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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Ação Penal 470: nem todos os pardos são gatos

Posted by Pax em 15/09/2012

Corrupção divide o PT

O julgamento da Ação Penal 470, vulgarmente chamado de mensalão do PT, provoca as mais variadas reações da sociedade brasileira. No conjunto do Partido dos Trabalhadores, um aglomerado político diverso, não poderia ser diferente. A superfície visível não é, em absoluto, reflexo de todas as partes.

Recentes depoimentos colhidos com históricos líderes sindicais, decanos fundadores do partido, comprovam esta afirmação.

Ao observarmos o noticiário e a blogosfera política poderíamos deferir que o PT – como um todo – tem reação negativa com relação aos juízos que os ministros do Supremo Tribunal Federal têm proferido. Esta é uma visão superficial, incompleta e errônea.

O ministro Joaquim Barbosa tem sofrido insultos de toda natureza, inclusive racistas, por ter a dificílima tarefa de relatar o processo 470. As injúrias, calúnias e difamações acabam por se estender a todos ministros da corte suprema. A ponto de ameaçarem um dos três pilares que sustentam nossa infante democracia. Petistas – mais parecidos com torcedores dirigidos por consciências superiores às suas – usam e abusam desta prática de ofender o STF, alegando que os julgamentos até agora proferidos estão baseados somente em subjetividades. Da noite para o dia observamos o aparecimento de pseudo-doutores jurídicos que defendem teses e mais teses que sustentam que a suprema corte é dirigida pela oposição política e midiática do atual governo.

Ao aprofundarmos um pouco mais o entendimento de outros petistas – que hoje preferem não se pronunciar publicamente – a unicidade de opiniões se mostra uma inverdade colossal. Há muitos decanos do partido, desde ex-dirigentes, filiados e eleitores, que têm visão absolutamente diversa da superfície mais visível destas opiniões, que não representam o todo. O julgamento da ação penal 470 tem se mostrado um marco que pode se tornar divisório na base de sustentação do partido.

Estes grupos, que não comungam as opiniões mais visíveis e ofensivas ao STF, passam por uma situação complicada. Não sabem para onde ir. As opções que teriam, PSOL, PSTU – e quetais – não os agradam e a permanência no PT é uma dúvida. Ou um enorme desafio.

Assim como não há petistas, nem mesmo os mais dirigidos pelas opiniões da cúpula em julgamento, que defendem o “Silvinho Land Rover” que recebeu a cara caminhonete em troca de favores palacianos, estes grupos dissidentes das más práticas em julgamento, não conseguem mais apoiar incondicionalmente os petistas envolvidos no esquema do valerioduto.

De um dirigente ouve-se a seguinte expressão: “existe uma enorme diferença entre um malfeito malfeito e um malfeito bem feito”. De outro esta: “quero que todo mundo vá em cana, este não é mais o projeto ao qual dediquei toda minha vida sindical”. O tal “malfeito bem feito” do primeiro seriam eventuais desvios para caixa 2 de campanhas que ele sustentaria e defenderia. Os malfeitos malfeitos seriam não só os embolsos particulares como as eventuais compras de políticos para sustento do governo no Congresso. Até nestes grupos dissidentes temos divisão, ou seja, um primeiro que ainda defende o modelo corrupto para a “benfeitoria” do caixa 2 e um segundo que defende o modelo ainda mais limpo de fazer política, uma antiga – e abandonada pela cúpula – bandeira do partido.

A questão que se coloca é qual será o cenário político nacional depois de terminado o julgamento e proferida a dosimetria das penas. Em especial o que será do Partido dos Trabalhadores depois deste capítulo histórico que estamos vivenciando.

Vale nos lembrarmos que Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB, “queridinho” político do tucanato nacional, foi o inventor deste modelo de desvios de dinheiro público e seu processo, hoje desmembrado, continua em compasso de espera, tanto na Justiça de Minas Gerais quanto no próprio STF. Quem hoje atira suas pedras no PT, recheados de munição nos argumentos dos juízos proferidos pelos eminentes ministros de nossa suprema corte, amanhã tende a recebê-las de volta em mais um ciclo comprobatório que a política brasileira precisa de um novo modelo de financiamento de suas campanhas e de uma nova jurisprudência sobre os crimes de corrupção agora em julgamento. Vale ressaltar que a grande mídia insiste em ocultar – ou minimizar a importância – esta pauta mais que pertinente, genética, ou seja, o mensalão tucano não tem a devida inserção na cobertura do conjunto de análises políticas deste momento.

O caminho que a cúpula do PT adotou, em especial os integrantes arrolados na Ação Penal 470 ora em julgamento, de atacar inicialmente a Procuradoria Geral da República e agora o Supremo Tribunal Federal, em especial o ministro Joaquim Barbosa, tem se mostrado uma tremenda canoa furada que divide o PT e coloca em questão o futuro do partido.

Aparte deste grupo encontramos a presidente Dilma tentando governar e tendo que se submeter não só ao seu principal sustento político, o partido que a elegeu, como aos caprichos dos partidos que compõem seu governo, desde o enorme bezerro PMDB até os partidecos de prateleira que continuam solicitando os dutos para saciar suas sedes pouco republicanas.

Na semana que entra teremos mais um importante capítulo do julgamento do mensalão petista. Que mais parece uma final de campeonato de futebol se observarmos as opiniões das militâncias políticas de todos os lados. Mas vale voltarmos ao tema do post, que é uma visão mais aprofundada da divisão interna do conjunto de correntes que compõe o PT. Este é o ponto. Nem todos simpatizantes estão incomodados com os rumos deste julgamento. Há uma boa parte que vê neste importante momento uma enorme oportunidade de resgatar o partido para seu antigo rumo, um partido de origem sindical, hoje social democrata, que defendia a bandeira da ética como prática apropriada de exercer o poder.

Nem todos os pardos são gatos e nem todos os gatos são pardos.

Atualização: este post levou quase 50 minutos para ser publicado pelos problemas com a Internet da Vivo, isto porque a Claro e a TIM nem são mais tentadas como provedoras. Não estaria na hora de uma Operação ANATEL da Polícia Federal que eventualmente desencadearia um processo que poderia chegar num Mensalão da ANATEL? Quem sabe logramos sucesso em eventuais crimes nesta área tão obscura que são as Agências Regulatórias brasileiras.

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279 Respostas to “Ação Penal 470: nem todos os pardos são gatos”

  1. Zbigniew said

    Sim, nem todos os gatos são pardos ou pardos gatos, e nem toda mídia quer o bem do país. Talvez só o país queira o bem da mídia. O problema é o que a mídia quer para o país e o que a classe política (ora cooptada) vai fazer a respeito, e ainda, o que a sociedade vai fazer com o mensalão do PT. Parar por aí? Porque, não esperem que a mídia querida venha a patrocinar outra chincana dessas com políticos do PSDB envolvidos. Tampouco que o STF e a PGR venham a adotar a mesma postura neste caso.

    “A sede da ultradireita no Brasil não é um partido político, mas a grande mídia. Os partidos políticos (PSDB, DEM e, conforme soprem os ventos, o PMDB) são apenas instrumentos de um centro de poder exterior a eles. A principal ferramenta utilizada é a denúncia seletiva e as campanhas orquestradas de difamação. O combustível que move a ultradireita, sem o qual ela não conseguiria sobreviver, é a banditização da política. As denúncias seletivas só se tornam viáveis contra um pano de fundo de culpas efetivas, de crimes efetivamente cometidos em função da natureza intrinsecamente corrupta do sistema político. Você pode sustentar uma ou duas denúncias completamente falsas, mas a grande maioria tem que ser verdadeira, ou pelo menos consistente. Caso contrário, a denúncia não consegue ganhar efetividade no plano do Judiciário. O caso do mensalão é típico. Você consegue contrabandear os casos duvidosos (José Dirceu e José Genoíno) graças à existência de um grande número de casos inconstroversos.

    O político é, hoje, um elemento descartável no esquema de poder da ultradireita capitaneada diretamente pela mídia. Vejam o caso de Demóstenes Torres. Quando as provas se tornaram incontornáveis, foi jogado aos leões sem dó nem piedade. O mesmo aconteceu com José Roberto Arruda. É muito mais fácil cassar um político do que levar um jornalista da grande imprensa aos tribunais – o caso de Policarpo Jr. é emblemático. É muito mais fácil criar mecanismos de controle no Legislativo e no Judiciário do que no ãmbito da grande imprensa. Em princípio, os políticos poderiam se unir e impor medidas restritivas, não da liberdade de imprensa (nunca!), mas do controle exercido pelos proprietários sobre os conteúdos veiculados. Não o fazem porque, como bem lembrou Marcos Coimbra, citando Augusto dos Anjos, “a mão que afaga é a mesma que apedreja”. O juiz do Supremo, o deputado, o senador, o prefeito, tem que escolher: ou colabora com o esquema, e ganha páginas amarelas na revista Veja, ou resolve ter um comportamento altivo, e o genro leva chumbo na semana seguinte. É assim que funciona.

    Serra será brevemente moído por essa mesma imprensa que o tem incensado. Ele não é mais importante, nem mais precioso do que Demóstenes Torres. Precisam de alguém disposto a vocalizar com a necessária truculência o ponto de vista da ultradireita no Jornal Nacional. Na falta de Demóstenes, eles têm se virado perfeitamente bem com o senado Álvaro Dias. Se algum bicheiro resolver colocar o nome do senador na roda, comprarão outro papagaio chipado para fazer o serviço. Candidatos não faltam. Serra foi útil. Não é mais. Será literalmente vomitado do noticiário assim que terminar a campanha.

    A grande questão no Brasil contemporâneo, portanto, não passa pelos partidos políticos, mas pelo controle social da mídia. A esquerda patina, apresentando propostas que conseguem ser a um só tempo inócuas, perigosas e autoritárias. Temos que imaginar propostas novas, eficazes, de grande apelo argumentativo, e conquistar um grande número de políticos para a idéia. Não se combate o poder da ultradireita tentando implementar medidas RESTRITIVAS, que redundam em censura prévia de conteúdos. Temos que combater o autoritarismo da ultradireita com MAIS LIBERDADE, lembrando as imensas possibilidades abertas pelo advento da internet, e fazendo com que o poder de pressão dos proprietários dos meios de comunicação seja apenas UM dos fatores envolvidos na resultante.”

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-midia-e-a-ultradireita-no-brasil#comments

  2. Edu said

    Zbig,

    Não entendi o ponto do Luis Nassif nesse post dele. O que ele está dizendo basicamente é que a imprensa não defende o governo, nem pro PT e nem vai defender pelo PSDB, caso o PSDB retome. E cita casos.

    Perguntas:

    1 – Não é exatamente esse o papel de investigação que se espera da imprensa?

    2 – Onde está o autoritarismo em descobrir irregularidades de um político e publicar essas irregularidades?

    3 – Onde está essa tal de “censura prévia” de conteúdo que o Luis Nassif diz?

    Qualquer mídia é capitalista: PIG ou JEG. Elas só existem porque tem alguém pagando. Se o crime é ser capitalista, todos deveriam ser presos.

  3. Pedro said

    E a entrevista do Valério? É falsa? É verdadeira?

    Só sei que o silencio do Lula é ensurdecedor.

    Se é falsa, não seria o momento de processar a revista?

    huuuummmmm

  4. Pax said

    O que sei é:

    1 – Os dois sindicalistas com quem conversei são reais. Um conheço faz mais de 15 anos. Outro conheci recentemente. O post não foi feito de invencionices. O que conheço há mais tempo é o que quer que todos culpados sejam presos, cadeia mesmo. E me lembro muito bem que tive uma conversa com ele em 2003 e sua postura era outra. Estes anos o fizeram mudar de ideia.

    2 – Se a mídia continuar não dando o mesmo tratamento ao mensalão mineiro, tucano, do PSDB, teremos mais uma constatação que a coisa toda com a imprensa anda meio de lado, quando não deveria ter lado. Pau que bate em Chico deve bater também em Francisco. Idem para o STF. É vergonhoso esse atrado no julgamento de Eduardo Azeredo que, vale lembrar, foi presidente do PSDB. E também insisto neste meu ponto que tenho dito e repetido: Azeredo é queridinho do tucanado nacional, sim.

    3 – Insisto, também que nem todos os pardos são gatos e há uma divisão grande dentro do PT nestes dias. Agora mesmo a cúpula está reunida em SP. Dizem as boas e más línguas que tratam sobre apoiar ou não os réus nesta fase do julgamento da 470. Eu, cá com meus botões, pensaria mais na instituição que em nomes. Por mais históricos que sejam.

    4 – Não acho que a imprensa seja criminosa nem culpada. Ela é boa ou ruim, ou péssima. No fundo temos de tudo. Mas os crimes não foram cometidos por ela, esses de peculato, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha etc. Se a imprensa cometeu crimes foi de injúria, calúnia, difamação e o pior deles, o crime de qualidade.

    5 – Entrevista do Valério, publicada na Veja? Bem, a cautela manda aguardar. Todos os dois já se mostraram pouco confiáveis. Basta ver o principal articulista político da revista que gosta de mentir um pouco de vez em quando.

    6 – Nosso caro Chesterton, velho e bom Chesterton, acha que estou à beira de uma crise de nervos. Neste aspecto nosso doutor erra um bocado no diagnóstico. Ando é muito realizado ao achar, vejam, é um achismo mesmo, que passaremos a ter uma nova jurisprudência sobre os crimes da bandidagem política nacional. E que se estenda a outros colarinhos brancos, não só políticos. Este seria, para mim, o grande e virtuoso corolário de todo este triste episódio nacional.

  5. Luiz said

    Pax,

    Só um adendo: umas duas semanas atrás, o ministro Joaquim Barbosa (que, lembrem-se, será a partir de novembro o presidente do STF), em bate-papo com jornalistas, após responder muitas perguntas sobre o atual julgamento, fez uma provocação:

    – “E aí, ninguém vai perguntar nada sobre o mensalão mineiro?”

    O silêncio em resposta foi constrangedor…

    Fico por aqui, me divertindo com a animada eleição em Fortaleza (pode acontecer qualquer coisa, creiam-me…), enquanto a véspera não chega…

  6. Pax said

    Boa, caro Luiz, não sabia dessa.

    Quais são os candidatos com mais intenção aí em Fortaleza?

    O que mais me assusta nestas eleições:

    Russomano em São Paulo

    e

    Ratinho Jr em Curitiba.

    Sinal que nossas escolas estão à aquem do mínimo necessário.

  7. Zbigniew said

    Edu,

    vcs tem uma dificuldade imensa de raciocinar fora da lógica da grande midia. Quem vive no eixo ( principalmente Sao Paulo) sofre para sair desse padrão. Só faço um questionamento: por que a grande midia nao forca pra cima do mensalao mineiro, a “gênese de todo mensalao”? E por que o STF resolveu fatiar este e nao aquele? Dois pesos duas medidas?

  8. Zbigniew said

    Ainda se da credibilidade a Veja? Qual evidencia será necessária pra que os “padronizados” se convençam de que o panfleto esta fazendo jogo político? Ainda nao aprenderam?

    O q o Barbozao disse só reforça o argumento da seletividade da grande mídia. O PT foi (e esta) sendo tremendamente ingênuo neste caso do mensalao. E nao vai adiantar nada a nao ser atender os interesses dos grandes conglomerados de mídia, estes sim, a verdadeira oposição no Brasil.

  9. Luiz said

    Pax,

    No último Datafolha deu: Moroni (DEM) 22%, Roberto Claudio (PSB) 17%, Emano (PT) 16% e Heitor Ferrer (PDT) 14%

    Mas o Moroni caiu, Roberto e Elmano ficaram estáveis e Heitor Ferrer subiu. Ou seja, embolou…

    Moroni é a velha direita, Roberto é o “poste” do governador e o Elmano o “poste” da prefeita.

    Advinha em quem vou votar?

  10. Pedro said

    Luiz, desculpa me intrometer, vc vai votar no menos pior.

    É normal, mas não devia ser.

    Poha, porque tem que ser assim em todo lugar.

    To falando, o sistema político que temos, afasta as pessoas de bem.

    Estamos sempre votando no menos pior.

  11. Pedro said

    Zbigniew, # 8, não sei se é pra mim.

    Então porque o Lula não processa a Veja?

    É pra não repercurtir o caso, antes das eleições municipais?

    Ok, aguardemos o fim das eleições municipais, e vamos ver se sai um processo e muita indignação.

    Agora, colocar eleições municipais , acima da honra de um ex-presidente, me parece uma opção duvidosa.

  12. Zbigniew said

    Pedro, e ai q entra a ingenuidade ou o medo petista: o de ficar sem base de sustentação . Se nem conseguiram convocar o Policarpo Jr. (vulgo “Caneta”) porque parlamentares do PMSB se alinharam com o Miro “Vejeira”, imagine engrossar o caldo pra cima dessa corja. O PT tem um medo danado de ser visto como “cerceador de liberdades” ou ser comparado com seus congêneres latino-americanos de esquerda. Querem ser uma esquerda moderna, que convive com uma imprensa de matiz politica diversa. Se só fosse isso, tudo bem. Mas sabemos que nao e. Quero ver o panfleto mostrar o audio dessa conversa com o MV (como se nao soubéssemos o resultado). Ta na hora do PT saber ser poder, ou será q esse pessoal tbm nao tem seus podres? Apelar pro Judiciário se nem nomear Ministros os caras sabem? Nao se governa assim . Há coisas que o “Príncipe” tem que fazer fora dos canais convencionais. Mas o PT ta mais e para uma “princesinha”. Vai perder em SP e ficar fazendo beicinho. O que vale e que nem os paulistas agüentam mais o Serra, mas permanece o 0 x 0. Nem PSDB, nem PT. O conservadorismo vai de Russomano e o PT continua tomando vareio da midia.

  13. Zbigniew said

    O julgamento no STF deve ser analisado detidamente. Acreditar num precedente de que aquilo que todos queríamos em face do sentimento de indignação que nos toma pela corrupção generalizada no pais, o de que indícios sao elementos suficientes para se condenar, e de uma ingenuidade desconcertante. Precedentes para quem, cara-pálida? Logo de uma Corte conservadora? O que torna o caso “sui generis” e o STF e o Relator se prestarem a esse papel: o de utilizar a própria condenação de outros réus para, indiciariamente, ou por aproximação ou gravidade, condenar aqueles contra os quais as provas nao sao suficientes. E o que vai acontecer com o Dirceu com base na tese do “Dominio do Fato”. Precedente?
    O Tribunal nao e de exceção, mas o julgamento sim.

    Vejamos o caso de João Paulo da Cunha e Henrique Pizzolato.

    JOAO PAULO CUNHA

    “João Paulo Cunha foi condenado com fundamento na prova de que os recibos que explicariam os 50 mil recebidos por sua mulher foram forjados. Enquanto as falas do procurador e do ministro revisor só apontavam indícios a que atribuíam hiperbólica significação, a ministra Rosa Weber revelou que os recibos possuíam numeração seriada, embora supostamente preenchidos em datas afastadas no tempo. Com isso, a ida da mulher de João Paulo Cunha ao banco para retirar o dinheiro em espécie deixou de ser um comportamento esdrúxulo, sem dúvida, mas não criminoso, e muito menos da conta de ministros do Supremo, para se tornar um indício poderoso da ilegalidade do recebimento. Até porque os comentários dos juízes eram contraditórios: para Carmem Lucia fazendo sua mulher descontar o cheque à luz do dia era manifestação solar de arrogância de poder de João Paulo, indicativo seguro de que se sentia impune; para Rosa Weber, disfarce, dissimulação, sombra; para César Peluso, garantia de que chegaria em casa e não seria apropriado por outrem (esse comentário é interessante em outro contexto). Comentários diversos e contraditórios, mas o fundamento do voto foi o mesmo: a seriação dos recibos falsos. Ora, o presidente da Câmara é terceiro na linha de sucessão do poder executivo e os próprios magistrados exaltaram sua posição para melhor revelar como o crime merecia ainda mais forte repulsa. Não obstante, apesar desta posição hierárquica elevada, joão paulo deixou rastros toscos, elementares. Não foi porque, dada sua posição elevada, João Paulo não deixou pistas e foi condenado assim mesmo. Rosa Weber e todos os que o condenaram o fizeram com base nas provas toscas que deixou. A tese abstrata de Rosa Weber e do procurador é contrária aos fatos aqui.”

    HENRIQUE PIZZOLATO

    ” Ele foi condenado porque não apresentou a pessoa que, segundo sua explicação, seria o destinatário final do pacote cujo conteúdo alegava desconhecer. Alegação tosca e rude que, não sendo provada, prova o seu oposto, isto é, que ficou com o dinheiro indevido. Membro do corpo mais elevado da administração do Banco do Brasil, deixou, não obstante, rastros que permitiram aos juízes do Supremo o condenarem. Ele deixou rastros e foi condenado por eles, não porque tenha faltado provas. Outro exemplo em que o discurso abstrato sobre o domínio do fato nada tem com o voto real, sendo apenas preparatório para o momento em que não houver mesmo prova alguma e os juízes condenarem assim mesmo, configurando um julgamento de exceção.”

    Ou seja, anda prevalecendo na cabeça dos nossos juízes a condenação por ilação (muito comum em alguns veículos de comunicação) que virou pomposamente a tese do Domínio do Fato.

    “A INTERPRETAÇÃO do domínio do fato é a espinha dorsal para a condenação sem provas. Para tanto, o procurador insinuou e o relator apresenta repetidamente, em paralelo aos autos, um enredo perverso que ligaria todos os ilícitos, como se todos fossem uma mesma coisa, cujo Autor sem assinatura seria José Dirceu. A idéia é tornar aceitável a interpetação segundo a qual “quanto mais elevada for a posição do criminoso nas hierarquias sociais, mais fácil a ocultação de provas”, hipótese heurística defensável (embora não existam pesquisas que comprovem indubitavelmente que se trata de uma verdade, mesmo que apenas probabilística). Equivale a “não havendo provas, é forte indício de que há o mando de uma autoridade”. Além de ser contrária aos fatos na Ação Penal 470, a tese hipotética aceitável não se transforma na segunda senão por subterfúgio. Da proposição verdadeira de que todos os ímpares são números não se segue que todos os números são ímpares. Essa tentativa, se bem sucedida, é que fará deste um julgamento de exceção, ou seja, nunca mais se repetirá. Imagine o que não diriam os editorialistas diante da seguinte proposição: Fernando Henrique Cardoso locupletou-se durante a presidência precisamente porque não existem provas de que o fez. É o que se pretende fazer em relação a Dirceu: uma interpretação ad hominem, isto é, só vale para casos singulares. Fazer da ausência de provas uma “prova” de que houve crime é a evidência de que se trata de julgamento de exceção, vingativo.”

    A condenação serve a propósitos específicos e perigosos e o sistema político brasileiro chegou a um nível de subserviência ao poder econômico sem precedentes. Mas o que se esta vendo neste caso do mensalao e sim um precedente de exceção que nao mais se repetira, ou melhor, que sim, poderá se repetir de acordo com os humores da grande midia. Nao bastasse o legislativo , o judiciário também deve satisfações aos conglomerados.

    “A grande imprensa clama unanimemente por isso, mas não penso que os juízes estejam necessariamente se submetendo a ela. Acho, sim, que, neste caso, alguns juízes raciocinam como a grande imprensa. Por isso não se sentem pressionados, exceto o Lewandowski, claro. Eles sentem com absoluta convicção que o projeto do PT, Lula e Dirceu são um mal. Representou a quebra do monopólio do voto de classe média como fiel da balança eleitoral, a seduzir pés rapados que se elegem e os elegem. E se não há provas desse mal, é porque são diabólicos e não deixam rastro. Vai ser preciso condenar sem provas porque, no fundo, acham que estão certos.”

    Esse caso do mensalao e emblemático do pensamento padrão que se desenvolveu sobre o PT sob os auspícios da grande midia. O partido e hoje satanizado e condenado a priori, principalmente por grande parte da elite brasileira, embora o efeito sobre a população em geral seja de pouca monta (ainda). Que isso sirva de lição ao PT.

    Os textos aspeados podem ser aqui encontrados: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-integra-da-entrevista-de-wanderley-guilherme-dos-santos

  14. Zbigniew said

    O Paulo Moreira Leite (um dos poucos nao padronizados) traz uma analise bastante criteriosa desse julgamento (inclusive cita o texto do Wanderley Guilherme dos Santos acima destacado entre aspas). Seria bom que todos lêssemos. Destaco a seguinte passagem:

    “(…)
    Joaquim Barbosa tinha um sorriso de ironia nos lábios quando fez um comentário à parte no julgamento do mensalão, hoje.  Referindo-se às alianças do governo Lula para conseguir votos no Congresso, lembrou a observação de um parlamentar do Partido Popular, o PP, segundo o qual suas diferenças  entre a legenda e o PT eram  grande demais para haver uma aproximação. A ideia é que não poderia haver um acordo com bases políticas – o que parecia sob encomenda para explicar o suposto esquema de compra de votos.
    (…)
    Não é isso o que importa, agora. Eu acho sintomático que o relator do mensalão tenha aproveitado uma conversa paralela  para deixar escapar, em tom irônico, uma observação tão negativa sobre o partido que está no centro do julgamento. E acho mais curioso que outro juiz, imediatamente, tenha se manifestado de acordo. Os dois muito a vontade, falando de microfones abertos.
    (…)”.
    http://colunas.revistaepoca.globo.com/paulomoreiraleite/2012/09/17/no-stf-criticas-e-ironias-dirigidas-ao-pt-pode/

  15. Pax said

    Caro Zbigniew,

    O que me pareceu importante nesta fatia do item 6 do julgamento foi a demonstração que o PT não tinha relações de base de sustentação com o PP. Foi o que entendi. Em outras palavras, o PP não era da base do governo.

    Isto posto, porque mesmo a montanha de dinheiro (R$ 4,1 milhões) foi sair das contas do valerioduto e parar nas mãos de Pedro Henry, Pedro Corrêa e José Janene?

    Quanto ao “apoio” do PMDB, meu caro, santa ingenuidade achar que “amigo da onça” estará do lado quando se precisa. Este partido só serve para se servir do poder, segundo insistentes indícios.

    Pior ainda, parece que o governo vai apoiar o anseio do Renan Calheiros de voltar à presidência do Senado. É duro. O PT está criando a cobra que lhe inserirá o veneno.

  16. Pax said

    A questão agora é: O Ministério Público acusou e o relatou acatou a tese que este esquema era para o governo lograr sucesso em votações na Câmara.

    Se a maioria dos ministros entenderem que sim, que a tese de acusação é pertinente, e seguirem o relator, a sequência lógica é a condenação dos coordenadores do PT, que neste caso seriam, do peão ao rei, Delúbio, Genoíno e Dirceu.

    Caso contrário, se a maioria dos ministros não acompanhar o relator, a situação se inverte. Parece que é este o quadro. Esta é a minha interpretação da situação, interpretação de um amador observador.

    Cá do meu canto confesso que não achei o conjunto de provas tão convincente, ou, em outras palavras, tão determinístico. Não que a acusação seja ilógica, ao contrário, mas me parece que as provas são fracas.

    Fico realmente dividido. De um lado me coloco do meu lado, do lado do povo brasileiro, cansado de tanta corrupção. De outro lado me obrigo a ficar do lado dos réus – todos podemos ser um dia – e me perguntando se um conjunto de provas subjetivas pode determinar uma condenação. Ou, melhor colocando, qual seria o conjunto suficiente de provas subjetivas que pode levar a um julgamento objetivo.

    O que entendo por provas objetivas – me repetindo que não entendo nada do assunto: dinheiro que saiu de um lugar e chegou em outro, fax, emails, assinaturas em recibos, montanhas de dinheiro em espécie sendo sacadas em boca de caixa ou levadas por mensageiros etc etc. Isso, para mim, é prova mais que objetiva, tem rastro, fulano mandou cicrano pegar tanto em tal lugar e o cicrano assinou recibo, e o cheque era em nome de beltrano que não era cicrano. Ou seja, uma lambança clara que estavam fazendo merd… Em específico, cheques da SMP&B emitidos para a própria SMP&B e os emails, fax etc da secretária da SMP&B dizendo que cicrano de tal iria pegar o dinheiro na tesouraria do Banco Rural. Ora bolas, quem se meteu nessa não tem como negar que estava num jogo muito esquisito.

    O que entendo por provas subjetivas: afirmar que o tal dinheiro que saiu do esquemão acima era para comprar os votos nas eleições na Câmara sobre reforma tributária, reforma previdenciária etc que o governo queria aprovar. É lógico que a estranheza fica evidente, porque mesmo o governo – as ordens eram do Delúbio – daria dinheiro para o PP que não era da sua base e, por coincidência o PP votou a favor do governo nestas reformas e as datas são coincidentes. Beleza, mas não é uma prova absolutamente cabal, segundo minha humilde opinião.

    Mal comparando, algo como dizer que um cara ameaçou outro de morte, o ameaçado recebeu um tiro, a balística disse que o tiro saiu de uma arma de propriedade do cara que ameaçou etc. Tudo indica que o ameaçador cumpriu sua promessa, mas é bem diferente que uma prova do tipo de uma câmera de segurança ter filmado o ameaçador disparando contra o ameaçado. Sempre fica a dúvida se não foi outro que também queria matar o cara que pegou a arma do primeiro e foi lá cometer o tal crime. Podemos negar que exista tal possibilidade? Acho que não. A possibilidade é real. Reforce esse caso sabendo que havia outros interessados que o assassinado fosse morto, e que a polícia, por incompetência, não registrou se havia marca de pólvora nas mãos do acusado, ou algo do gênero.

    Neste exemplo, no estado de direito, segundo o pouco que entendo disso, se há dúvida, a dúvida é a favor do réu. Assim me parece.

    Quero, desta forma, defender os réus do PT? De forma alguma. Não mesmo, não tenho nenhum compromisso com os três que citei acima. O que quero, isso sim, é defender a tal da democracia e o estado de direito. Só isso.

    Mas… insisto, me parece que o PT cometeu, sim, uma tremenda burrice ao adotar o esquemão do Marcos Valério achando que isso não teria risco algum. Seja lá porque motivo.. se caixa 2, se compra de votos no Congresso, o que for. Burrice sem tamanho, isso sim.

    Se burrice for tipo previsto de crime na constituição, aí eu mesmo subo nas tamancas e já condeno essa turma.

  17. Jose Mario HRP said

    Ele disse que batia na cara do LULA?:
    Aí vem o troco!
    Que legal
    —http://www.youtube.com/watch?v=LIWjukDcCDY&feature=player_detailpage

  18. Zbigniew said

    Caro, Pax.

    Então que se pegue (como se pegou) os parlamentares do PP. O que não pode é pegar o núcleo político por ilações. Utilizar a tese do “Domínio do Fato” com base na possível concomitância dos atos, mas sem provas convincentes que liguem as transações é, como disse o Wellington Guilherme, utilizar-se de um julgamento de exceção, “ad hominem”, específico para alcançar determinados personagens.
    E aqui não entra nem a dúvida, entra a impossibilidade real de se provar qualquer coisa contra os réus, em especial aos citados e ao próprio Dirceu.
    O que é preocupante é acharmos natural e até desejarmos que isto aconteça como se a certeza fosse incontestável – e aí entra o padrão estabelecido pela mídia de que todo político é ladrão, em especial os do PT. O STF jamais julgou nestes termos até porque não deveria ser do feitio de uma Corte como esta utilizar-se de teorias toscas para forçar uma condenação. A não ser que estejamos diante de um julgamento puramente político engendrado por uma corte jurídica. Neste caso o Brasil não se diferenciará muito de Honduras e do Paraguai recente.
    Aqui também cabe um questionamento em relação à questão da privataria tucana levantada pelo livro do Amaury Jr. Com todos aqueles documentos listados não há uma única iniciativa da mídia e do Ministério Público em direção à apuração? E quanto aos recibos e á prova testemunhal no caso da emenda da reeleição no governo FHC? Por que o caso foi abafado?
    O Lula foi ingênuo (e a Dilma está indo no mesmo sentido), e neste caso não se pode negar que foram bem “democráticos” a indicar independentes para cargos como esses, de ministros do STF e de PGR. Na realidade começo a acreditar que não havia outra saída.
    Mas as sentenças já estão dadas. Principalmente depois que o Relator e o Marco Aurélio fizeram aqueles comentários citados pelo PML no seu texto. O combate à corrupção melhorou com tudo isso? Só se o acréscimo do quarto P (de petista) ao aforisma “pobre, preto e puta” for levado em conta.

  19. Edu said

    Pessoal,

    Uma dúvida:

    Houve disposição política para iniciar a investigação oficial do mensalão do PT

    Houve disposição política para iniciar a investigação oficial no caso Cachoeira-Demóstenes

    Por que parece que não há disposição política para iniciar a investigação oficial nos casos do PSDB?

    Que eu saiba não é a mídia que vai lá protocolar o pedido oficial de investigação…

  20. Edu said

    Outra dúvida:

    Por que o Zé não se exila em Cuba ou na Venezuela, já que se trata de uma perseguição política?

    São países tão da esquerda, tão bons, tão democráticos, com tecnologia e qualidade de vida tão avançadas!

    Os governantes de lá se sentirão lisonjeados em abraçar um companheiro de guerra!

  21. Pax said

    Mas o caso do Azeredo está no Judiciário, caro Edu.

    A questão é outra neste imbróglio. A questão é se teve o mesmo tratamento.

    Seja de quem for. Só que:

    No Judiciário é por obrigação.

    Na imprensa é por qualidade.

    Enviado via iPhone

  22. Jose Mario HRP said

    Tanto aqui como em outros vários blogs há uma absoluta falta de conhecimento quanto a quantidade, número de anos que os crimes julgados no mensalão podem dar aos acusados.
    Falei com alguns bons advogados e percebi que a revolta dos moralistas vai ser grande!
    Aqui um momento de rara felicidade entre homens com H maiúsculo:

  23. Pax said

    Caro Zbigniew,

    Desculpa não ter respondido teu comentário #18 antes.

    A questão que se coloca é: se você admite que os caras do PP foram pegos com razão, então é meio caminho andado para mostrar que houve compra de votos no Congresso. Resta saber se o somatório de indícios, ou provas subjetivas, serão capazes de formar o mesmo juízo na cabeça do plenário do STF.

    Desculpe-me, mas não comungo dessa angústia que temos um STF ruim. Acho que “está ruim” para quem torce pelo PT incondicionalmente, que não é meu caso.

  24. Chesterton said

    Ação Penal 470:? Porra nenhuma: MENSALÃO!

  25. Pax said

    Chesterton à beira de um ataque de nervos?

    =)

  26. Chesterton said

    Não, estou gripado emc asa sem energia para isso. Aí, pax, pelo menos você está sendo pago para isso? Ou faz esse papel “nem-nem” de graça?

    http://aluizioamorim.blogspot.com.br/2012/09/lula-e-o-mensalao-ha-mais-material-in.html#links

    vem coisa muito pior pela frente, acho que não são meus nervos que devem causar preocupação.

  27. Pax said

    Recebendo algum coisa? Eu? Eu não. Quem recebe tem obrigação com quem paga. Como ninguém me paga só tenho obrigação comigo mesmo.

    De outro lado, caro velho e bom Chesterton, se você não está nervoso, aqui vai uma leitura para você expurgar tua gripe:

    http://drrosinha.com.br/manter-viva-a-causa-do-pt-para-alem-do-%E2%80%9Cmensalao%E2%80%9D/

  28. Chesterton said

    Leonardo Boff? Agora sim você me tira do sério.

    Pax, sei que dó muito em voc~e, mas tem que entender: O PT é a raiz de todo mal, e Lula seu pastor.

    “De saída quero dizer que nunca fui filiado ao PT.” outro nem-nem….

    “Lula Presidente representa uma virada de magnitude histórica.” – virada para o mesmo lado,

    “Essas elites perderam” nunca ganharam tanto

    sinceramente Pax, LB não tem a menor noção do que acontece no mundo (ou de propósito tenta engambelar seus leitores).

    there is a reality out there.

  29. Chesterton said

  30. Chesterton said

    Muitos jovens empresários, com outra cabeça, não se deixam mais iludir pela macroeconomia neoliberal globalizada. Procuram seguir o novo caminho aberto pelo PT e pelos aliados de causa.

    chest- ele está se referindo as empreiteiras que faturam os tubos em Angola com financiamento do BNDES?

  31. Pax said

    Essa eu não sabia. Marcos Valério já tem, segundo Joaquim Barbosa, 12 anos e 7 meses para cumprir no xilindró.

    http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2012-09-18/vazamento-de-penas-previstas-por-joaquim-barbosa-foi-erro-de-gabinete.html

    Caro Chesterton,

    Essa notícia que você coloca o link é mais velha que minha bisa. Aprenda a usar o twitter e fique atualizado mais rápido. Aproveita a gripe e cria um perfil por lá. No meu caso acompanho somente jornalistas e políticos, para uso no blog. Acontece que recebo as notícias rapidinho, muito antes de ter que procurar nos sites.

