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Notícias da Corrupção, Desvios, Anomalias, Eleições e Meio Ambiente

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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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Matei mais de 230 jovens

Posted by Pax em 29/01/2013

Na medida que aceito bovinamente toda a corrupção instaurada no Brasil nestas décadas em que voto, do fiscal que liberou a boate Kiss até a corrupção de juízes e desembargadores, de ministros e presidentes, de vereadores, deputados e senadores, confesso:

Matei mais de 230 jovens por asfixia em Santa Maria, RS.

E não há como pedir perdão a seus familiares.

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50 Respostas to “Matei mais de 230 jovens”

  1. Zbigniew said

    Muito forte a sua afirmação, caro Pax. Mas temos que concordar que nós, a sociedade brasileira, matamos aqueles jovens pela nossa omissão e negligência.
    O que podemos fazer agora é exigir providências para que situações como essas não se repitam. As única tragédias inevitáveis são aquelas associadas a um fato da natureza sobre o qual o homem não tem qualquer controle. Assim mesmo é possível afirmar que a natureza costuma dar sinais.
    Podemos dizer que esse fato da Boate Kiss vai fazer parte do processo de amadurecimento de nossa sociedade. Infelizmente o preço cobrado foi muito alto e doloroso.

  2. Pax said

    Infelizmente, caro Zbigniew, é forte, mas acho real. Quando chegará nosso ponto de transição?

    Bob Fernandes fez um post que tem alguma semelhança com minha opinião. Acredito que merece a leitura.

    http://terramagazine.terra.com.br/bobfernandes/blog/2013/01/29/santa-maria-brasil-cronica-de-um-crime-anunciado/

  3. Zbigniew said

    Muito bom, o Bob.
    Certamente outras tragédias podem quase ter acontecido em muitas cidades do país pela leniência do Poder Público e irresponsabilidade dos empresários. Essa lógica que se perpetua na sociedade produz pessoas como a do indigitado citado pelo Bob. Incrível que se deixe chegar a esse ponto. O cara enriquecer às custas de maracutaias, safadezas e negociatas. Deve ter mais gente ganhando por trás. A transição é lenta, mas vai acontecer, caro Pax.

  4. Pax said

    Vai sim, caro Zbigniew. Não veremos, não estaremos mais por aqui, mas a transição para um país mais civilizado e menos impune vai acontecer, sim.

    Ao menos temos que deixar este assunto encaminhado.

    Sempre é bom lembrar que não são só os mais de 230 mortos, tem as crianças que voltam pra casa com fome porque desviaram o dinheiro da merenda, o doente que vai morrer mais cedo porque desviaram os medicamentos de alto valor e por aí afora.

    E a Justiça, infelizmente, acompanha o mote geral.

    Basta ver o caso do jornalista Lúcio Flávio Pinto escorraçado no Pará por falar verdades. Estou para fazer um post sobre isso mas ainda não tive estômago depois dessa tragédia com meus conterrâneos.

    Tem dois com sobrenome que carrego. Não os conheço, não vi ninguém da família se pronunciar. Devem ser parentes muito distantes.

  5. Zbigniew said

    Lamento por tudo isso.
    Para começarmos a mudar, a educação, caro Pax. O conhecimento. Tudo isso deve ser acessível à população. A começar pela história da sociedade, do país no qual ela está inserida. A partir daí desenvolve-se um sentimento de nacionalidade, pátria, de que pertencemos a um mesmo grupo e que, todos devem cuidar de todos, pois temos interesse em comum no que se refere ao desenvolvimento e sucesso do nosso país. A partir daí haverá uma maior exigência e engajamento da sociedade no que se refere à res pública, no seu trato e gerenciamento. E isso inclui a observãncia rigorosa das leis e sua aplicação.

    Continuando, se puderes, dá uma olhadinha neste documento valiosíssimo ao qual tive acesso lá no Nassif. Trata-se de um trabalho de 1962, do cientista político brasileiro Wanderley Guilherme dos Santos, e de como ele antevia, de forma lúcida, os primeiros movimentos dados na direção do golpe que viria a ocorrer em março de 1964, golpe este que, para ele, teve natureza civil, embora os militares passassem a governar o país a partir daquele momento até à década de 80. Muito interessante como foram captadas tais iniciativas. Elucidativo para entendermos o que somos hoje e os atores que estão na base do poder no país. Excelente texto!

    http://www.fpabramo.org.br/uploads/quemdaraogolpe.pdf

  6. Elias said

    Zbigniew,

    Li uma parte do texto do Wanderley Guilherme dos Santos.

    Escrito em 1962, no calor da hora, ele não tem o “olhar do futuro” que a gente tem.

    Não sei se tu, o Pax e outros aqui cursaram o NPOR (ou CPOR do meu tempo). Não sei em que medida vocês estão inteirados do “pensamento militar” predominante nos anos 1960.

    O texto do Wanderley passa longe disso…

    Provavelmente Jânio tinha em mente um “golpe civil”. Carlos Lacerda, aliás, denunciou esse golpe. Disse ter sido convidado a participar dele pelo Ministro da Justiça de Jânio, Oscar Pedroso Horta (que jamais conseguiu desmentir Lacerda adequadamente). Num único dia, Oscar Pedroso Horta teria feito esse convite 2 vezes a Lacerda. Pela manhã, na residência do ministro. À noite, numa suíte do Hotel Nacional, pra onde Lacerda tinha sido “desterrado” por Jânio.

    (Parece que Lacerda ia dormir no Alvorada. Acontece que Jânio precisou mudar os planos rapidamente, porque levou pra passar a noite com ele a mulher de um industrial paulista. Aí mandou baixar a maleta do Corvo pra portaria do palácio… Lacerda ficou pau da vida: quase 20 anos depois ele ainda não tinha digerido essa do Jânio… Deixá-lo recitando: “por aqui não vem ninguém / por aqui não passa trem…”)

    O recurso à “renúncia” pode ter sido uma estratégia de Jânio, pra dar o “golpe civil”. Pelo menos, essa é a tese mais aceita, certo?

    Jânio era admirador confesso de Fidel Castro (que, por sinal, gostava de Jânio pra caramba!), e de Gamal Nasser. E ambos, Fidel e Nasser usaram da tática da renúncia pra consolidar o próprio poder. Fidel pra se livrar da concorrência do presidente Oswaldo Dorticós. Nasser pra se livrar dos efeitos negativos de uma derrota militar frente à Israel (depois da “Guerra dos 6 Dias, Nasser repetiria a dose, com o mesmo resultado). Em baixa, Fidel e Nasser “renunciaram” e, de imediato, voltaram “nos braços do povo” e com muito mais poderes.

    Tudo faz crer que Jânio queria algo parecido. Ele escolheu milimetricamente o momento. Estava com o prestígio internacional lá em cima, por conta da posição brasileira na OEA, assumindo a liderança dos países “não alinhados” (os governos europeus aplaudiram a posição brasileira). Além disso, Jânio conseguiu a libertação dos padres em Cuba (com Fidel declarando publicamente que “para Cuba, um pedido do Brasil é uma ordem…). Com essa tacada, Jânio ficou também prestigiadíssimo junto ao Vaticano, que não tinha nem como sonhar com um resultado parecido, até porque estava às turras com o regime cubano (no início do ano seguinte, João XXIII excomungaria Fidel). No mais, Jânio tinha ajudado a frustrar a invasão da Baia dos Porcos, prevenindo o governo cubano de sua iminência (Pelo diplomata Adolf Berle, o governo americano tinha pedido o apoio do Brasil à invasão de Cuba. Aconselhado por Afonso Arinos, Jânio negou o apoio e, discretamente, preveniu o governo cubano, que ficou gratíssimo ao “Homem da Vassoura”, cuja imagem ficou ainda mais lustrosa, junto às democracias europeias). Coroando tudo isso, Jango, o vice de Jânio, estava chefiando uma missão na China (contra a própria vontade).

    Não havia melhor momento pro Jânio provocar uma crise institucional. E foi o que ele fez. Casou as fichas dele e girou a roleta…

    Só que deu errado pra ele, né?

    O golpe militar de 1964 segue um outro caminho. Foi um golpe militar, mesmo. Tem mais a ver com o “cesarismo” que calou fundo na cabeça de praticamente toda a oficialidade brasileira até os anos 1970.

    Trata-se de uma versão verde-e-amarela (e fardada) do “cesarismo”, na qual a figura do “César” é substituída por um “sistema” que controla o Estado, e faz deste o seu instrumento para impor as mudanças que se entende vitais para a sociedade.

    Observa que o regime militar foi uma ditadura sem a figura de um ditador, como no Paraguai, no Chile, na Nicarágua, etc, etc, etc.

