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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Tese das defesas por água abaixo

Posted by Pax em 02/10/2012

O Supremo Tribubal Federal derrubou a tese utilizada pelas defesas dos réus do mensalão do PT que a dinheirama escorrida pelo valerioduto inaugurado pelo tucanato mineiro era para sustentar o caixa 2 de campanhas eleitorais.

A situação de Delúbio, Genoíno e Dirceu, se complica.

STF derruba tese de que mensalão foi caixa 2 e pune corrupção

Débora Zampier – Repórter da Agência Brasil

Brasília – Ao concluir a análise das acusações sobre os partidos aliados ao governo entre 2003 e 2004, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou, na sessão de ontem (1º) do julgamento da Ação Penal 470, conhecida como processo do mensalão, a tese de que o dinheiro distribuído era apenas fruto de caixa 2. Para todos os ministros, ficou configurado que houve a prática do crime de corrupção passiva entre os parlamentares filiados ao PP, PL (atual PR), PTB e PMDB.

Os ministros se reuniram ontem (1º) na trigésima sessão que tratou da ação. Nela, foi concluída a análise do Capítulo 6 da denúncia do Ministério Público Federal, que envolve a compra de apoio político no Congresso Nacional na época dos fatos. Hoje (2), não haverá encontro para tratar do tema. Amanhã (3), os ministros do STF voltam a se reunir para dar continuidade ao julgamento.

Em um capítulo com opiniões bastante divididas, as únicas votações unânimes foram as que definiram o placar de votação relativo aos parlamentares acusados de corrupção passiva e ao ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas – agora condenados. O único político que escapou da votação unânime por corrupção, mas ainda assim foi condenado por 7 votos a 3, foi o deputado federal Pedro Henry (PP-MT). O crime é punido com pena entre dois e 12 anos de prisão e multa.

A tese adotada pelo STF é que os próprios réus confessaram o crime de corrupção ao admitir que receberam dinheiro do chamado “valerioduto”. A Corte consolidou o entendimento de que a corrupção fica configurada no simples recebimento de dinheiro ou vantagem, sem precisar ficar comprovado o ato realizado pelo político para justificar o pagamento.

A definição sobre o crime de lavagem de dinheiro dividiu a Corte – por um lado, o relator da ação, Joaquim Barbosa, para quem a lavagem fica configurada com o uso de táticas para ocultar o caminho do dinheiro, e de outro o revisor Ricardo Lewandowski, que prega que o suborno nunca é recebido às claras e que o uso de meios para esconder o caminho do dinheiro não é outro crime senão a própria corrupção. A tese de Barbosa prevaleceu.

Uma das surpresas nessa fase do julgamento encerrada ontem foi o lançamento de uma nova corrente sobre o crime de formação de quadrilha. De acordo com a ministra Rosa Weber, a associação para cometer crimes nem sempre é formação de quadrilha, e os réus podem se associar como copartícipes para obter vantagens individuais, sem o objetivo de abalar a paz pública. A tese acabou vencida, mas pode voltar em outras etapas do julgamento com a adesão de novos ministros.

O único réu absolvido de todos os crimes, por unanimidade, foi o ex-assessor do PL e irmão de Jacinto, Antônio Lamas (lavagem de dinheiro e formação de quadrilha). Não houve surpresa no resultado porque a inocência do réu já havia sido apontada pelo Ministério Público Federal nas alegações finais do processo e a absolvição era esperada, assim como ocorreu com o ex-ministro Luiz Gushiken.

Condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Pedro Henry foi absolvido do crime de formação de quadrilha, cuja pena vai de um a três anos de prisão. Do mesmo crime foi absolvido o sócio da Bônus Banval Breno Fischberg.

O ex-deputado José Borba (PMDB) permanece com situação indefinida em relação ao crime de lavagem de dinheiro, pois houve empate de 5 votos a 5. A questão será resolvida apenas na proclamação do resultado. O crime de lavagem é punido com pena de três a dez anos de prisão e multa.

A maioria das penas dessa etapa, quando somadas, pode chegar a oito anos de prisão, limite para a declaração do regime fechado.

Confira as condenações da primeira parte do Capítulo 6 – corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro entre os partidos da base aliada do governo – e as penas mínimas e máximas de prisão para cada crime:

1) Núcleo PP

a) Pedro Corrêa: condenado por corrupção passiva (dois a 12 anos de prisão), lavagem de dinheiro (três a dez anos de prisão) e formação de quadrilha (um a três anos de prisão)
b) Pedro Henry: condenado por corrupção passiva (dois a 12 anos de prisão) e lavagem de dinheiro (três a 10 anos de prisão)
c) João Cláudio Genu: condenado por corrupção passiva (dois a 12 anos de prisão), lavagem de dinheiro (três a dez anos de prisão) e formação de quadrilha (um a três anos de prisão)
d) Enivaldo Quadrado: condenado por lavagem de dinheiro (três a dez anos de prisão) e formação de quadrilha (um a três anos de prisão)
e) Breno Fischberg: condenado por lavagem de dinheiro (três a dez anos de prisão)

2) Núcleo PL (atual PR)

a) Valdemar Costa Neto: condenado por corrupção passiva (dois a 12 anos de prisão), lavagem de dinheiro (três a dez anos de prisão) e formação de quadrilha (um a três anos de prisão)
b) Jacinto Lamas: condenado por corrupção passiva (dois a 12 anos de prisão), lavagem de dinheiro (três a dez anos de prisão) e formação de quadrilha (um a três anos de prisão)
c) Bispo Rodrigues: condenado por corrupção passiva (dois a 12 anos de prisão) e lavagem de dinheiro (três a dez anos de prisão)

3) Núcleo PTB

a) Roberto Jefferson: condenado por corrupção passiva (dois a 12 anos de prisão) e lavagem de dinheiro (três a dez anos de prisão)
b) Emerson Palmieri: condenado por corrupção passiva (dois a 12 anos de prisão) e lavagem de dinheiro (três a dez anos de prisão)
c) Romeu Queiroz: condenado por corrupção passiva (dois a 12 anos de prisão) e lavagem de dinheiro (três a dez anos de prisão)

4) Núcleo PMDB

a) José Rodrigues Borba: condenado por corrupção passiva (dois a 12 anos de prisão). Empate de 5 votos a 5 por crime de lavagem de dinheiro (três a dez anos de prisão)

Atualização: O voto do presidente do STF, ministro Carlos Ayres Brito, de ontem, pode ser lido aqui, no link do STF

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103 Respostas to “Tese das defesas por água abaixo”

  1. Pax said

    Tem horas que dá vontade de desistir de fazer este blog que tanto gosto. Enquanto políticos se corrompem nossas Agências Regulatórias, em especial a ANATEL, permite que as operadoras de telecomunicações façam e desfaçam da paciência dos usuários destes péssimos e caríssimos serviços.

    É o que dá viver num país onde o que impera é a corrupção.

  2. Edu said

    Pax,

    Solidarizo contigo, não é o único, a Claro tem me dado lições ótimas de como detestar uma operadora de celular.

    O pior: não tenho coragem de trocar, já havia brigado com a TIM e com a Vivo antes…

  3. Edu said

    Pessoal,

    Acho que é uma leitura interessante:

    http://www.implicante.org/artigos/os-erros-de-eric-hobsbaw-uma-contabilidade-de-mortes/

    Gostaria que o Elias, especialmente, lesse esse artigo. Ele apresenta como a esquerda está “enrabando” a direita historicamente.

  4. Pedro said

    É vero. Tem hora que dá um desanimo.

    Estas operadoras vendem um serviço e não entregam, ou entregam pela metade.

    Eu era cliente da TIM desde o tempo do celular a lenha, mesmo assim eles não estão nem aí.

    Acabei de trocar pra Oi, vamos ver no que dá.
    ………………………….

    E sobre corrupção eu diria que a luta vai ser longa e árdua.

    Parece que aqui tem uma máfia em cada setor.

  5. Pax said

    Falando em Agências Regulatórias, hoje a ANS – da Saúde, suspendeu a venda de 301 planos de saúde.

    Faço uma aposta:

    – Uma caixa de cerveja que dentro em breve todas voltarão a vender seus planos e nada vai melhorar. Idem ibidem a suspensão das vendas de celulares que vimos recentemente.

    É o que dá viver no Império da Corrupção.

    Será que mandaram o Marcos Valério negociar com eles também?

  6. Jose Mario HRP said

    Enquanto rola o mensalão, o povo pensa em eleição isso aqui rola no velho mundo ocidental:
    http://portuguese.ruvr.ru/2012_09_16/88403883/

  7. Edu said

    HRP,

    Obrigado pelo link. Acho que as coisas no oriente médio tendem a esquentar nesse próximo inverno…

    Nem sabia que havia uma rádio baseada na Rússia transmitindo notícias em português… desde 1934! Esse mundo globalizado graças ao capitalismo é mesmo uma maravilha!

    Como é que descobre essas fontes tão exóticas?

  8. Pedro said

    Pax # 5, as operadoras faturam até com o bloqueio:

    “É proibido vender aparelho bloqueado. A Claro vende o iPhone bloqueado. Quando instada a desbloquear, a Claro bloqueia o atendimento. A Apple informa que só a Claro pode desbloquear. E a Claro, claro, não desbloqueia. E o consumidor? Fica bloqueado de utilizar em outro país um chip local, pagando para a Claro o uso internacional. Não atende o reclamo, desrespeita as regras e fatura milhões…”

  9. Otto said

    Edu #3

    Uma grande baboseira este artigo sobre Hobsbawm. Primeiro, ele não referencia as citações de Hobsbawm. Onde foi que Hobsbawm disse que Lula era um líder marxista? Mostre-me por favor.

    Outra coisa: qual foi a primeira grande nação capitalista da história?

    Imagino que você leia alguma coisa além de blogs e jornais.

  10. Pax said

    Como sempre, um bom post do Kotscho:

    http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2012/10/02/stf-decide-que-mensalao-foi-compra-de-votos/

    E uma observação, se o Valdemar da Costa Neto for na OEA, na Corte Interamericana de Direitos Humanos, será uma ofensa inaceitável. Não é a OEA que define a democracia brasileira. É o povo brasileiro. O povo, através de seus representantes, estabeleceu uma Constituição que determina a forma de convívio que queremos e os métodos de fazermos valer nossa lei maior.

    Um corrupto de marca, conhecido pelos seus atos desde há muito, levar para fora do Brasil uma tentativa de escapar de seus crimes é muito à além do que imagino ser razoável, é uma ofensa a nós, brasileiros.

    Tem hora para dar um basta.

  11. Jose Mario HRP said

    Queiram ou não o historiador recentemente morto usava seu vasto conhecimento da obra de Marx para fazer sua análise nos diversos títulos que publicou, e foi essa metodologia, capa de elucidar a verdade na história recente dos homens na face da terra..
    Parece uma ironia que se use teses e teorias marxistas para a nalise de nossa história nos angustiantes caminhos capitalistas dos tres últimos séculos.
    O que o conhecimento da obra de Marx nos contempla são as certezas do que ele previu de como a sociedade se tornará comunista no futuro..
    (e justa e tranquila).
    Pode parecer e é, as previsões advindas da religião e da ciencia humana., as unirão nas conquistas e realizações, e nem sei o que isso significará aos crentes e aos ateus
    A sociedade ideal do futuro será comunista e suas diversas fases até que se chegue ao comunismo estão se concretizando.
    Mas se não leu Marx vai continuar acreditando que o comunismo morreu com a URSS……..KKKKKKKKK.

  12. Chesterton said

    A Justiça Eleitoral do Pará apreendeu, no início da tarde desta terça-feira, 1,134 milhão de reais em notas de 50 e 100 no aeroporto de Carajás. A operação foi comandada pelo juiz eleitoral de Parauapebas, Líbio Araújo Moura, e realizada em conjunto com as polícias Civil e Militar.

    Três pessoas foram presas em flagrante. Uma delas o piloto de um avião que transportava o dinheiro, um monomotor de propriedade do empresário João Vicente, dono da empresa White Tratores. A Polícia Federal de Marabá abriu inquérito para apurar o caso. Os presos, transportados no mesmo avião apreendido até Marabá, prestaram depoimento no final da tarde.

    O dinheiro estava em três mochilas e era conduzido por Rosangela Noronha Machado, de 36 anos, e Agnaldo Correia Braga, de 37, além do piloto Lucas Silva Chaparro, 32. Segundo denúncia anônima encaminhada ao juiz eleitoral, no final da semana passada, o dinheiro seria usado no pagamento de “boca de urna”, no próximo domingo, em favor do candidato do PT à prefeitura do município, José das Dores Couto, o Coutinho.

    O candidato é apoiado pelo atual prefeito, o também petista Darci Lermen, que teve no empresário João Vicente um dos maiores financiadores das campanhas eleitorais que o levaram ao poder por dois mandatos consecutivos.