    Vai, Chesterton, até você consegue, sim. =)

  32. Chesterton said

    O São Jorge de bordel nem desconfia que farra foi longe demais e a casa pode cair

    Em agosto de 2005, num texto publicado no Jornal do Brasil, lembrei que a vida de adolescente em cidade pequena era bem menos divertida antes da revolução dos costumes desencadeada no fim dos anos 60. As moças se casavam virgens, motel só aparecia em filme americano, drive-in era coisa da capital. A esfregação nunca ia muito longe. E também os moços pouco ou nada saberiam de sexo se não houvesse, em qualquer município com mais de 10 mil habitantes, uma zona.

    Ninguém chamava pelo nome completo ─ zona do meretrício ─ aquele punhado de casas com uma luz vermelha na varanda, plantadas no difuso território onde a cidade já acabou sem que o campo tenha começado. O mobiliário se limitava à mesa com cinco ou seis cadeiras, um sofá, três ou quatro poltronas e uma vitrola antiga. Às vezes, nem isso. Só não podiam faltar a cama de casal em cada quarto e o quadro de São Jorge na parede da sala.

    Bonito, aquilo. As vestes de guerreiro, o corcel colérico, a lança em riste, o dragão subjugado, as imagens beligerantes contrastavam esplendidamente com a expressão beatífica. Todo santo de retrato é sereno, mas nenhum se mete com monstros que soltam fogo pelas ventas. Só um São Jorge de bordel poderia arrostar tamanho perigo com aquela fisionomia plácida que sublinhava o espetáculo da coragem.

    Concentrado no duelo tremendo, o exterminador de dragões não prestava a menor atenção no que acontecia fora do retrato. Na sala, mulheres e fregueses negociavam o acerto que os levaria a algum dos quartos escurecidos pela meia-luz que eternizava o crepúsculo. Deles não paravam de chegar sons muito suspeitos, mas o santo guerreiro nada ouvia. Estava na parede para proteger a zona do meretrício, não para vigiá-la nem convertê-la em convento. Quem luta com dragões não perde tempo com batalhas de alcova.

    São Jorge de bordel era chamado naquele tempo todo homem que mantinha a cara de paisagem enquanto desfilavam a um palmo do nariz iniqüidades, bandalheiras, delinqüências e safadezas domésticas. O filho abandonara os estudos e voltava da rua com mais dinheiro, a filha se apaixonara pelo cafajeste do bairro e exagerava na pintura no rosto, a mulher vivia arrastando vizinhos para o quarto do casal, o sobrinho furtava as economias da avó ─ e a tudo seguia indiferente o chefe de família. Como um São Jorge de bordel.

    Como um São Jorge de bordel sempre agiu Luiz Inácio Lula da Silva. O advogado Roberto Teixeira nunca lhe cobrou aluguel pela casa onde viveu durante oito anos. O inquilino fez de conta que nem notou. Em 2002, sobrou o dinheiro que faltara a todas as campanhas anteriores. O beneficiário não quis saber como se dera o milagre. Tampouco perguntou quem financiara a milionária festa da vitória na Avenida Paulista.

    Instalado no gabinete presidencial, não enxergou as agudas mudanças na paisagem. Bons parceiros como Djalma Bom estacavam na secretária do ajudante de ordens. Entravam sem bater na sala presidencial aliados como Pedro Correia ou Valdemar Costa Neto. Fundadores do PT eram expulsos do partido. Roberto Jefferson ganhava cheques em branco. Contratos milionários engordavam a base alugada. Lula nem conferia rubricas, assinaturas e endossos.

    Sílvio Pereira e Delúbio Soares se tornaram clientes assíduos dos palácios, ganharam salas para negociar com a freguesia, assimilaram hábitos de novo-rico. O dono da casa não enxergou o entra-e-sai, não ouviu o ronco do Land Rover de Silvinho, muito menos a barulheira dos jatinhos de Delúbio. Não percebeu que sindicalistas promovidos a diretores de banco agora usavam gravata borboleta, fumavam charuto e davam gorjetas do tamanho dos salários dos tempos difíceis.

    Despertado pelo ruído provocado por Waldomiro Diniz, Lula voltou a dormir depois das explicações sussurradas por José Dirceu. Não ouviu o governador de Goiás, Marconi Perillo, assombrado com a desenvoltura dos trambiqueiros aliados que tentavam comprar mais deputados. Não quis ouvir a mesma denúncia repetida por Roberto Jefferson. Não enxergou a expansão do pântano. Não viu as marcas de lama nos tapetes do Planalto.

    Numa zona de antigamente, a figura protetora desceria da parede para botar ordem na casa. Num Brasil em decomposição moral, o São Jorge de bordel só quebra o silêncio para berrar improvisos insensatos. Que os outros santos nos protejam.

    Passados sete anos, o São Jorge de São Bernardo faz de conta que nem sabe direito o que se passa no Supremo Tribunal Federal. Jura que, em vez de acompanhar o resgate da roubalheira de verdade, prefere gastar o cérebro baldio seguindo as bandalheiras inventadas pela novela das nove. A fila dos condenados aumenta, mas Lula continua fingindo que nada viu, nada ouviu e de nada soube.

    Marcos Valério começou a abrir a medonha caixa preta. Pela primeira vez, como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, uma alta patente da quadrilha confirmou que falta alguém no banco dos réus do Supremo. Nem assim o chefe da seita se anima a falar em mensalão. Acha que vai ficar até o fim dos tempos pendurado no retrato na parede.

    Não percebeu que a farra na zona foi longe demais e descambou para o terreno da pouca vergonha. Nem desconfia que a casa vai cair.

    chest- impagavel augusto…..

    obs velha, porem atualíssima.

  33. Edu said

    Pax,

    Alguém que é fiel às suas utopias, a estas supostas “causas”, pode se prestar a fazer alianças pragmáticas?

    Alguém que levanta a bandeira da ética pode agir anti-eticamente, ainda que a causa seja a própria ética?

    Eu acho uma pena, sinceramente, que o PT tenha se vendido (no sentido mais capitalista possível da palavr) tão fácil.

  34. Chesterton said

    A melhor explicação é que essa ética sempre foi fingimento.

  35. Chesterton said

    s revelações feitas pela revista Veja, no fim de semana, sobre o possível envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no comando do escândalo que hoje conhecemos como “MENSALÃO”, exigem explicações imediatas e a apuração por todos os meios legais.

    Por isso mesmo é que estranhamos o silêncio ensurdecedor do ex-presidente Lula, que deveria ser o maior interessado em prestar esclarecimentos sobre fatos que o envolvem diretamente. Já não surte mais efeito, especialmente depois que o Supremo Tribunal Federal comprovou a existência do MENSALÃO e já condena mensaleiros, a tese defendida pelo PT, de que tudo não passava de uma farsa montada pela imprensa e pela oposição para derrubar o governo Lula.

    O ex-presidente já não está mais no comando do país, mas nem por isso pode se eximir das responsabilidades dos oito anos em que governou o Brasil, ainda mais quando há suspeitas que pesam sobre o seu comportamento no maior escândalo de corrupção da história da República.

    A gravidade das revelações da revista Veja impõe que ela torne públicos os elementos que sustentam a matéria “Os segredos de Marcos Valério”. A oposição fará a sua parte e encerrado o julgamento em curso no STF cobrará a investigação dos fatos ao Ministério Público.

    Os brasileiros exigem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva venha a público prestar esclarecimentos em nome da responsabilidade do cargo que ocupou.
    Brasília, 18 de setembro de 2012.
    Deputado Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB
    Senador José Agripino Maia (RN), presidente nacional do Democratas
    Deputado Roberto Freire (SP), presidente nacional do PPS

  36. Chesterton said

    BRASÍLIA – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acusado de ser responsável por um prejuízo de R$ 10 milhões aos cofres públicos, buscar autopromoção, fazer publicidade pessoal e favorecer o Banco BMG, ao enviar a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) uma carta com informações sobre o programa de crédito consignado do governo federal. As acusações foram listadas pelo Ministério Público Federal em documento anexado ao processo que investiga atos de improbidade administrativa atribuídos a Lula.

    A denúncia pede que o ex-ministro da Previdência Social Amir Lando devolva os R$ 10 milhões ao Erário. Lula e Lando são réus no processo, que começou a tramitar na Justiça Federal no Distrito Federal em janeiro de 2011. O documento do MPF, de agosto deste ano e ao qual O GLOBO teve acesso, é uma réplica da procuradora da República Luciana Loureiro à defesa preliminar apresentada por Lula, por meio da Advocacia Geral da União (AGU). O juiz Paulo César Lopes, diz que decidirá até o fim deste mês se dá prosseguimento à ação.

    Lula e Lando assinaram as cartas enviadas a aposentados e pensionistas em 2004. O MPF ofereceu a denúncia à Justiça sete anos depois; o processo está prestes a ter uma primeira decisão judicial. Na réplica anexada, a procuradora rebate os argumentos da AGU. Segundo Luciana, ele não tem direito a foro privilegiado no caso da ação de improbidade nem pode ser beneficiado pela prescrição da pena, ao contrário do que requereu a AGU.

    Segundo a procuradora, Lula e Lando tiveram responsabilidade na ordem dada à Dataprev (empresa pública responsável pelos dados da Previdência Social) para a execução do serviço. Para o MPF, os serviços foram feitos sem contrato.

  37. Chesterton said

    esse lesado é parente do PD?

  38. Chesterton said

    BRASÍLIA – A não entrevista de Marcos Valério à revista “Veja” vale menos pelo que mostra e mais pelo que não mostra, mas insinua. É um recado, um aviso, uma ameaça.

    Antes do julgamento, havia a crença de que o mensalão “não ia dar em nada”. Com o andar da carruagem, está dando em muita coisa: os empréstimos eram fictícios e houve desvio de dinheiro público, corrupção passiva, lavagem de dinheiro. E, ontem, o relator Joaquim Barbosa concluiu: houve compra de voto, sim. O mensalão existiu.

    Bate o desespero. Quanto mais o Supremo expõe o grau de comprometimento de cada um, mais os réus revelam o seu grau de compromisso com o esquema. Intensifica-se uma aposta de anos em Brasília: quem vai “abrir o bico” primeiro?

    Os maiores candidatos são os três destacados para o papel de principais vilões: Delúbio, do “núcleo político”, Pizzolato, do “financeiro”, e Valério, do “operacional”. Mas Pizzolato é um mequetrefe no PT e, para Delúbio, é uma questão de alma. Porém Valério serve a qualquer senhor e tem bolso, não alma, lealdade.

    Como diz o procurador Roberto Gurgel, ele é “um jogador”. Dá as cartas, blefa e manipula as fraquezas dos demais jogadores. Sem nada a perder, é capaz de qualquer coisa.

    Sua não entrevista não é o fim, é apenas o começo. Ele joga Lula no meio da mesa, sente a repercussão e avisa, como publicou o repórter Ricardo Noblat ontem, que tem fitas gravadas capazes de balançar a República petista. Assim, abre a porteira e deixa mais à vontade outros réus que, como ele, não admitem morrer sozinhos e entram na faixa do “perdido por um, perdido por mil”.

    Quando a coisa aperta, Valério diz que lhe enviam o faz-tudo de Lula, Paulo Okamoto: “A função dele é me acalmar”. Pois quanto mais o julgamento avança, mais trabalho para Okamoto. Tem muito “jogador” precisando ser “acalmado”. Só não dá para saber exatamente como.

    Eliane Cantanhêde,

  39. Pax said

    Interessante notícia do Estadão de hoje em que FHC fala em “recuperação moral do país”. E o Serra rebate: “Temos que voltar a valorizar a ética e a moral.”

    Muito legal, bom mesmo.

    Poderiam começar pela questão da gênesis do modelito, com o Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB e queridinho do tucanato nacional.

    Aí sim, talvez pudessem começar esse discurso…

  40. Pax said

    Esqueci o link. Aqui está:

    http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,ao-lado-de-serra-fhc-prega-recuperacao-moral-do-pais,932433,0.htm

  41. Chesterton said

    Vai ver é tudo culpa do FHC……

  42. Chesterton said

    A campanha de Fernando Haddad (PT), candidato à Prefeitura de São Paulo, declarou à Justiça Eleitoral ser “manifestamente degradante” para ele ser associado aos colegas de partido José Dirceu e Delúbio Soares e ao deputado federal Paulo Maluf (PP), que integra sua chapa. Dirceu e Delúbio encabeçam a lista de réus políticos do processo do mensalão. Maluf responde a ações por desvio de recursos públicos.

    A declaração foi feita para justificar ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) um pedido para que a corte proibisse a exibição de uma propaganda produzida pela campanha de José Serra (PSDB), seu rival.
    A peça tucana vincula o petista aos três personagens. Nela, Haddad aparece ao lado de fotos de Dirceu, Delúbio e Maluf. “Sabe o que acontece quando você vota no PT? Você vota, ele volta”, repete o narrador a cada personagem exibido.

    “A publicidade é manifestamente degradante porque promove uma indevida associação entre Fernando Haddad e pessoas envolvidas em processos criminais e ações de improbidade administrativa”, afirmam os advogados do petista, Hélio Silveira e Marcelo Andrade. Na ação, a campanha ressalta que Haddad não é réu do mensalão. “Haddad não é réu naquela ação penal originária do Supremo. (…) Não pode por isso ter sua imagem conspurcada por episódios que são totalmente estranhos à sua esfera de responsabilidade.”

    O texto diz ainda que “sempre que teve poder de nomeação”, quando era ministro, Haddad “nunca nomeou Delúbio, Maluf ou Dirceu”. “Se tais pessoas jamais foram nomeadas por Fernando Haddad, o que sobra então a intenção dessa propaganda? Sobra a intenção de degradar através da associação da imagem do candidato às pessoas que surgem na tela.”

    Os advogados de Haddad indagam se “seria correto” “pela simples razão da coincidência de filiações partidárias” transportar para José Serra a “carga pejorativa que existe em torno do nome de Marconi Perillo”, em referência a suspeitas que ligam o nome do governador tucano de Goiás ao escândalo envolvendo Carlos Cachoeira.

    A Justiça negou o pedido do PT. O juiz Manoel Luiz Ribeiro afirma que “não se há que falar em degradação e ridicularização quando se estabelece a ligação entre o candidato e outros filiados a seu partido ou a partido coligado, ligação esta de conhecimento público e notório”. “Da mesma forma que um candidato pode ser beneficiado pelo apoio de correligionários bem avaliados pela população, pode ele ser prejudicado pela associação feita a políticos não tão bem avaliados”, conclui o juiz.

    blog do coronel

  43. Chesterton said

    http://www.abpic.co.uk/photo/1363960/

    Pax, olha aí o aviaozinho que vao de Goias ao Caribe semanalmente com figuras ligadas ao PT.

  44. Chesterton said

    Os petistas são mesmo seres singulares. Acima, ficamos sabendo que o deputado André Vargas (PT-PR), que é secretário de Comunicação do PT, acha que julgamentos transmitidos pelo Supremo ameaçam a democracia. Huuummm… Abaixo, informa-nos Catia Seabra, José Genoino, que presidia o PT e foi avalista de empréstimos picaretas feitos ao PT, compara a imprensa a… torturadores! Entendo. Já relatei aqui ser ele aquele petista que, no programa Roda Viva, negou até mesmo a existência de caixa dois no partido. Depois chorou falando sobre seu passado.

    O preso político no regime militar, o ex-presidente do PT José Genoino comparou a experiência do mensalão à da ditadura. Só que, em vez de pau de arara, disse, o instrumento de tortura é a caneta. Irritado com reportagem da Folha segundo a qual seu estado de ânimo preocupa os petistas, Genoino fez seu desabafo pouco antes de passar por um cateterismo no InCor (Instituto do Coração): “O que estou vivendo hoje eu passei durante a ditadura. Os torturadores usavam pau de arara. A tortura hoje é a da caneta. É a ditadura da caneta”.

    do ra

  45. Chesterton said

    Entendi. Os petistas descobriram os dois males do Brasil: a Justiça e a imprensa. Sem eles, o partido exerceria a “verdadeira democracia”.

    idem

  46. Pax said

    Como certeza que a culpa do mensalão do PT não é do FHC, caro Chesterton. É do PT.

    Só que me parece ser mais apropriado fazer o dever de casa primeiro. Não te parece? Sei que não, mas se puder compartilhar teu arrazoado, ficarei emocionado.

    De outro lado, você adora coronéis, não? Que coisa! (como diria o Tutty

  47. Chesterton said

    É, Pax, adoro um coronel.

  48. Pax said

    Caro Chesterton, velho e bom Chesterton,

    Conte-nos, por favor. Qual a tua opinião sobre esta questão. É realmente uma pergunta sincera. Reconhece que o Eduardo Azeredo montou o modelo de desvio de dinheiro através das empresas do Marcos Valério? Tudo indica que sim, certo?

    Ok, se você admite isso – estou contanto que sim, que a premissa é válida – qual seria sua atitude com relação a esse cara se você fosse um tucano? (parto da premissa que nem todo tucano é corrupto, assim como disse no post que nem todo petista é).

    Diga-nos, por favor, exponha teus argumentos.

    Cá do meu canto já disse e repito: O STF é o lugar onde este processo do mensalão do PT deveria estar. Isto posto, como já disse inúmeras vezes, terceirizei minha opinião sobre este caso, sobre a Ação Penal 470. O que o STF decidir eu acato, ora bolas, é para isto que temos uma Suprema Corte.

    Mas insisto na minha pergunta: o que você faria com o Dudu Azeredo, o queridinho do tucanato? Dá para posar de vestal tendo esse cara dentro de casa?

    Conte-nos, caro Chesterton, expurgue sua gripe abrindo seu coração para a ínfima platéia deste humildíssimo blog amador.

    =)

    Agradeço antecipadamente sua honrosa atenção ao pedido.

  49. Zbigniew said

    Não se trata de julgar se o STF e bom ou não. Isto não faz nenhum sentido. A questão e a forma como se esta sendo julgado o mensalão. A aberração jurídica só serve a interesses outros que não passa pelo efetivo combate a corrupção.

    “http://avalon.law.yale.edu/subject_menus/imt.asp#rules

    compilados pela Faculdade de Direito da Universidade de Yale.

    O Tribunal foi extremamente cuidadoso com as provas documentais e testemunhais, tanto que alguns obvios potenciais condenados ou foram absolvidos, caso de Schacht ou tiveram penas consideradas leves, caso de Doenitz. O caso de Hjalmar Schacht, Presidente do Reichsbank (banco central) e depois Ministro da Economia de Hitler foi considerado por muitos escabroso porque Schacht mais do que nenhum outro personagem contribuiu para organizar o financiamento do rearmamento alemão, sem o qual não haveria guerra. Mas não havia contra ele provas, apenas indicios, deduções e ilações.

    No caso do “mensalão” acredito que pela primeira vez o Relator derrapou na construção do cenario para condenar. É uma aberração ele tentar considerar prova de votação comprada valores recebidos

    proximos às datas das votações. É um indicio mas não uma prova que sirva em um tribunal. Serve para iniciar um inquerito mas não como prova para condenar. É perfeitamente possivel ter recebido dinheiro para pagar dividas de campanha, o liame com a votação é uma presunção, nesse nexo  se pode construir provas virtuais sobre tudo na vida, não faz sentido em um processo politico com esse nivel de significancia e implicação na vida publica do Pais. Um banco foi assaltado na minha rua, dois dias depois eu troquei de carro, então deduz-se que eu sou o assaltante do banco? É por ai que segue esse enredo.

    Em Nuremberg os juizes eram os vencedores e os reus os vencidos, era um tribunal de punição mas não descambou para a vingança, o corpo de advogados e juristas que operaram o Tribunal foi extremamente cauteloso para não fazer o julgamento descambar para linchamento, porisso os processos precisavam ser sólidos, muito bem documentados, havia um odio no ar contra os alemães,

    os milhões que morreram por causa da agressão alemã tinham parentes sequiosos por vingança pesada. No clima do imediato pós guerra, ainda com as cinzas quentes, seria facil ir para a inquisição com fogueira mas não foi isso que aconteceu. A percepção geral na época e entre historiadores é de que o julgamento foi justo exatamente porque não se processou por achismos, ilações, presunções ou clamor das ruas, havia documentos em abundancia para instrumentar os processos, os testemunhos foram provas adicionais mas nunca a unica prova.

    O Relator do “mensalão” até este ponto procurou, dentro de seu relatorio desequilibrado porque só ouviu a acusação e nunca cita a defesa (pelo menos eu não vi qualquer menção às razões da defesa dos reus) basear-se em provas documentais mas no caso da compra de votos partiu para aquilo que ele acha que aconteceu ligando um dinheiro recebido com votação na Camara, o que não é prova, é presunção, o projeto votado era de interesse do Pais e não apenas do PT, muitos que nada receberam votaram a favor do projeto, outros eram do proprio PT e não tem sentido pensar que teriam que ser comprados pos seu proprio partido, se é Tribunal e não um Soviete de expurgos esse caminho não serve à Democracia.”
    (comentário no fora de pauta -AA.00h42-http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/fora-de-pauta-911#comments).

    A sanha de vingança e o preconceito ideológico tem cegado algumas pessoas que não percebem que essas praticas estão sendo utilizadas contra a democracia e não a seu favor.

  50. Chesterton said

    Pax, cana (20 anos de preisão) para Eduardo Azedo se assim for comprovado. que mais?

  51. Pax said

    Caro Zbigniew,

    Se pegarmos o caso acima citado, do “Hjalmar Schacht, Presidente do Reichsbank (banco central) e depois Ministro da Economia de Hitler” então teremos um problema enorme, se quisermos fazer um paralelo.

    Nesta comparação, então Delúbio deveria ter pena reduzida e seus mandantes pena aumentada? Ou, olhando por outro prisma, condenaríamos o Delúbio entendendo que saiu de sua cabeça a fabulosa ideia de usar os mesmos mecanismos que o Dudu Azeredo usou para fazer caixa para sua campanha, conforme as ações que correm na Justiça mineira e no STF?

    Será que Delúbio teria tanta alçada assim?

    Estranho o nosso caro Chesterton ter parado de discutir quando pedimos sua opinião sobre a pose vestal que FHC e Serra querem assumir.

    Se esta notícia da Folha tiver algum fundo de verdade, há um problema à vista no PT, conforme o post afirma:

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/1155708-haddad-diz-que-e-degradante-ser-ligado-a-dirceu-e-delubio.shtml

  52. Pax said

    Ops, o Chesterton se pronunciou sobre Dudu. Fiz meu comentário acima sem ver este do caro velho e bom Chesterton.

    Peço desculpas pela minha internet da Vivo que é mais um sofrimento que um link.

    Ok, Chesterton, então, como FHC e Serra podem posar de vestais sabendo do Dudu em MG?

  53. Zbigniew said

    Pax, o ponto a ser levantado é o das provas. Há provas contra o Delúbio? Se sim, cana nele!
    Se não, que espécie de julgamento é este?
    A mesma coisa em relação ao Dirceu, ao Genoíno, ao João Paulo, ao Azeredo, ao Serra, ao FHC, ao Lula, a você, a mim, a quem quer que seja! É tão difícil entender isto?!

  54. Chesterton said

    Pax, não fuja do assunto, FHC Serra, o PSDB inteiro para mim podem ir presos (desde que todo PT já esteja na cadeia, pois há que ter proporçÃO).
    Não tenho amores por político algum, como v. tem pelo LULA.

    ZBGNEW, e o Lula? Cana Tambem?

    Nao esqueçam que Capone foi preso com provas testemunhais.

  55. Chesterton said

    Agora vi que Zb¨&%$# integrou Lula no rol dos prisionaveis….

  56. Pax said

    Mas, caro Zbigniew, (desculpe-me a insistência… como você bem sabe, gosto e sou adepto do método socrático da ironia e maiêutica – http://www.brasilescola.com/filosofia/ironia-maieutica-socrates.htm ou http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/links/met_socrat.htm . Então…

    1 – Se você admite no seu comentário #18 que pode-se pegar os políticos do PP que embolsaram grana na boca do caixa, assim como outros (João Paulo Cunha, Pizzolato etc).

    2 – Se você admite que esta grana vinha de um esquema conhecido como Valerioduto, um modelo onde dinheiro era captado de forma pouco legal e distribuído de forma a disfarçar seus destinos etc etc.

    3 – Se você admite que o interlocutor do Marcos Valério neste julgamento era o Delúbio Soares, tesoureiro do PT à época (que, diga-se, confessou em público sua participação).

    Então…

    É isso que quero entender, deixar claro, usar metodologia, lógica, razão etc. Não participo de nenhum tribubal, somente acompanho o julgamento e tento entender. E não precisa perder a paciência comigo que juro de pés juntos e mãos cruzadas que não estou em nenhuma torcida organizada neste jogo em questão.

    Por estas e outras que não admito estes relativismos morais que os opositores do PT querem impor ao momento. Dudu Azeredo pode, sim, mas os políticos do PT não podem. Comprar votos para aprovar emenda de reeleição pode, mas para aprovar reforma política e tributária não pode, segundo as teses colocadas à mesa. Que isso? Não consigo comungar disso que chamo de relativismo, sim.

    O que penso, então? Ora, penso que o STF está julgando a prática mais usual da política brasileira, que é, sim, baseada em corrupção. Ontem mesmo o Jorge Vianna usou dos mesmíssimos argumentos no Senado ao contrapor o Álvaro Dias. Concordo com essa forma de fazer política? Claro que não, basta ver a decicação ao blog. Acho utópico um país sem corrupção? Acho, sim, mas tenho convicção que batalhar por esta utopia não é uma causa perdida, ao contrário, é um bem para a maioria. Talvez por este “dogma” que nunca tenha me filiado a partido algum, mas jamais deixei de exercer meu “ser político”.

    Os opositores querem porque querem afirmar que o mensalão do PT foi o maior esquema de corrupção que o Brasil já vivenciou. Mas fazem questão de esquecer da tal emenda para reeleição, esquecem da aliança com ACM e Arruda àquele momento, esquecem do Dudu Azeredo etc etc. Quer relativismo maior que este?

    Cá, do meu canto, só quero lógica, razão, isonomia etc. E, sim, que tenhamos um julgamento honesto. Nada à além disso. Todos nós podemos ser réus um dia e todos nós gostaríamos, se esse for o caso, que o tribunal que nos julgasse fosse o mais correto possível.

  57. Pax said

    Pelos mesmos argumentos do meu comentário #56 acima, caro Chesterton, também não vejo nenhum problema de algum petista julgado culpado ir para a cadeia.

    Mas vamos colocar em cana pela cronologia dos crimes?

  58. Edu said

    Pax, e a quem possa interessar,

    Infelizmente a política nunca foi lugar de gente cuja ética devesse ser aplaudida. Qualquer um que faça pose vestal está ou mentindo, ou, na inocência, meterá os pés pelas mãos.

    O FHC e o Serra são desses, insossos, metidinhos a “corretos”, só que são uns bananas.

    A diferença pra mim está no seguinte: aparentemente o PSDB é um pouco menos corporativista. O Azeredo, se estes dois acima tiverem que engolir, será com um gosto bastante azedo mesmo. E, sinceramente, espero que engulam.

    O PT é altamente corporativista: como é possível que diante de provas e mais provas o PT continue defendendo esses criminosos?

    O PT se vendeu, descaradamente, e a militância pior ainda: continua batendo no peito por uma esquerda que não existe mais.

    —X—

    Hoje na manchete da Folha está lá: “Haddad diz que é degradante ser ligado a Dirceu e Delúbio”

    Essa postura do Haddad é permitida? Quem faz pose vestal nesse caso?

  59. Pax said

    Caro Edu,

    Então você discorda visceralmente do texto do meu post?

  60. Edu said

    Pax,

    Não é discordância, é ceticismo.

    Se há mesmo pessoas que estão se sentindo desconfortáveis com o partido, por que esses caras não aparecem em lugar nenhum? Nem mesmo em blogs, veículo que a maioria da militância gosta tanto de usa para se expressar…

    Além disso, dizer que há insatisfeitos dentro do partido, é semelhante a dizer que esses insatisfeitos não gostam mais do Lula. Será que isso é verdade?

    Está certo que o Lula, antes a voz do partido, tem dividido lugar com a Dilma. Mas ambos fazem questão de se dizerem altamente alinhados, no entanto, como vc bem disse, a Dilma tem seus próprios problemas: a herança maldita do Lula e sua evidente incompetência. E a insatisfação, cadê?

    Além disso, ele foi o cara que armou/articulou o circo todo, e continua: permitiu o caixa dois, permitiu o mensalão (e defendeu os réus, enquanto estes ainda estavam no governo, até quando pode), permitiu ministros corruptos e os indicou outros para a Dilma, lançou o Haddad, se meteu em uma situação altamente constrangedora com um juiz e fez aliança com o Paulo Maluf…. e nada. O máximo que eu vejo são alguns muxoxos do Kotscho.

    Se há mesmo insatisfação, tá mais do que na hora de isso começar a aparecer, concorda? Afinal, até o Kassab, que é um político medícre, conseguiu montar um partido para chamar de seu.

    Só que aí entra um dilema “da classe”, né? Justamente o ponto que eu fiz acima: um partido que possui por ideal representar a união de classes “oprimidas” (as classes baixas em oposição às elites, a classe de trabalhadores em oposição aos empresários, os trabalhadores rurais em oposição aos latifundiários), não pode simplesmente entrar em conflito porque as atitudes do partido estão cada vez mais distantes desse ideal.

    Só que agora eles estão enfrentando esse “corporativismo” e terão que “demitir” quem não “trabalha”… deve ser difícil.

  61. Zbigniew said

    Não perdi a paciência, caro Pax. Desculpe se dei a entender. Sou acostumado a embates e discussões (no bom sentido) e não me melindro facilmente. Todos temos nossas convicções e vejo em você uma vontade de entender as situações, bem diferente de outros que só aceitam sua próprias posições como verdades absolutas. Desses destacam-se os inocentes úteis e os cínicos. Você não está em nenhuma dessas categorias. É por isso que sempre frequento seu blog.

    Vamos lá.

    Julgamentos em tribunais baseiam-se na verdade dos autos. Nunca no clamor das ruas, ou da mídia. Pra se condenar tem-se que ter provas robustas (nem precisam ser irrefutáveis, mas capazes de não deixar dúvidas suficientes, porque senão age-se em “dubio pro reo”, como posição adotada pelo nosso ordenamento jurídico em homenagem à chamada segurança jurídica que serve tanto para nós como para um criminoso, isto é um dos pilares da democracia).

    Uma coisa é eu dizer que o Delúbio ou o Lula são ladrões. Dizer que amigos do Valério disseram que o Lula é o chefe da quadrilha e que sabia de tudo. Outra é provar.

    A questão não se cinge mais em se saber se existiu ou se existe esquemas de cooptação política. Isto é fato e é alimentado por aquilo que a legislação eleitoral (feita sob medida para casos como tais) permite, o caixa 2, que todos os partidos políticos terminam por utilizar. A questão é saber quem participou do esquema e se se pode classificar isto como um esquema de pagamentos por intermédio de instituições financeiras com a utilização de dinheiro público.

    Eu, você, o cara da esquina, até os ministros (fora dos autos e em off) podemos acreditar nestes esquemas. Mas esses mesmos ministros precisam formar sua convicção por provas robustas e não por ilações e comparações com base em concomitâncias (como no caso do roubo do banco e do enriquecimento de um cidadão que morava próximo ao banco) ou em teses esdrúxulas recém-admitidas como a do “domínio do fato”. Isto é presunção e não existe condenação com base neste fundamento (agora parece que vai existir).

    O perigo de se julgar por presunção corresponde ao de se condenar ao linchamento (o risco de se fazer justiça pelas próprias mãos). Esse risco é real e contrário a um ambiente democrático.

    O outro ponto é o julgamento do mensalão por presunções (nos casos principais, digo, Dirceu), e as provas do mensalão do PSDB e da privataria tucana. Caso emblemático de dois pesos e duas medidas.

  62. Edu said

    Pax,

    Em #56, eu acho ótimo que vc retome o assunto ACM, emenda para reeleição, junto com o Eduardo Azeredo.

    Que inversão de valores, não é mesmo?

    Na época do FHC, o PT criticava e era tão barulhento ou mais que o próprio RA criticando.

    Em 2002 o PT assume o poder, e o que acontece?

    EXATAMENTE AS MESMAS COISAS (não necessariamente nessa mesma ordem):

    – Aliança com Maluf
    – Legislação especial para obras do PAC e da Copa
    – Mensalão

    Eu acho que o povo deveria ter se preocupado com esse “relativismo” que vc diz, antes de reeleger o Lula, pois àquela altura todos já sabíamos sobre o mensalão.

    Infelizmente ninguém quis acreditar, porque o Lula conseguiu transformar esse “relativismo” em discurso político amplamente aceito pela militância. E nesse momento, o partido mais “ético” e cuja postura era clara e inabalável que existia se transformou no partido mais “relativo”.

  63. Edu said

    O Patriarca e o Otto andam sumidos… será que foram abduzidos como o Elias?

  64. Chesterton said

    Os opositores querem porque querem afirmar que o mensalão do PT foi o maior esquema de corrupção que o Brasil já vivenciou. Mas fazem questão de esquecer da tal emenda para reeleição, esquecem da aliança com ACM e Arruda àquele momento, esquecem do Dudu Azeredo etc etc. Quer relativismo maior que este?

    chest- houve denuncia? Houve comprovação? Houve delação? Houve alguma coisa além de fofoca? N/ao. E se ocorreu e o PT não denunciou então prevaricou.
    O que interessa é que o governo petista foi pego com a mão na botija, e praticou o maior ato de estelionato politico jamais visto.

    Ficar imaginando outros maiores (que podem ter acontecido) e pensar que isso serve de atenuante, pode esquecer.

    Argumentar: ” ah, mas todo mundo faz porque eu não posso fazer” não tira ninguem da cadeia.

    Entendeu Pax?

  65. Chesterton said

    Mas vamos colocar em cana pela cronologia dos crimes?

    chest- sim, desde que julgados e condenados.

  66. Chesterton said

    Caro Edu,

    Então você discorda visceralmente do texto do meu post?

    chest- falacia do espantalho.

  67. Chesterton said

    Eu acho que o povo deveria ter se preocupado com esse “relativismo” que vc diz, antes de reeleger o Lula, pois àquela altura todos já sabíamos sobre o mensalão.

    Infelizmente ninguém quis acreditar, porque o Lula conseguiu transformar esse “relativismo” em discurso político amplamente aceito pela militância. E nesse momento, o partido mais “ético” e cuja postura era clara e inabalável que existia se transformou no partido mais “relativo”.

    chest- na mosca

  68. Olá!

    Edu,

    “O Patriarca e o Otto andam sumidos… será que foram abduzidos como o Elias?”

    Provavelmente, não. É mais certo que eles estejam fazendo vigília para os mensaleiros.

    Até!

    Marcelo

  69. Edu said

    Viram o Kotscho “relativizando”, ainda que sutilmente, a greve dos bancos?

    Quando era o PT à frente de uma greve, qualquer uma era válida para mostrar uma lição aos malditos empresários, ainda que isso custasse ao trânsito, aos ouvidos e, principalmente, aos clientes de qualquer empresa pública ou não.

    Agora esses grevistas estão exagerando oras, afinal, é o PT no poder…

    (Não pus o link pq o wordpress insiste em não aceitar o comentário com o link)

  70. Pedro said

    PQP, tinha até esquecido.
    Mas, um tesoureiro de partido político com o nome de Jacinto Lamas?????????

    Até que o pequeno Feicibuquison não pode reclamar muito.

  71. Chesterton said

    —http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=vVoa0zSmo64#!

  72. Pax said

    Prezados,

    Estou passando por um drama, de novo, com meu link da Vivo. Vou pedir aos amigos que me perdoem – sim, o problema é meu, não de vcs – e não postem mais links do youtube aqui, por enquanto.

    Desculpem-me pela Vivo, ANATEL e o Ministério das Comunicações não funcionarem.

  73. Chesterton said

    Uma anatomia da loucura de Lula
    Os deuses primeiro tiram a razão daqueles a quem querem destruir. “Quos volunt di perdere dementant prius.” Já lembrei aqui este adágio latino a Lula, mas ele, claro!, não me ouve. No que, do seu ponto de vista, faz muito bem! Se ouvisse, creio que não teria sido eleito presidente da República, porque eu, por óbvio, teria reprovado, como reprovo, os métodos a que recorreu para construir seu partido, para se eleger e para se manter no poder. E é assim não é de hoje — desde quando, ainda bem jovem, rasguei a minha filiação, apostando que ele chegaria ao poder. Foi quando criei a expressão “burguês do capital alheio” (eu ainda era de esquerda) — e, aí sim, tive uma antevisão: não será bom para as instituições e para a verdade dos fatos.

    Em seus oito anos de mandato, Lula já havia depredado a história o bastante. Um dia, creio, a onda estupidificante petista na academia reflui, e se poderá, então, serenamente, narrar o que se deu. De todo modo, o Apedeuta encerrou seus oito anos de poder elegendo sua sucessora, o que é uma conquista e tanto. Uma aposentadoria política digníssima se lhe afigurava, com o mito relativamente preservado. MAS NÃO! O DIABO É QUE, NA CABEÇA DE LULA, SUA OBRA ESTÁ INCOMPLETA.

