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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Pizza estragada

Posted by Pax em 19/12/2012

A CPMI do Carlinhos Cachoeira terminou em enorme pizza estragada. E algumas biografias profundamente arranhadas, talvez irremediavelmente.

O jovem deputado Odair Cunha e o ex-líder do PT na Câmara, o trapalhão Cândido Vaccarezza, foram os que mais saíram prejudicados, à além do próprio PT que perdeu apoio até de parte do PMDB para aprovar o relatório final.

Tudo indica, aliás, que setores do PMDB já dão indícios que pretendem ser os primeiros a abandonar o navio que faz água neste fim de ano.

Nós? Ficaremos sem saber sobre eventuais crimes cometidos por uma parte da imprensa que se imiscui com as máfias brasileiras e, segundo indícios, vende seus editoriais para quem lhes pagar melhor. Coisa para deixar o News Of The World com inveja e em lugar secundário em se tratando de desvios de conduta na atividade. Como dito, são indícios, não provas, e precisam ser investigados a fundo. Temos o direito de saber quem faz parte do lixo distribuído que forma opinião mediante pagamento.

A direita radical parece ter saudades dos tempos da senzala e age como um bando de hienas cercando um PT combalido por escândalos e mais escândalos de corrupção. Esta mesma direita agora quer o papel de vestal quando seu passado – e presente – não permite tal atitude.

A Justiça? Enquanto não mostrar que o mesmo rigor aplicado ao PT será distribuído a todos, deve explicações sobre várias hetorodoxias em andamento.

O povo quer heróis inexistentes mas o único possível é ele próprio, e se faz concreto nas urnas.

Uma pizza geral, diz relator da CPMI do Cachoeira sobre conclusão dos trabalhos

Karine Melo – Repórter da Agência Brasil

Brasília – Uma grande pizza. Foi assim que vários parlamentares definiram nesta terça-feira (18) o fim da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários. “As conclusões são um nada, um vazio, uma pizza geral, lamentável. Apesar de todo o esforço, nós fomos derrotados pela blindagem em favor de Marconi Perillo [governador de Goiás], e a empresa Delta”, disse o relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG).

O relatório de Cunha foi rejeitado por 18 votos a 16 e fez com que a CPMI encerasse os trabalhos sem um documento final. Além de votos contrários do PSDB e de partidos menores, o documento foi rejeitado alguns por parlamentes do PMDB, partido da base do governo. O documento derrotado envolvia 41 pessoas. Todas suspeitas de ligação direta com o esquema ilegal de Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar quadrilha de exploração de jogos ilegais, em parceria com servidores públicos. O diretor da empreiteira Delta, Fernando Cavendish, e o governador Marconi Perillo estavam na lista.

“Ao que vocês assistiram aqui é pior do que pizza. Os governadores Sérgio Cabral (RJ) e Marconi Perillo (GO), além da empreiteira Delta se uniram para derrotar o relatório e impedir que a investigação seguisse em frente. O dia de hoje ficará como o dia da infâmia. Um dia em que o Congresso Nacional brasileiro protagonizou uma das maiores vergonhas da sua história”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno, também criticou o resultado final da CPMI. “O parlamento não cumpre com seu papel de investigar, apurar e encaminhar a quem deve tomar providências. De mais de cinco mil páginas, nós tivemos uma página de meia no voto separado do deputado Luiz Pittman (PMDB-DF), o que é lamentável sob todos os aspectos. Como estamos em véspera de Natal é uma presepada o que foi aprovado hoje pela Comissão Parlamentar de Inquérito”, criticou Rubens Bueno.

“A única vitória daqueles que querem a investigação de um esquema de corrupção, que perpassa o governo federal e vários governos estaduais, foi compartilhamento [de informações] com o Ministério Público Federal”, avaliou do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Ele acredita que, apesar do resultado final da comissão, o compartilhamento dos sigilos recebidos pela CPMI fará com que as investigações sigam em frente. O ponto citado pelo deputado foi o único de consenso hoje na CPMI.

Os parlamentares aprovaram requerimento do deputado Odair Cunha para que os sigilos levantados pela CPMI – fiscais, bancários e telefônicos, sejam levados à Procuradoria-Geral da República e ao Ministério Público Federal de Goiás. O compartilhamento está previsto também no voto separado do deputado Luiz Pittman. Com uma página e meia, o documento aprovado na comissão inclui a Polícia Federal, e é considerado o resultado final da CPMI.

