    Enfim, como vimos, tanto PT como PSDB, os melhores partidos brasileiros, foram para o vinagre.

    2012 será melhor, claro que sim. Ao menos temos como nos comunicar e saber tim-tim-por-tim-tim que a coisa toda precisa ser melhorada.

    Que tenhamos uma oposição que preste para fazer uma situação melhor.

  5. Zbigniew said

    Observem que o vereador se coloca na posicao de vitima.
    Considerou que nao foi na “calada da noite” – interessante que pelo segundo video nao se sabia nem o que se estava votando. Quando um vereador do plenario grita pra saber quais as materias em apreciacao o Presidente desconversa e diz que e ‘decreto legislativo’. E interessante que e materia extra-pauta, no finzinho do ano. E tem a cara-de-pau de desconversar dizendo que vai sair tudo no Diario Oficial. Tem que sair mesmo, ate para que o ato possa produzir seus efeitos. Agora, sabe muito bem o nobre vereador que poucos leem Diario Oficial, muito menos a populacao.

    Argumenta que o aumento e pra proxima legislatura. Ora, e quantos vereadores sao candidatos a reeleicao?

    Argumenta que e funcionario publico e que como engenherio ganharia mais do que vereador. Agora certamente nao ganha mais!

    Por fim so fica o argumento da legalidade. Realmente e legal, mas nao e moral. E ainda desliga na cara do apresentador.

    Olha. Temos que dar um basta a esse tipo de coisa. A impensa fez o papel dela, e os eleitores, certamente o farao. A comecar pelo vereador presidente da Camara e de todas as camaras pelo pais que admitiram esse tipo de comportamento.

  6. Chesterton said

    Cansei da burrice de vocês, divirtam-se na “realidade paralela” em 2012.

  7. Pax said

    Caro Chesterton, velho e bom Chesterton,

    Você me lembra daquela famosa mãe ao ver seu filho marchar no passo errado:

    “Olhem só, todos os outros estão errados, só meu filho que sabe marchar.”

    Estamos falando de um vereador do PT, mais sem vergonha que biscate fogosa, e você acha que estamos numa “realidade paralela”?

    Ora, caro velho e bom Chesterton, imagine se um dia o titio conseguisse enxergar que seus “ídolos políticos” têm que explicar empresas offshore de filhos a apaniguados? Será que não teríamos uma política um pouco melhor?

    Obrigado pelo elogio à nossa inteligência. A recíproca é verdadeira.

  8. Chesterton said

    Você me lembra daquela famosa mãe ao ver seu filho marchar no passo errado:

    Argumentum ad populum -The fallacy of attempting to win popular assent to a conclusion by arousing the feeling and enthusiasms of the multitude.

    chest- eu deveria desistir de você, mas sempre acho que existe uma esperança. saco.

  9. Pax said

    =)

    Argumentum Ad Misericordiam ??

  10. Patriarca da Paciência said

    Pax,

    estive na casa de um amigo e tinha lá uma edição da Veja do dia 04/01/2012 e, como não tinha muito o que fazer, fiquei a lê-la.

    Achei simplesmente estranho. Até parece que a Veja tomou juízo. Todos os artigos estão bem equilibrados e bem fundamentados.

    Mas explica-se – nada há do Reinaldinho Cabeção ou do Augusto Nunes.

  11. Pax said

    Caro Patriarca,

    A Veja de antes desses caras era boa. Ainda hoje produz algumas coisas que prestam. Quando chega o titio com seu egojornalismo histérico a coisa toda vai para o brejo. O pior é que leva uma meia dúzia de leitores juntos, numa visão mais antiquada que levar urinol para quarto de dormir e colocar escarradeira na sala de visita. (aquela coisa dos comunistas e seus planos de dominação mundial…)

    Olhe só, também, este artigo do Zuenir Ventura em O Globo que deu no blog do Noblat

    http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2011/12/31/dilma-popular-424110.asp

    Coisa para nosso Chesterton, velho e bom Chesterton, precisar de um sal de frutas antes de dormir.

    =)

  12. Patriarca da Paciência said

    Pax,

    parece que está explicado a metamorfose da Veja:

    Veja só:

    “Deixou VEJA neste fim de 2011 o jornalista Mario Sabino, profissional de enorme valor, raro talento e inexcedível dedicação que, nos últimos oito anos, foi redator-chefe da revista. Depois de um ano de deliberações, Sabino decidiu seguir carreira na iniciativa privada em atividade correlata ao jornalismo.

    Ele foi na revista antena poderosa e corajoso oponente dos desmandos do mundo oficial. VEJA e seus leitores perdem o concurso de um combatente incansável na trincheira do jornalismo que sempre busca a verdade. Desejamos felicidades a Mario Sabino e esperamos que, mesmo em outras paragens e por outros meios, ele continue sua luta por um Brasil menos corrupto, melhor e mais justo.

    Por Reinaldo Azevedo ”

    Então era o tal de Mario Sabino o responsável pelo histerismo da Veja?

    Se o Renaldinho Cabeção lamenta e chora é porque não era coisa boa.

  13. Pax said

    Caro Patriarca,

    Pode ser, sim, que a mão do Mario Sabino estivesse pesada demais. Não sei dizer as motivações de sua saída da chefia de redação, nem mesmo a influência desta posição no resultado geral da imagem da revista.

    Tomara que Veja melhore. Faz um tempo que assumiu um papel mais político partidário que seu papel verdadeiro, de jornalismo. Esta é minha opinião. Mesmo entendendo que veículos da imprensa podem ter seu lado político, o jornalismo que considero bom tem um pouco mais de equilíbrio.

    Ainda assim, passando por este período em que está partidária demais, de novo, pro meu gosto, a revista Veja contribuiu. Um exemplo é que alguns ministros envolvidos em malfeitos em 2011, mais sujos que pau de galinheiro, caíram por conta deste semanário e de outros veículos. E aí não há nada a reclamar, pelo contrário, só a elogiar. Dilma, segundo várias análises, foi mais beneficiada que prejudicada por este movimento de “faxina”.

    O lado ruim, a minha crítica, é essa histeria. O titio faz lá seu papel de bobo de uma corte cada vez mais distante. E há jornalistas e blogs do lado da situação que se assemelham, só que em posições trocadas.

    Enfim, sempre acho que um pouco mais de moderação, um pouco mais de educação, um pouco mais de equilíbrio, fazem um bem danado, em todas as atividades humanas.

  14. Zbigniew said

    Houve uma época – e já se vai um bom tempo – que o bom jornalismo era o objetivo de toda redação, ainda que o viés ideológico ou partidário fosse declarado pelo veiculo. Hoje isso não existe mais. Poucos declaram suas preferencias políticas, mas são mestres em mascarar suas intenções por trás de manchetes e capas. A Veja trilhou um caminho, fez sua escolha, partidarizou-se e entrou com tudo no jogo político. A histeria e só uma vertente que tem um alcance limitado, principalmente enquanto a economia e o social estiverem apresentando resultados positivos. Pouca gente leva o titio a serio.
    Se a Veja prestou um bom serviço a nação com a marcação cerrada sobre os ministros? Talvez indiretamente. Mas perdoem a descrença. O objetivo maior era outro. E neste caso o tiro saiu pela culatra, porque ao apostarem que a Dilma se enrolaria com as denuncias, perderia a base aliada e por cima brigaria com o Lula (afinal os ministros herdados do governo Lula são todos demônios e os demais santos), quebraram a cara. A maneira com que ela lidou com as denuncias surpreendeu positivamente a sociedade, a ponto de lhe conceder índices de aprovação superiores ao do próprio Lula. E agora, com a CPI da privataria tucana, fruto do livro homônimo em destaque, vai ver muito da forca das denuncias contra o governo dissipada pelas apresentadas na CPI. Pelo menos para uma parte da sociedade mais politizada e informada. Prezados, pode sair quem for da Veja, os Civita já escolheram o caminho e, apesar de frustrados, não vão desistir dele. Não consigo enxergar outra realidade.

  15. Patriarca da Paciência said

    “Prezados, pode sair quem for da Veja, os Civita já escolheram o caminho e, apesar de frustrados, não vão desistir dele. Não consigo enxergar outra realidade.”

    Meu caro Zbigniew, talvez você tenha razão, mas olhe que eu nada sabia da mudança do redator chefe da Veja e achei a edição de 04/01/12 muito estranha. Percebe-se uma mudança bem evidente.

    E como disse o Pax,

    “Enfim, sempre acho que um pouco mais de moderação, um pouco mais de educação, um pouco mais de equilíbrio, fazem um bem danado, em todas as atividades humanas. “

  16. Zbigniew said

    Talvez o problema seja meu, caro Patriarca. Virei um incredulo inveterado, quando o assunto e grande(?) midia brasileira.
    A gota d`agua e o livro “Privataria Tucana”. E dificil aceitar que um livro como o do Amaury Jr., com tantos documentos e com um metodo de levantamento de dados como o utilizado pelo autor, inclusive com o cuidado de tanto tempo para nao correr o risco de catalogar alguma mentira, envolvendo os nomes de pessoas ligadas diretamente ao processo de privatizacao da era tucana, seja solenemente ignorado. Nao so ignorado, mas combatido por algumas penas amestradas, sem sequer se darem o trabalho de verificar a autenticidade das argumentacoes e fatos detalhados na obra. E aqui, com todo o respeito, nao se trata de lado ou opcao. E cinismo no mais alto grau. Um desservico ao pais.
    E facil destilar impressoes genericas e desabonadoras, do tipo, o autor e um tosco (imagine o que nao seria se nao tivesse recebido os premios que recebeu e trabalhado nas redacoes que trabalhou), isto ja foi apresentado ao MPF e nao deu em nada, aquilo ja saiu na Veja (como se isso fosse algo abonador ou determinante para que se encerre qualquer discussao) ou na Istoe, e materia requentada; ou mesmo apresentar argumentos pueris de toda sorte que ferem a inteligencia do leitor, quando se permite acreditar que nos paraisos fiscais nem tudo e irregular ou so quem conhece de crime e o criminoso. Simplesmente nao da!
    Pra falar um pouco no processo de privatizacao em si, muitos que defendem com o figado (e nao com a inteligencia) argumentam que as empresas se tornaram mais eficientes e modernas (gestao e tecnologia). Mas este e so um aspecto da questao da privatizacao. Devemos verificar tambem se os sevicos melhoraram, inclusive no que se refere aos precos e tarifas cobrados e, principalmente, se os valores arrecadados e a forma como foram vendidas as estatais foram beneficas e vantajosas para o povo brasileiro (ou se so alguns poucos se beneficiaram ou enriqueceram). Isto nunca foi discutido a fundo. As discussoes sao do tipo: olhem o exemplo da Embraer, que vendeu 20 super-tucanos para os USAF! Olhem a Vale como se valorizou desde a epoca da privatizacao! Percebam a popularizacao dos celulares, ate puxador de carrocas tem um!
    Ao que parece e cortina de fumaca para encobrir os outros aspectos deste processo. Enquanto nao tivermos maturidade para encarar determinadas discussoes, e ai incluo, fora o processo de privatizacao, a questao da ditadura e do controle social dos meios de comunicacao, vamos ficar presos a uma superficialidade responsavel pela manutencao de muitos dos vicios que atrasam e prejudicam o desenvolvimento do Brasil.

  17. Clever Mendes de Oliveira said

    Pax,
    Considero que o maior mal feito que se faz no mundo (no mundo viu) é feito pelos jornalistas e não pelos políticos. A atividade política inclui a rivalidade entre inimigos (Entre inimigos e não entre adversários, como bem diz José Arthur Giannotti no texto dele que está indicado no post “Mais Política Pós-Ética” de 31/07/2010 no blog de Na Prática a Teoria é Outra no seguinte endereço:
    http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6586
    O título do artigo de José Arthur Giannotti é “Acusar o inimigo de imoral é arma política, instrumento para anular o ser político do adversário” e foi publicado no jornal Folha de S. Paulo de 17/05/2001).
    Já os jornalistas como fonte de informação e não como cronistas deveriam proceder como cientistas. Como cronistas, que vêm para entreter o leitor, o texto de Mariana Jungmann é aceitável, mas como jornalista, que repassa uma informação, a frase a seguir transcrita do texto dela é um furto da informação. Diz ela:
    “Apesar disso, ele declarou seu arrependimento pela atitude tomada em 2001, quando foi acusado de desviar R$ 9 milhões da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) para aplicar em um ranário de propriedade de sua mulher na época e abdicou do mandato que exercia”.
    Como ela escreveu parece que o arrependimento foi pelo desvio e não como ele evidentemente deve ter declarado pela abdicação do mandato. O pior é que a notícia saiu pela rede oficial de notícias do Brasil, órgão que devia ainda mais zelar pela informação que ela repassa ao público dela.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 04/01/2012

  18. elias said

    “Apesar disso, ele declarou seu arrependimento pela atitude tomada em 2001, quando foi acusado de desviar R$ 9 milhões da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) para aplicar em um ranário de propriedade de sua mulher na época e abdicou do mandato que exercia.”

    Foi muito pior do que isso!

    O projeto do ranário foi aprovado pela SUDAM. Esse projeto RECEBEU R$ 9 milhões (na verdade, não sei se foi isso, só isso, mais que isso ou menos que isso) pra APLICAR no ranário.

    Aí o dinheiro sumiu e… NÃO FOI APLICADO NO RANÁRIO.

    Então, a hoje ex-mulher do Jader não deve ser criticada por APLICAR e sim por NÃO APLICAR no ranário o dinheiro recebido da SUDAM.

    Isso aconteceu aos montes, com dezenas de projetos, envolvendo centenas de milhões de reais. Era a época áurea do famoso “artigo 17,5” do Regulamento do FINAM.

    Empresas de todo o Brasil (de SP principalmente) direcionavam parte de seu Imposto de Renda, via FINAM, para determinados projetos na Amazônia Legal. Aí o dono do projeto recebia o dinheiro da SUDAM e pagava o pedágio da empresa que direcionara o imposto. Esse pedágio chegava, em alguns casos, a 60% do dinheiro recebido.

    O cara prestava contas dos 100% usando notas fiscais fajutadas. Havia uma verdadeira indústria de notas fiscais falsas, pra dar conta das centenas de milhões de reais desviados. Era a iniciativa privada brasileira mostrando sua criatividade, seu charme, seu veneno e… Sua imensa capacidade de delinqüir.