    A mobilização civil foi mero adereço do golpe. Este aconteceria com ela ou sem ela. Essa mobilização serviu mais como providência preventiva, para evitar o que ocorrera em 1961, quando a mobilização liderada por Brizola acabou abortando uma tentativa de realizada a partir dos ministérios militares (que ignoraram solenemente as pretensões de Jânio).

    Existe toda uma elaboração doutrinária sobre o assunto, em boa medida interpretada pelo coronel Golbery do Couto e Silva (numa linguagem bem popular) e pelo próprio marechal Castelo Branco (este, num linguajar muito mais erudito). Acho que uma boa parte desses textos foi editada pela Editora BibliEx. So fizeres uma pesquisa na BibliEx, vais achar muito material primário, à espera de uma boa análise (se bem que já há um esboço de análise no trabalho do Elio Gaspari sobre o regime militar brasileiro).

    Pra entender esse troço, é necessário recuar ao fim do Império, checar o positivismo e começar a traçar um “fio filosófico” na formação do militar brasileiro. Foi uma linha que predominou em Realengo (mas não na AMAN; nesta, a formação já é predominantemente anti-militarista, ou seja, é voltada para a profissionalização das FAs; é, como diz um amigo meu: “uma linha mais primeiro-mundista…”).

    Ao olhar para trás, lembra que a República brasileira surgiu de um Golpe de Estado, certo?

    Nem se pode dizer que as idéias republicanas estavam em ascensão no Brasil. Não estavam. Elas estavam em decadência. Nas eleições imediatamente anteriores ao golpe, a representação republicana caíra de mirrados 4 parlamentares para a bancada ainda mais esquálida de 2 parlamentares.

    Não seria por apoio popular que o Brasil se tornaria uma república.

    Mas se tornou. Com um golpe militar. Desfechado exclusivamente por militares. Os civis vieram na esteira. Foram os rêmoras do processo…

    Como em 1964…

  7. Chesterton said

    Eu não admito bovinamente a corrupção. Diariamente a critico e questiono nessa própria tribuna internética paxiana.

    ________________________________

    Dilma prepara privataria na Eletrobrás, enquanto é alvo de ação internacional de investidores lesados
    Serrão

    Na linha de se livrar de problemas energéticos que podem atrapalhar sua reeleição, a Presidenta Dilma Rousseff prepara uma das grandes privatizações de seu governo. Em acordo com os aliados do PMDB (principalmente a turma de José Sarney e Edson Lobão), Dilma vai criar uma holding para juntar as distribuidoras de energia das regiões Norte-Nordeste, preparando-as para a privataria petralha.

    Claro, os petralhas e os parceiros políticos regionais, certamente através de “laranjas”, vão comprar as empresas que hoje levam fama de mal geridas e deficitárias. Usarão aquele rico dinheirinho público desviado nos habituais esquemas mensaleiros. Um negoção em tempos de carência de energia. Têm a desculpa de “reduzir custos” os futuros negócios de alienação de pelo menos 51% das ações de seis distribuidoras: Amazonas Energia, Eletrobras Acre, Rondônia, Roraima, Piauí e Alagoas.

    Privatarias à parte, Dilma tem na Eletrobrás uma fonte de desgaste só comparável com a Petrobrás. Investidores internacionais e nacionais das duas “estatais” de economia mista vêm acumulando prejuízos com baixos dividendos e queda do valor das ações na bolsa de valores. Tais interesses contrariados são as grandes fontes ocultas de ações de espionagem e denúncias – a maioria absolutamente procedentes – contra o governo e o principal chefe petista Luiz Inácio Lula da Silva.

    No caso da Eletrobrás, tudo se agravou com os desmandos cometidos pelo governo na 160ª Assembleia Geral da empresa, no final do ano passado. Investidores preparam ações judiciais contra o que chamam de “abuso de poder de controle sem precedentes, que se materializa na tentativa de confiscar e expropriar o patrimônio da companhia e dos acionistas”. Os acionistas foram prejudicados com a redução das reservas da empresa – o que provocou “um esvaziamento absoluto dos dividendos estatutários a que tinham direito assegurado”.

    Os maiores prejudicados foram os portadores de ações do tipo PNB. Por estatuto, eles sempre tiveram direito a dividendo mínimo obrigatório no valor de 6% sobre o capital próprio da Eletrobrás. Esvaziando o patrimônio, as reservas e o faturamento anual da companhia,em uma assembleia geral sem quórum qualificado, o governo Dilma atropelou a Lei.

    Agora, a Presidenta em campanha reeleitoral faz a demagogia com a promessa de redução na conta de luz, contraditoriamente quando o custo da energia aumenta com o uso das termelétricas (hoje responsáveis por 25% da geração). A Eletrobrás perdeu 70% de sua receita com a renovação dos contratos de concessão com base na medida provisória (MP) 579 aprovada goela abaixo dos investidores na 160ª assembleia.

    A previsão de desgaste para Dilma é evidente: a delinquência contra a Eletrobras e os seus acionistas foi consumada e sancionada por Dilma Rousseff. Já que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), apesar de acionada pelos lesados, nada fez até agora, o caso tem tudo para parar no órgão que fiscaliza o mercado de ações nos Estados Unidos. Como os papéis da Eletrobrás são negociados na Bolsa de Nova York, e a empresa tem elevada participação de capital estrangeiro, a SEC (Security and Exchange Comission) pode causar sérios problemas para atos ilegais do desgoverno brasileiro.

    Qualquer medida dos lesados só deve acontecer depois de 28 de fevereiro, prazo máximo para a Eletrobrás publicar seu Balanço de 2012. O grande perigo para os investidores é que o governo faça na Eletrobrás o mesmo que fez com a conta final do superávit primário: uma grande maquiagem nas demonstrações financeiras, para tentar produzir contabilmente o milagre de que não lesou ninguém. Se isto ocorrer, a vingança dos lesados pode custar caríssima para a véspera de campanha reeleitoral de Dilma.

  8. Michelle 2 said

    1. Muito interessante este diálogo entre o cúmulo da responsabilidade (indivíduo) x o cúmulo da irresponsabilidade (eleitores).

    Aguardo os próximos capítulos…ansiosa.

    2. Wanderley Guilherme dos Santos, não contribui em nada para o tema do post.

    3. A constatação do Pax é muito séria…
    o fla x flu produziu seus resultados… somos uma nação de incompetentes socialmente/politicamente falando.

    E dai…qual é a proposta? Qual o primeiro passo pra mudar? Como amadurecer socialmente escolhendo melhores agentes políticos no futuro?

  9. Zbigniew said

    Elias,
    Pela tua narrativa só não ficou claro o porquê dos militares desejarem tomar o poder se eles deram o golpe por conta própria. Se foi pelo “perigo comunista”, pelo texto do Wanderley este foi um mantra batido à exaustão pela classe dominante que se sentia ameaçada pelo progressismo desde Getúlio. Aliás, um argumento robusto frente às reações que hoje testemunhamos do conservadorismo. Neste ponto o texto abraça a tese de que o fundamento foi dado pelos civis, embora, por óbvio, o poder tivesse que ser tomado à força pelas FAs.
    Outrossim, pelos comentários ao texto do Wanderley lá no Nassif, há muita controvérsia quanto à participação dos EUA no golpe, principalmente pela doutrinação dos nossos militares pela Escola das Américas.

  10. Chesterton said

    E dai…qual é a proposta?

    chest- começar colocando o Dirceu na cadeia.

  11. Chesterton said

    Meu Deus do céu…

    http://www.dailymail.co.uk/news/article-2269094/North-Korean-parents-eat-children-driven-mad-hunger-famine-hit-pariah-state.html?ICO=most_read_module

  12. Zbigniew said

    E aqui um ponto interessante:

    “Segundo Wanderley, a grande disputa se daria na classe média, nos setores até então neutros. E o melhor antídoto seria informar a opinião pública sobre a legitimidade das reformas de base para o aprimoramento do país (tarefa impossível devido à radicalização na mídia e no governo). Por exemplo, o instituto do latifúndio representava o que de mais atrasado havia para o país, dificultando a produção de alimentos e produzindo crises periódicas de abastecimento”

    Do que nós podemos inferir que o PT hoje, na figura do Lula, utilizou da estratégia de não confrontar os diversos segmentos do poder econômico e político, mas sim de a eles se associar para, num primeiro momento, permitir que o projeto de poder vingasse. Para isso todos deveriam sair ganhando. E foi o que aconteceu, além de provocar o isolamento da ponta-de-lança do conservadorismo no país, que são os grupos de mídia que nós conhecemos. Fica difícil para esses grupos convencer quem está ganhando apoiar um golpe apenas pelo apelo ideológico. Logicamente que um golpe nos moldes de 64 está, por hora, totalmente descartado. Mas sempre há um Poder Judiciário ou um MP para apoiar essas idéias….