“As investigações continuarão e serão aprofundadas. E, aí sim, em ambiente sem as influências, que nós aqui tivemos, e isentas por completo, as investigações poderão aprofundar e trazer aos brasileiros os verdadeiros fatos, da mesma forma que Supremo Tribunal Federal trouxe os últimos fatos do mensalão”, afirmou Pittman.

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7 Respostas to “Pizza estragada”

  1. Pax said

    Houve várias notícias aterrorizando que Marcos Valério teria feito dois depoimentos na PGR depois de condenado e que somente um teria sido divulgado. O tal que fala que Lula deu ok para os empréstimos suspeitos (STF diz que são fraudulentos) e que seu assessor Freud Godoy teria recebido R$ 98,5 mil para pagar despesas pessoais do ex-presidente.

    Pois bem, agora o procurador-geral afirma que foi somente um depoimento.

    E agora? Quem falta com a verdade?

    Supondo que foi a imprensa, que usou e abusou desta informação para criar um clima sei-lá-do-quê, como imputar sua eventual culpa e como punir?

    Ainda neste raciocínio, cá com meus botões, acho que:

    – Uma enorme retradação (algo como 10 vezes o mesmo espaço, na mesma página, ou no mesmo telejornal ou programa de rádio, isso mesmo, 10 vezes o tamanho, por 10 dias seguidos). Sim, uma pena drakoniana que inibisse outros “crimes” contra a informação dessa natureza.

    – Uma multa do tamanho de 10 vezes o salário do profissional responsável pela eventual inverdade.

    Na reincidência, quem sabe 10 dias o veículo proibido de circular e mais 10 vezes a multa acima proposta para o mau profissional.

    Tudo 10, fica fácil de memorizar.

    Agora, se a inverdade for do PGR, bem, aí…

    Mas…

    Não ficaremos sabendo de nada, a imprensa, no Brasil, é inimputável. E a CPMI conseguiu, com sua pizza estragada, nos tirar a oportunidade de passar algumas questões a limpo.

    E o relatório Leveson, discutido somente no Observatório da Imprensa, é malandramente omitido da pauta nacional.

  2. Zbigniew said

    Caro Pax.
    Dá um desânimo imenso esse estado de coisas.
    Por um lado um partido que legou dois Presidentes (Lula e Dilma), o aprofundamento de reformas sociais e econômicas (essas com foco no desenvolvimentismo, com redução da importância do rentismo) mas que se assenhorou de todos os esquemas montados pelos governos anteriores, em especial pela oposição fajuta e virulenta, capitaneada pelo PSDB, que de social democrata só tem a cara-de-pau. Esse mesmo PT, hoje, fragilizado no campo do exercício do poder, acoberta as falcatruas que alcançariam próceres da oposição fajuta, por ter também o rabo preso. Neste ponto o PT, ao admitir que a corrente “pragmática” domine a legenda, é apenas mais do mesmo. Se apequenou e se acovardou em nome da “governabilidade” e do projeto de poder.
    E o interessante é que aceita bovinamente o processo de criminalização que vem sofrendo pela mídia partidarizada e oposição fajuta, secundados pelo STF e PGR.
    Na verdade não há líderes no partido capazes de alterar sua própria estrutura. Das duas uma: ou o partido tornou-se grande demais e está caminhando para uma peemedebização (que certamente se acelerará quando Lula, um dia, sair definitivamente de cena) ou tornou-se uma agremiação de covardes.

  3. Pax said

    À caminho de uma peemedebização? Caro Zbigniew, de algumas conversas que mantenho com simpatizantes e com gente do próprio partido, não está à caminho. Já chegou.

    Ao mesmo tempo tenho amigos tucanos, sim. Claro que sim. Assim como tenho amigos verdes. E até direitistas existem nas minhas relações. São, para mim, políticamente, desinteressantes pacas, mas… existem, sim.

    Os tucanos? Todos sabem que precisam aproveitar o máximo o momento, fragilizar Lula quanto puderem e Dilma também. Afinal 2014 está ali e sabem que o julgamento do mensalão tucano virá e as tais “diferenciacões” vestais cairão por terra. Precisam de um projeto, precisam ouvir e se entender com a massa de eleitores e sabem que estão distante disso. Basta ver as próprias declarações de FHC.