    Nenhum processo sobre essa bandalheira foi pra frente, porque envolve a nata da nata da nata da nata do capitalismo brasileiro. O super-apartamento de cobertura do edifício social do país. O cocoruto do topo da pirâmide.

    Gente da qual a imprensa não abre a boca pra falar mal, sob pena de perder a boca… Em mais de um sentido… Ou de acabar com a respectiva entupida de formiga…

    Diante das centenas e centenas de milhões desviados, os R$ 9 milhões do ranário da “ex” do Jader são menos que o protozoário que infesta o intestino da mosca que sobrevoa o cocô do cavalo do bandido…

    Do qual ninguém fala, porque quem tem c… tem medo…

    Ah, sim. Parece que a ex-mulher do Jader saneou o projeto. Ela teria coberto com recursos próprios a parte do dinheiro que foi desviada, e o ranário até entrou em funcionamento. Pelo que me disse um amigo, o ranário estaria exportando sua produção pra Ásia e Europa.

    Se foi isso mesmo que aconteceu, menos mal… E o Jader que se dane!

  19. Clever Mendes de Oliveira said

    Elias (04/01/2012 às 10:42),
    Normalmente essas acusações feitas de modo genérico não têm maiores conseqüências. Quando elas são feitas envolvendo nomes de pessoas, há duas possibilidades. A acusação é feita por pessoa com amplo conhecimento, no caso os promotores de justiça, os auditores das auditorias internas e externas, os auditores de empresas de auditorias, delegados de polícia e juízes, quase todos com amplo conhecimento sobre a legislação e um mínimo de conhecimento do direito concernente ao assunto e todos envolvidos nas tecnicalidades que o assunto contém.
    Ou a acusação é feita de forma amadora por jornalista ou pessoas ingênuas sem o conhecimento específico necessário para o entendimento da situação tanto sob o âmbito dos aspectos técnicos quanto dos aspectos jurídicos.
    Espero que o seu relato sobre o episódio da aplicação de recursos provenientes de projetos aprovados pela SUDAN seja próprio de pessoas mencionadas no primeiro grupo
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 04/12/2011

  20. Zbigniew said

    Então este era o famoso San Tiago Dantas. Texto do Sen. Pedro Simon do Zero Hora, via Convarsa Afiada.

    ” 

    Evandro, Almino Afonso, Jango e San Tiago (ao fundo): que Ministério !

    O Conversa Afiada publica artigo do Senador Pedro Simon, também publicado na Zero Hora, de Porto Alegre:

     

    Dilma e o caminho de San Tiago

    Pedro Simon *

    O Congresso Nacional realizou uma sessão envergonhada na manhã de 12 de dezembro passado, uma reunião quase sigilosa, virtualmente secreta, sem direito sequer às imagens da TV Senado. Integrado por 594 representantes, o Parlamento brasileiro estava ali com apenas três senadores e um deputado em plenário, além de dois convidados na mesa. Parecia uma homenagem a um subversivo em plena ditadura militar, mas era o reconhecimento, cem anos após o seu nascimento, a um dos grandes democratas de nossa história: Francisco Clementino de San Tiago Dantas, chanceler do fugaz gabinete parlamentarista de Tancredo Neves no Governo João Goulart.

    À beira de seu túmulo, morto cinco meses após o golpe de 1964 que derrotou a ele e a todos nós, o economista Roberto Campos, um dos cérebros do novo regime, reconheceu: “San Tiago Dantas é a figura mais extraordinária, mais genial de toda a nossa geração”. Foi o “Homem de Visão de 1963″ em tempos aguçados pelos visionários de todas as tendências. San Tiago marcou época e posição, como chanceler, implantando o conceito da Política Externa Independente numa era que dividia o mundo entre o lado de lá e o lado de cá, União Soviética ou Estados Unidos. San Tiago era a síntese de suas contradições: advogado de grandes empresas, defendia a justiça social como membro do PTB de centro-esquerda; não-marxista, reatou relações de Brasília com o regime de Moscou; admirador do sistema político dos Estados Unidos, defendeu o direito de Cuba à autodeterminação e votou contra sua expulsão da OEA em 1961.

    Neste mesmo Congresso, ainda jovem, eu testemunhei em 1962 uma das cenas mais memoráveis:  San Tiago aplaudido de pé, durante vários minutos, após apresentar o seu plano de governo para o gabinete que sucederia Tancredo Neves. Era uma peça fantástica, no plano político e econômico. E vi também, nesse dia, um dos fenômenos mais constrangedores da história dessa Casa: aclamado de pé, ovacionado, o orador não foi aprovado como novo chefe do governo parlamentarista.

    Meses depois, cessada a experiência parlamentar, João Goulart retomou seus plenos poderes com um ministério que emocionava pela biografia de seus integrantes. Alguns nomes dessa constelação: Darcy Ribeiro, Eliezer Batista, Evandro Lins e Silva, Hélio Bicudo,  Hermes Lima, João Mangabeira, José Ermírio de Moraes, Miguel Calmon, Ulysses Guimarães, Walter Moreira Salles, Waldir Pires, Anísio Teixeira, Paulo Freire, além do próprio San Tiago.

    Pois veio o golpe, derrubaram e cassaram João Goulart — com o apoio da Igreja e com os editoriais da grande imprensa, que fantasiava e caluniava o governo deposto. Apesar disso tudo, nenhum daqueles nomes apareceu envolvido em malfeitos ou desvios do dinheiro público. Nenhum ministro foi cassado por corrupção — e foram cassados muitos, perseguidos tantos, humilhados todos. Nenhum deles teve uma vírgula de contestação à dignidade, à honorabilidade de biografias que orgulhavam a República e a Nação.

    Essa é uma observação importante para a presidente Dilma Rousseff no momento em que completa seu primeiro e exitoso ano de governo, já pensando na saudável reformulação de seu ministério para 2012. Cada vez mais segura e determinada em sua missão, com a cara limpa de seu estilo de governo, sem as heranças e compromissos políticos que restringiram o seu início de mandato, a presidente Dilma poderá, enfim, imprimir a marca pessoal que o Brasil aprendeu a admirar, expressa na aprovação recorde de 72% da população, superando o primeiro ano do governo de seus antecessores, FHC e Lula.

    Presidente Dilma: siga o caminho de San Tiago. Faça a sua escolha, exclusivamente sua, tendo como regra os padrões de independência, seriedade, competência e integridade que resumem a biografia deste grande, digno, correto, decente,  coerente brasileiro. Trilhando o caminho de San Tiago, presidente Dilma, a senhora poderá dar ao seu Governo e ao País o ministério que os brasileiros esperam e merecem.”

    Um feliz 2012 para a senhora e para o Brasil.
    * Pedro Simon (PMDB-RS) é senador da República.

  21. Pax said

    Prezados,

    Depois conto a novela por inteito, mas o resumo, até aqui é que estou sem internet. A Telefonica vendeu o que não tinha para entregar.

    Estou decidindo se entro no Juizado de “Pequenas Causas” ou algo do gênero. Não quero nenhuma indenização, só quero que instalem o que me venderam. É uma luta de um lambari contra um cardume de tubarões brancos, por isso mesmo é boa.

    Provavalmente vou perder.

    Dou notícias, mas peço paciência com o andamento do blog…

    Abraços e um ótimo 2012 para todos.

    (e Viva Eliane Calmon!)

  22. Elias said

    Clever,

    Não estou acusando ninguém em particular, até porque não tenho provas.

    Apenas repeti o que foi amplamente noticiado por uma parcela da imprensa. Em especial, pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto, em seu Jornal Pessoal, cujos textos estão disponíveis na Internet, pra quem não sabe nada sobre o assunto e quiser se inteirar.

    A mutretada, a roubalheira, a sacanagem, a vigarice do “artigo 17,5”, foi, sim, praticada por alguns dos maiores empresários brasileiros. O próprio Jader Barbalho declarou isso em sua defesa, desafiando publicamente a que se investigasse os empresários que se beneficiaram com o desvio de recursos.

    E o próprio governo reconheceu isto. Tanto reconheceu que, no fim, achou que a SUDAM estava tão bichada que não dava pra recuperar. Foi extinta (sendo substituída pela ADA e, mais tarde, recriada).

    Quando da extinção da SUDAM, foi amplamente noticiada a mutretada, a roubalheira, a sacanagem, a vigarice do “artigo 17,5”, sim, praticada por alguns dos maiores empresários brasileiros. Direcionavam o imposto em favor de alguns projetos e, mais à frente, recebiam pedágio de até 60% por esse direcionamento.

    Quem não sabe disso é porque nunca se preocupou em saber nada sobre incentivos fiscais no Brasil. É só dar uma olhada nos jornais da época.

    Agora, quer saber o nome de quem fez isso?

    Pergunte ao Ministério Público Federal. Pergunte à Polícia Federal, que investigou o assunto e até prendeu o Jader…

    Por que a PF não foi em frente, na investigação? Vai dizer que o Jader fez tudo sozinho? Se as provas ou evidências eram tão frágeis, então por que o Jader foi preso?

    O problema, Clever, é que o Jader fingiu que ia abrir a boca, revelando quem são os caras do cocoruto do topo da pirâmide social brasileira que se beneficiaram das centenas de milhões de reais desviados via “artigo 17,5” do FINAM. Aí as coisas esfriaram. O processo contra ele murchou e nunca deu em nada. Agora é que tentaram “puni-lo” por via oblíqua, via “Ficha Limpa”.

    Em vez de ficar retroagindo leis eleitorais, os caras deviam é cncluir o processo contra ele. Se as provas são suficientes pra cassar os direitos políticos do Anhanga, então devem ser suficientes para puni-lo no âmbito do Direito Penal.

    Se as provas não existem, então é bom deixar claro que se trata apenas de um circo, pra enganar trouxa. Se não existe provas contra o pessoal do “17,5”, então não existe prova contra o Anhanga.

    Se é pra detonar o Anhanga, que detonem! Eu acho ótimo! Agora, não dá é pra ficar tocando o lero-lero remelento de que ele fez tudo sozinho. São centenas e centenas de milhões de reais, que sumiram na noite e na neblina.

    Alimentar a lorota de que o Anhanga fez tudo sozinho é conduta imbecil e imbecilizante. Cadê o resto do pessoal?

    É pura bobagem dar algum crédito ao “trabalho” de jornalista boboquinha, que mais desinforma do que informa, quando diz que Jader “desviou” dinheiro da SUDAM pra aplicar no ranário da então mulher dele.

    Não foi isso que aconteceu, Clever. O que aconteceu foi que a mulher do Jader RECEBEU dinheiro da SUDAM (do FINAM, pra ser mais exato), pra aplicar o ranário e NÃO APLICOU. O dinheiro sumiu e a aplicação não aconteceu. Daí as notas fiscais falsas pra demonstrar ter acontecido o que não aconteceu, etc, etc. Principalmente “etc”, do qual poucos falaram, mesmo quando Jader passou a provocar, abertamente. Quanto maior a provocação que ele fez, maior o silêncio.

    (Não surpreende o sarcasmo pontilhado por meias palavras, com que Jader se refere ao assunto.)

    A jornalista bobinha desinformou porque nem se deu ao trabalho de pesquisar, talvez no arquivo do jornal onde ela mesma trabalha.

    Ela própria iria entender melhor o caso e, assim, poderia informar adequadamente seus leitores.

    Se o patrão dela deixasse, evidentemente…

  23. Elias said

    Zbigniew,

    I
    Espero que nosso querido Pedro Simon não esteja esperando que Dilma faça faxina em casa alheia, livrando o PMDB da lixarada que esse partido acumula.

    Ele deveria, muito mais enfaticamente, exortar seu próprio partido a fazer essa limpeza.

    Não se trata de fazer um discursinho aqui, outro ali… E achar que já fez sua parte.

    Ele mesmo disse que nunca se articulou com outros integrantes da “banda boa” do PMDB.

    Por que não? O que ele está esperando? Que a Pomba do Divino Espírito Santo encha o PMDB de gozo, probidade e boa vontade para com os homens de bem?

    II
    Para pelo menos uma parte da minha geração, San Thiago Dantas era um ícone.

    Fez a nossa cabeça. Político de centro-esquerda (ou da esquerda não-marxista, se preferirem). Admirador dos EUA, mas, por isto mesmo, empenhado em tocar uma política interna e externa com absoluta independência, sem alinhamentos automáticos com quem quer que seja.

    Há alguns dias, li uma entrevista de Maria Tereza, viúva do Jango. Ela se refere carinhosamente a San Thiago Dantas como a uma espécie de guru.

    Não admira que, tão jovem (em 1961 ela estava com 21 anos), Maria Tereza tenha feito tanto, em tão pouco tempo, à frente da LBA…

  24. Zbigniew said

    Elias, o que me chamou a atencao no texto foi justamente a questao da formacao ministerial. O nome do San Thiago Dantas e outros tantos, de envergadura, que enriqueceram o governo da epoca. Nao sou exatamente deste periodo (sou de mais para frente), mas acredito que o texto revela como nossa atual politica carece de nomes como esses citados, principalmente quando se observam ministros cairem tao facilmente por praticas anti-eticas e desabonadoras, presas faceis nas maos ou tintas da imprensa partidarizada e oportunista.
    O Simon ja sabemos. E da turma do Jarbas Vasconcelos e de tantos outros que queriam levar o PMDB para a oposicao. Nao conseguiram e hoje vivem um ocaso no partido.
    Soa hipocrita? Por pertencer a um partido como o PMDB e nao ter se articulado com a banda boa. Mas quem e a banda boa desse partido que nunca consegue tomar as redeas e sanear a agremiacao?

  25. Elias said

    Zbigniew,

    Acho que o discurso do Pedro Simon revela, sobretudo, fadiga de material. No passado, deu o recado dele, melhor do que o de muita gente. Só que, agora, acabou!

    Acontece que ele não quer ir pra casa brincar com netos (e bisnetos, vai ver…). Aí fica com esse papo de “antes é que era bom…”. Papo de velhinho contando histórias pros netinhos…

    Era bom uma ova!

    Ora, San Thiago Dantas foi um ótimo guru. Mas fracassou politicamente, como quase todos os políticos de esquerda, marxistas e não-marxistas, de sua geração.

