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    Uma coletânea das notícias da corrupção, desvios, anomalias, eleições e meio ambiente que aparecem na mídia todos os dias a partir de agosto de 2008.
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A agonia de Lúcio Flávio Pinto e a omissão da rede Globo

Posted by Pax em 30/01/2013

O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto comete um grave crime: falar a verdade.

Recebi por email esta nota que soltou sobre seu caso. Impressiona a omissão da Rede Globo sobre as atitudes de sua afiliada. Nenhuma notícia sobre o caso.

O MEU PROCESSO
Lúcio Flávio Pinto

Sou muito grato às pessoas que expressaram sua solidariedade à minha causa e àquelas que manifestaram interesse pelo meu “caso” judicial. Como a questão jurídica é complexa e esse complicador natural foi agravado pelo modo de proceder do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, presto à opinião pública informações que a ajudarão a bem acompanhar a situação atual e sua evolução.

Ainda não há uma sentença condenatória contra mim no juízo singular, que recebeu e ainda processa ação de indenização proposta contra mim por Romulo Maiorana Júnior e Delta Publicidade, o principal executivo e a firma proprietária de O Liberal, jornal diário das Organizações Romulo Maiorana, que controlam o maior império de comunicação do norte do país, afiliado à Rede Globo de Televisão.

O que houve foi que o segundo juiz a instruir o processo, Mairton Carneiro, decidiu encerrar a instrução e decidir antecipadamente a lide. Negou-me o direito de serem ouvidas minhas testemunhas e a produção de provas que requeri. Os dois instrumentos já haviam sido deferidos pela magistrada que o antecedera.

Para não protelar o andamento do processo, desisti das testemunhas, mas mantive a exigência dos documentos. Eles eram as demonstrações financeiras de Delta Publicidade referentes aos exercícios de 2004 e 2005, acompanhadas dos documentos legais. A prova devia ter sido produzida pelos autores da ação.

Eles alegaram “perda de capital” em função do artigo que escrevi no meu Jornal Pessoal, com o título de “O rei da quitanda”. A perda seria equivalente a 300 mil salários mínimos, o mesmo valor dos danos morais dos quais também se queixam (no total, quase 410 mil reais de hoje, sem os acréscimos legais). Se houve mesmo perda de capital, ela teria que ser apontada entre um e outro exercício, já que o artigo é de 2005.

Romulo Jr. e Delta se recusaram a fornecer os documentos. Foi o que declararam em plena audiência, diante do juiz, caracterizando a desobediência judicial. Seu representante chegou a dizer que desistiria do dano material se fosse obrigado a abrir suas contas e documentos que as instruem. Por quê? Quem acessar o Diário Oficial do Pará e buscar esses balanços, já por sua simples visualização, entenderá as razões da recusa.

O tribunal declarou a perda do objeto do meu recurso contra essa decisão porque a quarta juíza na instrução processual já teria acolhido o meu pedido. Mostrei não ser verdade: foi deferida a apresentação de apenas um dos balanços, não o seguinte, que permitiria a comparação. Nem se mostrava disposta a enfrentar a reação dos autores da ação.

Além de declarar a perda do objeto da minha ação, o tribunal também decidiu não acolher o recurso porque eu não juntara a procuração dos advogados do Maiorana e da Delta. Ignorou, na apreciação dos meus três recursos, a Certidão de Intimação do diretor de secretaria da 6ª vara cível, que, consultando os autos do processo, em seu cartório, disse que lá constava o instrumento de mandato outorgado pelos autores da ação em favor do advogado Jorge Borba Costa. O documento está às folhas 19 do processo. Mas os relatores dos recursos na 3ª câmara cível isolada do TTJE não tomaram conhecimento dele. Continuaram a proclamar que procuração não havia.

A cada nova negativa eu voltava com as provas devidas da contradita, mas sem qualquer sucesso. Até que, na última rejeição, publicada no dia 22, os relatores da recusa ao seguimento dos meus recursos (especial e extraordinário) foram buscar novos motivos de direito, deixando de lado os fatos.