    Por ordem do juiz, o dinheiro apreendido foi depositado em uma conta no Banco do Brasil e ficará à disposição da Justiça. Ele também pediu ao Banco Central que faça o rastreamento da numeração das cédulas que foram sacadas em uma agência bancária de Belém.

    Os portadores do dinheiro e a empresa White Tratores, que pertence ao dono do avião, negaram que o montante seria usado nas eleições. Segundo eles, os valores seriam usados para efetuar pagamentos de locação de equipamentos. A empresa afirmou que teria recorrido ao pagamento em dinheiro vivo por estar com problemas bancários.

    (Com Agência Estado)

    chest- será que Elias está envolvido?

  13. Chesterton said

    ele previu de como a sociedade se tornará comunista no futuro..
    (e justa e tranquila).

    chest- ah é?

  14. Chesterton said

    http://mises.org/daily/6210/Dancing-on-the-Grave-of-Keynesianism

    chest- para o HRP se “atualizar”….

  15. Pax said

    Mais uma boa, do Fernando Rodrigues, sobre o famigerado corrupto Valdemar, que as grades o tenham…

    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/fernandorodrigues/1162907-valdemar-ajuda-o-brasil.shtml

    Uma frase do artigo: Valdemar é um caso para estudo sobre a degradação da política brasileira.

    E não é?

    Vá pra jaula, Valdemar.

  16. Otto said

    Pax, veja como a diferença de tratamento persiste:

    http://www.brasil247.com/pt/247/goias247/82107/A-pedido-de-Gurgel-STF-arquiva-inqu%C3%A9rito-contra-Stepan-Nercessian.htm

  17. Pax said

    Nem comunista nem liberal, caro velho e bom Chesterton. Viveremos num mundo onde o Estado terá seu importante papel e, ao mesmo tempo, a liberdade dos homens será preservada.

  18. Patriarca da Paciência said

    Meu caro HRP,

    o stalinismo está para o marxismo, assim como a “santa” inquisição está para o cristianismo.

    Acontece que para uma boa parte da direitona, marxismo é apenas stalinismo.

    Mas a marcha da história é inexorável e, aos solavancos, a humanidade caminha.

    Basta estudar um pouco o Império Romano, ou, mais recente ainda, o Império Inglês, para constatar o tanto que as condições sociais da maioria das pessoa evoluiu.

    Hoje há países com mais de 80% de classe média, caso dos países escandinavos.

    E ainda tem gente que acredita, e torce, para o retorno dos tempos de exploração absoluta!

  19. Pax said

    Caro Otto, em #16,

    Confesso que não tenho informações suficientes para emitir opinião sobre este caso.

    A notícia diz que Gurgel achou que faltam provas. Resta saber o que ele recebeu e como analisou. Como não tenho estas informacões não posso dar nenhuma opinião.

    No caso do mensalão, agora em questão, as provas, indícios etc são pra lá de abundantes. Então não tenho como comparar laranja com sei-lá-o-quê.

    Sinto.

  20. Pax said

    Justo hoje tenho uma estrada pela frente….

    Caro Patriarca, em #18 –> belíssima argumentação. Assino embaixo.

  21. Otto said

    Ô, Pax,

    receber 175 mil do esquema Cachoeira não é prova? Nem indício para pelo menos abrir processo?

    E se este dinheiro tivesse ido pro Dirceu? O que o Gurgel diria?

    Bom, por falar nele, me cite uma prova concreta contra o Dirceu: um áudio, um e-mail, um estrato bancário….

  22. Patriarca da Paciência said

    Grato pelo elogio, caro Pax,

    realmente acredito no que escrevi no comentário 18, deve ser por isso que ficou bom.

  23. Pax said

    Eu não tenho prova alguma contra o Dirceu, caro Otto. Como disse, terceirizei o julgamento com quem de direito, o STF.

    Na notícia que você colocou não havia a informação dos tais R$ 175 mil. Ao menos não vi.

  24. Jose Mario HRP said

    Infelizmente Patriarca e Otto, vejo que as pessoas continuam a achar que comunismo é o que foi a URSS!
    Não leu, que é mais fácil , e teima em confundir alho com bugalho!(sem ter bagagem cultural para a analise correta)
    KKKK…..

  25. Edu said

    Otto, HRP, Patriarca e quem mais se assanhou com o artigo do Implicante,

    Eu não sou historiador e por mais que me interesse e leia história, estou muito distante de ser capaz de entender os detalhes dos diferentes pontos de vista históricos para provar isso ou aquilo.

    Feita essa ressalva, dentro dos meus diminutos conhecimentos, tendo lido alguns títulos do Sr. Eric Hobsbawm, sempre achei ele bastante controverso. Como eu era bem mais novo quando li, achei que ele estava prestando um serviço apresentando um outro ponto de vista.

    O artigo do Implicante, assim como o Pryce-Jones do Dicta-Contradicta, trouxeram algumas lembranças do que eu havia lido e, poxa vida, mostram as contradições que sempre achei que esse historiador apresentava. Mas, sempre que achei que não havia problema, afinal, era um outro ponto de vista.

    Para falar a verdade eu nem me lembrava mais do Hobsbawm e sinto muito por ele: tão apaixonado por suas convicções que acabou falecendo sem ver o marxismo/comunismo definhando ao longo de sua vida e desaparecendo quase que completamente. Inclusive, com o mundo caminhando justamente na direção oposta.

    E aqui, Patriarca, merece uma ressalva à sua colocação, porque o Hobsbawm era comunista, e o artigo do Implicante está mostrando onde o comunismo, esse que vc tbm desconsidera como exemplo de marxismo, é incompatível com a ideia de uma sociedade evoluída.

    Além disso, Otto, não precisa se apegar aos detalhes, não é necessário referenciar. Basta saber ter lido e saber o que o Hobsbawm defendia para ver as suas incoerências estampadas.

    Assim como, HRP, basta olhar para o mundo hoje e ver a distância de desenvolvimento existente entre os países. O mundo está bastante distante do comunismo.

    E se vcs acham que os países escandinavos são os melhores exemplos de marxismo, ok, não tem problema nenhum. Queria ver o Lula governando lá: lá tem cota para comprar bebida alcólica, sabiam?

    E, embora o mundo continue capitalista e neoliberal, as idéias progressistas estão ganhando força, talvez isso garanta um pouco de paz de espírito para o Hobsbawm e para a esquerda.

    Ps: É uma pena que o Elias não tenha lido a esquerda “enrabando” passivamente a o membro destro e veiúdo da economia de mercado capitalista.

  26. Otto said

    Bom, Edu,

    só uma crítica, entre outras tantas, àquele artigo do Implicante.

    A primeira grande potência capitalista, como todos sabem, foi a Inglaterra. E a Inglaterra era um Império. Inclusive, foi o primeiro país a utilizar bombardeio aéreo contra populações civis, contra uma rebelião na Índia. Aliás, como foi que a Inglaterra “abriu” o mercado da China? À bomba. E pra vender o quê? Ópio produzido na Índia… Os próprios Estados Unidos tiveram colônias, como a Filipinas.

    Muito liberal e democrático isto.

  27. Edu said

    Pax,

    Permita-me discordar:

    1 – O que tem de mais nesse post do Kotscho? “Amigo” do Lula, do Dirceu e do resto, que é, como é que não tinha percebido que o mensalão era o mensalão desde 2005? Vc não acha que o Kotscho, está um pouco atrasado para considerar essa constatação uma coisa boa?

    2 – Ele escreve sugerindo um golpe baixo dos candidatos da oposição ao PT o fato de levar o mensalão ao centro da disputa política. O que tem de errado os adversários do PT levarem à pauta o mensalão?

  28. Edu said

    Otto,

    E império capitalista não pode, mas império socialista pode?

    Onde vc quer chegar?

  29. Jose Mario HRP said

    Edu, o mundo caminha lentamente, não pire com a perspectiva histórica de que num futuro distante o mundo atingirá o estado de coisas que serão a definição perfeita de comunismo( justo e tranquilo bem estar de todos), como voce percebeu está longe esse dia, mas ele virá, e voce estará já em outra reencarnação, mais acessivel as teses da justiça social e do fim da exploração do homem pelo homem!
    Abs!
    O fim do mensalão deixará a oposição sem mais nada!
    O verdadeiro vácuo de propostas e alternativas que a desespera há long time!

  30. Jose Mario HRP said

    Hegemonias são sempre maléficas, impérios idem.
    Mas há idéias e umas são mais viaveis que outras.
    Por isso as tres palavras do lema da revolução francesa são ainda tão atuais.
    Liberdade, Igualdade e Fraternidade!

  31. Edu said

    HRP,

    Eu acho que o mundo caminha lentamente, e o futuro distante será sim de um mundo justo, tranquilo e de bem estar de todos, porém cuja propriedade privada ainda seja uma realidade. A dúvida é: essa sociedade tranquila e justa será uma sociedade comunista ou capitalista?

    Se não me engano, um dos princípios do comunismo é a ausência da propriedade privada. Ao que parece o mundo está caminhando no sentido oposto a isso…

    Se não me engano, um outro princípio do comunismo é o fim da “mais valia” alcançada com a “revolução proletária” e a comunização dos meios de produção. Ao que parece, o mundo está caminhando no sentido oposto a isso também. A “mais valia” continua existindo, e sempre continuará, talvez a troca seja apenas mais justa.

    Então, se a sociedade está caminhando em um sentido onde os princípios do comunismo não existem, como é que a sociedade do futuro será comunista?

  32. Patriarca da Paciência said

    “E se vcs acham que os países escandinavos são os melhores exemplos de marxismo, ok, não tem problema nenhum. Queria ver o Lula governando lá: lá tem cota para comprar bebida alcólica, sabiam?”

    Rapaz, você parece um daqueles “bons moços” que estudou desde o jardim, até o 3º grau, em escolas luteranas.

    Você sequer tem noção de que é uma pessoa preconceituosa!

  33. Jose Mario HRP said

    Pois é , veja só o que nos separa, voce se baseia em teses de hoje, prováveis ou não, em permanente evolução do pensamento humano, em que hoje voce só admite um mundo com a “propriedade privada” sendo uma coisa sem a qual voce não aparentemente poderia viver, mas num futuro, com o mundo e a civilização evoluindo , será o óbvio.( quem sabe?)
    Quem pode prever?
    Mas o comunismo de que falo tem mais a ver com as tres palavras do lema da Revolução Francesa, que parecem prever um mundo além das teses e caminhos que a teoria marxista defende.
    Mas não é necessario ter medo, é só o futuro, além das nossas perspectivas de vida.

  34. Edu said

    Patriarca,

    Onde está o preconceito?

    Eu não sei onde algum país escandinavo se enquadra dentro do conceito de comunismo:

    – Lá existe o direito à propriedade, embora o estado seja bastante assistencialista.

    – Lá existe o livre mercado. Os países escandinavos constam bem classificados nos índices de liberdade econômica.

    – E lá as liberdades individuais não são assim tão livres. Eu também bebo e iria detestar ter minha liberdade individual de encher a cara em casa tolhida pelo Estado. Lá isso acontece.

    Mas é divertido mexer com o Lula. É como se eu tivesse cometendo uma heresia! Vcs ficam todos eriçados!

    Enfim, acho que vc tem que se esforçar mais Patriarca.

    Pergunta simples: onde é que os países escandinavos são COMUNISTAS (porque foi precisamente essa a palavra que vc usou)?

  35. Patriarca da Paciência said

    Edu,

    uma frase do Lula: “propriedade é uma coisa tão boa que TODOS deveriam ter direito de terem propriedade”.

    Países escandinavos tem alta carga tributária e grandes benefícios sociais, justamente os dois pontos que os “liberais” mais combatem!

  36. Patriarca da Paciência said

    Mais uma coisinha, caro Edu,

    essas coisas que você se refere são justamente características do stalinismo!

    Como falei acima, stalinismo está para o marxismo, assim como a “santa” inquisição está para o cristianismo.

  37. Edu said

    HRP,

    Putz cara, eu realmente devo ser uma anta.

    Eu não sabia que comunismo podia ser qualquer coisa relacionada à revolução francesa.

    Eu achava que o comunismo era necessariamente um estado social resultante da evolução da luta de classes, onde haveria uma revolução um socialismo e finalmente um comunismo.

    Mas se comunismo pode ser qualquer coisa relacionada à revolução francesa acho que o capitalismo também é comunista! Já que o capitalismo também se baseia em liberdade de comércio, igualdade na justiça e fraternidade ética….

  38. Edu said

    Patriarca,

    Defina comunismo então! Eu posso estar enganado… o HRP está dizendo que comunismo é qualquer coisa relacionada à revolução francesa. O excesso de Wikipédia, Vermelho, Rodrigo Vianna e Luis Nassif podem estar prejudicando a minha noção de realidade.

    Apresente-me sua versão oficial do que é comunismo, por favor.

  39. Pax said

    Caro Edu,

    Me mostre um analista político histérico da oposição que aceita o julgamento do STF e vou dizer que Kotscho fez um post meia boca.