    Como quase todos os políticos de esquerda de sua geração, ele foi engulido por uma direita tão ou mais inescrupulosa que a atual, porém politicamente mais competente. Sobretudo, mais competente que a esquerda, da qual San Thiago Dantas fazia parte.

    Os “grandes líderes progressistas” de 1964 não conseguiram enxergar um palmo adiante do focinho. A luz no fim do túnel que eles diziam ver, era o trem em sentido contrário…

    Acusações de roubalheira?

    Faça o seguinte: entre no site “Memória Viva”, pegue a coleção da revista “O Cruzeiro” e leia alguns artigos do David Nasser. Ele fazia mais ou menos o que faz hoje o Reinaldo Azevedo, só que com muito mais prestígio. Nasser escrevia infinitamente melhor que o RA, mas era, também, infinitamente mais desbocado. Acusava Deus e todo mundo de ser ladrão.

    Abre parênteses. Num único artigo, ele chamou o Brizola de “pulha”, “ladrão”, “cunhataí da política brasileira”, “desditoso abigeato”, “cunhaferal”, e mais um porrilhão de coisas afins. No fim, disse que faria sexo com Brizola numa variedade de posições que, diante deles, o Kama Sutra pareceria “breviário de noviça”.

    O Brizola processou o cara. Claro que o processo não andou… Num dia de dezembro de 1963, o Brizola encontrou o Nasser no Aeroporto do Galeão e encheu o turco de porrada. Nasser foi a nocaute. Caiu no chão e lá ficou. Daí ele se recuperou um pouco, sentou, ouviu um porradal de desaforos do gaúcho, mas não teve coragem nem de se levantar. Ficou com rabo no chão, feito boi manso, sem tugir nem mugir… (Três meses depois, estava vingado…). Fecha parênteses.

    O que eu quero te dizer é que as acusações que se fazia, à época, não eram nada diferentes das que se fazem hoje.

    E, tal como hoje, não poucas acusações eram pra lá de fundadas. O Ministério do Trabalho (que abrangia a Previdência Social), p.ex., era um antro de roubalheira. Isso pra citar só um ministério…

    O regime militar não puniu esse pessoal por causa de roubalheira, porque estava mais preocupado em entronizar seus próprios ladrões (até porque, na ditadura, nenhum ministério ficou mais honesto que antes). E, a julgar pelo que diz Eliezer Batista,os ladrões da ditadura roubaram pra caraca…

    A ditadura simplesmente cassou os direitos políticos de um monte de gente e foi em frente. A maior parte das cassações teve o objetivo de eliminar as ameaças políticas. Nada a ver com moralização.

    Um exemplo: Adhemar de Barros.

    Adhemar foi golpista de primeira hora. Colocou a estrutura do governo de SP a serviço do golpe, seja na mobilização civil (as celébres passeatas “Com Deus, pela família…”), seja do ponto de vista militar, com o apoio da PM paulista e a logística pro deslocamento das tropas do II Exército, comandado por Amaury Kruel (que, aliás, tinha prometido apoiar Jango…). Depois do golpe, Adhemar continuou prestigiadíssimo.

    Adhemar só foi cassado quando decidiu meter o bedelho na sucessão de Castelo Branco. Aí ele dançou. Aí a ditadura “lembrou” que o precioso aliado da véspera ela ladrão, e o depôs e cassou.

    Castelo usou Amaury Kruel pra detonar com Adhemar e, depois, ele detonou o próprio Kruel, porque este tinha começado a ter ambições políticas (foi picado pela mosca azul, como dizia o general Geisel). Quis ser governador de SP, e Castelo não queria generais nos governos estaduais, pra não desequilibrar a estrutura de poder que estava sendo montada. Amaury acabou fazendo companhia ao general Justino Bastos (do III Exército, que queria ser governador do Rio Grande do Sul), e ao general Taurino de Rezende (cujo filho acabou debaixo de porrada em Recife, por ordem do próprio Justino Bastos, e só foi libertado com a ajuda do bisavô do Pedro Dória).

    Eram os fardados fazendo, a seu modo, o jogo pesado da política brasileira, que, decididamente, não é pra principiantes…

    A referência de Pedro Simon à ausência de punições por corrupção não tem consistência como argumento, portanto. O futebol era outro, simplesmente, e ele sabe disso melhor que a gente.

    E não existe base concreta pra se dizer que a esquerda, assim como a direita e o centro, era mais honesta no passado.

    San Thiago Dantas era uma exceção, como hoje existem exceções. Talvez sem o brilho retórico de San Thiago Dantas (mas, possivelmente, com a eficácia política que ele jamais teve).

    A diferença, hoje, é que a esquerda aprendeu a fazer o jogo do poder, e o faz com a mesma competência (e a mesma desfaçatez, a mesma cara de pau, a mesma falta de escrúpulos, etc.), da direita. Pra ser justo, com muito mais competência que a direita.

    Daí a raiva e a própria falta de rumo da direita brasileira, hoje. Ela está sendo derrotada em seus próprios termos. Ela nunca se preparou pra isso. Por outro lado, ela não sabe jogar de outra forma.

    Por isto, a direita se sente num beco sem saída. Só sabe jogar de um jeito e, desse jeito, o outro lado ganha todas… O que fazer?

    Sei lá! Ela que se exploda…!

    Ah, sim. O nosso querido Pedro Simon também parece esquecer que o Barão de Barbalhão só passou a ser anatemizado depois que bateu de frente com ACM. Tendo derrotado ACM, este preparou o rebote, e acabou fazendo o Anhanga se embebedar com o próprio veneno.

    Mas, nos muitos anos que conviveu com ACM, o que fez Pedro Simon pra neutralizar o Toninho Malvadeza? Nada, né? E ele bem que gostou da cacetada que Jader deu no soba baiano, encerrando um principado que já durava décadas, e no qual o Pedro Simon desempenhava, quietamente, o papel de cortesão conformado.

    Sei lá, cara… Até onde consigo ver, política brasileira é, sempre, briga de muitos cachorros grandes. A gente nunca sabe direito quem está brigando com quem…

    O que é, quase sempre não parece… E o que parece, quase nunca é…

  26. Zbigniew said

    Ótima explanação, Elias. E vc acerta em cheio qdo diz q a esquerda aprendeu (e até com mais competência do que a direita) a fazer politica, inclusive adotando os vícios peculiares ao nosso sistema político.
    Então, se não há nada de novo na forma de se fazer politica, não avançamos. Ainda.
    Parte de nossa estrutura politica (partidos e politicos) nao podem ser considerados herdeiros diretos e co-participes da ditadura militar? Não são responsáveis pela manutenção dos esquemas de corrupção que nos remete as relações com empreiteiras, padrão “transamazonica”? Só que agora numa escala bem maior em virtude do atual tamanho da economia brasileira. Há salvação para o pais?

  27. Patriarca da Paciência said

    Caros Elias e Zbigniew,

    eu também concordo, em parte, com a explanação do Elias, só que acho que avançamos sim.

    Nunca a Polícia Federal investigou tanto.

    Nunca tantos fatos escabrosos vieram a público.

    O que acontece é as que nossas leis foram feitas visando proteger a toda essa gente.

    Nossos parlamentares foram eleitos dentro de todo esse esquema.

    Então a culpa não é só do Judiciário que, de alguma forma, tem que cumpir a lei e observar todos “os tais trâmites legais”.

    Mas a economia brasileira deslanchou e já existe alguma justiça social.

    Lula realizou a “política possível”, deixando um bom caminho aberto e a Dilma está continuando pela mesma trilha.

    Em política, em qualquer parte do mundo, não há imaculados.

    O que há, nos países civilizados, é a corrupção controlada e possível de ser punida.

    Se atingirmos a fase de conseguir punir os corruptos, já é uma grande conquista.

  28. Patriarca da Paciência said

    A Justiça Brasileira, apesar de tudo, comete menos erros que a Justiça Norte-Americana, vejam, só que barbaridade:

    “Segundo a imprensa americana, depois do desaparecimento da jovem, em 2010, alguns parentes descobriram através do Facebook que Jakadrien estava na Colômbia e encontraram fotos em que ela aparecia fumando maconha na companhia de vários homens.

    Um comunicado da Chancelaria colombiana divulgado nesta quinta-feira detalhou que a jovem “chegou ao país depois de um juiz de imigração americano ter ordenado sua deportação após cometer um delito, argumentando que era uma cidadã colombiana maior de idade que se encontrava ilegalmente nos EUA”.

    Por sua vez, o Escritório de Imigração e Alfândega americano (ICE, na sigla em inglês) mantém que a jovem foi detida por roubo em Houston e então foi assegurado que se tratava de uma adulta de nacionalidade colombiana, pelo que foi entregue a um juiz de imigração que decretou sua saída do país. ”

    http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1031225-adolescente-americana-deportada-por-erro-a-colombia-retorna-aos-eua.shtml

  29. Zbigniew said

    Patriarca,
    infelizmente não compartilho do seu otimismo, pelo menos no que se refere a classe politica e a maneira como os poderes são exercidos.
    Em outras searas, no entanto, o pais tem avançado, ainda que a mídia engajada teime em realçar aspectos negativos, ou simplesmente não dar nenhuma importância. Como “engajada” não se poderia esperar outra cosa dela.
    “Do Observatório da Imprensa

    GRANDE IMPRENSA: O complexo de Carolina

    Por Washington Araújo em 03/01/2012 na edição 675

    Não faz tanto tempo assim, mas é fato que a grande imprensa celebrava do nascer ao pôr do sol e madrugada afora o fato de o Brasil ocupar a oitava posição dentre as maiores economias do mundo. Nas últimas semanas de 2011, ficamos sabendo, pela mídia internacional, que nossa posição avançou rumo ao topo: o Brasil já é a sexta maior economia do mundo.

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    …Ultrapassou nada menos que o Reino Unido, aquele antigo império “em que o sol nunca se põe”, e que nunca deixava de estar hasteada, ao longo das 24 horas, a bandeira da Union Jack – da Europa à África, da Ásia à América, passando pelos chamados protetorados no Oriente Médio.
    (…)”

  30. Zbigniew said

    Ha espaco ou possibilidade para uma imprensa diferente?

    Algumas abordagens sobre a midia nos dias de hoje, principalmente sobre a otica sociologica-politica, nos remete a conclusoes que nao deixam margem para se acreditar que a grande imprensa possa ser diferente do que e: empresas capitalistas, que vendem ideias, e que, em sua grande maioria, estao alinhadas com o capital e o poder financeiro global. De modo que e esta ideologia que influencia o jornalismo.

    O Gilson Caroni Filho traz algumas consideracoes sobre o tema. Embora nao concorde com tudo, principalmente porque o Caroni nao se aprofunda na questao do Estado e os politicos, na maioria das vezes, facilitarem o trabalho de desconstrucao da politica e suas acoes, entendo pertinente o texto, do qual destaco:

    “(…) Claramente partidarizado, o jornalismo brasileiro pratica a legitimação adulatória de uma nova ditadura, onde a política não deve ser nada além do palco de um pseudo-debate entre partidos que exageram a dimensão das pequenas diferenças que os distinguem para melhor dissimular a enormidade das proibições e submissões que os une. É neste contexto, que visa à produção do desencanto político-eleitoral, que deve ser visto o exercício da desqualificação dos atores políticos e do Estado. Até 2002, era fina a sintonia entre essa prática editorial e o consórcio encastelado nas estruturas de poder.(…)”

    http://www.viomundo.com.br/politica/gilson-caroni-filho-o-que-move-o-partido-impresso.html

  31. Zbigniew said

    Observem que o Olavao tem suas restricoes em relacao ao liberalismo radical e ao intervencionismo estatal. Para ele a moral e a religiosidade da sociedade civil organizada sao elementos suficientes para resolver o problema. Agora, ele nao explica como os limites naturais estabelecidos pela moral e regiligiosidade americanas foram incapazes de evitar o estouro da bolha imobiliaria (bem como, anteriormente, da bolha da Nasdaq) e que levou a uma crise dentro do proprio EUA e internacional sem precedentes.
    Uma outra questao. Se o Rockfeller conseguiu limpar a barra com a ajuda de um marqueteiro e muitas doacoes, depois de ter colocado a policia pra cima de mineiros (e ter assassinado alguns deles), pergunta-se: doacao e suficiente para apagar um crime? O Olavao gosta dos americanos.

  32. Patriarca da Paciência said

    O Olavão finalmente percebeu aquilo que a maioria pensa, ou seja, o liberalismo radical e o intervencionismo radical são duas m… na própria linguagem do cujo.

    Um pouco de bom senso… ainda que tarde.

  33. Elias said

    Patriarca,
    Acho que, em termos de moralidade, de ética, não avançamos quase nada. O Brasil continua quase tão corrupto e avacalhado como sempre foi.

    E hipócrita…

    Os comentários deste blog são bem um exemplo do tipo de moralidade que praticamos. Observe que uma boa parte dos comentaristas se diz indignada com episódios de corrupção, quando praticados por gente do outro lado do muro político-ideológico. Quando a roubalheira é praticada pelo pessoal do mesmo lado em que ele está, aí os tais indignados fazem cara de paisagem, olham pro outro lado… Há quem, sistematicamente, e literalmente, muda de assunto…

    De onde se conclui que o problema dos tais “indignados” não é com a roubalheira. É com quem rouba. Se for gente do balaio deles, pode…

    É a cara do Brasil…!

    Faça uma pesquisa nos jornais de há 50 anos. Era a lesma lerda…

    A meu pensar, erram tanto os que, como o senador Pedro Simon, acham que “antes era melhor”, quanto os muito otimistas de hoje em dia, que acham que estamos avançando, que estamos melhorando.

    Pra mim, o melhor sensor disso é a qualidade dos políticos. Enquanto continuarmos a eleger predominantemente políticos vira-latas, será porque não avançamos no sentido de um estágio mais elevado de maturidade política.

    Não se trata, a meu ver, de estabelecer mecanismos de controle “ponto a ponto”, da atuação dos políticos (embora isto seja necessário, no estágio em que nos encontramos).

    Creio que, enquanto esses mecanismos forem necessários, será porque a representação política continuará sendo vagabunda. E, enquanto a representação política for vagabunda, será porque não teremos avançado, em termos de maturidade política.