A justiça do Pará já decidiu que tenho que ser condenado e ponto final. Não está disposta a considerar o que digo, o que fulmina a razão de ser da justiça num verdadeiro estado democrático de direito: a garantia ao contraditório e à mais ampla defesa. No Pará, ao menos para mim, foi abolido o devido processo legal.

Ainda não, porém. Cabe um último recurso: um novo agravo para que o recurso especial suba a Brasília e seja apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça e o recurso extraordinário vá ao Supremo Tribunal Federal. A justiça do Pará encerrou sua participação nesta etapa do processo. Cabe-lhe apenas verificar se meu agravo atende as exigências legais para ser recebido e mandar a outra parte se manifestar. Feito isso, deslocará os autos para Brasília, onde prosseguirá a contenda.

Ainda há, portanto, muito caminho a percorrer e barreiras a ultrapassar. Espero conseguir em Brasília o que não foi possível em Belém: a justiça. Se ela não vier nessa instância, o processo voltará para a decisão no juízo de origem da ação, onde será proferida a sentença e de novo será preciso seguir as estações recursais (e de martírio) da justiça paraense, enfrentando as vontades preconcebidas, os interesses escusos e a volúpia repressiva daqueles que não querem ver a democracia plenamente restabelecida no país.

Espero ter ao meu lado todas as pessoas que se têm manifestado para enfrentar outra vez tais adversidades e adversários. Se tudo foi vetado no plano das coisas imediatas, a utopia ainda subsiste como luz projetada sobre o futuro. E nós a seguiremos.

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15 Respostas to “A agonia de Lúcio Flávio Pinto e a omissão da rede Globo”

  1. Jose Mario HRP said

    Em se falando em dramas , no dia que se homenageia os mortos do holocausto(ontem) homenagem também a esse espirito nobre brasileiro, o Senhor embaixador Souza Dantas, de magnifica memória!

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Martins_de_Sousa_Dantas

  2. Jose Mario HRP said

    Aqui outro anjo que nasceu entre nós, com muita honra:

    http://www.sinteemar.com.br/adm/uploads/715e6a8f53f14cb63973254570c9227f.pdf

  3. Pax said

    Da lavra recente de Lúcio Flávio Pinto, no Observatório da Imprensa

    http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed731_quem_matou_paulo_francis

  4. Jose Mario HRP said

    Esse é para o PAX!
    A eterna corrupção:

    http://politica.elpais.com/politica/2013/01/30/actualidad/1359583204_085918.html

  5. Pax said

    Caro HRP,

    É uma realidade geral? É, sim.

    Tem lugar/país que reduziram bastante? Tem, sim.

    De onde saiu essa redução? Do povo, da sociedade que aprendeu a reclamar.

    Renão – Renan, não.

  6. Pax said

    Ilimar Franco, O Globo

    O PSDB anunciou ontem que não vai apoiar Renan Calheiros (PMDB-AL) para a presidência do Senado. Fez bonito para a plateia. Mas seu líder, Álvaro Dias (PR), nos bastidores, negociou com Renan para que o partido mantenha a 1ª secretaria da Casa. Seu ocupante, nos próximos dois anos, vai administrar orçamento de R$ 8 bilhões. O candidato dos tucanos é Flexa Ribeiro (PA).

  7. Chesterton said

    Informação do site Consultor Jurídico:

    O jornalista Paulo Henrique Amorim pediu desistência da reclamação que ajuizou no Supremo Tribunal Federal contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que o condenou a pagar R$ 250 mil em indenização por danos morais ao banqueiro Daniel Dantas. A desistência foi pedida após o caso ter sido distribuído ao ministro Marco Aurélio.

    O blogueiro entrou com a Reclamação no STF depois de tentar três cautelares no Superior Tribunal de Justiça. Todas foram rejeitadas. Ele ainda interpôs Recursos Especial e Extraordinário, que estão em fase de apreciação pelo TJ-RJ.