    Ainda há no Brasil, vejam que ousadia!, quem lhe faça oposição intelectual — não me refiro aos partidos, não! — e quem não esteja disposto a se ajoelhar a seus pés. Ainda há no Brasil setores que ele considera recalcitrantes, que merecem a pecha de “golpistas” porque ousam não concordar com ele. Ainda há no Brasil, por exemplo, uma imprensa livre também no espírito, não apenas na letra da lei. Se o PT foi malsucedido no seu esforço de criar um mecanismo de censura, sabe, no entanto, que foi muito bem sucedido em tornar influentes alguns de seus valores, hoje bovinamente repetidos por franjas engajadas também da grande imprensa. Há dias, li em dois grandes jornais textos de “analistas” que afirmavam, por exemplo, literalmente, que “ninguém ganha com a guerra entra bandidos e polícia em São Paulo”. Ainda preciso escrever um texto só sobre esse assunto. Imaginem vocês… Quando alguém escreve essa enormidade, está a igualar os dois lados da suposta “guerra”, vislumbrando, então, a necessidade de uma “pax”; o que se está a pedir é uma solução negociada com os… bandidos! Mas não quero me desviar do foco.

    Lula poderia estar exercendo dignamente o seu papel de ex-presidente — ele prometeu, como sempre, ser muito melhor do FHC nisso também… É o que vemos? Não! Dias antes de encerrar seu mandato, anunciou que ele próprio investigaria essa história de mensalão, sustentando ser uma grande tramoia da oposição. Passou a se articular freneticamente nos bastidores para impedir que o Supremo Tribunal Federal cumprisse seu papel. No encontro com um ministro, falou abertamente a língua da chantagem. Conversas de Marcos Valério, reveladas por reportagem de VEJA, informam que aquele que sempre esteve no controle do mensalão (segundo o publicitário), dava garantias que só poderiam sair da boca de um tirano. O Supremo estaria no bolso.

    Em associação com José Dirceu e com outros “duros” do PT, armou a CPI do Cachoeira não para investigar falcatruas — o que seria meritório; mas está aí a Delta, protegida pelos petistas —, mas para intimidar a oposição e, de novo!, a imprensa. Lula apostou tudo na comissão. Era o seu bilhete premiado para as eleições de 2012 e de 2014! Não haveria de sobrar pedra sobre pedra dos oposicionistas, da imprensa livre, da Procuradoria-Geral da República — lembrem-se de que Collor foi o escalado para atacar Roberto Gurgel — e do próprio Supremo.

    Dos bastidores, chegavam os ecos trevosos: “Não haverá julgamento! Isso irá para a 2013 e, de 2013, para nunca mais!”. Ao mesmo tempo, ainda que a presidente Dilma negue (e ela nega), o seu próprio governo passou a entrar no radar do lulismo. O Apedeuta não concordava com a ideia de uma “faxina ética”, na qual a presidente surfou. Isso fazia parecer que seu governo era condescendente (ora vejam!) com a corrupção.

    O Babalorixá de Banânia, como sabem, havia prometido “desencarnar”, para empregar o verbo a que ele próprio recorreu, mas quê… Foi tomado, assim, por uma espécie, se me permitem, de paixão carnal do espírito. A história política de Lula também poderia ser contada a partir dos seus ódios. E poucos são capazes de odiar como ele. Ao longo de sua trajetória política, à diferença do que muitos pensam, não liquidou apenas adversários políticos, não! Também destruiu aliados. Para tanto, bastava-lhe ser contrariado. E, como ninguém, soube, desde os tempos de sindicato, usar as falhas alheias e as circunstâncias em benefício próprio e na construção de sua própria mitologia.

    Lula poderia, reitero, estar curtindo a sua aposentadoria, mesmo depois do drama pessoal que viveu com a doença — e até por isso também —, mas ele não se entende fora do poder e da disputa pelo poder. Reparem que passou oito anos demonizando FHC, usando a estrutura do estado para atingir a reputação do antecessor. Como nunca, vimos uma máquina de publicidade oficial dedicada de modo contumaz à mentira. Lula tem menos prazer em vencer do que em derrotar o outro. Isso distingue, devo lembrar, um governante virtuoso de um tirano. E Lula só não é esse tirano porque as instituições que herdou não lhe permitiram. Ele as depredou e infiltrou nelas germens do mal — inclusive no Supremo —, mas não conseguiu subordiná-las a suas vontades.

    Enlouquecendo
    Tentou fazer da CPI a razia final contra o que resta de oposição e contra a imprensa. Não deu! Tentou destruir a reputação do procurador-geral da República. Não deu. Tentou macular a independência do Supremo. Não deu. Tentou se construir como a alternativa a Dilma (“caso ela não queira disputar a reeleição”, ele sugeriu…). Não deu. Tentou impedir o julgamento dos mensaleiros. Não deu. Tentou criar uma mentira sobre aqueles fatos escabrosos. Não deu. Tenta agora eleger Fernando Haddad em São Paulo para ter como chantagear depois o próprio governo Dilma. O jogo não está jogado, mas está difícil. Sai Brasil afora a vociferar contra candidatos a prefeito de partidos de oposição, numa espécie de guerra santa desesperada contra os dragões da maldade. O resultado, por enquanto ao menos, não é muito animador. Ainda que seu projeto paulistano dê certo — não parece que vá —, o PT pode sair dessa disputa municipal menor do que entrou.

    E eu ousaria dizer que o principal culpado pelas dificuldades que o partido passou a enfrentar é Lula. Acostumado a jamais ser contestado — e pobre daquele que a tanto ousar —; incensado como dotado de uma intuição genial, que lhe teria sido transmitida pelo leite materno por mãe nascida analfabeta (a minha já nasceu citando Schopenhauer no original…); aplaudido por gente como Marilena Chaui como aquele que, ao falar, ilumina o mundo; recentemente reverenciado por Marta Suplicy como o próprio “Deus” (nada menos!), Lula foi perdendo a razão, caminho certo para a autodestruição.

    É claro que ele não vai acabar. Continuará a ser uma pessoa influente na política e no PT por muito tempo. Mas é o mito que passa — e, nesse particular, sua loucura é um bem para o país — por um processo acelerado de corrosão. Talvez ainda se elegesse presidente no primeiro turno (em São Paulo, quem está na frente é Russomanno, afinal…), mas são as suas virtudes demiúrgicas junto a setores influentes da política que estão se esfarelando.

    Lula errou feio. Errou quando decidiu emparedar o Supremo. Errou quando decidiu emparedar a imprensa livre. Errou quando decidiu usar uma CPI como instrumento de vingança. Errou quando decidiu que basta mandar para o eleitor obedecer. Errou quando decidiu ser um condestável da República, disputando influência com a própria presidente da República.

    Errou feio, em suma, quando acreditou que, de fato, era Deus. E ele é apenas um homem, mais falível, em muitos aspectos, do que a esmagadora maioria. Afinal, o destino lhe sorriu e lhe foi dado governar um país por oito anos. Poderia ter seguido seu antecessor num particular: entregar instituições mais sólidas do que encontrou. Ele preferiu depredá-las de forma sistemática, contínua e dedicada.

    Lula, quem diria?, ainda será o melhor biógrafo de Lula. A ambição desmedida do homem acabará por revelar os pés de barro do mito.

    Por Reinaldo Azevedo

  74. Chesterton said

    A campanha de Fernando Haddad (PT), candidato à Prefeitura de São Paulo, declarou à Justiça Eleitoral ser “manifestamente degradante” para ele ser associado aos colegas de partido José Dirceu e Delúbio Soares e ao deputado federal Paulo Maluf (PP), que integra sua chapa. Dirceu e Delúbio encabeçam a lista de réus políticos do processo do mensalão. Maluf responde a ações por desvio de recursos públicos. ch

  75. Pax said

    Só saberemos o juízo de Joaquim Barbosa sobre a cúpula do PT daqui alguns dias. Resolveram (ele e o revisor) fatiar o fatiado.

    http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-09-19/julgamento-do-mensalao-tem-nova-divisao-no-capitulo-sobre-compra-de-apoio-no-congresso

  76. Jose Mario HRP said

    Pelo Vox Populi Serra ficou pra trás, mas o Data folha………
    PIG é PIG, né?

  77. Patriarca da Paciência said

    “O Patriarca e o Otto andam sumidos… será que foram abduzidos como o Elias?”

    Meus caros Edu e Marcelo,

    ainda não tive o prazer de encontrar os ETs. Dizem que o Caê sim, foi abduzido e por isso ficou um tanto estranho de uns tempos pa cá.

    Mas sempre dou uma olhada aqui no blog.

    E quem acompanha meus comentários, pode notar que eu sempre defendi e, continuo defendendo, que todos devem estar preparados para aceitar a decisão que venha a toomar o STF, ao contrário do Reinaldinho Cabeção, do Augusto Boçal Canalha Nunes e seus seguidores, os quais só aceitam as decisões do STF quando estão em pleno acordo com as suas. Vide cotas universitárias, ficha limpa etc.

    Reinaldinho Cabeção já escreveu centenas de textos na tentativa de mostrar que o STF errou. E o Augusto Boçal Canalha Nunes de afrontou o STF várias vezes.

    O que eu sempre tenho falado também é que espero que não seja um surto passageiro do STF e que o trabalho continue, julgando todos os mensalões, inclusive o “pai de todos”, aquele do PSDB e os processos contra o Daniel Dantas etc.

    Desde o tempo dos processos contra o Daniel Dantas que venho defendendo a idéia de que a função dos juízes é fazer justiça e não apenas seguir literalmente os códigos processuais.

    Vamos ver se a jurisprudência pega, estou na maior torcida.

  78. Pax said

    O caro Patriarca afirmou acima:

    E quem acompanha meus comentários, pode notar que eu sempre defendi e, continuo defendendo, que todos devem estar preparados para aceitar a decisão que venha a toomar o STF, ao contrário do Reinaldinho Cabeção, do Augusto Boçal Canalha Nunes e seus seguidores, os quais só aceitam as decisões do STF quando estão em pleno acordo com as suas. Vide cotas universitárias, ficha limpa etc.

    E eu sou testemunha. Mais que isso. Compartilho dessa opinião. A Ação Penal 470, ou mensalão, antes que o velho e bom Chesterton reclame, está onde deveria estar, no STF. E também vou aceitar o que vier de lá, na boa.

  79. Pax said

    E também torço fervorosamente que a jurisprudência seja firmada. Ocorrem mensalões em todas as esferas brasileiras do poder, em muitos municípios, estados etc. É uma desgraça generalizada.

    Problema que as pessoas que delatam morrem. Acabamos de saber disso em Japeri, RJ. Mais um caso dentro muitos outros.

    A hora que mudarmos um pouco este quadro, o país melhora um bocado.

  80. Edu said

    Patriarca e Pax,

    Quem falou em aceitar ou não a decisão do STF?

    Aceitar, todos nós vamos, independentemente de qual ela seja.

    A dúvida é: uma decisão do STF seria capaz de mudar as convicções individuais construídas?

    Ou seja

    Se o STF condenar o Zé, o Patriarca vai aceitar isso, lógico, nem poderia ser diferente. Mas continuaria recebendo o mesmo em casa, de bom grado, e até quem sabe ofereceria um bolo ou uma cerveja…

    Da mesma forma, se o Zé for inocentado, ainda assim ele seria expulso da porta da minha casa como um canalha. Talvez não por conta do mensalão, mas por todo o resto…

  81. Chesterton said

    o problema não é de jurisprudência, mas de conivência.

  82. Otto said

    Oi, pessoal, para quem estava com saudade, estou de volta.

    E trago um texto postado no sempre atento O Cafezinho:

    Por Wanderley Guilherme dos Santos, especial para o blog O Cafezinho

    O ministro Joaquim Barbosa concluiu parte de seu voto neste início de quinta-feira comprometendo a competente análise dos autos com habituais comentários sobre o funcionamento do sistema partidário brasileiro, a revelar, ao lado de algumas observações pertinentes, os preconceitos, desconhecimento, presunção e desprezo, partilhados com alguns de seus pares, que cultiva em relação à política profissional, aos partidos populares e, em especial, o Partido dos Trabalhadores. Seguem comentários sintéticos:

    – a migração partidária é fenômeno comum no sistema brasileiro e se segue aos resultados eleitorais em todos os níveis, nacional, estadual e municipal – vide, por exemplo, o crescimento do PSDB, do PFL e de seus aliados, depois da eleição de Fernando Henrique Cardoso. Não é necessário o incentivo financeiro, basta a perspectiva de cargos e de apoio a projetos favoráveis a suas bases eleitorais;

    – acordos políticos, pré e pós eleições, envolvem obviamente adesão parlamentar a propostas do governo, ajudas financeiras a campanhas e eventuais cargos políticos. Tais acordos foram certamente feitos antes das eleições de FHC e de Lula, apenas não foram capturados nos respectivos momentos. Alguns dos partidos não denunciados agora podem muito bem ter negociado apoio antes da eleição de Lula. Não é isso que a lógica política entende por compra de votos. Compra de votos é a remuneração pessoal em alguma votação específica. Por exemplo: a compra de votos de alguns deputados, que o confessaram, para o fim específico de votar a favor da emenda que permitia a reeleição no Brasil. O primeiro tipo de acordo ocorre no mundo inteiro e, com certeza, à sua sombra muitos crimes podem ser cometidos,

    – o ministro declarou que partidos não podem distribuir recursos financeiros a outros, embora possam fazer coligações com eles em número ilimitado. Está certo, é o que diz nebulosamente a legislação. Mas daí a pergunta sem sentido, a seguir, do ministro: “se é para pagar dívidas, porque receber os recursos de maneira tão sofisticada?” Ora, precisamente porque isso é ilegal e um ilícito, exige outros ilícitos suplementares. Justamente por isso a legislação eleitoral é a principal causa dessa sucessão de crimes e seus efeitos colaterais.

    – a afirmação de que a “compra” de apoio era para atender a interesses do PT é difamatória. A votação da previdência social, em 16/3/2005, recebeu apoio unânime de todos os partidos. Trata-se de interesse do país. O mesmo em relação à Lei de Falência, votação em 15 de outubro de 2003, que contou com apoio de 3 deputados do PFL e 2 do PSDB. A votação da reforma tributária, em 24 de setembro de 2003, contou com 10 votos do PFL no mesmo sentido do governo e 2 do PSDB, no mesmo sentido. Afirmar que tais temas pertenciam tão somente à agenda do PT é um disparate.

    Os comentários dos juízes, fora dos autos, revelam as razões da excepcionalidade deste julgamento.

    http://www.ocafezinho.com/2012/09/20/um-julgamento-para-a-historia-ii/

  83. Pax said

    Caro Otto,

    Vou pegar um único parágrafo do tal Wanderley, acima, o penúltimo:

    – o ministro declarou que partidos não podem distribuir recursos financeiros a outros, embora possam fazer coligações com eles em número ilimitado. Está certo, é o que diz nebulosamente a legislação. Mas daí a pergunta sem sentido, a seguir, do ministro: “se é para pagar dívidas, porque receber os recursos de maneira tão sofisticada?” Ora, precisamente porque isso é ilegal e um ilícito, exige outros ilícitos suplementares. Justamente por isso a legislação eleitoral é a principal causa dessa sucessão de crimes e seus efeitos colaterais.

    Este é um dos crimes que estão em julgamento nesta ação 470, pelo que entendo.

    E aí até eu posso condenar o PT por burrice. O tal esquema “tão sofisticado” nada mais foi que a utilização da “invenção” do Eduardo Azeredo com as empresas mineiras de comunicação e marketing do Marcos Valério. Aqui condeno sem o menor pudor o PT, por burrice, por soberba, por achar que – no poder – poderia usar o modelo que quisesse e nada lhe aconteceria. Foram, no mínimo, enormes inconsequentes.

    Não só se meteram com um mafioso mequetrefe, o Valério, como fizeram as distribuições agradando uns, desagradando outros etc etc. Até minha bistataravó saberia que uma hora a coisa toda terminaria num problemão, e que essa gente, operadores, agraciados e desagradados, não teriam o menor compromisso com o PT. Mais que isso, se era um modelito inventado pela oposição, qualquer jumento saberia que estes descobririam que o PT estaria usando o canal estabelecido.

    Aí vamos um pouco mais longe, e a questão se complica ainda mais: de onde vinha esse dinheiro, qual era a fonte?

    E chegamos nas granas do Banco Rural e da Visanet. Do Banco Rural, como ficou demonstrado, era dinheiro a fundo perdido (desviado mesmo) que nunca seria pago. A troco de quê? E da Visanet, desvios de verbas publicitárias deste fundo, que tinha entre seus cotistas o Banco do Brasil. (tem mais grana, se não me engano do BMG, mas não acompanhei bem esta parte… fico devendo). E ainda tem mais, barbaridade, segundo o que está nos autos, o PT, pasme, enviou o Marcos Valério a Portugal para pegar uma graninha extra da Portugal Telecon. Caramba! Quem fez isso – enviar o Valério em nome do PT – ou é um idiota completo ou queria mesmo ferrar com o partido, impossível ter interpretação diferente. Chegamos de novo no pecado da soberba…

    Bem, o próprio Wanderley afirma que o ministro “Está certo, é o que diz nebulosamente a legislação”. E continua, afirmando que “se é ilegal e um ilícito, exige outros ilícitos suplementares”. E conclui dizendo, ou sugerindo, então, que quem deve ser condenado é a legislação eleitoral. Não discordo do pano de fundo, a legislação precisa melhorar, ser mudada etc. Mas o que se julga nesta questão são os fatos, os desvios e as distribuições de grana viva deste caso. Não é o STF que muda a legislação, afinal. Ele é o guardião dela.

    Tanto como eu, você, o Wanderley e toda a torcida do Corinthians sabemos que se o modelo já existia, os dutos já estavam criados e foram burramente utilizados pelo PT, então outros partidos e políticos também devem ser punidos. Sim, claro que sim, mas essa questão não justifica os crimes cometidos, segundo o julgamento do STF até o momento.

    O que concluíram os ministros? Que houve peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro etc. Uns condenados, outros absolvidos, e agora o julgamento entrou na esfera política e temos – até agora – o juízo condenativo do relator. Temos que aguardar o juízo do revisor e, na sequência, os outros membros do STF.

    A questão que vai chegar, nesta lógica, é a corrupção ativa. Se alguém foi corrompido, quem corrompeu? E um pouco à além, há provas nos autos que permitem a condenação destes que eventualmente corromperam? E aí chega-se em Delúbio, Genoíno e finalmente em José Dirceu. Temos que aguardar para saber.

    O que temos neste momento, de concreto, é que o ministro Lewandowski acatou a jurisprudência anterior do STF, jurisprudência esta firmada neste processo, e condenou por corrupção passiva quem meteu a mão na bufunfa, na grana viva, independente se este agraciado tenha votado ou não para interesses “do PT”. Podemos ver isso aqui (já dou a fonte)

    Lewandowski julgou procedente, no entanto, a denúncia de corrupção passiva contra Pedro Corrêa, por estar provado que ele recebeu dinheiro, tendo, o próprio, admitido o recebimento de R$ 700 mil como ajuda de custo. “O réu não participou das votações da reforma tributária nem da Lei de Falências. Tal circunstância, porém, não descaracteriza o crime de corrupção passiva nos termos da jurisprudência da Corte nesta ação penal.”

    .

    E isto significa o que a gente vem comentando aqui, que este julgamento está estabelecendo novas jurisprudências.

    O quadro do julgamento do núcleo político é este abaixo (e a fonte que peguei é a Agência Brasil, onde tenho preferido colher as notícias deste caso, por entender que é uma agência oficial e menos poluída por tendências da grande imprensa – http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-09-20/lewandowski-absolve-pedro-henry-e-diverge-do-relator-sobre-lavagem-de-dinheiro )

    1) Núcleo PP

    a) Pedro Corrêa
    – corrupção passiva: 2 votos pela condenação
    – lavagem de dinheiro: empate de 1 a 1
    – formação de quadrilha: 1 voto pela condenação

    b) Pedro Henry
    – corrupção passiva: 1 voto a 1
    – lavagem de dinheiro: 1 voto a 1
    – formação de quadrilha: 1 voto a 1

    c) João Cláudio Genu
    – corrupção passiva: 1 voto pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 1 voto pela condenação
    – formação de quadrilha: 1 voto pela condenação

    d) Enivaldo Quadrado
    – lavagem de dinheiro: 1 voto pela condenação
    – formação de quadrilha: 1 voto pela condenação

    e) Breno Fischberg
    – lavagem de dinheiro: 1 voto pela condenação
    – formação de quadrilha: 1 voto pela condenação

    2) Núcleo PL (atual PR)

    a) Valdemar Costa Neto
    – corrupção passiva: 1 voto pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 1 voto pela condenação
    – formação de quadrilha: 1 voto pela condenação

    b) Jacinto Lamas
    – corrupção passiva: 1 voto pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 1 voto pela condenação
    – formação de quadrilha: 1 voto pela condenação

    c) Antônio Lamas
    – lavagem de dinheiro: 1 voto pela absolvição
    – formação de quadrilha: 1 voto pela absolvição

    d) Bispo Rodrigues
    – corrupção passiva: 1 voto pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 1 voto pela condenação

    3) Núcleo PTB

    a) Roberto Jefferson
    – corrupção passiva: 1 voto pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 1 voto pela condenação

    b)Emerson Palmieri
    – corrupção passiva: 1 voto pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 1 voto pela condenação

    c) Romeu Queiroz
    – corrupção passiva: 1 voto pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 1 voto pela condenação

    4) Núcleo PMDB

    a) José Rodrigues Borba
    – corrupção passiva: 1 voto pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 1 voto pela condenação

  84. Pax said

    Tem uma notícia que precisa de esclarecimentos, de dois dias atrás. Infelizmente não tenho conseguido acompanhar a pauta da forma que gostaria, mas fica o registro:

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/1155598-delator-envolve-vice-presidente-michel-temer-em-mensalao-do-dem.shtml

  85. Jose Mario HRP said

    UAU!
    Data Folha sob investigação por supostas manipulações de dados!
    As pesquisas de São Paulo capita!
    Totalmente diferentes das do Vox Populi!

  86. Pax said

    Aqui uma opinião interessante, do Paulo Moreira Leite. Merece ser lida e debatida por quem se interessa pelo caso em questão. Alerta, sim, para a armadilha do falso moralismo.

    http://colunas.revistaepoca.globo.com/paulomoreiraleite/2012/09/19/onde-esta-o-dinheiro/

    O contraponto, meu, é que faltou e falta coragem para mudar o status quo. Seja de que lado for. A continuar o tom definido, jamais sairemos desta armadilha kafkiana. E, por fim, a pergunta que tem que ser feita: O PT teve força para mudar. Fez tudo que podia para que isso acontecesse (mudança na legislação para financiamento de campanhas)? Será uma discussão infindável, algo como achar que o Flamengo é melhor que o Fluminense (ainda bem que sou botafoguense).

    Agora, meus caros, acredito que o PT não tenha mais essa força. Infelizmente o que o caro Elias – nosso saudoso petista oficial de plantão – falava me parece que aconteceu: fadiga de material. Idem ibidem para o PSDB. Nenhum dos dois têm mais moral para tocar o projeto de reforma política. E o pior: os dois principais e melhores partidos não têm mais moral para mudar o modelão. O que resta? A Justiça. E isso nem sempre é bom.

    Só que… melhor que o STF seja rigoroso. Se todo esse processo chegou lá no alto do judiciário, por ene mais kapa pi razões, o pior dos mundos seria que nossa Suprema Corte aderisse aos malfeitos e julgasse tudo maravilhosamente legal. Aí sim a vaca estaria no brejo com a barriga e as quatro patas enfiadas na lama, sem chance de sair de lá.

    Porque logo o PT vai pagar o pato? Bem, esta é outra discussão pra lá de metro. Eu diria que o pecado da soberba cobra, invariavelmente, preços altos.

    E a solução é a nova jurisprudência que parece que vai ser firmada no STF? Não acho bem isso. A solução, por mais utópica que possa parecer, será o PT e o PSDB chegarem num acordo que é hora de mudar as regras do jogo. Esperar isso do PMDB, DEM etc é que não dá. Nem minha bistataravó acredita mais nestes outros partidos que jogam o vai da val$a.

  87. Otto said

    Pax.

    nada a discordar de suas sempre ponderadas observações.
    Só que já li que o ministro Barbosa não vai relatar o mensalão tucano. Até outro ministro pegar e relatar isso, o caso prescreve. Parece-me que esta nova jurisprudência só vai continuar valendo mesmo para um lado.

  88. Otto said

    Quem diria, hein, segundo Jimmy Carter, Venezuela tem o melhor processo eleitoral do mundo:

    http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/09/jimmy-carter-eleicoes-venezuela.html

    Cadê esta notícia na nossa mídia?

  89. Pax said

    Caro Otto,

    Depois deste julgamento da 470, impossível que o Brasil inteiro não cobre isonomia nos julgamentos de todos os mensalões. Em especial o do PSDB e do DEM. Como disse acima, o PT paga o pato de agora, mas a sociedade brasileira tem que ver o ex-presidente do PSDB, o queridinho do tucanato nacional, responder em juízo sobre o modelo que criou. E o DEM, Arruda e todos os envolvidos, idem.

    Será o pior dos mundos se o Judiciário e, em último grau, o STF, tiver entendimento diferente do que tem no julgamento de agora.

    E não é possivel cobrar somente isonomia, há que se cobrar também presteza, para que estes outros casos não prescrevam.

    Se é para estabelecer no judiciário uma nova era, um novo modelo de jurisprudência sobre político metendo a mão em dinheiro vivo, dinheiro de desvios, de caixa 2 de empresas, desvios dos cofres públicos, seja para campanha política ou para comprar – ou “ganhar” – Land Rover, o que for, que esta nova jurisprudência seja aplicada para gregos, troianos, fariseus e filisteus.

    Mas insisto, não é no judiciário que está a solução, a correção da causa. Na minha opinião é na política mesmo que a coisa tem que mudar. E a política deve ser refletida no legislativo. Já passou da hora da reforma política e sem um acordo geral isso não vai acontecer.

    Só falta o Congresso mudar as regras para pior.

    Onde podemos ter algum ganho, de abrangência e capilaridade muito maior? Acho eu… É que esta nova jurisprudência que achamos que vai prevalecer, desça os devidos degraus e os juízes das instâncias menores a sigam.

    Mensalões existem em quase todos os municípios e estados brasileiros. Esta chaga precisa de cura, ou de algum remédio que mitigue seus efeitos maléficos.

    Aqui onde moro há um caso que reforça isso que penso. Na cidade há uma reserva biológica – envolve uns 6 municípios – que sofre enorme pressão imobiliária. Moro na zona de amortecimento de um dos municípios dessa reserva. Uns dez – ou mais – anos atrás, segundo a boca de um povo bem informado que conheço, um lote de vereadores recebeu R$ 200 mil cada para aprovar um loteamento rico que queria aprovação na prefeitura. O novo condomínio foi aprovado…e a reserva ficou sem um enorme pedaço da zona de amortecimento. Onde moro o lote mínimo é de 20.000 m2, não podemos destruir os corredores ambientais etc etc. No novo condomínio, os lotes são de 1.000 m2, tudo murado, não passa nem tatu.

    Nem precisamos ir tão longe, basta ver o noticiário recente, em Japeri-RJ, o prefeito e alguns vereadores são acusados de mandar matar um vereador que ameaçava divulgar o mensalão local. E assim vai, como disse, em quase todos os municípios brasileiros.

    Quem paga essa conta? Nós.

  90. Zbigniew said

    Sobre o movimento no tapetão da oposição partidária e midiática, com o aviso de que vem troco aí:

    “O PT, PSB, PMDB, PCdoB, PDT e PRB, representados pelos seus presidentes nacionais, repudiam de forma veemente a ação de dirigentes do PSDB, DEM e PPS que, em nota, tentaram comprometer a honra e a dignidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Valendo-se de fantasiosa matéria veiculada pela Revista Veja, pretendem transformar em verdade o amontoado de invencionices colecionado a partir de fontes sem identificação.

    As forças conservadoras revelam-se dispostas a qualquer aventura. Não hesitam em recorrer a práticas golpistas, à calúnia e à difamação, à denúncia sem prova.

    O gesto é fruto do desespero diante das derrotas seguidamente infligidas a eles pelo eleitorado brasileiro. Impotentes, tentam fazer política à margem do processo eleitoral, base e fundamento da democracia representativa, que não hesitam em golpear sempre que seus interesses são contrariados.

    Assim foi em 1954, quando inventaram um “mar de lama” para afastar Getúlio Vargas. Assim foi em 1964, quando derrubaram Jango para levar o País a 21 anos de ditadura. O que querem agora é barrar e reverter o processo de mudanças iniciado por Lula, que colocou o Brasil na rota do desenvolvimento com distribuição de renda, incorporando à cidadania milhões de brasileiros marginalizados, e buscou inserção soberana na cena global, após anos de submissão a interesses externos.

    Os partidos da oposição tentam apenas confundir a opinião pública. Quando pressionam a mais alta Corte do País, o STF, estão preocupados em fazer da ação penal 470 um julgamento político, para golpear a democracia e reverter as conquistas que marcaram a gestão do presidente Lula .

    A mesquinharia será, mais uma vez, rejeitada pelo povo.

    Rui Falcão, PT

    Eduardo Campos, PSB

    Valdir Raupp, PMDB

    Renato Rabelo, PCdoB

    Carlos Lupi, PDT

    Marcos Pereira, PRB.

    Brasília, 20 de setembro de 2012.”

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-nota-dos-partidos-da-base-aliada-em-defesa-de-lula#comments

  91. Otto said

    Pax.

    gostaria de acreditar nesta mudança de paradigma também…

    Mas os sinais não vão neste sentido.

    Por exemplo: O procurador Gurgel. Implacável no “mensalão” do PT, sentou dois anos sobre o processo do Cachoeira, com provas reais, materiais e não apenas indícios.

    E o Barbosa, já empurrou o mensalão tucano pras calendas, como eu disse (vi esta notícia no 247).

  92. Pax said

    Caro Otto,

    Cabe-nos o papel da cobrança. Não podemos ter uma Justiça que não seja representada pela famosa imagem da balança, do equilíbrio.

    Mudando de assunto, um assunto que preocupa é a eleição paulistana. E aqui temos a análise do Fabiano Angélico, jornalista e atualmente pesquisador da FGV. Foi, durante muito tempo, colaborador do site Transparência Brasil, onde o conheci virtualmente. O post está no blog do Fernando Rodrigues. Merece atenção. Porque os eleitores de mais baixa renda deixam de votar no candidato do PT? Não sei responder.

    http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2012/09/21/pt-perdeu-um-terco-de-seus-eleitores-pobres/

  93. Patriarca da Paciência said

    Realmente, meu caro Otto,

    a declaração do Barbosão de que não vai relatar o mensão mineiro é uma triste e lamentável sinalização.

    Será que a tal mudança foi mesmo só para que nada mudasse?

    Meu caro Pax,

    Tudo indica que os brasileiros ainda tem uma longa e árdua pela frente.

    Os herdeiros das capitanias heriditárias mostraram que ainda tem força e são bem mais astutos do que pareciam.

  94. Patriarca da Paciência said

    Realmente, meu caro Otto,

    a declaração do Barbosão de que não vai relatar o mensalão mineiro é uma triste e lamentável sinalização.

    Será que a tal mudança foi mesmo só para que nada mudasse?

    Meu caro Pax,

    Tudo indica que os brasileiros ainda tem uma longa e árdua luta pela frente.

    Os herdeiros das capitanias hereditárias mostraram que ainda tem força e são bem mais astutos do que pareciam.

  95. Pax said

    Caro Patriarca,

    Se temos uma longa e árdua luta pela frente, o melhor é começarmos logo. E com bons argumentos.

    O melhor de todos? O mensalão tucano não pode ficar escondido. Tem que vir à tona, assim como estamos vendo o mensalão petista sendo aberto ao público, em todas as redes da grande mídia.

    O mensalão dos democratas idem.

    Aqui um texto interessante: http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed712_mensalao_turno_e_returno

  96. Jose Mario HRP said

    A Tamanca da Dilma cantou gostoso no L O M B Ã O do Barbosão!
    Aliás a Dilma peitando STF coloca-o no seu devido lugar de coadjuvante, pois não é poder que diretamente emana do povo.
    Nos últimos anos, com a desculpa de que certos assuntos, dispositivos , leis, exigencias legais para uma profissão não se coadunam com a constituição, , vem legislando indiretamente , prerrogativa constitucional do Congresso.
    Valeu Dilma!
    Pingos nos is!

  97. Patriarca da Paciência said

    “Se o STF condenar o Zé, o Patriarca vai aceitar isso, lógico, nem poderia ser diferente. Mas continuaria recebendo o mesmo em casa, de bom grado, e até quem sabe ofereceria um bolo ou uma cerveja…

    Da mesma forma, se o Zé for inocentado, ainda assim ele seria expulso da porta da minha casa como um canalha. Talvez não por conta do mensalão, mas por todo o resto…”

    Edu,

    O Reinaldinho Cabeção já escreveu centenas de longos e cansativos textos tentando provar que o STF errou no julgamento das cotas universitárias e no julgamento da Lei da Ficha Limpa.

    E os reinaldetes soltam urras de aprovação.

    E o Augusto Boçal Canalha Nunes já escreveu vários textos depreciando o STF por algumas de suas decisões.

    E os augustetes soltam urras de aprovação.

    Então não tem essa de que todo mundo aceita as decisões do STF e nem poderia ser diferente.

    E pode ter certeza de uma coisa, se o José Dirceu aparecer na minha casa, possibilidade que consdero muito remota, será muito bem recebido.

    E o se próprio Reinaldinho Cabeção também aparecer na minha casa, possibilidade que acho mais remota ainda, também será bem recebido.

    Pessoas são portadores de erros, não o próprio erro.

    Todos tem o direito de se redimir.

  98. Jose Mario HRP said

    Francamente é de dar risadas essa crença de que estamos passando o país a limpo, condenando os réus da 470.
    Não vai mudar nada, a coisa que vemos hoje é fortuita e aconteceu por falta de sorte dos envolvidos , seja qual tenha sido o crime que tenham cometido,
    Temos aqui em São Paulo o exemplo gritante de que as coisas continuarão as mesmas quando observamos a assembléia legislativa de São Paulo, que por ordem dos governadores desde a época de Mario Covas não instalam CPIs de maneira alguma.
    Houve, nesses mais de 16 anos, muitos motivos para que se abrisse cpis, mas a força da coalizão direitista não permite que a oposição exerça seu direito de instalar cpis, ficando a caixa preta da corrupção dos governos do PSDB/PFL(DEM) acobertados pelo silencio dos deputados estaduais , sabe-se lá a que custo financeiro.
    E se estendermos essa analise Brasil afora, veremos que a tal passagem do Brasil a limpo é improvável e coisa de ingênuo , ou de conveniencia e de oportunidade!

  99. Jose Mario HRP said

    Patriarca, não queira desentortar pau que nasceu torto.
    Sim, a moralidade de alguns é irregular e tem picos de indignação sabemos porque e quando .

  100. Otto said

    Pax,

    fora o julgamento do mensalão em si, você não acha suspeito o fato de le ter sido fatiado e refatiado para a “condenação” do núcleo político coincidir com as vésperas do primeiro turno.

    Já vimos este filme antes.

    AS BALAS DE PRATA DA DIREITA

    A história não permite incluir no âmbito da mera coincidência a decisão do relator Joaquim Barbosa de calibrar o julgamento do chamado do mensalão, de modo a levar a discussão sobre o ex-ministro José Dirceu à boca da urna, nas eleições de 7 e 28 de outubro próximo.

    Ao fazê-lo, o relator abastece a cartucheira conservadora com mais uma daquelas balas de prata de que se vale frequentemente a direita brasileira quando parte para o tudo ou nada, sem deixar tempo ao adversário ou ao eleitor para reagir. O conservadorismo sempre teve um aliado canino nesses botes. Agora pelo jeito tem dois.

    O parceiro tradicional é a cobertura esperta da mídia ‘isenta’, que nunca sonegou a essa tocaia o amparo ‘factual’ que a legitima, e mais que isso, inocenta o capanga e criminaliza o alvo.

    O rito sumário na boca da urna é uma das especialidades eleitorais desse jornalismo. À s vezes só há tempo para um jogo de fotos. Nisso também eles são bons .

    Quem não se lembra de um clássico do gênero, a edição da Folha de 30 de setembro de 2006, véspera do 1º turno da eleição presidencial daquele ano?

    Um jato da Gol havia se chocado com outro avião no ar. Morreriam 155 pessoas. A tragédia, de longe, era o destaque do dia. Mas a Folha, a mesma que agora coloca na boca de Haddad a frase que ele nunca disse (‘é degradante me associar a Dirceu..’), montou também uma ‘pegadinha’ nesse dia sombrio.

    Virou um ‘case’ do jornalismo meliante.