  34. Elias said

    “…Quando a roubalheira é praticada pelo pessoal do mesmo lado em que eleS estÃO, aí os tais indignados…”

  35. Elias said

    Zbigniew,
    “Os limites naturais estabelecidos pela moral e religiosidade” não foram capazes de evitar a proliferação da degeneração, da ganância e da delinqüência nem mesmo dentro da própria Igreja… E das suas contrafações também, né?

  36. Patriarca da Paciência said

    Elias,

    minha idéia é que avançamos no quesito democracia, o que já é um excelente começo.

    E na justiça social também, o que é ótimo.

    Destituimos democraticamente um presidente da república e boa parte da miséria absoluta do país já foi eliminada e o governo Dilma certamente erradicará o faltante.

    Os escândalos são livremente levados a públicos e não se ouve a Igreja Católica ou militares virem com a eterna lenga-lenga de que “do jeito que está não é mais possível e somente com um golpe as coisas entrarão nos eixos”.

    Essa maneira de resolver as coisas pelas vias democráticas é um grande avanço.

    No mais, nossa democracia é muito jovem e ainda temos muito o que aprender.

    Veja o caso do Olavão.

    Se o sujeito tivesse prestado atenção ao que o Lula vem falando há décadas, teria aprendido, há décadas, aquilo que só agora aprendeu.

  37. Patriarca da Paciência said

    O Olavão entendeu alguma coisa mas não pervebeu ainda que tanto as religiões, quantos as escolas, em maioria, são amplamente favoráveis à política que o Lula e a Dilma vem colocando em prática no Brasil.

    Que o digam os índices de aprovação do governo.

  38. Patriarca da Paciência said

    Correção = o Olavão entendeu alguma coisa mas não percebeu ainda que tanto as religiões, quanto as escolas… são favoráveis ao governo do Brasil.

  39. Pax said

    Prezados,

    Vocês não fazem ideia do processo kafkiano que estou com a TELEFONICA e, agora, com a ANATEL.

    Creio que devo entrar em PEQUENAS CAUSAS ainda hoje ou amanhã. Só estou aguardando um parecer de um amigo sobre jurisprudência para entrar pelo caminho mais afetivo.

    A TELEFONICA vendeu em 2 bairros daqui, o meu e o vizinho, o serviço SPEEDY, sem ter os equipamentos instalados. O fato é este. Não só vendeu como continua vendendo, com telemarketing ativo para todos meus vizinhos, apesar de todas as reclamações que já receberam sobre a inviabilidade depois que as “vítimas” recebem o equipamento (MODEM).

    Agora no campo do achismo (em cima são fatos): provavelmente um grandicíssimo FDP da área comercial deles resolveu ganhar prêmios em vendas ligando um ferre-se geral se há ou não serviço.

    A Embratel cancelou meu link SATÉLiTE como havia anunciado, não quer mais disponibilizar o serviço e nenhum celular pega onde moro (para ter um 3G por exemplo).

    Fora de casa é difícil conseguir manter o blog. Mesmo assim não vamos parar com isto aqui. Uma hora a solução acontece.

    Peço desculpas pelas ausências tão grandes.

  40. Chesterton said

    Basta eu me ausentar e vocês começam a ler a Veja e o Olavão? Hilário!!!!!!

  41. Zbigniew said

    Elias, um processo de degeneração é possível, e, podemos até dizer, comum, a toda e qualquer sociedade. Em algumas mais, em outras menos. Isto se aplica, inclusive às religiões. Se entendermos “igreja” como catolicismo (muito e justamente criticado), podemos dizer que tal religião já passou por outras crises tão ou mais intensas, mas permanece já há mais de um milênio. O que importa (e aqui vale para todas as religiões) são os valores espirituais encerrados nos seus ensinamentos e liturgias (padres, pastores, monges, bispos, papas, todos passam). São valores como amor, compaixão e caridade que contribuem para que a sociedade não pereça, apesar de tudo.

    Patriarca, pegando o gancho com relação à questão da moral e da religiosidade levantada pelo Olavão, observe-se que como se limita ou combate esse estado de coisas é o que determinará a qualidade de vida de uma sociedade.
    Nesse contexto concordo contigo de que há avanços no Brasil, embora a questão de ética e moral da nossa sociedade, no que se refere ao trato e uso da coisa pública, esteja ainda num processo de formação, em face, principalmente, da noção de cidadania e do seu exercício. Por muito tempo (o Elias alertou para a situação há 50 anos atrás) a maior parte do povo brasileiro esteve alijado deste processo. E não nos enganemos: é necessário uma certa sofisticação para que uma pessoa possa perceber fazer parte de uma sociedade e dela se ocupar e preocupar. Para isto ela precisa comer, trabalhar e estudar.
    Hoje o Brasil melhorou o acesso de sua população a esses valores. É um processo lento, mas o melhor é que o país conseguiu, colocando como ativos de Estado políticas sociais de inclusão, imprimir uma continuidade que dificilmente será interrompida. O processo de melhoramento permanecerá, independentemente de governos, e a tendência é que isto se reflita na classe política e nos demais poderes.

  42. Elias said

    Zbigniew,

    Não desmereço as religiões. Também não estou entre os que acham que as religiões devem se limitar aos assuntos “do espírito”.

    Acho, ao contrário, que as religiões podem e devem desempenhar um importante papel na gestão das coisas terrenas, se e quando elas se colocarem acima das paixões e dos interesses político-partidários. Neste caso, elas assumiriam o papel crítico, de “pensar o próprio pensamento político”.

    Agora, quando a religião — qualquer que seja — entra no jogo político-partidário na condição de competidora, certo como dois e dois que vai dar m… Tem sido assim ao longo dos séculos e nada há que justifique a crença de que agora é, seria ou será diferente.

    Acho que isso acontece porque a religião é, por definição, um sistema totalitário. A religião implica uma crença com anulação de todas as demais. Não é possível ser cristão e, ao mesmo tempo, islâmico. E vice-versa. E assim por diante.

    Esse tipo de convicção, quando levado à arena política, nunca deu certo. No momento, só quem ainda aposta nisso são os islâmicos. Mas eles dificilmente conseguirão criar algo pelo menos parecido com um Estado democrático.

    Justiça se faça: lá pelo século IX, em Córdoba, os omíadas conseguiram combinar um Estado islâmico com um pouco de liberdade religiosa, cultural e até política. Foi durante a “Era de Ouro de Córdoba”, que durou até por volta do século XII, se não me engano. Mas, pra isso, eles tiveram que se desligar do califado e, na prática, acabaram criando quase um Estado laico (aí vieram os almôvedas, os almorávidas, etc., que restabeleceram a velha intolerância pela qual o islamismo é muito mais conhecido…).

    Antes e depois disso, as religiões têm proporcionado uma contribuição mais negativa do que positiva para o processo político. De Maomé aos Bórgia, passando pelos partidos católicos na Alemanha, aprovando a “lei de autorização”, que deu plenos poderes a Hitler, quase nada se salvou.

  43. Zbigniew said

    Elias, você tem razão.
    Enquanto instituições, sim. Podemos afirmar que o compadrio com os poderes seculares secularizaram as religiões. Isso me lembra uma cena no final do filme Apocalipto de Mel Gibson, quando enfoca a chegada dos espanhóis ao Novo Mundo pela visão dos nativos, aqueles empunhando uma cruz e muitas armas.
    Um outro filme muito significativo quanto à questão do dogmatismo e totalitarismo dentro da religião é a obra “O Nome da Rosa” de Humberto Eco. Neste caso negava-se o conhecimento científico como forma de combater o que se consideravam heresias aos dogmas da igreja. Daí Galileu e tantos outros exemplos.
    Outro bom filme é o “A Missão” que revela a relação de poder entre os Jesuítas e os Guaranis, e o objetivo dos religiosos em criar uma série de repúblicas teocráticas na região. Deu no que deu.

  44. Elias said

    Zbigniew,

    Muito bem lembrados os filmes. Gosto demais d´O Nome da Rosa.

    O grande Hitch dizia que ele nunca filmaria (e ele nunca filmou) um grande romance, porque, no entender dele, uma obra prima é, por definição, aquela que já encontrou sua forma definitiva de expressão. Daí porque ele só trabalhava com historinhas de 3ª categoria, que ele lia uma única vez (era o que ele dizia). Daí pra frente, seria o trabalho dele, como roteirista e diretor, mais os co-roteiristas, dialoguistas e editores que ele contratava.

    Pode ser que essa seja a regra. Mas, se for, ela tem exceções, como toda regra. “O Nome da Rosa” é uma delas. Obra prima no papel e na tela. Outra notável exceção é “Lawrence da Arábia”, feito a partir de um outro monumento, “Os Sete Pilares da Sabedoria”, do próprio Lawrence.

  45. Michelle de Souza malone said

    Bom dia/terde/noite a todos.
    Feliz Ano Novo de novo…rsrsrsr

    Mas enfim alguém escreve a verdade sobre o governo Dilma …a Veja!

    REVISTA VEJA

    Uma reportagem desta edição de VEJA faz um balanço dos indicadores que fecharam o ano de 2011. Mais uma vez é um alívio observar que, mesmo com crescimento menor (2,9%) e inflação mais alta (6,5%) do que as expectativas, a economia brasileira adquiriu solidez, com predomínio, ano após ano, do vetor do progresso sobre o somatório de forças negativas, tanto as internas quanto as externas. É um bálsamo ver que avançamos na segunda década de um novo século com o superávit primário acima dos 3% do PIB, fator essencial na manutenção da dívida pública em níveis administráveis – em flagrante contraste com a irresponsabilidade que afundou as economias europeias em 2011. Conforta também ver o triunfo da política econômica, conduzida com base em avaliações criteriosas da realidade e um profissionalismo apontado como padrão a ser seguido por bancos centrais de outras nações.

    Mas, ao mesmo tempo, é quase desanimador constatar que resistem teimosa e burramente alguns dos antigos entraves que tanto atrapalharam o desenvolvimento de nossos processos produtivos no passado. Os números mostram que o Brasil ainda é um tijolo voador, expressão consagrada entre os economistas para descrever uma economia que, a despeito de um desenho tosco e disfuncional, persevera na sua caminhada para a frente em razão de rara combinação de circunstâncias favoráveis. No caso específico do Brasil, o tijolo voa impulsionado pela valorização internacional dos produtos de exportação, em especial o minério de ferro, a soja e a carne, dádivas da natureza que o engenho pátrio soube transformar em riqueza, mas que denotam uma indesejável dependência da demanda externa por alguns poucos itens primários. Voa pela atração de investimentos produtivos estrangeiros, que bateram em 65 bilhões de dólares no ano passado, parte disso glória da nossa conquista da estabilidade, parte consequência do tropeço das economias avançadas. Enfim, a economia brasileira mantém-se no ar menos por suas virtudes aerodinâmicas e mais pelo superavitário front externo, que produziu um saldo de 30 bilhões de dólares em 2011.

    Nossas distorções paralisantes continuam na legislação tributária selvagem; nos desperdícios do setor público, que gasta muito, gasta mal e quando faz cortes economiza em investimentos sem diminuir o tamanho da máquina burocrática; na legislação trabalhista, que engessa e encarece a criação de empregos; e na educação universalizada, mas ainda de péssimo nível. Essas mazelas precisam ser fortemente atacadas em 2012, para que o Brasil possa crescer em um ritmo que permita dobrar a renda per capita em pouco mais de uma década. Isso significa crescer cerca de 6% ao ano, consistentemente, nesse período, para podermos nos sentar ao lado de Portugal e da Coreia do Sul no último vagão do comboio dos países com alta qualidade de vida. Para tanto, temos de deixar de ser um tijolo voador e adquirir os contornos leves, eficientes e modernos das economias sustentáveis e dinâmicas.

    Alguém discorda? Diga por que?

    beijinhos gelados (londrinos…rsrsr)

  46. Elias said

    Michelle,

    Não é que discorde. Apenas não entendo.

    A Veja, aparentemente, credita o bom desempenho da economia brasileira a variáveis externas favoráveis.

    Mesmo?

    Pois eu seria capaz de jurar que a economia mundial está enfrentando uma crise braba… E que as “variáveis externas” não são tão favoráveis assim…

    Aliás, no início do ano de 2011, a Veja falava, exatamente, que o Brasil iria se ferrar, por causa da sua exagerada dependência em relação à expansão econômica mundial que, no ano passado, não daria o ar de sua graça.

    O assunto foi tema de acirrados debates aqui mesmo, no PolíticAética.

    Pelo que leio na Economist, p.ex., os analistas “de fora” vivem dizendo que o bom desempenho da economia brasileira se deve muito mais a méritos na condução da política econômica do país, que possibilitaram o alcance de bons resultados não graças ao contexto externo, mas APESAR dele.

    Já o chororô pseudo-liberal com relação à legislação trabalhista e aos “entraves burocráticos” é antigo e, com o passar do tempo, se torna cada vez mais abstrato. Quando os liberais de almanaque ficam sem assunto, eles levantam essa lebre.

    Num país em que o trabalho escravo ainda é uma realidade, e a informalidade alcança mais de um terço da mão-de-obra ocupada, ficar berrando pela precarização das relações do trabalho é um tanto quanto demente.

    Como qualquer outro empreendedor de pequeno porte, sou vítima dessa burocracia abilolada, improdutiva e cara que existe no Brasil. É uma praga que deveria ser extirpada, como se extirpa um tumor maligno.

    A burocracia brasileira atrapalha? Atrapalha. Hoje, muito menos que no passado, mas atrapalha. Agora, ela inviabiliza o empreendimento privado? Claro que não! Quem diz que sim é teórico de universidade, que nunca se dispôs a montar uma mercearia.

    Tanto não inviabiliza, que a quantidade de empresas no Brasil é cada vez maior; que não falta no Brasil empresas prosperando e crescendo; que as empresas brasileiras estão cada vez mais competitivas em relação à concorrência externa, etc, etc, etc.

    O “efeito paralisante” da burocracia brasileira é um dos cavalos de batalha dos pseudo-liberais brasileiros. Eles gostam de comparar o Brasil com o Chile, que, no discurso deles, seria o paraíso do empreendedorismo.