    Amorim foi processado pelo banqueiro por conta de comentários publicados no blog do jornalista. A ação correu na 23ª Cível do Rio de Janeiro. Na sentença, a primeira instância rejeitou o pedido de indenização por danos morais feito por Daniel Dantas. “O acolhimento do pedido do autor revelaria, na verdade, um tipo de censura, um retrocesso inadmissível que esta magistrada não endossará”, disse a juíza.

    Na ocasião, ela também repeliu o pedido de identificação do IPs dos leitores do blog do jornalista. “Parece-me que o mesmo [pedido] revela muito mais um intuito de ameaça aos leitores e ao réu, e menos a verdadeira intenção de identificá-los”, disse.

    Dantas recorreu e conseguiu reverter a decisão na 1ª Câmara Cível. Em votação unânime, os desembargadores condenaram o jornalista a pagar R$ 250 mil a Daniel Dantas por danos morais. No acórdão, o jornalista foi responsabilizado por comentários anônimos de leitores que, segundo os desembargadores, são publicados com seu aval. Alguns dos comentários, segundo a defesa de Dantas, incitavam inclusive à violência física contra o banqueiro.

    Na reclamação, a defesa do jornalista argumentou que a Constituição Federal garante o direito à livre manifestação do pensamento e que a condenação imposta ao jornalista contraria entendimento firmado na Arguição por Descumprimento de Preceito Fundamental 130-7/DF, que derrubou a Lei de Imprensa, e citou jurisprudência do STF.

    “A crítica que os meios de comunicação social dirigem às pessoas públicas, especialmente às autoridades e aos agentes do Estado, por mais acerba, dura e veemente que possa ser, deixa de sofrer, quanto ao seu concreto exercício, as limitações externas que ordinariamente resultam dos direitos da personalidade”, afirmou Celso de Mello ao rejeitar pedido de indenização de um desembargador contra o jornalista Claudio Humberto.

    de o implicante

  8. Patriarca da Paciência said

    “Até hoje não se sabe qual a orientação dada pelos dois advogados que Francis contratou. Sabe-se apenas que ele reclamava publicamente do serviço da sua defensora americana, por considerá-lo caro (nos últimos tempos de vida ele parecia sovina nessas despesas). Será que nenhum deles lhe assegurou o que acabou acontecendo, o arquivamento do processo, semanas depois da morte do jornalista, por inadequação do foro?”

    Não sou nenhum “expert” em direito processual, mas acredito que o nosso caro Lúcio Flávio Pinto deu uma pequena derrapada aí. Não sei como a coisa funciona nos Estados Unidos. No Brasil, em caso de morte do réu, os processos são automaticamente extintos.

    No caso de uma reparação moral, se o ofensor morre, faz sentido continuar o processo?

    Acho que o negócio do Paulo Francis foi mesmo o fato dele estar acostumado a vilependiar a quem bem entendesse e encontrou quem respondeu à altura.

    O Diogo Mainardi se exilou na cidade dos ratos.

    O Augusto Boçal e o Reinaldo Rola Bosta vão pelo mesmo caminho.

  9. Patriarca da Paciência said

    O nosso caro Lúcio Flávio Pinto comete mais uma derrapada. Como transferir uma ofensa moral para os herdeiros?

    Também não faz o menor sentido.

    Se fosse a cobrança de uma dívida, tudo bem, o espólio pagaria.

    Acontece que a dívida não existia. O objeto da ação não era cobrança de dívida e sim punição por uma ofensa.

    Ofensa moral não pode ser transferida.

  10. Patriarca da Paciência said

    Acho que o nosso cara Lúcio Flávio Pinto deveria aprender um pouco com o Lula, ou seja, falar as verdades e não ofender diretamente ninguém.

    É uma regrinha simples mas que funciona.

    O “aparelho judicial” é composto por milhares de pessoas. É algo profundamente complexo. Se movimentar no meio de tamanha complexidade é algo que exige o máximo de atenção.

    Mas é claro que ele merece toda a solidariedade do mundo e… já está conseguindo!