    No alto da página, em destaque, uma manchete em seis colunas encimava a foto de uma montanha de dinheiro, supostamente para a compra de um dossiê contra Serra, que havia abandonado a prefeitura para disputar o governo do Estado.

    Logo abaixo da pilha de dinheiro, a imagem de Lula, encapuzado com um impermeável de chuva que cobria o seu rosto. Dois homens ladeavam o presidente e candidato à reeleição contra o tucano Geraldo Alckmin. Seguravam o seu ombro.

    Coisa de profissional. O conjunto compunha a cena típica do bandido capturado por policiais: Lula reduzido à imagem de um marginal, emoldurado por montanhas de dinheiro suspeito e manchetes criminalizando o PT.

    Foi assim a bala de prata daquele sábado, véspera da votação do 1º turno das eleições presidenciais de 2006. Funcionou. Lula, favorito, não conseguiu resolveu a parada e precisou do 2º turno para derrotar Alckmin.

    Como será a primeira página da Folha e assemelhados no dia 6 de outubro, 1º turno do pleito municipal deste ano; ou no dia 28, na segunda rodada, tendo o julgamento de José Dirceu como pauta convergente?

    O julgamento em curso no STF cercou-se de singularidades jurídicas suficientes para não merecer o bônus da ingenuidade nesse encavalamento político.

    A maior delas foi abortar dos autos a identidade univitelina que liga as motivações e práticas que resultaram na ação contra o PT, e aquelas pioneiramente testadas e praticadas pelo PSDB , em Minas Gerais.

    Outras ‘balas de prata’ disparadas pela mídia no passado endossam a suspeição em torno dessas ‘convergências’ eleitorais sempre desfrutáveis pelo conservadorismo nativo.

    A mais famosa delas eclodiu no último dia da propaganda eleitoral de 1989.

    O então candidato à presidência, Fernando Collor de Mello, apresentou em seu programa de despedida o depoimento de Miriam Cordeiro, mãe de Lurian, filha de Lula. A história é conhecida: Miriam acusou o petista de forçá-la a abortar; não havia mais como obter direito de resposta e a mídia ‘isenta’ cuidou de martelar a denúncia odiosa.

    Uma bala de prata porém não seria suficiente para afastar o risco – elevado então – de Lula vencer a primeira eleição direta para presidente depois da ditadura militar. Era necessário um tiroteio.

    Ele veio com o sequestro do empresário Abílio Diniz por ex-militantes políticos chilenos. Abílio foi libertado do cativeiro no dia 17 de dezembro. Presos, os sequestradores foram fotografados e filmados usando camisetas do PT. Isso aconteceu exatamente no dia da votação do segundo turno da disputa presidencial, vencida por Collor.

    Na eleição presidencial de 2010, a Folha, novamente ela, tentou até a véspera do pleito obter junto ao Supremo Tribunal Militar a ficha e os processos da ‘guerrilheira’ Dilma Rousseff, candidata do PT contra o tucano José Serra.

    A esperança da coalizão demotucana era obter através de documentos sigilosos a bala de prata capaz de reverter uma derrota anunciada, quem sabe com a revelação de algum ‘crime de sangue’ que tivesse contado com a participação da candidata petista. Para a Folha, ademais, tratava-se de comprovar aquilo que o jornal falseara em 2009 por conta própria, quando publicou uma ficha inexistente do Deops, que sugeria a participação de Dilma em sequestros e expropriações.

    O caso virou uma das maiores barrigadas da história do jornalismo brasileiro e Dilma impôs uma derrota esmagadora ao candidato do peito dos Frias: 56% a 44%.

    Neste pleito de 2012, o paiol de balas de prata conta com novos fornecedores. Mas a mídia é a mesma e o governo Dilma concentra nela quantidades industriais de anúncios, ao mesmo tempo em que hesita em apoiar de forma transparente e legítima o novo canal de comunicação representado por sites e blogs alternativos. Além de fortalecer a democracia e a liberdade de imprensa, eles tem se mostrado contrapesos importantes às balas de prata que cortam e cortarão os ares do país, com intensidade crescente, até 2014.

    Postado por Saul Leblon

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-balas-de-prata-da-direita

  101. Patriarca da Paciência said

    “De um surto de Mário Filho para se ter um estádio no Rio de Janeiro, das páginas rosas do Jornal dos Sports veio o incentivo para se construir um monumento. Fomos além da discussão do mulato e da bola, dos pés descalços, do país do futebol, do 0 a 0. Fez-se o país do futebol, seu palco.”

    “Mais do que combater a corrupção é preciso combater o sistema que a favorece. E o problema é muito mais complexo do que qualquer 5 a 5. É utópico, mas a Ficha-Limpa também era. Propositivos à moda antiga, os jornais podem nos ajudar um pouco mais. Não?”

    Caro Pax,

    Bem interessantes essas duas observações do Gabriel Góes Barreira. Vamos torcer para que com esse surto do STF possamos construir um modo de fazer política mais limpa no Brasil.

  102. Otto said

    Pax #92

    é elementar, meu caro Watson:

    os eleitores de baixa renda estão votando no Russomano pra se livrarem do Serra, por que é mais conhecido que o Haddad.

    Por isso o DataSerra está trabalhando nas margens de erro para dar uma sobrevida a este morto-vivo.

    E o PT tem uma tradição de crescer muito nos últimos 10 dias, segundo eleições anteriores.

    Faço uma aposta: vai dar Russomano e Haddad no segundo turno. E o Serra nem será o terceiro. O terceiro será o Chalita.

    Por isso o desespero de condenar o Dirceu e estampá-lo nas manchetes no dia 7 de outubro.

  103. PAC said

    Prezados,

    Vejam só esta notícia. De qual partido sao os mais barrados no Ficha Limpa?

    www1.folha.uol.com.br/poder/1157670-maioria-dos-barrados-pela-ficha-limpa-foi-por-contas-rejeitadas.shtml

    Merece post assim que conseguir.

  104. Jose Mario HRP said

    “Por exemplo: O procurador Gurgel. Implacável no “mensalão” do PT, sentou dois anos sobre o processo do Cachoeira, com provas reais, materiais e não apenas indícios.”

    Pois é Otto, é por isso que voce tão bem resumiu , que Não acredito em grandes mudanças, de agora em diante.

  105. Pax said

    Ops… Saí como PAC…

    Mas sou eu mesmo, sofrendo com a @vivoemrede.

  106. Pax said

    Caros,

    Se Dirceu, Genoíno e Delúbio forem condenados, de novo, suas maiores culpas serão o pecado da soberba e a burrice de usar os mesmos métodos do Azeredo.

    Afora os crimes que eventualmente o STF os condenar.

  107. Jose Mario HRP said

    Uma das coisas que mais me espantou nesse julgamento passa por provas e indicios, agora indicios viraram provas, e desse momento em diante a forma de se fazer justiça retira dos cidadãos um fatia enorme do seu direito de defesa sob alguma acusação por parte de policia, ou outra autoridade competente.
    Mas ainda mais espantoso foi a conclusão de Ayres Brito sobre a validade ou não de uma lei , aprovada pelo congresso no gov. lula, que modificou alguns itens de lei anterior na qual entre outras coisas se baseava a denúncia de Gurgel.
    Ayres desqualificou a lei, acusou-a de descabida e de conveniencia, sem que ninguém houvesse antes arguido sua inconstitucionalidade, legalidade ou erro de feitura.
    Nem, federações, nem oposição, nem procurador usaram de suas prerrogativas de impetrar uma ADIn sobre essa lei e Ayres a ignorou e condenou.
    Pode?
    É, hoje tudo se pode, amanhã com outros no poder, será?

  108. Zbigniew said

    Na verdade o enredo já está escrito. O julgamento do Dirceu vai coincidir com o dia ou a semana da eleição e aí o Haddad já foi pro saco. Neste caso vou tomar emprestado o entendimento do Pax apenas no sentido da burrice do PT. Não por não ter sido o guardião da moralidade e de uma nova era de ética e retidão nos costumes políticos. Mas porque não soube ser poder. Por continuar errando em acreditar que esta elite que permanece na “mídia ruim” pode ser domesticada ou cooptada através de sinais diplomáticos de boa vontade pela presença em jantares e almoços ou seminários ou simpósios econômicos ou participação continuada nas verbas de publicidade governamental. Esta gente não está interessada nisto. No caso de Lula e do PT é simplesmente a eliminação. Foi assim que o Lula fez em alguns estados, quando, com sua força política, impediu que grandes caciques regionais fossem eleitos (Marco Maciel, Arthur Virgílio, Tasso Jeiressati, ACM neto e a dinastia do pai, o ataque aos Bornhausen, etc.). Pensam que isto vai ser esquecido?
    E agora estão vendo o resultado: vão perder nas capitais e ver o seu poder nas alianças minguarem e ainda por cima ver o Lula ter seu nome tentado a ser jogado no lixo por um lixo como a Veja. Como em política não existe vácuo, o PSB deverá se reforçar bastante, sendo uma alternativa mais palatável a esta mesma elite. Lógico que não é o fim do PT, longe disto. Mas o processo de erosão, desta vez, foi bem urdido e, sim, contou com a contribuição do próprio PT. Acredito que esta postura do partido tenha muito a ver com suas divisões internas que, de alguma forma, estão levando a agremiação a esta inação ou pasmaceira diante das chincanas jurídico-midiáticas que ora presenciamos. Mas o que mais me impressiona é como o STF adotou essa nova jurisprudência que, como sabemos, vai caracterizar exclusivamente este julgamento: as teses dos atos de ofício e do domínio do fato. Um julgamento de exceção que imita os costumes da grande mídia, como neste último episódio em que a Veja argumenta que o Marcos Valério disse algo e não comprova.

  109. Chesterton said

    Se Dirceu, Genoíno e Delúbio forem condenados, de novo, suas maiores culpas serão o pecado da soberba e a burrice de usar os mesmos métodos do Azeredo.

    chest- claro, a culpa é do FHC….

  110. Pax said

    Caro Zbigniew,

    O PT não soube ser poder? Temos que olhar esta afirmação por diversas faces do prisma. Se olharmos pelo lado das eleições presidenciais já temos 3 mandatos em andamento. Se olharmos pelo tamanho do partido no Congresso (não tenho os números) também há um avanço. Se olharmos pela aprovação popular temos um outro salto.

    O que se reclama é sobre velha mídia e sobre o julgamento em andamento.

    Caro Chesterton,

    Você pegou uma frase de um comentário. Transcreva-o todo que o sentido muda um bocado. Estás parecendo a Veja, distorcendo os fatos. Ou, pior, parecendo aquele tal da revista que gosta de mentir um pouco, às vezes?

  111. Zbigniew said

    Bem,
    o PT esteve no poder por (até agora) doze anos.
    Deu três surras consecutivas no PSDB e velha mídia (da qual reclamamos e com razão).
    Nomeou oito ministros e um PGR que hoje defendem uma tese esdrúxula de condenação por gravidade que, sabemos bem, não será – eu disse – não será jamais aplicado ao mensalão tucano. E sabe porquê, caro Pax? Porque a tese é de exceção. Só isso. E porque o mensalão tucano tomou outro rumo, muito bem urdido por aqueles que pensam a democracia em outros termos.
    Neste ponto o PT não soube ser poder.
    O poder não comporta vácuo. Vai ser ocupado por outro ou outros. O Lula fez uma aposta arriscada em São Paulo, mas o PT descuidou da questão do mensalão, especificamente do julgamento e da cobertura da mídia. Achou que só a sua figura seria suficiente para alavancar a candidatura petista. Estou falando em termos puramente políticos e de jogo de poder. Uma coisa é uma candidatura nacional. Outra é uma local, principalmente numa região como São Paulo, onde o conservadorismo atinge todas as camadas sociais e a velha mídia tem, ainda, uma grande poder. O cálculo político foi certo, mas o de poder foi demasiado evasivo, pois deixou de lado esses aspectos.
    Neste ponto o PT não soube ser poder.

  112. Otto said

    Estado de Exceção

    Luiz Gonzaga Belluzzo

    A lei promulgada pelo regime nazista em 1935 prescrevia que era “digno de punição qualquer crime definido como tal pelo ‘saudável sentimento’ popular’”. No Mein Kampf, Adolph Hitler proclamava que a finalidade do Estado é preservar e promover uma comunidade fundada na igualdade física e psíquica de seus membros.

    Herbert Marcuse escreveu o ensaio O Estado e o Indivíduo no Nacional-Socialismo. Ele considerava a ordem liberal um grande avanço da humanidade. Sua emergência na história submeteu o exercício da soberania e do poder ao constrangimento da lei impessoal e abstrata. Mas Marcuse também procurou demonstrar que a ameaça do totalitarismo está sempre presente nos subterrâneos da sociedade moderna. Para ele, é permanente o risco de derrocada do Estado de Direito: os interesses de grupos privados, em competição desenfreada, tentam se apoderar diretamente do Estado, suprimindo a sua independência formal em relação à sociedade civil.

    Foi o que aconteceu no regime nazista. O Estado foi apropriado pelo “movimento” racial e totalitário nascido nas entranhas da sociedade civil. Os tribunais passaram a decidir como supremos censores e sentinelas do “saudável sentimento popular”, definido a partir da legitimidade étnica dos cidadãos. A primeira vítima do populismo judiciário do nazismo foi o princípio da legalidade, com o esmaecimento das fronteiras entre o que é lícito e o que não é. Leio que circula nos meios judiciários a ideia de “flexibilizar” a tipificação da conduta criminosa. Vou dar um exemplo, talvez um tanto exagerado: se João de Tal arrotar na rua, corre o risco de ser enquadrado no crime de atentado violento ao pudor.

    Trata-se da emergência, na esfera jurídico-política, da exceção permanente. Coloca-se em movimento a lógica do poder absoluto, aquele que não só corrompe, como corrompe absolutamente. Os cânones do Estado de Direito impõem aos titulares da prerrogativa de vigiar, julgar e punir o delicado sopesamento das relações entre a garantia dos direitos individuais, a publicidade dos atos praticados pela autoridade e a impessoalidade do procedimento persecutório. O consensus iuris é o reconhecimento dos cidadãos de que o direito, ou seja, o sistema de regras positivas emanadas dos poderes do Estado, legitimado pelo sufrágio universal, é o único critério aceitável para punir quem se aventura à violação da norma abstrata.

    Já há muito tempo, não só no Brasil, mas também no resto do mundo, sucedem-se os episódios de constrangimento midiático das funções essenciais do Estado de Direito, para perseguir adversários, ajudar os amigos, quando não cuidar de legislar em causa própria. A exceção permanente inscrita nos métodos de justiçamento midiático é funesta para o Estado Democrático de Direito: transforma as autoridades em heróis vingadores, encarregados de limpar a cidade (ou o País), ainda que o preço seja deseducar os cidadãos e aumentar a sensação de insegurança da sociedade. Nessa cruzada militam os que fazem gravações clandestinas ou inventam provas e os jornalistas que, em nome de uma “boa causa”, tentam manipular a opinião pública.

    Os apressadinhos não se cansam de dizer que o Judiciário é lento. Poderia e deveria, com mais recursos, pessoal e, sobretudo, com o aperfeiçoamento dos códigos de processo, tornar-se mais rápido. Mas, num sentido profundo, a lentidão é uma virtude do Judiciário. Melhor seria dizer que a instantaneidade dos tempos da web é estranha ao bom cumprimento da prestação jurisdicional. Não haverá julgamento justo sem o contraditório entre as partes, a exibição de provas, os depoimentos. A formação da convicção do juiz, qualquer estudante de Direito sabe, depende da argumentação das partes.

    Invocar a virtude, a honestidade ou os bons propósitos para contestar a impessoalidade e o “formalismo” da lei é a maior corrupção praticada contra a vida democrática. Montesquieu dizia que há insanidade na substituição da força da lei pela presunção de virtude autoalegada.

    O Judiciário era rápido e eficiente na União Soviética de Stalin ou na Alemanha de Hitler. Os processos terminavam sempre de forma previsível e o contraditório não passava de uma encenação. Tudo estava justificado pelas razões superiores do Reich de Mil Anos ou pelos imperativos da construção do socialismo.

    http://www.cartacapital.com.br/politica/estado-de-excecao/

  113. Otto said

    Mais um texto para ser refletido:

    O STF em Dois Tempos

    Marcos Coimbra

    Os dois mais importantes julgamentos políticos do Supremo Tribunal Federal (STF) desde a redemocratização estão separados por quase vinte anos.

    E por uma distância ainda maior no modo como em relação a eles o Tribunal se portou.

    Em dezembro de 1994, em quatro sessões, julgou a Ação Penal 307. Eram 9 acusados, sendo o primeiro o ex-presidente da República, Fernando Collor. Na mesma Ação, estavam Paulo César Farias e Cláudio Vieira, respectivamente tesoureiro de campanha e antigo secretário particular do ex-presidente. Com eles, assessores e secretárias.

    De agosto para cá – e com perspectiva de atravessar outubro -, o STF está julgando a Ação Penal 470, sobre o “mensalão”. Nela, os acusados são 38.

    Não há um ex-presidente entre os réus – e não por falta de esforço dos oposicionistas mais combativos, especialmente os pitbulls da mídia conservadora. Como estariam felizes se Lula tivesse sido envolvido!

    Mas há, na 470, figuras estelares do PT, entre as quais uma das mais expressivas lideranças de sua história, José Dirceu. Constam também deputados de vários partidos, além de pessoas que, como na 307, nada mais seriam que coadjuvantes.

    Dos 11 ministros que compunham a Corte em dezembro de 1994, apenas dois ainda permanecem. Um não votou, no entanto, na decisão da 307. Por ter parentesco com Collor, Marco Aurélio Mello se disse impedido.

    O STF de 1994 resolveu ser célere e discreto, considerando a gravidade do que tinha a decidir e levando em conta que o País não ganharia se o julgamento se estendesse e fosse espetaculoso.

    Nada de sessões televisionadas, de votos intermináveis frente às câmaras, de entrevistas no final do dia.

    Sob a presidência de Octavio Gallotti, os ministros de 1994 evitaram que o julgamento ocorresse em plena época eleitoral. Deixaram terminar a eleição geral de outubro e só depois iniciaram os trabalhos.

    Devem ter avaliado que seria equivocado forçar a coincidência do julgamento com a eleição, por menor que fosse o risco de que ele interferisse nas decisões do eleitor. Um partido poderia ser beneficiado e outro prejudicado, o que aqueles ministros entenderam ser inaceitável.

    O julgamento da Ação 307 aconteceu em ambiente de opinião pública semelhante ao que temos atualmente, porém muito mais intenso: a vasta maioria das pessoas tinha certeza que Collor era culpado e estava disposta a ir às ruas para dizê-lo. Hoje, nem com os mais veementes esforços da oposição saem de casa.

    O Supremo de 1994 estava errado quando julgou a Ação Penal 307 com rigor técnico? Quando exigiu que a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) provasse tudo que alegava contra os réus? Quando considerou improcedente a acusação contra Collor, por não haver prova sólida e por não ter sido demonstrado um ato de ofício que tivesse praticado e que significasse crime de responsabilidade?

    Terá sido um erro daqueles ministros “frustrar” o sentimento da opinião pública, que “exigia” a “punição exemplar” do ex-presidente? Ou foram corajosos ao afrontá-la, mostrando que as “certezas” de momento são irrelevantes e que a lei deve sempre ser obedecida?

    Em retrospecto, percebemos em quanto o Brasil saiu maior da decisão daqueles ministros.

    Enquanto vemos os malabarismos dos de agora para ajustar a realidade à denúncia da PGR, enquanto inovam no Direito para “responder” aos “anseios da opinião pública”, enquanto obsequiosamente cumprem o script que a mídia conservadora escreveu, é um alívio lembrar o Supremo de então.

    E acreditar que outros virão.

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-stf-em-dois-tempos-por-marcos-coimbra

  114. Otto said

    É jurisprudencia ou não é ?

    O ministro Gilmar Mendes foi denunciado no Senado por ter recebido vantagens indevidas do advogado Sérgio Bermudes, segundo informado pela revista Piauí. Pela nova jurisprudencia do STF, bastará que apenas isto seja comprovado numa investigação, para Gilmar Mendes ser considerado um corrupto, a partir do momento em que recebeu a primeira destas vantagens, e assim ser condenado por corrupção passiva. Pela nova jurisprudencia, não será necessário sequer comprovar um vínculo efetivo entre o recebimento da vantagem e um ato posterior do ministro Gilmar Mendes.

    O Supremo, em decisão provisória de sete dos seus ministros, está impedindo a investigação de Gilmar Mendes. A nova jurisprudencia obrigará agora o Supremo a rever esta decisão, permitindo a investigação de Gilmar Mendes. Caso contrário, uma nuvem de suspeita de corrupção permanecerá doravante sobre o Supremo Tribunal Federal, por pelo menos quinze anos, o tempo que resta para a aposentadoria de Gilmar Mendes.

    Não é portanto essencial que este senhor, um membro da mais alta corte de justiça do país, seja investigado e possa, como se espera, comprovar sua inocência ? Não deveria também o próprio STF chamar a si esta investigação, para mostrar que a nova jurisprudencia vale para todos ? Ou será que a tão propagada coragem de Joaquim Barbosa, em breve presidente do Supremo, recuará diante dos jagunços de Mato Grosso ?

  115. Otto said

    Edu, não acredite tão facilmente na Folha. Ela está engajada até os ossos na campanha do Nosferatu.

    Folha desmente Folha:

    http://www.brasil247.com/pt/247/poder/81210/Ombudsman-Folha-turbinou-manchete-contra-Haddad.htm

  116. Jose Mario HRP said

    De Luis Nassif, lá no Cafézinho, sensacional analise do JB e as implicações de sua escolha por Lula:
    “Joaquim Barbosa é um caso à parte, talvez o maior erro político de Lula. Embora ninguém coloque em dúvida sua capacidade, existem dezenas de procuradores federais tão bem preparados quanto ele. Foi escolhido por seu simbolismo, por sua cor. No período que antecedeu a escolha, chegou a irritar Lula com seu servilismo. Empossado Ministro, tornou-se um deus ex-machina”.

    O perigoso protagonismo do Supremo, passando por cima das prerrogativas do Legislativo.
    CXheiro de guerra , lá na frente!

  117. Pax said

    Caro Otto,

    Que denúncia é esta contra o ministro Gilmar Mendes envolvendo o tal Sérgio Bermudes? Tens algum link disponível?

    De outro lado me preocupo um bocado com esses ataques ao STF. Podem ser um tiro pela culatra. Aliás, no meu entender, mais um. Confesso que se estivesse nos sapatos de um ministro do STF o somatório dessas acusações advindas dos partidários mais, digamos, emocionados, eu ficaria um tanto aborrecido. Ainda bem que não tenho a obrigação de definir a dosimetria das penas dos já condenados, nem dos eventuais futuros condenados. Sei lá se este aborrecimento não pode, no final das contas, influenciar nesta etapa final deste julgamento. Vamos nos lembrar que somos humanos, com todas nossas virtudes e fraquezas e que, no frigir dos ovos, os ministros do STF também são.

    E fico realmente com uma pergunta na cabeça: os réus valem tudo isso? Se quisermos colocar em outra perspectiva, uma um pouco mais provocativa às nossas próprias consciências, deveríamos responder esta pergunta numa ordem diferente da visão mais partidária. Deixa eu explicar melhor…

    1 – será que vale à pena lutar pelos direitos do Marcos Valério? Está ou não provado que ele participou do mensalão do PSDB, que ele montou um esquema enorme com inúmeras empresas, das suas aos bancos envolvidos, às corretoras etc etc? E que, mudando o governo, alocou seus préstimos ao novo governo que assumiu?

    2 – passemos para o campo político, será que vale à pena lutar pelos direitos do Valdemar da Costa Neto? Não é público e notório que o cara viveu – e vive – sua vida política, parlamentar e particular, trabalhando com exploração de influências, sejam elas no Congresso ou nas administrações dos portos brasileiros? Em troca de quê? Tenho sempre minhas enorme$ dúvida$.

    3 – chegando um pouco mais, será que vale à pena lutar pelos direitos do Henrique Pizzolato, que, segundo a denúncia e o julgamento proferido pela maioria dos ministros do STF, embolsou mais de R$ 300 mil?

    4 – etc etc etc até chegarmos no Delúbio., Genoíno e Dirceu.

    Por fim, insisto no ponto do meu post para reflexão: nem todos petistas estão aborrecidos com esse capítulo da nossa história. Mais ainda, se qualquer um de nós der uma passada pelas redes sociais, do Facebook ao Twittter, poderá observar que a opinião geral da galera é bem distante dessa opinião geral da torcida organizada do PT.

    Sei lá.

    Cá do meu canto acho que mais vale salvar o partido que eventualmente meia dúzia de pessoas. E falo isso com certa tranquilidade simplesmente ao observar o principal concorrente, o PSDB. Olhem o cartel, reparem que hoje o tucanato está bastante desfalcado de nomes com projeção nacional, não sobrou quase nenhum para subir num palanque nas eleições de 2014. E agora vamos olhar o PT, não parece quase igual?

    Hoje eu diria que quem nada de braçadas para 2014 é o PSB do Eduardo Campos. Ele – e seu partido – devem estar adorando tudo que rola. Enquanto PT e PSDB se degladiam e desgastam seus nomes, quem cresce é o Campos. Parece com as eleições de São Paulo de hoje, enquanto Serra e Haddad se degladiam quem dispara nas pesquisas é o Russomano. Os paulistanos é que vão pagar o pato dessa batalha sangrenta entre petistas e tucanos. Será que acontecerá o mesmo em 2014 quando, tudo indica, Dilma vier a disputar com Aécio e Eduardo Campos?

  118. Jose Mario HRP said

    Otto disse

    23/09/2012 às 10:08(comentário 114)

    Caro Otto, poderia colocar o endereço de aonde possa se ler sobre o assunto ?

  119. Jose Mario HRP said

    Juiz aborrecido?
    Julgando com o fígado?
    No minimo juiz impedido de julgar, ou não?

    Aliás em país livre a crítica é o costume, o debate, é o normal no debate politico.

  120. Chesterton said

    será que vale à pena lutar pelos direitos do Marcos Valério?

    chest- a resposta é; os direitos dele são os mesmos que você tem. Se não defendê-los o próximo pode ser você. Nem que o direito, no final das contas, seja de se hospedar em algum presidio por uns anos.

    Alguem sabe do Elias e de suas ações da Patrobrás? Há 2 semanas a Graça (Foster) pediu em público que se comprem ações da patrobrás…será que o Elias não está disposto a ajudar a empresa mais um pouquinho?

  121. Chesterton said

    Para o seu próprio sossego pessoal, o ex-presidente Lula, seus fãs mais extremados e os chefes do PT deveriam pôr na cabeça, o mais rápido possível, um fato que está acima de qualquer discussão: só existe um meio que realmente funciona, não mais que um, para governos mandarem na imprensa, e esse meio se chama censura.

    Infelizmente para todos eles, essa é uma arma de uso privativo das ditaduras — e nem Lula, nem o PT, nem os “movimentos sociais” que imaginam comandar têm qualquer possibilidade concreta de criar uma ditadura no Brasil de hoje.

    Podem, no fundo da alma, namorar a ideia. Mas não podem, na vida real, casar com ela. Só perdem seu tempo, portanto, e se estressam à toa quando ficam falando que a mídia brasileira é um lixo a serviço das “elites”; há dez anos não mudam de ideia e não mudam de assunto. Bobagem.

    O que querem mesmo é impedir que esta revista, por exemplo, publique reportagens como a matéria de capa de sua última edição, com as declarações de Marcos Valério sobre o envolvimento direto de Lula no mensalão. Ficam quietos porque têm medo de que sejam publicadas as fitas gravadas com tudo aquilo que ele disse, e as coisas piorem ainda mais. Mas o seu único objetivo real é este: eliminar as informações que desejam esconder.

    Até agora, o plano mais ambicioso que lhes ocorreu para chegar aonde querem foi propor algo que chamam de “controle social” da mídia: não conseguem explicar bem o que seria isso na prática, mas nem é preciso que expliquem. O problema do PT, nessa história toda, é simples: “controle social” é algo que não existe no mundo dos fatos.

    Na vida como ela é, só têm controle verdadeiro sobre um órgão de imprensa os seus proprietários ou, então, o departamento de censura. Todo o resto é pura tapeação. Mas é isso, exatamente, que o PT propõe. Já foi feita, de 2003 para cá, uma boa meia dúzia de tentativas para armar o tal controle, primeiro com projetos de lei que morreram antes de nascer, depois com “audiências públicas” e outras esquisitices. Não saiu, até agora, um único coelho desse mato.

    Falou-se também da “mobilização de setores populares” para pressionar a mídia, mas não se conseguiu mobilizar ninguém. Manifestações de massa, para o PT de hoje, exigem ônibus fretados, lanches grátis, patrocínio de alguma estatal — e, francamente, não é assim que se faz uma revolução. Muito dinheiro do Erário tem sido gasto na compra do apoio de uma parte da imprensa, através de verbas publicitárias e outros tipos de ajuda: o problema, aí, é que o governo não consegue comprar os veículos que têm mais público. Foram criadas, também, brigadas de “blogueiros” que recebem uma espécie de “mensalinho” para falar a favor do governo e contra quem faz críticas a ele; ninguém parece prestar atenção no que dizem.

    Inventou-se, ainda, uma “TV Brasil”, emissora que serve para apoiar as autoridades e é sustentada com dinheiro público em estado puro. Em cinco anos de funcionamento, sua audiência continua vizinha do zero; a esta altura, talvez tenha mais funcionários do que telespectadores. A questão, em todos esses casos, é que imprensa a favor não adianta nada — o que interessa a quem manda é não ter imprensa contra. Elogios não salvaram uma única cabeça, entre os doze ministros que a presidente Dilma Rousseff botou na rua até agora, nos casos em que foram denunciados por corrupção no noticiário. Não têm resolvido nada no julgamento do mensalão, também revelado integralmente pelo trabalho da imprensa; o STF vem sendo o flagelo de Deus para os réus, triturados um após o outro com sentenças de condenação.

    Ditaduras entendem muito bem como se controla a imprensa. Não desejam aplausos: a única coisa que lhes importa é cortar tudo aquilo que não querem que seja publicado. Não podendo fazer isso, o PT fica na gritaria. Ainda há pouco, o presidente nacional do partido, deputado Rui Falcão, disse que a “mídia conservadora” é instrumento de uma “elite suja e reacionária”, e fez uma ameaça: “Não mexam com o PT”. E se mexerem — ele vai fazer o quê? As coisas que o deputado diz não chegam a obter a nota mínima necessária para ser levadas a sério: não há exemplo na história de situações em que a imprensa tenha mudado de linha por causa de discurseira desse tipo, ameaças vazias ou “pressões da sociedade”. Veículos independentes não têm medo de insultos, “setores populares” ou líderes políticos com popularidade de 80%; o que lhes quebra a espinha é a força armada, e só ela. É melhor, então, o PT segurar a ansiedade
    José Roberto Guzzo,

  122. Chesterton said

    SUNDAY, SEPTEMBER 23, 2012

    Matéria Paga de Chavez no O Globo
    O horror! até parece que o palhaço de Caracas, Hugo Chavez, contratou o Marcelo Neri para falar bem de suas políticas sociais. Num país em que a economia privada foi destruída, a corrupção reina e uma corja rouba e achaca descaradamente os poucos e corajosos empresários que resistem aos ataques do governo socialista, eles têm a desfaçatez de comprar uma página no O Globo para fazer a apologia de seus programas sociais…

    De 2003 para cá, quando passou 100% para o controle estatal, a petroleira PDVSA passou a financiar a maioria dos programas sociais. Desde então, US$ 300 bilhões foram investidos em programas sociais, segundo o governo — valor superestimado para os críticos. As missões bolivarianas, que levam saúde, educação e alimentos em casa, atendem hoje 20 milhões de venezuelanos — ou seja, 60% da população. O chavismo reduziu a pobreza em 50%. Em 1999, 29% dos venezuelanos viviam na pobreza extrema. Hoje são 7%. A Unesco declarou a Venezuela país livre do analfabetismo. O salário mínimo é o maior da região: US$ 414. O desemprego é de 7,9%. Segundo a ONU, a Venezuela é o país menos desigual da América Latina.
    POSTED BY SELVA BRASILIS

  123. Zbigniew said

    Caro Pax,
    agora e minha vez de dizer que há um exagero em se colocar o STF sob ataque. Ataque de quem? A não ser que a critica, inclusive por juristas, sobre a forma como o ministro Joaquim Barbosa vem conduzindo o seu voto, seja um atentado a democracia. Parece que aqui no Brasil qualquer critica mais contundente ao Judiciário ou a imprensa e classificada como “ataque”.
    Só pra lembrar ninguém quer fechar o STF ou caçar ministros, assim como ninguém quer controlar o conteúdo do que a imprensa divulga.

  124. Pax said

    Caro HRP,

    Nào é uma questão de juiz aborrecido ou nao. É o fundo disso. É legal ou não?

    Juízes sao nossos terceirizados que tem por o obrigação garantir as regras de convívio que nós mesmos definimos.

    É nosso dever, mais que isso, nosso direito, exigir que eles cumpram tais regras. Elas estão substanciadas em nossa Cobstituicao.

    Enviado via iPhone

  125. Pax said

    Caros HRP e Zbigniew, Nao é uma questão de juiz aborrecido ou nao. É se é uma questão legal ou nao.

    Os juízes teem que cumprir sua missão. Zelar pela nossa Constituição.

    Essas regras, que definimos coletivamente só podem ser mudadas da mesma forma, coletivamente.

    E podemos mudar regras e trocar juízes, desde que coletivamente.

    Nao vejo a coletividade uníssona.

    Caro Chesterton, velho e bom Chesterton,

    Quem, dentre nós, disse que alguém nao pode defender seus direitos?

    O dito é quem se presta a.

    Enviado via iPhone

  126. Otto said

    Sobre o que eu falei atrás sobre Gilmar Mendes:

    http://blogdomello.blogspot.com.br/2011/05/advogado-pede-impeachment-de-gilmar.html

    Pela nova jurisprudência, Gilmarzão prevaricou.

  127. Zbigniew said

    Pois e, pelo ato de oficio adotado, inclusive, pelo Gilmar Mendes ao acompanhar o voto condutor na AP 470, ele teria que se afastar. E agora? Cade a jurisprudência.
    A única jurisprudência razoavelmente constante e aquela decorrente das sumulas, e no caso do STF, também das vinculantes, porque todas as demais ficam ao sabor dos humores das Cortes (e ao que parece da opinião publicada), bem como da própria evolução do direito nos tribunais e na sociedade. Mas e um fenômeno bem mais lento do que esse, pois leva em conta as reiteradas decisões das mais altas cortes, sempre em vista do bom direito e dos princípios de justiça. Princípios estes que não admitem condenações por presunçosas ou associações por ilações.

  128. Zbigniew said

    Mas nem o Bob Jefferson agüenta o panfleto.

    “Do Blog do Jefferson

    E por falar a mentira… (1)

    Essa semana, logo após sair do hospital em mais uma dolorosa internação em razão de meus problemas de saúde, dei um voto de confiança e recebi em minha casa um repórter da revista “Veja”, que para lá mandou um jornalista que já era meu conhecido e por isso tinha minha confiança. A revista aproveitou-se dessa proximidade para, de novo e infelizmente, trair o voto de confiança de quem acredita que jornalistas fazem jornalismo, e produziu uma matéria pouco exata, para dizer o mínimo, e mentirosa, para dizer a verdade. O que era para ser o perfil teve metade do texto dedicado a atribuir a mim ações que não foram minhas e não existiram.

    E por falar a mentira… (2)

    Assim, por falar da mentira, não custa esclarecer a verdade: a revistinha diz que eu teria confessado o recebimento de R$ 4 milhões para que meu partido, o PTB, “apoiasse o governo Lula”. Mentira! Mentira deslavada e das mais desonestas! O dinheiro que nunca neguei ter sido entregue ao partido, bem porque nunca neguei ou manipulei a verdade como é de praxe a revistinha fazer, não era nem nunca foi para comprar apoio. Era dinheiro para as campanhas eleitorais municipais que então se avizinhavam, como se avizinham a cada quatro anos. Mentira capenga e manca, porque o PTB, então, já era base de apoio do governo Lula e, por isso, não precisava ser vendido. Mentira manca, de tão curtas que são as pernas, porque o PTB nunca esteve à venda. E já que a “Veja” precisa corrigir suas letras, pode também explicar quais os “muitos casos de corrupção” que me atribuiu em mais uma frase desconexa da revista que só serve de ataque gratuito e mentiroso. ”
    Via http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/roberto-jefferson-desmente-revista-veja

  129. Chesterton said

    é, a vaca foi pro brejo, resta saber se o “boi” vai também…

  130. Chesterton said

    Censura ilegal na Internet

    Quem tenta passar ou repassar e-mails com o título “A casa do Lula já começou a cair…” sofre uma espécie de censura promovida por alguns provedores brasileiros.