    Há alguns anos, aliás, a Veja fez uma extensa reportagem, mostrando como o Chile iria prosperar e o Brasil ia ficar pra trás…

    Deu nisso que está aí. O Chile patinou, derrapou, e vai devagar, quase parando… Já o Brasil…

    Aí, o que faz a Veja? Levanta a impressionante tese do “tijolo voador”…

    Entenderam? O Brasil está alcançando esses resultados mais ou menos bons (num contexto de crise), porque é… Um tijolo voador!

    Vocês nunca ouviram falar num tijolo voador?

    Pois aprendam! Pois vão estudar economia… Logo, logo, vocês entrarão em contato coma teoria econômica do tijolo voador… Ela explica tudo. Tim-tim por tim-tim…

    Então, tá!

    Ah, sim, item 1: parece que a China vai adotar algumas medidas pra agitar seu mercado interno. Não sei que medidas são essas, mas elas já começaram a repicar numa valorização das ações da Vale, assim como de todas as empresas que operam exportáveis sensíveis ao mercado chinês.

    Taí uma boa notícia no front externo… Mas que não influi nem contribui pros resultados de 2011. Vai valer pra 2012, se for mesmo verdade…

    Ah, sim, item 2: acharia mais interessante que a Veja comparasse os resultados de 2011 com os prognósticos que ela mesma fez pro ano passado.

    Seria um “Veja errou” tamanho família…

    Maior do que seria o “Veja errou” de 2010, relativamente à previsão da revista, de que as intenções de voto no Serra iriam deslanchar a partir de agosto…

    E ainda teria o “Veja errou” de 2009, o de 2008, o de 2007…

    Daria pra fazer uma revista só com isso: “Veja errou”.

    A Veja tem pava, Michelle. Ela acaba estragando as causas que defende.

    Não que eu seja supersticioso. Sou judeu e, por isto, não acredito em superstição…

    Dá azar…

    Como a Veja (cujos donos são judeus, aliás, mas, o que se há de fazer? Ninguém é perfeito!).

  47. Zbigniew said

    Caros Elias e Michelle,

    a Veja e a grande(?) mídia brasileira padecem do complexo do “é… mas, porém, contudo, todavia, entretanto…”. E isto prejudica em muito as análises desses órgãos. Fica muito parecido com uma torcida, e, no caso, uma torcida contra.

    Não que não se deva deixar de apontar os problemas que afetam um país. Mas é necessário, pelo menos apontar exemplos mais concretos (será que ficou para a reportagem que o texto cita?) como alterntivas ou parâmetros de melhoria, e não ficarmos em generalidades, muitas vezes sem um aprofundamento necessário.

    Nesse ponto a Veja repete a linha de suas matérias quando o assunto é economia e estado.

    Aliás, até pra reconhecer os bons resultados da gestão economica brasileira, tem que começar com um viés negativo (na realidade o texto carrega neste viés):

    “(…) Mais uma vez é um alívio observar que, mesmo com crescimento menor (2,9%) e inflação mais alta (6,5%) do que as expectativas, a economia brasileira adquiriu solidez, (…)” – E permanece nesta linha.

    Não, não há nenhuma mentira aqui. Foi isso mesmo o que ocorreu. Um crescimento menor e uma inflação mais alta a despeito “do somatório de forças negativas, tanto internas, quanto externas”.

    Mas aí a Veja entorta a boca, não tem jeito: o gigantismo estatal e sua ineficiente burocracia, a educação universalizada de péssimo nível e a famosa e odiada legislação trabalhista que encarece e prejudica a criação de empregos(???). E mistura com investimentos externos da ordem de US$ 65 bilhões e a demanda externa por poucos itens primários. Eis aí o fundamento da teoria do tijolo voador. Vai para frente, apesar de.

    Sinceramente, como disse o Elias, não dá pra entender. Não somos uma economia sustentável, leve e dinâmica? Aliás, o que é uma economia nestes termos? O texto não deixa claro. A de Portugal (que ao que consta não está numa situação muito boa) e a Coréia do Sul são economias exemplo?

    Como é que uma economia assim atrai US$ 65 bilhões de investimentos externos e tem um saldo em balança tão favorável? Se isto não é dinamismo, é o que?

    O texto deveria ter apontado que o Brasil precisa melhorar o seu desempenho na questão de inovação e tecnologia, no aumento da produção científica (papers e estudos), do número de mestres e doutores, e deixar de ser apenas um grande exportador de commodities e procurar, antes de tudo, manufaturá-las e oferecer ao seu mercado interno e ao mundo produtos acabados, made in Brasil. Mas aí tem a Vale, tem o programa de bolsas de estudos da Dilma, tem o aumento do mercado interno, vai ter que falar na valorização do salário mínimo, do Bolsa-Família. Aí, pro padrão Veja é pedir muito.

  48. Elias said

    Zbigniew,

    É isso aí!

    A Veja dizia que o Chile tinha uma estratégia melhor que a do Brasil. Que o Chile iria arrebentar a boca do balão e o Brasil ia “ficar pra trás” (esta a expressão usada pela revista).

    Agora, por que a revista não explica o que deu errado no Chile? Por que o Chile travou e o capital chileno está migrando em massa pro Brasil, onde tudo é mais difícil, segundo a Veja?

    Ora, o capital vai pra onde está o potencial de lucro. Isso é o que interessa!

    Burocracia estatal? É importante, sim, mas é acessória. O que conta, mesmo, é o potencial de lucro e, atualmente, o maior potencial de lucro da América Latina é o do Brasil.

    E CQD!

    O governo brasileiro? Claro que não é o governo dos nossos sonhos, mas… E daí?

    A grande imprensa brasileira — Veja inclusa — também é uma m… e, nem por isso deixa de faturar bem…

    Numa comparação exclusivamente qualitativa, eu diria até que o governo brasileiro tá melhor que a Veja.

    Pelo menos, não erra tanto…

    Observe só a abordagem cretina da revista.

    Quando a economia mundial ia bem, a Veja dizia que o bom desempenho da economia brasileira se devia a essa euforia econômica, e não à qualidade da gestão interna.

    Agora, que a economia mundial tá levando farelo, ela diz que a economia btrasileira está se saindo bem porque está atraindo os capitais que fogem das economias em crise. Nisso consitiria o “tijolo voador”. Dá certo, ou seja, voa, apesar de fazer tudo errado.

    Mas, por que, exatamente, a economia brasileira não está em crise, como as outras? Por que ela está atraindo investimentos, e não expulsando investidores, como as economias em crise? Por que o Brasil, “que faz tudo errado”, está voando, enquanto os países que “fazem tudo certo”, não estão voando bem ou estão se espatifando no solo?

    Por que os investidores foram atraídos pelo Brasil, e não pelo Chile, por exemplo?

  49. Elias said

    E o problema do Pax?

    Onde o Pax mora e namora, a 2 passos de SP, é assim. Dá pra ter uma idéia de como é a coisa nos cafundós da Amazônia (160 léguas depois dos cafundós da baixa da égua…).

    Não há concentração demográfica, logo, não há lucro. Não havendo lucro, não há interesse privado em investir.

    É isso que a maior parte do rebanho neolib jamais conseguiu perceber, ao se tratar da privatização das teles.

    Há todo um mundão territorial brasileiro absolutamente a descoberto.

    A solução, claro, é a intervenção estatal. Se o Estado não fizer, ninguém o fará. E, se isso não for feito, vai adiar sem data a realização de um imenso potencial econômico.

    Acontece que o Estado se desarmou nesse campo e está numa sinuca de bico.

    O juizado de pequenas causas vai resolver o problema em relação a uma empresa que vende o serviço que ela não executará. Mas lei nenhuma obrigará uma empresa a atuar numa área sem nenhum potencial de retorno imediato. Até porque lei nenhuma pode obrigar uma empresa a ter prejuízo.

    É o que se pode dizer da Anatel, essa instituição de inutilidade pública (disputa pau a pau com o Senado…). Se a Anatel servisse pra alguma coisa, ela serviria pra punir a empresa estelionatária (nem isso ela faz).

    Mas a raiz do problema, ou seja, a área geográfica desprovida dos serviços, essa persistiria. Porque a solução está absolutamente fora do escopo da Anatel.

  50. Pax said

    Prezados,

    Meu problema? Bem, sem solução e sem previsão de solução.

    A Embratel, sei lá porque cargas d’água, não quer mais prover o link satélite que usava. Era 1/5 de 1 Mb por R$ 460,00 por mês e, mesmo assim, não querem mais fornecer. Cortaram o serviço.

    A Telefonica passou a oferecer o SPEEDY nos dois bairros rurais da minha região. O meu bairro e o bairro vizinho. Estão ligando todos os dias para todos os telefones instalado oferecendo o serviço. Vários vizinhos assinaram.

    Só que… eles não tem os equipamentos instalados. Do DG – Distribuidor Geral – mais perto daqui vem uma fibra ótica até um Armário Ótico que tem as placas de onde distribuem as linhas telefônicas. Seria preciso instalar um equipamento chamado MINI DSLAM para que o sinal SPEEDY também fosse multiplexado a partir deste armário. Enfim, tecnicamente é isso. E este equipamento, segundo o técnico que esteve na minha casa para constatar a inviabilidade técnica do meu SPEEDY, custa US$ 500 mil.

    Porque estão vendendo nos dois bairros então? Não sei a resposta. De duas uma: (a) um erro no sistema deles ou (b) um filho de uma égua comercial quer bater suas metas e ligou um ferre-se geral. Se fosse (a) e eles tivessem qualquer decência, teriam atentado para todos os meus contatos de reclamação. Que nada. Pouco se importam. Continuam vendendo o que não tem para entregar.

    Ontem, depois de encerrado todo meu desgaste com a Telefonica, com mais de 20 contatos com as áreas de vendas, técnica e ouvidoria, abri um processo na ANATEL com todos os registros e protocolos, todas as ligações, data, hora, atendente etc bem como o documento de INVIABILIDADE TÉCNICA.

    E… fui ao Fórum da cidade. No Juizado Especial Cível, vulgo Juizado de Pequenas Causas. E…

    Bem, a atendente leu os documentos que levei (todos os contatos e protocolos em um documento Word bem preparado) e o relatório do técnico. Me disse que eu não poderia abrir um processo contra a Telefônica porque não havia nada para provar que me venderam o que não tinham e nem que eu tenho qualquer dano material ou moral.

    Como não aceitei suas explicações, educadamente, fui atendido pelo diretor da área de atendimento deste juizado. O cara me disse a mesma coisa que a atendente. Disse ainda mais, que ele mesmo tinha passado por um processo semelhante e que não há nada que se possa fazer, que o material que eu tenho não serve e que o juiz indeferirá o processo com certeza.

    Disse mais, que eu ainda posso ser processado pela Telefonica por má fé. Mesmo eu afirmando que não quero entrar com DANOS MORAIS e sim com OBRIGAÇÃO DE FAZER (são as duas opções, você tem que escolher uma e ir até o fim na causa, segundo me orientaram).

    Acreditem, se quiserem.

  51. Elias said

    Pax,

    O raciocínio deles é: você só paga pelo serviço que você usa. Se a empresa não presta o serviço, você não paga. Por essa razão, você não pode alegar que sofreu danos. Na ótica deles, o dano só existiria se você houvesse pago pelo serviço sem que ele fosse executado.

    Provavelmente seu advogado vai optar por “danos morais”, partindo da premissa de que você contratou o serviço na expectativa de que ele fosse prestado e, em conseqüência, assumiu uma série de compromissos que só podem ser satisfeitos se o serviço for efetivamente prestado. Se esses compromissos produzem alguma remuneração pra você, você poderia ajuizar por “danos morais e materiais”.

    “Obrigação de fazer”, pela minha experiência pessoal, só emplaca se a gente estiver respaldado por um contrato. No caso, a contratada fica obrigada a prestar o serviço até a data de expiração do contrato ou, não o fazendo, paga a multa contratual por não ter feiro.

    Sem respaldo contratual, nunca vi dar certo uma ação pleiteando a “obrigação de fazer”.

    De qualquer modo, do ponto de vista da fruição dos serviços, que é o que interessa, “danos morais” (e materiais, se for o caso), acaba não resolvendo nada. A empresa perde em 1ª instância e, aí, aciona todo o arsenal procrastinatório de que o sistema judicial brasileiro é pródigo, exatamente para evitar que os que mais podem jamais sejam punidos pelo que quer que façam.

    O que seu advogado acha disso?

  52. Michelle de Souza malone said

    Bom dia /boa tarde/boa noite a todos

    CORRUPÇÃO MORAL?
    Enquanto o Pax não resolve seus problemas de conexão, eu proponho neste espaço, discutir um problema de corrupção diferente (sub-reptícia) e por isso muito ameaçadora:
    O crescente uso de drogas no Brasil.
    Liberar (legalizar) ou coibir/ proibir (legislação brasileira)?

    Peguei esta ideia lá no RA e acho muito interessante abrir um novo post
    (se o Pax quiser e puder: CORRUPÇÃO MORAL? )
    O vídeo apresenta a opinião do Milton Friedman …aquele…



    E você?
    Qual é a sua opinião?
    Você “patrocinaria” um projeto de lei legalizando o uso de drogas?
    hi,hi,hi…
    beijinhos gelados!

  53. Elias said

    De qualquer modo, do ponto de vista da fruição dos serviços, que é o que interessa, “danos morais” (e materiais, se for o caso), acaba não resolvendo nada. A empresa perde em 1ª instância e, aí, aciona todo o arsenal procrastinatório de que o sistema judicial brasileiro é pródigo, exatamente para que os que mais podem jamais sejam punidos pelo que quer que façam.

  54. Patriarca da Paciência said

    Michelle de Souza Malone,

    O que me espanta mesmo é encontrar pessoas que ainda levam a sério um sádico que dizia que a época de ouro da humanidade foi o século XIX, ou seja, aquele período em que a maior parte das pessoas vivia em extrema miséria e uns poucos eram extremamente ricos. Época em que a escravidão era “legal”. Época de extrema exploração do trabalho infantil.

    É algo profundamente lamentável.