    Em outras palavras, é de se aplaudir o post de um cara que sempre foi defensor do PT aceitando o que rola. É disso que falo.

    Essa discussão é sobre comunismo ou socialismo? É bom diferenciar modelo econômico de modelo político.

  40. Jose Mario HRP said

    Pois é Edu, embora não sejas a anta, há que entender que o termo comunismo da tese de Marx sugere o comum a todos, que tem inicio quando reconhecemos que as tres palavras do lema frances são há semente de um mundo diferente.
    Sim o capitalismo virá em sua forma plena, e assim se seguirão as fases de que fala Marx, mas o futuro harmônico da civilização só pode haver depois que nos desvistamos de necessidades menos justas e sem equlibrio
    Olha só o que é a distribuição de renda dos EUA atualmente!
    As injustiças e a concentração de renda nos EUA assustam seus pensadores e economistas honestos.
    Estamos involuindo?
    Ou perdemos a principal qualidade do exercicio da liberdade?
    É , estamos longe do mundo ideal, porque somos pobres de raciocinio e percepção, embora nos achemos os tais!
    Os buracos de ozonio e a devastação da florestas que o digam!
    Não te preocupes pois a verdadeira guinada rumo a confirmação da tese marxista se dará quando nossos ossos já tiverem virado calcio puro e poeirento em algum campo de cultura!

  41. Jose Mario HRP said

    Boa essa do Pax, entre o socialismo e comunismo!

  42. Otto said

    Edu, pelo jeito você não leu o artigo do Implicante que linkou.

    Este artigo dizia que o capitalismo não tinha nada a ver com o imperialismo, como se o Império Britânico não fosse capitalista…

  43. Chesterton said

    Nem comunista nem liberal, caro velho e bom Chesterton. Viveremos num mundo onde o Estado terá seu importante papel e, ao mesmo tempo, a liberdade dos homens será preservada.

    chest- isso é liberalismo, Pax. Liberdade sem estado muito provavelmente descamba ao anarquismo.

    Engraçado agora os petistas, que sempre afirmaram que o comunismo tinha acabado, voltando “às raízes” marxistas.

    Gentem, a única diferença importante é se as pessoas poderão reter o fruto de seu trabalho ou se terão que dar uma enorme parcela para o estado fazer “política”. O resto?

  44. Otto said

    Pax,

    não lhe parece verossímil que um golpe paraguaio esteja a caminho?

    O STF, em quem você parece tanto confiar, já sancionou no passado um golpe, o de 1964.

    Leia com atenção o seguinte texto:

    A FALTA DE PROVAS SOBRE A COMPRA DE PARLAMENTARES

    “O julgamento da AP 470 é o ato final de um período extremamente conturbado da política brasileira. O estouro do suposto escândalo se deu em 2005, através de uma entrevista de Roberto Jefferson para um jornal do estado de São Paulo. A partir dessa entrevista, uma explosão política seguiu seu curso em Brasília, se espraiando por todo o Brasil.

    Foram abertas três CPIs que devassaram a vida de centenas e centenas de pessoas. O MPF nunca trabalhou com tanta sofreguidão para produzir sua denúncia, que fora entregue ao STF em abril de 2006. Os meios de comunicação vasculharam a vida de cada um dos envolvidos, desde o momento das suas concepções, quando ainda eram microscópicos fetos no ventre de suas respectivas mães até os dias atuais.

    Pois bem, das mais de trezentas testemunhas que fazem parte do processo, não há absolutamente nenhuma que confirme a existência do “mensalão” enquanto compra de apoio parlamentar. Nem mesmo o delator do processo confirma essa tese em suas alegações finais. Aí cabe um adendo. Um réu não é obrigado a produzir provas contra si, pode omitir ou até mesmo mentir se isso for pertinente a sua defesa. Uma testemunha, ao contrário, faz um compromisso formal de dizer a verdade, nada mais que a verdade e somente a verdade, sob pena de sofrer as imputações legais que o ordenamento jurídico lhe faculta.

    Não há nos autos da AP 470 nenhuma interceptação telefônica, de e-mails, nenhuma escuta ambiental, nenhum documento, nenhum laudo, nenhum rascunho, nenhum áudio ou vídeo, nenhuma testemunha e, obviamente, nenhum réu que confirme a tese da “compra” de votos. Todos confirmam, em juízo, que os recursos foram utilizados para pagamento de despesas eleitorais e pré-eleitorais. Despesas pretéritas e futuras da campanha.

    Àqueles que não se movem por alucinações oriundas de ódio classista, não lhes parece pouco crível, para ser suave, que a tese da “compra” de votos seja verídica? Nem mesmo com a verdadeira guerra que se move contra os acusados desde 2005, portanto lá se vão mais de sete anos, conseguiu-se provar a existência de “compra” de apoio político. E porque nunca se comprovou essa tese, sabendo que nunca antes na história deste país se investigou tanto e tão a fundo pessoas envolvidas no episódio e, em especial, os envolvidos do Partido dos Trabalhadores?

    Lamento ter que dizer isso com todas as letras. Mas a verdade nua e crua é que alguns ministros do STF abraçaram a tese da “compra” de votos desprezando todos os documentos existentes nos autos, conseguiram ser mais ‘realistas que o rei’, ou seja, confirmaram uma tese que nem mesmo a sanha oposicionista, do MPF e da ‘grande mídia’ conseguiu comprovar em sete anos de perseguição política tenaz e implacável. Ilações, inferências, deduções, hipóteses, conjecturas, suposições e achismos mil. Esses foram os elementos que os juízes do Tribunal de Exceção utilizaram para confirmar a tese inexistente e que ninguém mais conseguiu comprovar a não ser eles mesmos.

    Na verdade, não estou muito surpreso. A história do STF tem seus momentos gloriosos e tem seus momentos infames, onde infames juízes esquecem da toga e se tornam tiranos covardes e vis. O momento atual infelizmente é o da covardia e da vilania suprema. Do mesmo modo o foram os momentos em que o STF negou habeas corpus para Olga Benário e esta acabou morta nos campos de concentração nazista e o momento onde o então presidente do STF “deu a benção” ao regime golpista de 64, abonando ao invés de sancionar o comportamento dos golpistas, sendo que o presidente constitucional João Goulart ainda estava no Brasil e nem mesmo houvera renunciado ao cargo.

    Triste é o país que adota o “domínio do fato” para condenar réus sem prova alguma (presunção de culpa). A história a de julgar a infâmia perpetrada pelos pusilânimes atuais. Por fim, presto minha ‘saudação’ ao decano ministro Celso de Mello, ministro esse que absolveu Collor do delito de corrupção pois não havia ato de ofício a comprovar o suposto delito… Parabéns Celso de Mello! Tu és a prova viva de que o julgamento atual é sim um julgamento farsesco e excepcional.”

    Diogo Costa

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-falta-de-provas-sobre-a-compra-de-parlamentares

  45. Pax said

    Caro Otto,

    Não confio nem na minha bistataravó, aquela falecida safada. Parta deste princípio.

    Acontece que Democracia pressupõe que devamos aceitar o que está estabelecido pelo povo. A não ser que desprezemos eleições, constituição, poderes independentes etc.

    A quem a gente deveria confiar o julgamento do mensalão?

    Golpe paraguaio? Não, meu caro, não me parece nem de longe qualquer coisa similar. Infelizmente temos um processo que corre dentro do que estabelecemos na nossa Constituição.

    O artigo acima fala em condenar sem prova alguma. Nem dá para dar atenção num artigo que estabelece uma frase assim. Como é que as retiradas de dinheiro vivo, na boca do caixa, deixam de ser provas? Onde é que isto está definido na nossa Constituição?

    É só um dos vários exemplos que o conjunto de provas é bastante grande, caro Otto.

  46. Otto said

    Pax:

    uma coisa é caixa dois, outra é compra de deputados. Para este, não há provas. Um assassinato e uma infração no trânsito são igualmente delitos, mas exigem penas diferentes.

  47. Edu said

    Otto,

    O artigo está dizendo que todos foram imperialistas, tanto os capitalistas quanto os comunistas.

    “O termo originalmente designa a sanha de poder de um Estado usando a força militar para sua expansão territorial” – Ou seja, serve para quem realiza tais atos militares, independentemente do modelo econômico.

    Só que o capitalismo britânico evoluiu e livrou superou essa fase imperialista.

    “Com o advento de um mercado de massas, passou a ser muito mais interessante trocar mercadorias com o seu vizinho e ambos enriquecerem no processo de trocas livres do que disputar militarmente pelo controle territorial de uma região pelo Estado…” – Esse mercado de massas é a evolução do capitalismo, assim como o comunismo é a evolução do marxismo e socialismo.

    Oposto do que ocorreu com a comunismo.

    “…um mapa-mundi de 1968, ano da Primavera de Praga, em que apenas o marechal Josip Tito havia saído do bloco soviético e rompido com Stalin…”

    E o imperialismo comunista não é imperialismo, porém o imperialismo capitalista é imperialismo.

    “A isso historiadores stalinistas capitaneados por Hobsbawm, que posteriormente passaram um Photoshop em sua própria história para se considerarem apenas marxistas, deram o nome de “imperialismo”, invertendo e imiscuindo conceitos sem rigor científico uns nos outros.”

    E é exatamente isso que o pessoal aqui do blog está fazendo: chamando comunismo de marxismo, chamando marxismo de revolução francesa, chamando urubu de meu loro e assim por diante.

    Por isso eu disse e repito, Otto, não entremos em detalhes, ocupemo-nos com o mais importante do artigo:

    Quem acabou com o imperialismo não foi o comunismo, e sim o capitalismo.

  48. Chesterton said

    para o Pax

    http://mises.org/daily/3769/

  49. Pax said

    Caro Chesterton, velho e bom Chesterton,

    Carreguei aqui, depois dou uma olhada.

    Segundo um pouco que vi agora, a tese que Zé Dirceu não tinha nada com o Valério caiu. Que tamanha burrice. Desculpem-me, mas trazer para dentro de casa um cara como o Marcos Valério não tem outra classificação.

  50. Otto said

    Oi, Edu,

    o conceito de imperialismo, como uma evolução do colonialismo, numa nova etapa do capitalismo, é bem anterior a Hobsbawm.

    O Império Britânico não evoluiu e superou essa fase imperialista. Eles simplesmente perderam seu império por conta dos movimentos de libertação do terceiro mundo, vide a história da Índia e de Gandhi. E contra a vontade deles. Veja como eles se agarram às Malvinas como um cão ao osso.

    “Com o advento de um mercado de massas, passou a ser muito mais interessante trocar mercadorias com o seu vizinho e ambos enriquecerem no processo de trocas livres do que disputar militarmente pelo controle territorial de uma região pelo Estado…”

    Isto é muito bonito no papel, mas não foi isto que de fato aconteceu. Veja a história da Grã-Bretanha no século XIX, e os próprios Estados Unidos, que desde a independência iniciaram em média uma guerra a cada três anos. Em vez de trocar mercadorias livremente com seus vizinhos mexicanos, acharam mais vantajoso lhes roubar metade do território. Você acha que a guerra no Iraque foi só pra exportar democracia? Por que eles não se importam em exportar essa democracia para a Arábia Saudita, onde mulher nem pode andar de carro?

    E quanto a discussão sobre a prosperidade dos países escandinavos, deve-se levar em conta a importância dos governos sociais-democratas que governaram a região por décadas. E a social-democracia tem suas raízes no movimento organizado do proletariado, onde o marxismo sempre teve muita força nos séculos XIX e XX.

  51. Edu said

    Otto,

    Ninguém disse que o conceito de imperialismo como evolução do colonialismo foi do Hobsbawm.

    As colônias britânicas demoraram bastante para se separarem. As próprias colônicas continuaram capitalistas…

    Da mesma forma que a Inglaterra com as Malvinas, a Rússia briga por Kosovo (É Kosovo? Ou era a Chechênia? Enfim, não lembro)…

    Sobre a evolução desse comércio internacional eu não tenho nada a declarar. Durante o século XX as regras e conceitos de comércio internacional mudaram muito. Dentre essas mudanças surgiram conflitos.

    Eu me arriscaria a dizer que os conflitos gerados foram justamente porque ditaduras se dispuseram a negociar com países desenvolvidos e democráticos e, por conta de acordos ruins, destruíram seus próprios países. Quando as revoluções desses países pela busca de democracia surgiu, automaticamente os novos governos surgiram contra os antigos parceiros comerciais.

    Meu exemplo disso é a própria Líbia: o custo de se ter uma democracia é um ódio aos EUA por culpa do Kadafi.

    E quanto aos países escandinavos, eu até concordo sobre o peso dos governos social-democratas e o envolvimento de Marx nessa história. Só que está bem distante de um comunismo. Uma dúvida honesta: houve algum tipo de revolução nesses países? Ou esses países chegaram ao estado atual por meio de uma organização política democrática, alternância de poderes e evolução dentro do livre-comércio?