    O Observatório da Imprensa sempre faz referências a ele.

    Espero que ele consiga cada vez mais solidariedade!

  11. Michelle 2 said

    Dirceu diz que acusações contra Renan são ‘falso moralismo’ (FSP).

    Vixe Pax você se considera um falso moralista???

  12. Chesterton said

    Para o Elias Chorar…

    Sardenberg: governo brasileiro consegue desastre de grande competência, ao fazer a Petrobras perder dinheiro

    A PETROBRAS PERDEU ATÉ O SENSO

    Sabe qual a melhor coisa que poderia acontecer para a Petrobras? Uma forte queda do preço internacional do petróleo. Isso derrubaria também as cotações da gasolina e do diesel, produtos que estão quebrando a estatal brasileira. Como não há produção interna suficiente desses combustíveis, a companhia tem que importá-los. Como o governo Dilma segura os preços internos para conter a inflação, a Petrobras se vê na situação esdrúxula de comprar caro e vender barato – que perdura mesmo depois do reajuste anunciado na última terça.

    Prejuízo na veia.

    Logo, se o governo não deixa aumentar mais o preço interno, resta torcer pela queda da cotação internacional.

    Pode? Uma companhia petrolífera, dona de reservas elevadas, dependendo de uma queda no preço de seu principal ativo!

    Acrescente aí uma forte valorização do real e o quadro “melhoraria” ainda mais para a estatal. Se o dólar voltasse, digamos, para R$ 1,70, a Petrobras economizaria cerca de 15% nas suas compras externas de combustível.

    Claro que, nesse caso, também cairia o valor das reservas da Petrobras. De novo, pode? Uma companhia precisando de queda no valor de seu patrimônio.

    Por outro lado, que sempre tem, a queda do preço internacional de petróleo colocaria em risco a operação no pré-sal. Ainda não se sabe o custo exato, pois a tecnologia está em desenvolvimento, mas certamente será muito caro retirar o óleo lá do fundão do oceano. Assim, se a cotação global cair muito, o pré-sal torna-se economicamente inviável.

    Consequências: a Petrobras não conseguiria financiamento para as novas operações e os Estados e municípios perderiam os royalties pelos quais tanto brigaram.

    Ou seja, é uma ideia de jerico torcer pela queda dos preços internacionais do óleo e dos combustíveis.

    De outro lado, ainda, um dólar mais barato facilitaria as importações de equipamentos para extração e refino. Bom, não é mesmo?

    Seria, se as políticas para o setor tivessem alguma lógica. Ocorre que a Petrobras é obrigada pelo governo a dar preferência ao produtor nacional, mesmo pagando mais caro, até um certo nível. Ora, com o real valorizado, a diferença de preços entre o local e o estrangeiro ficará bem maior, de modo que a estatal não terá como justificar a compra do equipamento made in Brasil.

    Isso destruiria a política do governo para estimular a indústria nacional ou, caso o modelo fosse mantido, aumentaria os custos da Petrobrás em reais.

    Ou seja, é outra ideia de jerico torcer pela valorização do real neste caso.

    Voltamos assim ao senso comum, pelo qual uma companhia de petróleo deve se dar bem quando o preço do petróleo está em alta. Esta lógica não mudou. O que a subverte é a gestão do governo brasileiro. Um desastre de grande competência: não é fácil fazer uma petrolífera perder dinheiro.

    Outra coisinha: lembram-se de toda aquela campanha do governo Lula comemorando a autossuficiência em petróleo? Pois é, foi só marketing eleitoral. Só não, porque a estatal, que não pertence só ao governo, muito menos ao PT, pagou por aquela fraude. Custo na veia da população.

    Protecionista quem?

    Andam dizendo por aí que as negociações comerciais entre Mercosul e União Europeia (UE) não avançam por causa por causa do protecionismo dos dois lados.

    Curioso. A UE, só na América Latina, tem acordos de livre comércio fechados com Chile e México (já em vigor) e mais Peru, Colômbia e América Central (a vigorar neste ano). Fora da região, tem acordos com diversos países da Ásia, inclusive Coreia do Sul, e esta prestes a iniciar negociações com os Estados Unidos.