  55. Zbigniew said

    Pelo video o Friedmann defende a liberacao das drogas, mas nao se preocupa em como sera feito o processo.
    Recentemente vimos a acao do governo de Sao Paulo, junto com a prefeitura da cidade homonima, na regiao da cracolandia. O Estado ocupou a regiao atraves da policia, mas os drogados se espalharam por outros bairros (embora os da elite estivessem resguardados).
    O efeito imediato foi o de apenas “limpar” aquele espaco (objeto de grande especulação imobiliária e incentivos fiscais para investidores da iniciativa privada). As medidas, no seu aspecto politico parece que tiveram como objetivo se antecipar ao governo federal que tem projeto para area a ser aplicado em Sao Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador e Recife. O Alckmin e o Kassab nao queriam ficar a reboque. O resultado nao foi o esperado.
    Voltando ao Friedmann e ao processo de liberacao de drogas que parece que ficou em branco ja que o video segue a linha do “menos estado” (quem vai implantar o processo, afinal?), temos algumas ideais neste campo.
    Ha um texto do professor Walter Fanganiello Maierovitch (aqui: http://maierovitch.blog.terra.com.br/2012/01/09/os-ultimos-dados-internacionais-sobre-drogas-e-a-cracolandia/) em que cita os processos de prevenção, tratamento, reinserção social e repressão às redes planetárias de abastecimento de drogas – o que nao foi aplicado na cracolandia que se limitou a prisao dos denominados “avioes”, pessoas colocadas pelos traficantes para as vendas no varejo.
    Cita tambem o trabalho terapeutico implantado na Italia e as narcossalas utilizadas em paises como Alemanha, Espanha, Canadá, Suíça e EUA.
    A descriminalizacao do uso e sua liberacao tem que ser cuidadosamente estudadas e implantadas, de uma forma seria, acima de projetos pessoais e interesses politicos. Ha diversas experiencias em outros paises – algumas exitosas, outras nem tanto. O problema no Brasil e muito serio e urgente para ser tratado superficialmente ou com leviandade. Nao temos mais tempo para isto.

  56. Elias said

    Zbigniew e Patriarca,

    Nunca entendi direito essa proposta.

    Se descriminalizar, as pessoas vão se drogar menos, ou o quê?

  57. Patriarca da Paciência said

    Elias,

    Pelo que entendo, o Friedman defendia o livre mercado para tudo, inclusive para drogas.

    Se aumentasse ou não o número de drogados, era problema de quem se droga e ninguém tinha nada a ver com isso!

  58. Pax said

    Caro Elias, em #51,

    Não tenho um advogado. Consultei dois amigos que entenderam que eu teria bases para entrar no Pequenas Causas.

    Infelizmente vou desistir. A canalhice do modelo brasileiro me venceu. Ainda abri uma reclamação na ANATEL somente para deixar registrado, mas sabemos o quanto a ANATEL é muito mais capacha das operadoras que efetivamente uma defensora da livre concorrência e dos direitos dos consumidores. O que me incomodou foi a própria Justiça já estar de joelhos para estes cretinos.

    Agora, neste exato momento, estou projetando um novo link, um tanto complicado, mas que deve funcionar. Há um sinal 3G num morro dentro do meu terreno. Lá vou instalar duas antenas amplificadoras de sinal 3G da Claro (é o que pega), que são de 850 Db, uma apontada para a antena da Claro e outra apontada para minha casa. Na minha casa instalo outra que recebe da segunda antena lá em cima.

    Dessa terceira antena instalo um roteador com o sinal 3G da Claro que vou comprar daqui a pouco.

    Oxalá funcione. Estou contratando uma empresa de um amigo que faz este tipo de serviço, mais voltado para transmissões via rádio (voz e dados), mas que já veio aqui em casa e testamos o sinal da Claro no tal morro.

    Alea Jacta Est.

    Isso tudo deve estar pronto em uma semana. Enquanto isso vou sofrendo por aqui.

    Não atualizo o blog nestes dias porque:

    – Este blog dá trabalho, sim. É preciso ficar atento à pauta, ler o que sai, verificar se é notícia que saiu em veículo respeitado etc etc.
    – Administrar os comentários, controlar o tom da coisa para que seja interessante para os poucos participantes do debate etc.
    – Ficar fiel ao que está escrito desde o início dos tempos deste espaço, declarado no “SOBRE O BLOG” que exige que eu não proteja nenhum lado e que coloque links das notícias colecionadas.
    – Se preocupar de todas as maneiras para não perder credibilidade, respeito com os leitores e, ainda mais, com os leitores comentaristas.
    – Aguentar as críticas de todos os lados, mantendo um mínimo de civilidade, respeitando todos, gregos e troianos, petistas, tucanos ou quem quer que apareça e queira emitir suas opiniões.

    Não dá para fazer naquela região entre o joelho e a virilha.

    Mas também confesso que gosto muito deste pequeníssimo e insignificante blog. No mínimo eu:

    a) descarrego minhas preocupações com o tema do blog que considero uma das grandes mazelas do Brasil
    b) aprendo um bocado com todos
    c) mantenho um arquivo de consulta que já usei inúmeras vezes, para tal exercito a categorização, que poderia ser melhor, mas ao menos temos com acessar pelos nomes dos envolvidos nas notícias.
    d) incomodo um bocado um monte de gente, pois há nomes que aparecem direto nas pesquisas Google se estiverem envolvidos em noticiário da pauta daqui

    É isso. Agradeço a enorme compreensão de todos por estes dias de baixa atualização, já pela terceira vez pedindo desculpas.

  59. Pax said

    Cara Michelle De Souza Malone,

    Nem pude ver seu vídeo do comentário #52. Quando puder a gente volta neste assunto. Ok?

    Se eu estivesse em condições, neste momento, faria posts sobre:

    1 – O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho
    2 – A grana que deveria ter sido usada para prevenção de problemas com as chuvas e não parece ter sido bem utilizada (ex Região Serrana do RJ)
    3 – A reforma ministerial que todos esperamos

    A questão, como disse acima, é que não dá para fazer rápido esses assuntos, teria que ter um tempo, em casa, ler um bocado, escolher as melhores notícias e fazer os posts.

  60. Elias said

    Pax,

    Não o censuro por desistir.

    Quando me vejo numa situação desse tipo, tento achar um meio de revidar. De dar um prejuízo à empresa que está me prejudicando. No ano passado, fiz isso com uma fabricante de impressora térmica de cupom fiscal.

    É impressionante o tipo de comportamento induzido pela certeza da impunidade. No Brasil, há um Código de Defesa do Consumidor, mas quase nenhuma grande empresa o cumpre espontaneamente. Em regra, ela só cumpre se for forçada a isso, pela via judicial ou diante da possibilidade de ter um prejuízo maior do que a economia proporcionada pelo descumprimento da lei.

  61. Elias said

    Zbigniew e Patriarca,

    A Veja desta semana também andou dizendo que o governo de MG se preparou bem mais e melhor que o governo do RJ pra enfrentar o problema das cheias. No fim da reportagem, a revista aconselha o governo carioca a fazer como o governo mineiro, e não deixar pra se mexer só quando já é tarde demais.

    Mas parece que o problema em MG nada fica a dever em relação ao RJ, em termos de gravidade. Aliás, o governo federal já liberou R$ 75 milhões pras ações emergenciais: R$ 30 milhões pra MG, R$ 25 milhões pro RJ e R$ 20 milhões pro ES.

    As evidências parecem indicar que o governo mineiro não se preparou tão bem quanto disse a Veja.

    Há anos que venho dizendo: a Veja tem pava! Ela dá azar!

  62. Elias said

    Pax,
    Parece que a reforma ministerial será só uma guaribada…

    Reforma ministerial (ou de secretariado) em ano eleitoral é metade de uma boa bronca… A menos que se esteja redesenhando a base de sustentação política.

    A meu pensar, é mais certo esperar uma boa mexida DEPOIS das eleições. Aí, quem não alcançar um bom desempenho eleitoral provavelmente vai murchar na partilha dos cargos. Se as urnas mantiverem a atual correlação de forças, nem depois das eleições acontecerá algo mais significativo.

    Outra da Veja: ela aposta num quase rompimento entre Dilma e Lula.

    Impressionante…! E eu, que achava que o futebol estava até óbvio demais…

    Se o pessoal da revista realmente acredita no que publica, acho que seria o caso de consultar um oculista.

    Ou um terapeuta, sei lá…

  63. Pax said

    Caro Elias,

    Só a saída dos ministros ano passado já me parecem uma reforma interessante.

    Saiu um tropa que não fará falta alguma. Acho eu.

    Não há rompimento de Dilma com Lula. Aliás, cá entre nós, alguns petistas até gostariam. Ou não?

  64. Elias said

    Pax,

    Concordo. Alguns bem que gostariam.

    Se bem que, mesmo pra essa tribo, a volta do cipó de aroeira seria muito pior.

    E, sim: a ausência da tropa que saiu preenche um enorme vazio…

  65. Zbigniew said

    Ao vivo pelo UOL, o depoimento do min. Fernando Bezerra no Senado:

    http://noticias.uol.com.br/aovivo/2012/01/12/ministro-da-integracao-fala-sobre-denuncias-dos-recursos-destinados-as-vitimas-das-chuvas.jhtm

  66. Michelle de Souza malone said

    Bom dia/tarde/noite a todos

    #65 após o depoimento o Josias analisou:

    Blog do Josias
    http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/

    Exposição de Bezerra expõe calcanhar de Dilma

    “O depoimento do ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional) ao Congresso desce à crônica das catástrofes brasileiras como uma boa notícia: não aumentou o índice de falta de planejamento do governo. Continua nos mesmos 100%.

    Sob a presidência de Dilma Rousseff, o governo continua tão imprevidente quanto na gestão Lula. Investe pouco. E o pouco que aplica destina-se mais a responder aos desastres do que a previni-los. Fustigado, o próprio Bezerra reconheceu a distorção.

    O depoimento do ministro foi recebido no Planalto com alívio e contentamento. Ali, dá-se por “encerrada” a crise trazida pelas chuvas. Erro. A encrenca está apenas começando.

    Se alguma serventia teve a presença de Bezerra no Congresso foi a de expôr o calcanhar de Dilma. Sob Lula, ela era a gerentona de tudo. Hoje, preside a imprevidência que ajudou a cultivar. Aquela imagem de eficiência vendida na campanha foi levada pelas águas.

    ***
    Análise perfeita. Dilma é uma grande “gepone”.
    Alguém discorda?

  67. Zbigniew said

    Nos somos uma federacao.
    Como o proprio nome diz, federacao, Uniao, Estados e municipios se complementam, embora na Constituicao existam as competencias exclusivas, que normalmente recaem sobre a Uniao, e as concorrentes e complementares para os Estados e municipios. Mas as acoes devem ser coordenadas entre estes entes federados. E isto o que ocorre em materia ambiental.
    Quem coordena e a Uniao que exige dos Estados em cooperacao com os municipios os planos de acao por terem conhecimento estrategico das particularidades de cada localidade.
    O pecado do Ministro?
    Na sua pasta realizou-se empenhos para o seu estado de origem em valores maiores do que para os estados que hoje estao em situacao de calamidade em virtude das chuvas, como Minas e Rio.
    O projeto de Pernambuco contempla a construcao de tres barragens para conter as cheias na mata sul que, no ano passado, destruiu algumas cidades e matou outro tanto de pessoas. O Governador do Estado, que e presidente do mesmo partido do ministro, elegeu como prioridade de governo essas acoes.
    E Minas e o Rio? Porque os governadores estao calados? Por conveniencia politica? Valores foram empenhados para estes estados, mas porque nao foram realizados ou realizados em valores aquem do necessario ou previsto? Foi ma-fe do ministro ou incompetencia gerencial dos governadores? O ministro defendeu a sua posicao no Senado, diz que realizou mais de 1 bilhao em valores para a prevencao desses desastres, a oposicao diz que os numeros nao batem com os dados do SIAFI, os governadores ficam calados e a imprensa bota a culpa na Dilma. O que nao fica claro e: qual a responsabilidade de cada um, quem falhou? Porque nao da pra Dilma ir la no Estado, pegar na maozinha do Governador ou Secretario e dizer: olha, cade o projeto? Faz assim, assim e assado senao a imprensa vai botar a culpa em mim.
    Pelo vies politico temos: as eleicoes municipais deste ano, o fato do governador daquele estado esta despontando como uma lideranca nacional, de ter indicado que o nome do ministro para a eleicao da capital em face da fragilidade da candiatura petista por problemas internos do proprio PT e da pessima adminstracao local, da alianca oposicionista naquela regiao estar desabada e, logico, da marcacao cerrada sobre ministros, seja por fogo amigo ou nao.

  68. Elias said

    Zbigniew,
    O Josias de Souza bem poderia elaborar um projeto de lei transformando os Estados em Províncias, todas subordinadas ao Presidente da República.

    Aí ele se elegeria Presidente da República, o Brasil teria 100% de planejamento e Josias, o Ungido, resolveria todos os problemas que os governadores até hoje não conseguiram (alguns nem tentaram) resolver.

    Enquanto isso não acontece, bem que ele poderia, como jornalista, fazer análises de melhor qualidade.

    Cá pra nós: é muito mais fácil fazer uma análise jornalística de boa qualidade do que presidir um país como o Brasil.

    Se ele não consegue fazer o que é mais fácil, isso o descredencia a atirar pedras no telhado de quem faz o que é mais difícil, né?

    De qualquer modo, esse Fernando Bezerra parece ter sido batizado no prédio-sede da Veja, tendo como celebrante o próprio vilho do Seu Victor (que, aliás, não era cristão)…

    Vá ter pava assim na baixa da égua…!

  69. Elias said

    “vilho” do Seu Victor?

    “FILHO”, claro.

    Desculpem.

  70. Elias said

    “Bezerra esforçou-se para compartilhar responsabilidades. Chegou mesmo a dizer que a prevenção dos desastres depende do envolvimento da sociedade. Arrastou para a encrenca, de resto, prefeitos e governadores.”

    “Arrastou” governadores e prefeitos para a encrenca? Então eles nem estavam na encrenca? Estavam onde? Tomando chá com o Josias?

    Certo! Como todo mundo sabe, por decreto do Josias de Souza, governadores e prefeitos não têm responsabilidade nenhuma em realizar obras de saneamento básico.

    Só se forem “arrastados” pelo — pé de pato, mangalô 3 vezes — Fernando Bezerra… (o que, obviamente, Josias não permitirá!).

    Prevenção de desabamentos por causa de enchentes? Claro que isso é responsabilidade do governo federal.