  13. Zbigniew said

    Elias,
    Aqui uma interessante tese sobre o “golpe preventivo”, e que, no meu sentir, traz um bom resumo sobre a questão de fundo do golpe civil/militar, abordada pelo comentarista DC às 12h21 do post:

    “CONSERVADORES PERDEM BASE SOCIAL E APLICAM “GOLPE PREVENTIVO” – O golpe de 64 foi bancado por civis e militares, sem dúvida alguma. Não existe golpe, insurreição, revolução ou coisa que o valha sem que exista uma base social coesa que de sustentação a esses movimentos. Ocorre que há muitos mitos no trato desse infeliz episódio da história do país. O governo João Goulart tinha um amplo apoio social, tinha uma base social muito forte e coesa (os golpistas também tinham). A aprovação ao governo João Goulart era positiva e o apoio às Reformas de Base também era positivo.

    O que amedrontava setores importantes da classe média e dos miitares era a ascensão gradual e constante do PTB no Congresso Nacional. Em 1945, em que pese o apoio da figura de Getúlio Vargas, o PTB era minúsculo, elegeu apenas 08% dos deputados federais e 04 das 42 vagas disputadas para o senado. O grande partido do Brasil entre 45 e 64 era o PSD, também criado por Getúlio Vargas. No governo de Eurico Gaspar Dutra, o PSD controlava metade do Congresso Nacional.

    Em 1945, o PTB elegeu 22 deputados federais. Em 1950, aumentou para 51. Em 54 atingiu o número de 56 deputados. Em 58 elegeu 66 parlamentares. Em 62 subiu para impressionantes 116 deputados federais, ultrapassando a UDN, tornando-se pela primeira vez a segunda força política da Câmara e tendo apenas 02 deputados a menos que o até então todo poderoso PSD que elegeu 118. Extrai-se daí que é uma rotunda falácia, conservadora e mistificadora, dizer que o governo João Goulart não tinha apoio popular! Muito antes pelo contrário, o PTB só fazia crescer, ininterruptamente desde a sua fundação em 45. E crescia vigorosamente também após a morte de Getúlio Vargas, para desespero dos golpistas…

    O crescimento insuperável do PTB, a força militante e a imensa base social do partido trabalhista é que eram o pano de fundo, o caldo de cultura que aterrorizava os conservadores que minguavam eleição após eleição. Se o governo de João Goulart fosse tão fraco, inepto e sem base parlamentar e social, bastaria aos golpistas operar através da Legalidade. Ou seja, poderiam ter feito o impeachment de João Goulart ou até mesmo poderiam esperar o término de seu mandato em 1965 (o governo não era inepto e sem apoio popular?) para eleger o corvo Carlos Lacerda presidente da república! Porque não o fizeram e optaram pelo golpe relâmpago?

    A grande e incontestável verdade que os conservadores teimam em esconder é que o PTB, tal e qual o PT atual, era o partido da massa trabalhadora dos grandes centros urbanos. Era disparado o partido mais popular do país e só fazia crescer e crescer cada vez mais ao longo do tempo. O medo não era de João Goulart, ele não conseguiria aprovar as reformas de base naquela oportunidade… O medo era porque o PTB estava politizando a discussão e as eleições de 1965 (se o processo democrático tivesse transcorrido normalmente) traria consigo uma estrondosa vitória do PTB, que transformar-se-ia no maior partido do Congresso Nacional, suplantando o PSD (a UDN golpista já havia ficado no chinelo há muito tempo…).

    Mais do que isso, em 1965 o cenário era de uma linda eleição presidencial disputada por João Goulart ou Leonel Brizola pelo PTB, Carlos Lacerda pela UDN e Juscelino Kubitschek voltando pelo PSD. A probabilidade de vitória de Carlos Lacerda era nula e devido a ascenção irresistível do PTB, já não era mais possível garantir que Juscelino (favoritíssimo) ganharia com a facilidade que os analistas da época imaginavam. Os golpistas tinham plena consciência de que o povo estava se educando políticamente e de que por dentro da democracia não teriam como segurar as reformas de base, que se eram impossíveis de ser implementadas com João Goulart, eram inevitáveis no horizonte próximo graças ao crescimento do PTB.

    Bom destacar também que pela ‘esquerda’, João Goulart era massacrado pelo PCB. Alguém lembra da estúpida, maluca e deplorável capa do jornal Imprensa Popular em 24 de agosto de 1954 (suicídio de Getúlio Vargas)? A capa era a seguinte: “Abaixo o governo de traição nacional de Vargas”. Percebam o grau de miopia do PCB na época! O PCB daquela época ressentia-se do fato de que o partido da massa trabalhadora era o PTB e não ele, PCB. É o mesmo ressentimento que setores de ‘esquerda’ hoje nutrem com relação ao PT. Pois foi contra essa miopia e ressentimento de uma esquerda principista e sectária que João Goulart teve de lidar também.

    Bom, mas e porque então a população não se insurgiu contra o golpe? Não se insurgiu porque João Goulart era João Goulart e não um Abraham Lincoln! Ao contrário de Leonel Brizola que lutava desesperadamente para organizar a resistência e, se necessário, partir para uma guerra civil em nome da Constituição, João Goulart contemporizou, não ofereceu resistência alguma aos golpistas, desmobilizou toda a base social do PTB e recolheu-se ao exílio. Tudo para evitar o ‘banho de sangue’ que assolaria o país se houvesse resistência contra os golpistas… Que falta fez ao Brasil naquela época uma atitude combativa de João Goulart! Abraham Lincoln não é celebrado até hoje como uma das maiores figuras políticas da história dos EUA? Tivesse ele contemporizado com os reacionários, latifundiários e escravocratas da época e a Guerra de Secessão não teria acontecido, o que fatalmente teria consequências trágicas para a história norte-americana. Sem a Guerra Civil bancada por Lincoln contra o atraso e seus reacionários representantes, entre 1860 e 1865, os EUA não seriam a potência que são hoje.

    Enfim, em breves palavras tento desmisticar um pouco o que ronda esse debate sobre o golpe de 64, suas reais motivações, a base social dos atores envolvidos, o percurso das forças políticas no curso 45-64, etc… Lamentável e desgraçadamente, a burguesia brasileira é anti-nacionalista e burra ao extremo. Diferentemente da burguesia norte-americana que históricamente sempre lutou contra o atraso agro-pastoril, contra a escravidão e os contra latifundiários racistas e fascistas, ‘dignos’ representantes de teses obsoletas. A burguesia brasileira sempre foi débil em ações e miserável em compreender o seu papel histórico em Pindorama. Justamente por isso que os maiores saltos industrializantes do Brasil tiveram que ser encampados enquanto bandeira modernizante pelo Estado Nacional, diferentemente do que ocorreu nos países centrais da Europa e dos EUA.

    A opção pelo golpe foi a tática dos conservadores para barrar a implementação e consolidação das reformas de base enquanto ainda tinham tempo para tanto. Cortaram o PTB pela raiz porque a população insistia em dar mais e mais respaldo ao partido trabalhista, enquanto abandonava gradualmente a UDN e o PSD. Fizeram o golpe contra o governo de Jango porque sabiam de seu caráter conciliatório e incapaz de bancar uma resistência. Sabiam que se esperassem para desfechar o golpe num eventual governo futuro de alguém como Leonel Brizola, haveria sim uma Guerra Civil e que a resistência venceria porque tinha um líder capaz de empreendê-la. Foi um “golpe preventivo”.”

  14. Michelle 2 said

    Vamos parar de idiotices!
    O único golpe que vale a pena é o do voto!
    Nada mais conservador que um velho petista.
    Na França de Luiz XIII, no século 17…o “governo” censurava (ou comprava) a critica da imprensa. É proibido discordar.
    Exatamente como agora.

  15. Chesterton said

    Do que nós podemos inferir que o PT hoje, na figura do Lula, utilizou da estratégia de não confrontar os diversos segmentos do poder econômico e político, mas sim de a eles se associar para, num primeiro momento, permitir que o projeto de poder vingasse. Para isso todos deveriam sair ganhando. E foi o que aconteceu, além de provocar o isolamento da ponta-de-lança do conservadorismo no país, que são os grupos de mídia que nós conhecemos. Fica difícil para esses grupos convencer quem está ganhando apoiar um golpe apenas pelo apelo ideológico. Logicamente que um golpe nos moldes de 64 está, por hora, totalmente descartado. Mas sempre há um Poder Judiciário ou um MP para apoiar essas idéias….

    chest- ah é, e o que vem no “segundo momento”?