    Foi o que constatou ontem um desembargador de São Paulo, que recebeu de seu provedor de e-mail a informação extra-oficial de que mensagens críticas estão sofrendo um “sobrestamento” pelo sistema de monitoramento da Presidência da República:

    “O que se tem falado sobre ditadura civil, é verdade. Não representa exagero. É de se entender que a situação política e pública do país é grave!”
    JS

  131. Chesterton said

    Valério reclama que está sofrendo um ‘linchamento’
    Empresário diz ter ficado ‘irritado’ com o fato de ter sido condenado por peculato; advogado admite delação premiada em nova investigação

    FERNANDO GALLO, ENVIADO ESPECIAL, BELO HORIZONTE – O Estado de S.Paulo
    Enquanto sofre seguidas condenações no julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza calcula os passos e ao mesmo tempo busca uma saída para tentar atenuar possíveis penas. A pelo menos duas pessoas com quem falou na última semana, Valério reclamou muito pelo fato de o Supremo tê-lo condenado por peculato. O empresário sustenta que não foram utilizados recursos público nas transações.

    Valério evitou nos últimos dias aparecer em seu escritório, na capital mineira. Ele foi orientado pelo advogado, Marcelo Leonardo, e pelo amigo e ex-sócio Rogério Tolentino, também réu do mensalão, com quem divide a sala, a não comparecer ao local para evitar os jornalistas que faziam plantão em frente ao prédio.

    Quem o viu recentemente, contudo, disse não tê-lo encontrado abatido nem choroso. Valério dirige o próprio carro, costuma buscar o filho na escola e frequenta a casa de parentes. Recentemente foi à casa de uma prima para assistir a um jogo do Atlético Mineiro, seu time no futebol. Mas vive um drama familiar. Se desentendeu com a mulher, Renilda Santiago, e deixou a confortável casa de ambos na Pampulha, região norte de Belo Horizonte, para morar em um flat.

    Amigos que foram recebidos por Valério nos últimos dias disseram que o empresário preferia não assistir ao julgamento do mensalão pela televisão – quem acompanha cada segundo das sessões é Tolentino, que se autodenomina o “elo entre os advogados dos réus” do mensalão e afirma conhecer cada folha do processo.

    Mas na semana passada o empresário desabafou ao conversar por telefone com o ex-deputado Virgílio Guimarães – petista que assume manter laços de amizade com o chamado operador do mensalão e foi responsável por apresentar o então dono das agências de publicidade SMPB e DNA à cúpula do partido. “Ele já teve um linchamento moral”, disse Virgílio. “Eu vi ele reclamando por ser condenado por coisas que não fez. (Está) Totalmente indignado, mas com o Supremo, não com o PT”, alega o ex-deputado.

    Entre petistas mineiros, contudo, a reportagem da revista Veja, segundo a qual Valério teria dito a interlocutores próximos e familiares que Lula era de fato o “chefe” do esquema e a movimentação de recursos teria chegado a R$ 350 milhões, foi vista como uma clara ameaça. No partido a suposta reação de Valério criou “um clima de alerta” por entender que o empresário está “acuado” e sem perspectivas de se livrar da cadeia.

    Os recados por meio da imprensa sempre foram entendidos como ameaça e o partido designou nos últimos anos interlocutores para manter as pontes com o empresário. Petistas ouvidos pelo Estado afirmam que Valério teria se incomodado pelo fato de ter sido “abandonado” às vésperas do início do julgamento no STF. Segundo um deputado, o próprio ex-ministro José Dirceu observou, há cerca de dois meses, durante um almoço com correligionários em Belo Horizonte, que Valério estava “muito solto”.

    Delação. A defesa do empresário admite que ele poderá recorrer ao instrumento da delação premiada caso seja instaurada uma nova investigação sobre fatos relacionados ao mensalão. Partidos de oposição anunciaram na semana passada que deverão pedir ao Ministério Público investigações sobre o suposto envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mensalão logo após a conclusão do julgamento no STF.

    “Eventualmente pode acontecer, se houver novas investigações ou coisa parecida ou algum outro procedimento ele pode (recorrer à delação premiada)”, disse Leonardo. Embora juízes criminais observem que não há previsão legal de um procedimento específico para a delação, podendo ela ocorrer até na fase de execução da pena, o advogado afirma que não acredita que seja possível fazê-la na ação em julgamento no Supremo. / COLABOROU EDUARDO KATTAH

  132. Zbigniew said

    E aí, vão julgar?

  133. Patriarca da Paciência said

    Repito aqui o que tantas vezes já falei à imprensa, mas que muitas vezes tem o dom de esquecer as palavras que não quer ouvir para dizer as ilações que vendem mais:

    Meru caro Zbigniew,

    destaco mais um trecho da entrevista do Bob…

    “A MINHA DENÚNCIA FOI POLÍTICA, NO CONGRESSO NACIONAL, do qual era membro e no qual sempre atuei e sempre honrei os votos que me foram confiados. O Judiciário não me pertence, como também não pertence a ninguém que não seja juiz togado com ilibado e reconhecido saber jurídico. O Judiciário tem os fatos, tem as provas, tem minhas palavras e com elas pode fazer o que achar melhor. Bem porque os fatos, as provas e as palavras não vão a lugar nenhum e não pertencem a mais ninguém, nem mesmo a mim. Agora só me cabe esperar ser julgado pelo que fiz e como o fiz. É o que deve ficar sob o olhar dos ministros do Supremo Tribunal Federal. ”

    Resta agora ao Barbosão explicar as suas convicções.

    A principal testemunha e iniciador de todo o processo diz que não há nenhum fato concreto, tratando-se apenas de fato político!

  134. Otto said

    Gilmar Mendes atuou como garantista para dar 2 HC ao banqueiro Daniel Dantas. Para quem não sabe, garantista é o magistrado que garante ao réu direitos fundamentais previstos na CF. O certo é que, ao fim deste julgamento, Gilmar Mendes e demais voltarão a ser garantistas, até mesmo porque tem tucano na fila para ser julgado.

    Ao fim da Segunda Guerra Mundial, havia um clima de clamor popular e de caça às bruxas na Alemanha. Tal clima não contaminou o Tribunal de Exceção, de Nuremberg, para julgar duas dezenas de nazistas acusados de crimes de guerra. Aqueles que não tiveram provas contra si foram inocentados. O processo durou vários anos, período dedicado à coleta de provas, as quais foram exibidas à exaustão para o jurado. No julgamento do ‘mensalão’ até um beijo enviado por email serve como prova. Ridículo.

  135. Zbigniew said

    E o garantismo do Gilmar Mendes sumiu!

    Caro Patriarca,
    o que estamos vendo é um julgamento de exceção, influenciado pelo clamor midiático. E, incrível: vai e teve que coincidir com as eleições municipais. Quando o Levandowsky ensaiou uma rebelião contra tal constrangimento deparou-se com a apatia e aceitação dos pares e a ira do Barbozão. Aí teve que se curvar ao poderio midiático.
    Aí vem o panfleto e, com a mesma, velha e surrada prática, diz que o Valério disse e que amigos do indigitado também disseram que o Lula sabia de tudo e era o chefe da quadrilha – como se todos os que lêem aquela joça fossem idiotas. Aí vem o Data-Folha e, mudando o critério de pesquisa em São Paulo, dá um resultado diferente do Vox numa mesma semana, tudo pra manter o nosferatu alguns pontinhos à frente do candidato lulista (não entendo até hoje porque o governo não escancara de uma vez por todas esse mercado de pesquisas – lá nos EUA tem bem uns mil institutos e aqui só o Ibope e o Datafolha abocanham quase todo o mercado – neste caso o PT tá durmindo no ponto há muito tempo).
    Observe que o julgamento tornou-se estritamente político, com o único intuito de colar no PT a pecha de corrupto, diminuir a sua força e desconstruir a figura do Lula.
    As teses jurídicas forçadas neste sentido, eliminando o garantismo acima citado (e que teve nos HCs ao banqueiro bandido o ápice de sua utilização – só que neste caso de forma esdrúxula e estritamente política); adotando-se as condenações por gravidade, afrontando direitos constitucionais; tudo isso configura exceção num tribunal que, embora reconheça-se sua característica política, jamais poderia negar direitos constitucionais, principalmente o que estabelece condenações sem provas.
    E por se tratar de julgamento de exceção não se repetirá se os critérios políticos assim exigirem. Neste caso, para aqueles que acreditam que uma nova jurisprudência está sendo criada e um limiar de um novo tempo repleto de ética e moral na política está surgindo, deve-se tirar o cavalinho da chuva porque a corrupção continua a salvo pelo sistema que atua em compadrio com atores privados que vão desde as empreiteiras até grupos de mídia.

  136. Patriarca da Paciência said

    É meu caro Zbigniew ,

    Mas parece que dessa guerra não sairá vencedores.

    Como diz o próprio BOB:

    “Já já o Civita morre, depois de ter vivido uma vida apodrecida, e, finalmente, o controle editorial da “Veja” muda e, quiçá, muda para melhor”,

    E também o Serra não tem muito futuro.

    Talvez dessa “terra arrazada” brote algo, pelo meno, novo.

  137. Pax said

    Prezados,

    Não consigo concordar com a tese que temos um tribunal de exceção em andamento.

    Acho mesmo um erro esse caminho de defesa dos réus. E me pergunto o que realmente querem?

    Se for para reavaliar as leis deste caso, corrupção ativa e passiva, peculato, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha (esqueci de algum?), isso tem que ser feito no Congresso.

    Aceito essa discussão, sim. E já antecipo que vou batalhar para que fiquem mais rígidas ainda.

    Para qualquer outra possibilidade ainda precisaria ser convencido.

    Enviado via iPhone

  138. Otto said

    De qual lado ficará o STF?
    Por Breno Altman, no jornal Folha de S.Paulo:

    Ao longo da história, o Supremo Tribunal Federal, além de bons serviços, prestou-se também a várias ignominias, chancelando a violação de paradigmas constitucionais.

    O presidente do STF em 1964, Álvaro Moutinho da Costa, foi à posse de Ranieri Mazzilli na noite do golpe militar, quando o presidente João Goulart ainda se encontrava em território nacional. A corte responsável pela guarda da Carta Magna fazia-se avalista de sua ruptura.

    Outra afronta ocorrera quando o Tribunal Superior Eleitoral, em maio de 1947, cancelou o registro do Partido Comunista. Aceitou alegação de que se tratava de organização comandada por potência estrangeira, a União Soviética. O STF indeferiu recurso e afiançou a degola. Deixou-se levar pela mesma intolerância ideológica com a qual refutou habeas corpus contra a extradição de Olga Benário Prestes, em 1936, para ser assassinada na Alemanha de Hitler.

    Novamente assistimos, no curso da ação penal 470, publicamente tratada como “mensalão”, poderosa tendência a um julgamento de exceção, em pleno regime democrático.

    Os monopólios da comunicação exercem pressão para que a corte endosse sua versão e condene a qualquer custo. Mais que preocupação eleitoral imediata, a batalha se trava para legitimar a velha mídia, verdadeiro partido das elites, como senhora da opinião pública, além de impor gravame ético ao PT e ao governo Lula.

    Apesar da resistência de alguns juízes, vem à baila comportamento que remonta a práticas inquisitoriais. Jurisprudências estão sendo alteradas por novas interpretações. Magistrados que absolveram o ex-presidente Fernando Collor da denúncia de corrupção passiva, inexistindo ato de ofício, agora apregoam que essa já não é exigência seminal.

    Fala-se abertamente em “flexibilização de provas”, eufemismo para que condenações possam ser emitidas a despeito da materialidade dos fatos, ampliando de forma quase ilimitada a subjetividade de opinião dos que têm o dever de julgar.

    Também apela-se à tese de “domínio funcional do fato”. Por esse conceito, pode-se condenar sem provas cabais de autoria, bastando que o cargo do réu, mais evidências latu sensu, corrobore ilação de responsabilidade, na prática eliminando a presunção de inocência.

    Essa novidade suscita curiosa comparação. Nos idos de 1933, em Berlim, foi incendiada a sede do parlamento alemão, o Reichstag. Os nazistas, no poder, prontamente acusaram os comunistas. A polícia prendeu o holandês Marinus Van Der Lubbe e três búlgaros pertencentes aos quadros da Internacional Comunista. Entre eles, Georgi Dimitrov, um dos dirigentes máximos da organização.

    Os réus foram julgados por uma das câmaras criminais da Suprema Corte, localizada em Leipzig e presidida pelo juiz Wilhelm Bürger. Apenas Van Der Lubbe acabou condenado, à pena de morte.

    Apesar de estar convencido de que se tratava de conspiração comunista e da função de Dimitrov, o magistrado considerou que não havia prova contundente que o ligasse, ou a qualquer de seus companheiros, salvo o holandês, à execução do delito concreto.

    O processo de Leipzig, embora outras as circunstâncias, impôs fronteira doutrinária para os direitos constitucionais. O STF, ao decidir sobre a ação penal 470, escolherá o lado no qual deseja escrever esse capítulo de sua conturbada história.

    * Breno Altman é jornalista e diretor editorial do site “Opera Mundi

    http://altamiroborges.blogspot.com.br/2012/09/de-qual-lado-ficara-o-stf.html#more

  139. Chesterton said

    tribunal de exceção em que 70% dos elementos foi nomeado pelo Lula e PT? É, faz sentido…

  140. Chesterton said

    foram nomeados?

  141. Zbigniew said

    Pax,

    Não é o tribunal, mas sim o julgamento que se configura como de exceção. O STF está como sempre esteve, erigido conforme os ditames constitucionais, inclusive no que se refere à nomeação dos respectivos ministros.

    Na realidade nem todos os réus estão utilizando esses argumentos como caminho de defesa, até porque contra alguns as provas foram convincentes e irrefutáveis. Apenas aqueles que se sentem prejudicado pela nova jurisprudência que aponta no sentido da condenação por ilação é que levantam a exceção contida na tese do domínio do fato. Pode ser que um leigo não ache isto importante, um juridiquês desnecessário, mas juridicamente falando isto é uma verdadeira aberração, até porque requer um julgamento puramente político, numa Corte da quel se exige um mínimo de coerência jurídica. E, justamente por ser um julgamento político não firmará jurisprudência que induza a uma vinculação de novos julgamentos sobre fatos semelhantes. Quer apostar?

    O Barbozão já apontou para este sentido quando entendeu que o fato de algumas matérias que tiveram tramitação rápida na Câmara ser suficiente para configurar como prova de que houve cooptação de parlamentares. Interessante que parlamentares da oposição que votaram com o governo não foram citados como beneficiários do suposto esquema da suposta quadrilha, nem tampouco acusaram o recebimento de valores para votarem no sentido do governo. E não se venha argumentar que esta é a parte boa e inocente que entendeu que o governo tinha razão em aprovar as matérias para o bem do país. Aí é demais.

    O Dirceu vai ser pego por aí. Matérias com tramitação rápida, contatos com diretores de entidades financeiras e parlamentares pegos com a boca na botija e já condenados e que tinham ítima ligação com o governo, gerenciamento de interesses políticos (uma vez que o mesmo fazia a coordenação política do governo Lula). Mas nada que o ligue de forma irrefutável e concreta a um esquema. O PGR (como ele próprio afirmou nos pareceres) não conseguiu demonstrar efetivamente a ligação, mas na falta do “clique” entrou a ilação e a pressão através da mídia cujos abusos deveriam ser combatido através do que se convencionou chamar de Princípio da Publicidade Opressiva dos Julgamentos Criminais que procura evitar que garantias constitucionais fossem aviltadas como de fato estão prestes a ser.

    Sei que é difícil se pensar juridicamente e entendo a posição de muitos pela condenação sumária de corruptos. Mas este caso é exceção porque feito sob medida para atingir o núcleo político do governo Lula, e, consequentemente, o próprio Lula (como já antecipou o panfleto já citado). E, acreditem, o governo Dilma ainda vai ser chamado a dar explicações porque, como disse, o julgamento de exceção do julgamento petista só está acontecendo porque o PT não está sabendo ser poder.

  142. Otto said

    Vejam por eu sou cético quando digo que a jurisprudência mudou somente para este julgamento.
    Depois dele, tudo volta como antes no quartel de Abrantes.
    Na verdade, PT não foi aceito na Casa Grande. Pra ele ainda vale a lei da senzala: chicote no lombo pra esses “esquerdistas” aprenderem que não podem mexer na distribuição de renda do país.

    Vejam este comentário que eu pesquei no Blog do Nassif:

    Por Glória

    Comentário ao post “Doações ilegais da Delta podem chegar a R$ 1 bilhão”

    “Enquanto a CPMI entra em recesso, fazendo o jogo da mídia e do próprio procurador geral da república de não “ofuscar o julgamento do mensalão”; a imprensa e os políticos da oposição deitam e rolam em suas campanhas eleitorais, tentando desmoralizar o PT , o Lula e , principalmente, o legado do seu governo.

    Mas as marcas de que estamos no limite da irresponsabilidade, tão decantadas pelo sr FHC com o seu amiguinho Ricardo Sérgio, no famoso grampo das Privatizações, estão aparecendo cada vez mais claras.

    Nesse um mês de julgamento do STF (se é que isso merece ser chamado de julgamento…) o procurador geral, na calada da noite, já colocou sua marca por três vezes naquele tribunal, sempre muito bem recebidas pelos honrados ministros da casa (como bem os qualificou a Hildegard Angel):

    1- com um habeas corpus em seu próprio favor, para impedir a investigação de sua conduta (denunciada pelo Senador Collor e já aceita e distribuída no CNMP)por ter sentado por um ano em cima dos escabrosos crimes demonstrados pela PF na operação Monte Carlo. O fato do procurador geral não ter explicações esse seu comportamento, nem ter amparo legal para o que fez, não representam nada para a ministra Rosa Weber. Exatamente a ministra que primeiro levantou a teoria do “domínio do fato”, se preparando para julgar sem provas a farsa do mensalão. Para Rosa Weber, o CNMP não tem competência para investigar o procurador geral. Por que então não propôs que o próprio STF o investigasse? Considerou que o melhor era absolvê-lo. Afinal é um amigo dileto e amigos não cometem crimes (essa frase é ironia mesmo). Só para esclarecer, segundo Leonardo Massud, ” a Teoria do Domínio do Fato considera autor aquele que detém o controle sobre o “se” e o “como” realizar o tipo da norma penal, decidindo, preponderantemente, sobre a configuração central do fato “. Essa não é a posição do procurador geral nesse caso do Cachoeira?

    2- depois, entrou com outro habeas corpus, tentando intimidar a Presidenta Dilma, para reclamar o sagrado direito do aumento do seu merecido salário. Afinal, tem prestado grandes serviços ao País. Na hora de defender a recomposição da inflação para os Policiais Federais… ficaram todos caladinhos. Dando declarações de que tinha que ser feita, urgentemente a lei de greve. E a Lei que garanta aumentos iguais para os três poderes da República, também não deveria ser feita ? Não, o Executivo só serve para carregar o piano e levar todas as culpas e as calúnias. Bom mesmo é o judiciário…

    3- Agora, para completar o quadro que está sendo desenhado, o procurador geral, depois de ouvir o belíssimo e bem embasado voto do Ministro Lewandowski, bem diferente das ilações, deduções e ginásticas interpretativas que estão na sua denúncia, novamente na calada da noite da última sexta-feira, tem a “honrada postura” de nos brindar com a seguinte notícia:

    ” GURGEL PEDE ARQUIVAMENTO DE PROCESSO NO STF ” (Estado de São Paulo- Eugênia Lopes))

    ” PARECER ENVIADO NA ÚLTIMA SEXTA-FEIRA PELO PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA, ROBERTO GURGEL, AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RECOMENDA O ARQUIVAMENTO DE INQUÉRITO CONTRA O DEPUTADO STEPAN NERCESSIAN (PPS-RJ). O PARLAMENTAR RECEBEU , EM 2011, R$ 175 MIL DO CONTRAVENTOR CARLOS AUGUSTO RAMOS, O CARLINHOS CACHOEIRA, PRESOM PELA POLÍCIA FEDERAL NO DIA 29 DE FEVEREIRO.

    DIZENDO SER AMIGO HÁ MAIS DE 20 ANOS DO BICHEIRO, NERCESSIAN EXPLICOU QUE R$160 MIL SE REFERIAM A UM EMPRÉSTIMO, JÁ SALDADO, PARA A COMPRA DE UM APARTAMENTO. O RESTANTE DO DINHEIRO ELE TERIA USADO PARA A COMPRA DE INGRESSOS PARA O9 DESFILE DE ESCOLAS DE SAMBA DO RIO. “A SENSAÇÃO DE JUSTIÇA É UMA DAS MAIORES ALEGRIAS QUE UM HOMEM PODE TER” , COMEMOROU O DEPUTADO , AO SABER DA DECISÃO DO PROCURADOR GURGEL”

    Depois desses exemplos, todo o trabalho do ministro Lewandowski, tão bem explicado pelo JOTAVÊ, de tentar comprovar que estava havendo uma mudança de jurisprudência no STF se mostra pura fantasia. O que está havendo é um julgamento de excessão. Não têm sequer o pudor de esperar acabar o julgamento da ação 470, para voltar aos procedimentos anteriores. Mesmo durante esse linchamento do PT, os “honrados ministros” são humildemente compelidos a defenderem os seus amiguinhos e fazerem tudo aquilo que seu mestre (a mídia) mandar.

    Mais do que nunca está valendo o deboche: Para os amigos tudo, para os inimigos a Lei. Ou se não tiver na Lei… a mágica.”

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-papel-de-gurgel-em-um-mes-de-julgamento

  143. Chesterton said

    Suprimida a liberdade de imprensa, criminalizadas quaisquer manifestações públicas de protesto, o Estado militarizado teve carta branca para prender sem justificativa, torturar e matar cerca de 400 estudantes, trabalhadores e militantes políticos (dos quais 141 permanecem até hoje desaparecidos e outros 44 nunca tiveram seus corpos devolvidos às famílias – tema atual de investigação pela Comissão Nacional da Verdade).

    Esse número, por si só alarmante, não inclui os massacres de milhares de camponeses e índios, em regiões isoladas e cuja conta ainda não conseguimos fechar. Mais cínicas do que as cenas armadas para aparentar trocas de tiros entre policiais e militantes cujos corpos eram entregues às famílias totalmente desfigurados, foram os laudos que atestavam os inúmeros falsos “suicídios”.

    Maria Rita Kihel

    chest- milhares de indigenas e camponeses?

  144. Pax said

    Prezados,

    Vcs já condenaram o ZD?

    Antecipadamente?

    Não seria mais apropriado aguardar o pronunciamento do STF?

    Enviado via iPhone

  145. Edu said

    Esse negócio de mensalão tá muito chato…

    Ultimamente ando preferindo ver o Sakamoto nervosinho!

    Dêem uma olhada:

    http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2012/09/24/adoro-o-conservadorismo-paulistano-e-tao-kitsch/

  146. Zbigniew said

    Falar em conservadorismo, quando quer botar as garras de fora… a juíza (lá do Pinheirinho, lembram? Não?) pegou ar:

    A juíza Márcia Loureiro, da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, ingressou com uma representação criminal por calúnia, difamação e injúria contra Renato Bento Luiz, autor do samba-enredo “Covardia Nacional” (veja a letra abaixo), que foi apresentado no carnaval deste ano na cidade, no bloco “Acorda Peão”, que é organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos.

    A moradia é um direito constitucional
    Atacaram o Pinheirinho, covardia nacional
    Alckmin e Cury sujaram de sangue este chão
    Promessa de casa é até passar a eleição

    Sou vereador da situação
    Fiquei quietinho, o Pinheirinho está no chão
    Pinheirinho e estudante é um tormento
    Se juntaram e derrubaram meu aumento

    Desaproprie o Pinheirinho
    Dilma vem pra luta agora
    Pra mostrar a diferença dos tucanos
    tá na hora

    Prefeitura e a Justiça
    Comando do batalhão
    Mete bala em inocente
    e liberta o ladrão

    É Carnaval e o bandido vai pra farra
    gastar a propina do Naji Nahas

    Falou Eliana Calmon
    Espalha rápido essa droga
    Em São José já tem bandido de toga

    Vai ter punição, isto é Brasil
    Só que ela vem lá em 1º de abril

    A moral desta gente não se mede
    Dizia Cazuza: a burguesia fede”
    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/juiza-processa-autor-de-samba-enredo-sobre-pinheirinho

    E o povo desalojado do Pinheirinho, como está? Alguém viu na grande mídia?

  147. Edu said

    Pax,

    Não fomos nós que condenamos o ZD, foi ele mesmo que se condenou. A conduta altamente questionável de uma figura pública de sua importância sendo incapaz de agir com transparência não merece nenhum tipo de respeito.

    Ele é indigno de confiança, não é questão de ser ou não punido judicialmente.

    A esquerda brasileira, neste blog bastante bem representada, vive falando sobre as intenções:

    – Condenam a classe alta pelas intenções
    – Condenam jornalistas pelas intenções
    – Condenam a classe média conservadora pelas intenções

    Mas por incrível que pareça, as intenções do ZD nunca foram questionadas por estas pessoas, nem as reuniões de bastidores, nem o caixa-dois, nem a articulação política por trás da entrega de remessas de dinheiro a políticos de outros.

    Acho que no fim, Pax, aprendemos uma coisa com a esquerda brasileira: julgar alguém pelas intenções.

    E é esse o resultado que se vê, independentemente do aval da justiça.

  148. Zbigniew said

    Sejamos francos.

    O ZD era o operador político do governo Lula no seu primeiro mandato.

    A ele caberia a ocupação dos espaços deixados pela “social democracia” envergonhada e neoliberada. Para isso tinha que sujar as mãos, embora pudesse renunciar a realpolitik. Mas aí abriria mão da base de sustentação e o governo cairia na primeira dificuldade política.

    O ZD não é um santo e não se está dizendo isto aqui. Poderíamos dizer até que ele nasceu para isto, ser o “Machiavelli” do governo. Não à toa que a primeira pasta a ser visada pela velha mídia é a da Casa Civil, onde se operam as estratégias políticas do governo. E o ZD tava lá.

    Resumir o mensalão a uma simples limpa da corrupção no sistema político brasileiro é de um simplismo e inocência enrubescedores.

    Mas faço uma crítica à esquerda brasileira: a de não saber ser um poder político “de facto”. Deixar um vácuo por medo de tulmutuar ou debilitar o sistema político. Mas como se isto já está sendo feito, a partir do momento que um ministro chama um presidente às falas; vai às páginas de um panfleto para vomitar impressões e acusaões veladas; são feitas reportagens com o único intuito de enfraquecer uma presidenta e diuturnamente busca-se desqualificar ou criminalizar um ex-Presidente?

    O que vai acontecer, neste passo, é que poderemos ter, em breve, um governo bem mais ao centro (politicamente falando), correndo-se o risco de perder os ativos de estado que se tornaram as políticas sociais dos governos Lula e Dilma Rousseff.

  149. Edu said

    Estou comovido com a declaração do Zbig.

    Não é a todo momento que vemos alguém tão à esquerda assumir que a corrupção e ações maquiavélicas como única forma de enfrentar a verdadeira democracia.

    Conte-nos mais Zbig: qual seria o poder político “de facto” que vc imagina? Esse poder político que tumultuaria ou debilitaria o sistema político?

  150. Zbigniew said

    Caro Edu,
    reconheço que para o vulgo e os de pensamento monofásico fica difícil compreender as nuances do exercício do poder, tanto no que se refere às políticas de estado, quanto de governo. Ao vulgo tem-se a compreensão de que suas ocupações em sobreviver são mais urgentes do que dar ouvidos a teorias ligadas à ciência política. Não faria nenhum sentido. Mas os de pensamento monofásico pecam por buscarem em fontes de viés único a explicação para os fatos, e pior, dar a tais fontes a credibilidade que não merecem. Só temos a lamentar.
    Mas, não leve para o lado pessoal. Apenas digo que certa coisas acontecem no que se refere ao exercício do poder porque quem está no poder permite que isto aconteça. Ora porque não tem coragem de tomar as medidas que devia, ora porque simplesmente não sabe exercê-las.
    Vou te dar um exemplo. Há pouco um louco e estúpido resolveu divulgar na internet um vídeo ofendendo Maomé. Por causa desta loucura condenou muitos à morte, inclusive autoridades diplomáticas dos EUA. O governo norte-americano ficou em maus lençóis sendo acusado pela oposição republicana como vacilante. Mas o fato foi de tal gravidade que a oposição ficou falando sozinha. Doutra feita o sítio Mother Jones divulgou um vídeo em que o candidato republicano, num discurso franco no que se refere à ideologia do seu partido, acusou que a maioria dos eleitores do Obama querem viver às custas do Estado, em detrimento daqueles que pagam impostos e geram riqueza. Isto gerou uma saia justa para os Republicanos que certamente deverá trazer problemas eleitorais para o partido. Você acha que tudo isto foi obra do acaso? Teoria Conspiratória? Exercício de um poder “de facto”? A democracia americana foi vilipendiada por tais atos?

  151. Michelle said

    http://www.brasil247.com/pt/247/poder/81347/E-tudo-come%C3%A7ou-com-a-venda-de-Alencar-ao-PT.htm

  152. Chesterton said

    eu fico espantado com o Sakamoto, que faz absoluta questão de afirmar o oposto ao senso comum. Acho que ele foi mentalmente estuprado na infancia, “damaged”.

  153. Jose Mario HRP said

    Bom dia.
    O ótimo e elucidativo texto de Breno Altman , diretor técnico do Ópera Mundi, mostra bem o que é e sempre foi o STF, que de guardião da constituição acaba sendo balcão politico.
    E a tal lei que ainda vige e que segundo Ayres Brito não vale?
    Portanto posta-se nesse momento “dito histórico” a mais nova evidencia do velho hábito daquele tribunal de praticar julgamento de conveniência.
    Santidade alí não existe apesar das inúmeras tentativas de lavagem cerebral que vemos blogosfera afora e na PIg.

  154. Jose Mario HRP said

    Chestinho voce não gostou do post do Saka sobre o conservadorismo paulistano?
    De voce não poderia esperar algo diferente!
    Mas o post é sensacional….. e deprimente!

  155. Jose Mario HRP said

    Santificado seja:

  156. Pax said

    Até agora temos o seguinte resumo do julgamento, no que se refere ao núcleo político:

    1) Núcleo PP

    a) Pedro Corrêa
    – corrupção passiva: 2 votos pela condenação
    – lavagem de dinheiro: empate de 1 a 1
    – formação de quadrilha: 2 votos pela condenação

    b) Pedro Henry
    – corrupção passiva: 1 voto a 1
    – lavagem de dinheiro: 1 voto a 1
    – formação de quadrilha: 1 voto a 1

    c) João Cláudio Genu
    – corrupção passiva: 2 votos pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 1 voto a 1
    – formação de quadrilha: 2 votos pela condenação

    d) Enivaldo Quadrado
    – lavagem de dinheiro: 2 votos pela condenação
    – formação de quadrilha: 2 votos pela condenação

    e) Breno Fischberg
    – lavagem de dinheiro: 1 voto a 1
    – formação de quadrilha: 1 voto a 1

    2) Núcleo PL (atual PR)

    a) Valdemar Costa Neto
    – corrupção passiva: 2 votos pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 2 votos pela condenação
    – formação de quadrilha: 2 votos pela condenação

    b) Jacinto Lamas
    – corrupção passiva: 2 votos pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 2 votos pela condenação
    – formação de quadrilha: 2 votos pela condenação

    c) Antônio Lamas
    – lavagem de dinheiro: 2 votos pela absolvição
    – formação de quadrilha: 2 votos pela absolvição

    d) Bispo Rodrigues
    – corrupção passiva: 2 votos pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 1 voto a 1

    3) Núcleo PTB

    a) Roberto Jefferson
    – corrupção passiva: 1 voto pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 1 voto pela condenação

    b) Emerson Palmieri
    – corrupção passiva: 1 voto pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 1 voto pela condenação

    c) Romeu Queiroz
    – corrupção passiva: 1 voto pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 1 voto pela condenação

    4) Núcleo PMDB

    a) José Rodrigues Borba
    – corrupção passiva: 1 voto pela condenação
    – lavagem de dinheiro: 1 voto pela condenação

    — Fonte -> http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-09-24/lewandowski-condena-valdemar-costa-neto-por-formacao-de-quadrilha

    Difícil rejeitar a condenação de Valdemar da Costa Neto. Conhecido político que compõe o que há de pior no nosso Congresso.

    Tenho gostado um bocado do debate, da visão divergente do ministro Lewandowski neste julgamento. Ao menos faz com que a gente entenda que nem todas as interpretações são iguais. Um bom exemplo é a questão da tipificação do crime de lavagem de dinheiro. Ao menos me fez entender um bocado a mais do zero que sabia do assunto. Agora sei zero mais 0,00001. Mas não posso dizer que nunca ouvi e nada sei do assunto.

    O ministro Joaquim Barbosa faz um ponto, o ministro Ricardo Lewandowski faz o contraponto e assistimos a nossa Suprema Corte debatendo e chegando em conclusões colegiadas.

    ==

    Continuo preocupado com a polarização exacerbada que o julgamento tem gerado. Entre nós, blogueiros antigos (e novos), sempre foi assim, sempre será, temos nossos espaços onde descarregamos nossas visões carregadas de todas as emoções. Faz parte do ser “blogueiro político”.

    A discussão mais relevante que temos visto é sobre a mudança de viés do STF, que teria cambiado sua posição mais garantista ou coisa que o valha.

    Aqui temos um ponto que me parece valer discussão, sim.

    Este blog se dedica, faz mais de quatro anos, a colecionar notícias sobre corrupção, desvios e anomalias, como todos sabem. E todos sabem, também, que considero este tema fundamental para que o país dê um passo à frente, em sua natural evolução democrata. Sabemos, por exemplo, que as sociais democracias dos países nórdicos passaram por momentos semelhantes. Eram países onde reinava a corrupção e suas sociedades mudaram o rumo e hoje se encontram em outro estágio com relação ao tema. São perfeitos? Não. Mas estão melhores que nós, por exemplo? Me parece que sim.

    Continuo achando que o curso dos acontecimentos é normal.

    Se por garantismo estivermos falando em todas as facetas, macetes e artimanhas para que políticos nunca sejam condenados, por conta de brechas e mais brechas em nossas leis, me permito estar de outro lado dessa torcida.

    Por fim, jamais deixo de me lembrar da gênesis do valerioduto e dos outros mensalões, incluindo aqui aqueles que rolam todos os dias na maioria dos municípios brasileiros. Tomara, sim, que tenhamos novas jurisprudências sendo firmadas e que ainda tenhamos a sorte de vê-las em prática nos rincões de todo o país.

  157. Chesterton said

    Vida na gaiola

    “Você nunca me ouviu sobre o processo e agora quer saber se estou preparado para ser preso? Ah! Vai se foder!”.

    Paulo Rocha, ex-deputado federal do PT paraense, suplente de senador e mensaleiro juramentado, na resposta a uma jornalista interessada em saber como encara a hipótese de uma temporada na gaiola, revelando pela linguagem que em menos de uma semana estará batendo um bolão no time do presídio.

    Tags: julgamento do mensalão, Paulo Rocha
    AN

  158. Jose Mario HRP said

    Sobre mudanças na forma de julgar do STF há um post no Reinaldo Azevedo(não tenho medo de ler para poder entender) em que o blogueiro vejista adverte seu público sobre uma tentativa de setores do meio judicial(advogados no caso) de produzir um movimento de condenação ao que eles consideram uma mudança rui na forma de julgar do STF, o que me trouxe duas conclusões, primeiro que a direita está com medo e aceita o fato que o STF mudou e que isso pode ser pouco ético e até ilegal, e segundo que tal mobilização tem o condão de mudar algo daqui para frente nesse julgamento.
    A forte ofensiva de Alvaro Dias e seus pares no Senado querendo impedir a sabatina de Teori Zavascki é mais um evidente sinal de que há muitos medos entre aqueles (no âmbito politico) que comemoram a punição aos esquerdistas envolvidos.

  159. Jose Mario HRP said

    ruim, sorry.

  160. Pedro said

    Pax # 156, muito boa análise, concordo.
    ……………………

    HRP, esta de “punir esquerdistas”, é conversa mole.

    São esquerdistas Valdemar da Costa Neto, Pedro Henry, Jacinto Lamas, Bispo Rodrigues, e tantos outros???
    Os donos do Banco Rural são esquerdistas?

    Pelamordedeus!

  161. Pedro said

    Esta sátira diz tudo sobre este discurso de vítima que o PT vem adotando:

    “Lula culpa forças conservadoras por barriga de Ronaldo

    The i-piauí Herald

    SÃO DIRCEU – Em comício realizado na churrascaria Fogo de Chão, Lula desmascarou uma conspiração da elite gastronômico-burguesa para inflar o ex-jogador Ronaldo Fenômeno.

    “As forças conservadoras nunca aceitaram que um menino pobre pudesse representar nosso país numa Copa do Mundo”, disse o ex-presidente em exercício. “Ronaldo passou dificuldades na infância, em Bento Ribeiro, numa época marcada pela ausência do Bolsa Família”, explicou.