  52. Otto said

    Edu,

    quanto à ultima pergunta, creio que não houve nenhuma revolução, pelo menos no século XX, mas a social-democracia assumiu o poder dentro das regras democráticas. Agora não sei se a passagem do feudalismo para o moderno estado de direito foi tranquila ou se houve algum tipo de revolução lá pelos séculos XVIII ou XIX.

    Por outro lado, a existência da União Soviética foi decisiva para a curação de um estado de bem-estar social. Com medo de uma revolução violenta nos moldes soviéticos, suas elites revolveram pactuar um sociedade em bases sociais mais igualitárias. Lá, a diferença entre os maiores e os menores salários não é mais de cinco vezes. por exemplo, o diretor de uma grande empresa não ganha mais que cinco vezes o seu porteiro. Lá há muito tempo não existe mais empregada doméstica. Mais não foi sempre assim:é só assistir alguns filmes de Bergman, que focalizam o início do século XX, para ver que as famílias abastadas tinham uma criadagem considerável.

  53. Zbigniew said

    Pois é. Sabendo que o Dirceu encontrou-se com o Marcos Valério diversas vezes e em virtude de sua burrice – como afirma o Pax – temos que o Dirceu é chefe da quadrilha.
    O que é isto?! Crime agora é que nem vírus, pega pelo ar?! Vocês não estão percebendo em que sinuca se estão colocando os direitos no Brasil?
    Um dia que alguém, político de um partido, se encontrar com um escroque, poderá ser condenado, agora não é nem mais por gravidade, é por aproximação.
    Aí se constroem pérolas como esta:

    O relator do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, afirmou na sessão desta quarta-feira (3) que em mais de uma ocasião o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu teve encontros “clandestinos” com o publicitário mineiro Marcos Valério para discutir repasses de dinheiro a partidos da base aliada. De acordo com o relator, Valério não foi o único, pois os parlamentares que recebiam recursos ilícitos do esquema se reuniam com frequência na Casa Civil, que fica no Palácio do Planalto.

    A impossibilidade de conhecimento do conteúdo de tais reuniões evidencia seu “caráter clandestino”, segundo o relator. “Há algo de privado nessas reuniões, sem acesso a qualquer fiscalização, transparência ou controle, embora fossem realizadas na chefia do Executivo”, disse Barbosa, citando o Palácio do Planalto. Segundo Barbosa, Marcos Valério admitiu, no início, apenas duas reuniões com José Dirceu. Posteriormente, o relator citou o depoimento de Sandra Cabral, ex-secretária de Dirceu, que relatou serem frequentes as idas de Valério à Casa Civil. “Marcos Valério falava de fato em nome de José Dirceu”, disse Barbosa.

  54. Pax said

    Caro Zbigniew,

    Nao foi bem o que disse. Condenei o PT por ter feito de Valério seu representante. E parceiro.

    Vc faria o mesmo?

    Temos agora um ponto e um contraponto na questão Genoíno, que me parece importante. Vamos aguardar a decisão do colegiado.

    Sobre Dirceu ressalto que a questão do apto para sua ex mulher pode, no meu achismo, complicar sua situação.

    Vamos aguardar amanhã.

    Enviado via iPhone

  55. Pax said

    Aliás, caro Zbigniew, como disse o ministro Lewandowski, “quo non constibilis escrituris in blogs, non verita est”…. ou seja, neste latim chestertiano, onde mesmo que eu escrevi que se o Dirceu se encontrava com o Valério então ele é culpado.

    Se achar nos meus escritos, fico agradecido.

    =)

  56. Chesterton said

    HOBSBAWM E O PREÇO DA UTOPIA

    David Pryce‑Jones *

    Tradução de Cristian Clemente

    Eric Hobsbawm tem passado sua carreira de pelo menos sessenta anos ora justificando a existência da União Soviética, ora lamentando sua derrocada. Ninguém no Reino Unido poderia igualar semelhante recorde; aliás, nem na Rússia de hoje há alguém com uma carreira comparável. A culpa dos males do mundo é, argumenta Hobsbawm invariavelmente, do capitalismo e dos capitalistas. Ele gosta de se definir como um historiador profissional, mas isso não passa de rematada autoindulgência da parte de um apologista denodado da ideologia marxista‑leninista.

    Hobsbawm não tem qualquer interesse pelas normas habituais da historiografia, que é contar o mais objetivamente possível a verdade dos acontecimentos. No entanto, quanto mais distorcidas e perversas são as suas ideias, maior a reputação que angaria. Reitor do Birkbeck College, em Londres, professor universitário, membro da British Academy e da American Academy of Arts and Sciences, coleciona prêmios, títulos honoríficos e louvores muitas vezes negados a acadêmicos de verdade. É extraordinário que a defesa do totalitarismo e o desprezo pelas sociedades livres sejam recebidos com a aprovação de multidões.

    Sir Keith Thomas, autoridade em temas da cultura britânica, por exemplo, chegou a dizer que Hobsbawm “é inigualável na sua profissão”. Numa resenha para o New York Review of Books, Tony Judt considerou‑o “o mais conhecido historiador do mundo […] um herói lendário da cultura. Sua fama é bem merecida. Ele controla vastos continentes de informação”. Um comentarista conservador, Niall Ferguson, criticou o comunismo de Hobsbawm, mas julgou inegável o fato de ele ser “um dos grandes historiadores desta geração”. Tampouco o New York Times viu algo de contraditório ou estranho em descrevê-lo como “um dos grandes historiadores britânicos da sua geração, comunista ferrenho e homem culto, cujas obras de história, escritas com erudição e estilo elegante, continuam a ser lidas nas escolas daqui e do exterior”.

    A revista The Nation foi muito além disso, elevando‑o a nada menos que a categoria de “um dos ‘homens virtuosos’ de Aristóteles”. O ex‑primeiro‑ministro Blair o elevou a membro da Ordem dos Companheiros de Honra, distinção rara que serviu para confirmar sua reputação. Um entrevistador da BBC, célebre por desbaratar pretensões, convidou‑o para um dos principais programas de entrevista e, de repente, entregou‑se à bajulação, chamando Hobsbawm de o maior historiador do século XX.

    A experiência comunista – trata‑se de uma opinião já amplamente aceita – é responsável por cem milhões de mortes, e impôs ao século XX o estigma de uma das épocas mais assassinas da história. Já se descobriu que o marxismo‑leninismo é, na melhor das hipóteses, um devaneio acadêmico e um eufemismo para engenharia social; na pior, uma máquina infalível de guerra, conflitos e genocídios. Os condenados a aturar o comunismo livraram‑se agradecidamente dele assim que tiveram chance. Antigos fiéis da primeira hora – de Andrei Sakharov e Leszek Kolakowski a François Furet – viriam a explicar detalhadamente como pessoas inteligentes como eles próprios puderam estar tão enganados. Humanidade, liberdade, a simples compaixão pelo próximo: nada disso preocupa Hobsbawm. Para ele, a União Soviética caiu porque, infelizmente, não aplicou os métodos adequados para o verdadeiro comunismo.

    Todo o experimento deveria ser repetido a partir das diretrizes deixadas por Marx e Lenin, embora essa nova tentativa também suponha o uso da força e um grande número de mortos. Em 1994, Michael Ignatieff – então jornalista político, mas depois presidente do Partido Liberal do Canadá – entrevistou Hobsbawm para a BBC. Segundo o historiador, o Grande Terror de Stalin teria valido a pena caso tivesse resultado na revolução mundial. Ignatieff replicou essa afirmação com a seguinte pergunta: “Então a morte de 15, 20 milhões de pessoas estaria justificada caso fizesse nascer o amanhã radiante?” Hobsbawm respondeu com uma só palavra: “Sim”.

    Certa vez, encontrei Hobsbawm na casa de um amigo em comum. Conversamos sobre a Guerra Fria, em pleno vapor à época. Para ele, o certo seria jogar uma bomba atômica em Israel. Era uma simples questão de matemática: melhor matar cinco milhões de judeus do que ver uma superpotência nuclear matar duzentos milhões de pessoas. “Goebbels foi a última pessoa a falar assim”, eu disse. Ele se levantou da mesa e foi embora.

    É difícil e doloroso simpatizar com alguém tão disposto a ver o assassinato em massa como prelúdio da Utopia. É ainda mais difícil fazer‑lhe justiça. Hobsbawm pertence a um tipo de gente retratado numa memorável passagem de Ferdinand Peroutka, ex‑aliado de Tomas Masaryk, o primeiro presidente da Tchecoslováquia. Os nazistas o prenderam e os comunistas o exilaram.

    “O tirano dos dias de hoje sempre envia dois tipos de emissários: homens armados e falsificadores de ideias; sujeitos robustos e homens magrelas de óculos e rosto chupado; capangas que espancam a nação e outros capangas que agradecem o espancamento em nome da nação. O policial é seguido – e às vezes precedido – pelo mentiroso.”

    Capangas e brutos estão presentes em todas as sociedades. Despertam pouco ou nenhum interesse, com a possível exceção da polícia. A revolução marxista‑leninista ou qualquer outro colapso social dá a tais homens a licença de pôr em prática a brutalidade que é sua segunda natureza. Obedecerão a qualquer um que lhes mandar servir de guarda em um campo de concentração ou atirar na nuca de alguém. Os falsificadores de ideias e mentirosos são muito mais sinistros. Em busca de poder, distorcem a verdade e transformam crime em justiça. Por trás dos escritos de Hobsbawm, está a sombria silhueta de um comissário assinando penas de morte com a consciência limpa. Como pôde ter se tornado um dos magrelas de óculos e rosto chupado, um profissional da falsificação e da mentira de que nos fala Peroutka?

    O primeiro lugar onde procurar a resposta é em Tempos interessantes, sua autobiografia. Ele nasceu em 1917, e eu um pouco depois, em 1936. Por coincidência, ambos temos raízes judaicas e vienenses. Sua mãe, escreve, dizia‑lhe para nunca fazer algo que pudesse sugerir certa vergonha de ser judeu. Uma ou duas gerações atrás, muitos judeus abraçaram o comunismo, que parecia oferecer‑lhes assimilação, a libertação completa de uma identidade que talvez lhes envergonhasse ou – pior ainda – desse margem a situações vergonhosas. O internacionalismo teórico do comunismo oferecia a libertação das exigências da identidade judaica, uma escapatória, uma promessa de igualdade com os gentios. Essa resposta a tantas aspirações foi forte o bastante para seduzir muitos judeus a se tornarem revolucionários marxistas. Hobsbawm foi um deles.

    Perseguidos tanto por Hitler como por Stalin, o destino dos marxistas judeus não foi senão trágico. Sua identidade revolucionária adotiva só convencia a eles próprios. O sionismo, ou seja, o nacionalismo judaico, era outra escapatória possível, uma retirada, uma afirmação de alteridade, uma espécie de tribalismo até – também com seu elemento trágico. Sendo um judeu marxista revolucionário, Hobsbawm vê em Israel uma nação “imperialista”, e por isso negou‑se certa vez a tomar um voo que fazia escala em Tel-Aviv.

    Na sua autobiografia, despreza Israel, chamando‑o de “o pequeno Estado‑nação militarista, frustrante na sua cultura e agressivo na sua política, que pede a minha solidariedade em termos raciais”. Noutra ocasião, visitou a Universidade Bir Zeit, na Cisjordânia, para dar seu apoio aos palestinos. Ficamos sem saber por que o nacionalismo palestino é válido, mas o judaico não. A proposta que uma vez o ouvi fazer – cinco milhões de sionistas deveriam ser mortos – representa a ideologia marxista judaica levada ao ponto de transformar a revolução em reação.

    Depois de crescer em Viena e Berlim, Hobsbawm chegou à Inglaterra em 1933 e entrou em Cambridge três anos mais tarde. Naquela época, a cultura britânica era provinciana. Com o intuito de provocar uma mudança no público, formadores de opinião como H.G. Wells, Bernard Shaw, o casal Webb, Victor Gollancz – editor e iniciador do sucesso comercial Left Book Club – divulgavam o comunismo a pessoas que não tinham contato com o Partido nem com o movimento trabalhista. Acadêmicos, donos de terras, advogados, poetas e jornalistas, futuros ministros, clérigos, socialites, celebridades: todos se declaravam comunistas. Ano após ano, a Intourist levava milhares de visitantes ansiosos à União Soviética para passeios cuidadosamente escolhidos e supervisionados dos quais voltavam para casa empolgados, repassando desinformações sobre o país. Uma Grã‑Bretanha Soviética estava se formando, os acontecimentos mundiais talvez a fizessem surgir, assim como o regime colaboracionista de Vichy emergiu do blitzkrieg nazista de 1940.