    Já o Mercosul tem acordos com Israel e Jordânia.

    Mas, dizem governo Dilma e aliados, neste ano as conversas com a Europa vão avançar.

    Sério?

    Se o Brasil não consegue ter livre comércio nem com a Argentina, principal sócia no Mercosul, se a Argentina, pelo calote, está excluída do mercado financeiro global, e se a Venezuela, nova sócia, só quer acordos com os amigos bolivarianos, Cuba, por exemplo, quem mesmo vai negociar com a UE?

    No último fim de semana, a Comunidade dos Estados da América Latina e Caribe, Ceal, reuniu-se com a UE – encontro de cúpula, solene. Olhando bem, no entanto, os líderes europeus mantiveram duas conversas bem diferentes. Uma com o pessoal do Mercosul – só protocolar, para os fotógrafos.

    Outra, para valer, com o chamado bloco do Pacífico, liderado por Chile, Peru, Colômbia e México. Enquanto o Mercosul torna-se cada vez mais restrito ao grupo bolivariano de Chávez, Cristina Kirchner e outros menores, o bloco do Pacífico já tem acordos com os EUA, Europa e negocia um megatratado com a Ásia.

    Devem estar todos equivocados, não é mesmo?

  13. Chesterton said

    Lula e a falência da ‘Doutrina Garcia’, por Demétrio Magnoli
    Demétrio Magnoli, O Globo

    Lula sabe mais que os “intelectuais progressistas” reunidos em seu instituto para, nas palavras do assessor Luiz Dulci, “definir um plano de trabalho para o desenvolvimento e integração” da América Latina.

    Há muito reduzidos à condição de intelectuais palacianos, os convidados celebraram os “avanços” na integração regional e a miraculosa clarividência do ex-presidente. O anfitrião, contudo, pediu-lhes algo diferente da bajulação habitual: a formulação de uma “doutrina” da integração latino-americana.

    No décimo-primeiro ano de poder lulista, o pedido traz implícito o reconhecimento de um fracasso estrondoso de política externa — e da crise regional que se avizinha.

    “Não tem explicação, depois de mais de 500 anos, eu inaugurar a primeira ponte entre Brasil e Bolívia; não tem explicação, depois de mais de 500 anos, eu inaugurar a primeira ponte entre Brasil e Peru”, proclamou o ex-presidente, sem ser corrigido por nenhum dos intelectuais que decoravam o ambiente.

    O trem inaugural da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré chegou a Guajará-Mirim em abril de 1912.

    Os presidentes Café Filho e Paz Estenssoro inauguraram a Estrada de Ferro Brasil-Bolívia em Santa Cruz de La Sierra, em janeiro de 1955.

    A Ponte da Amizade, sobre o Rio Paraná, uma ousada obra de engenharia, foi inaugurada em 1965, conectando o Paraguai às rodovias brasileiras e ao porto de Paranaguá.

    As pontes que Lula inaugurou estavam previstas na Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), aprovada na conferência de chefes de Estado de Brasília, em 2000, no governo FHC.

    De lá para cá, sob o lulismo, integração regional converteu-se em eufemismo para alianças políticas entre governantes “progressistas”.

    Desde 2003, com a nomeação de Marco Aurélio Garcia como assessor especial da Presidência, a política brasileira para a América Latina foi transferida da alçada do Itamaraty para a do lulopetismo, impregnando-se de reminiscências políticas antiamericanas, terceiro-mundistas e castristas.

    O coquetel conduziu-nos ao impasse atual, que Lula é capaz de identificar mesmo se tenta disfarçá-lo pelo recurso à bazófia autocongratulatória.

    A “Doutrina Garcia” rejeita a ideia de livre comércio, que funcionou como pilar original do Mercosul. A Argentina dos Kirchner aproveitou-se disso para violar sistematicamente as regras do Mercosul, desmontando o edifício da zona de livre comércio.