  16. Jose Mario HRP said

    Beira o ridículo a sanha das “otoridades” Brasil afora, interditando casas noturnas e de shows, depois ” da porta arrombada “.
    O molha mão do passado parece ter sido esquecido, a sacanagem diária das omissões e corrupção desbragada parecem nunca ter existido!
    Só me resta o velho e ridículo “KKKKKKKKK”.
    No final, “Isso é Brasil”!

  17. Jose Mario HRP said

    Eu não me sinto culpado.
    E ponto!
    Sempre estou “de olho”, não lambo botas de politico, sempre disse que Zé Dirceu seria capaz de tudo pelo poder, e que como liderança, beirava o comportamento mafioso.
    Entre ele e Lula existiu o que ficou patente quando Lula deixou Zé ser queimado, pois ele sempre foi alguém que se quer longe, tal o tamanho do ego.
    Quanto a prefeituras, camara de vereadores e bombeiros, só uma deixa:
    Tudo se move a base do combustível chamado de “Grana”!

  18. Jose Mario HRP said

    Do blog do Azenha, a ácida declaração de Tarso Genro:
    http://www.viomundo.com.br/politica/sul-21-tarso-genro-desautoriza-brigada-militar-e-bombeiros.html

  19. Chesterton said

    Olha, tá todo mundo preocupado com as responsabilidades secundárias e terciárias e estão esquecendo do babaca que tocou fogo no recinto.

  20. Pax said

    Boa, do Fernando Rodrigues.

    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/fernandorodrigues/1222656-urubus-do-congresso.shtml

    Ou seja, tá cheio de lei, só falta cumprir.

    Mesmo que o tal cantor tenha sua parcela de culpa, se é que foi isso que aconteceu (ele nega, diz que houve curto circuito e eu não sou perito nem juiz), porque liberaram a casa sem as condições previstas por lei?

    Porque lei no Brasil é um bagulho sinistro, como diriam as vítimas que não vão dizer mais nada. Tem mais de 300 mil que ajudam pacas, ajudam mesmo, ajudam muito, para que um monte de corrupto ganhe um caminhão de dinheiro liberando geral.

  21. Pax said

    Sobre Renan e Alves – por Kennedy Alencar.

    Vejo no Twitter o Berzoini e o Zé Eduardo Dutra com o mesmo argumento, reclamando que Renan pode ser ministro da Justiça de FHC e agora Aécio quer impedir o alagoano de presidir – se ganhar – o Senado.

    Pois bem, achei boa a colocação do Kennedy:

    Ouçam, se quiserem:

    [audio src="http://download.sgr.globo.com/sgr-mp3/cbn/2013/colunas/kennedy_130130.mp3" /]

    E aí voltamos ao post: estes caras, com fortíssimas suspeitas e acusações de corrupção, vão presidir a casa do povo.

    Pois é.

    Também não me sinto culpado, mas repito: matei mais de 230 jovens por asfixia.

  22. Chesterton said

    20, Pax, todas testemunhas são unânimes em afirmar que o cara tocou fogo no palco. Não enrrola.

  23. Pax said

    Caro Chesterton, como sempre digo, você é infalível.

    Vamos esquecer o Estado Democrático de Direito? Vamos julgar sumariamente quem quer que seja para acompanhar o oba-oba que a mídia faz desta tragédia?

    Do que me lembro, o direito ao contraditório ainda existe.

  24. Chesterton said

    Exatamente por isso tem que soltar da cadeia os donos do estabelecimento.

    Direito ao contraditorio do Pax.

    (testemunha)
    -eu vi você brincando com fogo no palco. Vi quando encostou a tocha no teto.

    (cantor)
    – NÃO FUI EU

    (TESTEMUNHA)
    -hein?

    (cantor)
    – a culpa é do bombeiro e da minha mãe, que me colocou no mundo. (???)

  25. Elias said

    Zbigniew,

    Vamos lá nas teses do comentarista DC:

    1 – “O governo João Goulart tinha um amplo apoio social, tinha uma base social muito forte e coesa (os golpistas também tinham). A aprovação ao governo João Goulart era positiva e o apoio às Reformas de Base também era positivo.”

    Não é verdade.

    O próprio “estilo Jango” de fazer política inviabilizava isso. Ele era detestado pela direita, desde o episódio do reajuste salarial, ainda no governo Vargas. A direita chegou a apostar alto em fraudes grosseiras, como foi o caso da “Carta Brandi”, pra derrubar Jango.

    A consequência natural seria Jango se apoiar na outra ponta do tecido. Mas não foi isso o que aconteceu. A maior parte da esquerda esquerdizava (grande novidade…), e dizia que Jango “conciliava com as elites”.

    A bandeira política das “Reformas de Base” suscitou uma série de expectativas que Jango simplesmente não tinha como atender (pelo menos, até que as reformas realmente começassem a acontecer).

    Resultado: uma imensa frustração, que se materializava em manifestações, greves, etc.

    No fim, Jango ficou (nas palavras dele mesmo…) “entre a cruz e a caldeirinha…”.

    Ou seja, numa posição ótima pra ser derrubado.

    2 – “O que amedrontava setores importantes da classe média e dos miitares era a ascensão gradual e constante do PTB no Congresso Nacional.”

    Isso sim, está corretíssimo. A partir de 1948, o processo político brasileiro ficou polarizado entre dois grandes partidos conservadores: a UDN e o PSD. Ambos, UDN e PSD praticamente não tinham divergências político-ideológicas. Pescavam na mesma água.

    O PSD levava vantagem na disputa, porque se aliava ao PTB, outra vertente surgida diretamente do getulismo. Essa aliança, evidentemente, era liderada pelo PSD.

    De 1948 a 1962 o PTB foi ganhando terreno, e passou a disputar com o PSD a liderança da aliança entre ambos.

    Curiosamente, o crescimento do PTB se deu mais à custa do murchamento da UDN, que simplesmente não conseguiu acompanhar a evolução da política brasileira. A UDN foi se tornando progressivamente incapaz de formular politicamente. A partir de um determinado momento, sua posição política se restringia a um anticomunismo de ocasião e a uma pregação pseudomoralista (que não enganava ninguém, até porque a UDN era tão corrupta quanto qualquer outro partido…).

    Aí a UDN foi perdendo voto progressivamente. No início dos anos 1960, ela havia se tornado a terceira força política no Brasil. PSD e PTB passaram a disputar entre si o primeiro lugar.

    Desesperançada de conquistar o poder pelo voto — e frustrada a expectativa gerada pela eleição de Jânio — a UDN passou, cada vez mais, a se refugiar em fantasias golpistas.

    Ao mesmo tempo, o crescimento político-eleitoral do PTB — dentre outras coisinhas mais –, explica o apoio do PSD ao golpe de 1964. Em sua sesquipedal obtusidade (agora, com o “olhar do futuro”, a gente sabe…), o PSD achou que o golpe seria muito conveniente, pra se livrar de um aliado incômodo.

    Juscelino apoiou o golpe militar, achando que isso facilitaria seu retorno à Presidência da República em 1966.

    Em praticamente todos os Estados brasileiros, as lideranças do PSD apoiaram o golpe.

    Chocaram ovos de serpente… No futuro, que viria a galope, a maior parte dos líderes do PSD — Juscelino incluso — seria devorada pelo que saiu desses ovos…

    Nada disso autoriza a concluir que o golpe de 1964 foi também civil.