    Faltava uma cabeça cosmopolita no centro da batalha política do continente, seja nas barricadas, seja nas conferências; era preciso uma versão local de Malraux, Aragon ou Togliatti. Tipos como Arthur Koestler e Malcolm Muggeridge poderiam ter servido, mas disseram a verdade sobre o que viram e logo se tornaram inimigos do povo. É aí que entra Hobsbawm. Falante de alemão, podia ser admirado por ter visto as tropas de choque de Hitler. O fato de ser judeu e marxista aumentou a sua credibilidade. Em Cambridge, era rodeado de amigos e conspiradores como Kim Philby e Guy Burgess, ambos já agentes soviéticos. Outro membro desse círculo era Noel Annan, que me disse certa vez que Hobsbawm tinha tanto talento para a persuasão que espalhou o comunismo entre seus contemporâneos.

    Também estava com eles James Klugmann, futuro membro do Comitê Central do Partido e um dos pivôs no processo de manipulação a levar Tito ao poder na Iugoslávia. Quando Tito se revelou nacionalista, Stalin retirou seu apoio e ordenou Klugmann a iniciar uma polêmica contra o próprio homem que ele secretamente ajudara a chegar ao poder. Um pequeno episódio de Tempos interessantes mostra‑se especialmente revelador. Durante um dos ataques aéreos, uma mulher descrita como camarada Freddie ficou presa sob os escombros. Certa de que morreria, gritou: “Vida longa ao Partido, vida longa a Stalin”. A conclusão de Hobsbawm para essa tragicomédia foi: “O Partido era a nossa vida”.

    Hobsbawm é sem dúvida inteligente e engenhoso; é capaz de manusear com facilidade as ferramentas de trabalho do historiador: pesquisar arquivos e fontes primárias e ser o mais objetivo possível no tema que tem às mãos. Um historiador marxista, porém, não pode seguir tais princípios; deve propor perguntas a respostas já dadas. Seu estudo orienta‑se pela obrigação de provar que os dogmas, teorias, especulações, gostos e repulsas de Karl Marx são confirmados em todas as sociedades em todas as épocas. A historiografia marxista nada mais é que um longo juízo de valores a priori que elimina necessariamente tudo o que não lhe dê sustentação.

    O livro mais conhecido de Hobsbawm, A era dos extremos, com suas 627 páginas, alega ser uma síntese do século XX. É um ótimo exemplo de história escrita como um juízo de valores a priori, uma completa obra‑prima de distorção e omissão. Seriam precisas outras 627 páginas para apontar e esclarecer todas as suas duvidosas generalizações ex cathedra. Detenhamo‑nos pelo menos em alguns detalhes. Não há qualquer menção ao rearmamento secreto da Alemanha promovido pelos soviéticos durante o entreguerras. O argumento bastante convincente de que Hitler aprendera de Lenin e Stalin a estratégia da violência é descartado de antemão. Nenhuma menção a Beria e à polícia secreta NKVD, nenhuma análise do trabalho escravo nem da grande fome projetada na Ucrânia para roubar e matar camponeses infelizes.

    A única vítima do gulag a ser nomeada é Nikolai Vavilov. E quanto a Mandelstam, Babel, ou os milhões de vítimas que não merecem ser esquecidas no anonimato? Com um desdém particularmente hediondo, Hobsbawm diz que mesmo o anticomunista Soljenitsin teve a carreira de escritor “firmada pelo sistema”. As referências ao Terror de Stalin são esparsas e fortuitas. Da Pequena historia do Partido Comunista Sovietico, de Stalin, Hobsbawm diz, como se fosse incapaz de ver o seu erro de lógica: “não obstante as suas mentiras e as suas limitações intelectuais, é um texto pedagógico escrito com maestria”.

    Muitos abandonaram o Partido diante do pacto firmado entre Hitler e Stalin em agosto de 1939. Hobsbawm não. Para ele, o Pacto marcou “a recusa da URSS em continuar opondo‑se a Hitler”. O Pacto trouxe consigo imensos ganhos territoriais, mas Hobsbawm acha lógico afirmar que por esse meio Stalin esperava ficar fora da guerra. Na verdade, em 1939 veio a invasão dos países bálticos, e quase metade da sua população foi deportada. Esse processo genocida é desprezado por Hobsbawm com o costumeiro desdém marxista por pequenas nações. Em uma imensa sequência de eufemismos, esses países foram simplesmente “adquiridos” ou “transferidos” por Stalin. Da mesma forma, em 1989 eles “viriam a se separar”. Aquilo que para todas as repúblicas aprisionadas pela União Soviética representou uma libertação, para Hobsbawm foi a criação de um “vácuo internacional entre Trieste e Vladvostok”.

    O pacto entre Hitler e Stalin permitiu ainda que os soviéticos invadissem a Finlândia. O Partido teve que elaborar uma justificativa especialmente convoluta e mendaz para acobertar esse ato unilateral de agressão contra um país pequeno. Em dezembro de 1939, Hobsbawm e Raymond Williams, outro comunista, cumpriram com seu dever e escreveram um panfleto com a alegação de que Stalin enviara o Exército Vermelho ao país para proteger a Rússia de uma invasão imperial britânica. Ambos os autores viviam na Inglaterra do tempo de guerra e não podiam ignorar que seu país enfrentava uma invasão alemã que podia muito bem acontecer, de modo que os ingleses não estavam em condições de invadir a Rússia. Hobsbawm menciona esse episódio vexaminoso apenas na sua autobiografia e bem de passagem.

    Segundo Hobsbawm, Stalin modernizou e industrializou a União Soviética; se assim não fosse, Hitler teria vencido a guerra. Não há menções à contribuição americana, sequer dos equipamentos que forneceu ao Exército Vermelho. Comparado aos salvadores da humanidade Lenin e Stalin, Hitler parece débil. Nada de menções a Treblinka ou Auschwitz. Esses crimes parecem quase secundários. O leitor deve ser poupado de qualquer coisa que possa conduzi‑lo à equação bastante aceita dos sistemas totalitários semelhantes.

    Tampouco há menções à supressão do Partido Comunista polonês no final da década de 1930, ou ao massacre da elite polonesa em Katyn. A destruição de Varsóvia pelos alemães em 1944 – a que o Exército Vermelho assistiu, imóvel – não foi senão “o castigo pelos levantes urbanos prematuros”. Do leste e do centro da Europa ocupada, no qual o Exército Vermelho criaria o bloco soviético, Hobsbawm, em mais um incrível eufemismo, diz‑nos se tratavam de “países que romperam com o capitalismo na segunda grande onda mundial de revolução social”. Ao fim da guerra, “a URSS não era expansionista – e muito menos agressiva – nem esperava haver qualquer outra expansão da frente comunista”. Não há qualquer referência à prisão, deportação e assassinatos frequentes dos democratas e anticomunistas, ou à supressão dos partidos políticos.

    Tampouco se fala que os comunistas da Alemanha Oriental livravam‑se dos opositores pondo‑os nos campos de concentração deixados por seus precursores nazistas. A vitória da União Soviética foi “o triunfo do regime ali instalado pela Revolução de Outubro”. Hobsbawm afirma muitas vezes que a União Soviética trouxe estabilidade a diversos países, quando na verdade os estava invadindo e subvertendo. A globalização é apresentada como o ápice do mal capitalista e causa da falha do comunismo. E o mundo é quem sai perdendo, uma vez que há um “espaço moral vazio” no centro do liberalismo capitalista. A China mantém a chama acesa. Sob Mao Tse‑Tung, na opinião de Hobsbawm, “o povo chinês ia bem”, havia mais matrículas na escola primária e melhores roupas. A desumanidade nunca é desumana quando serve ao comunismo, mesmo que a realidade o estivesse destruindo.

    As denúncias de Khruchev contra Stalin no XX Congresso do Partido em 1956 enchem Hobsbawm de horror. Khruchev maculou propositadamente a Revolução de Outubro. Disso podemos depreender que, se ele tivesse ficado quieto, os crimes de Stalin poderiam se repetir indefinidamente. Consequência imediata das declarações de Khruchev foi o levante húngaro daquele mesmo ano. Com sua habitual mescla de duplicidade e força bruta, os soviéticos debelaram o que fingiam ser uma contrarrevolução.

    Depois de garantir salvo‑conduto aos líderes da revolta, prenderam‑nos, julgaram‑nos num tribunal secreto e os enforcaram. Quase tantas pessoas abandonaram o Partido como quando da invasão da Finlândia pelo Exército Vermelho – inclusive amigos e colegas de Hobsbawm. Hobsbawm por sua vez escreveu uma defesa da carnificina soviética no jornal comunista Daily Worker: “Embora aprovemos, com o coração pesado, o que agora ocorre na Hungria, também devemos dizer abertamente que a URSS deveria retirar as suas tropas do país assim que possível”.

    O caso de Eric Hobsbawm nos permite vislumbrar muita coisa sobre o desejo que os seres humanos têm de ser enganados. Nos vinte anos desde que a União Soviética se deparou com a realidade e desapareceu, ele tem implicado com os Estados Unidos, com as políticas e os aliados americanos, prevendo um desastre que só pode ser evitado por uma renascença marxista. Parece não haver limites para a capacidade da imaginação de crer no que se quer e racionalizar o irracional. A sua óbvia fé em mentiras e ideias falsas aproxima‑o mais das superstições dos curandeiros do que dos métodos de um historiador profissional. A condescendência extravagante que recebe da parte de pessoas que deveriam estudar mais é uma prova inequívoca do declínio intelectual e moral dos tempos modernos.

    ***

    * Escritor e comentarista inglês. Seu livro mais recente é Treason of the Heart: from Thomas Paine to Kim Philby (2011

    – Enviado por Janer @ 1:15 PM

  57. Michelle said

    JULGAMENTO DO MENSALÃO / GENOINO / LEWANDOSKY

    Comentários ótimos feitos por Joyce no 247:

    IMPERDÍVEL

    joyce 4.10.2012 às 00:33

    Petralha pegou na tromba do elefante e pensou que era uma Mangueira kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    joyce 4.10.2012 às 00:31

    Não quero nem saber, tá! Lewandovisky que falou da tromba do elefante, vão reclamar com ele. kkkkkk


    Quase morri de rir…
    Lewandosky hoje passou à história ao dizer que o petralha não sabia diferenciar uma mangueira de uma tromba, e por isso participou de reuniões e assinou promisórias de alto valor sem saber de nada.Era cego e tinha sido convocado pelo CHEFE. Assine e não pergunte do que se trata!
    Hoje, Lewandosky …caiu do caminhão de mudança e perdeu o rumo de casa.

    Há tempos não me divertia tanto. Ayres Brito e Marco Aurélio mantiveram a ironia da situação…hehehe, para vergonha do revisor que parece permanecerá, ao que tudo indica, na única e última fronteira par salvar os “assaltantes do poder público” apalpando elefantes até o fim, citando mangueiras e rabos do PT à época.

    Ah! e lula, o cego mor não sabia.
    Nem sabia que tinha elefantes na sala.Nunca apalpou nada.
    Estava de porre…com o poder.

  58. Michelle said

    Pax: Caso Genoino, o inocente apalpador de elefantes

    1.Vc já assinou uma promissória de alto valor no banco e deu aval moral?
    2. O Banco aceitou? Sem garantias reais?
    3. Por favor me indique este banco porque estou quebrada!

    Eu também quero apalpar o elefante.
    hihihi

  59. Michelle said

    Charge para ilustrar o seu post:

  60. Zbigniew said

    Pax,

    referi-me apenas ao seu comentário quanto à “burrice do PT”. Inserí-lo no arrazoado porque você adotou a tese do STF (“terceirizado”, conforme sua própria afirmação) de condenar sem provas, por ilação, aproximação, gravidade (flexibilização dos atos de ofício) em face de condenações alheias.

    Às pessoas comuns, que não operam com o direito, pode-se até admitir tal postura. O problema é quando um operador do direito segue esta linha. Neste caso é uma questão puramente política, inclusive de cunho eleitoral (melhor dizendo, eleitoreiro).

    Entretanto, considero a flexibilização do direito penal no que se refere ao descarte dos “atos de ofício” para que se configure a corrupção (passiva ou ativa) um alento em toda esta pantomima que se transformou o julgamento. Neste ponto passo a acreditar que é possível sim, a afirmação da jurisprudência (sob pena da desmoralização total da atual formação da Corte) caso contrário, só teremos a lamentar. No mais, o atingimento do núcleo político do PT (à época) tem como único objetivo o enfraquecimento do partido e a desconstrução do ex-Presidente Lula. Quanto ao segundo objetivo, vai ficar pra 2014.

  61. Zbigniew said

    O que disse o Lewandowsky no seu voto revisor, quanto ao Genoíno:

    “Em seu voto, o ministro tratou mais das acusações contra José Genoíno. E bateu forte na denúncia do Ministério Público: “Sempre com o devido respeito ao valoroso trabalho do parquet”. Segundo Lewandowski, a denúncia foi vaga, genérica, omissa e não conseguiu individualizar a conduta imputada a Genoíno. “Não se pode condenar alguém pelo simples fato de ele ocupar um cargo”.