    No seu instituto, Lula denunciou a “preocupação maior de relação preferencial com os EUA ou com a Europa ou com qualquer um, menos entre nós mesmos”. Entretanto, na celebrada última década, a América Latina não aprofundou o comércio intrarregional, limitando-se a estabelecer uma “relação preferencial” com a China, que absorve nossas exportações de commodities.

    O primitivismo ideológico impede até mesmo a conclusão de um tratado comercial Brasil-México, elemento indispensável em qualquer projeto de integração latino-americana.

    A “Doutrina Garcia” acalenta a utopia de uma integração impulsionada por investimentos estatais e de grandes empresas financiadas por recursos públicos.

    Contudo, a estratégia de expansão regional do “capitalismo de estado” brasileiro esbarrou nas resistências nacionalistas de argentinos, bolivianos e equatorianos, que assestaram sucessivos golpes em negócios conduzidos pela Petrobras e por construtoras beneficiadas por empréstimos privilegiados do BNDES.

    Numa dessas amargas ironias da história, o espectro do “imperialismo brasileiro” reemergiu como acusação dirigida por líderes latino-americanos “progressistas” contra o governo “progressista” de Lula.

    A “Doutrina Garcia” almeja promover a liderança regional do Brasil, preservar o regime autoritário cubano e erguer uma barreira geopolítica entre América Latina e EUA.

    Em busca da primeira meta, o Brasil colidiu com as pretensões concorrentes da Venezuela de Hugo Chávez, que criou a Aliança Bolivariana das Américas (Alba). A concorrência entre o lulopetismo e o chavismo paralisa a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), esvaziando de conteúdo suas reuniões de cúpula.

    Em busca das outras duas metas, que compartilha com o chavismo, o Brasil ajudou a converter a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) numa ferramenta de proteção da ditadura castrista e de desmoralização da Carta Democrática da Organização dos Estados Americanos (OEA).

    Dias atrás, Cristina Kirchner definiu a ascensão de Cuba à presidência rotativa da Celac como o marco de “uma nova época na América Latina”. Ela tem razão: é o fim da curta época na qual os Estados da região levaram a sério seus proclamados compromissos com os direitos humanos e as liberdades públicas.

    Distraídos, os intelectuais palacianos nada perceberam, mas a falência da “Doutrina Garcia” foi registrada no radar de Lula.

    De um lado, abaixo do celofane brilhante da Unasul e da Celac, desenvolve-se um processo que deveria ser batizado como a desintegração da América Latina. A principal evidência disso encontra-se na emergência da Aliança do Pacífico, uma área de livre comércio formada sem alarido por México, Colômbia, Chile e Peru, aos quais podem se juntar o Panamá e outros países centro-americanos.

    De outro, lenta mas inexoravelmente, desmorona a ordem castrista em Cuba, aproxima-se uma incerta transição na Venezuela chavista e dissolve-se o consenso político kirchnerista na Argentina.

    Quando clama por uma nova “doutrina” da integração latino-americana, o ex-presidente revela aguda consciência da encruzilhada em que se colocou a política externa brasileira.

    A consciência de um problema é condição necessária, mas não suficiente, para formular suas possíveis soluções. Lula e seu cortejo de intelectuais não encontrarão uma “doutrina” substituta sem lançar ao mar o lastro de anacronismos ideológicos do lulopetismo. Isso, porém, eles não farão.

    Demétrio Magnoli é sociólogo

  14. Elias said

    Patriarca,

    O Lúcio Flávio Pinto está certo quanto a que o ajuizamento contra Paulo Francis não prosperaria nos EUA.

    Não prosperaria porque: (a) o programa não era exibido nos EUA (é o mesmo que processar no exterior um correspondente que, ao escrever ou gravar seu artigo ou matéria de tevê, supostamente ofendeu alguém que mora no Brasil, onde o artigo será publicado ou a matéria de tevê exibida… Simplesmente não dá); (b) a sede e foro da emissora que veiculou a matéria é no Brasil (ela só perderia esse foro se exibisse seu programa em outro país; aí o processo poderia rolar no país onde o programa fosse exibido).