    Estou numa roda viva…

    Volto depois, pra comentar o restante da tese do DC

  26. Chesterton said

    11. A supressão dos rendimentos a que não corresponda trabalho ou esforço, o fim da escravidão do juro;

    12. Levando-se em conta os imensos sacrifícios em bens e em sangue derramado que toda guerra exige do povo, o enriquecimento pessoal graças à guerra deve ser qualificado de crime contra o povo. Exigimos, portanto, a recuperação total de todos os lucros de guerra;

    13. Exigimos a nacionalização de todas as empresas (já) estabelecidas como sociedades (trustes);

    14. Exigimos participação nos lucros das grandes empresas;

    15. Exigimos que se ampliem generosamente as aposentadorias;

    16. Exigimos a constituição e a manutenção de uma classe média sadia, a estatização imediata das grandes lojas, e o seu aluguel a preços baixos a pequenos comerciantes, cadastramento sistemático de todos os pequenos comerciantes para atender às encomendas do Estado, dos Länder e das comunas;

    17. Exigimos uma reforma agrária apropriada às nossas necessidades nacionais, a elaboração de uma lei sobre a expropriação da terra sem indenização por motivo de utilidade pública, a supressão da renda fundiária e a proibição de qualquer especulação imobiliária;

    18. Exigimos uma luta impiedosa contra aqueles cujas atividades prejudicam o interesse geral. Os infames criminosos contra o povo, agiotas, traficantes etc. devem ser punidos com pena de morte, sem consideração de credo ou raça;

    19. Exigimos que se substitua o direito romano, que serve à ordem materialista, por um direito alemão;

    20. Com o fito de permitir a todo alemão capaz e trabalhador alcançar uma instrução de alto nível e chegar assim ao desempenho de funções executivas, deve o Estado empreender uma reorganização radical de todo o nosso sistema de educação popular. Os programas de todos os estabelecimentos de ensino devem ser adaptados às exigências da vida prática. A assimilação dos conhecimentos de instrução cívica deve ser feita na escola desde o despertar da inteligência. Exigimos a educação, custeada pelo Estado, dos filhos – com destacados dotes intelectuais – de pais pobres, sem se levar em conta a posição ou a profissão desses pais;

    21. O Estado deve tomar a seu cargo o melhoramento da saúde pública mediante a proteção da mãe e da criança, a proibição do trabalho infantil, uma política de educação física que compreenda a instituição legal da ginástica e do esporte obrigatórios, e o máximo auxílio possível às associações especializadas na educação física dos jovens;

    22. Exigimos a abolição do exército de mercenários e a formação de um exército popular;

    23. Exigimos que se lute pela lei contra a mentira política deliberada e a sua divulgação através da imprensa. Para que se torne possível a constituição de uma imprensa alemã, exigimos:
    a) que todos os redatores e colaboradores de jornais editados em língua alemã sejam obrigatoriamente membros do povo (Volksgenossen);
    b) que os jornais não-alemães sejam submetidos à autorização expressa do Estado para poderem circular. Que eles não possam ser impressos em língua alemã;
    c) que toda participação financeira e toda influência de não-alemães sobre os jornais alemães sejam proibidas por lei, e exigimos que se adote como sanção para toda e qualquer infração o fechamento da empresa jornalística e a expulsão imediata dos não-alemães envolvidos para fora do Reich.
    Os jornais que colidirem com o interesse geral devem ser interditados. Exigimos que a lei combata as tendências artísticas e literárias que exerçam influência debilitante sobre a vida do nosso povo, e o fechamento dos estabelecimentos que se oponham às exigências acima.

    ad hitlerum

  27. Pax said

    Inacreditável…

    Vladimir Aras ‏@VladimirAras
    Fizemos hj a Operação Planeta, q desmontou esquema de tráfico de mulheres entre Salvador e Salamanca (Eapanha). Trabalho da PF e do @MPF_BA
    Retweeted by ANPR

  28. Pax said

    Fui almoçar com um amigo. Remediado na vida, ex-alto executivo de multinacional e grandes empresas. Tucano até os esses. Elogiou muito atitudes de Dilma em Santa Maria e afirmou: “Entre Dilma e Serra, voto nela”.

    Pois é.

    (fatos reais)

  29. Pax said

    Do twitter da Rosana Oliveira, comentarista política da Zero Hora, conhecida, há anos na profissão:

    Rosane Oliveira ‏@rosaneoliveira
    A divulgação das casas que fundionam graças a uma liminar não elimina necessidade de pente fino sobre como está a segurança nas outras.

    Ou seja, estamos aqui pensando no integrante da banda que supostamente acionou o tal dispositivo pirotécnico, os empresários da casa, os fiscais e bombeiros que liberaram a boate e agora ficamos sabendo que foi um juiz que deu a liminar de funcionamento.

    Então… nos permite suspeitar que, em tese, pode haver um enorme desvio no uso dessas atribuições.

    Será?

  30. Pax said

    Lista de casas noturnas que funcionam com liminares da Justiça em Porto Alegre.

    http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2013/01/prefeitura-divulga-nomes-de-casas-noturnas-que-funcionam-com-liminar-em-porto-alegre-4028227.html

  31. Pax said

    E tem mais…

    Zero Hora ‏@zerohora
    Boate Kiss teve plano de prevenção a incêndio feito por empresa de bombeiro http://migre.me/d2MpL

  32. Elias said

    Zbigniew,

    De volta:

    3 – “…em 1965 o cenário era de uma linda eleição presidencial disputada por João Goulart ou Leonel Brizola pelo PTB, Carlos Lacerda pela UDN e Juscelino Kubitschek voltando pelo PSD. A probabilidade de vitória de Carlos Lacerda era nula e devido a ascenção irresistível do PTB, já não era mais possível garantir que Juscelino (favoritíssimo) ganharia com a facilidade que os analistas da época imaginavam.”

    Se o comentarista reconhece que Juscelino era o favoritíssimo, nada autoriza a supor que Jango ou Brizola teriam alguma chance contra ele.

    Uma coisa é aquilo que a gente gostaria que fosse. Outra, é a realidade…

    Jango nem mesmo tinha o apoio total do PTB. Numa disputa presidencial, certamente que parcelas imensas do PTB apoiariam JK e não JG.

    Que parcelas eram essas? Principalmente as parcelas do PTB que, nos estados e municípios, dependiam da aliança com o PSD para continuar ampliando a base parlamentar trabalhista. Na composição das chapas, o PSD indicava o governador ou o prefeito, e o PTB o vice. Com essa configuração o PTB estava, pouco a pouco, ampliando sua base de siustentação política, elegendo uma representação parlamentar cada vez maior. Se ele rachasse com o PSD, mais que provavelmente suas bancadas parlamentares iriam encolher.

    Ou seja: é verdade que o PTB estava crescendo mais que o PSD, mas também é verdade que, em enorme medida, o crescimento do PTB se devia à sua aliança com o PSD. Em muitas partes do Brasil, não se sabia direito onde terminava o PSD e onde começava o PTB.

    Outra coisa a ser considerada: se as eleições para Vice Presidente fossem em 2 turnos (naquela época, Presidente e Vice Presidente eram eleitos separadamente), também mais que provavelmente Jango não teria sido eleito.

    Jango foi eleito porque o campo conservador partiu pra disputa dividido.

    Eis os números: Jango: 4,6 milhões de votos; Milton Campos: 4,2 milhões; Fernando Ferrari: 2,1 milhões.

    Somando-se os votos da direita dá 6,3 milhões, contra 4,6 milhões para o centro-esquerda (dá pra imaginar o que seria se PTB e PSD saíssem pra disputa separados, né?).

    Daí porque se dizia que Jango foi expulso pela porta e voltou pela janela…

    Ele se beneficiou das falhas de um sistema eleitoral mal estruturado e da arrogante obtusidade política da direita, que se meteu numa disputa assim rachada, mesmo sabendo que seus adversários estavam unidos.

    Lançar dois candidatos a vice, como fez a direita, só teria sentido se a eleição fosse em 2 turnos ou se o PTB e o PSD também lançassem, cada qual, o seu candidato.

    Há que se considerar, finalmente, as divergências internas do PTB. Como os partidos comunistas foram proibidos, essas organizações se abrigaram dentro do PTB. No partido, elas tentavam fazer com que suas teses fossem adotadas pelo trabalhismo.

    Dentro do PTB, várias correntes de esquerdas confundiam a realidade brasileira do início dos anos 1960 com o que elas imaginavam ter sido a realidade russa de 1917. Agiam como se o Brasil estivesse à beira de uma revolução proletária. Por essa razão, desdenhavam das “Reformas de Base” propostas pelo Jango. Diziam que o Brasil não precisava de reformas, e sim de revolução… E daí pra baixo!

    De fato, as reformas do Jango não tinham nada de socialistas, muito menos de marxistas. O eixo delas era a instalação de 10 milhões de novos empreendimentos no país. Mais capitalista que isso, impossível… Essas propostas foram combatidas pela direita, porque eram proposta de Jango, e a direita brasileira combateria qualquer coisa que fosse proposta por Jango ou qualquer de quem se pudesse dizer que era de esquerda.

    Na prática: a esquerda se dividia QUANTO às Reformas de Base; a direita se unia CONTRA as Reformas de Base.

    E aí mais uma característica da fotografia: a direita fazia oposição sistemática a Jango (como fez a JK), mas não sabia transpor esse senso oposicionista para propostas político-eleitorais. Na verdade, cometia erros primários de estratégia política, como se percebe na eleição para Vice Presidente.

    Daí que perdia sempre…

    Daí, também, o ranço ressentido do discurso da direita, muito parecido com o de hoje em dia… Daí a desesperança de chegar ao poder pelo voto e a crença cada vez maior de que só teria alguma chance por obra e graça de um golpe de estado.