    Que, enquanto o PT estiver na Presidência da República, também será responsável pela segurança pública, pelos pronto-socorros municipais, pelo abatsecimento de água, pela manutenção dos semáforos e pelo recrutamento de noivos apaixonados pra todas as solteironas do país…

    Esse Josias vê longe…

  71. Luiz said

    Elias,

    Não exija demais do coitado do Josias…

    Aliás, nem dele nem da esmagadora maioria dos palpiteiros de plantão da nossa “grande” imprensa…

  72. Zbigniew said

    Elias e Luiz,

    essa é a linha adotada pela grande(?) mídia. Palpites e não aprofundamento. Por isso o viés político. Que até sob esse prisma peca pela precariedade. Nem pra disfarçar.

    No Senado a regra da oposição, exceto pela liderança do PSDB que levantou a questão ética, foi bater no aspecto gerencial. Assim mesmo houve afagos. O Maia jr. chegou a chamar a Dilma de “controller”.O Josias foi na mesma direção da gerencialidade. E botou a culpa no governo federal.

    Tá difícil encontrar uma análise, no mínimo, honesta. Talvez, como disse o Luiz, seja demais exigir isto. Vai ter que ter muita terapia.

  73. Zbigniew said

    Elias e Luiz,

    essa é a linha adotada pela grande(?) mídia. Palpites e não aprofundamento. Por isso o viés político. Que até sob esse prisma peca pela precariedade. Nem pra disfarçar.

    No Senado a regra da oposição, exceto pela liderança do PSDB que levantou a questão ética, foi bater no aspecto gerencial. Assim mesmo houve afagos. O Maia jr. chegou a chamar a Dilma de “controller”.O Josias foi na mesma direção da gerencialidade. E botou a culpa no governo federal.

    Tá difícil encontrar uma análise, no mínimo, honesta. Talvez, como disse o Luiz, seja demais exigir isto. Vai ter que ter muita terapia.

  74. Pax said

    Ok, temos analistas políticos tendenciosos, sim. Claro que sim. Basta ver o titio et caterva.

    Mas isto é lá ilegal? Não. Não é. Ilegal é injúria, calúnia e difamação. Ao menos dentro do quase nada que sei.

    Se eles cometerem esses crimes tem mais é que ser processados.

    Idem ibidem para o outro lado, Kotscho, PHA, Nassif, Azenha.

    Faz parte do jogo.

    O ponto me parece ser que o Bezerra abusou um tanto de privilegiar seu estado e sua parentada. Estranho? Bem, nos padrões da política brasileira pode ser que tenha quem o defenda.

    Cá do meu ponto de vista não apostaria muitas fichas neste ministro. E supondo que eu tivesse que montar um time também não vejo motivos para o chamar para jogar comigo.

    Acontece que o presidencialismo de coalisão exige que tenhamos um time que não é de primeira. É com ele que temos que jogar. E não é um “privilégio” exclusivamente brasileiro.

    O problema é quando este time passa do limite do aceitável que é (à além da baixa competência – que já seria um bom motivo para ir para o banco de reserva ou ser promovido para o time adversário) quando ocorre a abertura dos cofres da viúva para fins injustificáveis. Em outras palavras, roubalheira mesmo.

    Tomara que Dilma consiga limpar a área cada vez mais.

    Cara Michelle De Souza Malone,

    Você pergunta a todos se concordamos que Dilma é uma “gepone” – Gerente de Porra Nenhuma.

    Eu discordo. Imagine ter que assumir este saco da gatos e gatunos e ainda governar o país com este modelo político todo. É fácil desejar, mas acredito que é um tanto difícil executar.

    De novo voltamos ao problema da oposição brasileira que não tem um projeto nem muito menos um discurso que agrade. Acham que tudo que podem fazer é acusar de corrupção a situação e atacar a imagem de Dilma como má gestora.

    A pergunta que fica é: não tem nada melhor para montar um projeto?

  75. Elias said

    Pax,

    I
    Também considero esse Fernando Bezerra um mala sem alça.

    II
    De modo algum, considero ilegais — ou ilegítimas — “análises” como a do Josias de Souza.

    Apenas acho que a “análise” do Josias é muito ruim. Ruim mesmo! Mal feita. Burrinha! Trata os leitores dele como se fossem verdadeiros imbecis…

    Um cara que não consegue fazer um “texto de oposição” melhor do que isso que ele apresenta, é a pessoa menos indicada pra ficar falando de eficiência, planejamento, esse tipo de coisa…

    III
    Quanto a se chamar Dilma de “gepone”, me parece não ser este o melhor momento. Afinal, meio mundo anda elogiando o bom desempenho dela em 2011 (que foi um “ano de cão” pra maioria dos governantes, em todo o planeta).

    Antes de chamar a Dilma de “gepone”, melhor que os analistas de oposição chequem o desempenho dos governadores e prefeitos que eles apoiam.

    O que tem de gepone entre eles não tá no Capivarol!

    Ficar dizendo que o governo federal tem que fazer o trabalho dos governadores é burrice!

    O eleitor não vai engulir essa presepada. Principalmente o eleitor que tá se ferrando porque o governador não fez nada pra mitigar os efeitos das enchentes.

    Ele vai é ficar ainda mais p… da vida! Com o governador e com o bate-pau que diz essas besteiras.

    Afinal, bate-pau também tem que ter um mínimo de eficiência… Pelo menos pra justificar o que ganha.

    IV
    Um assessor qualquer desse Fernando Bezerra aí (toc! toc! toc!) precisa explicar pra ele, em detalhes, o que realmente é um investimento “não preventivo”, ou “corretivo”, quando se trata de assistência às vítimas de enchentes.

    Por exemplo: uma enchente desabriga 100 famílias, em um determinado bairro. Aí o governo federal banca a construção de 100 casas populares para essas famílias, em área não vulnerável a enchentes e deslizamentos.

    Foi uma ação corretiva? sim, foi. Mas, sendo corretiva, também tem efeito preventivo? Sim, também. Aquelas 100 famílias não mais serão afetadas por enchentes e deslizamentos.

    Agora, se o Governo do Estado não for capaz de evitar que a área anteriormente ocupada pelas 100 famílias volte a ser ocupada por habitações precárias… É dose!

    A menos que o Josias de Souza venha dizer que o governo federal também deve cuidar disso, em vez de ficar “arrastando” os governadores pra dentro dessa encrenca…

    Enquanto isso, bem que esse Fernando Bezerra aí poderia fazer algo útil. Assim como contar os poliedros que formam aquele desenho no calçadão de Copacabana… Por aí!

    Mas ele tem que contar separando os poliedros claros dos escuros!

    Daí ele daria uma entrevista na tevê, falando sobre essa palpitante experiência. Seria mais interessante que essas entrevistas que ele tem dado, e os pronunciamentos que ele tem feito.

    Saco!

  76. Michelle de Souza malone said

    Bom dia /tarde/noite a todos

    Caro Pax.

    Sua resposta é ao mesmo tempo discordante e concordante.
    Um truque de mágica retórico. Vamos lá!

    Eu discordo. Imagine ter que assumir este saco da gatos e gatunos e ainda governar o país com este modelo político todo. É fácil desejar, mas acredito que é um tanto difícil executar.

    Pax, Dilma não “teve” que assumir a presidência. Ela foi eleita depois de uma campanha intensa e mentirosa.Foi vendida pelo marketeiro com uma gerentona eficaz pelo seu desempenho (?) como chefe da casa civil do governo anterior.
    Coordenadora de ações dos ministérios e com este modelo político todo (ou seja o mesmo saco de gatos e gatunos).

    E Dilma assumiu alegremente a carapuça (ou camisa de força?)
    Na presidência, abdicou de seu poder ao cedê-lo aos mesmo saco de gatos e gatunos que eram seus velhos conhecidos. De 8 anos.
    Isso não faz parte do papel de gerente.É mais característico do “gepone”.
    O gerente tem que comandar e não ser comandado por “forças ocultas da governabilidade” que
    na verdade, foram escolhidas e nomeadas por ela (ou ela teria assinado um contrato sem ler?).
    Resultado: um ano perdido com quedas sucessivas de ministros incompetentes ou
    desonestos.E Dilma claudicante agindo apenas após a imprensa pressionar.

    Na minha opinião, Dilma gepone corre o risco de passar à história como prepone.
    Uma governante que se tornou mera governanta de interesses partidários.
    É muito pouco.
    Infelizmente para todos nós.

    E mais ainda, Pax você finaliza escrevendo que o problema (da situação atual) é, na sua opinião, resultante da incompetência da oposição atual que não tem projeto para oferecer à situação:

    De novo voltamos ao problema da oposição brasileira que não tem um projeto nem muito menos um discurso que agrade. Acham que tudo que podem fazer é acusar de corrupção a situação e atacar a imagem de Dilma como má gestora.
    A pergunta que fica é: não tem nada melhor para montar um projeto?

    Concluo:

    A oposição quando cobra, denuncia casos de corrupção e ataca a imagem de Dilma como má gestora (suas próprias palavras), está fazendo oposição. Seu papel. A Imprensa idem no seu campo de atuação. Apontar os erros.
    A oposição não tem que ensinar o governo como governar. Se equipe de ministros da base aliada com trinta e muitos ministérios não consegue governar, por que a oposição sem nenhum ministério deveria ensinar?

    Em resumo, você discorda concordando e preocupado ainda põe a culpa na oposição que não tem projeto.
    Um truque de mágica retórico. Prestidigitação.

    PS.1 Ei Pax, o que uma oposição competente e com discurso e projetos claros poderia fazer para ajudar Dilma a governar melhor? Ou você está procurando um pretexto pra se mudar pra oposição? Fiquei curiosa. rsrsrs

    PS.2 Alguém aqui poderia escrever o nome de 5 ministros da “equipe” (saco de gatos) contratada por Dilma que não são “mala sem alça” (ou gatunos)?
    Eu desafio.

  77. Michelle de Souza malone said

    (continuo)
    relendo meu comentário, me dei conta que esqueci de deixar a pergunta que fica:

    Com toda essa incompetência da oposição e da imprensa que insiste em apontar desvios, denunciar políticos corruptos e cobrar resultados do governo, não tem nada de melhor para montar um ministério?

    beijinhos gelados !

  78. Michelle de Souza malone said

    (continuo)
    E pra não dizer que não falei de flores, eu recomendo Nara Leão;

    Nara Leão | Bem vindo ao site oficial
    http://www.naraleao.com.br/index.php

    Eu adoro “As curvas da estrada de Santos” do Roberto Carlos.

  79. Elias said

    Pax,
    É isso aí!

    A Dilma não tá com nada. É um fracasso. O nível de aprovação com que ela encerrou 2011 é fogo de palha.

    Lembra do que a oposição dizia do Lula? Um idiota. Apedeuta. Simplório. Burro. Quem governava era o Palocci. Depois, o Meireles…

    Bons mesmo, eram o Serra e o Alckmin. Nos debates com Lula e Dilma, eles deram o maior banho… Venceram de goleada!

    Cracões!

  80. Zbigniew said

    Como disse o Lula: o político de sucesso faz o obvio. Como disse uma liderança oposicionista no Senado: o PT já esta há 10 anos no poder. E com a Dilma como “gepone”…

  81. Patriarca da Paciência said

    Eu gostaria de saber a opinião do Pax e do Elias sobre algo que acabo de assistir na TV Senado, em entrevista do representante comercial da Câmara de Comércio Brasil China, Dr. Tang.

    Diz o Dr. Tang que o salário mínimo na China é algo como U$ 150,00, mas se considerado o poder de compra, passa para algo como U$ 600,00, ou seja, quatro vezes mais.

    Isto significa que, pelo poder de compra, o PIB da China é quatro vezes maior, ou seja, algo como 30 trilhões de dólares?

  82. Zbigniew said

    Sobre o irmão do Ministro:
     O PPS convocou o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, para depor na comissão representativa do Congresso sobre a distribuição de recursos do governo federal para a assistência a desabrigados pelas chuvas e nepotismo. Esperava acuar o governo. Mas terminou deixando o PPS constrangido. É que a indicação do irmão do ministro, Clementino Coelho(foto), — exonerado quinta-feira –, para a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), motivo da denúncia de nepotismo, foi feita pelo próprio PPS em 2003 quando o partido aceitou participar da formação do primeiro governo Lula. O PPS aderiu ao governo petista depois da derrota do então candidato Ciro Gomes à Presidência da República.(Época – Felipe Patury – Leonel Rocha)

  83. Zbigniew said

    Da serie “Dilma a ‘Gepone'”:

    “do site “Conversa Afiada” – 15/01/2012

     

    “O que o SISU fez de bom para a minha filha e nós”
    O Conversa Afiada reproduz email que recebeu do amigo navegante João Batista Pereira:

    Paulo Henrique:

    Esta semana tivemos, aqui em casa, a grata notícia de que minha filha passou no vestibular de Medicina da Universidade Federal Fluminense (em Niterói).
    A UFF aderiu ao SISU. Minha filha fez o ENEM e, sem sair de casa, pode concorrer em diversas Universidades Brasil afora pelo SISU.
    A UFF tem cotas sociais: ou seja, quem estudou a vida inteira em Colégios Públicos tem uma bonificação sobre a pontuação do ENEM. br /> Como minha filha estudou a vida inteira em Colégios Públicos, e foi muito bem no ENEM (modéstia a parte) , ela entrou em uma Universidade conceituada, em um curso concorridíssimo.
    Ou seja, sem o SISU ela não teria como ter ido a Niteroi fazer o vestibular presencial, pois a distância, datas de vestibulares presenciais e custos a impediriam de ir.
    Lembremos que o ENEM é aquele exame do qual foram roubadas provas da Gráfica Plural (Grupo Folha) no ano de 2009.
    Quem faz uso do SISU consegue entender a importância do mesmo. Esse exame é a democratização da possibilidade de acesso dos alunos às Universidades que do SISU participam, na sua grande maioria Federais. Espero que um dia o vestibular acabe, e que todas as Universidades Públicas brasileiras usem o ENEM e o SISU para a seleção dos alunos que lá entram.
    Agora vamos apenas manter minha filha em Niteroi (o que não é pouco para uma família classe média), e em seis anos teremos mais uma médica consciente neste país.
    O Nunca Dantes e o Ministro Haddad tem minha eterna gratidão. Ah, sempre votei no Nunca Dantes, mesmo antes de saber que alguém aqui de casa seria beneficiado com algo oriundo do Governo Lula.
    Abraços
    João”.