    Segundo a denúncia, José Genoíno participou do esquema de compra de apoio político no Congresso Nacional por conta de dois avais que deu a empréstimos feitos pelo PT juntos aos bancos Rural e BMG. E por ter participado de reuniões com integrantes do Partido Progressista (PP). “Não há nada ilegal em uma reunião entre o presidente de um partido e membros de outro partido. Não podemos criminalizar a política. Se uma reunião entre partidos for ilegal, podemos fechar país”, afirmou Lewandowski.”

  62. Zbigniew said

    E aqui a mensagem clara e desmoralizadora sobre o objetivo deste julgamento. Como é que um PGR abre a boca para dizer um negócio destes? Um cara que sentou no processo do ex-senador Demóstenes por anos?

    “Na iminência do relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, encaminhar seu voto pela condenação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu por corrupção ativa, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou nesta quarta-feira que seria bom que o resultado do julgamento repercutisse nas eleições municipais, cujo primeiro turno está marcado para o próximo domingo. “Não sei. Isso aí as urnas dirão se haverá alguma repercussão. A meu ver, era bom que houvesse”, disse.” (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/gurgel-espera-que-mensalao-influencie-eleicoes)

  63. Pax said

    Chegamos num momento curioso dentro dessa cronologia coincidente entre eleições e julgamento do mensalão do PT.

    Hoje teremos a última sessão do STF neste julgamento antes das eleições de domingo. E calhou de ser o dia em que o ministro revisor, Ricardo Lewandowski lerá seu voto com relação às acusações de corrupção ativa do ex-ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu.

    Não estou levantando nenhuma suspeição sobre esta coincidência cronológica, estou comentando que ela está aí.

    Ontem Lewandowski absolveu José Genoino desta acusação. Segundo seu voto Genoino não tratava de assuntos financeiros do partido, mesmo tendo assinado os empréstimos do Banco Rural ao PT como avalista. Segundo o ministro revisor, por conta de suas obrigações estatutárias, obrigações da função.

    O ministro Joaquim Barbosa condenou Delúbio, Genoino e Dirceu. Lewandowski condenou Delúbio, absorveu Genoino e hoje saberemos se condena ou absolve Dirceu.

    Seu voto sobre Genoino, ontem, gerou alguns apartes de seus pares, em especial dos ministros Fux, Marco Aurélio, Barbosa e Ayres Brito.

    As torcidas organizadas estão em polvorosa, os oposicionistas acusando Lewandowski e os situacionistas acusando Barbosa de fazerem juízos que discordam. Para não colocar mais lenha na fogueira da insanidade, entendo que é uma situação normal, democrática. Cada lado deste FlaxFlu defende sua sardinha como pode, como quer. Nada mais democrático que isso, me repetindo. Caso contrário seríamos impedidos de emitir nossas opiniões livremente.

    O STF é um colegiado. Ninguém está sentado numa poltrona da Suprema Corte Brasileira, o Supremo Tribunal Federal, à toa. Foram indicados pelos governos, passaram por crivos no Legislativo e hoje estão com a tarefa de defender nossa Constituição. Não se chega ao STF sem que se tenha um currículo a ser honrado. Caso contrário não estaríamos vivendo num estado que poderíamos chamar de democrático. Mesmo que saibamos que temos muito a aprimorar, sabemos que vivemos numa democracia. Caso não estivéssemos realmente satisfeitos providenciaríamos outra Constituinte e mudaríamos as regras que nós mesmos definimos através de nossos representantes legais.

    Um pouco à além, me parece até bastante apropriado que relator e revisor tenham visões e interpretações diferentes do que consta nos autos. Provoca a discussão que tende a acalmar qualquer sentimento de injustiça. Quando o assunto é debatido livremente, o somatório das opiniões livres acaba por nos dar certo alento do que for decidido no STF.

    Este blog já repetiu ad nauseam que entende que Dirceu, Delúbio e Genoino deveriam ser condenados por soberba e burrice. Estes não são crimes imputáveis, sujeitos à penalidades.. Nunca os condenei em qualquer artigo do Código do Processo Penal, mesmo porque não entendo nada disso. Somente afirmei e confirmo que acho um erro terem dado tanta trela e permissão ao tal Marcos Valério et caterva, exatamente o mesmo operador que o tucanato mineiro havia inventado. Parece óbvio que correram um enorme risco ao utilizar mecanismos conhecidos da oposição, criadora do método, para manipulação de dinheiro “não contabilizado”, seja para que fim for. Peço aos amigos que ajudam este espaço e que não entendam diferente desse meu juízo, pois ele não vai além do que afirmei e reafirmei.

    Confesso que quero ver amiúde a discussão sobre José Dirceu. Alerto que há questões que incomodam um bocado, como os fatos de Valério e Delúbio frequentarem a Casa Civil sem terem cargos no governo. O mais natural seria Genoino cumprir estas missões. Outro ponto que incomoda é a tal questão da compra e venda de apartamento, empréstimos etc para a ex-esposa de Dirceu. Justamente com o Banco Rural e justamente com um dos já condenados. De outro lado gostaria muito de saber quem deu a ordem para Valério falar em nome do PT em Portugal e outras questões que me parecem merecer um julgamento na última instância do nosso poder judiário.

    Mas… acreditem, como também já disse e repeti várias vezes, não sou eu quem julga a Ação Penal 470. Este processo está com quem de direito.

    A mim cabe aceitar o que for decidido. Ponto. Não entro em qualquer fileira de questionamento da legalidade deste julgamento. Ouvi de todos mas não participo, não fui convencido que devo participar e estou muito tranquilo com esta decisão.

    Podemos comentar à exaustão? Claro, afinal vivemos, como dito, numa democracia. Mas devemos também não cometer os crimes de injúria, calúnia e difamação, em especial contra os ministros do STF. É o único pedido que faço.

  64. Pax said

    Caro Zbigniew,

    Escrevi meu comentário acima, #63, sem ter lido os teus #60 em diante. Acredite.

  65. Pax said

    Caro Zbigniew,

    Você diz:

    Pax,

    referi-me apenas ao seu comentário quanto à “burrice do PT”. Inserí-lo no arrazoado porque você adotou a tese do STF (“terceirizado”, conforme sua própria afirmação) de condenar sem provas, por ilação, aproximação, gravidade (flexibilização dos atos de ofício) em face de condenações alheias.

    Às pessoas comuns, que não operam com o direito, pode-se até admitir tal postura. O problema é quando um operador do direito segue esta linha. Neste caso é uma questão puramente política, inclusive de cunho eleitoral (melhor dizendo, eleitoreiro).

    Só que, do que vi até agora, afirmar que as condenações foram sem provas me parece um erro, meu caro. E a tal dinheirama sacada na boca do caixa, da SMP&B para a própria SMP&B só que entregues para terceiros, com recibos assinados etc? Mais ainda, confirmadas em todos os depoimentos, na CPI do Correios, na Polícia e ratificadas em juízo. Só este conjunto de provas já me parecem suficientes, se não houve outras.

    Este é meu ponto, ou meu contraponto sobre todo este questionamento. Claro que você e todos têm o direito de reclamar à exaustão, mas insisto em afirmar que estou tranquilo sobre esta questão.

    Vou mais longe, ontem o ministro Lewandowski realmente colocou uma pulga atrás da orelha. Se não houver provas concretas que Genoino participou da distribuição das bufunfas, ficarei muito tranquilo com sua absolvição. Os ministros agora terão que se esforçar para achar essas provas nos autos.

    Se acharem e condenarem Genoino, bom, se absolverem, bom também. Não sou eu quem julga, é o STF.

  66. Zbigniew said

    Que a justiça seja feita. Que se condene quem tem culpa e provas contra si. Que se absolva quem não tem provas contra si. Sem elas não se pode utilizar apenas o fundamento da “antipatia” por um determinado personagem, partido ou ideologia. É a base de um regime democrático que se quer justo.

    Ser Ministro do STF não dá a seu ninguém a prerrogativa de total isenção e de pureza das inteções.

    Tampouco ser do PGR. Não estão acima de críticas ou objeções. Todos estamos sujeitos a juízos de valor, que, sim, devem ser orientados e erigidos por princípios de justiça e verdade.
    O julgamento é eminentemente político. A jurisprudência está posta a dois dias das eleições municipais, base importante para as eleições gerais.

    Em verdade o que se quer é, antes de tudo, julgar o PT e o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Julga-se um partido porque se disse ético. E qual partido não se diz ético? Julga-se um partido por ter feito alianças dentro das regras do parlamento e da constituição. Mas quem não faz alianças? Só o PT e o Lula não podiam, porque se diziam éticos. Estavam proibidos sob a égide de um entendimento hipócrita que não consegue separar atos políticos e de poder, como se numa sociedade humana com o histórico da nossa, todas as mazelas morais e de caráter pudessem ser expurgadas de uma única vez.
    Julga-se o Lula por ter tido a ousadia, como o fizeram Getúlio, Kubitschek, Goulart, entre outros, de trazer o povo para o centro das decisões políticas de uma nação.
    Não é o fato de Lula ser um retirante, um nordestino, um metalúrgico, nada disso. É o fato dele ser tudo isto e ter feito o que os nossos intelectuais jamais tiveram condições de fazer. Porque não estava no coração deles. E nunca estará.

  67. Jose Mario HRP said

    Grandes momentos da hipocrisia nacional
    Politica e ética?

  68. Otto said

    Do Jánio de Freitas, hoje na Folha, uma das poucas vozes discordantes dentro do coro dos contentes:

    “CARANDIRU, ANIVERSÁRIO de 20 anos: sem julgamento. Mensalão do PSDB em Minas: 14 anos, sem julgamento. Não é preciso seguir com exemplos para perguntar: isso é Justiça? A instituição que assim se comporta deve mesmo ser chamada de Judiciário?”

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-contradicoes-na-condenacao-de-valdemar-costa-neto

  69. Jose Mario HRP said

    Senhores do blog, e Otto em particular, justiça de conveniência sempre existiu.
    Mas depois desse julgamento continuaremos a assistir mais perseguições e justiça ,sentenças, baseados em indícios e “intuitometros”?
    Alguém sania que antes de ser de fato indicado ao STF Joaquim Barbosa diante da chance já anunciada pela mídia de o ser indicado por Lula começou campanha e romaria por escritório e gabinetes com o intuito de mandar recados a Lula, beirando o servilismo?
    Pois é, algumas personalidades do mundo politico de Brasília confirmam isso!
    E agora vemos o leão ressurgir!
    Parece que Fucs também agiu assim!
    Em Brasília tudo se sabe……

  70. Pax said

    Opa, agora sim temos uma enorme coincidência de requerimentos:

    – Carandiru – um massacre impune.

    – Mensalão do PSDB – um absurdo atraso neste julgamento da gênesis deste modelo canalha de desvio de dinheiro.

    Incluiria também:

    – Mensalão do DEM

    – CPI dos pedágios paulistas.

    Enviado via iPhone

  71. Jose Mario HRP said

    O texto de Jânio de Freitas trás graves denúncias, fatos comprovando que alguns comportamentos de condenados nada combinam com quem foi corrompido entre outras coisas.
    Bem, a boca pequena um dos ministros do STF já detalhou que mesmo condenado Zé Dirceu não cumprirá um só dia de prisão , já sendo de cara beneficiado pela prisão albergue, o que a maioria dos casos é cumprida em casa, com restrições aos horários de frequencia ao trabalho e a proibição de ficar até altas horas na rua e beber em público.

  72. Pax said

    O ministro Ricardo Lewandowski acaba de anunciar a absolvição de José Dirceu em seu voto.

    Resta-nos aguardar o resultado final do colegiado.

    Cá, com muita tranquilidade, aceitarei o que for decidido pelo resultado de todos os votos.

  73. Chesterton said

    Cá, com muita tranquilidade, aceitarei o que for decidido pelo resultado de todos os votos.

    chest- Pax, é impagável (hahahahaha)

  74. Michelle said

    3 x 1 pela condenação de Dirceu e Genoino. 4 x 0 pela de Delúbio

    O terceiro voto foi do ministro Luiz Fux.

    Três ministros votaram pela condenação de José Dirceu e José Genoino: Joaquim Barbosa, Rosa Weber e Luiz Fux. E quatro votaram pela condenação de Delúbio Soares: os três anteriores e mais Ricardo Lewandowski.

    Lewandowski parece ser figura isolada neste processo.
    Barbosa não brigou nem com quem lhe deu apoio.
    hehehe

  75. Pax said

    Ué, Chesterton, velho e bom Chesterton,

    Porque não aceitar? Porque não ficar tranquilo?

  76. Chesterton said

    como se você tivesse alternativa!