    Faz parte da estupidez humana tentar empurrar para os outros a culpa pelos fracassos. Esse tipo de atitude é mais antigo que a posição de fazer cocô…

    Enfim:

    O cenário de “uma linda eleição em 1966”, com Jango ou Brizola disputando a presidência contra JK, reflete mais um desejo que uma constatação. Se fosse assim, não seria nada linda. Mais razoável seria esperar uma derrota.

    Aliás, se Jango não unia o PTB, Brizola menos ainda. Se o candidato a Presidente fosse o Brizola, e não o Jango, pra disputar com Juscelino, certamente que maior seria a deserção de petebistas para debaixo das asas do PSD. O candidato trabalhista seria “cristianizado”. O PTB partiria pro “voto camarão”…

    Contrariamente a Jango e a Brizola, Juscelino somava em todos os partidos, todas as classes sociais, todas as faixas etárias, etc. Daí porque o regime militar o cassou, mesmo não tendo nada contra ele, e mesmo tendo JK apoiado o golpe.

    Os militares temiam politicamente JK. E tinham todos os motivos pra temer…

    Sem um golpe de Estado, mais razoável seria se supor um retorno de JK à Presidência da República.

  33. Chesterton said

    Pax, logo…o estado brasileiro é inchado e ineficiente.

  34. Chesterton said

    QUARTA-FEIRA, 30 DE JANEIRO DE 2013
    Crack: surge uma voz lúcida no petismo.
    A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, defendeu nesta quarta-feira (30) a internação compulsória ou involuntária de viciados em crack em casos que, no entendimento dela, a ação for “necessária”. Desde o dia 21, o estado de São Paulo passou a adotar a internação compulsória para dependentes químicos. Essa modalidade de internação precisa ser autorizada pela Justiça.

    blog do coronel

  35. Chesterton said

    A Classe Média Realmente Aumentou?
    Um considerável número de analistas tem comentado sobre o incrível aumento de pessoas vivendo na classe média. Respeitosamente eu discordo deles.

    Do ponto de vista estatístico, os estudos que relatam o aumento de pessoas vivendo na classe média estão corretos. A metodologia deles é simples: primeiros, verifica-se a distribuição de renda na população, depois divide-se a mesma em faixas de renda, e por fim pega-se a população que não é considerada nem rica e nem pobre. Esta é a classe média. Dada a renda brasileira, considera-se classe média famílias com renda per capita entre 200 e 1100 reais por mês. Isto é, uma família com pai, mãe e um filho que receba 1 salário mínimo por mês pode ser considerada de classe média.

    Do ponto de vista estatístico o procedimento descrito acima está correto. Minha crítica é outra. Classe média NÃO É um conceito estatístico. Classe média é um conceito moral. Quando dizemos que alguém pertence a classe média estamos nos referindo a um padrão de vida, e não a uma renda relativa ao resto da população. No Brasil, família de classe média é aquela onde os filhos estudam em escolas privadas, e fazem cursos de idiomas, os pais possuem carros na garagem e plano de saúde privado e, além disso, a família sai de férias no final do ano.

    Pode parecer bobagem, mas essa diferença entre o conceito estatístico de classe média e o conceito moral é extremamente importante. Quando se divulga na imprensa que a classe média cresceu, dá-se a impressão de que isso se refere ao conceito moral de classe média. Mas tais estudos se referem ao conceito estatísticos. Para pesquisadores treinados essa diferença é evidente. Mas, para a grande imprensa, e o público em geral, ocorre uma confusão. Assume-se erradamente que tal resultado refere-se a definição moral de classe média. Ou seja, explora-se politicamente um avanço que efetivamente não ocorreu.

    Na próxima vez que você ler na grande imprensa sobre o crescimento da classe média, ou de maneira equivalente que existem mais ricos no Brasil, pergunte-se qual a faixa de renda que determina quem é classe média. Você verá que, infelizmente, nem tudo são flores.
    POSTADO POR BLOG DO ADOLFO ÀS

  36. Chesterton said

    30 DE JANEIRO DE 2013
    Presidente do PT chama imprensa de ‘oposição sem cara’ e diz que é preciso combatê-la

    Por Implicante
    Rui Falcão diz que a “oposição” da imprensa é mais forte que a oposição parlamentar

    Rui Falcão: Ele não tolera nem críticas ao “crescimento menor” do país
    Informação do jornal O Globo:

    BRASÍLIA – Ao participar nesta quarta-feira da primeira reunião da bancada do PT na Câmara este ano, o presidente da legenda, Rui Falcão, criticou setores da mídia e do Ministério Público e avisou que o partido irá se dedicar à luta pela democratização dos meios de comunicação este ano. Segundo ele, é preciso regulamentar os artigos de 220 a 222 da Constituição Federal, garantindo a desconcentração do mercado, a produção cultural regional, a valorização da produção independente, a universalização da banda larga, e o direito de resposta, entre outros pontos. Falcão criticou ainda o que chamou de antecipação da campanha eleitoral por parte da oposição e disse que o PT não cairá neste jogo que encurtaria o mandato da presidente Dilma Rousseff.

    Segundo o presidente do PT, a democratização dos meios de comunicação é fundamental para a liberdade de expressão. Rui Falcão afirmou que no Brasil, além da oposição parlamentar, existe uma outra oposição formada por setores da mídia e setores do Ministério Público que tem agido para tentar desqualificar a política. Falcão afirmou ainda que representantes da associações de empresários da mídia já assumiram o papel de oposição no país.

    – Sejamos francos: quem é oposição no Brasil hoje? Temos a oposição parlamentar, mas há uma oposição mais forte, extrapartidária que não mostra a cara, mas se materializa em declarações como a de Judith Brito (vice-presidente da Associação Nacional de Jornais – ANJ) que disse :”como a oposição não cumpre o seu papel, nós temos que fazê-lo” – disse Rui, acrescentando:

    – Vamos às redes sociais e aos partidos lutar pela liberdade de expressão. Esses a quem eu nominei, que tentam interditar a política no Brasil, essa oposição extrapartidária que quer fazer com que se desqualifique a política e quando a gente desqualifica a política, abre campo para aventuras golpistas que levaram ao nazismo, fascismo e devemos afastar do nosso país. Combater essa oposição sem cara, mas com voz é um dos objetivos do PT nessa conjuntura.

    Depois, em entrevista à imprensa, os jornalistas indagaram se Falcão incluía entre os que integram a “oposição sem cara” o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Depois da fala de Falcão, o nome de Gurgel foi citado pelo deputado Fernando Ferro (PT-PE), que defendeu ainda levar adiante na Câmara uma proposta de fiscalização e controle de atos de Gurgel.

    – Há setores do Ministério Público que têm tido atuação partidária. Agora inclusive, toda essa manipulação em torno do presidente Lula, deixa evidente que há uma ação deliberada no sentido partidário, de oposição – disse Falcão, acrescentando que é uma prerrogativa da Câmara a proposta de fiscalização de atos do Gurgel.

    Mensaleiros participam do encontro

    O ex-presidente do PT, José Genoino (SP), condenado no processo do mensalão, participou deste encontro, o primeiro realizado depois que ele tomou posse como suplente. Ele fez questão de cumprimentar os colegas e assessores e, quando seu nome foi citado pelo líder da bancada e seu irmão, José Guimarães (CE), recebeu muitos aplausos. O ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), também participou da reunião, mas apenas durante o início.

    Rui Falcão afirmou que a oposição mudou o foco dos ataques ao governo do PT, deixando de lado os ataques relativos ao mensalão e passando para criticar pontos como o PIB menor, a possibilidade de racionamento de energia e desentendimentos entre Dilma, o PT e o o presidente Lula, que, segundo ele, nunca existiram. Ele afirmou ainda que Lula não está em campanha e apoiará Dilma em 2014.

    o implicante

  37. Michelle 2 said

    Alienação tem um preço.

    Surpresa! Após 10 anos de domínio petista – executivo e legislativo… “a lerda continua a lesma”.
    Paramos no tempo!

    Por que será?
    O saneamento básico, a educação de qualidade e a infraestrutura regrediram.Ficaram parados. Nenhum salto de qualidade. Nada de planejamento a longo prazo.

    Alguém discorda?

  38. Pax said

    Sinceramente?

    Bem, pra aliviar um pouco minhas culpas, assinei a bagaça

    http://www.avaaz.org/po/ficha_limpa_no_senado_renan_nao/?cTGxQab

    Na boa, independe se o cara foi ministro da Justiça de FHC, ou líder da base para o PT. O que esse cara fez foi afundar ainda mais o Senado nesta imagem de lixo que tem hoje.

    O PMDB que se vire para arrumar nome melhor. Se é que tem. E tem, sim. Problema é que são tão poucos que estão acuados nos cantos.