    “Nunca antes neste país um líder fenomenal foi tão injustiçado, talvez só eu mesmo. Só falta o Pig inventar agora que o Ronaldo é dentuço, fuma, gosta de balada e enche a lata de cerveja”, disse Lula.

    “Ronaldo teve que engolir a ira da imprensa golpista”, discursou Lula.

    Ele ainda culpou as forças conservadoras pela falta de carisma de Fernando Haddad, pelo sucesso de Michel Teló e pelo declínio da novela Avenida Brasil. “Forças ocultas estão por trás da barriga do Ronaldo e da barriga incômoda da novela”, finalizou.”

  162. Michelle said

    Teori Zavascki e a sabatina.
    PERGUNTA: Vossa Excelência pretende participar do Julgamento AÇÃO PENAL 470 (Mensalão)?
    RESPOSTA: Me recuso a responder pelo Direito de não me “auto incriminar” perante… o regimento do STF.
    (estaria entrando no mérito….???)
    Esta resposta afronta a Constituição Brasileira.
    O regimento do STF, segundo Teori, ficou mais importante que a Constituição.
    Parece a 5a. emenda da Constituição Americana – Fifth Amendment (Amendment V):
    Isso é da cultura americana…Mas, no Brasil esta figura não existe.

    Estamos diante de outra jabuticaba:
    Juiz indicado para o STF se recusa a ser sabatinado em profundo alegando estar impedido de dar respostas a quaisquer assuntos envolvendo a realidade que nos cerca, sob pena de ser impedido de participar do julgamento corrente no STF.

    Este é o país dos petralhas!
    Senadores não podem inquirir nada fora do “protocolo” do STF?
    Podem sim. Mas não terão respostas adequadas.
    Fere o regimento do STF.
    E o Legislativo que se conforme.
    Ardil 22! pra quem assistiu.
    Então…
    Afinal pra que serve a sabatina?

    Este juiz está começando mal. De acordo?
    O velho Sarney depois desse desempenho sofrível do magistrado resolveu adiar a sabatina para depois das eleições.

  163. Jose Mario HRP said

    “A bela frase de Luis Gonzaga Belluzzo na Carta Capital: Invocar a virtude, a honestidade ou os bons propósitos para contestar a impessoalidade e o formalismo da lei é a maior corrupção praticada contra a vida democrática.”

  164. Michelle said

    Belluzo já bebia muito em 2001/2002/2003 quando sai do Brasil…Litros no Rodeio da Hadock Lobo …Sou testemunha.
    Agora anda cometendo frases aparentemente belas.
    No Rodeio da Hadock Lobo …?

    Quem está contestando a impessoalidade e o formalismo da lei?
    Apenas os petralhas …

    caiu a ficha, idiota?

  165. Jose Mario HRP said

    Quando se apela aos hábitos da bebida é que os argumentos começaram a faltar?
    Hummmmmmmmm……
    O STF, como o diretor do Ópera Mundi bem demonstrou, torna a mesmice do último século:
    SAe verga ao capital udenista.

  166. Edu said

    Zbig,

    A idéia de “monofásico” definitivamente não me serve, pode ficar tranquilo.

    É que eu quis dar uma visão mais “simples assim” sobre o que está acontecendo, para que o debate se estabeleça. Já fui em detalhes e na origem dos fatos aqui muitas vezes, eu mesmo me dei mal e admiti isso quando ocorreu… é que ultimamente vcs andam se dando muito, mas muuuito mal. Só que não tem coragem de admitir! Simples assim, e falando nisso, e já que é a linguagem, vamos lá:

    Afirmação 1: O poder só é legítimo democraticamente se é exercido dentro dos limites da lei estabelecidos. Concorda?

    Afirmação 2: Quem está no poder, não pode atuar contra a lei estabelecida. Concorda?

    Afirmação 3: Se há uma lei estabelecida sobre a liberdade de expressão, quem está no poder não pode atuar contra esta lei. Concorda?

    Zbig,

    Vamos recaptular: se vc acha que o “poder de facto” passa por alguma nuance em que implique na RELATIVIZAÇÃO de qualquer dessas 3 afirmações acima, eu só posso chegar à conclusão de que esse “poder de facto” seja qual for a nuance é ilegítimo e antidemocrático (afirmação 1), e, portanto, ensejar que o PT só foi melhor porque não exerceu seu poder “de facto” significa apenas 1 coisa: ações fora da lei.

    Daí a minha comovida reação às suas afirmações, mas posso ter entendido errado, claro.

    Por isso pedi que esclarecesse, mas por favor, posto que eu sou “monofásico”, vc poderia ser mais objetivo em sua explicação? Tipo assim, dar um exemplo concreto do que aconteceu e do que o governo deveria ter feito “de facto”?

    Obrigado

  167. Edu said

    O Kotscho, mais uma vez, mostrando seu lado isento:

    (impossível de colocar o link por causa do wordpress)

    É muito bom ver um texto desses, acho que a população inteira deveria ler um texto desses, afinal, é um símbolo do jornalismo isento.

    Ps: Só corrigindo o Kotscho: não é a imprensa, nem o STF que buscam desconstruir a imagem do Lula. O Lula está se encarregando de fazer isso por si próprio, como eu disse acima ao Pax, a imprensa faz o que é paga para fazer: mostrar o trajeto dele. Como se o Lula não gostasse de aparecer na mídia… pffff….

  168. Zbigniew said

    Por que o PIG, os direitistas, os monofásicos, por que, hoje, todos eles querem atingir o Lula com a novíssima jurisprudência feita sob medida para este caso.

  169. Zbigniew said

    Por que o PIG e os monofásicos têm ódio do Lula? Sei lá! Vai ver é patológico.

  170. Zbigniew said

    E a história pode se repetir com o PIG e seus apaniguados. Uma vaia para eles… nas urnas… porque ganhar (para eles), só no tapetão.

  171. Pax said

    Buenas, falei acima sobre a questão que me parece pertinente do garantismo ou não do STF.

    Mas há outra, e bem importante.

    Que é a comprovação ou não da compra de votos no Congresso. Senão vejamos…

    A maioria dos ministros já aceitou que qualquer político que receba dinheiro “errado” é um corrupto passivo. Mas há, segundo entendi, uma divergência de juízos sobre se a dinheirama recebida foi ou não para comprar banana estragada, quer dizer, comprar votos de políticos e bancadas para assuntos de interesse do governo.

    Segundo o que vi – e posso estar errado, quero mesmo é colocar em discussão – o ministro Joaquim Barbosa está convencido que a dinheirama era para comprar votações, tais como reforma previdenciária, política ou algo que o valha. E pelo que me parecece o ministro Ricardo Lewandowski não acompanha esse entendimento, acha que era dinheiro para os caixas 2 dos partidos, para campanhas – acho que municipais de 2004. Acho que o quadro é esse.

    Fica essa questão que me parece importante. Se houve compra de banana podre, quer dizer, de votos no Congresso, a coisa toma uma dimensão diferente de grana para apoiar campanhas políticas.

    Algo como estupro com morte ou o modelito mais ameno, do Paulo, aquele que diz “estupra, mas não mata”.

    Desculpem-me a ironia pouco fina, mas é mais ou menos como estou entendendo a situação.

  172. Jose Mario HRP said

    http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/2012/09/manifesto-condena-transformacao-de-julgamento-do-mensalao-em-espetaculo

    Nomes de peso nesse documento.

  173. Pedro said

    Sou mais o Tutty:

    “Eu, hein!

    Que diabos o cinema brasileiro, Luiz Carlos Barreto à frente, tem contra a chamada “espetacularização” do julgamento do mensalão?

    Se fosse nos EUA, os caras de Hollywood estariam brigando pelos direitos da versão cinematográfica da história.”

  174. Chesterton said

    O manifesto é firmado por quase 300 artistas, escritores, acadêmicos e ativistas. Entre os apoiadores estão o jornalista e escritor Eric Nepomuceno, o cantor Jorge Mautner, o professor e economista Ladislau Dowbor, o ator Hugo Carvana, o arquiteto Oscar Niemeyer e os sindicalistas Vagner Freitas, Sérgio Nobre e Juvandia Moreira.

    chest- aí, HRP, gostei do carvana, peso importantíssimo.

  175. Pax said

    Confesso que:

    1 – Sim, a questão da presunção de inocência é importante pacas. Algo como tirar um pé de um tripé da Democracia. A gente tem que se lembrar que um dia podemos ser réus também. E se esse infortúnio acontecer, de sentarmos no banco dos réus, com certeza vamos querer todos nossos direitos de defesa preservados. Este ponto, pra mim, é pacífico, fundamental.

    2 – Também não sei porque justo agora algumas pessoas, mesmo que das mais respeitáveis, reclamam da espetacularização do Judiciário. Ao contrário, acho que o julgamento do mensalão, mensalinho, de tucanos, petistas, demos, gregos, troianos, farieus e filisteus, qualquer que seja, melhor que sob holofotes que sem conhecimento público.

    Caro Pedro, salvo engano nos EUA os julgamentos da Suprema Corte não são televisionados.

  176. Michelle said

    Mensalão na campanha é golpe, sim senhor!

    É um golpe duro na biografia do ex-presidente Lula. É um golpe de misericórdia no projeto de poder do PT. É um golpe duro nos candidatos petistas que se aventuraram nesta eleições.

    Para o País, com certeza é um golpe de sorte. Vai-se reescrevendo a história, reposicionando cada um dos protagonistas do esgoto moral em que a licenciosidade do governo petista transformou a República.

    É golpe, sim. Um golpe certeiro em quem tentou golpear as instituições anulando a consciência do parlamento com o jabaculê desviado do Banco do Brasil. Um contragolpe ?

    Mas, digam o que disserem os golpistas — os verdadeiros, aqueles que atacam o Supremo, a Imprensa e a liberdade de expressão — nao é golpe de Estado.

    Ao contrário. Com o encarceramento dos ladrões e dos safados que assaltaram — ainda que em nome de Deus, como os cruzados — golpeada está qualquer tentativa de golpe. Como aquele da BESTA, do partido da BESTA e do BESTEIROL que se tem deitado na mídia a soldo do Hades petista.

    Definitivamente a democracia precisa de mais golpes assim.

    Fabio Pannunzio

  177. Jose Mario HRP said

    Avaliação do governo Dilma bate novo recorde e sobe de 59% para 62%, aponta CNI/Ibope
    Golpe de misericórdia no projeto de poder do PT?
    Não está batendo alguma coisa nesse calculo aí!
    Depois da campanha pífia do Serra esse anos, acho que quem recebeu bala de prata de misericórdia foi ele!

  178. Otto said

    Do Blog do Mello:

    Será que estamos às vésperas de uma tentativa de golpe no Brasil ou é só a mídia golpista ferroando o sapo que a carregou?
    Posted: 26 Sep 2012 06:16 AM PDT
    Ultimamente se está falando muito em golpe no Brasil hoje, à moda de 1964. Tem a ver? Quais as semelhanças (além de nossa mídia eternamente golpista) e diferenças entre o período em que vivemos hoje e aquele início dos anos 60?

    A série que deveria ter virado filme (por que ainda não?) “O Dia que durou 21 anos”, exibida na TV Brasil (nossa TV pública, e só nela, frise-se), a mais importante série documental produzida no Brasil nos últimos tempos, ajuda a mostrar os bastidores daquela época e do golpe de 1 de abril de 1964 para que possamos fazer uma comparação com o momento em que vivemos.

    O que você acha, após assistir ao documentário? Estamos vivenciando uma tentativa de golpe ou é só a mídia golpista se assanhando com a derrota de Serra em São Paulo, que lhes vai tirar uma boa fonte de subsistência?

    Nem a ditadura militar ousou dar o golpe constitucional do tucano FHC, que comprou a emenda de sua reeleição
    Posted: 25 Sep 2012 09:23 AM PDT
    A ditadura civil-militar governou nosso país de 1964 a 1985. Foram 21 anos de golpe, tortura, violência, censura, prisões arbitrárias, exílio, assassinatos. Judiciário, Legislativo, imprensa, movimentos sindicais, estudantis, tudo censurado, reprimido.

    Mas uma coisa os militares não ousaram, rasgar a Constituição e impor a reeleição. Havia eleições, indiretas, impostas, mas saía um ditador, entrava outro.

    Somente com o Príncipe dos Sociólogos, o ídolo dos ídolos de nossa mídia corporativa, o homem que vendeu o Brasil e não recebeu, Fernando Henrique Cardoso, é que o Brasil rasgou a Constituição e, através de uma emenda comprada, com dinheiro vivo, de corrupção, a reeleição passou a valer no Brasil, e já para Fernando Henrique.

    Como disse, nem os militares, que torturaram, exilaram, assassinaram, ousaram tanto.

    No Norte, nos estados do Amazonas, Acre, Roraima, deputados foram comprados por R$ 200 mil cada, segundo reportagem publicada pela Folha. Fernando Rodrigues teve acesso às gravações que mostraram todo o esquema.

    Se foi assim no Norte, quanto não foi negociado no restante do país?

    Confira aqui a reportagem de maio de 1997 de Fernando Rodrigues: Deputado diz que vendeu seu voto a favor da reeleição por R$ 200 mil.

    A seguir, trecho incial da reportagem:

    O deputado Ronivon Santiago (PFL-AC) vendeu o seu voto a favor da emenda da reeleição por R$ 200 mil, segundo relatou a um amigo. A conversa foi gravada e a Folha teve acesso à fita.
    Ronivon afirma que recebeu R$ 100 mil em dinheiro. O restante, outros R$ 100 mil, seriam pagos por uma empreiteira -a CM, que tinha pagamentos para receber do governo do Acre.
    Os compradores do voto de Ronivon, segundo ele próprio, foram dois governadores: Orleir Cameli (sem partido), do Acre, e Amazonino Mendes (PFL), do Amazonas.
    Todas essas informações constam de gravações de conversas entre o deputado Ronivon Santiago e uma pessoa que mantém contatos regulares com ele. As fitas originais estão em poder da Folha.
    O interlocutor do deputado não quer que o seu nome seja revelado. Essas conversas gravadas com Ronivon aconteceram ao longo dos últimos meses, em diversas oportunidades.

    Esse sim é o maior escândalo de corrupção de nosso país.

  179. Chesterton said

    executa o Ronivon e praça pública!

  180. Chesterton said

    “O fato de ele ter notório saber jurídico é que torna mais contundente a crítica de que ele sabe, melhor do que ninguém, que não houve lavagem de dinheiro nem crime de peculato”.

    José Dirceu, acusado de chefiar a quadrilha do mensalão, sobre o ministro Joaquim Barbosa, mostrando que voltou da casa da mãe cada vez mais convencido de que, pensando bem, é inocente.

    an

  181. Pax said

    Pau comeu no STF. De novo. Já passa, no meu entendimento, dos limites do razoável.

  182. Jose Mario HRP said

    Uma voz forte que não tem medo de colocar o dedo nas feridas que se exigir!

  183. Jose Mario HRP said

    Joaquim Barbosa precisaria dum tratamento psicológico?
    Ontem disparou criticas descabidas num excesso nunca dantes visto.
    Até no linguajar ele excedeu-se!
    Até que ponto seu assédio moral influencia ,hoje, o voto e as cabeças dos outros ministros???

  184. Jose Mario HRP said

    Zbigniew,Otto e Patriarca, aqui um momento de relax:

  185. Pax said

    Por problemas meus… é isso que vejo quando vcs colocam um link youtube

    The connection was reset

    The connection to the server was reset while the page was loading.

    * The site could be temporarily unavailable or too busy. Try again in a few
    moments.

    * If you are unable to load any pages, check your computer’s network
    connection.

    * If your computer or network is protected by a firewall or proxy, make sure
    that Firefox is permitted to access the Web.

    Viver num país onde as empresas mandam no governo, chegam a comprar os governos, são donas das agências que deveriam regulá-las, dá nisso.

    Concordo, caro HRP, o ministro Joaquim Barbosa, infelizmente, passou dos limites ontem.

  186. Pax said

    http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-09-26/relator-e-revisor-do-mensalao-travam-novo-embate-durante-julgamento

  187. Jose Mario HRP said

    Paz, é ruim para o blog colocar esses videos do youtube?
    Pergunto porque meu filho, que vai se formar em jornalismo esse ano, tem dois blogs e por ele sei que manter um blog saudável é complicado.
    Se for o caso , de antemão peço desculpas , se soubesse não incorreria nesse erro.
    Abs!

  188. Patriarca da Paciência said

    Caro HRP e PAX,

    sinceramente, começo a duvidar que o Barbosão esteja em condições psicológicas adequadas para julgar um processo de tamanha relevância.

    Tem um comportamento autoritário e agressivo bem além do normal.

  189. Pax said

    Caro HRP

    O problema é meu, nao teu. Ê q como meu link é como a ANATEL, uma merda, nao consigo ver nada.

    Eu q peço desculpas.

    Enviado via iPhone

  190. Pax said

    Caro Patriarca,

    Dê os devidos descontos para ele, Gurgel etc.

    Nunca vi serem tão atacados. Muitas das vezes de forma q qq um de nós perderia as estribeiras.

    Mas acho q ontem passou do tom, sim.

    Enviado via iPhone

  191. Pax said

    O Zé Maria, presidente nacional do PSTU, um partido bastante radical de esquerda, até que falou bem. Saca só:

    http://congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/colunistas/sobre-mensalao-hipocrisias-e-fraude/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:congressoCongressoemFoco

    Como o colegas trazem os radicais de direito, não custa olhar o outro lado, também.

  192. Zbigniew said

    Caríssimos,

    interessante foi ver o Barbozao reclamar que o Revisor não teria disponibilizado o voto no sistema do Plenário. Não sei como e no STF mas, em regra, os tribunais que usam sistemas de gerenciamento de sessões admitem a disponibilizacao dos votos durante a sessão. O que não e obrigatório. Agora, tratar o fato do ministro Lewandowsky não disponibilizar o voto como falta de transparência e forcar a barra. Ao que parece o Joaquim Barbosa era quem devia estar no lugar do PGR.

  193. Jose Mario HRP said

    Acho que as intervenções do Marco Aurélio Mello demonstram bem o quanto está incomodando o comportamento do J.Barbosa.
    Aliás quanto a ataques a ele, posso até aceitar como parte da origem de suas diatribes, mas de resto é velha sua condição de pavio curto beirando a grosseria..
    Depois, ele estar inseguro e nervoso seria normal se fosse alvo de criticas por parte de toda a corte, mas a grande maioria do juizes segue seu relatório e ações.
    Porque essa insegurança e inflexibilidade?
    Depois do Mensalão ele será o presidente, e pergunto, com que equilíbrio?

  194. Pax said

    Enviado via iPhone

  195. Pax said

    #193:

    Com o equilíbrio que for necessário. Aliás, entre nós, o ministro Ayres Brito tem sido muito competente. Se formos falar de equilíbrio, este, do Brito, me parece bem adequado.

    #139 e #140

    — acho que as duas formas são válidas, mas a segunda me soa melhor.

  196. Michelle said

    Lewandoski hoje no julagamento do Mensalão, mostrou pelo menos 2 fragilidades:
    -ao tentar vincular a viagem à Portugal a Dabiel Dantas naquela manifestação intespentiva e..
    – ao reclamar do quorum após a saida dos membros do TSE…
    Parece que ele perdeu a vergonha.

  197. Jose Mario HRP said

    Apenas uma opinião ou mediunidade?
    http://saraiva13.blogspot.com.br/2012/09/o-stf-nao-merece-ter-barbosa-na.html

  198. Zbigniew said

    Vamos aos efeitos práticos do mensalão (segundo a ótica e o desejo da velha mídia): o PT sairá enfraquecido dessas eleições? E mais: vai conseguir chegar ao segundo turno em São Paulo? Pronto: e por aí que veremos a utilidade da espetacularizacao deste julgamento. Se em São Paulo o Haddad for para o segundo turno e o PT, mesmo perdendo algumas cidades importantes, mantiver ou conquistar outras, então as favas com a jurisprudência. Jurisprudência morta e jurisprudência posta.

  199. Jose Mario HRP said

    A ilação maliciosa de Joaquim Barbosa de que Marco Aurélio Mello chegou ao STF por ser parente de Collor é no mínimo desrespeitosa!
    Aguardemos a presidencia dele!
    Vejo tempos difíceis pela frente.

  200. Zbigniew said

    O Joaquim Barbosa está se revelando anti-democrático. Quer a qualquer custo impor seu ponto de vista, e suas conclusões ao Revisor. Não satisfeito parte para a desqualificação dos pares que tentam trazê-lo de volta à razão. É uma pena. Um ministro que tem uma história de vida de superação num país racista como o Brasil. Esperava um exemplo de sobriedade e justiça, o que, neste caso e na forma como está conduzindo o seu voto, ele que é egresso do Ministério Público, parece estar longe de acontecer. Como bem explanado no vídeo acima postado Pelo HRP, assumiu às vezes do MP, adotando “ipsis literis” a tese do PGR. Impressionante!

  201. Pax said

    Nada bom:

    http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2012/09/27/marco-aurelio-e-joaquim-barbosa-se-atacam/

  202. Jose Mario HRP said

    Coloco aqui esse endereço com a mais profunda triteza pois a força dessa perda e derrota constrange a todos homens honestos e decentes:
    http://amoralnato.blogspot.com.br/2012/09/mais-um-blog-sufocado-por-acoes.html

  203. Pax said

    Ministra Cármen Lúcia mandou bem, no meu entendimento

    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/9/28/carmen-jovens-nao-devem-desistir-da-politica

  204. Chesterton said

    quando Lula nomeou Barbosão ele era a salvação da “raça”, agora atiram pedras nele….graaande estadista esse Lulla.

  205. Zbigniew said

    Embora ache um erro político do Lula a indicação do Joaquim Barbosa e outros ministros do STF é neste ponto que ele se diferencia de FHC. Enquanto o sociólogo utilizou da prerrogativa para nomear ministros como o Gilmar Mendes e o PGR que, na verdade, atuava como engavetador, o Lula respeitou a indicação de cada categoria (exceto com o Toffoli, quando viu que na política não existem inocentes e não existe vácuo).

  206. Edu said

    E o nosso ministro da fazenda que não sabe fazer contas?

    Como esse cara erra… pelo amor…

  207. Chesterton said

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/1160913-lider-sem-terra-e-condenado-pelo-tcu-a-devolver-r-25-mi-por-desvio-de-recursos.shtml

  208. Chesterton said

    A ideologia da esquerda, baseada na inveja, na incapacidade e na preguiça acaba sempre em ladrões fazendo tudo para fugir da cadeia…

  209. Michelle said

    Sobre o Mantega…ele acertou com margem de erro de +/- 3%
    alguem já disse.
    ….

    Após crítica de petista, Aécio reage e chama Haddad de ‘idiota’

    O senador Aécio Neves (PSDB-MG) chamou de “idiota” nesta sexta-feira (28) o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, ao comentar afirmação do petista feita na noite anterior, em ato de campanha com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo.

    Na ocasião, Haddad disse que o ex-governador mineiro (2003-2010) deveria “estudar” antes de pleitear o cargo de presidente da República –o senador é um dos nomes do PSDB cotados para 2014.

    Lula diz que oposição faz ‘jogo rasteiro’

    “Se Aécio quer ser presidente, estude um pouquinho, leia um livro por semana. Pode ser na praia de Ipanema”, afirmou o petista.

    Em Salvador para apoiar ACM Neto (DEM) na disputa da capital baiana, em meio a uma série de viagens para apoiar tucanos e aliados nas disputas municipais, o senador declarou:

    “Quero agradecer ao candidato Haddad por ter lançado a minha candidatura, mas vou deixar que o meu partido decida isso no tempo certo”, afirmou.

    “Como não acho que ele possa ser tão idiota como parece às vezes, certamente ele quis dar ali uma estocada no presidente Lula, talvez não satisfeito com a incapacidade que [Lula] demonstrou até agora para alavancar sua candidatura”, completou.

    Aécio classificou ainda de “desastrosa” a gestão de Haddad no Ministério da Educação. “O Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] talvez seja a moldura para mostrar a incompetência que foi a sua gestão”, disse.

    O senador também ironizou o desempenho de Haddad nas pesquisas ao comentar que o petista “provavelmente terá férias forçadas” depois das eleições –segundo levantamentos de intenções de voto, o PT disputa uma vaga no segundo turno na capital paulista com José Serra (PSDB), na disputa liderada por Celso Russomanno (PRB).

    “Até vou sugerir a ele, nas férias forçadas que provavelmente terá a partir de domingo, que ele inicie lendo a biografia de São Francisco de Assis. Um pouco de humildade, se não fizer bem ao homem público, cuja carreira caminha para terminar de forma precoce, fará dele uma pessoa melhor no futuro.”

    Pergunta rápida?
    Afinal…lula seria chefe de facção ( Aécio Neves) ou chefe de organização criminosa (Marcos Valerio) ?
    Os votos da maioria do STF já deixaram claro:

    Não era Caixa2 e houve corrupção e lavagem generalizada de dinheiro público (peculato) para compra de votos de políticos de outros partidos. Está comprovado.Tecnicamente.
    O PT além de comprar deputados usou dinheiro roubado do contribuinte brasileiro (peculato) para fazê-lo. Até Dias Tofolli já concordou.
    Dizer que Lula não sabia de nada nesta altura do julgamento e atribuir toda a culpa ao Delúbio para movimentar pelo menos 73 milhões de reais (sem incluir a grana das empreitairas) para presentear partidos políticos é me chamar de BURRA.
    O PT elevou a corrupção a categoria ideológica. Para se manter no poder o PT faz de tudo. Beijo na boca, boquete, anal e até sado-mazoquismo pesado.
    Atribuir a sí próprio os méritos da Justiça (STF), no caso, é esquizofrenia galopante.
    Antes era Caixa 2 e depois era farsa e agora o mérito é dele.
    Lula está ficando Lelé.
    Assistir à decadencia do ILUMINADO é imperdível.

  210. Edu said

    A esquerda brasileira reclama que o FHC entregou o país para os gringos… e o PT entregou na mão de donos de ONGs.

    Alguém sabe dizer se as ONGs passam por algum tipo de auditoria, acompanhamento das contas, publicação dos resultados em algum lugar específico?

  211. Michelle said

    Edu.gov

    A esquerda brasileira reclama que o FHC entregou o país para os gringos… e o PT entregou na mão de donos de ONGs.
    Edu acrescento: mediante o pagamento do jabá – a propina.

    Alguém sabe dizer se as ONGs passam por algum tipo de auditoria, acompanhamento das contas, publicação dos resultados em algum lugar específico?
    Edu as ONGS não estão sujeitas a nenhum controle regular de transparência.
    Na maioria, são pequenas empresas constituídas pra abocanhar uma parcela do butim. Claro q nem todas.Existe gente séria trabalhando, sim, mas outras foram constituidas para receber grana do gov ou das estatais e pagar o jabá…
    Fraudar a receita e receber grana. Isentas de determinados impostos.
    Vide o caso do Bruno Maranhão:
    (da folha)
    Bruno Maranhão, dirigente do MLST (Movimento de Libertação dos Trabalhadores Sem Terra) e ex-integrante da direção nacional do PT, foi condenado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) a devolver R$ 2,5 milhões e pagar multa de R$ 300 mil por ter desviado recursos públicos repassados a uma ONG para qualificação de assentados.

    No Mensalão, o PT, confessam as defesas dos envolvidos, mandou uma alta grana + de 700 mil pra pagar o advogado do ex Dep. Ronivon Santiago, aquele que teria sido comprado pelo PSDB para votar pela reeleição em cargos executivos
    (reeleição do Presidente FHC).

    Veja relata o tema:
    http://veja.abril.com.br/infograficos/rede-escandalos/perfil/ronivon-santiago.shtml

    A grana roubada do BB/Visanet e o PT, pagando advogado do cara que teria sido comprado…pelo PSDB por 200 mil, e que foi processado pelo PT e aliados. E o PT ainda paga uma grana preta?

    É esquizofrênico ou não?

  212. Michelle said

    “Julgamento do mensalão não é vergonha, diz Lula

    lula admite que o Mensalão existiu, mas a culpa é deles ( e do FHC! é claro)

    Em ato para ajudar a candidatura do petista Fernando Haddad em São Paulo, na quinta-feira, Lula cita pela primeira vez o mensalão nesta campanha. Além de atacar tucanos, o ex-presidente disse que sente orgulho do combate a corrupção que fez em seu governo e “que ninguém tem que ter vergonha do julgamento do mensalão”.

    Veja a reportagem do Estado de S.Paulo: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,julgamento-do-mensalao-nao-e-vergonha-diz-lula,936892,0.ht

    Em ato de campanha de Fernando Haddad (PT) com estudantes, na noite de quinta-feira, 27, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou os tucanos e disse que ninguém deve ter vergonha do julgamento do mensalão. Para Lula, a população deve ter “orgulho” do combate à corrupção nos seus dois mandatos. Foi a primeira vez que Lula se referiu ao mensalão na atual campanha.

    “No nosso governo as pessoas são julgadas e as coisas são apuradas. No deles, tripudiam”, afirmou o ex-presidente, que acusou o PSDB de engavetar escândalos. “Na nossa casa, quando nosso filho é suspeito de cometer um erro, nós investigamos e não culpamos os vizinhos, como eles costumam fazer.” A reação de Lula foi provocada pela manifestação de um estudante, que causou constrangimento, no início da cerimônia com bolsistas do ProUni, ao levantar uma faixa com a inscrição “Renovação com Mensalão? PT do Lula tem o mensalão, PT do Haddad tem paralização (sic) na educação”.

    O estudante era do PSOL e foi hostilizado pelos colegas. Lula aproveitou a oportunidade para tratar da crise que atingiu o seu governo, em 2005, e tem sido usada pelo candidato do PSDB, José Serra, contra Haddad. Sem mencionar Fernando Henrique Cardoso, Lula disse que houve “compra de votos” para a aprovar a reeleição do antecessor, em 1997, e conclamou os estudantes a reagirem contra “mentiras”.

    “A gente não pode deixar de esquecer que o procurador-geral da República no tempo deles era chamado de engavetador. Vocês não podem esquecer da compra de votos para aprovar a reeleição neste País”, afirmou. “Se juntarem todos os presidentes da história do Brasil, vocês verão que eles não criaram instituições para combater a corrupção como nós em oito anos. Sintam orgulho porque, se tem uma coisa que fizemos, foi criar instrumentos para combater a corrupção.”

    De microfone em punho e sob aplausos, Lula prosseguiu na defesa de seu governo. “É só ver o que era a Controladoria-Geral da República, a Polícia Federal e o grau de liberdade do Ministério Público antes de nós”, insistiu, ao comentar que FHC fica “nervoso” com comparações dos dois governos.

    Ainda sem citar nomes, o ex-presidente fez referência indireta ao PSOL ao dizer que, em 2006, a imprensa tentou inflar a candidatura de uma ex-petista – Heloisa Helena – e pediu a Haddad que não responda ao “jogo rasteiro” de quem tenta ligá-lo ao mensalão. “Mais uma vez, aquele senhor que ofendeu a Dilma até onde ninguém jamais tentou ofender agora está ofendendo Haddad”, afirmou. Por fim, Lula pediu aos estudantes que façam “o milagre da multiplicação dos votos” para Haddad.

    ‘Xarope’. O candidato petista também endureceu em relação ao PSDB e à oposição. Atacou os críticos do “bolsa-esmola” e disse que Lula promoveu uma revolução na educação. “Essa revolução não seria feita por um doutor conservador, tinha de ser feita por um operário”, afirmou. Ao chamar a oposição de “xarope” por “torcer para que as coisas deem erradas”, o petista alfinetou o senador tucano Aécio Neves (MG). “Se o Aécio quer ser presidente, estuda um pouquinho. Lê um livro por semana. Dá uma lidinha em Copacabana.”

    À plateia formada por bolsistas do ProUni, o candidato fez uma ligação entre o programa e sua passagem como chefe de gabinete da Secretaria de Finanças da gestão Marta Suplicy. Haddad disse que o embrião do ProUni seria um programa de desconto no ISS em troca de bolsas universitárias, mas a ideia não vingou.”

    Lula virando lelé é imperdível. Esquizóide.

    antes
    MENSALÃO: Era mentira. Era Caixa 2 golpismo da midia conservadora e agora é obra do seu governo.

    agora
    “que ninguém tem que ter vergonha do julgamento do mensalão”

    “Se juntarem todos os presidentes da história do Brasil, vocês verão que eles não criaram instituições
    para combater a corrupção como nós em oito anos. Sintam orgulho porque, se tem uma coisa que fizemos, foi criar instrumentos para combater a corrupção.”

    O ILUMINADO criou Democracia. Tentou e conseguiu comprar o Legislativo. Abusou do Poder Executivo e criou o Poder Judiciário (STF) e no sexto dia descansou… e bebeu.

  213. Michelle said

    A HORA H – Dora Kramer
    Semana que vem o julgamento do mensalão vai pegar fogo. Dentro e fora do Supremo Tribunal Federal, onde começará a ser examinada a parte da denúncia relativa aos personagens que põem o PT direta e nominalmente no banco dos réus: José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.

    Até agora só desfilaram coadjuvantes naquela passarela. Operadores financeiros, facilitadores de negócios, espertalhões, aprendizes e professores de feiticeiros.

    Gente permanentemente conectada na oportunidade de levar alguma vantagem, para a qual importa pouco quem esteja no comando. Basta que os comandantes liberem a livre navegação pelas águas do poder.

    Esse pessoal já está condenado, sem despertar grandes suscetibilidades. A reação às condenações diz respeito ao indicativo de que podem também alcançar os réus que de fato interessam – os representantes mais graduados, entre os citados na denúncia, do projeto beneficiário do esquema de financiamento.

    Pois é a partir daí é que os ânimos realmente se acirram.

    Quem se espanta com divergências entre ministros do Supremo ou se apavora com o tom mais incisivo de um ou de outro não leva em conta as implicações de uma decisão colegiada envolvendo legislação, doutrina, agilidade de raciocínio, capacidade de encadeamento lógico e muito conhecimento acumulado em trajetórias jurídicas distintas entre si.

    De outra parte, quem vê despropósito na acusação de que o STF funciona como tribunal de exceção a serviço de uma urdidura conspiratória, não sabe o que é o furor de uma fera ferida.

    Muito mais além do que já houve ainda está para acontecer.

    Os ministros do Supremo vão discutir dura, detalhada e por vezes até asperamente todos os aspectos do processo, dos crimes imputados aos réus e das circunstâncias em que foram ou não cometidos, para mostrar as razões pelas quais condenam ou absolvem.

    Nada há de estranho, inusitado ou inapropriado nisso. Não é nos autos que os juízes falam? Pois estão falando neles e deles. É o foro adequado para a discussão. Se a interpretação da lei não fosse inerente à função do magistrado, um bom programa de computador que cruzasse a legislação com as acusações daria conta do recado.

    Descontados excessos de rispidez de um lado (do relator) e exageros na afetada afabilidade de outro (do revisor), os debates são apropriados e indispensáveis em caso de alta complexidade e grande repercussão como esse.

  214. Michelle said

    este vídeo é resposta ao #184

  215. Jose Mario HRP said

    O pequeno ditador procurador federal virou herói por enquanto!
    Mas todos sabemos que a direita se desfaz daqueles dos quais se utiliza interesseiramente, como se nunca dantes tivessem existido!
    Oxalá , depois da 470 ele na presidencia do STF arranje qualidades e limites, e porque não, serenidade que jamais demonstrou com a toga de juiz e de ministro da nossa corte constitucional.
    Do contrário teremos esse show de boçalidades diário do STF ad eternum!

    Mas aí a direita não precisará mais dele, então quem será por ele?
    KKK…

    Dora Kramer?
    Francamente, o que de pior existe nos editorialistas do estadão?

  216. Chesterton said

    Justiça bloqueia
    bens do
    secretário-geral do PT
    A Justiça de São Paulo bloqueou os bens do secretário-geral do PT, Elói Pietá, por irregularidades na construção de uma avenida, quando era prefeito de Guarulhos (PT). O obra, segundo a denúncia, provocou prejuízos de mais de R$ 47 milhões aos cofres públicos. Também foram congelados os bens do prefeito anterior, Jovino Candido (PV), e da construtora baiana OAS. Os acusados poderão recorrer.

    chest- No PT só dá ladrão, Lula é a origem de todo mal.

  217. Chesterton said

    http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/eleicoes-2012/o-mensalao-de-paes-video-mostra-presidente-de-partido-nanico-comemorando-acerto-de-um-milhao-de-reais-para-apoiar-reeleicao-de-prefeito/

  218. Pax said

    Será que o caro Elias está envolvido nessa?

    http://www.cartacapital.com.br/politica/edmilson-rodrigues-o-primeiro-prefeito-do-psol/

  219. Zbigniew said

    O efeito Pinheirinho?

    Pesquisa IBOPE/GLOBO para prefeito em São José dos Campos, divulgada ontem.