  84. Elias said

    Patriarca,
    Não sei se essa conta procede.

    Estive na China uma única vez, numa única cidade (Xangai) e há mais de 10 anos. Pelo que me disseram, o custo da habitação lá é igual ou maior que o de Jerusalém (pra você ter uma idéia, um apartamento com 2 quartos e um único toalete, dificilmente sai por menos que R$ 1 milhão, em Jerusalém…).

    Talvez em algumas áreas da China o poder aquisitivo de US$ 150 seja mais o menos o mesmo que o de US$ 600 nos EUA. Nas grandes cidades, duvido!

    Fiquei hospedado num hotel modesto. Aqui no Brasil, com muito boa vontade, ele poderia ser classificado como 3 estrelas e meia (a meia estrela a mais fica por conta das boas relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e China…). Paguei diária de R$ 140, sem café da manhã. O café da manhã adotava o mesmo sistema americano: meio bufê = US$ 5; bufê inteiro = US$ 10 (o bufê inteiro parecia saído diretamente de um hotel americano: café ralo, omelete, pão queijo, bacon, biscoitos, sucos… O diabo, pra mim, era aquele café fraco, quase uma água suja e quente, como se o mesmo pó fosse usado pra fazer café por uma semana… Simplesmente nojento! Acabei apelando pro chá. E alguns chás chineses são realmente muito bons).

    Nas ruas e nas lojas, os preços que vi eram os mesmos preços de qualquer grande cidade do mundo. Roupas, alimentos… Tudo a lesma lerda.

    Paguei por uma refeição, em restaurantes modestíssimos, a média de US$ 15 (isso há mais de 10 anos). Fui com um grupo a uma espécie de mercado, onde vendem gêneros alimentícios e refeições prontas. Um troço enorme… Acho que tinha mais de mil pontos de venda. Lá a refeição pronta ficava por uns US$ 2 ou US$ 3 a US$ 10. Só que era aquele negócio chinês, intragável… Eu precisaria estar com fome de vários dias pra encarar uma gororoba daquelas. Perto daquele angu, a refeição do verde-oliva pareceria restaurante 5 estrelas… Se o cozinheiro do CPOR (que, aliás, hoje se chama NPOR) me visse comendo aquilo, ele iria morrer de rir, achando que eu estava engulindo todos os impropérios que dirigi a ele (e ainda tinha aquelas coisas de gafanhoto frito, grilo, escorpião… Parecia lanchonete de filme de terror tipo “C”).

    De qualquer maneira, deve ser bom pra chinês. Os chineses que façam bom proveito…

    No mais, esse preço — 2 a 10 dólares por uma refeição “popular” — é o mesmo que você paga em quase todas as grandes cidades do mundo, Brasil incluso. Em Chicago, você tem verdadeiros banquetes por US$ 10 (uns caras que vendem uma espécie de cachorro quente tamanho família…). Há 10 anos, em Washington, na Union Station, por US$ 15 você traçava uma lasanha da melhor qualidade, numa mesinha com vela e tudo o mais).

    Provavelmente o cara que ganha US$ 150 por mês, numa grande cidade da China, vive numa favela. É possível que se amontoe num único quarto, com toda a família, pagando aluguel. O aluguel é mais barato que um apartamento em Amsterdan ou Bruxelas? É! Mas estamos lidando com coisas diferentes, certo?

    Acho que esse poder de compra quatro vezes maior não se aplica a mais do que a décima parte dos produtos na China. Talvez a muito menos que isso…

    Pelo que vi, a China disputa pau a pau com a Índia a taça de quem tem mais miséria. O Brasil parece que tem inveja das duas, e faz o que pode pra chegar lá…

    Esse negócio de salário baixo nunca deu bom resultado em lugar nenhum, em época alguma…

  85. Michelle de Souza Malone said

    Bom dia/tarde/noite a todos

    Da serie “Dilma a ‘Gepone’”:

    Fernado Canzian 16/01/2012
    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/fernandocanzian/1034869-dilma-irresponsavel.shtml

    Dilma irresponsável

    Sem que se queira, algumas imagens nos perseguem pela vida. Tenho algumas: a coxa de um motoqueiro rasgada em um acidente; uma briga feia, de socos, entre dois senhores gordos.
    Outras duas saíram do mesmo lugar: da região de Petrolina, em Pernambuco, curral eleitoral do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (PSB).
    De uma cabra morta dentro de um barril azul, com olhos esbugalhados e sem o couro, vísceras cercadas de moscas. Carne salgada de um morador sem eletricidade ou água encanada.
    Outra, do rosto desesperado de um sujeito, morador de uma casa de taipa, também sem água, cujo filho morreu. Ele nem sabia dizer como. Adoeceu, foi ao posto de saúde e saiu de lá morto.

    Pernambuco é a cara do Brasil. Cresce como nenhum outro Estado em meio a um boom industrial e imobiliário. Mas conta com uma das elites mais atrasadas do país. Daquelas que usam o Estado e o dinheiro público como propriedade privada. Sem que ninguém faça nada a respeito.
    Fernando Bezerra é um ícone: privilegiou seu curral pernambucano com o grosso das verbas de “seu” ministério; fez do filho o maior beneficiário de emendas de “sua” pasta; loteou a Codevasf (que deveria levar água a Petrolina e região) com irmão e amigos; comprou um mesmo terreno duas vezes em Petrolina com dinheiro público; e fechou contrato com empresa de correligionário pelo maior preço.

    Bezerra é funcionário público, assalariado do Estado, e tem uma chefe direta, a presidente Dilma Rousseff.
    Há menos de dois anos, em Pernambuco mesmo, Dilma era quase uma desconhecida. Era chamada de Vilma pelos que tinham, de orelhada, ouvido falar “da mulher de Lula”. Meses depois, na eleição de 2010, o Estado daria à hoje presidente uma das maiores votações proporcionais no país.
    Dilma foi praticamente ungida à Presidência pelo seu padrinho Lula. E não tem nenhuma das características clássicas dos políticos brasileiros que enojam tantos eleitores.
    Está muito bem avaliada e poderia, se quisesse, tentar trazer a política brasileira para um outro patamar. Mas ela não parece disposta a isso. Seu tempo está passando.

    A conversa da “governabilidade” vai aprisionando Dilma.
    Meia dúzia de ministros saíram de seu governo não porque ela quisesse. Ao contrário, foram mantidos até cair de podres, denunciados pela imprensa.
    Assim como Barack Obama nos EUA, Dilma talvez tivesse condições de chacoalhar as coisas de uma maneira mais honesta.
    Talvez ela não seja uma política bastante habilidosa para isso, como Obama não foi.

    Mas Dilma não deixa de ser responsável pelo que fazem seus subordinados diretos.

  86. Michelle de Souza Malone said

    Bom dia/tarde/noite a todos

    Da serie “Dilma a ‘Gepone’”:

    http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2012/01/16/povo-bobo-426626.asp

    Povo Bobo

    A presidente Dilma vai muito bem, obrigado. Manda lembranças.
    Pouco fez no seu primeiro ano de governo, é verdade. Mas deu a forte impressão de ter feito muito.
    De fato, é isso o que importa na Idade das Aparências. Estão aí as pesquisas de opinião para atestar sua popularidade.
    Em resumo: dotado de fraca memória, no geral o povo é bobo.
    Ai dos governantes e dos políticos em sua maioria se o povo não fosse bobinho. E se não carecesse de boa memória.
    Por bobo, deixa-se enganar com uma facilidade espantosa. Por desmemoriado, esquece rapidamente em quem votou – e também as promessas que o atrairam.
    E o mais notável: se perguntado responderá conformado que político é assim mesmo e que a política se faz assim em toda parte.
    Na próxima eleição procederá da mesma forma. E até lá se dará ao desfrute de falar mal dos seus representantes como se nada tivesse a ver com eles.

    Lances de marketing político à parte, o que Dilma entregou de concreto no ano passado?
    A primeira e a segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento avançaram devagar quase parando. Os demais programas, ídem.
    Perguntem ao Movimento dos Sem Terra se a reforma agrária avançou alguma coisa. Pouco ou quase nada.
    No primeiro mês de governo, os mais apressados enxergaram indícios de uma possível mudança para melhor na política externa. Dilma parecia disposta a expurgar maus hábitos adquiridos nos oito anos de Lula. Hoje, ninguém está certo de que isso aconteceu.
    Concebida para esclarecer crimes da ditadura militar de 1964, a Comissão da Verdade derrapou sem sair do lugar.
    Ampliaram de tal modo o período sujeito às suas investigações que ela não terá tempo razoável para investigar coisa alguma. Para completar, esvaziaram-lhe os poderes.

    O governo foi bem na área da saúde?
    Dos brasileiros ouvidos pelo Ibope na última pesquisa de 2011, 67% responderam que não.
    Foi mal também nas áreas de impostos (66%), segurança (60%), juros (56%) e combate à inflação (52%).

    A aprovação de Dilma, contudo, aumentou para 72%.
    A presidente pode ir bem e seu governo não? Pode.
    Dilma foi eleita porque era “a mulher de Lula”. Ainda é.
    A crise econômica que flagela parte do mundo não bateu em nossas praias. Tomara que não bata.

    Enquanto a vida não apertar, Dilma poderá se divertir montando e desmontando ministérios.

    (R.Noblat 16/01/2012)

  87. Patriarca da Paciência said

    Elias,

    eu nunca estive na China e é muito bom tomar conhecimento da situação por alguém que esteve lá.

    O Dr. Tang me pareceu muito simpático, um verdadeiro sábio chinês – calmo, ponderado e incrivelmente coerente em seus raciocínios.

    Mas lendo o que você escreveu, passo a considerar o Dr. Tang um excelente marqueteiro da “nova China”.

    Acho que ele está fazendo apenas e, brilhantemente, o trabalho dele.

  88. Zbigniew said

    Continuando na serie “Dilma, a ‘Gepone'”:

    (…) 2011 foi o ano da maturidade da energia eólica. Nos leilões de energia, firmou-se como a segunda energia mais barata, logo após a hidrelétrica. Substituiu as térmicas a gás, pelo fato dos projetos em curso já terem absorvido a produção nacional de gás até 2020. Mostrou-se mais competitiva que a biomassa e as PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas). Neste caso, devido aos altos custos da construção civil, em um mercado aquecido.

    O principal avanço do setor foi o custo do capital, que caiu muito nos últimos anos. Quando foi lançado o Proinf (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica), em 2002, o custo de capital era de R$ 6,4 milhões por MWh. Hoje em dia, está em R$ 3,4 milhões.

    A principal razão dessa queda foram os ganhos tecnológicos decorrentes da experiência acumulada de 2004 para cá. O fator líquido de capacidade (quanto da capacidade instalada se converte em energia efetiva) saltou de 32% para 45%.

    Contribuíram para isso, de um lado, a elevação das torres, que saltaram de 50 metros de altura para 108 metros, captando ventos mais fortes e constantes. Depois, avanços nos motores e nas hélices, a partir de tecnologia importada da aeronáutica, no perfil aerodinâmico da pá, na capacidade de retirar o máximo da força do vento e transformar o movimento da hélice em energia.
    (…)
    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-desabrochar-da-energia-eolica

  89. Pax said

    Prezados,

    Continuo sem internet em casa. Incrível. Num mundo que se conecta as empresas brasileiras conseguiram me desconectar…

    Dou notícias em breve. E mais uma vez peço desculpas.

  90. Zbigniew said

    Nao desanime, Pax. Estamos por aqui.

    Em tempos em que se discute “estupro” na tv, BBB12, e a midia “tudo pode” um texto muito interessante da Maria Rita Kehl sobre as ideologias da TV.

    “A grande perversão que se encena em ‘Big Brother Brasil’ e ‘Casa dos Artistas’ não é sexual. É a perversão da concorrência sem leis, espelho do estágio do capitalismo selvagem e decadente em que vive o país.” Essas e outras análises sobre a televisão são desenvolvidas pela psicanalista, ensaísta e poeta Maria Rita Kehl, em seu mais recente livro, “Videologias” -neologismo criado a partir de “vídeo”, “ideologia”, mas também da célebre obra de Roland Barthes, “Mitologias”.

    “No século XIX, a sociedade era neurótica. A interdição ao gozo era muito clara, a histeria aparecia como uma manifestação do sofrimento causado por isso. A metáfora paterna ainda era afirmada como lei, tinha caráter normativo, como sustentação da lei, até o preço das inibições todas neuróticas. Na época, a ênfase do capitalismo estava na produção. Estava no esforço, no sacrifício, no adiamento da gratificação, na renúncia funcional, tudo que Freud vai mostrando como condições da neurose…”

    E o hoje, o fetiche…

    http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2474,1.shl

  91. Pax said

    Caríssimo Zbigniew,

    Pois é, mas a preocupação é enorme. Sem internet em casa não é só aqui que pifa. É um monte de outras atividades não só minhas.

    Em última instância, por incrível que pareça, terei que me mudar.

    Era só o que me faltava nesta altura do campeonato.

    Vocês mantendo o espaço ativo só me dão alegria.

  92. Michelle de Souza Malone said

    Bom dia/tarde/noite a todos

    Pax eu lamento seus contratempos.
    Onde eu moro a wifi 3G está incluida no preço.
    Sorry.

    Continuando na serie “Dilma, a ‘Gepone’”:

    Mentira Premiada: Transposição do Rio São Francisco

    Mentira Premiada: Transposição do Rio São francisco from Implicante on Vimeo.


    PS 1: Aproveito a deixa para desafiar novamente os circunstantes sobre:
    Alguém aqui poderia escrever o nome de 5 ministros da “equipe” (saco de gatos) contratada por Dilma que não são “mala sem alça” (ou gatunos)?
    Eu desafio.

    Desde o comentário #76 original já se passaram vários dias e ninguem aqui se animou a nomear ministros competentes…nem 1,nem 2 ou 3 quanto mais 5….
    Acho que não há! rsrsrs

    PS 2: comentário #16 A “privataria tucana”… Interessado na verdade?

    Dossiê do dossiê: as MENTIRAS do livro do Amaury

    http://www.implicante.org/blog/dossie-do-dossie-as-mentiras-do-livro-do-amaury/

    beijinhos londrinos a todos. Que frio !!!

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