  39. Pax said

    Absurdo.

    http://globoesporte.globo.com/futebol/times/gremio/noticia/2013/01/grade-da-arena-cede-em-avalanche-e-deixa-torcedores-do-gremio-feridos.html

  40. Pax said

    Nitidamente o cara envolve o Planalto em sua defesa, ou campanha à presidência da casa de tolerância.

    http://g1.globo.com/platb/blog-do-camarotti/2013/01/31/renan-calheiros-sempre-tive-uma-boa-relacao-com-o-planalto/?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=Pesquisa2

    E aí a gente fica com a eterna dúvida: da forma que está, precisamos mesmo do Senado?

  41. Elias said

    Zbigniew,

    Por que os militares deram o golpe?

    Pra responder a isso, é necessário perder um pouco de tempo na chamada “antropologia militar”, e entender o “cesarismo”.

    Veja que desde o final do Império os militares passaram a assumir um papel de enorme importância no processo político brasileiro.

    Antes, você tinha militares na política, porém atuantes dentro do quadro partidário existente. Os maiores exemplos disso são, obviamente o Duque de Caxias e o grande Osório.

    Mas, vê só: Osório, do Partido Liberal, fazia campanha política simultaneamente pra ele e pro Caxias, que era do Partido Conservador. Caxias foi eleito várias vezes em grande medida pelo prestígio político desse “cabo eleitoral” (Osório, popularíssimo, era uma verdadeira máquina de ganhar voto…).

    E Osório era quem mais denunciava essa distorção. Ele deplorava que os partidos políticos brasileiros fossem organizações frágeis, política e ideologicamente falando. Quase amorfas. Osório dizia que os partidos políticos brasileiros quase nenhuma contribuição davam para o amadurecimento político da população.

    Essa, aliás, era uma das razões pelas quais Osório, embora republicano, não atuava politicamente para a implantação da república. Ele dizia que, embora historicamente desejável, a república acabaria convertendo o Brasil numa ditadura.

    No final do Império, as Forças Armadas brasileiras eram, no país, as únicas instituições realmente organizadas e cozidas por uma disciplina interna. Quando essas instituições passaram a ter um pensamento político, elas acabaram assumindo a condução do processo, já que as instituições civis se mostravam ineptas pra isso.

    O “pensamento político” no estamento militar veio com o positivismo. Os chamados “ideais republicanos” no Brasil acaram impregnados de positivismo (e nem é preciso falar muito nisso, né? Basta lembrar o que está escrito dentro da nossa bandeira. Quem escrevceu “Ordem e Progresso” nela? Foram os civis?).

    Vem desde essa época a intervenção dos militares na política brasileira.

  42. Elias said

    Zbigniew,

    Ainda: “Por que os militares deram o golpe?”

    O “cesarismo” implica a crença de que o Estado pode promover mudanças na sociedade, aperfeiçoando-a. E que um Estado “forte” pode implementar essas mudanças rapidamente, “comprimindo” etapas no tempo. É, de certa forma, uma concepção dialética do tempo; tem a crença de que se pode fazer, em cinco anos, p.ex., mudanças sociais que, em condições “normais”, consumiriam décadas inteiras. Não por acaso, nos primeiros anos do regime militar o eixo das peças publicitárias do governo era: “Antigamente o Brasil era o país do futuro (imagem de um botão de rosa). Agora, o futuro chegou (imagem de uma rosa desabrochada)”. Houve um porrilhão de variações em cima desse “plot”.

    Num quadro de descrédito dos partidos políticos, o “cesarismo” tende a ser recebido com simpatia pela população. Há o desagrado com a ineficiência do poder público, com a roubalheira dos políticos, etc, etc. Esse desagrado é potencializado pela impaciência: o tempo passa, e parece que nada está mudando… Algumas coisas parecem até piorar com o tempo…

    O “cesarismo” aparece como a salvação da lavoura (se não fosse assim, não seria “cesarismo”). Ele se propõe a fazer as mudanças que tu queres, e rapidamente (como tu preferes, aliás). Em troca, tu não precisas fazer nada. Não precisas fazer nem precisas pensar. Deixa que a gente vai pensar e agir por ti. Só tens que ficar quietinho, trabalhar e viver tua vida em paz, sem tugir nem mugir. O resto, deixa com a gente…

    É um bom termo de troca, pra quem tem consciência de rebanho… E já paraste pra contar quantos são os que têm isso?

    Foi essa a troca feita em 1964.

    Na época, havia um linha civil golpista e uma linha militar golpista. Cada uma dessas linhas tentou o golpe várias vezes.

    A tentativa de impedir a posse de JK, p.ex., foi dirigida por civis (Carlos Lacerda no comando do ataque).

    A tentativa de impedir a posse de Jango, em 1961, foi dirigida por militares. Observe que só uma parcela da UDN, liderada pelo Carlos Lacerda, apoiava o golpe. Uma outra parcela da mesma UDN, liderada por Afonso Arinos de Mello Franco & outros, era contrária ao golpe. Que, por sinal, também não tinha o apoio suficiente dentro do Exército (é só lembrar como atuaram Machado Lopes, Segadas Viana e o próprio Cordeiro de Farias, cada um deles tendo atrás de si uma extensa parcela da oficialidade em função de comando de tropa).

    Em 1964 os militares repetiram a dose, agora depois de uma minuciosa preparação. Os civis golpistas foram chamados a participar, mas em função subalterna.

    Mais tarde, vários dos principais colaboradores civis do golpe foram sumariamente descartados, porque tinham a pretensão de disputar a Presidência da República ou, simplesmente, influir no processo.

    Quer uma lista? Lá vai: Assis Chateaubriand, Adhemar de Barros, Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek. Todos os civis que tentaram meter o bedelho nas eleições presidenciais foram detonados…

    E olha que o Chatô, p.ex., estava apenas apoiando a “candidatura” de Costa e Silva. Foi detonado por Castelo. Adhemar, idem, idem. Juscelino e Lacerda sonhavam mais alto: queriam, eles próprios, ser candidatos. Aí já era de mais, né?

    O anti-comunismo foi uma bandeira conveniente, que contribuiu pra dar mais força ao “cesarismo”, por causa do contexto de bi-polarização ideológica que então havia. Da “Guerra Fria”.

    Mas o fato é que a intervenção dos militares no processo político brasileiro é anterior a isso. É anterior à própria revolução dos bolcheviques…

    O general Odílio Denys liderou a tentativa de golpe em 1961. Ele disse que, quando foram pedir apoio aos EUA, os golpistas receberam respostas contraditórias. A CIA e o Pentágono disseram que apoiariam. Já a Casa Branca deu um sonoro “não!”. Bob Kennedy falou com todas as letras que não daria nenhum apoio ao golpe. Mais adiante, a Casa Branca foi clara: se o golpe fosse em frente, seriam imediatamente cortadas as linhas de ajuda financeira ao Brasil.

    Para 1964, esse apoio foi muito mais cuidadosamente costurado e preparado. Sabemos hoje que os EUA chegaram a deslocar uma frota inteira pro Atlântico Sul, para a hipótese de uma resistência ao golpe.

    Isso aconteceu porque houve o casamento do “cesarismo” com o contexto da “Guerra Fria”. Mas o “cesarismo” jamais dependeu da Guerra Fria pra existir, até porque ele nasceu, cfresceu e se fortaleceu antes dela.

    Na verdade, o fim do “cesarismo” nas Forças Armadas brasileiras é que faz a diferença na fase atual do processo político.

    É a isso que um amigo meu se refere, quando diz que a atual formação da AMAN é “primeiro mundista”.

    O pensamento militar brasileiro, hoje, não alimenta ilusões de que o Estado reforma a sociedade. Ao contrário, o pensamento militar brasileiro, hoje, é de que a sociedade é que tem que reformar o Estado.

    Ou seja: o pensamento militar brasileiro, hoje, é democrático. Ele evoluiu melhor e mais rapidamente que o pensamento da direita brasileira, que não saiu dos anos 1960.

    É por isso que, a direita brasileira não tem nem uma fração da chance que as antigas “vivandeiras de quartel” pensavam que tinham, na virada dos anos 1950 e primeira metade dos 1960.

    O desejado interlocutor fardado não existe mais.

    Em 2012 direita fez o possível pra armar o maior bundalelê com o mensalão. A Veja fez o que pode pra dar a entender que o mensalão era uma crise institucional, e que é necessário um desequilíbrio entre os poderes, pra desatar o nó…

    Nenhuma liderança militar fez qualquer comentário. Em toda essa crise, os militares se portaram como militares americanos, ou ingleses, ou suecos… Ficaram na deles.

    É o que o meu amigo chama de “formação militar primeiro mundista”.

    Maior decepção pra direita, né?