    Carlinhos Almeida (PT) – 56% das intenções de voto
    Alexandre Blanco (PSDB) – 27%
    Cristiano Ferreira (PV) – 2%
    Antonio Alwan (PSB) – 1%
    Ernesto Gradella (PSTU) – 1%
    Fabrício Correia (PSDC) – 1%
    Gilberto Silvério (PSOL) – 0%
    Branco/nulo – 5%
    Não sabe/não respondeu – 7%

  220. Chesterton said

    Confiantes na lentidão da Justiça e na amnésia nacional, os comandantes da ofensiva contra o Estado Democrático de Direito apostam na prescrição dos prazos e na discurseira sobre “falta de provas”. Acham que o processo dará em nada. Acham que, na pior das hipóteses, sobrará para os alevinos: como sempre, os peixes grandes escaparão. Acham, em resumo, que já não há juízes no Brasil.

    Lula e seus generais podem aprender tarde demais que a esperteza, quando é muita, fica grande e come o dono. A maioria dos ministros deve saber que, se os chefões da quadrilha forem absolvidos, o STF terá optado pela rota do suicídio. Os partidários da capitulação precisam ouvir a voz do país que presta: se for avalizada a falácia segundo a qual o mensalão não existiu, o Judiciário deixará de existir como poder independente.

    ,AN em fevereiro de 2011.

  221. Chesterton said

    Condenado pelo STF por corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro, o mensaleiro Henrique Pizzolato está em local ignorado — e, mais grave, pode estar fora do Brasil. Os computadores da PF registram que Pizzolato deixou o país em julho, pouco antes, portanto, do início do julgamento do mensalão, que começou no dia 2 de agosto. Não consta registro de retorno do ex-diretor do Banco do Brasil.

    Lauro Jardim

  222. Chesterton said

    STF autoriza abertura de nova fase nas investigações do mensalão
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    FLÁVIO FERREIRA
    EM BRASÍLIA

    O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de um inquérito para investigar repasses feitos pelo esquema para pessoas ligadas ao ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e a outros políticos petistas.

    Pimentel diz que repudia ligação de seu nome a episódio

    O novo inquérito, a ser instaurado na Justiça Federal em Belo Horizonte, também vai investigar repasses que beneficiaram pessoas ligadas aos deputados Benedita da Silva (PT-RJ) e Vicentinho (PT-SP), além de dezenas de outras pessoas e empresas que receberam dinheiro do mensalão.

    Essas pessoas não são parte do processo que está em julgamento no Supremo desde o início de agosto, porque os repasses só foram descobertos pela Polícia Federal quando a ação principal já estava em andamento no STF.

    A nova fase do caso foi inaugurada há pouco mais de um mês, após pedido da Procuradoria-Geral da República para que fossem aprofundadas as investigações sobre o destino do dinheiro distribuído pelo PT com a colaboração do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.

    O requerimento cita nominalmente Pimentel, Benedita e Vicentinho, dizendo que, como eles têm foro privilegiado, a investigação deverá voltar ao Supremo “caso surjam indícios concretos de que os valores arrecadados” destinavam-se aos três.

    A PF só conseguiu concluir o trabalho de rastreamento de dinheiro distribuído por Marcos Valério em 2011, cinco anos após a Procuradoria apresentar a denúncia que deu origem ao processo que está em julgamento no STF.

    Seguindo o caminho do dinheiro distribuído pelo empresário, a polícia chegou a Rodrigo Barroso Fernandes, em Belo Horizonte. Na época do repasse, em 2004, ele era coordenador financeiro do comitê da campanha de Fernando Pimentel à Prefeitura de Belo Horizonte, diz a PF.

    O inquérito, conduzido pelo delegado federal Luís Flávio Zampronha, apontou que Fernandes recebeu R$ 247 mil da agência SMPB, de Marcos Valério, em agosto de 2004.

    Em depoimento, ele disse que só daria declarações em juízo, de acordo com a PF. Num relatório sobre a investigação, Zampronha escreveu que Fernandes agiu assim para “encobrir o verdadeiro beneficiário” de recursos.

    As investigações também apontaram repasses para Carlos Roberto de Macedo Chaves, que teria feito dois saques no valor de R$ 50 mil em agosto e setembro de 2003. Segundo afirmou à PF, ele foi o contador da campanha da deputada em 2002.

    De acordo com a polícia, a origem desse dinheiro foi o fundo Visanet, controlado pelo Banco do Brasil e outras instituições financeiras. O fundo é apontado pela PF e pela Procuradoria-Geral da República como a principal fonte dos recursos que alimentaram o mensalão, e a maioria dos ministros do STF já concordou com essa tese.

    Em relação a Vicentinho, o inquérito apontou que o produtor audiovisual Nélio José Batista Costa recebeu R$ 17 mil da empresa Estratégia Marketing, de Marcos Valério, em agosto de 2004, “devido aos serviços prestados durante a campanha eleitoral do candidato Vicentinho para a Prefeitura de São Bernardo do Campo”.

    O pedido de abertura do novo inquérito foi feito em fevereiro e acolhido pelo ministro Joaquim Barbosa em 24 de agosto. A Justiça Federal de Minas já recebeu ofício do Supremo, mas pediu à corte novas informações para definir em qual vara criminal a apuração ocorrerá.

  223. Jose Mario HRP said

    Essa face do chest eu não conhecia!
    Paladino da pátria!
    Mas olha só lá em S.J. dos Campos a lavada!
    E não é só lá!
    Chesterton, pessoas ligadas?
    Um tanto vago não?

  224. Jose Mario HRP said

    A estréia mais aguardada em Brasília será em novembro possivelmente no final do mês, quando J.Barbosa no papel de presidente do STF!
    Fortes emoções!
    O espetáculo não tem definição acertada, ainda, podendo ser tragédia, comédia ou reallity show!
    Quem viver verá!

  225. Edu said

    Michelle,

    Sabe aquela história de lobo vestido de cordeiro?

    Pois é….

    Posso ser o maior preconceituoso do mundo, mas sempre achei que as ONGs eram uma inovação da esquerda para roubar o povo. Concordo que tenha gente séria, só que sem regulamentação e acompanhamento, impossível separar uma de outra…

    —-X—

    HRP e Zbig,

    No caso de SJ dos Campos, acho que o PT talvez fará um trabalho melhor que o PSDB lá mesmo. Neste caso, dou apoio ao PT.

    Só que, esse seu comentário, HRP, de que “…todos sabemos que a direita se desfaz daqueles dos quais se utiliza interesseiramente”. Na verdade eu fico em dúvida se é a direita que faz isso ou a esquerda.

    Marcos Valério, Roberto Jefferson, e o resto da corja condenada estão lá, segurando o rojão para o Zé Dirceu.

    Todos criminosos.

    Ou eles foram bastante úteis para o PT. O que o PT irá fazer com estes? Defendê-los por pura e simples “ética” do tipo: vc me defende que eu te defendo? Ou o PT irá admitir que eles são realmente criminosos e deixá-los apodrecer politicamente como realmente merecem? E nesse segundo caso, quem se desfez foi a esquerda.

  226. Zbigniew said

    Edu,
    o brasileiro tende ao pragmatismo nas eleições. No município a percepção e mais acurada na medida em que o universo em analise e bem menor e imediato. Se o prefeito não for um bom administrador vai perder votos com facilidade, ao contrario de uma eleição geral em que temos um universo mais amplo e complexo.
    O Pinheirinho e apenas uma das nuances de uma administração que, parece, não foi aprovada pela população. Pode sim, e muito, influenciar numa eleição.

  227. Michelle said

    Socialismo de resultados

    O PT sempre disse que saiu inadimplente das eleições de 2002 e por isso procurou socorro no Rural e no BMG.

    Ocorre que o partido foi o avalista dos empréstimos sem dispor de lastro para tanto. Portanto, o fiador de fato era o aparelho de Estado
    (e do comprovado peculato).

    Em miúdos: o PT ficou com o benefício e dividiu com a sociedade o prejuízo.

  228. Edu said

    Zbig,

    Não acho que é pragmatismo. É visão de curto-prazo mesmo.

    Já li e ouvi alguns políticos gringos dizerem que não se governa para os adultos, mas para as crianças, o brasileiro definitivamente não pensa assim.

  229. Zbigniew said

    Mas Edu,
    se o prefeito não gerencia bem uma cidade, cuida de ruas e avenidas, das calcadas, do saneamento básico e do transito, da educação de base e do meio ambiente, do serviço de transporte coletivo, enfim, se ele nao der razoavelmente conta desses serviços, sim, o povo nao vai quere-lo. E nao tem essa de blindagem pela mídia. Isso nao e visão de curto prazo, e pragmatismo. Embora alguns possam votar influenciado por ideologia, pertence a um universo muito pequeno em relação maioria da população.

  230. Michelle said

    Tenho vontade de dar uns tapas no ouvido deste tal de “acima citado brasileiro”. A culpa é do “brasileiro”.
    Mas prestem atenção no resultado:
    Pragmatismo deu resultados – A Educação no Brasil piorou.

    O mais grave dos riscos, por Miriam Leitão

    Miriam Leitão, O Globo

    O IBGE revelou uma notícia assustadora, mas não houve reação à altura. O Brasil tem um milhão quatrocentos e quinze mil crianças de 7 a 14 anos oficialmente analfabetas pelo registro da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad). E de 2009 a 2011 caiu — sim, é isso, caiu — o percentual de jovens de 15 a 17 anos na escola. Será que é assim que queremos vencer?

    A vastidão da tragédia educacional brasileira não caberia nesta coluna, e arruinaria — querida leitora, caro leitor — este seu domingo. Por isso vamos pensar juntos apenas em alguns números. Fomos informados dias atrás pelo IBGE que em 2009 o Brasil tinha 85,2% de jovens de 15 a 17 anos na escola.

    O que equivale a dizer que 14,8% não estavam, e isso já era um absurdo suficiente. Mas em 2011, a Pnad descobriu que o número tinha piorado e agora só há 83,7%. Aumentou para 16,3% o total de jovens nessa faixa crítica que estão fora da escola.

    Em qualquer país do mundo, que saiba a natureza do desafio presente, esses números seriam motivo para se fazer um escândalo, iniciar uma investigação, chamar as autoridades à responsabilidade. O ministro se desculparia, os educadores seriam entrevistados para saber como resolver o problema, os contribuintes exigiriam mais respeito com seus impostos, os pais se mobilizariam.

    Mas a notícia foi dada numa sopa de outros indicadores e sumiu por lá. Em alguns jornais foi destaque, em outros, nem isso.

    Como assim que em 2012 o país fica sabendo que tem menos — e não mais — jovens onde eles deveriam estar? E mesmo assim não se assusta, não reage? Difícil saber o que é pior: se a notícia em si ou a falta de reação diante da notícia.

    Os demógrafos já nos informaram que estão nascendo menos brasileiros, e que, por isso, a população vai parar de crescer. Os empresários estão dizendo que há um apagão de mão de obra, falta trabalhador qualificado.

    Nem que seja por uma mera questão econômica, de formação de trabalhadores, o país deveria exigir explicação das autoridades. Afinal, estamos jogando fora cérebros que serão necessários à economia.

    Mas a educação, evidentemente, não é só para formação de trabalhadores, como se fossem peças de uma máquina. É a única estrada que leva as pessoas à realização do seu potencial, a única forma de realmente incluir o cidadão, a melhor maneira de fortalecer a democracia.

    A taxa de analfabetismo no Brasil é considerada a partir de 15 anos. Com esse recorte etário, a taxa foi de 8,6% em 2011. Uma melhora em relação a 2009, quando era de 9,7%. Com mais de 15 anos temos 12,9 milhões de analfabetos.

    Mas se formos considerar quem não está na conta — os de 7 a 14 anos — existem mais 1,4 milhão de analfabetos. O problema desse número é que ele derrota a ideia de que o analfabetismo é um problema herdado pelos erros passados do Brasil. De fato, ele é maior quanto mais alta for a idade. Mas esses dados mostram que o país está repetindo agora o mesmo desatino. Há analfabetos jovens, hoje. Meio milhão deles estão na área rural. Aliás a taxa de analfabetismo rural brasileiro é de 21%.

    Eu queria não estragar o domingo de você que me lê. Então vamos concluir assim: ainda há tempo. Se o Brasil se apressar, pode correr atrás dos ainda analfabetos. Pode tentar trazer de volta os jovens que desistiram da escola.

    Alguns mais céticos dirão que não há mais tempo e o cérebro não educado na infância jamais terá de volta a habilidade necessária. São tantos os casos de superação.

    É quase tarde demais, mas ainda há tempo. Se o Brasil não se apressar esses jovens continuarão em seu desamparo.

  231. Michelle said

    Matando a pau…a petralhada anda meio perdida.
    Lula tem a cara de pau de afirmar que o Ministério Público Fedral e o Poder Judiciário foram “criados” nos governos petistas, como instrumentos de combate à corrupção.
    Pera aí. Mas a petralhada andava criticando estas “obras” do Iluminado.Tribunal de exceção? Azelite e a mídia golpista? Contra ou a favor? Caixa 2 com dinheiro público? É possível que Lula não soubesse? Até Marco Aurélio já disse que Lula é safo demais para não ter sabido.
    E agora?

    DORA KRAMER – O Estado de S.Paulo

    Um balizamento de peso. Quem ataca o Supremo ganharia mais se não perdesse tempo com bobagem e pensasse sobre isso.

    Qual é a música? De um modo geral, as pessoas têm algum apreço pelo que fazem ou dizem. O ex-presidente Lula não. Diz uma coisa num dia, fala o oposto no seguinte e ainda olha o mundo de cima, cheio de razão.

    Verdade que só faz isso porque é bem-sucedido. Tem quem goste – e não é pouca gente – de ser levado assim, a cada hora para um lado: é mais fácil ser conduzido que conduzir-se pelo próprio pensamento.

    Antes o mensalão era uma “farsa” a cujo desmonte ele iria se dedicar assim que deixasse a Presidência. Agora, o julgamento é “motivo de orgulho”, prova inequívoca da firmeza do governo do PT no combate à corrupção.

    Faltou o ex-presidente acrescentar a edição de um novo manual de conduta para seus empedernidos correligionários que insistem em comparar o Supremo a um tribunal de exceção.

    Sem orientação precisa, o pessoal se perde nos argumentos e não sabe se é para atacar ou defender.


    O Lulismo é vazio.Não tem nada a ver com o petismo original com suas bandeiras históricas.
    O lulismo se limita a “perdoar” lula de tudo e atacar quem duvidar.
    Lula está derretendo a olhos vistos, até por seus correligionários que saem de arma em punho para defender o Iluminado.

    Leiam a propósito o que escreve o João Ubaldo:
    A HORA DA SAIDEIRA!
    http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2012/09/30/a-hora-da-saideira-por-joao-ubaldo-ribeiro-467883.asp

    Comento
    O Brasil precisa acordar da longa bebedeira que foram os governos petistas.

    A maioria que votou em Lula em 2002 não desejava que a biografia de Lula fosse finalizada por sua atuação (ou omissão) no caso do Mensalão, em 2003/04 ou agora em 2012 quando parece que enlouqueceu de ambição, vaidade e medo de voltar a ser um cidadão comum. E com contas a prestar à Justiça e à História.
    O operário corrupto.
    O poder o corrompeu.
    Infeliz e totalmente.

  232. Jose Mario HRP said

    Dora Kramer de novo?
    Daqui a pouco vão começar a postar pedaços e frases de Mein Kampf!

  233. Pax said

    O julgamento chegará em sua fase conclusiva esta semana. A fatia de agora deve terminar hoje ou quarta e Joaquim Barbosa iniciará a fatia em que os réus do PT estarão em análise e julgamento. Em especial temos a questão dos três mais aguardados, Delúbio (óbviamente envolvido), Genoíno (presidente do partido à época) e, finalmente, José Dirceu, acusado de ser o chefe do esquema.

    De uma forma ou de outra este julgamento afeta todos os políticos. Neste momento julga-se o mensalão do PT, mas o STF estabelece um modelo que poderá ser aplicado de uma forma mais ampla. Se esta jurisprudência não for firmada o ganho será nulo e as reclamações dos petistas ganharão volume e consistência.

    Para os leigos – onde este blog se inclui – fica a questão sobre os tais atos de ofício. Segundo o STF, ao que parece, se o político recebeu apoio financeiro não legalizado de outro partido e votou favorável em matérias de interesse deste segundo, fica configurado o tal ato de ofício que envolve corrupção passiva. Ainda veremos como o STF estabelecerá o vínculo com a corrupção ativa, que começa a ser julgado esta semana ou semana que vem.

    Outra questão que parece relevante é a questão de caixa 2 e dinheiro público. Segundo um comentário do ministro Carlos Ayres Brito, atual presidente do STF, se a grana é pública não é caixa 2, dinheiro ilegal que as empresas recebem fora de suas escriturações e compram políticos para defender seus interesses de forma corrupta.

    Supondo que o caixa 2 não seja considerado o crime em questão neste julgamento ficaremos sem saber como o STF julgaria este crime.

    Acompanhando o noticiário da corrupção no Brasil sabemos que há um sem número de municípios onde as empresas de coleta de lixo, de transporte urbano, obras e serviços públicos etc corrompem os agentes públicos para que seus contratos sejam preferidos. Estas empresas não registram parte de seus faturamentos, não pagam os devidos impostos e este dinheiro ilegal serve para enriquecimento dos acionistas que utilizam parte dele para comprar os políticos que sustentam o modelão. Parte desta bufunfa vai para campanhas eleitorais, parte para enriquecimento mesmo dos políticos corruptos. E esta é só uma parte da questão. Planos diretores das cidades são alterados para interesses de imobiliárias e outras empresas, projetos de toda ordem são aprovados e um outro conjunto de desvios e anomalias são utilizados para que o modelão corrupto continue em funcionamento.

    Assim funciona o país. E vários outros países. O que assombra no Brasil é o tamanho deste problema. Já passou dos limites faz muito tempo.

    Já faz um tempo que este blog afirma que vivemos no império da corrupção. Qual o futuro que teremos com este modelo?

    Basta olharmos a qualidade da educação no Brasil que temos uma boa noção de onde este caminho termina.

    Outra questão importante é que o nervosismo político do momento, não só por conta dos acusados nesta ação penal como pelo comportamento hiena dos opositores, muitos culpados “talqualmente” dos mesmos crimes. Este clima chegou dentro do colegiado da suprema corte.

    Se tivermos um descrédito no STF teremos um problemão até consertá-lo. Já basta a imagem dos políticos nacionais, algo parecido com pau de galinheiro. Se o poder executivo é questionado, em todos os âmbitos, municipal, estadual e federal, se o legislativo idem e o judiciário enveredar pelo mesmo caminho, de descrença, chegamos num ponto ideal para questionar que democracia criamos para viver.

    Dentro desse quadro geral temos a presidente Dilma Rousseff navegando neste mar revolto e, ao que tudo indica, sem muito abalo. Sua aprovação cresceu nos últimos meses. A ponto, segundo alguns analistas políticos, de ter que socorrer o partido, quando o mais natural seria o contrário, considerando que a presidente é uma criação deste e não o contrário.

    Aguardemos a semana, o resultado do primeiro turno e a finalização deste julgamento. Há muita água para rolar debaixo desta ponte.

    Tomara que este momento não seja desperdiçado pelos mais interessados, o povo, bravo povo brasileiro, que apartado do maior bem que poderia ter, a Educação, ainda votará sem muita consciência nestas eleições municipais.

    Este caminho é longo pacas. E a ministra Cármen Lúcia talvez tenha feito o comentário mais apropriado de todos: tomara que a juventude brasileira ainda mantenha a crença que somente a política pode resolver nossas questões de forma aceitável.

  234. Zbigniew said

    Temo que suas esperanças, caro Pax, não se realizem.
    Não torço por isso, mas, conhecendo bem como funcionam as jurisprudências no âmbito dos tribunais, ainda mais um tribunal como o STF, todos extremamente conservadores (no sentido de defesa de interesses específicos), acho bastante improvável que políticos de envergadura venham a ser atingidos pelas teses do ato de oficio e do domínio do fato (exceto, lógico, os do PT).
    Não lhe parece estranho que, justamente na semana anterior as eleições, o núcleo político do PT seja julgado?
    Coincidência? Azar do PT?
    Gostaria de acreditar que fosse diferente, mas não acredito, haja vista a forma como o mensalão do PSDB foi fatiado e distribuído para instancias inferiores.
    E tem mais: justamente por não ser uma ciência exata o direito esta sujeito a subjetivismos moderados ou orientados pela técnica jurídica e pelas leis, o que não impede que visões subjetivistas se sobreponham as mesmas. E o que parece esta acontecendo neste caso.

  235. Pax said

    Ainda não me convenço de uma conspiração, caro Zbigniew.

    Enviado via iPhone

  236. Zbigniew said

    Um ofitopique.

    Falando em conservadorismo há um lado perverso de parte da elite política paulistana que nos remete a forma como se comportaram em face das medidas tomadas pelo governo petista frente a crise de 2008 (o deslocamento de “taxacoes” para o inicio da cadeia produtiva) e agora, com a melhoria dos indicadores econômicos após um período de desaquecimento pelas preocupações do recrudescimento inflacionario, em referencia a especulação imobiliária em áreas ocupadas por famílias de baixa renda; o que nos faz lembrar do Pinheirinho e dos reiterados casos de incêndios em favelas de São Paulo. E aí que entra a ideologia e como ela e influente nas ações políticas de grupos determinados. Nestes casos a rejeição ou aprovação da sociedade dar-se-a em maior ou menor grau, dependendo da quantidade de pessoas que se identificam com tal ideologia. E ao que parece a ideologia dessas elites tem sofrido enorme rejeição pela maior parte da população.

    “Do Correio do Brasil

    SP: Famílias removidas por operações urbanas ficam desamparadas

    Atingidos pelo progresso. Assim podem ser classificados os moradores de áreas que estão recebendo ou irão receber nos próximos anos vultosos investimentos em infraestrutura urbana. A maior parte do país, apesar da lógica da exclusão que estrutura as cidades brasileiras, pode apenas supor que se trate de um problema comum. Mas, em São Paulo, graças ao trabalho ainda preliminar do Observatório de Remoções lançado na última quinta, é possível afirmar que os investimentos públicos e privados em infraestrutura têm provocado a eliminação de habitações populares sem que se deem condições para que seus moradores se beneficiem das supostas melhorias empreendidas naquele território.”

  237. Edu said

    Zbig,

    Concordo com vc: quem não administra o que existe de bom não seria aprovado nunca para uma próxima administração.

    Mas o Brasil é o país do puxadinho:

    – Em vez de reavaliarmos a estrutura de ensino, vamos criar CEUs aqui, FATECs ali, quotas lá, etc.
    – Em vez de reavaliarmos a plano de urbanização das cidades, vamos “legalizar” favelas, montar CDHUs, etc.
    – Em vez de reavaliarmos o repasse de verbas e auditar tudo isso, vamos criar ONGs, farmácia popular, etc.

    Cada puxadinho é um ralo de dinheiro que conquista muitos votos.

    Os políticos brasileiros, e são esses que eu me referi quando disse que o “brasileiro” só pensa no curto-prazo, nunca vão se ocupar com reformais mais profundas, que levariam mais de 2 mandatos para ter efeito.

    No caso de S. J. dos Campos, eu estou mto distante da realidade deles para me meter a dizer o que eles devem fazer ou não. Porém temos o fato ocorrido do Pinheirinho. Diante disso eu apóio o PT. Se o PT diz que consegue resolver isso, que o PT resolva. Mas não percamos de vista as consequências de longo prazo de decisões tomadas.

    Em SP estamos vendo o resultado de todos esses puxadinhos: um rombo de alguns bilhões de reais, que o próximo prefeito terá que fazer algo a respeito.

    A mídia vai atacar o curto-prazo sempre, independentemente de quem estiver lá. As notícias são notícias do momento, as reportagens talvez possam refletir o histórico da situação.

    Se o político é bom, ele vai ter que saber levar as pancadas da mídia, independentemente da ideologia, do partido.

    Mas para mim, um político deveria saber deixar bem claro para a população o que é curto-prazo e o que é longo-prazo. Hoje, não consigo ver nenhum ser capaz de fazer isso.

  238. Zbigniew said

    Edu,
    Acho uma boa urbanizar favelas. Por que não?
    O teleférico no Alemão, nos moldes do que foi feito na Colômbia; a experiência com as UPPs; o esforço em eliminar o poder dos traficantes nos morros cariocas, bem como em outras cidades do pais, tudo isso e um movimento inicial e importante que deve ser estendido para todo o Brasil. Não da pra derrubar tudo e construir em cima. Aqui não e a China, onde se o governo quiser passa o trator e ponto final (mais ou menos o que ocorreu no Pinheirinho, só que com chancela jurídica para dar legitimidade ao ato). Outrossim os Estados e municípios tem que participar efetivamente dando contrapartidas de certeza dos investimentos dentro dos princípios que regem a administração publica (legalidade, publicidade, transparencia, eficiência, etc.).
    A educação não se nos apresenta com resultados palpáveis senão no tempo de uma geração. A verificação de índices como o ideb entre outros só terão melhoras em espaço de tempo amplo. Já houve melhoras, embora não seja o ideal que queremos (e acredite, vai demorar um pouco).
    Programas como farmácias populares são ótimos programas, se bem gerenciados. Quanto as ONGs, havendo irregularidades, devem ser investigadas e punidas se necessário e provado. O que não da e pra colocar tudo no mesmo balaio e condenar por antecipação. O que não invalida ações de auditoria e fiscalização pelo Estado. Pelo contrario.

  239. Chesterton said

    A oposição pode ser “suja”, a elite “preconceituosa”, a imprensa “reacionária” e a Justiça “instrumento de golpistas”, como diz o presidente do PT, Rui Falcão. Mas quem flerta com a possibilidade de ver correligionários na cadeia é o PT. (Dora Kramer)

    chest- favela não é o caminho, é uma vergonha.

  240. Zbigniew said

    A Dora Kramer pode até ter razão. E venhamos e convenhamos, ela junto a Catanhede, formam a ala feminina mais estridente da oposição midiatica (digamos que as ligacoes com o PSDB sejam mais que ideologicas). Agora resumir o objetivo oposicionista a ver componentes do PT atras das grades mostra o desespero e o vazio que se tornou esta ala do espectro político nacional. Muito pouco para quem quer voltar a comandar os destinos desta grande nação.

  241. Chesterton said

    a Catanhede é petista de raiz…mas não é louca.

  242. Zbigniew said

    Uma petista com um marido peessedebista…. Hummmmmm… Bastante estranho.

  243. Michelle said

    “O Estado não tolera o poder que corrompe” (Celo de Mello)

  244. Michelle said

    “A República se vê comprometida quando prevalece nos governantes o espírito de facção, quando se vê vontade de obter privilégios”, dispara Celso de Mello, ao discutir a severidade dos crimes agora julgados pelo STF.

    O PT (Lula) passará à História…como profundamente corrupto.
    Nunca antes neste país, se viu uma tentativa tão deslavada de ferir a Democracia.
    O PT elevou a corrupção à categoria de instrumento para solapar o Estado de Direito para obter privilégios indevidos.

  245. Michelle said

    O PT (Lula) passará à História…como profundamente corrupto.
    Nunca antes neste país, se viu uma tentativa tão deslavada de ferir a Democracia.
    O PT elevou a corrupção à categoria de instrumento para solapar o
    Estado de Direito para obter privilégios indevidos.
    No caso, se perpetuar no Poder.

    A atuação partidária do ex-presidente na eleição de Dilma se encaixa milimétricamente nesta frase de repúdio: “A República se vê comprometida quando prevalece nos governantes o espírito de facção, quando se vê vontade de obter privilégios”.

    Lula usou e abusou. Por demais e demasiadamente como sempre.
    O mito lula começa a se esvaziar.
    Por ação ou omissão de cruupção da pesada em seu governo. Como Zé Dirceu declarou na CPMI:
    -Eu não fazia nada que fosse sem o conhecimento de Lula.

    uij/”::::::::::::::::O STF apenas começa a rascunhar um atestado de óbito.

  246. Michelle said

    Ao fim e ao cabo, e lembrando novamente Celso de Mello na tarde de hoje, “a sociedade tem o direito de exigir que o Estado seja governado por administradores íntegros”. Basta exigir. Basta votar!

    Murilo Leitão, advogado do escritório Lira Rodrigues, Coutinho e Aragão, Brasília/DF.

    Ze Dirceu (lula) por ação ou por omissão, patrocinaram um peculato gigantesco (roubo de dinheiro público comprovado de quase 100 milhões de Reais, fora os outros presumidos…e não comprovados das empreiteiras, por exemplo)

    Por que continuar acreditando e votando neles ( e seus afilhados?)
    O ex-operário Lula beijando a mão do Maluf nos jardins da mansão deste criminoso mundial (Se viajar pode ser preso pela Interpol !) foi a confissão dos verdadeiros princípios dos interlocutores.
    Euzinha mesma senti vergonha alheia …pelo PT.

    Como minha gata Bebe (bibi) afastei a terra para um canto encobrindo o mau-cheiro.
    Lula adoeceu e já começa a feder.

  247. Michelle said

    Pax
    O Ministro Celso de Mello respondeu ao seu post acima #233 e que se você sinsaramente não sabia …hehehe é bom aprender!

    * Quero registrar que o STF está julgando a presente causa da mesma forma que sempre julgou os demais processos que foram submetidos sua apreciação. Sempre respeitando os direitos e garantias fundamentais que a Constituição assegura a qualquer acusado, observando ainda, nesse julgamento, além do postulado, os parâmetros jurídicos, muito menos flexibilizando direitos fundamentais a quaisquer que sejam os réus e quaisquer que sejam os delitos.

    * E isso é o que entre nós prevalece porque se impõe a todos os cidadãos dessa República um dever muito claro: a de que o Estado brasileiro não tolera o poder que corrompe e nem admite o poder que se deixa corromper.

    * (…) Este processo criminal, senhor presidente, revela a face sombria daqueles que, no controle do aparelho de Estado, transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder, como se o exercício das instituições da República pudesse ser degradado a uma função de mera satisfação instrumental de interesses governamentais ou desígnios pessoais

    * (…). A conduta dos réus, notadamente daqueles que ostentam ou ostentaram funções de governo, maculou o próprio espírito republicano. Em assuntos de Estado ou de governo, nem o cinismo, nem o pragmatismo, nem a ausência de senso ético e nem o oportunismo podem justificar práticas criminosas, como as ações de corrupção do alto poder executivo ou de agremiações partidárias. (…)

    * É nesse contexto que se pode dizer que a motivação ética é de natureza republicana. Isso passa pela virtude civil do desejo de viver com dignidade. E pressupõe-se que ninguém poderá viver com dignidade em uma República corrompida (…). Diz o professor Celso Laffer “numa República, o primeiro dever do governante é o senso de Estado, vale dizer, o dever de buscar o bem comum e não o individual ou de grupos. E o primeiro dever do cidadão é de respeitar os outros. (…)”

    * O conceito de República aponta para o consenso jurídico do governo das leis e não do governo dos homens, ou seja aponta para o valor do Estado de Direito. O governo das leis obstaculiza o efeito corruptor do abuso de poder, das preferências pessoais dos governantes por meio da função equalizadora das normas gerais, que assegura a previsibilidade das ações pessoais e, por tabela, o exercício da liberdade (…).

    * E numa República as boas leis devem ser conjugadas com os bons costumes dos governantes e dos governados que a elas dão vigência e eficácia. A ausência de bons costumes por parte dos governantes leva à corrupção, que significa destruição (…). O espírito público da postura republicana é o antídoto do efeito deletério da corrupção (…).

    * Nós sabemos que o cidadão tem o direito de exigir que o estado seja dirigido por administradores íntegros e por juízes incorruptíveis. O fato é que quem tem o poder e a força do estado em suas mãos não tem o direto de exercer em seu próprio proveito.

    * É importante destacar as gravíssimas consequências que resultam do ato indigno e criminoso do parlamentar que comprovadamente vende o seu voto, comercializa a sua atuação legislativa em troca de dinheiro ou outras vantagens. Só vale destacar, de passagem, senhor presidente, a gravidade das consequências do ato do parlamentar que se deixa corromper. Consequências de natureza penal, constitucional e também institucional. Mas vale pensar sobre a validade ou não do ato legislativo decorrente de corrupção parlamentar (…) Essa é uma situação que se aplica, claramente, às sentenças quando proferidas por juízes corruptos. O eminente ministro Fux aí está para confirmar este aspecto que é muito delicado. Alguns autores sustentam que haveria inconstitucionalidade no ato legislativo decorrente de corrupção parlamentar…

    * Esses vergonhosos atos de corrupção parlamentar profundamente levianos quanto à dignidade e à respeitabilidade do Congresso Nacional, atos de corrupção alimentados por transações obscuras, devem ser condenados e punidos com o peso e o rigor das leis dessa república porque esses vergonhosos atos que afetam o cidadão comum privando-o de serviços essenciais, colocando-os à margem da vida, esses atos significam tentativa imoral e ilícita de manipular criminosamente à margem do sistema funcional do processo democrático e comprometendo-o.

    Entendeu agora ou precisaremos, nós da oposicinha, desenhar.

  248. Michelle said

    Veja o final…sobrou até pra lula,

  249. Michelle said

  250. Michelle said

    O ex-presidente ironizou ainda o PSDB. “Tucano tem um bico grande e é predador porque come ovinho de passarinho. Mesmo sabendo, eu os tratei com dignidade [na Presidência]”.

    Lula lembrou também a época em que “tomava uma cachacinha” durante os discursos, mas disse estar se acostumando com a recomendação médica de tomar água em meio às falas. “Agora eu estou descobrindo que a água é melhor, é mais saudável, eu estou ficando bem com a água”, brincou.

    Lula confessa que governava e fazia discursos tomando uma cachacinha???

    Abandonou o Romaneé Conti …tsk tsk tsk

  251. Patriarca da Paciência said

    “Não lhe parece estranho que, justamente na semana anterior as eleições, o núcleo político do PT seja julgado?
    Coincidência? Azar do PT?
    Gostaria de acreditar que fosse diferente, mas não acredito, haja vista a forma como o mensalão do PSDB foi fatiado e distribuído para instancias inferiores.
    E tem mais: justamente por não ser uma ciência exata o direito esta sujeito a subjetivismos moderados ou orientados pela técnica jurídica e pelas leis, o que não impede que visões subjetivistas se sobreponham as mesmas. E o que parece esta acontecendo neste caso.”

    Realmente, meu caro Zbigniew,

    seria coincidência demais!

    Mas há algumas constatações aí, ou seja, a esquerda subestimou os herdeiros das capitanias hereditárias e eles mostraram que são bem astutos e organizados.

    O que resta é aprender com os erros e seguir em frente.

    E pelo jeito o “tom” do pós-mensalão já foi apresentado, ou seja, é aquele mesmo que já vem sendo “tocado” pelos blogueiros da “óia”, demais e repetidos pela claque, (vide Chesterton, Besta Desvairada etc) “todos os problemas do Brasil começaram com o PT e com o Lula.” “Foi o Lula quem inventou a corrupção no Brasil.!”

  252. Pax said

    Prezados,

    Segundo a interpretação de vocês há uma conspiração em andamento no Brasil?

    Desculpem-me por não comungar desta tese.

    Estaríamos entendendo que os ministros do STF se organizaram secretamente, decidiram que vão derrubar o PT de forma subreptícia, ou seja, armando para que o julgamento caia exatamente no período eleitoral. Incluindo aqui a participação do ministro Ricardo Lewandowski que é o que mais absolve, ou o mais garantista, como queiram.

    Seria realmente uma trama merecedora de um filme ou seriado, muito à além de James Bond e similares.

    Me perdoem, de novo, mas acho, somente, que o PT cometeu dois enormes pecados, o da soberba e o da burrice sem fim. Um simples exemplo? Enviar o Marcos Valério para Portugal, em nome do partido, para arrecadar dinheiro da Portugal Telecom. Não basta essa imbecilidade sem tamanho? Nem vou entrar no mérito de utilizarem o esquema do Marcos Valério, um bandido qualquer, desconhecido do partido até então, somente porque o esquema já estava inaugurado com os dutos funcionando. E inaugurado sabemos por quem.

    Afora a outra burrice sem tamanho de achar que atacando o judiciário teria apoio popular para desacreditar o MPF, o STF etc.

    De novo, permitam-me não entrar nestas fileiras.

    Se quiserem que eu assine qualquer coisa pedindo que o julgamento do mensalão do PSDB, o mensalão do DEM etc etc tenha o mesmo tratamento deste, contem comigo. Mais que isso, “me incluam fora desta”.

  253. Zbigniew said

    Patriarca,
    em política não existe vácuo.

    O Lula e a Dilma descuidaram das indicações para o STF (inclusive a PGR). Quem acredita que tal instância é exclusivamente técnica está redondamente enganado. Até porque tal Corte tem natureza de “guardiã da constituição”, o que, de certa forma, lhe dá um ar de poder constituinte derivado quando é chamada para interpretar “conforme”. É aí que a porca torce o rabo.