  77. Michelle said

    Pax
    A mim parece que o Lewandosky tem o rabo preso. Usa de chicanas as mais baratas para adiantar ou atrasar o julgamento.
    Seus colegas de colegiado …estão passeando diante de suas exaustivas e insípidas argumentações, onde se julga mais preparado de todos.Apenas ele sabe ler as entranhas do processo.
    Rosa Weber…a novata o desmontou de cabo a rabo hoje.
    É fora do razoável achar que Zé Dirceu e Zé Genoino não sabiam de nada.
    São culpados sim! disse ela muito emocionada pelo fato de ser a primeira a votar contra o revisor que usara várias horas para desqualificar a acusação.
    e ai introduzo a pergunta que insiste em ficar sem resposta:
    Lula sabia?

    Respondo com a minha convicção sobre os fatos.
    O Presidente da República é, e deve ser, a pessoa mais bem informada do país.
    Para isso dispõe de toda uma infraestrutura de informações e assim deve sê-lo. Faz parte do ofício.
    Lula passou a imagem lá atrás que teria sido traído.
    Que não sabia.
    Depois alardeou a hipótese do CX2 …
    Depois alegou que não passava de um golpe para derrubá-lo…
    Sendo que não foi derrubado.
    A Oposição entrou em greve.
    Lula passou a chamar o Mensalão de farsa, ultimamente.
    Até em entrevista ao NYT semanas atrás.
    Lula (seus depoimentos) foi massacrado pela verdade.
    Hoje …alguém acredita que não sabia?
    E agora se diz pouco preocupado com um assunto que denigre toda a sua brilhante carreira.Está preocupado em vencer as eleições em Sampa.
    Vc ainda acredita no Lula?
    E na Mula sem Cabeça?

  78. Pax said

    Caro Chesterton,

    Sim, teria a alternativa de reclamar do julgamento. Direito que todos têm, afinal.

    Mas continuo tranquilo. A não ser com a josta do link da Vivo.

  79. Otto said

    Pax, eis porque eu acho que o nosso judiciário continua seletivo:

    “MENSALÃO DO DEM/RN PARADO DESDE JAN/2009

    Blog do Daniel Dantas (não é o banqueiro condenado) sobre o mensalão do DEM/RN: o PGR sentou “pesadamente” em cima dos autos e ponto, apesar de recheado de provas, com gravações e tudo.

    Eu digo que esse caso só terá andamento quando o principal envolvido, o senador Agripino Maia filiar-se ao PT e for nomeado para a Casa Civil. Ou seja: NUNCA.”

    http://www.blogdodanieldantas.com.br/2012/05/caixa2dodemnorn-audios-foram.html

    De um comentário do Blog do Eduardo Guimarães.

  80. Jose Mario HRP said

    OFF TOPIC e extremamente grave:
    http://altamiroborges.blogspot.com.br/2012/10/a-mando-de-serra-pm-invade-sindicato.html

  81. Otto said

    Pax, você sabia disso?

    “Em 2008, Joaquim Barbosa xingou o ministro Eros Grau, 68 anos, de “velho caquético”, e chamou-o para a briga. Grau, lembrando um boletim de ocorrência registrado pela então mulher de Barbosa, foi duro:
    Para quem batia na mulher, não seria nada estranho que batesse num velho também”.

    Isto saiu na Veja, no Radar, alguns anos atrás. Mas, “misteriosamente”, o link agora foi quebrado.

    Com base nisso, a mídia sateliza Joaquim Barbosa.
    Se ele resolvesse sair do roteiro, as baterias de assassinato de reputação da mídia se voltariam imediatamente contra ele.

  82. Pax said

    Socorro, a Vivo e Anatel estão censurando a publicação do post de hoje.

    Oxalã ainda tenhamos um julgamento da Anatel et caterva no STF.

    Enviado via iPhone

  83. Edu said

    Pax,

    Quem é que não está confortável com a justiça?

  84. Pax said

    Tem dois dois lados, caro Edu.

    Enviado via iPhone

  85. Edu said

    Otto,

    Antes de continuarmos debatendo, é preciso dizer que a discussão acabou: tudo o que dissemos até agora só confirma o texto do Implicante.

    Vejamos:

    – O Implicante diz que o imperialismo serve tanto para capitalismo quanto para comunismo. – CONFIRMADO
    – O Implicante diz que a evolução do capitalismo eliminou as guerras territoriais, que eram a definição de imperialismo, diferente do comunismo, que causou mais guerras territoriais e, portanto, imperialistas – CONFIRMADO
    – O Implicante diz que quando o comunismo não deu certo, quem era comunista passou a se intitular apenas de marxista – CONFIRMADO (incluído nisso os depoimentos do próprio pessoal do blog) – e mais confirmado ainda porque o Marx disse que o capitalismo naturalmente evoluiria até que uma revolução proletária acontecesse. Só que o que vc e o pessoal do blog diz orgulhosamente ser o melhor exemplo de marxismo do mundo, a social-democracia escandinava, não passou por uma revolução. Então não é marxismo, continua sendo capitalismo!

    Então a discussão acabou.

    Mas, se vc quiser continuar a conversa, não me importo.

    Tenho algumas dúvidas:

    – Se o melhor exemplo de marxismo hoje é a social-democracia escandinava e lá não houve revolução nenhuma. Significa que lá não havia a famosa “luta de classes” que vcs tanto defendem. Por que a esquerda inteira insiste nessa paranoia de luta de classes?

    – Onde que a “a existência da União Soviética foi decisiva para a curação de um estado de bem-estar social”?! Vc diz que por medo de acontecer o mesmo que aconteceu com a URSS os países escandinavos resolveram reformar seus estados para uma social-democracia?! Eu acredito! Basta me provar.

  86. Chesterton said

    Tem dois dois lados, caro Edu.

    chest- 2+2 são 4….

  87. Chesterton said

    Onde que a “a existência da União Soviética foi decisiva para a curação de um estado de bem-estar social”?! Vc diz que por medo de acontecer o mesmo que aconteceu com a URSS os países escandinavos resolveram reformar seus estados para uma social-democracia?! Eu acredito! Basta me provar.

    chest- será que Bismarck usou o tunel do tempo para falar com Stalin?

  88. Edu said

    Patriarca,

    E aí? Já descobriu qual é a definição de comunismo?

    Aliás, por que vc não coloca todas as definições de esquerda do jeito que vc entende pra gente conseguir te entender?

    Depois que vc fizer isso, aponte exatamente qual é a linha de pensamento de esquerda q vc defende. Vai ajudar nos nossos próximos debates.

  89. Edu said

    HRP,

    E vc? Já sabe qual é a linha de pensamento esquerdista na qual vc acredita?

    Eu perdi a sua linha de raciocínio: vc estava defendendo o comunismo, daí quando o Patriarca falou que o comunismo de que eu falava era na verdade Stalinismo e que a esquerda é marxista vc se transformou num marxista… daí quando o Pax disse que para diferenciarmos modelo econômico de modelo político e diferenciando comunismo de socialismo vc achou boa a colocação dele…

    Vc faz alguma idéia do que nós estamos falando?

    Apresente-nos, por favor, a sua visão geral. Vai ajudar nos nossos próximos debates.

  90. Edu said

    Alguém outro dia estava esbravejando que a direita “usa” as pessoas que lhe interessam depois “jogam fora”.

    Não sei se foi exatamente nessas palavras, mas a mensagem estava bastante clara.

    Agora, que vemos um dos ministros do STF indicado por Lula, tomar decisões de acordo com sua própria interpretação da Lei.

    Outro post do Implicante interessantíssimo: http://www.implicante.org/blog/o-racismo-petista-contra-joaquim-barbosa-no-twitter/

    A interpretação é dele e de mais ninguém, ele está entre os 11 mais qualificados do Brasil para interpretar a Lei. Outros juízes interpretaram da mesma maneira que ele, mas ninguém ataca os outros juízes. Atacam justamente quem foi indicado pelo Lula, como se fosse um traidor.

    É assim que a esquerda faz uso de suas indicações. Muito construtivo ver a esquerda atuando em sua essência!

  91. Edu said

    Outra coisa interessantíssma.

    Há no facebook uma fanpage de uma menina de 13 anos. O nome dela é Isadora Faber e estuda em uma escola pública de Santa Catarina.

    Os mini-posts dela são ótimos. Acho que ela apresenta de uma maneira muito honesta, acrescida da própria inocência de quem está descobrindo e aprendendo sobre a vida, a realidade da escola pública onde estuda.

    Se extrapolarmos um pouco derivamos como é a cara do ensino médio público no Brasil.

    Nesse momento o Elias viria dizer que o ENSINO PÚBLICO É DOS ESTADOS, ENTENDEU?!?! ESTADOS!!!!!! O GOVERNO FEDERAL NÃO TEM NADA A VER COM ISSO!!!!!

    Ela não tem medo de dizer que não sabe, gosto disso. Quando isso ocorre ela simplesmente diz que está aprendendo, busca suas fontes e mostra os links para que as pessoas saibam como ela cria as bases para suas opiniões. São bons links, também gosto disso.

    Não esperava nada dela além da honestidade com que ela avalia sua realidade, porém achei particularmente interessante a visão dela sobre as cotas raciais:

    “Olha como o assunto divide opiniões. Não adianta fazer cotas e não melhorar a educação. Se é pra corrigir alguma coisa que seja por tempo limitado então. O que tem que ser definitivo é uma melhor educação, com professores ensinando e alunos aprendendo e quem não estudar, tem que rodar.”

    “Muitos me perguntam sobre cotas. Eu sabia pouco do assunto mas tive tempo de me informar bem. Vi os diferentes pontos de vista e essa é minha opinião. Eu acho que todos somos iguais, negros, brancos, índios, amarelos, gays… enfim, todos. Não é isso que faz a diferença. Pra mim, a diferença esta na educação, se todos tivessem acesso a mesma educação, não teria diferenças e não precisaria ter cota
    s. Eu tenho vergonha disso, não quero cotas por que estudo em escola pública, não sou menos que ninguém, sou capaz de aprender e não quero tratamento diferente, quero ter uma educação igual, só isso. Pra mim isso é DISCRIMINAÇÃO (“fazer distinção”).

    “A legislação brasileira considera crime o ato discriminatório, como se depreende das leis 7.853/89 (pessoa portadora de deficiência), 9.029/95 (origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, idade e sexo) e 7.716/89 (raça ou cor)”.

    Se é lei, como fazem essas coisas? Difícil entender.”

    Muito bom ver que uma menina de 13 anos tenha uma visão mais clara que muito marmanjo da esquerda…

  92. Edu said

    Ah, esqueci de colocar.

    O nome de fanpage para quem tem facebook e queira acompanhá-la é: Diário de Classe.

  93. Edu said

    Pax e Chest,

    Que dois lados?

    Para mim tem um lado só: o da lei. Cada ministro interpretará a Lei de acordo com sua experiência, seu conhecimento e seus valores. Como eu acredito na lei, eu estou plenamente disposto a me submeter à decisão final do STF.

    Acho que tem torcida e contorcida, eu torço para todo mundo ser condenado, e, da mesma forma como o mensalão petista foi julgado, que o mensalão mineiro tenha o mesmo fim.

    Eu vejo a direita torcendo bastante, e vejo a esquerda se contorcendo bastante.

    Não sei onde vc está vendo igualdade nos sentimentos…

    Por favor, vamos parar de falar em “analistas histéricos”. Estes sim andam encontrando “lados”.

  94. Edu said

    Chest,

    Eu imagino os governantes escandinavos numa sala debatendo:

    _ Vcs viram o que aconteceu na Rússia?
    _ É… o bicho pegou lá…
    _ Pois é… e agora? O que faremos?
    _ Que alternativa temos, oh meu Deus?
    _ Bom, podemos continuar destruindo os lares dos nossos cidadãos, obtendo vultosos lucros em função da exploração da mais-valia dos nossos pobres trabalhadores e nos enriquecendo cada vez mais até que algo parecido com a Rússia aconteça conosco, e nossas famílias serão assassinadas e esse povo humilde tomará o poder; ou podemos nos antecipar a essa terrível revolução do proletariado e implementarmos uma social-democracia de modo que baixemos os nossos lucros e deixemos nossos trabalhadores em pé de igualdade conosco, assim todos serão felizes para sempre.
    _ Puxa vida… que decisão difícil…
    _ Mas, vejamos, e os nossos vizinhos? Eles estão se saindo bem com o capitalismo… E olhem só para nós: o nosso país não entrou em guerra, temos dinheiro, o nível cultural das pessoas não é baixo. Se tornarmos o capitalismo mais eficiente, todos sairemos ganhando.
    _ O QUE É ISSO CUMPANHEIRO?!?!?!?! CAPITALISMO É UMA HERESIA!!! CAPITALISMO É IMPERIALISMO!!! E NÓS NÃO SOMOS IMPERIALISTAS!
    _ Então tudo bem, vamos implementar uma social-democracia com base no nosso medo da Rússia então.

    Deve ter sido divertido.