    Lúcio Flávio Pinto, DIFERENTEMENTE DO PAULO FRANCIS, jamais ofendeu a quem quer que seja. E ele jamais publicou o que quer que seja, que não possa facilmente provar.

    No caso do Romulo Maiorana, Lúcio disse, em um artigo no seu Jornal Pessoal, que houve um veto militar a que esse empresário assumisse um canal de tevê, porque, para os militares, Romulo era ou havia sido ligado ao contrabando.

    A existência dessa acusação é absolutamente verdadeira, como qualquer pessoa alfabetizada pode facilmente constatar lendo a ficha de Romulo Maiorana no SNI (que, após a redemocratização, foi divulgada).

    Se a acusação — DOS MILITARES, não do Lúcio Flávio Pinto! — era procedente ou não, é outro papo.

    Pra driblar o veto, Romulo Maiorana teve que colocar a TV Liberal em nome de três amigos e empregados seus. Quando ele se livrou da má vontade dos militares, passou a emissora pro seu nome (um dos amigos, não tão amigo assim, parece que cobrou e recebeu indenização de Rômulo Maiorana).

    Lúcio Flávio Pinto conhece essa história como ninguém, até porque foi um dos colaboradores mais próximos de Romulo Maiorana. Aliás Lúcio Flávio foi parceiro de Romulo na redação da coluna “Repórter 70”, a mais lida do jornal “O Liberal”. A bem da verdade, Romulo Maiorana tinha com Lúcio Flávio um relacionamento quase paternal. Não eram, simplesmente, patrão e empregado.

    O Jornal Pessoal, do Lúcio Flávio Pinto (inspirado no de I. F. Stone), foi criado pra publicar aquilo que, por uma série de questões políticas e comerciais, não poderia ser publicado n´O Liberal. Mas o Jornal Pessoal era impresso, sem ônus, nas oficinas de “O Liberal”. Solucionava o dilema do Romulo: “Não posso publicar, mas, também, não quero censurar”.

    Daí porque os ânimos se exaltaram tanto com o artigo de Lúcio Flávio, que já vivia às turras com os herdeiros de Maiorana, porque, em outra matéria, Lúcio dissera que eles estavam vampirizando as empresas que o pai lhes havia deixado.

    E quanto às acusações dos militares a Romulo Maiorana?

    Logo após o golpe de 1964, os militares usaram e abusaram de acusações forjadas, pra se livrar de adversários reais ou imaginários. Aqui no Pará, as acusações preferidas eram: (1) comunista; (2) bicheiro; (3) contrabandista; (4) corrupto.

    Por exemplo: pra abrir as portas da política paraense para entrada triunfal do tenente-coronel Jarbas Passarinho (como governador do Estado), e do major Alacid Nunes (como prefeito de Belém), a solução fácil e rápida foi acusar o governador Aurélio do Carmo e o prefeito de Belém, general Moura Carvalho, de ligação com o jogo do bicho.

    Por causa disso, Aurélio do Carmo e Moura Carvalho foram depostos e cassados (mesmo tendo ambos, do PSD, apoiado abertamente o golpe militar). Acontece que ambos eram popualríssimos (Aurélio se elegera com mais de 70% dos votos válidos). Certamente fariam sombra às ambições políticas de Jarbas e Alacid. Assim, lá por volta de junho de 1964, foram ambos, Aurélio e Moura, depostos e cassados.