    A esquerda brasileira padece dessa síndrome. A de não saber ser um poder de fato como a direita o faz e é mestre (poucas vozes se levantaram no parlamento para defender o Lula da reportagem-mentira do panfleto). Saber ser poder de fato não é anti-democrático, é até necessário para que se evite estes vácuos e as tentativas de desestabilização de quem está no poder e por consequência, do próprio regime. É uma questão de sobrevivência política e no poder. Achar que apenas com o vulgo haverá a preservação do status quo é de uma inocência (ou arrogância) sem limites.

    Não é possível que não existam bons estrategistas políticos no governo. Assim sendo o PT tornou-se a bola da vez, aquele que sevirá de exemplo (e só ele) para a sociedade, e de sobra dará aos inimigos (digo isto no sentido político) o movimento de ataque no qual não haverá como reagir uma vez que a chancela da mais alta corte do país reverberada e espetacularizada pela mídia, notadamente na semana que antecede as eleições municipais, dará o veredicto definitivo sobre as intenções de votos de muitos eleitores, principalmente na cidade de São Paulo, reduto da elite conservadora que está no comando dos principais meios de comunicação do país. É do jogo, embora possa se tornar perigoso na medida que se busque o descarte da sabedoria das urnas por jurisprudências fabricadas sob medida para determinados atores. Essa exceção, sim, não cabe nos regimes democráticos.

  254. Pax said

    Muito diferente deste movimento teórico conspiratório, me permito a revolta de perceber como meia dúzia de dirigentes petistas conseguiram, com sua soberba e burrice, encaminhar um partido inteiro para um caminho muito ruim, cujo movimento de retorno às suas origens doutrinárias será difícil pacas.

  255. Zbigniew said

    Pax,

    em contrapartida eu também levanto alguns questionamentos:

    1. O fatiamento do mensalão do PSDB e envio para instâncias inferiores e a não junção dos réus para julgamento em conjunto no STF (como no caso do PT);

    2. Mudança de jurisprudência exatamente neste caso envolvendo o núcleo político do PT;

    3. Julgamento do núcleo político do PT EXATAMENTE no semana anterior às eleições municipais.

    Coincidência? Azar do PT?

  256. Zbigniew said

    Concordo com o AA (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-construtores-e-os-justiceiros-da-historia-brasileira)

    “(…) Os justiceiros são na verdade irrealistas, perseguem bruxas para queimar, ao fim seus alvos são sombras, meras representações projetadas no imaginario. De sua luta surge uma fugaz popularidade mas não deixam legado porque seus alvos são falsos, são imagens esculpidas no gelo, de curta duração. mas que produzem apelo populista e farisaico.
    (…)
    Do presente processo do mensalão já emergem justiceiros em busca de glorias. Nada constroem mas colhem o efemero prestigio de sua obra demolidora. A historia cobrará sua conta.”

  257. Pax said

    Caro Zbigniew,

    1 – não sei os motivos do fatiamento do mensalão do PSDB, mas gostaria muito que ele fosse julgado com os mesmo critérios que o julgamento do mensalão do PT de agora.

    2 – gosto da mudança da jurisprudência (se é que há, não tenho conhecimento jurídico para dizer isso, mas acho que sim). Se foi agora, no meu entender é que agora este processo entrou na pauta e ele é, sim, diferente de todos que já vivemos, pelo que sei.

    3 – me parece uma enorme coincidência, ou teríamos que aceitar a tal tese da conspiração

    Azar do PT? Perdoe-me, utilizar ad nauseam o modelito do valerioduto, receber land rover de mimo, avisar irmão que, curiosamente envia dinheiro na cueca através de assessor, mandar o Marcos Valério para Portugal em nome do partido etc etc etc podemos chamar de azar? Acho que o vocabulário que estamos utilizando é diferente em algum ponto.

    Disse aqui que acompanhava o caro Patriarca na questão de aguardar com tranquilidade o julgamento do STF neste caso. Li o tal relatório Zampronha, quase sua totalidade, está disponível na Internet. A totalidade de provas e indícios é grande meu caro. A questão é que não sou da área, então terceirizei o “meu” julgamento com quem de direito, o STF, local mais que apropriado para julgar este processo.

    Como poderia, agora, discordar do STF? Ainda mais achando que existe uma conspiração em andamento?

    Me permito ainda achar que o PT é um dos melhores partidos do Brasil, todos sabem disso, dessa minha opinião. Mas não me chamem para defender quem o STF julga culpado de crimes que não concordo que sejam praticados.

    Aliás, acho que vale a pena dar uma lida aqui, do site do STF. Insisto nas fontes que uso neste momento, que são a Agência Brasil, o próprio STF etc. Sei que há uma mídia que tem torcida, mas este não é meu caso, acredite.

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    Segunda-feira, 01 de outubro de 2012

    Ministro Ayres Britto segue na totalidade o voto do relator quanto ao item VI

    Último a votar na parte do item VI da denúncia relativa à participação de réus ligados a partidos políticos no esquema de corrupção em troca de apoio político descrito pelo Ministério Público Federal (MPF) na Ação Penal 470, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ayres Britto, afirmou subscrever o voto do relator, ministro Joaquim Barbosa. O voto do presidente foi no sentido de condenar os acusados nessa parte da denúncia, com exceção de Antônio Lamas, absolvido de todas as imputações.

    Para o ministro Ayres Britto, a “meticulosa reconstituição dos fatos pelo relator” vem comprovando o envolvimento de grande número de entes e pessoas físicas públicos e privados como parte de um “projeto de poder ideológico-partidário de inspiração patrimonialista, viabilizado pela arrecadação criminosa de recursos públicos e privados para aliciar partidos e corromper parlamentares e líderes partidários”. O resultado, segundo ele, foi a prática de delitos “em quantidades enlouquecidas”.

    Os autos, segundo o ministro Ayres Britto, “dão a mais exuberante conta de que os fatos referidos pelo procurador-geral da República se encontram comprovados em suas linhas gerais” por meio de depoimentos, laudos, cheques, e-mails, informações, mandados de busca e apreensão produzidos em juízo e, também, em provas indiretas, “porém conectadas com as diretas”, colhidas em inquéritos policiais e parlamentares ou resultantes de processos administrativos em órgãos como o Tribunal de Contas da União, o Instituto Nacional de Criminalística e o Banco Central.

    Caixa 2

    O presidente do STF rechaçou a tese de parte das defesas e de depoimentos de que o objetivo de boa parte dos fatos denunciados teria sido a destinação eleitoral dos recursos financeiros, ou formação de “caixa 2”. “Não se pode alegar que há caixa dois com dinheiro público”, destacou.

    A admissão como crime “meramente eleitoral” do uso do Erário para financiamento de campanhas, assinalou o ministro, “propiciaria o mais amplo guarda-chuva para converter em pecadilhos eleitorais os mais graves delitos contra a administração pública”. A justificativa do caixa 2 “parece tão desarrazoada que toca os debruns da teratologia argumentativa”, afirmou. “Não se pode cogitar de caixa 2 se a época dos fatos não coincidiu com qualquer processo eleitoral em curso”.

    Corrupção passiva

    Para o presidente do STF, a configuração do crime de corrupção passiva “nada tem a ver com a destinação do produto da propina”, e o chamado ato de ofício “não pode deixar de fazer parte da cadeia causal ou vínculo funcional”. A expressão, segundo o ministro, deve ter como correspondência a expressão coloquial “ato do ofício”, a cargo do agente corrompido. “Em termos parlamentares, é o ato de legislar, fiscalizar e julgar que se dá por meio de votos, entre outras coisas, ou por uma atitude radical de não julgar, não legislar e não fiscalizar atos de interesse do corruptor”.

    Lavagem

    Com relação à imputação de lavagem de dinheiro feita aos réus, o ministro observou que a consumação do ato de corrupção incorpora “um apagar de rastros” para impedir a identificação do beneficiário final da propina. “O propinado não vai pôr nos jornais ou na internet que recebeu propina, é evidente”, disse.

    Quando essa atitude extrapola o mero disfarce resulta na criação de rastros falsos, apresentando às autoridades outro destinatário – como no caso dos cheques endossados pela SMP&B, por exemplo –, há, segundo o ministro, “um ‘plus’ de delinquência, um duplo dolo e a lesão a um bem jurídico”.

    Quadrilha

    Em todos os fatos, o voto do presidente ressaltou que “um protagonista em particular quase confirma a materialidade dos fatos” – o empresário Marcos Valério. “Ele parece ter o dom da ubiquidade e do mais agudo faro desencavador de dinheiro”, afirmou. “Lidou com João Paulo Cunha e a Mesa Diretora da Câmara, com Henrique Pizzolato e o Banco do Brasil/Visanet, reuniu-se oito vezes com dirigentes do Banco Central, simulou empréstimos com o Banco Rural, mediou contatos com o Banco de Minas Gerais (BMG) e o Banco Mercantil de Pernambuco, com a Portugal Telecom e a Telemig, com as corretoras Bonus Banval, Guaranhus e Natimar, e esteve pessoal e reiteradamente com a mais alta direção do Partido dos Trabalhadores”, enumerou.

    Como Marcos Valério e seus sócios foram responsáveis pelo repasse de recursos para todos os réus até agora condenados, o ministro Ayres Britto concluiu que “era praticamente impossível não saber que lidar com ele seria participar de sofisticado esquema de corrupção e lavagem de dinheiro, além de quadrilha”.

    Concluindo seu voto, o presidente do STF votou pela condenação de Pedro Corrêa, Pedro Henry, João Cláudio Genu (PP), Valdemar Costa Neto e Jacinto Lamas (PL) por corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro; e de Carlos Alberto Rodrigues (PL), Roberto Jefferson, Romeu Queiroz, Emerson Palmieri (PTB), José Borba (PMDB) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; e dos empresários Enivaldo Quadrado e Breno Fischberg por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

    Empate

    Com a conclusão do julgamento dessa parte da denúncia, ocorreu empate em relação ao réu José Borba. O presidente do STF propôs, então, que o Plenário decida sobre o critério de desempate no fim do julgamento. “O processo é contínuo e, teoricamente, cada um de nós pode mudar de voto”, observou. “O que temos feito é registrar os votos, e não propriamente proclamar, de forma definitiva, os resultados de cada votação”. A proposta foi aprovada por unanimidade.

    Link: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=219785

    CF/AD

  258. Edu said

    Zbig,

    Eu ainda não entendi o que é esse tal de poder de fato que vc tanto fala.

    Explique melhor isso…

    —X—

    Patriarca,

    Concordo totalmente com vc: os herdeiros das capitanias hereditárias são realmente bastante organizados. Acho que devemos inclusive citar exemplos para que todos saibamos quem são esses terríveis malfeitores da política nacional:

    O Sarney, que é aliado político do Lula
    O Collor, que é aliado político do Lula
    O Severino Cavalcanti, que é aliado político do Lula
    O Maluf, que é aliado político do Lula

    Lembro-me que o Elias vinha cheio de graça com aquele vocabulário super educado que lhe é peculiar dizer que era a hora da esquerda “enrabar” os “direitobas”… mas na verdade o que eu vejo é a esquerda se curvando vergonhosamente à “direitoba” que nem a direita gosta: estes supracitados.

    Além disso, quem está dizendo que o Lula inventou a corrupção no Brasil? Ele só elevou isso a níveis de descaramento inconcebíveis.

    Quem está dizendo que todos os problemas do Brasil começaram com o Lula? Na verdade, todas as dificuldades do governo da Dilma e de crescimento que o Brasil enfrenta hoje foram começadas pelo Lula.

    Mas fique tranquilo, que eu não acho que a luta contra a corrupção deva parar por aí. Concordo com o Pax, que temos que cobrar da mídia e da sociedade o interesse pelo resto dos mensalões. Por isso venho ao blog.

    —X—

    Pax,

    Demorou 7 anos para a esquerda começar a perceber a besteira que o Lula fez ao fazer vistas grossas ao mensalão.

    E me arrisco a dizer mais: o Lula está conseguindo desconstruir o que havia construído tomando uma série de decisões ruins para o partido sozinho (vide as alianças acima).

    Do meu modesto ponto de vista é uma pena que uma pessoa humilde que poderia ter sido um exemplo de superação para todos os brasileiros possa terminar assim.

  259. Pax said

    Caro Edu,

    Não apostaria no fim de Lula tão apressadamente. Há um governo (na verdade dois) na História. E uma aprovação popular que não se abala tanto quanto possa parecer. Essa aprovação será tão menor quanto a vontade de defender os mensaleiros condenados, como imagino um futuro nesta questão.

    Assim como não apostei no fim de FHC quando ele se aliou com ACM, Arruda, o próprio Maluf, quase todos os corruptos passivos agora condenados etc etc. O modelito não é uma novidade, vamos combinar.

    Essa é a vontade – de aniquilar o “bicho político Lula”- de meia dúzia de histéricos. Não comungo, também, dessa vontade. Essa gentalha que hoje toma forma de hiena, apoia e defende gente da mesmíssima laia dos envolvidos no mensalão do PT.

    Porém…

    Não apostaria muito no futuro político de Dirceu, Genoíno e Delúbio. Assim como Eduardo Azeredo, escamoteado em seu partido, este petistas podem até continuar a ser agasalhados no PT, caso o partido realmente não queira voltar ao rumo que perdeu, como o PSDB. Neste caso serão figuras com poderes internos cada vez menores, acho eu. Mas poderes políticos, capacidade de ganhar eleições democrátivas, no voto, acho bem difícil.

    Como disse no post, reafirmo aqui e agora: há muita gente do PT que não está se incomodando tanto com preservar nomes, mas, muito ao contrário, prefere continuar fiel ao partido, ao programa abandonado, de uma política baseada no movimento sindical, que entende ser esse o motor de governos mais chegados às classes trabalhadoras e às classes menos favorecidas.

    O contrário disso são os governos que defendem o patronato.

    E aí a pergunta que fica: quem, no Brasil, produziu resultados melhores?

  260. Chesterton said

    Fim da farsa’, editorial da Folha de S. Paulo

    PUBLICADO NA FOLHA DE S. PAULO NESTA TERÇA-FEIRA

    Durante a 30ª sessão de julgamento do mensalão, ontem, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu cabo de uma farsa que sobrevivia apenas para setores do PT e seus aliados, nos últimos sete anos.

    A maioria dos ministros confirmou no plenário do Supremo que o mensalão foi um esquema concebido com a finalidade de assegurar apoio parlamentar durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    As provas reunidas pela Procuradoria-Geral da República foram suficientes, portanto, para convencer a mais alta corte do país de que o mensalão foi alimentado por verbas públicas utilizadas para comprar votos de membros do Congresso Nacional.

    Fica, assim, relegada aos capítulos burlescos da história a tese mendaz de que o mensalão não teria passado de episódica distribuição de sobras de campanha, sem contrapartida de apoio político.

    A tentativa de desqualificar o julgamento como um todo, no entanto, merece tratamento ainda mais severo. Não seria pequeno o prejuízo à República se o esforço de desvendar os atos de corrupção praticados no governo Lula ficasse carimbado como “golpismo” e “ataque à democracia” –pois as pechas atingiriam o próprio STF.

    Talvez por essa razão o ministro Celso de Mello tenha feito defesa enfática dos procedimentos adotados pelo Supremo. Antes de proferir seu duríssimo voto na sessão, o decano da corte reiterou que vêm sendo respeitadas as garantias constitucionais, que não houve desconsideração com direitos e que o processo do mensalão é conduzido sob ampla publicidade e permanente escrutínio público.

    Quando presentes, esses princípios republicanos reforçam a legitimidade das decisões –é o que se dá agora com o STF. Quando ausentes, tornam-nas duvidosas –foi o que ocorreu com os negócios do PT imiscuídos no governo Lula.

    Eis por que Celso de Mello classificou a corrupção como “perversão da ética do poder e da ordem jurídica”. Pela mesma razão, disse que “o Estado brasileiro não tolera o poder que corrompe nem tolera o poder que se deixa corromper”. E, para realçar sua decisão, afirmou que os réus do mensalão “transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária”.

    Sinal dos tempos, personagens conhecidos da política nacional estão entre os réus que já foram condenados nesse julgamento. Figuram nessa lista, por exemplo, os deputados federais João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT), além dos ex-deputados Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Carlos Rodrigues (PL-RJ, atual PR).

    Até aqui, o Supremo foi rigoroso ao condenar por corrupção passiva os réus que receberam dinheiro para ingressar na base de apoio a Lula. Parece haver pouca dúvida de que manterá o mesmo ânimo com os corruptores e de que nesse rol entrarão os líderes petistas José Dirceu e José Genoino.

  261. Chesterton said

    e depois o Capo di tutti i capi, o Nine Fingers, que se cuide.

  262. Zbigniew said

    Edu,

    Poder de fato é Maquiavel. É você não criar cobra para morder teus calcanhares. É você ser prudente nas indicações, mas ao mesmo tempo ser justo, daí a sabedoria política. Lula pecou neste aspecto (e a cria também).

    O teu pensamento em relação ao PT e a Lula é o motivo da espetacularização do mensalão pela mídia: o PT acabou e com ele o LULA. Será?

    Pax,

    não se discute as condenações com base em provas. É isto que se espera da mais alta corte do país.

    Você se coloca contra o “movimento teórico conspiratório”. Entretanto é nele que, inconscientemente, você está se baseando para depositar no STF a confiança em um julgamento justo. É impossível não se discutir tais condenações baseadas nas teorias que vagavam pelo mundo jurídico a espera de um momento político propício para sua aplicação: domínio do fato e dos atos de ofício. De modo que para alcançar os cabeças (Genoíno e Dirceu) vai se utilizar de uma retórica jurídica que inverte a questão do ônus da prova. Quais provas?!

    Assim é que “é impossível que o Chefe da Casa Civil não tenha tido conhecimento dos movimentos de pagamentos a parlamentares com dinheiro público se era ele o articulador político do governo”. É com esta máxima, núcleo do voto do Relator, claro que adornada com um sem número de ilações em face de condenações anteriores, que se vai alcançar o núcleo político do governo Lula. Até porque não se discute mais se houve lavagem de dinheiro, peculato, corrupção passiva, caixa 2 e até formação de quadrilha. Tudo isto já estará devidamente consumado. Notou que a sentença (no caso o acórdão) já está dada sem nem termos o réu colocado em julgamento? Só falta o “conclave” confirmar e a decisão do colegiado ser publicada. E depois? O próprio Lula. É aí que a vingança da velha mídia será erigida. E, em algumas cabeças ela já é vencedora.

    Se o Brasil sairá melhor do mensalão? O mais provável é que a jurisprudência formada fique ali, quietinha, aguardando um novo “momentum” para, ou ser aplicada, ou ser descartada, sempre ao sabor dos ventos políticos. Qual segurança que temos com isto? Nenhuma! Exceto o fato de que a inversão do ônus da prova será utilizada a qualquer momento contra quem quer que seja (menos contra aqueles que detenham o poder de facto, nem que seja por um curto prazo ou especificamente em um determinado nincho da República).

  263. Edu said

    Pax,

    Não estou apostando em nada, na verdade acho que isso seria triste para o Brasil. O Lula como presidente foi como um conto de fadas para o povo. O povo se identificou com um sujeito que havia passado por situações parecidas com o povo passa. No entanto, de uma hora para outra o Lula faz as “pazes” com os “inimigos”, faz alianças com quem havia demonizado, e, contrariando o que vc disse, o Lula também governou para o patronato (ele apenas escolheu um patronato diferente: a indústria de base).

    Ver a figura, ou como vc prefere dizer, o “bicho político Lula” mudar de direção e paulatinamente ser desmascarado é triste. Talvez não afetará a popularidade como vc bem disse, mas essa “cinderela” da política está se distanciando de terminar sua história como “princesa”. Meu ponto é: se continuar assim, corre o risco real de terminar com um final infeliz.

    E sobre quem produziu resultados melhores, mantenho minha posição: cada um gerou benefícios à sua maneira.

    Porém sempre questionei: os fins justificam os meios? Porque sempre me incomodou o modus operandi do Lula.

    Chegamos a um ponto em que a população está querendo discutir justamente a maneira de gerar benefícios daqui pra frente, esse modus operandi. Quero crer que este seja o marco histórico do mensalão, e sinceramente, espero que o mensalão mineiro venha à tona para confirmar essa tendência.

  264. Edu said

    Zbig,

    Podemos discutir Maquiavel sem problemas, e concordo com muita coisa que ele disse e com vc: para ser respeitado como príncipe vc tem que ser terrível e amável ao mesmo tempo, saber agradar o povo, controlar a informação, as alianças, saber usá-las oportunisticamente e desmantelá-las quando necessário.

    Só que o problema é que o contexto maquiavélico estava bastante distante do contexto democrático que vivemos hoje. Daí tenho algumas diferenças:

    – Alianças se fazem à luz de leis e não de vistas grossas e desvios como o mensalão.
    – Controle de informação não é combate à mídia.
    – Saber agradar o povo não é realizar “puxadinhos” como eu descrevi acima, todos pensados no curto-prazo.

    Novamente: os fins justificam os meios?

    Numa democracia não deveria ser assim.

    E meu pensamento sobre o Lula não é de que o PT acabou e com ele o Lula. Na verdade é que o Lula está tomando uma série de decisões altamente questionáveis para não dizer erradas, e acho que está puxando o partido todo para baixo.

    Na verdade eu tenho uma dúvida: esse modus operandi, essa história de os fins justificam os meios é do partido ou do Lula?

    Não sou eu que tenho que achar nada ou responder a essa pergunta, são vcs mesmos, os militantes que têm que permanecer alertas a isso e cuidar para que isso não se torne a principal fraqueza do partido.

  265. Pax said

    Caro Zbigniew,

    Você diz: “É aí que a vingança da velha mídia será erigida.

    E eu digo: acho muito difícil aceitar que o colegiado do STF esteja a serviço da velha mídia. Se quiser discutir a tal velha mídia, estou à disposição, mesmo porque sempre a critiquei. Tanto que neste julgamento nem uso – e praticamente nem leio – o que escreve a grande mídia. Procuro as informações vendo a TV Justiça, quando posso, e lendo o noticiário na Agência Brasil e no site do STF.

    Mas não é isso que parte da militância do PT reclama. Afirmam que o STF está fazendo um julgamento errado, sem provas, baseado em ilações etc etc. Antes disso começaram por atacar o antigo Procurador Geral, depois o atual e, depois, passaram a questionar os ministros do STF. Acharam que estas acusações, pelo que tudo indica, moveriam a sociedade brasileira para aceitar a tese da defesa que seriam meras infrações eleitorais, crimes prescrito etc.

    Só que, do que tenho visto, há um sem número de provas bastante concretas, senão vejamos:

    – Marcos Valério passou a frequentar a direção do PT com desenvoltura inacreditável. Até representar o PT o cara representou, não só em Portugal mas em vários outros lugares.

    – Delúbio e Marcos Valério montaram um esquema que, simplificando era: Delúbio indicava e Marcos Valério mandava soltar grana para os corruptos de plantão, gente do calibre de um Valdemar da Costa Neto, como um bom exemplo da corja com que se meteram.

    – Neste esquema envolveram um grande número de empresas “doadoras” e empresas “lavanderia”, tais como Banco Rural, BMG, BB, Portugal Telecom, corretoras de valores, fundos de cartões de crédito etc.

    – Há provas concretas, viagens registradas, agendas aprendidas, reuniões anotadas, e-mails enviados e recebidos, recibos disfarçados, além dos depoimentos na CPI, na polícia, em juízo etc.

    – Há um estupendo dilema cronológico entre as teses da defesa e as eleições em curso, dificultando muitíssimo a aceitação que esse esquema, que já não se bastasse em si como condenativo, seria para apoiar os partidos com dívidas destes com fornecedores eleitorais (produção de vídeos e panfletos, veiculação, desenvolvimento de campanhas etc). Aliás, estes fornecedores não apareceram, pelo que me consta, como testemunhas da defesa. Estou errado? Confesso que não sei, mas me parece que não foram arrolados pelos advogados de defesa, o que gera uma boa curiosidade.

    – Há, de outro lado, uma estupenda coincidência entre acordos com líderes destes partidecos de prateleira e votações no Congresso.

    Enfim, como disse, terceirizei meu julgamento, mesmo porque não entendo nada disso e acho que ele está onde deveria, no STF. Sendo assim, como comprometido por mim, tenho que aceitar o juízo que os ministros fazem, ainda mais que em colegiado. E temos que considerar que este colegiado é formado, em sua maioria, por ministros indicados pelos governos Lula e Dilma.

    Some isso tudo e entenda meu pedido de vênia para discordar.

  266. Pax said

    Caro Edu,

    Não me consta que Lula esteja sentado no banco dos réus. A mídia faz questão de colocá-lo lá. Só que, pelo que me consta, quem faz isso é a Procuradoria da República.

    Se isso quer dizer que concordo com o governo Lula no que tange ao assunto corrupção, minha resposta é não.

    Mas, ao mesmo tempo, não entro nessa toada, nesse rosnar da histérica mídia – ou, se preferir – de alguns de seus canalhas analistas políticos. Se esses caras fossem minimamente honestos estariam reclamando, também, que o mensalão do PSDB deveria ser julgado com os mesmos critérios que estes de agora, assim como o mensalão do DEM e outros processos de corrupção.

    Se quiser mudar o prisma, da mesma forma não entendo que o FHC possa passar para a História como um ser político cuja principal característica é a corrupção. Nunca entrei nesta balada, nessa sinfonia que alguns petistas tocam.

    Só para te provocar um pouco, para te fazer pensar: me aponte um post de alguns destes analistas políticos canalhas que fala abertamente do Eduardo Azeredo como criador do esquema valerioduto. Em especial algum mais histérico que você talvez conheça por aí, um destes que, volta e meia, escorrega em mentirinhas…

    Se achar, fico agradecido e prometo ler e analisar o escrito com muita parcimônia. Ok?

  267. Edu said

    Pax,

    Esse banco dos réus que estou tentando distinguir: oficialmente Lula não está lá, nem nunca disse isso também; mas as decisões que têm tomado tem afetado o partido e seu próprio fim de carreira. Ou vc acha que não tem?

    Assim como o FHC passou ileso de gritaria oposicionista sobre corrupção, e mesmo assim saiu do governo carregando e convive até hoje comentários hostis sobre a suposta “venda do Brasil”. A diferença é que FHC aparenta conviver bastante bem com isso.

    Sobre o Eduardo Azeredo, estou esperando a vez dele. Concordo com vc: ele não aparece, mas aguardo ansiosamente o aparecimento do mesmo.

  268. Zbigniew said

    Edu,

    não sou militante, tampouco do PT. Sou um cidadão pacato mas atento aos movimentos políticos do meu país.

    O que observo é um movimento jurídico-político para desconstruir a imagem de um partido e de um líder político. Isto é legítimo? À luz dos embates políticos e com base nos pressupostos que invocam os princípios de Maquiavel, nada mais legítimo. Entretanto reclama-se a passividade com que o PT tem se portado neste caso.

    Em sociedades complexas como a nossa podemos dizer que o Príncipe sai enfraquecido deste episódio porque não impôs o seu poder (de facto) para que não fosse atingido no seu núcleo político (ou na sua autoridade como detentor de tal poder). Entretanto, tal complexidade vale, tanto para um lado como para o outro. O mensalão vai influenciar decisivamente na eleição paulista? A questão é que o candidato da velha mídia tem um calcanhar de aquiles, a rejeição. É possível que este aspecto seja tão forte que o efeito do julgamento do núcleo político do PT nesta semana que antecede a eleição não seja suficiente para alavancar o candidato do PSDB para o segundo turno (veja que não estamos falando de vitória, mas de segundo turno).

    A compra de votos veio à tona. Só que o movimento deveria ter sido outro. O combate deveria ter se travado quando do julgamento do mensalão do PSDB. O PT cochilou e perdeu a oportunidade de pressionar para que todas as teorias e novas jurisprudência latentes no STF fossem utilizadas naquele caso. E não o fez por medo de quê? O amadorismo e o desdém para com o STF foi de tal monta que podemos destacar o desastre que foi o encontro de Lula com o Gilmar Mendes. Logo com o Gilmarzão!

    Sim, o ideal é que todas as relações de poder se dêem no âmbito da ética e neste ponto concordo com você.

  269. Chesterton said

    Quem quer colocar o Lula no banco dos réus (já colocou_ é o Marcos Valério, daí o “estresse” geral da petezada. Se ele resolver abrir a boca (já mandou um aviso que quer ser atendido), Lula vai em cana. Logo, ou matam MV, ou resolvem a “parada”….ou pior.

  270. Chesterton said

    O Instituto Florestan Fernandes
    Florestan Fernandes foi um notório militante marxista que infiltrou a USP e foi muito bem sucedido em doutrinar e transformar gerações de alunos em militantes de grupos e partidos de esquerda. Mas seu legado não se limita a destruição desse capital humano, ele é, como esperado, bem pior do que podemos imaginar, vejam a pontinha do iceberg de merda: A Justiça decretou a quebra do sigilo bancário, financeiro e fiscal do Instituto Florestan Fernandes (FF), fundado pelo diretório municipal do PT em julho de 1999 e contratado pela gestão Marta Suplicy (2001/2004) para “elaboração de estudos e pesquisas sobre a realidade socioeconômica, cultural e política da cidade”. Em decisão de sete páginas, o juiz Kenichi Koyama, da 13.ª Vara da Fazenda Pública, autorizou acesso aos dados sigilosos da entidade no período relativo a 1.º de janeiro de 2003 a 1.º de dezembro de 2005. O Ministério Público, autor do pedido de quebra do sigilo, suspeita que o IFF foi favorecido em subcontratações na administração petista. Os promotores querem rastrear R$ 12,8 milhões que a prefeitura repassou ao instituto. Eles suspeitam que o dinheiro foi destinado ao PT. A ex-prefeita não é ré na ação, mas ex-secretários de sua administração são mencionados.
    POSTED BY SELVA BRASILIS AT 5:56 PM

  271. Chesterton said

    O PT rouba até dormindo….

  272. Pax said

    Caro Zbigniew, me permitindo entrar nessa conversa de eleição em SP, acho que o problema abrange algo mais.

    Tanto PT quanto PSDB acharam que o outro era seu inimigo prioritário e partiram insadescidos um contra o outro.

    Só perceberam o erro recentemente.

    E esta é a situação que me preocupa no pós mensalao, ou seja, oportunistas como Russomano podem alçar vôos mais altos.

    Vale nos lembrarmos do famoso caçador de marajás.

    Minha opinião nao muda com este julgamento. Os dois melhores partidos brasileiros, ou os menos piores, sao PT e PSDB.

    Por enquanto.

    Enviado via iPhone

  273. Edu said

    Zbig,

    Pois é, na verdade vc me fez atentar para algo que eu nem imaginava. O PT está meio murcho com essa história toda de mensalão. O ZD apelou algumas vezes para a população ou para a militância. Na verdade, a militância está brigando mais pelo PT que o próprio PT, e isso é mto estranho…

    Daí concordo com vc: o que há com o PT que gerou essa falta de combatividade?

    Cansaço? É derrotismo? É falta de rumo? É rabo-preso?

    E vc tem razão: o caso do Lula com o Gilmar Mendes não acabou em ação judicial nenhuma… muito estranho.

    Eu até concordo que o mensalão tenha seus efeitos nas eleições, e concordo com o Pax que um dos perigos disso é a população buscar conforto em candidatos de outras vias desconhecidos e mal preparados. Mas de maneira nenhuma eu penso que os resultados efetivos do mensalão sejam imediatos, na verde, eu espero que os resultados impactem o médio e longo prazo na política nacional. Que as pessoas estejam mais atentas, que isso seja um estímulo para as pessoas discutirem política, e que os códigos de ética dos partidos sejam revistos e, principalmente, seguidos.

  274. Chesterton said

    26 DE SETEMBRO DE 2012
    Após veredicto, Gurgel seguirá com investigação sobre mensalão

    Por Implicante
    Denúncia principal gerou mais 45 processos que tramitam na Justiça Federal e em mais 4 estados; Lula é réu em um deles

    Reportagem do jornal O Globo:

    BRASÍLIA – O fim da ação penal número 470, no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), significará a conclusão de apenas uma etapa do julgamento do mensalão. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse ontem que pretende destravar outras frentes de investigação após o veredicto sobre os réus julgados pelos ministros do STF. O término do julgamento está previsto para o fim de outubro.

    — Do contexto da ação penal 470 surgiram diversas outras ações, em São Paulo, Minas Gerais e algumas coisas na Procuradoria-Geral da República. Assim que terminar esse julgamento, haverá um esforço para dar andamento a essas ações — disse Gurgel ao GLOBO, no intervalo da sessão plenária no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

    A denúncia central do mensalão resultou em outro inquérito que tramita no próprio Supremo. O procedimento tem o número 2.474 e corre em segredo de Justiça. Com 77 volumes, está na fase de investigação policial e ainda não resultou em denúncia por parte do procurador-geral. O inquérito é um desdobramento da ação penal 470, e foi aberto para apurar novos sacadores de dinheiro das empresas de Marcos Valério, considerado o operador do mensalão.

    O procedimento já tem cinco anos. Foi instaurado em 2007, a partir de cópia integral do inquérito que resultou na ação penal em julgamento no STF. Além dos novos saques nas contas de Valério, o inquérito 2.474 investiga supostas irregularidades em convênio entre o Banco BMG e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com a participação da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), para a “operacionalização de crédito consignado a beneficiários e pensionistas”.

    As mesmas suspeitas levaram o Ministério Público Federal em Brasília a acionar na Justiça Federal, por improbidade administrativa, o ex-presidente Lula. Segundo a denúncia do MP, de 2011, Lula favoreceu o BMG e buscou a “autopromoção” quando enviou cartas a aposentados e pensionistas oferecendo crédito consignado. O ex-ministro da Previdência Amir Lando também é réu no processo.

    Reportagem publicada pelo GLOBO no último dia 15 mostrou que a denúncia principal do mensalão resultou em mais 45 processos que tramitam no próprio STF (como é o caso do inquérito nº 2.474), na Justiça Federal no DF e em quatro estados — Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo — e no Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, em São Paulo. São mais 80 réus, que ficaram fora da denúncia formulada pela PGR e que passaram a ser investigados pelo MP em outras instâncias. Somados os 38 acusados que começaram a ser julgados pelo STF em agosto, o mensalão tem 118 réus país afora, como mostrou a reportagem.

  275. Zbigniew said

    Pax,

    Em relação ao PSDB acredito numa fadiga de material. Por que não há renovação neste partido, novas idéias, por que têm sempre que insistir num candidato que já demonstrou ser uma farsa, não tolerar ser contrariado nem afinado com o regime democrático e que já apelou até para a intolerância religiosa? Será que não há forças suficientes dentro da agremiação que dê uma nova face ou encontre um nome a altura?

    O PT sofre da inapetência ou da passividade excessiva. Além dos adversários políticos legitimados pelas urnas tem que dar conta da velha mídia que dia sim, outro também, bate sem dó nem piedade e blinda os governantes peéssedebistas do momento. A obsessão e idéia fixa é a de destruir o mito LULA bem como o PT.

    O Russomano corresponde a um fenômeno genuinamente conservador. E hoje se sobressai, ora porque o Serra já não engana tanta gente, ora porque o candidato do PT é desconhecido. Neste ponto o LULA deu um passo a frente dos adversários. Inovou, colocou um acadêmico para disputar a eleição e bancou a ousadia. Isto no momento em que o mensalão está sendo julgado e divulgado diuturnamente pela velha mídia, da maneira como está sendo divulgado.

    O que podemos considerar uma vantagem do Russomano, que é o apoio da Universal, pode ser a sua fraqueza: uma parceria mal vista por parte do eleitorado e por próceres da velha mídia, em especial o grupo Globo. Por outro lado, com o apoio do Malafaia, Serra passa, em desespero, a tentar atrair o voto religioso. Mas vai atrair também rejeição daqueles que não vêem com bons olhos a mistura de religião com política.

    As últimas pesquisas (Globo e Vox) colocam o Haddad, dentro da margem de erro, a frente do Serra (para ir ao segundo turno com o Russomano), exceto o Datafolha (que costuma mudar de metodologia nestes momentos mais, digamos, sensíveis aos seus candidatos). A se confirmar esta situação não é nada improvável que o Haddad vire o jogo pra cima do Russomano. Já se for o Serra, o peso da velha mídia vai ser colocado com tudo na sua candidatura.

  276. Pax said

    Uma única observação, caro Zbigniew

    O PT tem se renovado?

    Deveria…

    Enviado via iPhone

  277. Zbigniew said

    Pax,
    acredito em Haddad como renovação. Não é do núcleo sindical, é um acadêmico, mas foge ao modelo inicial do PT paulista.
    O Lula percebeu que, se o PT não apresentar alternativas aos nomes de sempre, tenderá ao acomodamento e à perda dos ativos eleitorais. Até porque o Lula não estará aí para sempre.

  278. Chesterton said

    Onde estão os “quadros” do PT? Haddad? Tá de brincadeira, é raso quem Pirex.

  279. Chesterton said

    Ze Dirceu, segundo do PT, de guerrilheiro marxista se revela finalmente o que é:

    Lula não sabia? Alguem aí acredita nessa balela?

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