    Os verdes andam entusiasmados com o tal novo partido de Marina. Que já declarou que não aceitará doações de empresas, somente de pessoas físicas para sua campanha. E com a última pesquisa para presidência em 2014 que mostra que a ex-ministra ainda mantém força. Seu capital político não reduziu tanto assim. Se não me engano nas pesquisas orientadas/induzidas chegou a receber 18% de intenções.

    Voltando ao PT, concordo e muito contigo, o tal do “pragmatismo” – que se consubstanciou em pena de prisão – ameaça um bocado o futuro do partido, no meu entender. Faz tempo que venho falando em “expiar” determinadas culpas.

    Hoje temos o pleito de 2014 jogado à mesa, fortemente. Anteciparam as eleições.

    Isso não é ruim e também não é de todo bom. Faço algumas considerações sobre minha interpretação:

    1 – Enquanto temos uma campanha já lançada, uma disputa natural e democrática do poder, esquecemos das nossas fundamentais reformas. Sem elas não vejo muitos avanços possíveis. Alguma coisa conjuntural aqui, outra ali, mas estruturalmente não vejo sólidos movimentos acontecendo para mudarmos nossa política, nosso sistema eleitoral, nossa reforma educacional, nossa reforma tributária etc etc.

    2 – Ao mesmo tempo temos, sim, a política provocando a sociedade. A discussão volta, de forma judicializada, mas volta à pauta. Nunca vi discussão política livre ser ruim. Ou seja, se a sociedade está discutindo, então há alguma esperança. Melhor que deixar nas mãos de poucos.

    3 – Por pior que possamos achar os resultados da AP 470, o mensalão petista, há corolários positivos. Mesmo que usados de forma que não concorde, há resultados. Em última instância há uma mensagem clara que a sociedade está ainda mais de saco cheio de tanta corrupção neste país. E fato, não é boato. Como determinados setores da imprensa e outros estão aproveitando a situação é outra discussão.

  4. Chesterton said

    Por um lado um partido que legou dois Presidentes (Lula e Dilma)

    chest- uma quadrilha, Zig, uma quadrilha não lega nada, remove.

  5. Chesterton said

    E o interessante é que aceita bovinamente o processo de criminalização que vem sofrendo pela mídia partidarizada e oposição fajuta, secundados pelo STF e PGR.

    chest- Não Zig, eles cometeram crimes e por isso não tem muito o que dizer. Se houve “processo de criminalização” foi quando começaram a se interessar pelo dinheiro alheio. A imprensa que denuncia é apenas da mensageira e não tem participação no saque.
    Em resumo, não adianta matar o carteiro que entrega a conta de luz, pois quem consumiu foi você.

  6. Chesterton said

    Conhecido por fazer greve de fome em junho de 2010 contra a decisão do diretório nacional do PT que determinou apoio a Roseana Sarney no Maranhão, o deputado federal Domingos Dutra (PT) é autor de um projeto de lei que cria o Estatuto Penitenciário Nacional. Segundo o jornalista Leonel Rocha, da Época, caso seja aprovada, a matéria cria a cadeia cinco estrelas: os presos teriam direito a banho quente em locais frios, cela com calefação, academia de ginástica, material de higiene pessoal como desodorante, xampu, condicionador, hidratante de pele e até camisinha. Além disso, médicos teriam que morar em presídios ou próximo a eles. Um dos 119 artigos da proposta mantém direitos políticos dos detentos e acesso a jornais, rádio e TV a cabo. Para completar, o petista sugere a criação do Dia do Encarcerado, em 25 de junho.

    CH -Claudio Humberto, que agora que Sarney e Collor ficaram amiguinhos do Lula, deve ser bem aceito pelo Pax (?)

  7. Michelle 2 said

    Roubar pelo povo – CARLOS ALBERTO SARDENBERG

    O Globo – 20/12

    Intelectuais ligados ao PT estão flertando com uma nova tese para lidar com o mensalão e outros episódios do tipo: seria inevitável, e até mesmo necessário, roubar para fazer um bom governo popular.

    Trata-se de uma clara resposta ao peso dos fatos. Tirante os condenados, seus amigos dedicados e os xiitas, ninguém com um mínimo de tirocínio sente-se confortável com aquela história da “farsa da mídia e do Judiciário”.

    Se, ao contrário, está provado que o dinheiro público foi roubado e que apoios políticos foram comprados, com dinheiro público, restam duas opções: ou desembarcar de um projeto heroico que virou bandidagem ou, bem, aderir à tese de que todo governo rouba, mas os de esquerda roubam menos e o fazem para incluir os pobres.