  95. Pax said

    Caro Edu,

    Há dois lados sim, os que torcem para a absolvição dos réus e os que torcem pela condenação. E há os analistas políticos profissionais – não é meu caso – que as pessoas lêem. Os equilibrados, os mais ou menos, os desequilibrados e os totalmente desequilibrados, os tais histéricos que me refiro.

    Há outro conjunto, graças ao bom senso. Este simplesmente acompanha, observa, critica livremente, digamos que com mais independência, se é que se pode chamar assim, sem querer ofender nada nem ninguém.

    E aqui, neste minúsculo espaço, há comentaristas que enriquecem o pedaço, trazendo suas contribuições, sejam elas quais forem, estejam estes comentaristas no grupo que bem entenderem, que escolheram para si, e que têm todo direito às suas escolhas. Aqui é livre, exceto para trollagem.

    Porque mesmo parar de falar neles, nos analistas políticos profissionais (recebem por isso) histéricos? O blog recebe cotidianamente estas informações. Não baseia os posts nestes mais desequilibrados nem, muito menos, nos histéricos. Está na proposta deste espaço desde o nascedouro. Olha lá no “Sobre o blog”.

    Sabe porque não me incomodo? Porque ao observar os extremos podemos tirar conclusões melhores. Gosto de ver assim, olhar essas posições extremadas, pouco razoáveis no meu entender. Pode-se balizar um monte de opiniões olhando o maniqueísmo do lado de fora.

  96. Chesterton said

    E se eu for extremamente a favor da realidade?

  97. Pax said

    Ora, caro Chesterton, velho e bom Chesterton, infalível Chesterton,

    Lendo e admirando Olavão, titio, Mainardi etc não é possível ficar extremamente a favor da realidade. Você, caro debatedor, é um caso perdido.

    O mundo da blogosfera te admira – bem e mal – exatamente por viveres nesta irrealidade. Por favor, rogo que continues o mesmo de sempre.

    =)

  98. Chesterton said

    Sei, a esquerda vive na realidade e a direita sonha..ai, ai, ai

    Agora um pouco de concretismo

    O Professor Arbache tem contribuições importantes na área de Economia do Trabalho e Globalização.

    1) O Brasil tem um problema demografico a ser enfrentado? Quais as implicacoes disso? Por quê?

    Resposta) O maior desafio a ser enfrentado pelo Brasil é o demográfico devido às suas enormes implicações. O Brasil vem experimentando uma das mais rápidas mudanças demográficas em períodos de paz. As razões desse fenômeno ainda são pouco conhecidas, mas já sabemos que ela tem efeitos econômicos, políticos, sociais e culturais de grandes proporções. O problema econômico mais importante é que o país está envelhecendo antes de enriquecer. Os recursos, que já são escassos, se tornarão ainda mais escassos com o envelhecimento da população e com a redução da taxa de crescimento da população em idade ativa (PIA), a qual deverá chegar no seu ponto de máximo entre 2022 e 2025. Será mais difícil fazer crescer a taxa de poupança e as despesas com seguridade social e com saúde aumentarão, ao tempo em que os custos laborais também aumentarão devido à desaceleração da oferta de trabalho. Já mensuramos que parte importante das atuais condições do mercado de trabalho — salário real em elevação e desemprego baixo — se deve à demografia, e que a demografia já está afetando a competitividade internacional. O país ainda não está preparado para enfrentar o desafio que lhe aguarda logo ali na esquina, o que aumentará os efeitos deletérios da demografia e os custos de mitigá-los. A mais importante forma de mitigar esses desafios é através de um brutal aumento de competitividade, em especial da indústria.

    2) O Brasil precisa flexibilizar suas leis trabalhistas? Se sim, quais?

    Resposta) Sim, é preciso flexibilizar a legislação, pois ela não mais atende aos interesses dos próprios trabalhadores e do país. O próprio Presidente Lula já havia reconhecido essa necessidade, bem como o reconhece e Presidenta Dilma.

    3) Ainda existe espaco para politicas de estimulo a demanda na economia brasileira? Isso não irá gerar inflacao?

    Resposta) Políticas de estímulo à demanda são parte do arsenal de qualquer governo, independentemente da sua orientação, como ficou claro com a crise de 2008/09. A questão não é utilizar ou não esse arsenal, mas como, em que setores, por quanto tempo, e visando quais objetivos. Para que ela funcione, é preciso também que haja transparência e o boa governança das políticas, o que implica em monitoramento e avaliação das mesmas, bem como em contrapartidas dos setores beneficiados. Um exemplo dessas contrapartidas é o investimento em inovação e em aumento de competitividade.

    4) Esta ocorrendo desindustrializacao na economia brasileira?

    Resposta) A indústria brasileira está perdendo dinamismo tanto do ponto de vista nacional como internacional, como mostramos em recente artigo. Mas a indústria tem condições de se recuperar e, eventualmente, ganhar protagonismo devido às imensas oportunidades de investimentos, como em infraestrutura e no pré-sal, e ao aumento do mercado doméstico de consumo. Além disso, os recursos naturais, a biodiversidade e as commodities podem e devem ser vistos como uma oportunidade, e não como um obstáculo para o investimento na indústria. Para tanto, é preciso desenvolver tecnologias e parcerias fomentando investimentos que agreguem valor aos recursos naturais e às commodities.

    POSTADO POR BLOG DO ADOLFO ÀS 23:54 NENHUM COMENTÁRIO:
    TERÇA-FEIRA, 2 DE OUTUBRO DE 2012

    Previsões do Sachsida para 2012 , texto escrito em dezembro de 2011
    Em 13 de dezembro de 2011 escrevi o texto abaixo. Errei?

    O ano de 2012 será uma dura provação para as contas públicas. O desastre, mais que anunciado, começa com o reajuste do salário mínimo que deve colocá-lo num patamar próximo a 620 reais por mês. Esse valor gera dois problemas automáticos: aumento no déficit da previdência social, e dificuldades gigantescas para prefeituras de cidades pequenas (que pagam um salário mínimo para boa parte de seus funcionários). Indiretamente, esse valor deve significar o desemprego para pessoas pouco qualificadas e jovens (os segmentos mais impactados pelo salário mínimo). As eleições municipais também serão um elemento a mais de pressão para o aumento do gasto público. A estratégia de gastar mais para tentar eleger mais prefeitos vai permear prefeituras, governos estaduais e governo federal. Pensam que acabou? Nada disso, com a justificativa de evitar os efeitos da crise, o governo federal vai aumentar ainda mais o gasto público federal. Em resumo, 2012 vai ser um ano de fortes gastos públicos.

    Se o lado fiscal da economia vai mal, pior ainda vai o lado monetário: a moda agora é falar de medidas alternativas de combate à inflação. Bom, a maneira alternativa de combater a inflação (que não seja aumento dos juros) é a restrição ao crédito. Contudo, o governo já deixou claro que não irá restringir o crédito em 2012, pelo contrário adotará medidas para expandí-lo. Uma política monetária frouxa, associada a um gasto público em alta, sugerem uma inflação alta para 2012. Não será surpresa alguma termos uma taxa de inflação superior a 6% no próximo ano.

    No que se refere ao crescimento da economia, a pior equipe econômica de todos os tempos continua acreditando que o gasto público é a resposta certa para a crise. E o que é pior, boa parte deles acredita que a carga tributária brasileira não é alta. Assim, não se espante se ao longo de 2012 você ouvir o governo sugerir novos impostos. Com o governo gastando muito, e tributando muito, é de se esperar um crescimento abaixo de 4% para 2012.

    Em resumo, para 2012 espero uma inflação acima de 6% e um crescimento econômico abaixo de 4%. Mas fiquem tranquilos, 2013, 2014 e 2015 serão piores. Em 2013 teremos que corrigir os estragos de 2012, mas além disso os gastos públicos para a Copa deverão sair do papel. Como tais obras estão atrasadas, é evidente que a pressa em finalizá-las implicará num custo bem superior ao originalmente estimado. Em 2014, teremos os evidentes aumentos de gastos públicos decorrentes desse ano ser marcado por eleição presidencial. Pobre de quem assumir em 2015, esse será o ano do inevitável ajuste.

  99. Pax said

    Acredito que em 2013 tenhamos um crescimento maior.

    Este cidadão, o tal Adolfo, gostaria de ter um salário mínimo menor. Pois bem. Direito dele ser de direita e querer que a classe trabalhadora seja explorada ao máximo.

    Assim com acredito que seja meu direito pensar exatamente o oposto. Quanto mais houver redução de desigualdades, seja por ações do governo como por oportunidades que venham a surgir, melhor para o país.

    Quanto a desindustrialização do Brasil acho que deveríamos analisar vários aspectos:

    – sérios problemas na nossa infraestrutura (estradas, ferrovias, portos, aeroportos etc) -> culpa dos governos, sim.
    – custo Brasil muito elevado, muitos e elevados impostos para um retorno baixo, não só em infra como em serviços ruins para o povo (educação, saúde e segurança) e, sem esquecer, uma máquina governamental (em todos os âmbitos, federal, estaduais e municipais) pouco eficiente -> culpa dos governos, sim, também

    mas…

    Não vamos esquecer que parte do empresariado se acomodou, não investiu o que deveria e hoje produz com uma eficiência de quinta categoria. Não são todos, não. Seria um erro colocar todos no mesmo saco. Mas há uma renca de empresários que adoraria viver num tal estado dito liberal que os protegeria como protegeu no passado.

  100. Chesterton said

    Pax, cai na realidade, quanto mais tempo levar, mais velho você fica, e maior o tombo. Olha outra pérola de esquerdista (que fabrica uma realidade na cabeça e acha que pode impor às pessoas)

    Luis Fernando Inverídico:

    “…O argumento é que, historicamente, em todas as suas crises o capitalismo se autorregenerou sozinho. Errado. Não é preciso ter lido Eric Hobsbawm para saber que em todas as suas crises o capitalismo foi salvo dele mesmo por alguma forma de intervencionismo corretivo — o que não significou que abandonasse seus maus hábitos….”

    Chest- meu Deus, ele ainda não percebeu que a URSS acabou? Ele acha que os EUA estão quebrados por causa de crise financeira e não por excesso de dívidas….welfare debt!

  101. Chesterton said

    E ele continua

    “As multidões que se manifestam na Europa em crise não são de mal acostumados inconformados com o fim de estados irrealistas de bem-estar social, como dizem os mercadófilos, são de inconformados com a injustiça de a maioria estar pagando pelos desmandos de uns poucos, que continuam desmandando. (caralho, o dinheiro acabou!!!!)

    O capital financeiro tantas fez que, além de perverter a atividade econômica e a função bancária, perverteu a semântica: transformou “austeridade” em palavrão. Hoje tem gente morrendo de austeridade na Europa. Não que este argumento vá fazer qualquer diferença.”

    (caracoles, quem transformou a palavra austeridade em palavrão foi a esquerda que quer continuar gastando…morrendo de fome porra nenhuma)

    chest- Pax, já ouviu falar em The Cloward-Piven?

    http://www.washingtontimes.com/news/2008/oct/15/the-cloward-piven-strategy/

  102. Pax said

    Não disse que você é infalível, caro Chesterton,

    Olha só o que você me faz ler:

    …The root causes for the 2008 financial panic were sown some 40 years ago when the Institute for Policy Studies, the notorious “Think Tank of the Left,” held socialist seminars geared toward undermining the American capitalist system. Beginning in 1964 and continuing to the present day, the Institute for Policy Studies has used seminars especially scoped to influence congressmen and their assistants to support the “progressive,” that is to say “socialist,” viewpoint. A 1969 “Housing and Property” seminar, hosted by the Institute for Policy Studies, for example, treated Capitol Hill denizens to mind-stretching leftism. Bringing together speakers from big-city tenants councils, neighborhood legal services, FHA insurance, savings-and-loans entities, and the Shannon and Luchs Realty Company, the Institute for Policy Studies “plinked” the first domino that led to the current crisis.

    E olha quem é o cara: Robert Chandler is a retired Air Force colonel and former strategist for the White House, the Departments of State, Defense, Energy and Justice, and the CIA.

    Barbaridade, caro Chesterton, agora você se superou.

  103. Pax said

    A viagem das tuas leituras vai longe mesmo…

    The 2008 financial crisis has all of the earmarks of a Cloward-Piven strategy assault against the capitalist system. Stanley Kurtz of the Ethics and Public Policy Center recently explained that “community organizers” (1) “intimidate banks into making high risk loans to customers with poor credit,” (2) “occupy private offices, chant inside bank lobbies, and confront executives at their homes,” and, through these thuggish tactics, (3) compel “financial institutions to direct hundreds of millions dollars in mortgages to low-credit customers.” “In other words,” Mr. Kurtz explained during a presentation at the Hudson Institute’s Bradley Center for Philanthropy and Civic Renewal, “community organizers help to undermine America’s economy by pushing the banking system into a sink-hole of bad loans.”

    Teoria da conspiração pouca é bobagem, né não, caro velho e infalível Chesterton?

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