    A própria família de Lúcio Flávio Pinto provou desse veneno. Seu pai, Elias Pinto, foi eleito prefeito de Santarém (dos poucos prefeitos eleitos em 1966 em oposição ao regime militar). O regime considerou essa eleição uma afronta. O já tenente-coronel Alacid Nunes, eleito governador do Pará, decidiu depor Elias Pinto, acusando-o de corrupto, comunista e sai lá o quê mais. Elias Pinto não era comunista, e, até hoje, não se sabe de um único ato corrupto dele. Mesmo assim a ditadura o depôs, na marra, com tiroteio e tudo. No tiroteio, aliás, foi ferido o brigadeiro Haroldo Veloso (o mesmo que liderou a revolta da Aeronáutica contra JK, em Jacaré-Acanga/Santarém/Cachimbo). Embora fizesse parte do regime militar, Haroldo Veloso discordou da deposição de Elias Pinto e resistiu à força militar destacada pra esse fim. Voou bicho bala pros dois lados. Haroldo Veloso foi gravemente ferido e acabou morrendo por causa disso.

    Aurélio do Carmo teria um destino diferente. Mais à frente, ainda durante o regime militar, em 1967 ele seria inocentado — EM JUÍZO! — de todas as acusações que lhe foram feitas pelos militares. Estes acabaram recuando e retirando as tais acusações.

    Mas o fal estava feito. Palavras ditas e porradas dadas, nem Deus tira… Aurélio fora deposto e nunca mais retornaria à política. Moura Carvalho morreu pouco depois, sem jamais retornar à política. Enquanto isso, Jarbas e Alacid foram pro algodão, de onde só sairiam nos anos 1980, com a redemocratização (no jogo democrático, o tal “potencial eleitoral” de ambos virou farelo…). Quando Jader Barbalho assumiu o governo do Estado, indicou Aurélio do Carmo para o TJE. O ex-governador acabou se aposentando como desembargador do Judiciário paraense.

    Moura Carvalho e Aurélio do Carmo eram herdeiros do “baratismo”, corrente política que reunia PSD e PTB, e que mandava no Pará desde 1930 (Jader Barbalho também é herdeiro político — de 3ª geração — do “baratismo”).

    Os militares tinham pavor de enfrentar os “baratistas” em eleições, porque os herdeiros do caudilho Magalhães Barata operavam uma máquina político-eleitoral eficientíssima. Pra anular isso, os militares desmontaram a máquina, cassando os ditreitos políticos da maioria dos líderes políticos pessedistas e petebistas, sob os mais diferentes — e quase sempre, injustos — pretextos. Aurélio do Carmo foi uma vítima dessa estratégia. Elias Pinto, outra. Os militares cabaram formando uma imensa pilha de vítimas, que lhes custaria caro pra caramba, eleitoralmente, a partir de 1982.

    Como é que Romulo Maiorana entrou nessa?

    Simples. Ele se casou com Déa, sobrinha do Barata. Ele comprara o jornal “O Liberal”, órgão do baratismo, semi-falido, e o estava transformando no jornal de maior circulação da Região Norte. (Até hoje, esse jornal supera tecnologicamente a maioria dos jornais brasileiros. É comum que órgãos de imprensa do sudeste imprimam publicações mais sofisticadas nas oficinas d´O Liberal). Romulo também comprara a “Rádio Liberal”, outro órgão do baratismo, e a estava transformando na emissora de maior audiência no Estado.

    Quando ele partiu pra emissora de tevê, os militares devem ter achado que a coisa estava indo longe demais… Aí vetaram A acusação de “contrabandista” era a mais fácil de se fazer, dadas as circunstâncias: no Pará, durante os anos 1950 e até o funcionamento da Belém/Brasília, quem não teve algum tipo de envolvimento com o contrabando?

    Ao seu estilo, Romulo comeu o mingau quente pelas beiras… Foi aplainando as arestas políticas, uma a uma, até pulverizar o veto.

    Aí partiu pra montar seu império, que existe até hoje, tocado pelos filhos. Não é mais o que era. Não tem mais o poder e a influência que teve com Romulo, mas, ainda assim, é algo impressionante.

    É de Romulo a autoria de uma frase que eu, volta e meia, uso em meus comentários, aplicada a outras circunstâncias. Ele dizia que “dirigir um jornal é como carregar um saco cheio de cascavéis nas costas, sem poder matar nenhuma…”.

  15. xt_blog said

    xt_blog

    A agonia de Lúcio Flávio Pinto e a omissão da rede Globo « políticAética

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