  43. Elias said

    1) Noticiário da ADVFN de ontem:

    “A Petrobras (PETR4) informou ontem à noite que reajustará, a partir de hoje, os preços de venda da gasolina e do diesel nas refinarias. O reajuste médio será de 6,6% para a gasolina e de 5,4% para o diesel. Especialistas estimam que o repasse ao consumidor ficará entre 4% a 6% no caso da gasolina. A Petrobras afirmou que o reajuste foi definido levando em consideração a política de preços da companhia, que busca alinhar o preço dos derivados aos valores praticados no mercado internacional em uma perspectiva de médio e longo prazo. Os analistas estão divididos quanto ao impacto do reajuste no preço das ações da companhia no curto prazo. Enquanto alguns acreditam que o reajuste trará um impacto extremamente positivo aos papéis, outros analistas não estão tão confiantes e alertam para a alta volatilidade que pode seguir com as ações da companhia hoje.”

    Faltou dizer que isso faz parte do tricô que está sendo tecido pra 2014…

    2) E no de hoje:

    “Após um início de ano favorável, uma reviravolta ontem para Eike Batista. Das cinco maiores quedas registradas no índice Ibovespa na sessão de ontem, três eram empresas de sua propriedade. As ações da OGX Petróleo (OGXP3) caíram 8%, a MPX Energia (MPXE3) se desvalorizou em 8,3%, a LLX Logística (LLXL3) perdeu 5% do valor de mercado e a MMX Mineração (MMXM3) caiu 5,2%. Não faltaram rumores circulando no mercado: a descoberta de poços de petróleo não comerciais e a revogação de licença de operação de termelétricas tentavam explicar a queda nas ações das companhias. No entanto, nada foi confirmado até o momento.”

    Pois é… Né?

    E a Vale perdeu US$ 4,2 bilhões, caiu uma posição no ranking mundial (de 2ª pra 3ª) e reduziu a distribuição do lucro em mais de 30%, em relação a 2011.

    Já o Petrossauro…

    E o Eike Batista ainda tem que fechar o capital daquela colombiana, pra poder mexer na estrutura dela (depois, provavelmente, vai torrar…).

  44. Pax said

    Colecionar notícias da corrupção dá nisso:

    Pax ‏@politicAetica
    Eunício substitui Renan na liderança do PMDB no Senado. Por algumas notícias, está à altura do substituído: https://politicaetica.com/category/eunicio-oliveira/

  45. Pax said

    E assim a gente prepara mais uma tragédia…

    Estadao ‏@Estadao
    SP tem 600 baladas à espera de alvará; demora para licença pode ser de 4 anos http://migre.me/d3hg1

    Uma dificuldade criada aqui, um jeitinho vendido acolá, uma graninha lá na esquina pra liminar e uma faísca. Pronto.

    Lá vamos nós chorar, velar, enterrar, esquecer as causas e aprontar mais algumas tragédias.

  46. Elias said

    “E aí a gente fica com a eterna dúvida: da forma que está, precisamos mesmo do Senado?” (Pax, ainda em dúvida eterna)

    Claro que não precisa! Nem “da forma que está”, nem de nenhuma outra…

    E a dúvida, como o amor, só será eterna enquanto durar…

    É só acabar com o Senado, que ela também acaba…

  47. Elias said

    Nos primeiros anos da República, os parlamentos estaduais também eram bicamerais. Nos estados, havia a “Câmara” e o “Senado”.

    Muita gente ficou em “eterna” dúvida se os senados estaduais deveriam ou não ser extintos.

    Hoje, sinceramente, existe alguém achando que os senados estaduais fazem falta?

    Alguém faria uma enquete, pra alinhavar uma resposta? (opinião de político profissional não vale, né?)

  48. Zbigniew said

    Caro Elias,
    obrigado pelas valiosas informações. Você como sempre solícito em compartilhar conosco seus profundos conhecimentos sobre a matéria.
    Gostaria de me aprofundar neste assunto, pois acho que influenciou em muito o que é, hoje, a sociedade brasileira. Principalmente no que se refere à identidade da nossa elite, dos meios de comunicação e dos partidos políticos. Esse período entre 1932 e 1985, que ficou meio obscuro, envolto em versões “patrióticas” e intocáveis, acho interessantíssimo. Como você diz, agora com o distanciamento histórico e as novas circunstâncias (que estão a impedir aqueles que gostariam de um retrocesso àquela época), está em tempo de revisionarmos (lógico, naquilo que precisar de uma revisão) e esclarecermos o período. Você e outros que têm mais conhecimentos dos fatos, têm, hoje, voz ativa nas redes sociais, lugar que, a cada dia está a substituir o stablishmente midiático e cultural. Mais uma vez obrigado pelas informações, lamentando apenas não ter mais conhecimento para “travar” contigo uma boa prosa sobre o assunto.

  49. Elias said

    Zbigniew,

    Boa parte do que eu disse aqui já está registrada em livros, principalmente nos trabalhos do Elio Gaspari e do Celso Castro, no “Depoimento” do Carlos Lacerda (que o Corvo não chegou a ver publicado), no “Chatô” do Ruy Castro, e também no trabalho do americano Billy Chandler (pra mim, ainda melhor do que o de Thomas Skidmore), e muitos outros mais.

    Além disso, há um livro interessante, cujo nome não me ocorre agora, e que recolhe os depoimentos dos mais destacados oficiais superiores das 3 armas, lá pelos anos 1980. Todos — inclusive Newton Cruz — fizeram uma apreciação crítica sobre o que fora o regime militar. Todos — inclusive Newton Cruz — concluíram que o AI-5 foi um erro. Que, no momento em que ele foi decretado, os militares já deveriam estar fora do poder. Todos eles concluíram que o erro começara com a prorrogação do “mandato” do Castelo, e que a eleição de Costa e Silva tinha sido, apenas, a consequência e o agravante. Para eles, o correto teria sido Castelo concluir o mandato do Jango e entregar o poder ao civil que fosse eleito em substituição. Convenientemente, a capa do livro é verde-oliva…

    Só que isso já é ver as coisas com o “olhar do futuro”. Com os olhos de quem já sabe o que aconteceu depois. Sabe no que deu, como e por quê…

    Em 1964, dificilmente um oficial do Exército, p.ex., diria algo parecido. Tirando um ou outro, de formação mais “aristocrática”, a maioria vivia com a cabeça empanturrada das ilusões “cesaristas” (“pé no chão”, como se dizia…).

    Para essa maioria, só quem tinha um projeto de país para o Brasil eram os militares. Os civis, desorganizados, desarticulados e politicamente imaturos, não sabiam pra onde nem como ir. Os que achavam que sabiam “como”, não sabiam “pra onde”… Reciprocamente, os que pensavam que sabiam “pra onde”, não sabiam “como”. Os políticos eram desonestos e só pensavam em si mesmos. A elite empresarial era gananciosa, desonesta, entreguista, sem visão de futuro e socialmente insensível. E assim por diante…

    Esa maioria estava convencida, portanto, de que os únicos que sabiam dizer “pra onde” e “como” o Brasil deveria ir, eram os militares, que, além disso, eram a única parcela organizada da população brasileira que colocava o país acima de seus próprios interesses pessoais.

    Nas circunstâncias, isso era juntar fome com necessidade de comer…

    A ideia era reestruturar o país, reorganizar tudo, modernizar e, feito isso, devolver gradualmente o poder aos civis, com uma população educada, etc e tal…

    Daí o ranço ferrabrás ideológico que caracterizou o comportamento dos militares, logo depois do golpe (O Costa e Silva, p.ex., achava que os banqueiros eram como esterco: a gente precisa deles pra adubar o solo, mas, nem por isso, eles deixam de ser m… Ele gostava de dizer algo assim pro Magalhães Pinto, que ouvia calado e não abria a boca pra falar o que quer que fosse, enquanto Costa e Silva estivesse presente. Quando, por acaso ou descuido, Magalhães Pinto caía na besteira de sussurrar alguma coisa na presença de Costa e Silva, este desatava uma parte de sua vasta coleção de insultos, calando a boca do agiota mineiro).

    Foi a fase áurea do “cesarismo”…

  50. Zbigniew said

    E aí a questão do “milagre brasileiro” da década de 70. Dá para ter uma noção do porquê de o país não ter deslanchado. Acho que os militares tinham até um desejo de colocar o Brasil num movimento de desenvovimento contínuo, mas isto não se sustentou, não é verdade? Com a complexidade de um mundo como esse nosso, em gestação já naquela época, má já bastante complexo, com as nuances da guerra-fria, sem uma elite competente e nacionalista não tinha como dar certo.

    Obrigado pela bibliografia, caro Elias.

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