    Vimos duas manifestações recentes dessa suposta nova teoria. Na “Folha”, Fernanda Torres, em defesa de José Dirceu, buscou inspiração em Shakespeare para especular: talvez seja impossível governar sem violar a lei.

    No “Valor”, Renato Janine Ribeiro escreveu duas colunas para concluir: comunistas revolucionários não roubam; esquerdistas reformistas roubam quando chegam ao governo, mas “talvez” tenham de fazer isso para garantir as políticas de inclusão social.

    Tirante a falsa sofisticação teórica, trata-se da atualização de coisa muito velha. Sim, o leitor adivinhou: o pessoal está recuperando o “rouba mas faz”, criado pelos ademaristas nos anos 50. Agora é o “rouba mas distribui”.

    Nem é tão surpreendente assim. Ainda no período eleitoral recente, Marilena Chauí havia colocado Maluf no rol dos prefeitos paulistanos realizadores de obras, no grupo de Faria Lima, e fora da turma dos ladrões.

    Fica assim, pois: José Dirceu não é corrupto, nem quadrilheiro – mas participou da corrupção e da quadrilha porque, se não o fizesse, não haveria como aplicar o programa popular do PT.

    Como se chega a esse incrível quebra-galho teórico? Fernanda Torres oferece uma pista quando comenta que o PT se toma como o partido do povo brasileiro. Ora, segue-se, se as elites são um bando de ladrões agindo contra o povo, qual o problema de roubar “a favor do povo”?

    Renato Janine Ribeiro trabalha na mesma tese, acrescentando casos de governos de esquerda bem-sucedidos, e corruptos. Não fica claro se são bem-sucedidos “apesar” de corruptos ou, ao contrário, por serem corruptos. Mas é para esta ultima tese que o autor se inclina.

    Não faz sentido, claro. Começa que não é verdade que todo governo conservador é contra o povo e corrupto. Thatcher e Reagan, exemplos máximos da direita, não roubavam e trouxeram grande prosperidade e bem-estar a seus povos. Aqui entre nós, e para ir fundo, Castello Branco e Médici, “ditadores”, também não roubavam e suas administrações trouxeram crescimento e renda.

    Por outro lado, o PT não é o povo. Representa parte do povo, a majoritária nas últimas três eleições presidenciais. Mas, atenção, nunca ganhou no primeiro turno e os adversários sempre fizeram ao menos 40%. E no primeiro turno de 2010, Serra e Marina fizeram 53% dos votos.

    Por isso, nas democracias o governo não pode tudo, tem que respeitar a minoria e isso se faz pelo respeito às leis, que incluem a proibição de roubar. E pelo respeito à opinião pública, expressa, entre outros meios, pela imprensa livre.

    Por não tolerar essas limitações, os partidos autoritários, à direita e à esquerda, impõem ou tentam impor ditaduras, explícitas ou disfarçadas. Acham que, por serem a expressão legítima do povo, podem tudo.

    Assim, caímos de novo em velha tese: os fins justificam os meios, roubar e assassinar.

    Renato Janine Ribeiro diz que os regimes comunistas cometeram o pecado da extrema violência física, eliminando milhões de pessoas. Mas eram eticamente puros, sustenta: gostavam de limusines e dachas, mas não colocavam dinheiro público no bolso. (A propósito, anotem aí: isto é uma prévia para uma eventual defesa de Lula, quando começam a aparecer sinais de que o ex-presidente e sua família abusaram de mordomias mais do que se sabe).

    Quanto aos comunistas, dizemos nós, não eram “puros” por virtude, mas por impossibilidade. Não havia propriedade privada, de maneira que os corruptos não tinham como construir patrimônios pessoais. Roubavam dinheiro de bolso e se reservavam parte do aparelho do estado, enquanto o povo que representavam passava fome. Puros?

    Reparem: na China, misto de comunismo e capitalismo, os líderes e suas famílias amealharam, sim, grandes fortunas pessoais.

    Voltando ao nosso caso brasileiro, vamos falar francamente: ninguém precisa ser ladrão de dinheiro público para distribuir Bolsa Família e aumentar o salário mínimo.

    Querem tudo?

    Dilma consegue aprovar a MP que garante uma queda na conta de luz. O Operador Nacional do Sistema Elétrico diz que haverá mais apagões porque não há como evitá-los sem investimentos que exigiriam tarifas mais caras.

    Ou seja, a conta será mais barata, em compensação vai faltar luz.

    Comento: grifos meus

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